Uncommon Love

15 Fantasmas


Notas iniciais
Olá! Estou de volta e trouxe um capítulo que gostei muito de escrever . Espero que gostem!

Saímos cedo aquela manhã, antes de Damon tomar café. Danny teria que cruzar a cidade para que pudesse deixar Bonnie e eu na faculdade. Bonnie bateu em minha porta cedo demais, mais não reclamei por ela me acordar porque eu já estava acordada. Lembrava do sonho que apouco eu havia tido. Damon me olhava nos olhos enquanto dançávamos sem nos tocar, não haviam sorrisos, apenas nos encarávamos como se estivéssemos hipnotizados, compenetrados um nos olhos do outro, seguindo nosso ritmo.

– Você tem que estar no teatro exatamente as 14 horas – Bonnie me recordou quando estávamos próximo a faculdade.

– 14 horas? – perguntei. Não me lembrava, mais levou-me a outro pensamento – Mais nós teremos aula até 13 horas! Não dá tempo de cruzar a cidade de metrô.

– Eu tenho duas audiências importantes com Caroline hoje. A primeira não levará mais de duas horas, mais a segunda...

– Não vai poder – balancei a cabeça.

– Ligarei para o Damon, até porque, com seu pé desse jeito, você não conseguiria cruzar a cidade de metrô – ele disse sem tirar o olhar da pista – Se eu não puder, com certeza ele estará aqui – balancei a cabeça lembrando novamente do sonho. Eu não entendi porque meu coração acelerou naquele momento, era estranho.

Eu estava receosa de encontrar Damon. Primeiro pelo sonho e segundo pelos pensamentos que tive ao ouvi-lo cantar aquela musica na noite anterior. A antiga Elena faria piadas, debocharia, na verdade... Mais já havia um tempo que essa Elena havia ido embora e deixado em seu lugar essa imitação fraca e barata dela. Eu quis negar no inicio, mais eu gostava dessa nova Elena sentimental. Eu estava me redescobrindo.

Acho que nenhuma manhã desde de minha chegada em Nova York havia se passado tão rápido quanto aquela. Damon estava sentado em uma das mesas da cafeteria da faculdade, tomava um gole de coca-cola e mantinha o seu olhar para a parede branca a sua frente. Bonnie me apoiava e me ajudou a ir mancando até ele, meu pé estava embrulhado em ataduras como ele havia deixado na noite anterior, eu não havia mexido. Quando me viu, reparou em minha expressão de dor.

– Não limpou o ferimento, não foi – ele disse me repreendendo, mais sua expressão era realmente de preocupação. Balancei a cabeça negando – Não pode sair sem fazer a assepsia.

– Bom, acho que está em boas mãos – Bonnie disse fitando Damon. Ela parecia procurar alguma pista de algo escondida em seu rosto – Eu vou indo – me deu um beijo no rosto e um sorriso leve para Damon que retribuiu.

– Obrigada – eu sussurrei quando ela passou.

– Vou ajudá-la a ir até o carro – me apoiei pondo meu braço em seu pescoço. Ele abraçou a minha cintura e me puxou para seu corpo. Senti seu cheiro fresco e inebriante que, por alguns segundos, me fizeram esquecer a dor. Ele me ajudou a entrar no carro. Abriu o porta-luvas e pegou um pacote de algodão, gazes, um rolinho de atadura e dois frascos com líquidos avermelhados. Arqueei uma de minhas sobrancelhas quando ele tornou a me olhar.

– Imaginei que você não mexeria no curativo – falou enquanto desenrolava a atadura de meu pé.

– Ai – disse puxando instintivamente o pé quando ele começou a tirar as gazes de cima do corte.

– Calma – ele sorriu tentando me acalmar. Deu certo.

Damon limpou os ferimentos e refez o curativo com toda a calma do mundo, estava sol, mais ele não pareceu se importar mesmo estando agachado um bom tempo ao lado do carro.

– Não precisava fazer isso – eu disse, quando seguíamos por uma das vias menos movimentadas de todo o trajeto até o teatro.

– Poderia infeccionar, Elena... Na verdade, acho que estava infeccionando, pelas suas caretas... – ele sorriu.

– Sério, tio Damon... Você pode me dar os remédios, o algodão e a atadura, eu me cortei, eu cuido do curativo – ele balançou a cabeça sorrindo fraco – Já dei trabalho o bastante...

– Eu gosto – me olhou rapidamente e voltou sua atenção para a pista.

– Gosta? – Franzi a testa.

