Unchained Melody
17 Wonder
Notas iniciais
Assim que entraram pela porta principal da mansão da fotografa a mesma avançou desesperadamente em Clara. Ao que foi prontamente correspondida. Elas se agarravam como se tivessem a intenção de se fundirem uma na outra. Pegavam-se ora pelos cabelos, pela cintura, ora pelas nádegas. Se apertando por onde as mãos passavam, como se no aperto pudessem liberar um pouco da excitação que as dominava. Beijavam-se desesperadas, afinal de contas, esperaram a noite toda por aquele beijo. Era um beijo molhado, muito molhado uma vez que suas bocas salivavam querendo uma à outra. Engoliam-se. Em meio ao frenesi gostoso que executavam, elas iam andando em direção a escada, estava claro que ambas objetivavam o quarto de Marina, porém, queriam-se demais para se soltarem e irem logo para lá. Não permitiam se descolarem.
_Cachorra!
Disse Clara ainda com a boca dentro da de Marina.
A fotografa entendeu que a assistente se referia ao fato dela ter lhe enganado, arrumando uma desculpa para levá-la até ali. Só que Marina não invetara desculpas, não a enganara. Pelo menos não no todo. Realmente tinha algo a lhe mostrar, aliás, “algos”. Sua única mentira fora dizer-lhe que se tratava de trabalho, naquela noite não passariam nem na porta do que era seu local de trabalho. Mas, desculpava-se porque o que tinha em mente era melhor, muito melhor e tinha certeza de que em breve Clara a desculparia também.
Pararam ao pé da escada, encostadas no corrimão. Quer dizer, Clara estava encostada no corrimão enquanto Marina estava de costas para ela, imprensando-a nele e esfregando-se nela sensualmente. A assistente, por sua vez, puxava-a mais para si, como se tivesse esperanças de que assim seus corpos tornar iam-se um só. Puxava-a com os braços que estavam em volta dela, apertando-lhe os seios com furor desmedido. Elas já gemiam, enquanto seus corpos se encontravam daquela maneira. Marina esfregava sobretudo a bunda na altura onde estava o sexo da outra, ao que Clara lhe retribuía o movimento. A certa altura a assistente julgou que explodiria se continuasse com aquilo e virou Marina, com força.
A fotografa ofegou prazerosamente ao parar de frente a ela. “Clara tinha pegada”. Percebera desde o primeiro dia, mas, isso não implicava em ela sentir menos tesão toda vez que o constatava novamente. A assistente atacou-lhe os lábios, outra vez, e enquanto trocavam mais um sôfrego beijo, iniciaram uma breve e provocante conversa:
_Era isso que você queria me mostrar safada?
_Não. Eu tenho mesmo algo muito especial pra te mostrar.
_Mais especial que você? Duvido!
_Digamos que seja um misto das duas coisas. Mas, você vai ter a chance de decidir sobre isso mais tarde, meu amor.
O diálogo era difícil, arrastado, pois cada frase era dita entre beijos, lábios colados e respiração pesada.
Clara ficou curiosa com a fala de Marina, mas sua curiosidade não era maior que seu desejo, por isso, em momento nenhum deixou de agarrá-la, levando a mão aonde o braço alcançasse, embora, ainda por cima do vestido da fotografa, pois, quando tentou colocá-la por baixo do mesmo, Marina impediu-lhe, dizendo que “pra tudo havia hora certa”.
_Eu preciso te tocar, Marina. Preciso te sentir.
Respondeu em desespero contido.
A outra aproveitou a contestação de Clara para separarem-se e puxá-la pela mão, rumo ao quarto.
_Lá em cima. Tudo o que você precisar, vai ter lá em cima e quem sabe, até mais...
Disse de maneira sedutora e em tom de promessa, fazendo com que Clara fosse vítima de descargas elétricas contínuas.
Acompanhou-a sem titubear.
***
Quando entraram no quarto a assistente teve a primeira surpresa da noite. Marina tinha disposto em lugares variados as fotos de seu ensaio e que ela ainda não vira. Clara analisava-as incrédula. Ver-se nelas nua somado ao efeito visual fruto do trabalho da fotografa deixou-a de queixo caído. Marina era uma artista, sem dúvida, mas, Clara, Clara nunca se imaginara como modelo e de repente viu-se exposta e entregue naquelas fotos as considerando lindíssimas, perfeitas. Ver-se daquele jeito fez com que ela se sentisse ainda mais mulher, fêmea, sentia-se exalando sensualidade. Apaixonara-se por si mesma o que consequentemente elevava sua autoestima. Agora entendia como Marina a enxergava, nunca mais sentir-se-ia insegura em relação a si mesma, ou inferior àquela mulher que agora estava a seu lado.
