Unconditionally
38 Amsterdam.
But the rain won't fall for both of us. The sun won't shine on the both of us. Believe me when I say. That I wouldn't have it any other way. Your time will come. If you wait for it.
Puxei a minha mala para o centro do closet e me sentei de frente a ela, encarando o vazio dela. Era como o meu coração, com uma buraco aberto e vazio que talvez nunca se fecharia.
– Lá é relativamente calor — Lana disse andando de um lado para o outro no meu closet, examinando as minhas roupas. Silena iria fazer o mesmo se não estivesse na entrevista com a faculdade. — Então vamos levar bastante shorts, saias, vestidos, blusinhas...
– Como que está as coisas com o Nico? — cortei ela, indo em direção a uma das portas e abrindo ela, dei de cara com uma porção de vestidos que nunca usei.
Ela não respondeu de imediato, apareceu ao meu lado e pegou dois vestidos curtos e de tecido fino, eles eu nunca havia usado mesmo, mas eram lindos. Um era azul marinho, com os ombros caídos, e o outro era um azul turquesa com alcinhas finas.
Peguei eles e mais dois e os coloquei dentro da mala, então fechei aquela porta e abri uma outra, pegando sem olhar uma porção de blusas e camisetas. E assim foi, até a Lana me responder.
– Estamos bem, mas mantenho na cabeça que a qualquer minuto ele pode me trocar por alguém — concordei com a cabeça. Ela estava certa, em Tybee Island mesmo isso poderia acontecer, seria um caso de uma semana, mas do Nico não importa o tempo. — Sabe... Você deveria chamar o Justin para ir conosco, ou então vai ficar sozinha. Silena convenceu Beckendorf a ir junto.
– Não ligo de ficar sozinha — dei de ombros, pegando mais algumas coisas e colocando na mala. Então comecei a separar meus sapatos. — Desde que vocês me deixem dormir, está perfeito.
– Nico não queria que você fosse sozinha — ela disse, pegando dois pares de salto alto e colocando dentro da bolsa. Em que momento eu iria usar salto? Vamos a praia!
– Nico não tem que querer nada — dei de ombros, novamente. — Deixa a mala ai, depois eu termino de arrumá-la.
Sai do cubículo sufocante, indo em direção a minha cama e abrindo o Mac do Percy, estava indo mais fundo na vida do Percy através dos arquivos do seu computador. Muito coisa que eu nunca imaginaria dele estava ali, sua vida inteira estava ali.
Até quando iria evitar ele? Até quando não conseguiria passar em frente ao cemitério e parar? Não podia abandoná-lo para sempre, ele não me abandonaria se fosse ao contrário... Percy era muito leal.
– O importante é que valeu a pena amá-lo, não é? — Lana acariciou meu cabelo, olhando para a nossa foto no plano de fundo da tela do Mac.
– É... Valeu a pena, mesmo que tenha durado tão pouco, mas valeu — concordei com a cabeça, mordendo a parte interior da minha bochecha.
Não apenas valeu apenas a pena. Eu repetiria isso da mesma forma que a Hazel Grace repetiria o que viveu com Augustos Waters, porque talvez o "Incondicionalmente" seja o nosso "Okay" e o nosso "Sempre".
Não tenho câncer ou qualquer outra doença que deva ser classificada de zero a dez, mas eu sei o que é sentir uma dor de dez. Eu ainda sinto ela a todo instante, principalmente quando eu vou dormir e tenho a visão das estrelas do outro lado da porta da sacada, de alguma forma a culpa é das estrelas.
– Se importaria se eu desse uma saída? — mordi meu lábio, encarando a Lana. Ela negou, desconfiada e então me acompanhou até a porta da minha casa, seguindo para dela e eu para o meu carro.
Como sempre as ruas estavam agitadas e muito movimentadas, mas estamos na cidade que nunca dorme, seria maluco ela estar calma.
Isso não me fez mudar meu trajeto. Parei uma uma floricultura e comprei rosas, depois segui em direção ao cemitério novamente e só parei no estacionamento de lá. A última vez em que estive aqui, foi no enterro do Tritão, nunca gostei desse lugar, mas iria passar a frequentar ainda mais a partir de agora.
Dei um aceno para o coveiro e fui em direção ao túmulo do Percy. Não sabia aonde ficava e depois de alguns longos minutos procurando, encontrei ele e me sentei na grama, não me importando que podia ter um corpo ali em baixo.
– Hei... Depois de meses eu encontrei um pingo de coragem para vir vê-lo, espero que me perdoe por ter demorado tanto, mas estava sendo tão complicado para mim, você não faz ideia de como ainda dói saber que você se foi — passei a ponta dos dedos pelo seu nome, vendo que não tinha a data do seu nascimento e a de morte, e sim a de nascimento e um infinito.
Posêidon estava certo, Percy nunca morreria, ele seria infinito. Ficava tão grata com isso, de alguma forma ele estaria conosco, com cada um de maneiras diferentes.
– Voltando... Hoje descobri que o "Incondicionalmente" é o nosso "Okay" e bem, eu adorei isso... Acho que eu e a Hazel temos algo em comum, perdemos o amor da nossa vida quando acabamos de descobrir que o que sentíamos por ele era mais que uma paixão. — respirei fundo e encarei o céu, para não chorar. Eu acreditava que ele estava me vendo e me ouvindo, mas não queria que ele me visse chorando. — Então, eu trouxe rosas... Sei que é meio gay, mas não trouxe rosas vermelhas ou brancas — disse — Bem, eu trouxe, mas apenas uma.
