Uncommon Love
16 O desabafo
Notas iniciais

Damon estava parado no corredor daquele hospital, havia sangue por suas mãos e ele sentia que o líquido rubro escorria por seu rosto. Estava quente, ele nunca sentirá tanto o calor como naquele momento, parecia brotar por seu rosto.
Estava desesperado.
– Alguém! Por favor, alguém! — ele recomeçou a gritar. Precisava desesperadamente de notícias de Lexi, somente ela importava naquele momento, até porque seus amigos, pelo menos Vicki e Jeremy estavam... Ele não se permitiu terminar aquele pensamento — Por favor!
– Senhor! Senhor acalme-se! — uma moça baixa toda vestida de branco o segurou pelos ombros. Como poderia me pedir calma? Pensou — Senhor, precisa ser levando para a enfermaria. Precisa de atendimento. Qual o seu nome?
– Damon, Damon Salvatore — ele falou em resposta — Preciso de notícias sobre Lexi Branson...
– Por favor venha comigo, senhor Salvatore...
– Não, eu preciso de notícias sobre a Lexi! — ele gritou em protesto — Estou bem, mais preciso saber como a Lexi está!
– Venha comigo, senhor — a moça voltou a falar gesticulando em direção ao fim do corredor — O senhor precisa ser atendido.
– Eu não sairei se você não me falar da Lexi!
– Eu não sei sobre sua amiga, mais eu a procuro se vier comigo e deixar que eu o atenda — a moça o disse rapidamente olhando em seus olhos. Ela percebeu seu desespero, estava todo machucado, como ninguém o havia atendido até agora? Se perguntou — Sou a Dr. Maggie McGride.
Ele assentiu e a acompanhou até a sala no fim do corredor. A Dr. McGride junto com sua equipe de enfermeiros limparam todos os ferimentos de Damon e o tiraram a roupa ensanguentada.
– Seu amigo Danny Desai está vindo — ela falou depois dele finalmente estar limpo — Trará roupas e notícias sobre Lexi e os outros que estavam no carro com vocês — Ela já sabia sobre o que havia acontecido com eles, porque simplesmente não o falava como ela estava? Se perguntou ao olhá-la sair do quarto.
Danny só chegou na manhã seguinte, parecia ter demorado uma eternidade. Adentrou o quarto com uma bolsa de viajem que ele nunca havia visto na vida e que julgou ser exagerada demais. Pelo vidro da janela observou Caroline o olhar, sua maquiagem não escondia as bolsas abaixo dos olhos, ela havia chorado, provavelmente todo o caminho ao hospital, de Manhattan ao Queens. Pode deduzir de quem era a bolsa na mão de Danny.
– Não pude vir antes, Caroline me fez esperar até que ela voltasse da casa da mãe. Nathan precisou do carro dele pra resolver outras coisas a respeito do acidente com o Matt.. Acho que você sabe o que aconteceu com Jeremy e Vicki... Nathan estava muito abatido mais foi encontrar a família dela.
– A Lexi, Danny. Você sabe da Lexi? — Damon o interrompeu. Pouco lhe importava como Danny havia chego, mesmo ficando com o peso na consciência ao pensar em Vicki e Jeremy, em sua famílias e em Nathan...
– Está no CTI — foi o que respondeu. Na verdade, não queria falar mais.
– E o bebê? — Danny respirou fundo, quando ouviu a pergunta.
– Damon... — tentou manter a calma, o amigo já estava abatido o suficiente...
– Danny o bebê! Eu preciso saber como estão Lexi e o bebê! — Danny olhou em direção a Caroline pelo vidro, ela ainda estava lá, havia entendido o que Damon queria saber e voltara a chorar.
– Damon, Lexi está bem, no CTI mais fora de perigo o air bag e o cinto que estava usando a protegeu — Damon sentiu alívio por Lexi estar bem, mais seu coração ainda estava apertado — Mais o bebê — Ele balançou a cabeça enquanto falava — O impacto foi muito forte para que ele suportasse...
Damon desabou. Finalmente desabou.
– Não não não não não — repetiu sem pausas, sua voz era um misto de tristeza e desespero, nunca sentiu-se tão triste em sua vida, nem quando sua sobrinha havia sido levada pelos avós para outro país. Foi culpa dele, tudo culpa dele, pensava armargurado.
Ele socou a parede ao relembrar o que sentiu naquele momento. Damon estava parado no corredor do apartamento, iria em direção ao quarto de Elena para terem uma conversa franca sobre o que ele já havia passado em sua vida, antes que as revistas a contassem.
Danny provavelmente havia ouvido o barulho de seu punho de encontro a parede, ainda estava em seu quarto escondendo aquelas fotos como ele o havia pedido. Mais na verdade, Damon queria voltar e rever o sorriso de Lexi, nunca foi tão feliz quanto quando ela esteve em sua vida. 3 anos, 7 meses e 6 dias. Na verdade, não sabia sobre os 6 dias, mais 6 era o numero preferido dela.