Isso era justamente o que Marina objetivara desde o princípio, provar a ela que a veneração que sentia era fundamentada. Aquela noite, até aquele momento, tinha sido toda em prol disso. Começando pelo coquetel. Pela postura que Clara tivera, que a fotografa sabia que teria. E agora as fotos. Até aquele momento Marina tinha conseguido unir com maestria personalidade e beleza fazendo-a enxergar o seu valor.
Com a líbido extremamente inflada, Clara transformara-se. Esqueceu o embabacamento inicial e se lembrou do motivo que as levara até aquele cômodo. Sobretudo, depois de visualizar aquelas fotos se sentia ainda mais excitada. Pode-se dizer que ela se sentia verdadeiramente gostosa, que era altamente capaz de enlouquecer Marina tanto quanto ela a enlouquecia. É claro que ela sempre fora capaz disso, só Marina sabia o quanto, mas, era importante que a própria Clara sentisse-se assim. Teriam uma noite inesquecível.
Puxou Marina novamente para si, dessa vez, porém, antes de beijá-la direcionou a ela um olhar indecente, cheio de significado.
Enquanto se beijavam com o mesmo desespero anterior, Marina foi empurrando a outra diretamente à parede mais próxima, imprensou-a e virou-se de costas para ela. Por alguns segundos voltaram a se esfregar como haviam feito no andar de baixo, contudo, logo Marina se distanciou alguns centímetros de modo que tivesse espaço para afastar lentamente os próprios cabelos colocando-os de lado e deixando as costas livres.
_Abre.
Disse à Clara, referindo-se ao zíper do vestido que usava. Tratava-se de um tubinho preto, simples, porém elegante.
Clara obedeceu-a, sem delongas, afinal, o desejo de despi-la a acompanhava há horas.
O zíper se estendia até o final das costas da fotografa e a assistente não se preocupou em abri-lo com calma. Quando acabou tratou logo de passar as alças grossas do modelito pelos ombros da outra, deixando-a logo livre da peça do quadril para cima.
Marina usava um sutiã vermelho sangue, do mesmo tom do batom que tanto perturbava a assistente. O contraste da lingerie com a pele alva de Marina era gritante. Clara, então puxou-a mais para si pela cintura, colocando seus corpos mais uma vez. Estando ela com os cabelos ainda jogados para o lado, sua nuca encontrava-se desimpedida o que fazia com que Clara julgasse que ela a chamava, querendo ser cheirada, beijada, mordida. Enquanto a assistente obedecia ao chamado podia sentir os arrepios personificados em sua pele.
Ao levar as mãos a frente alcançando os seios que tanto gostava, pois tinham a medida de sua mão, pôde sentir a textura do tecido do sutiã da fotografa. Era um tecido fino, provavelmente quase transparente, já que Clara podia sentir a rigidez dos mamilos dela estufados sob a peça. Tratava-se de uma sensação gostosa e a assistente além de apenas tocá-los quis vê-los. Tentou virar a fotografa de frente para si, mas a outra não permitiu.
_Nós ainda não acabamos. Tira o resto.
Falou Marina a ela, sem que ela a pudesse ver, apenas ouvir. Tais palavras despertaram nela uma onda imensa de excitação atingindo-lhe dos pés a cabeça. Abaixou as mãos até o quadril da fotografa onde o vestido havia parado e empurrou-o para baixo. Mesmo que o tivesse feito com suavidade ou mais calma, ou que tivesse respirado fundo e tentado se preparar para o que veria, ainda assim, teria se surpreendido ao olhar a peça que Marina usava por baixo dele. Por um instante julgou passar mal, como se o coração tivesse parado de bater e o sangue não circulasse mais por suas veias. Os pensamentos ficaram desconexos, se é que ela ainda possuía a capacidade de pensar.
Marina usava apenas uma tanga, que também podia ser chamada de “fio dental” era, igualmente ao sutiã, vermelho sangue. Ali na parte de trás Clara visualizava apenas três tiras finas, a principal vinha pelo meio, quase escondida, enterrada na divisão entre as nádegas da fotografa. As outras vinham dos lados segurando-se à parte da frente que a visão da assistente não alcançava.