"Na verdade, eu trouxe uma de cada. A vermelha por que significa paixão e desejo... É um sentimento forte e acho que já senti, ou ainda sinto, isso por você, sabe? E também tem a amarela, que transmite calor e luz, e era exatamente isso que você me transmitia. Branca... Hm, ela significa paz e pureza, de alguma forma você era puro e me transmitia uma paz tão... Ótima. A rosa é bem comum, mas significa beleza e sensualidade, isso sem duvida alguma, você tinha de sobra, acho que isso que ajudou muito no seu trabalho de me conquistar. Existe a rosa laranja, significa fascinação, e eu sem dúvida alguma era fascinada por você, ainda sou, para ser sincera. A rosa preta... Muitos pensam que ela significa a morte, mas não, não apenas a morte, ela também significa mistério, sofisticação e luxo, além é claro de amor incondicional, isso nós dois sabemos como é. A verde significa juventude, o que me lembra o tão quão jovem você era quando se foi e a roxa transmite a sensação de tristeza, o que é que eu sinto quando penso em você e que nunca mas verei seus olhos. E existe a azul, que significa lealdade, fidelidade, o ideal e o sonho...
Por que deixei ela por último? Ora, Percy, você era tão fiel e leal a mim, além de ser o que eu queria e o que sempre sonhei, meu ideal era você. Assim como à preta, a rosa azul me lembra muito os meus sentimentos por você, Perseu Jackson, e eu sou grata por cada um deles, por mais que alguns me machuquem as vezes."
Depositei as rosas sobre o seu túmulo, olhando fixamente para a sua sepultura, acho que na procura de algo. Balancei a minha cabeça e limpei algumas lágrimas teimosas, dando o meu melhor sorriso para ele.
– Juro que se você estivesse aqui do meu lado, você iria rir e me puxar para um beijo — soltei um riso fraco — Mas as coisas mudaram, Percy, elas não estão tão tranquilas como parece. Thalia disse que não era obcecada por você, e sim por mim, então ambas fomos sequestradas pela Clair e pelo Luke... É, a Clair nos sequestrou. Eles foram presos e Thalia internada, mas ainda não me sinto calma, ainda à algo se agitando dentro de mim.
Passei os dedos pelo meu cabelo e abracei meus joelhos em seguida, me preparando para admitir a ele o que havia descoberto.
– Eu tenho demônios.. É, você pelo jeito não era o único — suspirei com um sorriso mínimo — Mas eu tentei acalmá-los usando nicotina, mas a nicotina não me passa a sensação de paz que seus lábios tocando o meu passam. Ela não me passa a sensação do seu toque me causando um choque ou dos seus dentes deixando meus lábios rachados... Nada me passa essa sensação.
"Mamãe pensa que sou louca, e por mais que tenha diminuído gradativamente, eu ainda tenho pesadelos com a sua morte, por mais que não tenha presenciado, mas eu sinto a sua dor e acordo aos berros, suada... Já ouviu em um coração em chamas? O meu era assim, mas agora ele é vazio, com um buraco profundo e que nada pode preencher.
Dizem que nós só damos valor ao que temos depois que perdemos, mas é verdade, eu comecei a dar valor a você, ao meu amor por você e te perdi, para sempre.... Você se foi e eu não queria que isso tivesse acontecido, eu acreditava que você ainda estabanada vivo, que estava escondido em algum lugar para me proteger da Thalia.
Egoísta da minha parte pensar que você fingiria que tinha morrido para me salvar, na verdade, não sei como você me suportava. Eu já não me suporto mais, me toquei que sempre estou pensando em mim, mas o mundo não gira ao meu redor."
A Terra gira em torno do Sol, além de girar em torno dela mesma. Rotação e translação, devo ter aprendido isso na sexta série, mas apenas hoje vejo que isso também é para mim. Eu giro em torno de mim mesma e todo o Mundo gira em torno de mim.
Eu não me suporto, mas eu posso ser capaz de mudar. Eu vou mudar, crescer não é apenas em tamanho, ou em números de vida, é também em maturidade e em conhecimento, acho que a partir do momento que você percebe um defeito seu, você já amadurece um pouco e depois acaba amadurecendo ainda mais durante o trajeto de mudança.
– Um dia imaginei nós dois em Amsterdam, vivendo como gostávamos de viver na cidade que permite tudo — sorri mordendo o meu lábio — Talvez não possa mais viver isso com você, mas posso viver com o Nico e a Lana, com a Silena e com o Charles.
"Gus disse uma coisa que é verdade: O amor é um grito no vazio, mas mesmo assim eu gritei, Percy, eu acreditei em você e segui o caminho sem iluminação alguma para encontrar a luz que existia no fim do mundo. Eu gritei com todas as forças que o meu pulmão permite que eu te amo, e não me arrependo disso. Esse é o ponto forte da dor: Ela só passa depois que você permite sentir ela, pois ela precisa ser sentida."
Eu sinto essa dor todas as noites e todas as manhãs. Guardo cada presente dele como se fosse uma parte dele, o que de fato é.
– Eu te amo, Percy... Incondicionalmente.

Fale com o autor