Unconditionally
7 Demons
Notas iniciais
When you feel my heat. Look into my eyes. It's where my demons hide. Don't get too close. It's dark inside. It's where my demons hide
O dia amanheceu extremamente frio. A chuva caia freneticamente do lado de fora da minha casa e a preguiça que eu tive para levantar da minha cama quentinha foi enorme. Agora aqui estou eu esperando a boa vontade da Leslie descer com uma xícara de chocolate quente e marshmallows encarando minha mãe e fingindo ouvir o que ela falava.
– Se aquela árvore de Natal não descer em cinco segundos eu vou ir puxar ela pelos cabelos — resmunguei colocando a xícara vazia no balcão e indo escovar meus dentes no lavabo do andar de baixo — O Perseu deve estar maluco.
– A maluca é você de ir de saia — Leslie apareceu nas escadas com duas malas gigantes.
– Pra que tudo isso? Vamos ficar três dias — resmunguei e ela deu ombros, revirei os olhos e dei um sorriso carinhoso para a minha mãe, que estava com a cara de sono ainda — Promete ficar bem e se cuidar?
– Não sou eu que devo falar isso para você? — ela arqueou uma sobrancelha e eu dei ombros — De qualquer forma, juízo ok? Não quero ser avó antes dos...
– Mãe! — revirei os olhos e ela me abraçou — Okay, agora deixe eu ir antes que o maluco do Jackson invada nossa casa e nos arranque daqui pelos cabelos.
– Vai lá, meu amor — ela sorriu enquanto eu pegava minha bolsa e minha única mala — Tchau, Leslie.
– Adios, titia — Leslie falou abrindo a porta e encarando a chuva com o nariz torto. Tão ela.
Puxei minha mala até a garagem aberta dos Jackson e presenciei uma cena bem irônica. Percy estava de braços cruzados encostado no carro ouvindo qualquer coisa que o pai dele estivesse falando. Nico estava quase dormindo pendurado na porta traseira.
– Hei, pra que tanta mala? — ele bocejou olhando para Leslie, que abriu a boca para falar só que ele a cortou — Tanto faz, na verdade, pode colocar no porta mala... Eu acho que está aberto.
– Por que você não faz isso para mim? — Leslie cruzou os braços, eu passei por ela e abri o porta malas do carro gigante de Percy, colocando minha mala lá.
– Eu não sou seu empregado — ele respondeu e Leslie bufou, me encarando mortalmente e depois guardando as malas no porta malas e o fechando o mesmo.
Cruzei os braços e olhei para o moreno de olhos verdes, vendo o tão quão ele era parecido com o pai. Agora eles estavam lado a lado, tinham quase a mesma altura e pelo olhar atendo de Percy para a chuva lá de fora, ele não ouvia nada o que o pai dizia.
Olhei para trás e vi que a Leslie já estava acomodada no banco de trás, Nico ainda estava da mesma maneira e parecia infinitamente tediado com aquilo.
Percy deu uns tapinhas no braço do pai e caminhou para o carro.
– Por que diabos ainda estão fora do carro? — ele cruzou os braços ao meu lado, Nico revirou os olhos e sentou ao lado da Leslie, batendo a porta do carro.
Respirei fundo e dei a volta, sentando no banco do passageiro e colocando meu cinto. O Perseu já ligava o carro e já estava com o cinto de segurança.
Ele saiu da garagem e dirigiu até o portão do condomínio, apertou a chave eletrônica e deu um aceno rápido para o porteiro. Saindo pelas ruas da Upper East Side e ligando o rádio em qualquer estação.
As ruas de Manhattan estavam bem movimentadas e a música da rádio era animada demais para o horário. Pelo retrovisor vi Nico com os enormes headphones no ouvido e com os olhos fechados, já Leslie estava de braços cruzados e com headphones rosa no ouvido. O cabelo meio esverdeado estava preso em um rabo de cavalo bem puxado e a franja estava meio molhada por causa da chuva que pegamos.
– Por que o porta malas está vazio? — perguntei olhando para o Perseu.