Quando Clara finalmente foi capaz de voltar a ter pensamentos inteligíveis e de perceber que o sangue voltara a circular, embora parecesse ter se concentrado todo apenas em um local, isto é, em meio a suas pernas, ainda não foi capaz de se mover. Somente pensava. Várias coisas passavam em sua cabeça ao mesmo tempo, ideias e queria executá-las todas ao mesmo tempo. Entretanto, um sentimento a invadia na medida em que um pensamento em especial sobressaia aos outros “Marina era uma piranha”. Não na melhor acepção da coisa. Era certo que isso excitava Clara de maneira insana até, mas também a irritava. Junto a excitação vinha um certo desprezo. Fazia com que a assistente quisesse castigá-la por ser daquele jeito, corrigi-la, ensiná-la a ser uma mulher “respeitável”. Era “maluquice”, ela sabia, mas não conseguia deixar de sentir-se assim. Antes que pudesse recuperar a fala, que também tinha perdido, a fotografa virou-se de frente para ela. Permitindo-lhe enxergar a parte da frente da lingerie que Marina vestia. O sutiã era exatamente como Clara havia pensado, da onde estava podia admirar os volumes sobressalentes mirando-a. Já na calcinha, havia uma maior cobertura e era de renda que cobria a extensão da virilha da outra. Enquanto Clara permanecia imóvel a sua frente, perdida em pensamentos que a fotografa não podia desvendar, a mesma avançou lenta e sedutoramente até ela. Ameaçadora Marina tirou os próprios saltos e estando quase colada na assistente começou a tirar-lhe a roupa. Queria-a nua antes que ela se recuperasse do estado de atordoamento em que se encontrava, porque dai quando se recuperasse estaria pronta para o que a fotografa desejava. Desabotoou o mais rápido que pôde a blusa branca que ela usava e quando terminou se livrou dela, deparando-se com o sutiã, de mesma cor, branco, que Clara usava. O contraste com a cor da pele dela era “perfeito” julgou Marina, livrou-se também o mais rápido que pôde da calça social, preta e justa que lhe cobria inconvenientemente a parte de baixo. Clara voltando a si, pelo menos em parte, terminou de livrar-se dela passando-a pelos pés e também jogando os sapatos que usava longe. Estavam as duas apenas de calcinha e sutiã agora, se é que o que Marina usava se podia chamar de calcinha. E no momento em que a fotografa uniu seu corpo ao da outra, colando-os novamente e encarrando-a provocativamente, a capacidade de fala de Clara retornou, embora o que tenha saído de sua garganta tenha sido um som mais rouco do que o habitual:
_Você ainda vai me matar, Marina.
_Só se for de prazer, meu amor. Sente.
Sem deixar de encarrá-la, a fotografa pegou sua mão direita e levou-a sem escalas ao centro das próprias suas pernas.
Quando depositou a mão sobre onde pensava que estaria o tecido já úmido da micro-calcinha de Marina, Clara surpreendeu-se mais uma vez ao sentir apenas o líquido quente que escorria do sexo da outra. Nada de tecido sobre ele, impedindo-o de fluir em sua mão. Não demorou para entender que a lingerie possuía uma fenda no local exato da entrada do órgão da fotografa. O que significava que poderia comê-la, violá-la, abusar dela sem precisar tirar-lhe, não sem pesar, a peça vermelha, maravilhosa que tanto a provocava e atordoava.
Dessa vez, o que invadiu Clara não foi a paralisia, ou a sensação de estar se sentindo mal e sim uma ânsia frenética de desfrutar do que estava a sua frente. Sentiu-se como uma criança em um parque de diversões e, ao mesmo tempo, também havia-lhe muito trabalho a fazer, afinal de contas, Marina precisava aprender uma lição, a assistente precisava ensiná-la a não ser assim tão “piranha”. Clara seria cruel. Sua sanidade esvaiu-se de vez.
A fotografa, por sua vez, viu o semblante de Clara modificar assustadoramente. Tornou-se, de certa forma, predador, mas também havia outra coisa nele, raiva, talvez? Não sabia, porém, imaginava que descobriria em breve. No que estava completamente certa. Clara a pegou firmemente pelos braços empurrando-a em direção a cama e quando já estava perto o bastante a jogou lá com força e totalmente sem jeito. Marina praticamente voou até cair deitada na superfície macia de seu colchão, tendo em vista que seu porte físico era infinitamente inferior ao da outra. Mesmo assim, ela mantinha um sorriso sarcástico e desafiador no rosto, não tinha medo de Clara. Muito pelo contrário, queria ser vítima de qualquer coisa que a assistente tivesse em mente. O que era óbvio, afinal de contas, fora para isso mesmo que ela armara tudo aquilo. Toda via, ainda não estava acabado, daria a Clara ainda mais um motivo para lhe fazer o que quer que estivesse pensando. Quando a assistente sentou, também sem o menor jeito, sobre o quadril dela e a pegou, com uma das mãos, pelos cabelos trazendo seu rosto à altura do seu e disse-lhe, com o que agora a fotografa era capaz de identificar certamente como raiva:
_Puta!
