Uncommon Love

14 Não sei por quê


Notas iniciais
Hey amores! Estou de volta com um capítulo que eu levei mais de quatro horas para concluir e acabei amando o resultado (Vocês terão uma surpresa com a Elena - Finalmente!). Estou bastante curiosa para saber o que vocês acharam e... Bom... Melhor falar nas notas finais...

“Achei tudo tão difícil, o inicio já é meio fim.

Corri o risco que eu sentia,

mais a sorte não sorriu pra mim”

Sobre a luz fraca de seu quarto, eu a vi sumir em direção ao banheiro. Eu estava perdido com sua súbita saída. Havíamos nos observado por alguns segundos e instintivamente eu havia me aproximado dela, sem pensar no que estava fazendo. Talvez eu a tenha assustado... Sinceramente eu pensava que ela pudesse querer aquela aproximação.

Demorei algumas longas horas até conseguir dormir. Minha mente viajava tentando encontrar os motivos para a ríspida saída de Elena. Ok, eu queria colocar um pouco de juízo na sua cabeça, esse sempre fora o motivo pelo qual ela estava aqui... Talvez eu tenha conseguido e ela tenha percebido que sexo com o tio não é algo que uma garota ajuizada faria... Então o que estava acontecendo comigo? Eu que estava perdendo o juízo?

– Pare de se culpar! – Danny disse. Eu estava nervoso, levantei com olheiras e ele reparou que eu estava um tanto abatido. Contei o que aconteceu e o que se passou pela minha cabeça a noite. Elena havia saído cedo, estávamos na sala e ele me observava do sofá, vestia seu terno cinza e as mechas longas de seu cabelo estavam penteadas para trás das orelhas, eu andava de um lado para o outro a sua frente – Você vai acabar desmaiando... Vai tomar um café!

– Parece que você não ouviu uma palavra do que eu disse! – Gritei em sua direção.

– EU OUVI! – Ele levantou e me segurou pelo braço. Me olhando sério, soltou-me após alguns breves segundos – Você está péssimo, Damon! Eu nunca te vi assim! Além disso, nem sabemos se foi uma “rejeição” ou se foi só um momento de confusão dela... Nós conversamos bastante na noite passada, cara, ela poderia só estar pensativa demais e não te rejeitando.

– Então qual a sua sugestão pra mim? O que eu devo fazer? Esperar? Esperar que ela venha até mim e fale “Damon, eu estava confusa” ou então “Damon, eu não quero repetir aquela noite da viajem. Sexo foi um erro!” – Eu estava visivelmente descontrolado. O que Elena estava fazendo comigo? Ela parecia exercer um poder demoníaco sobre mim.

– Você tem que manter a calma! Ninguém nunca te disse que você deve dar o espaço que as mulheres pedem? Vai se ocupar com outra coisa, cara... Vai trabalhar...

– Espaço? Danny... – balancei a cabeça – Eu ofereci a sala do nosso apartamento para ela e o tal de Elijah ensaiarem suas falas!

– E daí? Eles vem e ensaiam...

– Eu me ofereci para ensaiar com eles!

– Pensei que não se meteria com esse negócio de teatro de novo... – ele balançou a cabeça e depois me olhou nos olhos. Sua frase me fez recordar uma parte de meu passado que eu escondia de mim mesmo.

– Eu não vou voltar no tempo, Danny. Eu não me permiti voltar quando ela escolheu esse bendito curso. É só um ensaio...

Ouvi a porta se abrir as minhas costas, eu sabia quem era... A única pessoa que poderia entrar pela nossa porta assim. Virei em sua direção e a observei pelos breves segundos que ela esteve parada ali, ela não se permitiu encarar meus olhos, apenas sorriu de leve para Danny que com certeza havia retribuído. Não a observei passar ao meu lado seguindo para o corredor, apenas concentrei me olhar nos dois quadros acima do sofá de couro. Danny já estava de pé e tocava meu ombro esquerdo com sua mão dando-me um pequeno aperto.

– Você tem certeza que vai ficar aqui? – assenti levemente com a cabeça.

– Liga para o Nathan por mim – disse somente e ele balançou a cabeça. Soltou meu ombro e seguiu em direção a saída. Tornei a encarar os quadros sobre a parede branca por mais algum tempo antes de seguir em direção ao meu quarto e me jogar sobre a minha cama.

(...)