– Eu e o Nico sempre vamos para Moutauk, então já temos tudo o que precisamos lá — ele respondeu batendo os dedos no volante, já que o semáforo estava fechado.
– A chuva atrapalhou não é?
– Um pouco, mas talvez não esteja chovendo em Long Island — ele deu um meio sorriso — E se o trânsito andar, chegamos lá antes da hora do almoço.
– Alguém falou em comida? Estou morta de fome! — Leslie falou abaixando os fones e colocando a cabeça entre os bancos.
– Ninguem mandou não levantar mais cedo — murmurei dando ombros.
– Vai ter que esperar para comer, Leslie, eu realmente quero chegar logo em Moutauk e os Starbucks a essa hora são horríveis — Percy falou sem olhar para ela, a mesma bufou — E outra, sua prima tem razão.
– Está concordando com a Annabeth?
– Sim, pinheiro de Natal — ele resmungou.
– Pinheiro de Natal? — ela arqueou as sobrancelhas perfeitas.
– Ontem estava com um vestido verde e o seu cabelo também está meio verde, ai passou aquele batom vermelho e passou blush demais nas bochechas e ficou parecendo um pinheiro de Natal — Percy respondeu, me fazendo controlar o riso.
– Nico, faz alguma coisa — Leslie pediu chaqualhando o braço de Nico.
– Só mais cinco minutos, mãe — ele resmungou virando o rosto.
Leslie bufou e colocou os headphones novamente, colocando o cinto e fechando os olhos com força. Eu sorri.
O trânsito de Manhattan não parecia estar tão calmo assim quando chegamos ao Central Park, fazendo Percy bufar e lagar o volante rapidamente enquanto esperava o sinal distante abrir.
Nós ficamos parados ou andando muito pouco até depois de atravessarmos a ponte, e foi nesse mesmo momento em que o celular de Percy começou a tocar e ele o conectou ao carro.
– Bom dia, Lia — ele falou com a aparência seria.
– Aonde diabos você está?– a voz de Thalia era brava e sonolenta.
– Parado no trânsito — ele largou o volante de novo, bufando — Por que dezoito de agosto tem que ser tão terrível assim?
– O pessoal está voltando de férias? Ou está indo curtir o último final de semana de férias – ela disse como se fosse óbvio — Para onde está indo?
– Chicago...
– Não acredito que está indo para Chicago! Você prometeu.
– Eu preciso, Thalia — ele revirou os olhos, encenando a própria mentira.
– Perseu eu vou te matar quando voltar.
– Okay, fera — ele sorriu — Agora tchau.
Elê desligou a chamada antes mesmo delas responder, e eu acho que a Thalia ficou mais puta ainda por causa disso. Ou talvez não. Ah, sei lá para ser sincera.
Todos ficamos em silêncio e o trânsito pareceu finalmente andar com um pouco de mais tranquilidade e menos congestionamento, aparentemente, o humor de Percy melhorou um pouco com isso, apesar da chuva ter aumentado consideravelmente.
Leslie resolveu seguir o exemplo de Nico e também apagou no banco de trás, eu fiquei olhando a paisagem que mudava freneticamente enquanto a chuva ainda caía fortemente, a música se tornou menos animada e o Perseu começou a cantarolar algumas musicas que tocava durante o trajeto, sua voz era simplesmente maravilhosa.
Quando chegamos a Moutauk a chuva era fina e extremamente gelada, a cidade pequena e muito bonita me encantou e acho que Nico percebeu que tínhamos chegado, pois acordou no mesmo momento que passamos a plaquinha de "Bem Vindo à Moutauk".
Ele quase esmurrou a Leslie para ela acordar quando Percy guardou o carro na garagem de um chalé azul e grande. Acho que ele estava com um surto de cavalheirismo ou estava com muita pressa de entrar, já que, ele retirou as malas do carro e entregou para nós duas. Depois abriu o chalé beira-mar.