Voltou a olhar em direção ao quarto de Elena, mais decidiu dar meia volta. Na sala, pegou suas chaves e apalpou o bolso esquerdo de sua calça procurando o celular.
Ótimo, estava ali.
Quando adentrou o carro no estacionamento do prédio, percebeu o quanto estava perdido. Não sabia o que fazer, nem tinha ideia de onde iria. Ligou para Nathan.
– A quanto tempo, senhor Salvatore – ele disse irônico, provavelmente já havia colocado álcool em sua boca – Danny não é o único amigo que você tem...
– Nathan, em quanto tempo você acha que consegue o endereço de uma pessoa? – sem dar ouvidos a ironia de Nathan.
– Como assim? – O perguntou sem entender. Em pensamento, Damon tentava decidir se falava do encontro com Lexi ou não. Sabia que era algo complicado para Nathan, a amizade que tinham havia sido seriamente abalada naquela época pelo acidente e o que acontecera com Vicki. Lembrou-se de Nathan o culpando e de como Caroline o defendeu. Se não fosse Caroline, a amizade de infância que tinham não sobreviveria ao que ocorreu. Damon suspirou, prendendo sua visão ao volante.
– Eu preciso que você consiga o endereço de uma pessoa, uma mulher para ser mais exato. Sei de seus contatos e quero saber se consegue para agora...
– Posso tentar, me dê nome e sobrenome.
– Virginia... – deu uma pequena pausa tentando se lembrar do sobrenome que ouviu em tom baixo, vindo de algum lugar do teatro pronunciado por uma voz masculina – Senhora... – Ele continuou, massageou a têmpora com a mão livre, mais o sobrenome não veio a sua mente – Senhora Virginia...
– A Damon... Só com Virginia, eu não posso fazer nada... – Nathan falou desdenhoso, não por maldade, Damon o conhecia bem, seu tom de voz era normal. Ele ainda se concentrava, os olhos semicerrados, mais nada. Com raiva, bateu a cabeça com toda a força que encontrou no volante, acionando a buzina.
– Perks! – Gritou. O som alto e estridente lhe fora como um refresco e ele lembrou-se do “Senhora Perks, preciso de ajuda aqui” que escutou baixo logo após Lexi falar com a mulher e ela dar as costas a eles – O nome dela é Virginia Perks.
– Ok. Perks. Vou dar um telefonema e te retorno com o que consegui.
– Vou esperar, mais Nathan, por favor, sem demora.
– Até daqui a pouco, Damon – Nathan desligou depois de responder em seu tom de brincadeira. Só agora Damon havia reparado que estava de calça de moletom e camiseta branca, seu pijama habitual. Então foi por isso que Omar me olhou estranho. Lembrou-se da expressão feita pelo porteiro a pouco tempo.
Decidiu sair do carro e retornar ao apartamento. Provavelmente Nathan ainda demoraria para ligar e quando ligasse diria não só o endereço, mais a ficha completa, telefone, email, dados pessoais, se era casada e o interrogaria para saber o porque disso em uma segunda-feira em que ele nem havia voltado para o expediente a tarde. Espantou esses pensamentos de sua cabeça enquanto esperava o elevador.
– Vim fazer o curativo hoje – Elena levantou o olhar com um sorriso desanimado na direção daquela voz já tão familiar. Danny adentrou o quarto com uma maletinha vermelha em mãos – Eu não sei bem sobre primeiros socorros, mais as coisa que o Damon usa devem estar aqui, eu acho...
– Senta aqui e abre a maleta, eu aponto o que ele usa – falou agora com uma expressão mais animada.
– Espero que esteja tudo aqui... Por acaso, ele veio aqui com você? – perguntou meio sem jeito, pedindo intimamente para que ela não notasse.
– Não. Fique esperando, já ia tirar a atadura um pouco antes de você aparecer, já estava começando a ficar dolorido. Esses três – ela apontou e ele selecionou a atadura e dois potes de remédio semelhantes aos que Damon tinha no carro mais cedo.
– Como está? Em relação ao papel que perdeu na peça? – perguntou enquanto desenrolava a atadura do pé de Elena. Percebia que estava triste, mais não sabia porque.
– Normal... Não é a primeira coisa que eu perco na vida, Danny – balançou a cabeça, desviando o olhar. Os dois continuaram em silencio por um tempo, até ela pronunciar um “Ai” abafado.
– Desculpe – ele disse, novamente sem jeito. Tentava imaginar onde Damon teria ido aquela hora. Não havia nem ideias em sua cabeça. Ele parecia tão deprimido em seu quarto, sem animo para nada, sai sem levar os remédios, soca a parede (sim, Danny tinha certeza que o barulho que ouviu era um soco na parede) e pega as chaves do carro, para onde diabos ele iria? Danny não tinha certeza se havia saído, só teve realmente quando ele entrou no quarto de Elena, já havia feito uma espécie de ronda rápida atrás dele pelo apartamento e nada. Decidiu não ligar em seu celular.
