Unconditionally
20 All Fall Down
Season of Fear
Lost til you're found. Swim til you drown. Know that we all fall down. Love til you hate. Jump til you break.
Minha cabeça latejava. Não aquela dor pontuda de quando se tem ressaca, a dor era mais forte, mais explosiva. Eu queria arrancar minha cabeça fora de tanta dor.
Eu demorei um pouco para me dar conta de que estava deitada — jogada, para melhor de dizer — no chão, usando apenas minhas lingeries e em um lugar tremendamente escuro. Era assustador.
Aos poucos as lembranças invadiram a minha mente. A conversa com Rachel, as descobertas sobre Percy, nossa discussão e Tritão, por último me lembrei da pancada na cabeça, então me dei conta de que a dor era derivada dela e se eu ainda estava viva, era por que não havia sangrado muito ou por que simplesmente não havia sangrado.
– Finalmente a Bela Adormecida acordou — a voz de Tritão ecoou de algum lugar, logo em seguida vieram as palmas de descaso — Doze horas desacordada... Ainda bem que acordou, já estava começando a imaginar que você estava em coma.
– O que você quer de mim? — disse me sentando. Ele havia ou não me estuprado?
Ele riu com desdém, como se à minha pergunta fosse boba. Eu ainda não conseguia enchegar sua face, ou pelo menos a sua sombra, a escuridão me deixava assustada, mas pelo menos uma coisa me tranquilizava: o som de carros e das suas buzinas, isso significava que estávamos na cidade, espero eu.
– Tritão... Eu cuido dela, acho que já fez o suficiente não é? — a voz era seca, fria, porém controlada. Era de Serena.
Passos. Vários passos e uma porta sendo fechada, ou melhor, uma porta foi fechada com brutalidade e meio minuto depois Serena acendeu uma luz fraca, ai eu pude ver o tão quão pequeno o quarto era.
Encarei a garota. Jeans escuros, a blusa preta com a manga longa e tênis vans, os fios trançados e totalmente sem maquiagem. Era a Serena, mas ao mesmo tempo não era.
– O que ele quer de mim? — perguntei por fim. Ela pegou o pano e a bacia que estava sobre a pequena mesa do outro lado do quarto e se aproximou mais de mim, tranquila. Foi quando percebi que meus pés estavam acorrentados.
– Não é ele... Tritão não quer nada de você — disse se ajoelhando e colocando a bacia nos seus pés. Ela molhou o pano ali e logo depois retirou o excesso da água, então passou ele pelo meu rosto, segurando meu queixo e me obrigando a encará-la — Não posso te falar nada, estou cuidando de você, mas na verdade quero que você se foda... Merece tudo e muito mais do que está por vim.
Engoli em seco. O que estava por fim, necessariamente? Se ela estava aqui, significava que não estava sozinha e acima de tudo, significava que Tritão a conhecia... Thalia.
– Não faça essa carinha, ela não é mais tão convincente quanto antes — disse soltando meu queixo com força — Você pensa que engana as pessoas, Annabeth, mas é idêntica a sua mãe. Uma golpista, que só está com o Percy por causa do dinheiro dele... Você é ridícula, não sei como fui me aproximar de você! Thalia tinha a razão desde o início.
Ela se colocou de pé e, antes que pudesse tirar minha mão, ela pisou nos meus dedos com força. Em seguida jogou toda a água gelada da bacia em cima de mim, não era gelada, era congelada.
– Que você seja torturada o suficiente para querer ir embora do Lótus Condomíniom — ela riu e depois deu costas, me deixando toda encharcada, a merce de uma hipotermia ou de uma gripe.
Thalia, sem duvidas, estava por trás disso.
Eu fiquei ali, tremendo por causa do frio e do ar gelado que entrava de algum lugar. Não sei por quanto tempo, talvez horas, talvez minutos, era difícil de se saber a hora em um lugar escuro.
Poderia tentar identificar a hora pelo barulho dos carros lá fora, mas NYC sempre tinha barulho de carros e buzinas, não importava a hora que fosse. Era tão complicado estar sequestrada e nua, para ajudar.
Uma luz vermelha chamou a minha atenção. Ela era pequena e piscava, ou seja, era uma câmera e nem para iluminar o quarto vazio, Thalia — ou qualquer outra pessoa que tivesse armado isso — estava me observando e tentando achar o momento certo para me fazer pagar por sei lá o que... Tudo isso por que eu e o Percy estamos namorando?
Abracei minhas pernas e apoiei meu queixo no joelho, querendo que tudo isso fosse apenas um sonho... Aquele sonho voltou a minha cabeça, então, se isso fosse um sonho, eu estava tendo premonições do que poderia acontecer comigo no futuro. Bem, isso não era um sonho, então não morreria a queima roupa nas mãos de Thalia.
A porta foi aberta e fechada novamente, os passos eram rápidos e iam para lugares diferentes, então, quando a luz acendeu, me assustei ao ver Thalia tão perto de mim. Luke vinha ao sei encontro e nas mãos da morena, havia um chicote preto com a ponta metálica.
Engoli em seco, não querendo imaginar o que ela iria fazer com ele. O que ela iria fazer comigo usando ele.
– Não entendo o que quer de mim — disse, soltando minhas pernas e a encarando. Porém eu tremia. Tremia de frio. Tremia de medo.
– Vamos fazer uma listagem de tudo... O que acha? — ela arqueou a sobrancelha, com o sorriso maligno no rosto — Primeiramente, você roubou todos os meus amigos.