– De cuidar de você, Elena – voltei meu olhar para a pista, ligeiramente envergonhada. Percebi um breve sorriso aparecer e desaparecer do rosto de Damon.

Chegamos no teatro exatamente as 14 horas. Uma parte do elenco já ensaiava em cima do palco. Damon me acompanhava junto a si quando avistei Virginia Perks, uma das coordenadoras de elenco, conversando um ator. Ela me avistou e seguiu ao encontro meu e de Damon. Olhou para meu pé enfaixado e logo em seguida para meu rosto, nem precisava falar nada, eu já sabia o que vinha a seguir.

– Elena – balançou a cabeça, como se falasse com sua filha que chorava por um machucado.

– Não foi grave, são apenas alguns cortes, eu vou me recuperar a tempo da estreia – disse, em vão.

– Lamento, Elena – ela me olhou nos olhos – Você fez um teste excelente e seu desempenho nos ensaios estava sendo ótimo, o papel sem duvidas devia ser seu. Mais pela forma com que está apoiada no seu amigo, com certeza não consegue participar do ensaio com o resto do elenco – e não conseguiria. Minhas cenas necessitavam de minha movimentação continua e naquele momento eu não conseguiria dar dois passos sem sentir a dor dos cortes. Apenas balancei a cabeça. Virei em direção a Damon e ele olhou-me com uma expressão triste no rosto.

– Virginia – Lexi Branson, a outra diretora de elenco, pelo menos uns 15 anos mais nova que Virginia havia chego com uma prancheta transparente em suas mãos – Preciso que você converse com o Alex.

– Ok – Virginia respondeu, em seguida voltou-se em minha direção – Lamento, Elena. Espero que se recupere antes da estreia, mais por enquanto, você esta cortada do elenco. Volte para casa – respirei fundo e me contive.

– Meu Deus, Elena – Lexi olhou de Damon a para mim preocupada – O que houve com seu pé?

– Acidente domestico. Quebrei um copo, me esqueci e pisei sem querer nos cacos de vidro. Agora acabo de perder o papel mais importante da minha vida.

– Lamento – ela disse.

– Você vai se recuperar a tempo, Elena – olhamos para Damon. Lexi tinha uma expressão diferente da minha, era curiosa.

– Eu conheço você – ela disse no instante em que meu celular vibrou em meu bolso. Olhei para Damon antes de abrir a mensagem de texto. Ele parecia pensar no que dizer. Permaneceu em silêncio encarando Lexi e eu pude ler a mensagem de Bonnie “eu encontrei a revista, seu tio está na capa e a manchete diz: Damon Salvatore, o dono dos olhos azuis mais quentes do momento”.

– Não, acho que não – ele respondeu a Lexi com um sorriso educado.

– Não, eu não posso estar enganada... Damon? – ela perguntou, sua voz falhou, mostrando que ela não tinha certeza do que havia feito.

Danny POV.

– Oi Lexi – Eu disse, ao chegar no que me pareceu ser a hora certa. Damon apoiava Elena e ambos se viraram para me encarar, surpresos. Lexi sorriu e eu retribui da melhor maneira que pude depois que percebi a expressão de confusão de Damon. Ela veio ao meu encontro e me abraçou, uma abraço desesperado, que tentava romper a barreira invisível feita pelos anos que não nos víamos. Nos separamos e ela voltou a encarar Damon, esperando que ele dissesse alguma coisa.

– Hey, Lexi – Ele falou quebrando o silencio imposto, mais sua expressão ainda era um misto de confusão ligada ao passado. Ele nunca se recuperou, naquele momento eu tive certeza. Elena o soltou e mancou o mais longe que pode sem tirar os olhos de Lexi. Me aprecei ao seu encontro e ela se apoiou em mim. Lexi abraçou Damon com certa cautela, cautela não só por ele, mais por ela também.

– Acho que eu perdi alguma parte importante da história – Elena sussurrou para mim. Estávamos sentados em uma mesa no café da esquina do teatro. Damon e Lexi estavam parados de costas para nós, ela escolhia quatro fatias de bolo, enquanto ele pedia dois refrigerantes, um café e um Milk Sheik de chocolate para Elena.

– Nessa época você devia estar muito ocupada sendo expulsa dos colégios em que estudou pelo mundo – ele sorriu de sua piada, eu também o fiz.

– Bonnie me mandou uma mensagem antes da Lexi reconhecer o meu tio – ela selecionou e colocou o celular a minha frente na mesa “Damon Salvatore, o dono dos olhos azuis mais quentes do momento” – O que sabe sobre isso?