– Porque o Damon não veio? – Elena perguntou a ele com um pouco de receio na voz. Danny reconhecia aquele tom, estudara diversas vezes na faculdade e sabia diferenciar o medo em falas quando as ouvia. Mais porque ela teria medo de perguntar sobre o tio?
– Na verdade, pensei que estivesse aqui – disse. Não queria mentir, Elena era uma garota tão boa, haviam se tornado amigos, e por mais que achasse que Damon deveria contar do passado para ela, estava disposto a abrir o jogo agora mesmo, se fosse para esse caminho que a conversa rumasse – Ele me disse que viria para cá, mais não trouxe nenhum dos remédios consigo.
– E porque acha que ele não veio? – Pela primeira vez, seu olhar havia parado na direção do criado mudo de Elena. Avistou ali em cima, pelo menos 3 revistas mal arrumadas, na primeira, a manchete que leu mais cedo através da mensagem que Bonnie havia mandado para ela. Desviou o olhar após ler pelo que julgou ser a décima vez, o nome Damon Salvatore. Ela percebeu – Bonnie trouxe as revistas agora a pouco. Não encontrou você em seu quarto, estava com o pai, então foi embora.
– Pensei que fosse uma revista apenas...
– A mãe dela gosta de revista de fofoca sobre famosos – deu de ombros – Eu só não imaginava que meu tio estivesse em tantas – Ela esticou o braço e as pegou, não eram três, mais cinco revistas.
– Você já leu? – Danny perguntou. Estava preocupado, alguma dessas poderiam estar noticiando o acidente que o amigo sofreu a anos atrás. Ela balançou a cabeça negativamente em resposta.
– Mais dá pra deduzir que o Damon não está nelas por ser um bom advogado. A mais nova é de seis anos atrás...
– Acho que eu não era nem um exemplo de graduando – A voz de Damon ecoou pelo quarto. Ele estava parado apenas com metade do corpo para dentro do quarto, a outra estava encoberta pela porta. Tinha um sorriso triste no rosto. O que será que ele tem pra ter saído e retornado tão rápido? Danny se perguntou, decidiu guardar os remédios na maletinha, o curativo de Elena já estava pronto. Ele adentrou o quarto e Danny esperou que continuasse até que arranjasse uma deixa para sair do quarto e deixar que eles conversassem – Lembra dessa época, Danny?
– Como esquecer? – respondeu sorrindo com outra pergunta, talvez o único sorriso feliz que aquele quarto havia visto naquele dia. Toda vez que lembrava-se da época da faculdade, sentia-se animado. Damon correspondeu o sorriso, agora com mais animo.
– Posso? – Perguntou a Elena apontando em direção as revistas. Ela as entregou e ele começou a folhear a primeira. Estampava a capa e sorriu balançando a cabeça melancolicamente quando encontrou a matéria em que estava. Danny levantou e seguiu em direção a porta, antes que alguém o pudesse interromper.
– Vou ligar para a minha namorada – falou, para que não saísse “À Francesa”.
Elena arredou seu corpo na cama dando espaço para que Damon se sentasse. Ele o fez, virando-se de frente para ela que estava deitada. Ela não se atreveu a falar, esperou até que ele tivesse forças para recomeçar.
– Danny já te contou sobre como conhecemos Lexi? – Perguntou mesmo sabendo a resposta. Ela assentiu.
– Ela o desafiou depois que você disse que seu curso era melhor que o dela em um bar.
– Rimos tanto aquela noite que a minha barriga ainda dói só de pensar – Ambos perceberam o quanto aquelas palavras soaram saudosas. Isso pareceu atingir Elena como uma faca invisível, ela fez uma leve careta antes que ele continuasse – Depois disso, continuamos nos encontrando, Danny nem faculdade fazia ainda, mais sempre dava um jeito de estar no campus a meia noite de algum sábado quando nos encontrávamos para uma festinha no dormitório do Nathan e do Matt. Não acontecia sempre, geralmente era depois da época de prova... Mais Lexi e eu fomos nos mostrando cada dia mais parecidos... Quando Nathan começou a namorar a amiga e colega de quarto dela Vicki, Lexi foi obrigada a ceder o quarto para os dois depois de uma aposta com o Matt, que dividia o quarto com o Nathan, na qual ela perdeu. Começamos a passar o tempo juntos, no meu quarto, porque eu dormia sozinho, ajudávamos um ao outro com tarefas e eu sempre a ajudava com as peças de teatro que a turma dela produzia na faculdade – Ele agora olhava nos olhos de Elena, não a encarava, não era sua intenção, na verdade, ele estava tão envolto nas lembranças, que não percebeu seus olhos nos dela – Mais eu me envolvi demais com aquele mundo, que na verdade, nem era meu... Ela dizia que eu tinha um dom para a atuação e começou a arrumar papeis pra que eu participasse das peças junto com ela. Começamos a ser convidados para atuar fora, as pessoas gostavam da gente... Eu comecei a receber propostas pra modelar, sabe? Desfilar em eventos... Fotografar, e ela me apoiava, tirando sarro comigo junto aos nossos amigos, mais me apoiava e eu fui me envolvendo, com esse mundo e cada vez mais com ela...