Eu imaginava que ele estaria cheirando a mofo e com poeira, mas não, ele cheirava a maresia com a mistura de produto de limpeza e aparentava ter sido limpado a pouco tempo. Nico nos mostrou a escada e disse que depois que comermos nos mostrava o nossos quartos, isso enquanto ele ia para a cozinha e abria a geladeira.
– Eu amo demais essa Mary, cara — ele disse pegando uma travessa de vidro e abrindo ela — Ela fez macarrão com quatro queijos!
– Quem é essa Mary? — Leslie arqueou as sobrancelhas.
– Uma senhora que cuida do chalé quando não estamos aqui, acho que meu pai avisou ela que iriamos vir e ela fez almoço para nós — Percy falou tirando a travessa da mão do Nico e colocando dentro do micro-ondas, depois ligando ele e pegando um bilhete da geladeira — É foi a filha dela que esteve aqui, e o melhor de tudo — ele abriu a geladeira novamente — Ela disse que depois vai vir aqui falar comigo.
– É, fera, ela está muito afim de você — Nico riu pegando o refrigerante e abrindo ele — Annabeth, pega os pratos nesse armário que está atrás de você e Leslie, se você não pegar vai ir dormir no sótão, pega os talheres na gaveta do meio.
– Não sou sua empregada.
– Pega, Leslie — o moreno dos olhos verdes falou e depois pegou os copos no armário em cima da geladeira cinza. Eu peguei os pratos e vi que a Leslie tinha pegado os talheres.
– Preciso de um banheiro — ela cruzou os braços, deixando os talheres em cima da bancada de mármore.
– A porta da esquerda desse corredor — Percy apontou com a cabeça, deixando os copos na mesma bancada. Leslie saiu andando — Pode colocar isso aqui mesmo, Annabeth, não temos uma mesa aqui — ele riu se virando e pegando a travessa do micro-ondas.
– Okay — coloquei os pratos no balcão e os arrumei, enquanto Percy colocava a travessa quente bem no centro e o Nico pegava algo na mesma gaveta que a Leslie — Nico, por que só dá patada na Leslie se quer tanto ficar com ela.
– Ela está acostumada com todos fazendo as coisas para ela, então eu acho que isso é coisa de gente escrota — ele falou olhando para o corredor e enfiando uma colher grande no macarrão — Odeio pessoas assim, mas ela é bem gostosa.
– Ela é boa de cama, Perseu? — arqueei as sobrancelhas e ele sorriu.
– Não sei, nunca levei ela para a cama — ele riu se sentando e se servindo — Finja que a casa é sua.
Eu fiz o que ele pediu e me servi com aquele macarrão que aparentava estar muito bom, Nico fez o mesmo e logo Leslie apareceu e também comeu sem reclamar de ninguém servir para ela.
Nós falamos de coisas diversas e Nico contou que ninguém além da minha mãe e do pai do Percy sabe que estamos aqui. Ele também deixou escapar que hoje era o aniversário de dezenove do Perseu que ficou muito raivoso com isso.
Leslie pulou no pescoço dele e o desejou feliz aniversário até ele praticamente jogar ela para fora do seu pescoço, eu dei ombros e voltei a encarar a televisão ligada em uma série qualquer.
No fim da tarde uma garota que aparentava ter a nossa idade apareceu. Os cabelos castanhos escuros trançados e os olhos também castanhos marcados com uma sombra branca, sua pele era bem bronzeada e ela abraçou o Percy por tanto tempo, que até parecia que os dois não se viam a anos.
– Eu fiz um bolo para você — ela disse pegando o bolo protegido com uma tampar alta de vidro — Minha mãe ajudou, eu admito.
– Bem, Percy, é azul — Nico riu esparramado no chão da sala do chalé — Oi Clair.
– Oi, Nico — ela deu um sorriso carinhoso para ele e depois olhou para o Perseu de novo — Bem, eu não posso ficar muito tempo e minha mãe também mandou uma torta de limão... Eu tenho um compromisso hoje.
– Alguém tem um encontro — Nico cantarolou rindo.