Talvez eu tenha perdido a cabeça. Não saberia explicar o que me aconteceu quando dei as costas para Damon, que naquele momento estava tão próximo a mim. Talvez tenha sido a pressão das palavras de Danny tão recentes e os meus próprios pensamentos inquietos, ou talvez eu devesse culpar aqueles 15 segundos de loucura que toda a pessoa tem em algum momento importante de escolha durante sua vida. Voltei para casa cedo porque não havia conseguido me concentrar em nenhuma palavra dita por qualquer pessoa na faculdade, esperava que Danny e Damon estivessem a caminho de seus escritórios, atolados de papeis para analisar... A ultima coisa que eu queria era dar de cara com ele, dei o meu melhor para não deixar que o azul cristalino de seus olhos encontrassem os meus. Pela primeira vez na minha vida, eu não sabia o que fazer a respeito de um homem, talvez quem sabe pelo fato de esse homem ser meu tio e... Não! Eu não posso considerar a ideia de estar apaixonada por ele.

“Droga, Elena! Não pense nisso!” gritei sem me dar conta. Olhei atônita na direção da porta de meu quarto, em parte, pedindo para que ninguém preocupado entrasse correndo por ela, mais o que me preocupava era o vidro espatifado do copo de água que eu havia trago na noite anterior. Eu o havia jogado contra a porta.

– Elena! – ouvi a voz preocupada de Damon do lado de fora de meu quarto. Era curioso ele não ter entrado. Uma lagrima escorreu pelo meu rosto e eu a enxuguei rapidamente “Você não pode. Você nunca se apaixona, Elena! É o Damon, seu tio Damon!” A voz tornou a martelar minha cabeça – Elena? Elena responde! Você esta bem? – eu tentava me controlar, controlar o impulso de me entregar a mais lagrimas intrusas – ELENA!

– Eu estou bem – disse fraco, sem ter certeza de ele havia escutado. Mais seus gritos preocupados haviam cessado e ali eu tive minha confirmação – Eu só...

– Só repita que está bem – ele disse cortando minha fala – Repita para que eu possa abrir a porta da sala e deixar que o seu amigo entre.

– Eu estou – falei somente, sem especificar que estava bem. Não havia me dado conta de que o tempo passara tão rápido e que Elijah já pudesse estar esperando para que ensaiássemos.

O abracei como de costume o dando boas vindas. Damon nos observava. Vestia uma de suas camisetas pretas e calça jens e sua expressão era vazia, não tão diferente da minha.

– Bonnie chegara com mais uma hora, disse que podemos almoçar e começar o ensaio, ela almoçará com o pai – Elijah me observava, parecia perceber que eu não estava normal. Fugi de seus eventuais olhos que procuravam os meus.

– Mary não está, mais a mesa esta servida – Damon disse e o seguimos até a cozinha. Danny acabou chegando um pouco depois de terminarmos de lavar e guardar as louças, ele preparou um prato e esquentou a comida no micro-ondas.

– Sinto não poder ficar, mais Caroline nos entupiu de trabalho – Danny falou enquanto Damon e Elijah arredavam a mesinha de centro para a parede em que ficava a TV, o que nos deixou com bastante espaço para as movimentações que fazíamos dependendo da cena ensaiada. Ele veio ao meu encontro com um sorriso fraco, abraçou-me e sussurrou em meu ouvido um rápido “espero que esteja bem”.

– Ok, 48º cena, Capitão Jack e Monallise D’Frê, barco ancorado no píer, costa norte da França, chove e venta muito – Elijah falou em nossa direção. Damon estava parado a alguns metros de mim com o roteiro em mãos, ele lera rapidamente antes de começarmos. Vestia um chapéu de pirata de época, um tanto rasgado, em sua cintura, um cinto com uma espada cenografia que Elijah havia trago. Eu estava com um vestido básico, mais com um saião rodado, por cima da minha roupa normal, um short jens e uma regata, também trajava um chapéu lateral, era de época, par do vestido e do chapéu de Damon – Damon, você está com muita raiva do capitão Rick e Elena, você está preocupada com seu aspirante a marido e melhor amigo Jacob que está no castelo da Rainha malvada Cristinni D’Frê, sua ex madrasta.

– Como ousa colocar sua reles mágoa por aquele capitão maldito a frente de Jacob? Eu lhe paguei! Lhe dei todo o ouro que tínhamos!

– E o que diabos você quer que eu faça agora, princesa? Aquele maldito roubou meu ouro, e eu vou recuperá-lo antes de qualquer coisa!

– Você deve me ajudar a resgatar o Jacob! Por culpa dessa sua ganância infernal ela o tem preso agora...

– O trovão – Elijah sobrepôs sua voz a minha, nos alertando sobre o que ocorreria. Nos abaixamos, como descrito na cena, ao mesmo tempo. Damon estava indo tão bem... Eu não esperava isso.

– Devemos entrar! – gritei, como faria, imaginando o barulho da chuva e trovões ao meu redor.

– Ok? – ele gritou em minha direção segurando em meus braços para impedir que eu o segurasse, ele seguia o roteiro perfeitamente, inclusive o havia posto de lado, o jogando no chão – Nós vamos sair agora, princesa. Não podemos perder tempo, porque ele é dinheiro!