– Namoraram? – Elena perguntou com receio de interromper a história, ele sorriu com a palavra que ela pronunciou. Ela adiou ao máximo perguntar aquilo, não queria parecer tão desesperada para saber sobre romances passados do tio. Para seu alívio, ele não pareceu se importar.
– Sim, Danny deu uma força...
– Sempre o Danny... – ela disse, lembrando das conversas com o amigo e sobre o conselho disfarçado sobre não ligar para leis quando se tratava de amor que ele havia dado a dois dias atrás.
– Naquela época ele não tinha papas na língua – disse enquanto Elena ria. Sua mão transpassou pela cintura dela, a fazendo enrijecer por um momento. Ele percebeu o que tinha feito, mais não retirou a mão – Encontrou Lexi e eu deitados, na verdade, espremidos na minha cama de solteiro, rindo de uma cena em que contracenávamos juntos, mais que não conseguimos ensaiar porque não parávamos de rir um da cara do outro. Ele nos perguntou “Quando vocês vão parar com esse jogo de amigos e começar a se agarrar de uma vez por todas?” – Damon fez uma imitação ruim da voz de Danny que fez Elena sorrir ainda mais – Então ela me beijou e eu correspondi...
Ele agora folheava outra revista, parecia ter menos importância em seu ponto de vista do que a anterior. Logo largou na extremidade da cama, longe da primeira. Pegou outra que Elena deu em sua mão e recomeçou a folhear. Mais um sorriso em seu rosto.
– Fomos convidados a participar de uma novela. Foi engraçado, fizemos o teste por fazer e passamos, para par romântico – ele levantou a revista na direção da morena ainda deitada. Ela arqueou a sobrancelha ao observar uma pequena foto no canto esquerdo da página. Lexi e Damon juntos em um abraço. Sorriam em direção a ela, bem mais novos do que agora, tinham a aparência de adolescentes. Em baixo da foto ela leu “Rose (Lexi Branson) e Erick (Damon Salvatore) discutem novamente e ele acaba sofrendo um acidente sério. Ao terminar o relacionamento, o filho de Ricardo Mcmillan capota o carro em alta velocidade”. Piscou algumas vezes, ainda não conseguia acreditar que o tio havia feito uma novela – Meu personagem morreu nesse acidente, foi no fim da novela, mais deixou a personagem da Lexi grávida.
Grávida. Aquela palavra subitamente o levava para uma das partes mais trágicas da história. Elena percebeu seu súbito desvio de olhar. Ele fechou os olhos, tentando se concentrar. Elena colocou sua mão sobre a dele e a acariciou na intenção de o dar conforto, de mostrar que estava ali para ouvir tudo que ele quisesse desabafar. Poderia sentir que Damon guardara essas lembranças a sete chaves a muito tempo.
– Quando a novela acabou, Lexi e eu fomos jorrados de pedidos de contrato. Ela estava muito feliz. Começamos a sair cada vez em mais revistas e essa fama e toda a dedicação que eu tinha que ter em Setes de Filmagens, gravando, ensaiando textos já não me deixava conciliar meu novo trabalho com faculdade... Mais eu não podia parar a faculdade, eu amava Direito tanto quanto amava atuar. Meus amigos me deram muita força pra que eu não parasse nenhum dos dois, Nathan me cobria nas aulas, chegava a fazer nossos trabalhos sozinho enquanto eu ia para o auditório ensaiar e a faculdade abonava as minhas faltas pelo fato de eu ter o teatro como uma atividade extracurricular e estar tendo sucesso, assim como acontecia com o Matt no time de futebol enquanto cursava Educação Física. Mais para ele, assim como para a Lexi, as atividades extracurriculares que tinham era como uma espécie de complemento do curso de cada um, então os meus docentes de Direito pegavam pesado comigo, fora o meu... Ahg! – ele grunhiu alto, fazendo Elena arquear sua sobrancelha.
– O que houve? – perguntou, mais intimamente imaginava que sabia a resposta. Giuseppe, pensou.
– Meu pai – ele confirmou suas suspeitas – Ele... Não queria... — O MEU FILHO será advogado! Damon lembrou com desgosto as palavras que o pai pronunciou uma vez ao telefone para ele. Advogado! Não um ator marica qualquer – Se eu continuasse com essa história de atuar, principalmente de fazer novelas ou qualquer coisa que pudesse chegar as casas das pessoas de Richmond pela TV, disse que me desertaria...