Marina não se conteve, gargalhou. Deixando a outra confusa e ainda mais enfurecida. Marina estava a subestimando.
No entanto, foi uma gargalhada breve. A fotografa encarrava-a séria agora, precisava estar séria para o que diria a seguir.
_Sim, sou puta! Cachorra! Vagabunda! Enfim, tudo o que você já me chamou essa noite e muito mais o que, com sorte, você ainda vai ter a oportunidade de descobrir Clarinha. Agora me solta, levanta dessa cama e abre aquela gaveta.
Apontou a gaveta da cômoda que havia no quarto.
As palavras proferidas por Marina deixaram a assistente atordoada novamente, dessa vez porque nunca tinha a ouvido se dirigindo a ela daquela forma, era sempre tão doce, tão cordial inclusive no trabalho. Contudo, agora a estava ordenando-a. Como se tivesse se esquecido de era ela, Clara quem deveria fazer isso. A assistente obedeceu, a contragosto, mas, porque sabia que ainda teria tempo de fazer com que Marina relembrasse do que havia aparentemente esquecido.
No instante em que abriu a gaveta e se deparou com o objeto que estava lá dentro, a raiva de Clara em relação a fotografa quase se dissipara, embora a excitação não só permaneceu como alcançou níveis alarmantes, pois, a outra havia sido tão capaz de adivinhar-lhe os pensamentos que quase merecia ser perdoada. Há minutos enquanto a assistente acabava de despir-lhe o vestido e dera de cara com a surpresa que Marina usava por baixo dele, por milésimos de segundos o orgulho que a assistente sentiu por enxerga-se tão bem enquanto mulher quando entrou naquele quatro, desapareceu. E Clara só conseguiu se imaginar como homem. Desejou isso veementemente. Imaginou de maneira indecente tudo o que poderia fazer com a mulher a sua frente se o fosse. No entanto, o que estava naquele gaveta era ainda melhor, pois, poderia realizar o que a imaginação fértil criara, os desejos que tivera sem deixar de satisfazer também os de Marina, sem deixar de ser ela mesma, sem deixar de ser mulher, mas, o principal era mesmo que nada mais precisaria ficar a cargo apenas da imaginação, poria tudo o que quisesse em prática.
Enquanto isso a fotografa já se encontrava alucinada com todo aquele jogo, com todas as feições que tinha visto no semblante da outra durante aquela noite, com o sarro que haviam tirado no andar de baixo e também, e principalmente pelo fato de que o simples fato de Clara existir a enlouquecia mais do que qualquer mulher já fora capaz de fazê-lo. A assistente despertava-lhe sensações e vontades nunca antes vivenciadas. Desejos até então desconhecidos. Por isso, a provocava tanto a fim de despertar-lhe a ira. Desde o momento que vira a maneira perversa com que ela a olhara há cerca de um mês atrás, descobriu-se viciada naquele olhar, naquela atitude, no prazer desconcertante que a dor lhe provocava.
_Veste e vem.
Disse à outra indicando com o olhar o meio das próprias pernas que se encontravam abertas a sua espera.
Clara tirou o objeto da gaveta e vestiu, sem pudores. Nunca havia usando algo como aquilo: uma cinta com um pênis preso ao meio. No entanto, não era difícil imaginar como funcionava. Quando terminou de vestir o acessório, notou algo que tinha lhe passado despercebido até então, o tamanho do objeto agora encaixado de forma segura e firme em sua virilha. Devia ter mais ou menos 23 x 4 centímetros o que a assistente julgou como enorme. Sentiu-se molhar ainda mais, se é que isso ainda era possível, e o sexo pulsar mais do que nunca ao se dar conta de que se a fotografa o tinha escolhido exatamente daquele tamanho avantajado era porque...
O tamanho, o tamanho lhe dava a noção exata do quanto Marina queria ser profundamente preenchida, ocupada. Isso, inexplicavelmente, mexia demasiadamente com a assistente. “Putinha gostosa” pensou fazendo força para conseguir respirar. A fúria cega a invadiu novamente, dessa vez mais forte do que das outras. Teve medo do que poderia fazer à mulher que estava agora recostada no encosto da cama mantendo-se com os joelhos dobrados, os pés apoiados no colchão e completamente aberta para ela. Encaminhou-se rapidamente de volta a cama, antes que lhe faltassem forças nas pernas. Sabia que Marina queria dar, além disso, ela pedira exaustivamente, em tudo o que aprontou naquela noite, para ser corrigida e castigada.Clara não a faria esperar mais tempo por isso.
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