Unchained Melody
26 Tormenta
Notas iniciais
Assim, a assistente puxou-a para si quase içando-a no ar, tamanha sua ancia por atender-lhe o pedido feito. No calor do momento elas acabaram girando 180 graus e Marina só parou quando sua passagem foi impedida pela quina da cômoda disposta próxima a sua cama. O móvel foi altamente propício a elas, Clara segurou-a firme pelas coxas colocando-a sentada nela. Com o ato vários objetos foram derrubados, alguns, inclusive, quebrando-se. No entanto, permaneceram nessa posição por apenas alguns segundos e logo a assistente puxou-a de volta ao chão, assim, virou-a, deixando que se apoiasse, de frente, no móvel. Então, Clara decidiu que livra-se das poucas peças de roupas que as cobria seria seu melhor ponto de partida. o fez com velocidade assustadora. Durante a jornada ela pôde notar que a calcinha de Marina quase pingava. A partir dai, totalmente despidas ela avançou pelas costas da fotografa, encaixando-se da mesma forma que a mesma tinha feito com ela ainda no estúdio. Uma das mãos foi a nuca da fotografa, segurando-a firme pelos cabelos e virando-lhe o rosto de modo que suas lábios pudessem se unir. Antes, porém, olhou-a profundamente:
_Te amo.
Marina não esboçou reação, por isso, Clara sugou seus lábios e disse-lhe novamente de forma franca:
_Te amo! — mordeu-lhe levemente o queixo — Amo.
Suas peles queimavam ao tocaram-se sem a presença de qualquer impecílio. Marina estava presa entre a assistênte e o móvel, a pressão desferidapelo quadril da outra garantia isso. Assim, a assitente atacou-lhe o pescoço com uma fome voraz, sem deixar de segurar-lhe os cabelos com a mesma firmeza ao mesmo tempo em que a mão direita escorregou até o sexo dela estagnando ali, pressionando, sem pedir licensa. Podia sentir o coração da fotografa batendo naquela região.
Marina estremeceu e julgou que se não estivesse segura pela cômoda a sua frente e pela mulher à suas costas teria caido. Aguardara séculos por aquele toque, por aquele estimulo, por isso,começou a gemer antes mesmo que a mão de Clara esboçasse qualquer manifestação de movimento. Então, um dos dedos, mais especificamente, o médio, dela, foi preciso atingindo-lhe diretamente o ponto rígido e nele começou a desempenhar movimentos circulares exatos. Ao que a mão que a segurava pelo cabelo partiu em direção a um de seus pequenos seios, feitos, na opinião de Clara, na medida certa para suas mãos, por isso, inigualáveis,massageando–o com fulgor.
A fotografa se sentia indefesa nas mãos da assistente, como se aquela mulher fosse capaz de virar todo o seu mundo de cabeça para baixo, e de fato era. Clara dominava-lhe de modo tal que ela nunca havia pensado deixar-se dominar. Ela subumbia sob suas mãos, seus toques, sua firmeza ao lidar com seu corpo, a pegada envolvente... Sentia o gozo aproximando-se, vindo de algum lugar distante, receberia-o com prazer, pois já não aguentava mais ter que guarda-lo. No entanto, quando pensou que ele a atingiria-a em cheio, viu-o esvaizer-se, distanciar-se. A mão de Clara havia abandonado-a, o que a fez ter vontade de chorar.
_Clara, eu preciso gozar.
Falou séria, com a voz muito baixa, quase inaldível. Suas forças estavam no fim.
_E você vai – disse a outra num tom de promessa em seu ouvido – Muito!
Assim, puxou-a ainda de costas para si e jogou-a diretamente na cama, caindo imediatamente sobre ela. As mãos voltaram para os exatos lugares que estavam isntantes antes e Marina voltou a ser consumida pela prazer que os estímulos dela lhe proporcionavam, porém, havia agora um bônus, podia sentir o sexo molhado colado e se esfregando em sua bunda. Havia suor em suas peles e ainda um cheiro característico que Marina sabia pertencer à outra, a Flavinha. Segundos, não mais que isso, foram o suficiente para que ela, finalmente, liberasse junto a um urro o que estava preso, engasgado dentro dela. Gozou fortemente sob o movimento do dedo da assistente. Foi então, logo envolvida pelos braços confortadores dela, seu peso em cima do da fotografa fazia com que a mesna sentisse ainda mais palpável a sensação de proteção. Estava acabada. Não pela prática de qualquer atividade física ou sexual extrema até porquê haviam acabado de começar, e ela fora unicamente dominada, não fizera efetivamente nada, mas, o corpo sofrera tanto com a excitação não resolvida que era como se tivessem transado durante horas a fio.