– Mais Damon...? – Elena se questionava sobre o porquê disso. O que tinha demais em ser ator nos Estados Unidos, no Brasil isso enobrecia as pessoas – Eu não entendo o porquê de tanta raiva... Qual o problema em ser ator nos Estados Unidos?
– Não é os Estados Unidos, Elena... É o Estado da Virgínia e todo o seu conservacionismo. Você mora em Nova York, nessa metrópole, onde cada um faz da sua vida o que quer, mais em Richmond ainda não é assim... – As mãos dela agora apertavam de leve as dele. Sabia sobre o que ele estava falando, achava que entendia o que ele sentia. Ela comparava morar em Richmond em uma casa vitoriana, com uma família das antigas, com posses, com costumes e pensamentos antiquados, como sabia que era a família de seus pais, à sua estada no Collegio di Santa Agustine a três anos atrás, na Itália, uma escola apenas para meninas, administradas por freiras conservadoras, rígidas e de hábitos religiosos, onde tinha horário para tudo, 24 horas do dia, 7 dias por semana, que faziam as meninas acordarem às 05 horas da manhã para rezar o terço antes das aulas começarem às 07 horas. Aquele foi o pior colégio interno em que estudou. Elena não sabia se acreditava ou não em Deus, mais ao rezar, sempre pedia para que se ele existisse, a tirasse dali o mais rápido possível. Demorou oito meses para sair, três meses só tramando algo realmente ruim para ser expulsa, mais não quis pensar no que fez – O grande e tão respeitado pela comunidade Senhor Giuseppe Salvatore, mandou o filho para voltar advogado de Nova York e não um ator “sem importância” – disse desgostoso.
– Mais você não era sem importância... Você fez uma novela! – disse indignada – Essas revistas são provas de que você era famoso...
– Elena, a família Salvatore é uma família de administradores, contabilistas, advogados, médicos, engenheiros... Não estão só em Richmond, estão por toda a Virginia. Seu pai era um contabilista, o contabilista da empresa, quem herdaria tudo ao final, até porque eu nunca me interessei em nada daquilo, o papai sabia disso e Stefan também — A perda de Stefan e Suzana foi a pior coisa que poderia acontecer com ele. Giuseppe não se recuperaria tão cedo e Damon sempre julgou ser por isso que ele deixou que Elena fosse tirada do seu convívio. Mais não era justo com sua mãe, não era justo com ele e muito menos com Elena, mais ninguém contestaria Giuseppe.
– Ok, então... – ela não sabia se continuava a falar ou esperava que ele lhe tomasse a palavra. Mais como não havia sinal de que ele prosseguiria, decidiu continuar – Você... Parou? Parou de atuar?
– Não – sorriu irônico – Eu continuei... Lexi me dava forças, meus amigos me ajudavam... Eu conseguiria me formar, tava tudo indo muito bem, tudo dando certo... Até nossas festas no quarto do Nathan não deixaram de acontecer, meu namoro com a Lexi se tornou algo mais sério, expulsei varias vezes o Danny do quarto para que ela dormisse comigo... Mais meu pai tinha que fazer alguma coisa... – Sua voz foi tomada por um misto de raiva e mágoa, Elena contorceu-se na cama, nunca imaginou que o avô fosse tão rígido a ponto de fazer algo contra Damon, como o expulsar por exemplo. E ela? O que faria com ela diante a tudo que aprontou se morasse com eles?
– O que ele fez? – perguntou ansiando por uma resposta que não fosse perturbadora, mais sabia que o avô só poderia ter feito algo sério.
– Estávamos tão felizes naquele dia, Elena – Ela pode ver as lágrimas se acumulando em seus olhos, percebendo aquilo, ele os fechou. Tentava recobrar a coragem e a concentração. Continuou a fala ainda de olhos fechados.
– Continua, Damon, você precisa falar – ela pressionou sua mão contra a dele novamente e ele pareceu reencontrar as forças.
– Lexi nos reuniu em seu dormitório. Comprou umas seis garrafas de whisky e mais umas três de Bourbon e mandou que a Vicki chamasse todos nós imediatamente. Mesmo sem entender nada a Vicki obedeceu e em meia hora, estávamos todos naquele quarto cheio de pôsteres do Bread Pitt, exceto por Jeremy, que havia saído para encontrar os pais. Nunca havia visto a Lexi tão feliz, tão cheia de si...
Sua cabeça foi inundada pela cena, parecia não estar mais no quarto de Elena, a adolescente não estava mais ali. Quem estava era Lexi, parada em frente a sua escrivaninha junto as garrafas de bebida. Ela sorria radiante em sua direção. Sua mente logo foi tomada por pensamentos que buscavam alguma razão para ela estar assim e com tantas garrafas de bebidas em plena quarta-feira. Era óbvio, Ela conseguiu o papel no filme que tanto queria, seria a atriz coadjuvante, ele pensou abrindo seu mais brilhante sorriso de felicidade por ela, sua namorada, sua melhor amiga.