– Claro, meu encontro é uma ida a casa da minha madrinha — ela revirou os olhos e entregou o bolo para o Percy, pegando a torta na mesinha de centro e puxando o moreno para a cozinha. Logo eles voltaram rindo — Já sabe para qual faculdade vai?
– Infelizmente — Percy riu — Vou para o Pratt Institute, em NYC mesmo.
– Que bom — ela abraçou ele — Eu vou indo, beijos garotos e adeus meninas.
– Tchau, Clair. Agradeça sua mãe por mim — ele falou enquanto a menina vestia o casaco novamente e ela concordou, depois saiu pela porta.
Percy se jogou na poltrona e ficou encarando o teto por longos minutos e depois encarou o lado de fora da janela.
Eu voltei minha atenção para a televisão enquanto esperava Leslie descer novamente, já que ela tinha passado a tinta novamente no cabelo e tinha ido tomar banho para tirá-la de uma só vez.
Nico se levantou e subiu as escadas rapidamente, me deixando totalmente refém do Perseu. Bem, ele tinha prometido não me tocar e eu realmente não sabia se ele ia cumprir a palavra.
Me deitei no sofá e fechei meus olhos, pensando em coisas boas e me lembrando que faltava pouco para o aniversário da Silena, e que pela primeira vez não iria estar lá com ela, ouvindo ela falar a todo minuto do que iria fazer, que roupa ia usar ou se debater sobre qual penteado usar.
O Nico e a Leslie desceram juntos, alegando que iriam sair e que não tinham hora para voltar, então não eramos para esperar eles acordados e aquele clichê de "vamos deixar vocês sozinhos, nada de festas.".
Depois que eles saíram eu fui tomar banho e eu acho que o Perseu fez o mesmo, pois quando desci ele estava apenas com uma calça de moletom e com os cabelos molhados, mudando freneticamente os canais da televisão e finalmente deixando em uma comédia romântica que estava começando.
Leslie tinha razão, as noites eram bem geladas e eu agradeci por ter colocado algo não tão quente e não tão fraco na mala. Então apenas vesti uma calça de moletom e coloquei uma regata branca.
Me joguei ao lado do moreno e comecei a prestar atenção no filme. Ele era bem legal e bem clichê, eu odeio coisas clichês. Fora que eu já tinha visto esse filme com a Silena.
– O que acha de fazermos algo mais interessante do que ver filme? — me virei para o Perseu e ele não estava mais ali.
Desliguei a televisão e comecei a andar pela casa até encontrá-lo tirando o bolo de dentro da geladeira. Ele me olhou e eu fiz uma carranca brava, destruindo ela logo depois.
– Eu ia levar o bolo para a sala — ele comentou deixando o bolo no balcão e indo pegar duas colheres — Vem, estou com fome.
Ele me entregou uma colher e depois se sentou de frente para o bolo, abrindo ele e enfiando a colher no meio do glacê azul. Depois enfiou na boca e eu ri, me sentando na sua frente e fazendo a mesma coisa que ele.
– Deveríamos fazer aquelas coisas que se fazem em aniversários não? — eu ri e ele acompanhou, colocando mais bolo na boca — Tipo, cantar parabéns, apagar as velinhas e dividir o bolo corretamente.
– Não, não acho essas coisas legais — ele deu ombros, com um sorriso no rosto — E eu prefiro assim.
– Tudo bem, então — falei e coloquei outro pedaço na boca, olhando para suas íris verdes — Por que não transou com a Leslie?
– Por que não quis, não sou obrigado a transar com toda garota que dura beijo... É que nem você, te beijei três vezes e não é por isso que vou transar com você.
– Duas das vezes não valeu, Perseu — falei enfiando a colher no bolo — Então, me conte mais de você... É misterioso.
– Gosto de ser misterioso — ele deu ombros, olhando nos meus olhos — Dizem que quando vemos algo que gostamos, nossas pupilas dilatam e nesse momento a suas estão dilatadas. Ou seja, você gosta de mim.