Porém, Clara não se daria por satisfeita tão rápido. Ainda havia muito a mostrar à fotografa, a mesma tinha feito-lhe um pedido o qual ela pretendia honrar com mérito. Por isso, levantou-se de cima dela indo diretamente mais a baixo, deitou-se de costas em meio a suas as pernas , e suas mãos guiaram Marina indicando-lhe o que ela deveria fazer. Dessa forma, o sexo totalmente lambuzado da fotografa foi içado da superfície do colchão e acabou repolsando precisamente em sua boca ao que as pernas dela ficaram entre sua cabeça, o joelho ajudando-a a manter a parte que estava, agora, na boca de Clara levantada.
Sem demoras a assistente também levou dois dedos da mão direita ao interior daquele sexo, penetrando-o, e mais, um da mão esquerda penetrara, sem dificuldades, o outro orifício da fotografa preenchendo-a, por completo. Levou alguns segundos para que conseguisse coordenar os movimentos dos dedos, que se movimentavam saindo e entrando, com o movimento da língua, estimulando-a no ponto sensível, mas obteve êxito impressionante. “Marina queria ser devorada, usada, então, seria, com tudo o que tinha direito” .
A fotografa, por sua vez, estava em estado de graça, desejava apenas que aquilo continuasse, e continuasse. Tentou, inclusive, embora, sem sucesso segurar o orgasmo que teimou em atingi-la rápido demais, em sua opinião. Mas, valera apenas, este fora, ainda mais intenso e delicioso que o primeiro.
Todavia, o regozijo não durou muito tempo, após liberar o tesão por meio dos dois orgasmos quase consecutivo, a fotografa recuperara, em partes, a capacidade de auto-determinação, raciocínio e domínio sobre si mesma. O que a levou diretamente de volta à raiva. Quer dizer, o sentimento que a atingiu foi ainda pior. Pôde dar-se conta que minutos antes estava tão insandecida e refém da excitação desesperadora que sentia que fora capaz até de se humilhar, sim ela estava pensando assim, pedindo, pior, implorando para Clara comê-la. Perdera o orgulho, a dignidade à custa da satisfação do desejo descomunal que a ligava a mulher que agora, inclusive, desprezava, como se fosse vítima de uma espécie de doença maldita. Além disso, havia mais, sentia-se pior porque ainda não estava satisfeita, ainda precisa possuir a outra, sentir que ela era sua, inteiramtente sua. Desprezava-a, mas a queria, porque, embora estivesse enxergando-a como “suja” naquele momento, ainda assim tratava-se de sua propriedade e isso tinha que ficar claro, claríssimo. Mesmo que ela fosse uma puta, vadia, piranha e muitos outros adjetivos seria-o apenas se ela, Marina mandasse que fosse, se ela quisesse, e quando quisesse como havia sido com Flavinha. Mais que isso, e talvez, principalmente, se Clara era uma vagabunda, era uma vagabunda estupidamente gostosa, e essas devem ser comidas, fodidas, então, Marina o faria, tinha de fazer. Pensando nessas coisas, de certo modo, absurdas, não pôde deixar de admitir a si mesma que estava insana outra vez.
***
Clara estava de quatro na cama, sua bunda ia à altura do sexo de Marina e ela a esfregava despudoradamente nele. Fazia tempos que a assistente notara que a fotografa tinha certa preferencia por aquela parte de seu corpo, e tudo que ela mais queria desejava agora era agrada-la. Por isso, se esfregava nela de forma frenética, sem pudores, tencionava agradá-la, compensá-la. O que não era, em absoluto, difícil tendo em vista que o tesão a enlouquecia monstruosamente.