Todos ainda a encaravam esperando um pronunciamento seu, mais Lexi não sabia como começar a falar. Caroline já a fitava impaciente e tanto Danny quanto Kol desviavam o olhar dela para as garrafas sem parar, o que a fez soltar uma breve gargalhada, deixando todos mais confusos.
– Galera – disse, fazendo esforço para se concentrar – Gente, eu tenho uma notícia muito boa para dar a vocês. Eu nem sei como falar... Eu... – Gaguejou e mexeu nas madeixas loiras tentando disfarçar o nervosismo, porém sem êxito. Damon já não entendia o porque dela estar assim por causa de mais um papel, ta certo que dessa vez era um longa metragem, mais mesmo assim... Ela e ele próprio já haviam dado e comemorado essas notícias tantas vezes que não parecia justificar o nervosismo em sua fala.
– Lexi, pelo amor de Deus – falou Caroline se pondo a frente do grupo – Eu vou viajar para ver minha mãe em outro estado em 20 minutos, por favor, conta logo o que tem pra contar... – Mais Lexi nem pareceu ligar para ela – Lexi! – exigiu, fazendo Lexi desviar seus olhos dos olhos azuis de Damon.
– Hoje, eu senti uns enjoos meio estranhos – voltou a gaguejar deixando Caroline mais impaciente e o restante do grupo alarmado. Vicki arregalou os olhos em sua direção e entreabriu um pouco a boca, não sabia exatamente o que pensar, mais quando mulher falava em enjoou... – Na verdade... Já tem umas duas semanas que eu estou sentindo eles e... E... Outros “sintomas”, que são mais evidencias... De que...
– Você esta doente? – Damon perguntou em alto e preocupado tom. Não tinha ideia em que pensar. Mais a frente de Lexi, Vicki sorria abobada e Caroline engolia a saliva desesperadamente. Ela reparou Matt arquear as sobrancelhas sorrindo de leve, parecia ter entendido também, mais era o único dos garotos. Os outros quatro, incluindo Damon ainda estavam confusos.
– Claro que não – O loiro disse rindo da parte de trás. Damon o encarou ainda sem entender. Ele já sorria de orelha a orelha assim como Vicki que abraçou Nathan ainda confuso. Aos poucos a expressão de Danny relaxava, ele era rápido com raciocínios, mesmo estando atrasado com relação a Matt, havia pensado em várias coisas, varias doenças, em tudo que desencadearia enjoos. Mais o único resultado para justificar nervosismo e garrafas de whisky e Bourbon no mesmo ambiente seria...
– Você? Lexi... Você está...? – gaguejou em animação sorrindo. Ela sorriu também, assentindo.
– Grávida! – A voz de Caroline ecoou pelo quarto, com um misto de decepção por não ser fã de Lexi, mais alegria por Damon. Ela juntou as duas mão sobre a boca escondendo o sorriso que Danny, Kol, Vicki, Nathan e Matt fizeram questão de mostrar, mais Damon demorou para absorver a novidade.
Ela e o grupo ainda esperavam que ele fosse o primeiro que a abraçasse, viram todos estágios até que a ficha dele finalmente caiu. O sorriso e a excitação surgiram em seu rosto e os olhos azuis ficavam cada vez mais marejados. Ele caminhou em passos lentos na direção dela a encarando e as lagrimas escorreram pelo rosto da loira. Damon tomou suas mãos e as levou juntas na direção de sua boca, depositou um leve beijo nelas sem quebrar a conexão entre seus olhos e os dela.
Ainda estavam todos em silêncio quando ele se ajoelhou e beijou o ventre de Lexi. Como não notou? Ela era tão magrinha e a barriga já aparecia saliente abaixo da regata. Seria pai! Levantou e a abraçou finalmente, deixando que as lágrimas finas de felicidade escorressem pelo seu rosto.
Eles beberam, beberam demais aquela noite, menos Lexi, que tomava suco de limão. Caroline já não estava mais ali, Kol, Danny e Matt estavam sentados em frente a televisão jogando algum jogo de corrida no Playstation rosa de Vicki que ela mesma havia pintado, Damon e ela estavam abraçados em um pufe espaçoso e confortável que imitava um sofá, ao lado deles estavam Vicki e Nathan na mesma posição, sorriam e conversavam sobre o futuro ao som de Love Song do The Cure em um volume baixo para que não chamasse a atenção de ninguém para o quarto.
Lexi já estava com quatro meses e nem havia se tocado sobre a possibilidade da gravidez até que uma amiga que fazia medicina a fez perguntas e levantou a duvida. Ela foi a uma consulta e a médica confirmou a duas semanas atrás. Já havia recusado o papel no filme que tanto queria, não poderia interpretar uma personagem de um filme de ação. Também havia decidido participar da equipe de produção das peças de teatro na faculdade ao invés de ser atriz, pelo menos por enquanto se afastaria do que realmente gostava de fazer. Damon estava tão feliz que ninguém parecia ser capaz de tirar essa sensação de seu corpo. Não deveria ter duvidado dessa possibilidade.