– O suficiente pra te dizer que não sou eu quem deve contar a história – respondi sorrindo para Lexi. Ela depositou a bandeja com as fatias no centro da mesa. Damon colocou as bebidas a nossa frente.

– Senti falta de vocês – Lexi falou, depois de algum tempo de silencio na mesa.

– Nós também – falei, imaginando que Damon não fosse o fazer.

– O que aconteceu com vocês depois... – ela parou, cortando a parte ruim das lembranças.

– Nos formamos – Damon respondeu sem emoção.

– Pelo visto, não se largaram – ela sorriu em minha direção – Ainda são os melhores amigos...

– E ainda moramos no mesmo apartamento – completei, rimos juntos, só nós dois. Damon parecia perdido, mesmo esboçando um pequeno sorriso em coro ao nosso. Elena parecia não saber o que fazer, tomava Milk sheik sem parar, apenas observava.

– Nathan e Matt? – ela perguntou – O quarterback eu sei que ainda joga bem...

– Nathan e Damon estão trabalhando juntos no mesmo escritório aqui em Manhattan. Caroline e eu temos o nosso escritório. Atuamos em dupla.

– Caroline? – ela fez uma careta.

– Dê um desconto... – Eu disse, Elena sorriu, Lexi também não gostava de Caroline.

– Não tem como, Danny... – sorriu balançando a cabeça.

– Damon a namorou – Elena falou pela primeira vez. Lexi não sabia disso. Ela encarou Damon e sua expressão era difícil de decifrar.

– Então ela conseguiu? – arqueou a sobrancelha bebendo um gole do seu café – Quanto tempo durou?

– Pelo menos uns três anos – Elena voltou a responder.

– Nossa... Você é mesmo forte, Damon – Ele desviou o olhar após a ironia, característica da Lexi adolescente. Havia terminado seu pedaço de bolo e provavelmente bebido todo o conteúdo da lata de alumínio – Bom, eu tenho que voltar ao trabalho – ela disse após esperar a resposta que não veio de Damon, levantou de sua cadeira, deixando a metade de seu bolo intacta – Você mora com eles, Elena? – perguntou enquanto tirava a carteira da bolsa.

– Moro sim – Elena respondeu.

– Não precisa – Damon disse, após ela tirar uma nota de 10 dólares e depositar sobre a mesa. Ele também estava de pé, com uma nota de 50 em mãos.

– Ah, não – ela falou, balançando a cabeça. Seus olhos haviam se encontrado, talvez pela primeira ou segunda vez naquele dia. Os dois marrentos, de gênio forte, a única que batia de frente com ele, compartilhavam o mesmo tom de ironia, o mesmo gosto por desafios e gostavam de se desafiar... Eu sabia que era o que estavam fazendo naquela hora – Prefiro rachar a conta, como nos velhos tempos.

– Como queira – ele guardou os 50 dólares e retirou 20 da carteira. Ela me encarava, esperando a minha vez. Retirei 10 e depositei sobre os dela, Damon juntou seus 20 dólares aos nossos, como fazíamos antigamente. Ela sorriu satisfeita, como se ganhasse um prêmio.

– Elena, lamento pelo seu acidente – ela falou. Elena assentiu — Pensei que nunca mais veria vocês dois – disse como se fosse um adeus.

– Eu também pensei – Damon disse. Lexi assentiu e deu dois passos para trás.

– Nos vemos por ai, Lexi – falei fazendo um curto aceno com a mão, ela sorriu e acenou de volta. Ela se virou e seguiu em direção a porta sem dizer mais nada. Damon encarou a saída por algum tempo.

– Você pode levar a Elena pra casa? – perguntou.

– Claro – balancei a cabeça e então ele também saiu.

Elena e eu seguimos em silêncio até chegarmos no prédio. Enquanto subíamos pelo elevador, ela não se conteve.

– Desculpa, mais eu não posso continuar perdida desse jeito – disse me encarando.

– Ok – falei concordando — Conhecemos Lexi na época de calouros da Universidade de Nova Iorque. Ela cursava Artes. Estava em uma roda de amigos no bar na mesa ao lado da nossa, quando ouviu o Damon falar mal do curso dela.

– Damon falou mal? Como assim?

– Disse que advocacia era mais completa, inclusive no que se diz respeito a parte de artes cênicas – sorri, ela arqueou a sobrancelha – Lexi fez essa expressão – A porta do elevador se abriu.