Minutos antes ela tinha visto no semblante de Marina o mesmo olhar de desprezo, repulsa que a mesma dirigiu-lhe ainda no estúdio.O sangue gelara imaginando que poderia perde-la. Porém, mesmo assim, a fotografa demonstrou interesse em continuar, ainda desejava seu corpo, desejava tê-la. Clara podia imaginar as coisas que se passavam na cabeça dela e o que a mesma estava pensando sobre ela. Mas, não buscaria conversar. Não negaria. Deixaria que Marina pensasse o que quisesse, que tratasse-a daquele jeito. De certa forma, ela julgava merecer. Marina tinha algum ponto a provar, e Clara deixaria que ela o fizesse. Por isso, ela se expunha, sem pudores. Além do movimento que empreendia frente ao sexo dela, também masturbava-se. Essa foi a forma que encontrou de mostrar a outra que sua entrega, seu corpo, seu desejo eram apenas dela. Sem censuras e limites, que Marina sempre teria qualquer coisa que quisesse dela e que seria sempre a única. Gozou assim, no ritmo de seus próprios dedos.
Ao que antes que tivesse qualquer chance de se recuperar, Marina virou-a colocando-a de pernas abertas de forma a possibilitar que seus sexos se esgregaçem, então, começou a se movimentar ali como se a estivesse fodendo, ao mesmo tempo em que apertava forte sua garganta, quase sufocando-a. Seus sexos melados se encontravam deliciosamente, a sensação nova, era à Clara indescritível, ao ponto de pouco se importar com a pressão que a mão da fotografa fazia em volta se sua garganta. A falta de ar chegava-lhe até a ser prazeirosa.
Então, Marina afastou um pouco o quadril dando espaço para que os dedos pudessem invadir o centro da assistente. Passou a comer-la com força. Como se assim descontasse a raiva que sentira ao vê-la fodendo a produtora. Ainda não conseguia deixar de repudia-la ao mesmo tempo em que a desejava de forma ainda mais desesperada. Tinha um choro preso na garganta tamanha a intensidade do estado de confusão em que se encontrava. Clara por sua vez, via a raiva e o ódio na expressão dela, por isso, deixava que ela descontasse daquela forma tudo o que estava sentindo.
A assistente também tinha vontade de chorar. Marina precisava entender que era a única dona de seus desejos e de todos os seus instintos mais íntimos, não podia haver dúvidas. Além disso também estava brava e ressentia-se, afinal de contas, quem inventou e manipulou tudo aquilo fora ela. Quando se lembrava disso mal podia segurar a vontade que tinha de socá-la. Mesmo assim, seu único desejo era acalma-la, trazer-lhe de volta, pois julgava estar perdendo-a.
_Pode descontar, amor. Desconta tudo em mim, vai. Eu mereço.
A verdade era que ambas empreendiam atos desesperados a fim de que a outra conseguisse captar sua real emoção em relação ao acontecido.
As palavras de Clara à Marina soavam como provocação. Mas, uma provocação desesperadoramente deliciosa. Seus gemidos não podiam mais ser identificados assim, eram mais urros, causados tantos pelo esforço físico que fazia, como pelo tesão que a consumia novamente. Na medida em que metia os dedos com força desmedida dentro da outra, a fotografa parecia acalmar-se pouco.Isto é, fode-la, toda, a estava ajudando a ... a raiva que sentia. Clara estava certa em apostar nisso para traze-la de volta. Assim, ela dava, com nunca havia dado, mexendo o quadril em perfeita sincrônia com as estocadas desfredidas pela outra. Rebolava nos dedos dela engolindo-os com gosto, ajudando-a a mete-los fundo dentro dela e também falava, pedia, deixando a fotografa enlouquecida:
_Me fode, Marina. Toda.
E Marina fodia.
A ideia de ter uma puta exclusiva mexia com ela. Sim, era nesse tipo de coisa que ela estava pensando enquanto seus dedos avançavam sem dó ou jeito para dentro da assistente. Não havia amor nesses pensamentos, pensava coisas sórdidas a fazer com ela e em como trata-la. Naquele momento, pensava ser capaz de comê-la e deixa-la para sempre, sem olhar para trás, como se ela fosse uma mulher qualquer.
Clara atingiu o orgasmo, mas mesmo assim deixou que Marina continuasse dentro dela e a fotografa o fez, não pretendia deixar de viola-la, nem ter cuidado com ela. Ao contrário, tratou de enfiar mais um dedo dentro dela, como se assim, fosse ser capaz de colocar para fora a vontade que tinha de fazê-la sofrer. Fazê-la sofrer como ela estava sofrendo. Rasga-la. Como ela se sentia rasgada.