– Festas, só pensa em festas, Damon Salvatore! – Giuseppe adentrou o quarto sobressaltando todos ali. Sua voz de desdém fez Damon levantar em fúria. A mão de Lexi segurava a sua, não sabia se daria certo, mais era a tentativa da garota de o manter ali, parado sem ir ao encontro do pai – Você vai ser um advogado! Um advogado, Damon! Pare de se comportar como um qualquer como esse jogador de futebol!
Ele o queria atingir onde doía. Damon não encararia Giuseppe se ele continuasse a atacar somente o filho. Se deslocou de Richmond a Nova York para incluir os amigos do rapaz na conversa para o deixar furioso e depois mostrar-lhe a quem devia obediência, ao pai. Devia obediência a ele, sempre deveu e não seria agora por morar longe que seria ao contrário, mais na concepção de Damon, Giuseppe havia deixado de ser o dono da razão a muito tempo. Matt não respondeu, preferiu ficar calado e não encarar o olhar de desdém de Giuseppe.
– Você garoto – ele o olhou nos olhos. Lexi apertava sua mão ainda e ele não se mexeu – Você, Damon, não está sendo digno do sobrenome Salvatore!
– Ótimo! – ele falou em fúria – Então o engula, pai!
– Damon – Lexi falou, era típico, somente ela se atreveria a se meter entre eles – Damon, deixe que ele fale...
– Senhorita, deve ser mais uma namoradinha dele – Giuseppe voltou a falar fazendo com que ele soltasse a mão de Lexi e desse alguns passos a frente – Deve ser a Branson, minha mulher me falou sobre vocês e eu tratei de descobrir a culpa que você tem a respeito desse negócio de ser ator que está na cabeça do meu filho. Deixe-o em paz, garota, ou eu...
– Cale a boca, pai! – Damon interrompeu em fúria. Sentia que faltava ar em seus pulmões. Estava prestes a empurrar Giuseppe a força para fora do quarto de Lexi quando sentiu as mãos de Matt e Nathan em seus ombros o impedindo de continuar
– Senhor Salvatore, por favor vai embora – Danny disse a frente de Damon. Giuseppe soltou uma risada baixa.
– Não se metam entre eu e meu filho, garotos...
– Ok, já chega! – Vicki levantou sendo seguida por Lexi. Pegou a chave do carro de Damon que ele havia posto na escrivaninha. Com a outra mão pegou uma garrafa de Bourbon aberta de dentro do frigobar e seguiu para a porta – Vamos embora do campus, vamos pra outro lugar, hoje não é dia de confusão! Nathan anda, trás o Damon.
Nathan assentiu e empurrou Damon com a ajuda de Matt com Lexi aos seus calcanhares. Seguiram em passos largos até o estacionamento da frente dos dormitórios onde geralmente ele deixava seu sedan mazda preto. Danny permaneceu no quarto com Giuseppe, discutindo com o homem para o distrai enquanto eles saiam.
– E aqui estou eu fugindo dele de novo! – Damon disse posicionando a chave no contato do mazda. Vicki e Kol entraram no banco de trás, Lexi hesitou em entrar no carro. Damon estava muito alterado, nem tanto pela bebida, mais pela presença do pai.
– Onde vocês vão? – A voz conhecida de Jeremy soou ao lado de Lexi – O que ta havendo, vocês não parecem bem...
– Uma bela confusão aconteceu agora a pouco – Matt disse. Abaixou-se em direção a janela do motorista e encarou Damon por um tempo antes de falar – Cara, dirige com cuidado. Eu ainda acho que o Kol ou o Nathan era quem devia dirigir.
– Não, eu dirijo – disse firme.
– Cara, eu não estou entendendo – Jeremy falou ainda confuso.
– Nathan, eu acho melhor você e o Matt voltarem pra ajudar o Danny com o senhor Salvatore lá no quarto – Vicki disse quando Nathan estava se posicionando ao seu lado no automóvel – Nós ligamos pra avisar onde estamos.
– Senhor Salvatore? – Jeremy voltou a falar. Odiava ficar perdido em qualquer conversa.
– O pai do Damon criou a maior confusão ainda a pouco... – Lexi disse em voz baixa.
– Vem Nathan, o moleque deve estar até agora gritando com o velho – Matt disse e Nathan saiu do carro após um selinho em Vicki – Cuidado, vocês – falou olhando nos olhos de Lexi dessa vez.
Lexi finalmente decidiu entrar no carro e Damon ligou o automóvel.
– Espera, eu vou com vocês – Jeremy falou rápido abrindo a porta e sentando no lugar que antes era de Nathan – Me contem o que aconteceu no caminho de sei lá pra onde.
– Melhor você nem saber, cara... – Kol falou e Vicki assentiu.