– Não, Jackson — eu ri abaixando os olhos para o bolo e deixando meu cabelo cair no meu rosto para não mostrar que estava corada — Eu gostei do bolo.
– Aham, vou fingir que acredito, Pinóquio — ele riu e eu revirei os olhos, colocando mais bolo na boca.
– Então está saindo com a Thalia?
– Sim, ela me entende e entende meus demônios — ele falou olhando para o bolo, depois pegando mais um pedaço e colocando na boca.
– Aonde estão seus demônios?
Eu achei que ele ia ser grosso e de dar um pontapé bem legal como sempre, mas não, ele se inclinou para frente e segurou meu queixo, de modo que nossos rostos estavam próximos e eu podia ver seus olhos perfeitamente. Abaixei o olhar.
– Vamos, Annabeth, não quer saber? Então olhe para os meus olhos — ele pediu e eu obedeci — É aqui que meus demônios se escondem. Quando os dias são frios e quando as pessoas tentam achar calor no meu corpo, só olhar para os meus olhos e procurar meus demônios.
– Percy... — fechei os olhos por causa da sua voz fria.
– Não importa o que criamos, Annabeth, somos feitos de ganância — ele falou soltando meu queixo — Então não se aproxime muito, aqui dentro é escuro.
– Não tenho medo de escuro, Percy — falei deixando a colher no balcão e caminhando até ele — E eu quero me aproximar.
Ele se virou para mim e eu encarei sua íris verde escura, como um mar revolto, procurando pelos seus demônios.
– Não quero te decepcionar, mas o meu destino é o inferno — ele falou fechando os olhos — Não quero esconder a verdade. Eu tenho muitos demônios de todas as coisas que eu fiz.
– Dizem que é o que você faz, mas eu digo que é a fé... Apesar de não ter crescido com religião — falei passando os dedos nos seus lábios — Seus olhos estão sempre brilhantes que é difícil acreditar que tem demônios ai dentro.
– Mas tem — ele murmurou tirando minhas mãos do seu rosto — E eu acho melhor você não se aproximar, eu já avisei que é escuro aqui dentro.
– Mas eu também já avisei que não tenho medo de escuro — cruzei os braços enquanto via ele pegar mais bolo.
Ele me deu ombros e continuou a comer o bolo todo azul, olhando para a chuva que caía novamente do lado de fora pela pequena janela da cozinha do chalé. Eu não acreditava que ele estava fazendo isso.
Eu comi mais uns pedaços de bolo e depois joguei a colher dentro da lavadora, me sentei novamente de frente para ele e esperei ele me olhar para começar a procurar seus demônios nos seus olhos verdes. Mas suas pupilas estavam dilatadas.
Um relâmpago clareou ainda mais a cozinha e em seguida um trovão balançou o chalé, fazendo as luzes pisarem e o Perseu levantou o olhar rapidamente.
– Droga — ele falou deixando a colher em cima da bancada e tampando o bolo rapidamente, guardou ele na geladeira e começou a abrir as gavetas rapidamente, procurando sei lá o que — Vamos, vamos — ele murmurou e enfiou a mão dentro de uma gaveta, pegando uma caixa média e tirando várias velas de lá de dentro.
Ele enfiou a mão novamente e tirou um esqueiro azul de lá, acendendo as velas na mesma hora em que todas as luzes se apagaram e um grito agudo escapou de minha garganta.
– Não grita! É só uma queda de energia — ele falou terminando de acender as velas compridas, grossas e quadradas. Todas eram de cores diferentes — Quem sabe volte hoje.
– Quem sabe? — arregalei os olhos, pegando a vela que ele me estendia.
– É uma queda de energia, quando a chuva passar ela pode voltar ou levar apenas algumas horas, Annabeth — ele revirou os olhos e pegou minha mão — Vou ir procurar algumas lanternas, vai ficar aqui?
– É claro, Perseu — revirei os olhos me levantando e deixando ele me guiar para a porta que estava abaixo da escada — O que tem ai dentro?