Seguiu fodendo-a com os três dedos o mais forte e violentamente que conseguia até sucumbir a exaustão, o braço parecia que ia cair e por fim ela acalmou-se, de vez. Os pensamentos voltaram a ser conexos. Ela então desmontou ao lado da assistente.
Clara tentava se tranquilizar. Marina não deixaria-a, não podia deixar-la, ou podia? Sua cabeça girava em torno do medo quando Marina buscou-a, entrelando-se nela.
“Não, não podia” relaxou Clara.
Acalmaram-se. Haviam se usado, testado até que não houvessem mais motivos para toda a confusão mental anterior. A verdade era que resolveram-se na cama, no sexo, sem conversas ou diálogos. Provaram-se seus pontos de vistas.
Após ter sentido a entrega e complacencia da amada minutos antes e com o corpo totalmente entrelaçado ao dela, Marina, por fim, convenceu-se do óbvio. Clara era sua, inteiramente sua e sempre o seria independente de qualquer coisa. De repente, foi atingida pela consciência de que era disso que tudo tinha se tratado o incômodo, o ciúme, a raiva tinham, o tempo todo, disfarçado o verdadeiro sentimento que a aterrorizava: Perder Clara.
***
Clara envolvia o corpo dela quase que totalmente, consequência de seu porte atlético e de suas medidas superiores as da fotografa. Fazia isso como se tencionasse proteger Marina de alguma coisa. Com o gesto Marina se sentia confortada, segura, como uma criança nos braços da mãe depois de um pesadelo. O beijo era calmo, molhado, se vasculhavam, compartilhavam a própria saliva, mas, mais que isso, no beijo compartilhar o sentimento que lhes apertava o peito, o amor que de tão intenso, aparentemente, ameaçava sair-lhes pela boca.
A mão de Clara estava no sexo da fotografa, seus dedos estimulavam-na. A mão de Marina estava no de Clara retribuindo-lhe. Os movimentos das duas eram sincronizados, assim como o de seus quadris. O prazer lhes atingia de forma suave agora, calma. Não haviam mais conflitos internos, raiva, medo ou quaisquer coisas ruins. Estavam envolvidas apenas na sensação gostosa proporcionada pela perícia dos dedos uma da outra. Dessa forma, elas gozaram mais uma vez. Esse orgasmos, ao contrário dos outros lhes atingiu de forma alegre, trasmitindo completude e não mais como resultado de atos desesperados na busca sem limites do prazer.
Levaram os dedos melados do gozo recém alcançado a boca uma da outra. Ambas chuparam-os com vontade, depois voltaram a se beijar, num beijo com gosto de pecado.
Parecia-lhes que a experiência compartilhada avivara ainda mais o tesão que sentiam uma pela outra, o que, no dia anterior, elas teriam julgado como algo impossível. Mas, agora eram capaz de senti-lo ainda mais forte, poderoso. Chegavam a temer,porém, sem ousarem confessar, por não saberem onde aquilo poderia levar-lhes. Por outro lado, a parte insana só se preocupava com o quanto era bom senti-lo.Além disso,sentiam algo a mais também, havia algo diferente entre elas, como se o amor estivesse mais intenso, forte. Como se tivessem se perdido e se reencontrado. Apenas pensavam sobre isso, sentiam, porém, não verbalizavam. Estavam descobrindo juntas que nem tudo, afinal de contas, se resolve com diálogos, existem outras maneiras que acabam gerando o mesmo resultado. O que tinham acabado de viver dentro daquele quarto era a prova disso.
***
Clara encarrava Marina em um silêncio indagador, tentava decifrá-la a respeito da experiência como voyer e a certa altura resolveu falar ao concluir o raciocínio demonstrando falsa revolta:
_Você gostou safada, eu sei que você gostou.
Marina sorriu. A confusão mental definitivamente passara e ela estava aliviada.
_ Não nego Clarinha, mas essa foi a primeira e última vez.
Respondeu sincera.
_Fico feliz que você tenha chegado a essa conclusão sozinha.
Beijou-a com amor.