– E então? O que ela fez?

– O desafiou. Os três amigos que estavam com ela, Kol, Vickie e Jeremy uniram nossas mesas e deram as regras do jogo aos dois. Damon teve que subir no palco do bar junto com ela e eles tiveram que construir uma cena, mais cada frase dita pelos dois devia começar com a letra seguinte a da frase anterior segundo o alfabeto.

– E como foi?

– Foi hilário. Um verdadeiro show de comédia – sorri com a lembrança – Não saiu um ganhador, e olha que nenhum dos dois queria perder, ambos cabeças duras, eles só pararam quando não conseguiram mais segurar as risadas. Desceram abraçados do palco, um dando apoio ao outro para que não caíssem. Ele deu o braço a torcer primeiro, disse que não falaria mais mal de Artes e a Lexi disse a ele, que não importava o curso, se a pessoa tivesse vocação para artista. Daí em diante, Matt, Nathan, Caroline, Damon e eu começamos a sair com a turma dela, Kol, Vicki e Jeremy. Nos dávamos super bem, exceto Caroline e ela. Caroline tinha ciúmes do Damon.

– Lexi tinha dado a entender mais cedo que não sabia que Damon e Caroline namoravam – falei. Ele abriu a porta do apartamento e eu entrei pulando.

– Caroline e Damon só ficaram juntos depois que a Lexi... – parei, pensando no que dizer ela me encarou rapidamente enquanto eu a conduzia pelo corredor. Abri a porta de seu quarto e a levei para a cama. Ela se sentou.

– Depois que a Lexi o que? – perguntou cobrando o final da história.

– Depois que a Lexi saiu das nossas vidas.

– Como assim?

– Já falei demais por hoje, Elena...

– Não, eu ainda não entendi o porquê daquele clima pesado lá na cafeteria – ela disse pegando o celular do bolso – Tem a haver com alguma coisa que eu possa encontrar na revista que a Bonnie tem?

– Lexi tem haver com o fato do Damon sair em revistas, mais o problema dos dois está muito além disso – falei somente, saindo de seu quarto. Teria que voltar ao escritório aquela tarde.

Voltei para casa por volta das 20 horas. Ouvi o dedilhar em cordas de violão virem do quarto de Damon quando sai do banho. Decidi então me arrumar e falar com ele. Dei duas batidas em sua porta e o som parou. Abri e adentrei o quarto, ele me encarava com o instrumento no colo, ao seu lado na cama, dois porta retratos estavam abertos em cima da cama. Avistei ele e Lexi sorrindo, ela segurava uma garrafa de whisky nas mãos e ele a abraçava por trás.

– Era a sua melhor amiga e você não trocou mais de três frases com ela – eu disse o encarando. Ele desviou o olhar.

– Não deu para agir diferente. Lexi esteve em memórias que por muito tempo estiveram enterradas junto com os amigos dela. Foi como se os fantasmas voltassem.

– Damon, sabe não tem que falar assim...

– Eu queria beber, Danny. Era pra eu encher a cara agora, mais quando eu vi essa foto, eu lembrei da merda que eu fiz naquele dia por causa de uma garra igual a essa que a Lexi ta segurando.

– Pensei que a fase da culpa já tivesse passado, Damon...

– Eu também, Danny! – ele gritou, precisava gritar, eu sabia – Mais foi só a Lexi aparecer pro mundo desabar nas minhas costas novamente – uma lagrima desceu pelo seu rosto, mais ele logo tratou de enxugar – Como se já não bastasse o peso de estar gostando da Elena...

– Precisa contar a ela.

– O que? – perguntou rindo em deboche – Quer que eu vá contar pra ela?

– Eu já adiantei o serviço, o começo da história... Ela estava muito confusa, também não é pra menos... O clima entre você e a Lexi tava pesado naquele café – continuei olhando as fotos. Em uma estavam, Vicki, Kol, Lexi e eu. Havia sido tirada após uma apresentação dos três na universidade. Em outra logo a baixo, estavam Lexi e Damon em um quase beijo – Já fez o curativo da Elena?

– Ainda não...

– Ótimo. Boa desculpa para você ir até lá e começar uma conversa.

– Danny...

– Bonnie tem uma revista em que você foi capa. Se não contar, ela vai descobrir sozinha.

– Ok – ele falou, colocando o violão de lado e levantando-se da cama — Só esconde esses álbuns de mim...

Notas finais
E ai? Me contem o que acharam, suas opiniões contam muito para que eu continue escrevendo :) Xoxo