– É um quarto de bagunça, tem bagunça e algumas coisas minhas e do Nico... Eu acho que tem uma lanterna aqui — ele falou abrindo a porta e começando a procurar a lanterna, enquanto eu via as coisas encostada no batente da porta.
Eu vi duas pranchas encostadas na parede, também tinha alguns pés de pato no chão e muitas caixas espalhadas pelo pequeno espaço que ali — Percy abria todas elas — e também tinha outras coisas comuns de chalés, como: barracas desarmardas e sacos de dormir para acampamento.
Percy me entregou duas lanternas acesas e pediu para ir para a sala, enquanto pegava um livro velho em uma das prateleiras e também tinha uma outra lanterna acesa debaixo do braço.
Eu fiz o que ele pediu, coloquei a vela acesa na mesinha de centro e me sentei no sofá, com um pouco de frio e com certeza não teria coragem de ir até o fim do corredor pegar um cobertor. Percy apareceu com o livro de baixo do braço, a lanterna na boca eu três velas na mão, deixando elas em lugares diferentes da sala, de forma que ela ficava meio iluminada. Ele se sentou ao meu lado e me olhou, depois riu.
– Vem cá — ele falou puxando meu braço depois de colocar a lanterna e o livro ao seu lado. Fiz o que ele pediu e ele me aconchegou mais perto dele, transmitindo o calor do seu corpo quente para mim — Minha mãe lia esse livro para mim quando tinha sete anos...
– Você está tão quente — falei deitando minha cabeça no peito dele e virando a lanterna para o livro aberto — Contos de Uma Noite de Verão... Parece legal e bem infantil.
– Na verdade, não é não — ele riu e eu o olhei, procurando seus demônios da forma que ele tinha me falado — Conta a história de duas crianças que se gostam, uma noite eles estão na praia e está chovendo muito, até que acaba a força do chalé deles e os dois ficam sozinhos no escuro, apenas com a iluminação de duas velas e os dois passam a noite inteira agarrados no sofá... Só o final que é triste.
– Um deles morrem no final?
– Não... Passa anos e ele começa a namorar uma garota e ela se muda, depois disso os dois nunca mais se veem — ele falou passando os dedos nas páginas possivelmente amareladas.
Concordei com a cabeça e olhei para os seus olhos, vendo um brilho meio que sombrio no canto da sua íris, abaixando o olhar rapidamente e fechando os olhos com a cabeça deitada no peito dele. Me deixei levar pelo seu cheiro de maresia misturado com o perfume amadeirado.
– Tem como acabar com os seus demônios?
Ele ficou em silêncio, com um braço em volta de mim e o outro ao lado do corpo, segurando a lanterna e iluminando a página do livro.
– Não sei... Acho que não — ele murmurou e eu o olhei, me aproximando mais ainda.
– Deixa eu tentar — pedi e ele negou com a cabeça — Por que não?!
– Por que eles já fazem parte de mim, já fazem tantos anos que estou com eles que já me acostumei — ele deu ombros e olhou para o livro de novo, fechando ele e o colocando de lado.
Aproximei meu rosto do seu, me sentando em uma das suas coxas e colocando a lanterna de lado. Fechei meus olhos e encostei nossos lábios levemente, dando pequenos selinhos antes de finalmente beijá-lo como tínhamos feito nos últimos dias.
Me deixei levar pelo beijo calmo, sentindo suas mãos grandes apertando minha cintura com leveza. Nossas línguas na mesma batalha de sempre. Meu coração acelerado e batendo freneticamente contra meu peito. Minhas mãos em seus ficar negros e revoltos. Pequenos detalhes que faziam grandes diferenças.
Dei um selinho nele e voltei a minha posição anterior, deitando minha cabeça no seu peito e tentando colocar minha respiração em ordem.
– Eu tinha prometido não te tocar.
– Fui eu quem te beijou — sorri minimamente, ainda ofegante — Então não tem culpa de nada — Ah. Eu vou acabar com seus demônios, mesmo que você não deixe... Sem reclamações, ainda é seu aniversário!
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