Elas namoravam aninhadas uma a outra, fazendo-se carinho, admirando-se. Enquanto isso suas cabeças seguiam fervilhando em pensamentos. Marina concluía que, de fato, mudara definitivamente. Num primeiro momento ela seguira os instintos do passado, mas, descobrira da pior forma que aquilo não funcionaria mais em sua vida.Tinham que ser apenas ela e Clara, mais ninguém. Enquanto Clara sentia-se livre de barreiras morais ou quaisquer amarras. Isto fazia-a sentir-se bem, tendo em vista que vivera a vida toda sob o manto do tradicionalismo. Por isso, amava ainda mais toda a libertinagem que vivia ao lado da fotografa. Mas, o mais importante era que amava Marina como parte integrante e fundamental de seu próprio ser.
_Eu amo ficar assim com você. Sentir a minha pele colando na sua por causa do suor, da saliva. Esse cheiro de nós duas. É tão pessoal, tão intimo. Por mim ficaria aqui, assim pra sempre.
_Realmente, é a melhor sensação do mundo. Tão boa que eu nem sabia que existia.
Falou sincera a fotografa.
_Esse quarto, tem uma coisa... Um ar, sei lá, intimidante. Me deixa até arrepiada quando penso nisso, olha aqui – mostrou a pele de um dos braços, de fato, arrepiada.
Marina passou a mão sobre ele, conferindo e rindo com a constatação.
_Esse quarto inteiro me faz lembrar você, meu amor. Cada canto dele. É nosso, nosso refugiu, nosso abrigo,testemunha do nosso desejo, das nossas loucuras – riu sapeca – do nosso amor.
Clara a ouvia apaixonada esperamdo que ela acabasse de falar para atingir-lhe os lábios com um beijo, assim, após deitou-se no colo da outra, envolvida em seus braços.
A assistente nem em seus sonhos mais loucos imaginava que a própria vida tomaria o rumo que tomara. Tremia só de pensar no que viria dali em diante, não sabia se de excitação ou medo.
Sua sexualidade aflorada com o ato daquele dia fazia-a concluir que enfim, tinha a homossexualidade verdadeiramente definida. Devia isso a Marina. Sempre haveria quem disesse que isso não importa, mas essa não é bem a verdade, conviver com a dúvida pode ser duríssimo. Além disso, descobrir que efeitivamente gostava de mulheres, não queria dizer, em absoluto, que sairia por ai querendo todas elas, principalmente, porque ela sabia ter a mais maravilhosa de todas ao seu lado. Não para sempre, pois o para sempre ainda seria pouc tempo para viver ao lado dela. Ria de si mesma ao ter pensamentos tão ridiculamente romanticos. Mas, não dizer que o amor é o ridículo da vida? Então...
***
Clara acordou sobressaltada, pensando no filho, julgando ter se esquecido dele. Levou alguns instantes para lembrar que antes de pegar no sono tinha ligado para o ex marido, pedindo-o para que dormisse com ele aquela noite, o que Cadu aceitou prontamente e, inclusive, com alegria. Então, sentiu a barriga roncar.
Levantou-se e saiu a procura de algo para comer. Na cozinha enquanto preparava um sanduíche leve as imagens dos momentos vivenciados horas antes atingiam-na aos murros desencadeando a ação de descargas elétricas correndo por seus membros. Esforçou-se em fazer com que as lembranças se dissipassem, tendo a ajuda da água gelada que buscou na geladeira. Ao terminar a breve refeição, decidiu que levaria algo para a fotografa comer, já que ela também não havia comido nada. Provavelmente sua última refeição de Marina tinha sido o almoço. Pensou. Pois, a assistente sabia que a mesma tinha péssimo hábito de passar períodos longos sem se alimentar.
Ao chegar no quarto com a badeja parou para fitar Marina dormindo nua, insinuante, deliciosamente gostosa. Era a personificação do pecado.
Notou, então, que a fotografa se contorcia durante o sono. Provavelmente sonhava. E uma ideia, que a princípio, soara-lhe relativamente maldosa, sacana passou por sua cabeça. Chegou a se envergonhar da intenção, mas, acabou rendendo-se a ela. O calor que tentou controlar ainda na cozinha, dominou-a com força total.