O chicote acertou com força a minha coxa. O grito agudo escapou de minha garganta. O sangue começou a sair pelo corte que a ponta metálica do chicote preto fez em minha coxa.
Encarei Thalia com os olhos lacrimejando. Ela ampliou seu sorriso.
– Vejamos... Você está destruindo meu noivado — outra chicotada, dessa vez no meu quadril. Consequentemente, o grito escapou de minha garganta e as lágrimas caíram dos meus olhos — Roubou meus amigos e a minha honra na família, me fazendo passar pela drogada viciada em sexo e a garota apaixonada e problemática — enquanto ela falava, gritos e lágrimas escapavam de mim a cada nova chicotada, somente em partes do meu corpo aonde eu poderia cobrir. Ela era esperta.
Olhei para Luke. Sua pose era superior, e seu olhar, vago, fugindo de mim e ele tinha o mesmo sorriso da Thalia. Ele não iria me bater, mas ela sim, Thalia era capaz de absolutamente tudo.
Engoli o soluço, esperando pela próxima chicotada, mas ela não veio. A risada escapou dos lábios de Thalia e ela se aproximou mais de mim, se ajoelhando na minha frente e segurando meu rosto com força, me obrigando a encará-la.
– Você vai voltar para São Francisco, vai morar com seu papaizinho que nunca está em casa e vai esquecer NYC. Não estou de brincadeira, você vai para la mesmo... Por que se não for... Não será apenas algumas chicotadas que você receberá — ela disse e se aproximou ainda mais do meu rosto — Será a morte.
– Você não me mataria — respondi. Encontrando a minha coragem que estava escondida em algum lugar. Ela riu e me jogou para trás, fazendo minhas costas atingirem o chão com força.
Me esforcei para que a minha cabeça não batesse no chão, porém não deu certo, ela bateu da mesma maneira, eu havia batido a testa cujo os pontos começavam a cair. Antes de atingir a inconsciência novamente, eu pude ver seus olhos verdes cheios de demônios, começando a caminhar até mim. Luke estava desacordado e Thalia desesperada, encarando o chicote em sua mão.
Então a escuridão me chegou. Deixei ela me invadir, invadir meu corpo machucado e exausto de tanto fingir ser forte. Apenas deixei.
❤
Não queria abrir meus olhos, meu corpo parecia pesar mil toneladas e a minha cabeça, parecia uma bomba prestes a explodir. Imediatamente as lembranças do que me causou isso veio a minha mente e eu quis gritar. Ou eu gritei de verdade.
Alguém apertou meus ombros e eu gritei mais ainda. Não queria abrir meus olhos de medo, medo de abri-los e ver Thalia com o chicote, com seu olhar ameaçador e seu sorriso maligno.
– Annie... Annie abra os olhos — eu queria ter paciência para identificar a voz. Era feminina, eu sabia disso. Eu a conhecia, isso era fato. Eu tinha medo, isso já estava mais que comprovado.
Comecei a me debater, quem quer que seja que estivesse me segurando estava recebendo uns bons tapas e chutes, eu acho. Eu estava traumatizada, era isso que Thalia queria, me deixar traumatizada para que eu voltasse para São Francisco e esquece a minha vida aqui.
– Silena, vá — era ele. Ele estava aqui.
Soltei um outro grito angustiado. Queria parar, mais meu subconsciente falava por mim, ele me trazia aquelas memórias a cada segundo e sempre que acabavam, parecia existir um replay e tudo começava de novo. Gritei, gritei, gritei.
– Olha aqui, Annie — a voz dele era aquele rouco preocupado. Ele acariciava meu rosto — Abra os olhos.
Eu queria abrir, mas não conseguia, as imagens, o medo, a dor. Seus dedos acariciando meus lábios, sua respiração batendo contra o meu rosto, sua outra mão apoiada na minha cintura.
– Vamos, Annie, abra seus olhos para mim — ele disse roçando seus lábios nos meus — Deixe eu ver eles, por favor.
Ele grudou seus lábios nos meus. Meu coração desacelerou e a minha mente relaxou, eu criei forças para levantar meus braços e colocar meus dedos nos seus cabelos cedosos e negros. Era apenas o Percy, ele havia me salvado e eu estava bem ao lado dele... Quem sabe, tudo não tenha passado de um sonho muito nítido.
Seus lábios precionaram mais os meus e dali, um beijo calmo surgiu. Sem segundas intenções, sem malícia, apenas um beijo calmo e tranquilo. O tipo de beijo que lava a alma.
– Eu fiquei tão preocupado com você — ele murmurou contra os meus lábios — Eu fiquei sem saber o que fazer... Eu tive medo... Se Nico e Lana não fossem dois grandes hackers e rastreadores, nunca teria te achado. Você ainda estaria lá. Não vou mais deixá-la sozinha com Thalia, ou com Luke ou com Tritão... Não vou mais deixá-la sozinho, nunca.
Abri meus olhos e pisquei por causa da claridade demais. Para quem passou sei lá quanto tempo no escuro, era estranho presenciar a luz do dia novamente.
Tentei sorrir ao ver os olhos esmeraldinos de Percy. Calmos, como se seus demônios estivessem dormindo. Me estiquei um pouco para frente e o beijei, como se minha vida dependesse dele, e de fato, dependia, ele me salvou, ele não me abandonou.
– Eu te amo — sussurrei contra seus lábios.
Fic nova: http://fanfiction.com.br/historia/489423/Fire_Starter/
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