Era quarta-feira, deveria estar cada um em seus dormitórios, mais nenhum deles estava preocupado se teriam aula no dia seguinte. Eram 20h30 da noite quando decidiram ir até Long Beach, a região praieira de NY. A garrafa de Bourbon já havia acabado a horas e eles já estavam no segundo whisky comprado na rua, decidiram esquecer o que aconteceu e Damon pisou fundo o pé no acelerador mesmo depois de alguns pedidos de Lexi para que fosse mais devagar. Estava tão seguro de si que apenas sorriu para ela quando percebeu que havia desistido, ela levou três copos seguidos da bebida a boca e engoliu com um sorriso.
Estavam próximos a Hollis Hills no Queens quando o menos esperado aconteceu.
– Damon! – Vicki gritou em couro a Lexi alertando Damon para o carro que cruzaria o sinal vermelho a frente deles. Mais Damon se assustou ainda mais.
Estava muito em cima para pisar no freio, buzinou fortemente, acertariam o carro da frente em cheio então acelerou o mazda ainda mais decidido a desviar pela esquerda até que percebeu que havia mais um carro. Sua única solução era tentar parar. Decidiu continuar com o pé no acelerador intimamente pedindo para que o carro que atingiriam parasse para que sua manobra desse certo. Desviou o mazda para a direita tentando passar a frente do carro em que bateriam no cruzamento.
Damon sentiu o baque forte na lateral traseira do mazda e se preparou para o impacto contra o chão quando o carro começou a capotar. Bateu fortemente com a cabeça no volante antes de o air bag abrir e desmaiou.
Piscou varias vezes ao perceber que seu rosto estava molhado e que um corpo quente se agarrava ao dele. Ele tocou levemente as costas de Elena quando se deu conta que ela o abraçava.
– Tio... – a voz falhou – Damon... Eu sinto muito!
Não respondeu. Preferiu ficar ali aconchegado no abraço de Elena até que ela decidisse o soltar. Tudo o que contou necessitava sair de seus ombros e a sensação era ótima. Mais ainda se culpava, Elena percebeu. Se culpava pela morte dos amigos e pela morte do bebê que teria com Lexi. Finalmente entendia o porque daquele clima tenso no café entre Lexi e Damon. As meias palavras, a falta de olhar entre eles... Agora fazia sentido. Mais ainda faltava o fim da história.
– Seus amigos... Eles morreram no acidente – falou tímida quando o largou. Ele assentiu.
– Kol perdeu a perna direita. Teve que ser amputada porque ficou presa nas ferragens do banco do motorista tempo demais. Vicki foi cuspida do carro, quebrou vários ossos, não resistiu aos ferimentos e Jeremy absorveu todo o impacto da batida de uma vez. Jeremy e Vicki faleceram, Kol e Lexi graças aos céus não, mais eu não sofri nada mais do que arranhões, alguns cortes e um hematoma na testa. Eu devia ter morrido, mais foram os meus amigos.
– Não devia ter morrido – ela o encarou olhando fundo em seus olhos – Não devia e graças aos céus, está aqui! Aqui comigo, cuidando de mim... – ele sorriu fraco – Sofreu alguma ação da justiça?
– Não – ele balançou a cabeça – O outro cara que avançou o sinal vermelho, mais mesmo assim, eu que estava a 120 por hora em uma reta com 5 sinais de transito... Eu tava tão bêbado! Fui um idiota, devia ter pisado no freio...
– Fez o que raciocinou ser o melhor na hora. Estava sobre pressão, não tem que se culpar, Damon. Como foi depois? Depois que saíram do hospital?
– Continuei na faculdade, minha mãe fez algumas visitas, mais meu pai não voltou lá. Os pais da Lexi a transferiram para Illinois, sua cidade natal e ela foi embora. Amava NY, amava estudar aqui, mais amava Vicki, amava Jeremy e amava Kol... Eu não a culpo por querer fugir dessas lembranças, não mesmo... Tentei enterrar da melhor maneira possível, saiu em todos os jornais o que ocorreu, principalmente por sermos quem éramos e por eu esta dirigindo o carro – Ele pegou a revista que havia separado. A manchete com os nomes dos dois estavam lá – Desde então eu só me dediquei ao Direito, Caroline me deu muita força e Danny também. Nathan demorou para absorver tudo, voltou para Richmond por uns meses. Kol também voltou para cidade natal, ele era de Ohio. Soube que largou artes por não poder mais se locomover com gás pelo palco como fazia, era um ótimo ator e só gostava de atuar mesmo... Começou a cursar psicologia ou alguma coisa assim... Comprei o apartamento com o dinheiro que guardei como ator junto com a mãe do Danny que também ajudou a pagar enquanto ele estava na faculdade. Queria que ele tivesse um lugar pra morar depois que terminasse e eu sempre gostei de ter ele por perto... Segui em frente...
Ela voltou a o abraçar. Que bom que seguiu em frente, pensou agradecendo, que bom que estou aqui e que tenho você, tio Damon.
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