Teve dúvidas em abusar dela assim, tão indefesa e vulnerável, mas, sendo ela sua propriedade, tinha esse direito. Por que não o exerceria? Por isso, decidiu-se, repousou a bandeja sobre a mesa e foi até a gaveta onde Marina guardava o strapon, pegou-o, tirou o pênis da cinta. Ele parecia ainda maior fora do receptáculo. Ao acomodar-se na cama tomou o cuidado de não se deitar sobre ela correndo o risco de acordá-la. Preferiu posicionar-se a seu lado. Surpreendeu-se quando levou a mão ao meio das pernas dela e encontrou o sexo molhado. Concluiu que o sonho que Marina estava tendo não era nada inocente. Não passou o objeto pela extensão da vagina, não havia o que estimular já que a outra dormia. Se ateve diretamente ao buraco que levaria ao interior da fotografa fazendo o objeto deslizar, indo fundo, desaparecendo completamente dentro dela lhe sobrando apenas a base de encaixa nas mãos. Ele entrou com facilidade, havia muita lubrificação ali para isso. Desse forma, a assistente começou um movimento de “entra e sai” lento.
Marina não acordou imediatamente, pois, além de exausta, sonhava com isso. Então, o ato de ser penetrada a seu inconsciente pareceu efeito do sonho, não real. Assim ela, inclusive, involuntariamente, mexia o quadril engolindo o pênis de volta toda vez que ele saia de dentro dela. Foi acordando aos poucos e percebendo que aquilo que julgara ser um sonho estava, de fato, acontecendo. Clara a estava comendo.
A assistente metia nela com zelo e cuidado para não despertá-la totalmente, isso fazia parte da fantasia.
_Delícia.
Foi só o que Marina consegui falar, ainda sonolenta.
_Xiu. Não fala nada e fica quetinha, só sente.
Clara sussurrou safada em seu ouvido.
Marina obedeceu e quando gozou, ela, ainda de olhos fechados, apenas sorriu em satisfação, então agarrou-se a Clara como uma criança, voltando a dormir totalmente relaxada.
A refeição foi deixada de lado, não havia como acordá-la para se alimentar, por isso, a assistente também se entregou mais uma vez ao sono.
***
Quando Clara acordou, Marina a observava fixamente.
_Fico impressionada com como você consegue ficar a cada dia mais bonita.
Clara envergonhouu-se levando uma das mãos ao rosto, querendo se esconder.
_Para, Marina. Assim eu fico sem graça.
_Sério, você sabe que eu sou fotografa, fico aqui te fotografando mentalmente.
Marina sentia-se profundamente chateada consigo, mas a visão de Clara a seu lado, tão linda, tão iluminada fazia-a sentir-se grata aos céus por tê-la a seu lado, por ter lhe sido permitido viver algo que considerava como sendo tão bonito e verdadeiro.
Antes da amada acordar ela se viu refletindo mais uma vez sobre a experiência do dia anterior, agora de forma mais sensata. Era bem verdade que não tinha sido a primeira vez que vivera algo parecido, já tinha aprontado bastante ao longo dos anos. A unica novidade fora ela não ter participado e nem ao menos ter tencionado fazê-lo. No entanto, tudo tinha-lhe soado extremamente estranho, como se ela sempre tivesse sido altamente “careta”. Lembrando o voyerismo ... soava-lhe vulgar, promíscuo. Envergonhou-se de si mesma por ter iniciado um ato daqueles. Ao notar-se pensando assim, riu de si mesma “ Marina, você está pensando como uma velha de 100 anos defensora da moral e dos bons costumes” mas, ela sabia que isso não era verdade, não tinha nada haver com a idade, nem com moral ou coisas do tipo. Então, foi levada a admitir que tudo resumia-se a apenas uma coisa: com Clara era diferente. Até então a fotografa sempre vivera uma vida sem portos, mas cheia de pousos. Sem quaisquer barreiras, amarras ou limites, no entanto, ainda assim, e talvez por isso, vazia. Sempre em busca de mais, mais aventuras, mais ousadia, mais excessos. Enquanto que com Clara, ela estava completa, não precisava de grandes arroubos ou de fortes emoções, sabia que estaria satisfeita e imensamente feliz em levar uma vida pacata e comum ao lado da mulher que agora dormia a seu lado. Na noite anterior tinha chegado ao ponto de odia-la com todas as forças, mas só porque a amava demais e agora sendo capaz de pensar racionalmente concluia o óbvio, não tinha o direito de julga-la, tendo em vista que fora ela mesma quem iniciara tudo aquilo. Clara era inocente.
