Nothing is forgiven unless you it to be. And if it's too late for deciding. Oh just leave it to me. Cause I'm living... Living in the darkness.

Respirei fundo encostando a minha cabeça no banco do avião. A entrevista com o diretor de Harvard tinha sido tranquila, eu não havia gaguejado como planejei e consegui responder suas perguntas com tranquilidade... Mas ele ficou de ligar e eu não gostei nada disso.

Tentei parecer o mais normal e o mais sofisticada possível ao meu arrumar para entrevista hoje de manhã, mas depois de ficar duas horas olhando para o nada no meu closet cheguei a conclusão de que ser eu mesma era o melhor. Coloquei uma meia arrastão de renda preta, uma saia xadrez vermelha/branca/preta e uma regata preta escrita "Teenage Runaway". Calcei meus coturnos, peguei meus óculos e a minha bolsa.

O diretor de Harvard adorou meu estilo, disse que a maioria aparecia como se estivesse fazendo uma entrevista de emprego. Recebi isso com um sorriso para disfarçar meu nevorsismo.

– Até aqui? — Thalia resmungou se sentando ao meu lado. Ignorei ela, pois já tinha visto ela ao longe em Harvard e pelo visto ela não havia mê visto.

O avião não demorou a decolar e a curta viagem até New York começou, assim como na ida até Cambridge, eu voltei com fones no ouvido e observando o mundo pequeno abaixo de mim. As vezes sentia o olhar de Thalia queimar sobre mim, mas em momento nenhum me virei para confirmar isso.

Quando o avião pousou em NYC não demorei para sair, já que não tinha bagagem nenhuma e a fila do detector de metais estava razoavelmente pequena para uma cidade grande e um aeroporto internacional.

– Annabeth! — a mão gelada de Thalia segurou meu pulso no momento em que eu coloquei o pé para fora do aeroporto, ainda arrumando os meus colares.

– O que foi? — me virei para ela, puxando meu pulso da sua mão.

Ela mordeu o lábio, com os olhos azuis eletrizantes me fitando por longos segundos. Bufei quando percebi que ela estava brincando comigo e me fazendo perder vários táxis.

– Não! Espere — ela tocou meu ombro com a ponta dos dedos — Queria falar com você.. Mas não aqui.

– Não tenho nada para falar com você.

Dei costas para ela, indo em direção ao táxi mais próximo e vazio. Insistente, ela me seguiu e segurou meu pulso com as duas mãos.

– Por favor! — ela disse suplicante. Intercalei meu olhar entre o táxi a dois metros de mim e a morena com olhar suplicante.

O que me dava a garantia de que ela não iria me matar? Ou me sequestrar? Ou me torturar novamente? Nada, mas a minha curiosidade falou muito mais alto e a pergunta escapou dos meus lábios.

– O que me garante que você não vai me matar?

– Acabei de passar por um detector de metais, meu celular ta todo fodido e eu já superei o Percy... Acho que é meio óbvio que nenhuma de nós duas vai ficar com ele agora — ela falou, sem soltar meu pulso.

Balancei minha cabeça, refletindo sobre a sua resposta. O que eu ganharia falando com ela? O que eu perderia falando com ela? Nada.

– Tudo bem — resmunguei dando um puxão no meu pulso, então ela soltou ele e indicou com o queixo o Starbucks do aeroporto. Ótimo, quando mais agitado e civilizado, melhor.

Segui ela até uma mesa e me sentei ali, ignorando a presença do cardápio e pedindo um croissant e um chá de morango. Ela pediu apenas um café puro e soltou um suspiro, me encarando.

Retirei meu celular da bolsa e o liguei, esperando todas as mensagens da minha mãe, da Silena e da Lana caírem para lê-las.

– Vai demorar muito?

– Está com pressa?

– Estou — respondi dando um sorriso sarcástico para ela. A garçonete chegou com os nossos pedidos e depois saiu.

– Não é nada demais o que eu quero falar — ela revirou os olhos azuis — Só queria me desculpar com você mesmo, sabe, por tudo o que te fiz... As chicotadas, os espancamentos e tudo o resto...

Quase me engasguei com o meu chá ao ouvir aquilo. Thalia Grace, a Thalia Grace que havia tentado me matar, estava se desculpando comigo, mas por que? A que circunstâncias?

– Por que está fazendo isso?

Ela mordeu o lábio e levou o café quente até o mesmo, indicando com o dedo que era para mim esperar um minuto. Seus olhos caíram para o piris em que a sua xícara estava sendo pousada e enfim ela falou, sem me encarar.

– Porquê você não merecia nada daquilo... Não era eu fazendo aquilo com você, era a minha mente me forçando a ter apagões — ela murmurou, meio constrangida por falar aquilo — As pessoas se aproveitam de outras quando elas não são mentalmente estáveis, então acabam se aproveitando de mim também... Quando você chegou eu estava controlada, tomando meus remédios e me controlando para não surtar novamente, mas então você e o Percy começaram a ficar e depois a namorar...

– Ele era sua âncora não é? — murmurei, não mais com raiva dela. A Thalia a minha frente era sensível, delicada e medrosa... Totalmente diferente da Thalia que eu estava acostumada, aquela grossa com roupas punks.

– Mais ou menos — ela maneou a cabeça, passando o dedo na mesa. — Ele era o meu melhor amigo, meu primo e alguém tão atordoado quanto eu... Acho que era por isso nós nôs entendiamos.

Ela não mencionou ele como alguém que ela amava, ou que pelo menos achava amar... Ela mencionou ele com a linha tênue da amizade e da família, apenas isso e nada mais.