– Pare de pensar em dinheiro seu estúpido!

– Entre, vá lá para dentro! Saia daqui! Eu tenho um mar em fúria para navegar, mulher! – ele me soltou e seguiu em frente, como se fosse em direção ao leme.

– Corta! – Elijah gritou. Damon parou e Elijah seguiu em direção ao roteiro jogado no chão – Você nem precisou revisar? – ele perguntou olhando Damon que não respondeu – Elena, você está muito bem, a cena foi bem realista. A propósito, realista demais para a primeira vez de alguém sem experiência nenhuma... – Damon continuou calado. A campainha tocou e ele seguiu em direção a porta para atender. Era Bonnie. Eles se cumprimentaram com um sorriso e um aperto de Mao, Bonnie trazia outra sacola com fantasias e objetos. Ela jogou junto a parede do corredor.

– Começaram faz tempo? – perguntou tirando a bolsinha lateral que levava com sigo e a colocando sobre o sofá.

– Não, acabamos de terminar a primeira cena da tarde, a entre o capitão e eu...

– A da chuva?

– Essa mesma...

– Por falar em chuva... Lembre-se que será difícil pensar e lembrar das falas estando toda molhada com água caindo sobre a sua cabeça – Elijah lembrou-me, balancei a cabeça.

– Vamos ensaiar a parte em que a rainha conversa com o seu personagem – disse e ele retirou uma espécie de varinha para Bonnie, além de uma coroa e um vestido vermelho. Ela rápido se trocou e ele posicionou-se contra a parede. Fingia agarrar as barras de uma cela. Eles começaram a falar seus textos, mais eu não prestava atenção. Damon ditava as partes da cena como Elijah havia feito enquanto contracenávamos. Ele sabia exatamente o que fazer, como falar e o que falar durante a aproximação e a ação de cada personagem. Ele parecia ter experiência com aquilo, como Elijah havia observado... Ele sabia o que estava fazendo, como qualquer ator saberia.

A tarde passou lenta e conseguimos ensaiar bastante cenas, inclusive a que Monallise consegue soltar Jacob. Damon e Elijah recolocaram a mesinha no lugar e durante toda a tarde, Damon ajudou a montar os cenários, descrevendo as cenas para que fixássemos na memória.

– Você tem experiência com teatro? – Elijah finalmente o perguntou enquanto carregavam as sacolas e as posicionaram na parede próxima a porta de saída.

– Não – Damon negou balançando a cabeça depois de alguns segundos. Bonnie e eu o observávamos.

– Não? Bom...Você foi realmente muito bem para alguém sem experiência... – Ele deu de ombros, sem responder. – O seu sobrenome é Salvatore, não? – ele balançou a cabeça – Não lembro onde, mais já ouvi esse sobrenome em algum lugar, tem um tempo...

Elijah e Bonnie foram embora pouco tempo depois. Damon não falou comigo depois que me perguntou se estava com fome, respondi que não com a cabeça e ele seguiu para a cozinha. Terminei de organizar as páginas do meu roteiro e segui para o quarto descalça, esquecendo-me completamente da quantidade de vidro espalhados a porta.

– Merda! – gritei jogando os papei do roteiro a minha frente. Olhei em direção aos meus pés e percebi que o direito já estava bastante ensanguentado.

– O que ouve com você? – Damon entrou em meu quarto pulando sobre os cacos. Eu tentava remover sem sucesso os cacos de vidro – Não se preocupe – ele disse observando meu rosto preocupado, as lágrimas desciam ferozmente por ele, realmente doía bastante – Eu vou cuidar disso para você.

– Ele me tomou em seus braços e me carregou novamente em direção a sala. Colocou-me no sofá, saiu em direção a seu quarto e voltou com alguns potes de remédio e algodão em mãos.

– Eu sou muito burra! – gritei em reflexo a dor que eu sentia quando ele retirou o ultimo caco de vidro que estava preso em meu pé.

– Acidentes acontecem – disse. Sorriu em minha direção, o primeiro sorriso do dia.

– Me esqueci completamente do copo que eu havia quebrado – disse segurando minha cabeça com a mão direita tentando não o ver passando remédio e fazendo o curativo.

– Você cortou bastante o pé... Espero ter tirado todos os cacos... Não vai andar direito por pelo menos umas duas semanas. Vem, vou te levar para o seu quarto. Ele me carregou de volta, deixou-me em minha cama, saiu e voltou com uma vassoura e uma pá em mãos e limpou o chão.

– Obrigada, Damon – eu disse logo depois que ele havia terminado – Me desculpe por isso...

– Não se preocupe – disse somente, fitando meus olhos. Ele se aproximou com cautela de mim e me deu um beijo na testa – fique bem – sussurrou se afastando.