Então isso me fez pensar: A Thalia amava o Percy ou amava....

– Por que você tentou me assustar tantas vezes?

– Para fazer o Percy se culpar e se afastar de você — ela disse apreensiva — Nunca foi ele, Annabeth, mas sim você... Desde o primeiro momento em que eu bati meus olhos em você, vi você de outra maneira.

"Quando chamamos você para sair, eu fiquei rezando a todas as divindades para que você fosse e você foi. Dentro do carro eu fiz de tudo para chamar a sua atenção, até no colo do Percy eu te coloquei para fazer você me olhar... Eu não transei com o Percy, naquele dia da festa da empresa, só havia ido ao quarto dele para ver você e depois que bateu a porta da sacada, me soltei dele e fui embora me arrumar para a festa... Então lá você estava falando dele, dançou com ele e no dia seguinte foi para Moutauk. Quando Percy mentiu para mim falando que estava indo para Chicago, liguei Clair e pedi para ela me confirmar se o Percy não iria aparecer em Moutauk e com quem ele iria aparecer, quando me retornou e disse que você e a sua prima havia ido com os meninos, eu fiz de tudo para o meu pai concordar em deixar eu ir no dia seguinte pela manhã.

Ele concordou, contanto que eu voltasse no mesmo dia e antes do meu irmão partir para a Filadélfia... Mas ao chegar ela eu me lembrei que para você, eu estava ficando com o Percy e tive que fazer cena novamente. Eu fiz, mas também fiz o máximo possível para ficar perto de você e tentar chamar a sua atenção."

Ela respirou fundo e deu mais um gole no seu café, repeti o seu gesto com o meu chá, mas sem acreditar em tudo aquilo que havia acabado de ouvir.

– Então a Serena apareceu, você ficou amiga dela rapidamente e nada para mim, então fiz o mesmo, fiquei amiga dela e comecei a "te odiar" para chamar a atenção, mas o universo estava conspirando contra mim. Você caiu nos encantos do Percy e os dois se afastaram de mim, rápido demais... Ele esqueceu dos meus apagões e eu comecei a odiá-lo por ter tirado você de mim, mesmo sem nunca ter tido você, e por que eu sabia o que ele iria te fazer — murmurou, nunca me encarando. Eu estava pasma. — Tentei fazer ele me desejar, mas era só você. Então o Luke apareceu, me barrou na entrada do Starbucks e disse que havia visto o jeito em que eu te olhava, que contaria tudo para você se não ajudasse ele a separar você do Percy... Eu pensei assim: "Por que não?" e concordei, mas ai eu vi o como ele era louco.

" Ele descobriu sobre os meus remédios e os trocou, o que eu estava tomando não passava de cápsulas com remédio para dor de cabeça. Os apagões voltaram e era o momento perfeito para me manipular, então ele o fez.

Fui atrás do Tritão, quando descobri que ele estava vivo e fiz a sua cabeça. Logo Posêidon foi atrás e ele saiu do Canadá para morar em NYC, então os dois se juntaram e me manipularam... Eles fizeram a minha cabeça, dizendo que quando batia em você, estava atingindo o Percy e que assim os dois iriam se separar. Mas não, o Percy apenas se apegou mais a você, vocês dois terminaram no Halloween, por causa dos demônios dele e por causa do ciúmes, mas mesmo assim continuaram juntos.

Tudo o que eu te causei era em influência dos meninos, da pressão da minha avó e é claro, da minha falta de controle mental. Se estivesse sã e visse que você e o Percy estavam bem juntos, que você estava ajudando ele... Se eu tivesse visto isso sem estar em transe, não teria feito nada daquilo com você."

Fiquei muda, sem saber o que falar depois de um discurso como esse. Thalia estava sendo manipulada por Luke e pelo Tritão, então, ela talvez saiba quem matou ele...

– Está se perguntando sobre o Tritão não é? — ela deu um sorriso amarelo. Eu concordei, seria — Não sei se foi o Luke ou a Clair que matou ele, mas me lembro deles discutindo sobre deixar o corpo no seu campo de visão, que no caso era em frente a sua casa, de um lugar onde você podia ver da sua sacada ou da cozinha.

– Clair?

– É... Ela sim é obcecada pelo Percy — ela encolheu os ombros, então finalizou o seu café e abriu sua bolsa. — Uma vez ela disse que se ela não podia ter o Percy, mas ninguém iria ter... Já era tarde quando descobri que ela estava por trás de tudo isso, da manipulação dos meninos e a minha.

Então o resto foi muito rápido. Luke apareceu e se sentou ao lado de Thalia, que se assustou e deu um pulo, tentando se afastar dele. Clair apareceu ao meu lado e se sentou, precionando algo gelado nas minhas costelas. Abaixei meu olhar e vi que era uma arma.

– Ou vocês me obedecem, ou morrem — olhei para Thalia e ela engoliu em seco.

Notas finais
Gente, estou pasma! Ninguém acertou a primeira questão e quem acertou a segunda, fiquem traquilos que ainda terão UM spollier. Respostas: 1) Depois do enterro do Tritão, Percy me contou que Héstia havia aparecido e feito um escândalo, acusando Posêidon de ser um péssimo pai e ter deixado o "pobre coitado" morrer, se ele estivesse com ela ainda estaria vivo. 2) Foi o fato dele dar mais atenção ao trabalho do que a família, além de ter traído a Atena. Esse capítulo é dedicado a Annie C Jackson e a Nina pelas recomendações maravilhosas, obrigada ♥ Beijos ♥♥♥