– Voltei, Elena... Danny me – Bonnie falava da porta, mais parou quando viu meu pé com o curativo e Damon ao lado da cama — O que aconteceu com você?

– Cortei meu pé – disse somente, com voz pesada.

– Por sorte, foi apenas o direito – Damon completou a frase a olhando. Ela veio em minha direção e ele seguiu até a porta.

– Boa noite, Bonnie e Durma bem, Elena – falou somente e fechou a porta. Olhei para o outro lado, em direção a janela do meu quarto. Estava escuro e eu não havia puxado as cortinas. Observei as estrelas pelo tempo em que Bon Bon permaneceu calada. A voz em minha cabeça martelava frases que eu não captava direito porque eu não queria, somente o dono dos olhos azuis me eram importantes e mais nada, nenhum pensamento irritante.

– Você não achou incrível o fato dele se apresentar tão bem? – Bonnie tirou-me de meus devaneios.

– O que? – perguntei, colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.

– Seu tio Damon... Atuou muito bem no ensaio... Perguntei se não achou isso incrível.

– Ah, sim – falei em sua direção – É verdade... Pensei que ele só tivesse talento para advocacia...

– Falo sério, Elena Salvatore! – ela disse sorrindo em minha direção, mais subitamente parou. Pareceu pensar por alguns segundos. Arqueei minha sobrancelha em sua direção e ela voltou a falar – Claro! Salvatore! – disse animada – Eu já li o nome Damon Salvatore em uma das revistas da coleção da minha mãe!

– O que? – tornei a perguntar sem entender – Como assim “revista” da sua mãe?

– Espero não estar interrompendo! – Danny abriu a porta do quarto em entrou sorrindo. Vestia somente uma calça de moletom – Vim buscar minha namorada para uma sessão de cinema e outras coisas... – Bonnie sorriu e caminhou em sua direção. – Boa noite, Elena! – eles disseram juntos e saíram, sem que eu pudesse atrapalhar e pedir para que ela ficasse para me explicar essa história. Como assim, Damon Salvatore estava em uma revista da coleção da mãe da Bonnie?

Naquele momento ouvi o som fraco e abafado de um violão, eu reconhecia os acordes e a letra cantada em um português um tanto defeituoso, quis levantar, mais meu pé latejava ao mínimo toque do chão e eu me contive em me concentrar e ouvir aquela musica tão familiar.

Ouvi dizendo por aí
Que algo vai acontecer
Diante fica tão distante
De repente não quer mais me ver

Outra vez o último a saber
O que se passa
Talvez eu sempre faça a coisa errada
Um furacão pra mim é quase nada
De todos os desastres que eu podia
Eu escolhi você
Eu não sei por quê
Eu não sei por quê

Achei tudo tão difícil
O início já é meio fim
Corri o risco que eu sentia
Mas a sorte não sorriu pra mim

Mais do mesmo
Menos mal
Eu conheço a próxima cena
Um pouco de tristeza
Já me basta
Outro dia chega
E se arrasta

Exatamente quando eu não queria
Eu conheci você
Eu não sei por quê
Eu não sei por quê

Um pouco de tristeza
Já me basta
Outro dia chega
E se arrasta

Exatamente quando eu não queria
Eu conheci você
Eu não sei por quê
Eu não sei por quê

Aquela musica ditava ordem ao emaranhado de sentimentos que era Elena Salvatore naquele momento. A letra parecia ser o meu espelho. Eu nunca havia me sentido assim por ninguém e aquela voz que eu acabará de escutar cantando... Damon... Eu não o ouvia tocar desde que eu era menininha... Porque ele havia escolhido aquela musica?

– De todos os desastres que eu podia, eu escolhi você... Eu não sei por quê — cantei novamente baixinho – Eu não sei por quê! – reafirmei alto depois de um tempo olhando, naquele momento, em direção as estrelas.

Notas finais
Bom, continuando o que eu estava falando nas notas iniciais... "Uncommon Love" está entrando na reta final :-( Não sei se estão tristes ou gritando de alegria porque vão se livrar de mim, mais eu estou bastante triste. Eu amo escrever sobre Damon e Elena "parentes" então estou com o projeto da segunda temporada da minha outra fic completamente montado na minha cabeça, mais não sei se uma segunda temporada de Uncommon Love cairia bem, até porque me falta tempo para escrever e criar banners de capítulo para as duas por conta da faculdade (dá muito trabalho)... Espero que não me abandonem e deem uma passada no meu perfil para acompanhar as outras histórias, até porque, se gostam de "Uncommon Love", vão gostar de "Love Cousin" e muito mais da segunda temporada que, não demora muito, vai ser publicada. Em fim... Chega de propaganda! O que acharam? Curiosos para saber o que Damon esconde, mesmo eu dando algumas pistas? É uma das surpresas que eu preparei para o "inicio" do final! Xoxo ;D