No fim das contas, a verdade era que a experiência do dia anterior servira como uma espécie de rito de passagem para Marina. Fez-la enxergar de fato o quanto havia mudado, aliás, enxergar não, sentir. Não fora apenas Clara que aprendeu um pouco mais sobre si naquele fatídico dia.
Clara ainda a fitava apaixonada em responta ao que ela dissera quando Marina prossegiu falando:
_E aquela bandeija que eu encontrei na mesa hoje, hein?
Clara corou.
_Eu trouxe pra você comer essa noite, mas...
_Mas?
Marina divertia-se.
_Mas, eu não resisti e ....
Falou uma Clara envergonhada com as mãos tapando o rosto e Marina continuou por ela:
_Não resistiu e abusou de uma pobre moça dormindo indefesa, né?
Clara ficara ainda mais vermelha.
_Ai Marina. Pára, vamos esquecer isso? Por favor!
_Não vamos não.
Respondeu ainda rindo bastante ao que Clara a fitava séria em silêncio fazendo-a conter-se.
_Tudo bem, não se fala mais nisso. Prometo.
Ainda ameaçou um sorriso ao dizê-lo, porém, se esforçou para contê-lo.
_Eu tô faminta, já comi uns biscoitos daquela bandeja, mas, não deram pra nada. Vamos tomar café? Pedi que pusessem uma mesa pra gente lá na piscina. O dia tá lindo.
***
Marina estava no galpão cultural, quer dizer, estava no bistrô de Cadu, pois ela, Verônica e Laerte decidiram que reunirem-se degustando algumas das delícias do “chef” seria muito mais satisfatório.
A certa altura após terem conversado sobre as contas do mês e terem concluído que o galpão havia sido mais lucrativo que o imaginado, Cadu juntou-se a eles, sentando-se a convite de Verônica. Conversaram animados sobre o próprio bistrô, sobre os alunos de Laerte e Verônica até que Cadu e Verônica passaram a contar aos outros dois sobre algo engraçado que lhes acontecera na noite anterior, Nando chegara bêbado, cantando em casa.
_Coitado. Tá sofrendo com o envolvimento da ex com aquele cara, o Jairo.
Sensibilizou-se Cadu.
Terem entrado no assunto de ele e Verônica estarem dividindo o mesmo teto não agradou Laerte. Embora eles tivessem separados e o mesmo estivesse envolvido com Luíza, sobrinha de Clara, não o impedia de demonstrar-se incomodado com a aproximação da ex e de Cadu, por isso, ele acabou sendo desagradável, coisa que não era estranha a nenhum deles, nem mesmo a Marina, apesar de ela não conhecê-lo há muito tempo Clara já contara várias histórias sobre ele, principalmente, depois da constatação da sociedade.
Marina e Cadu ficaram extremamente desconfortáveis com o comentário, além de se solidarizarem bastante com Verônica por ter que aguentar por serem sócios, Laerte não estava sendo nem um pouco profissional. Então, quando o mesmo se levantou e retirou-se a dupla tratou de mudar de assunto, a fim de descontraí-la evitando seu constrangimento. Nesse momento, foram interrompidos por um entregador que trazia um lindo buquê de rosas nas mãos, deviam ter duas dúzias delas nele e eram de um amarelo intenso, como o sol.
O entregador aproximou-se da mesa deles:
_Marina Meirelles?
_Sou eu.
_É pra senhora.
Entregou-lhe o buquê, que de tão grande deixou Marina atrapalhada ao segurá-lo. A fotografa estava sem reação tamanha surpresa. Cadu e Verônica também se surpreenderam e é claro, não puderam deixar de sentir-se curiosos sobre o admirador secreto, até onde os dois sabiam Marina não tinha namorado. Se bem que, eles não sabiam muito sobre ela, então...
Quando a cabeça da fotografa finalmente parou de girar por causa da surpresa, ela buscou pelo cartão e abriu:
“Não conheço o significado das flores, mas, te envio essas, amarelas da cor do sol, porque assim como ele ilumina o mundo trazendo a vida, você traz, todos os dias, luz e vida à minha existência” . C.
Ps: Janta comigo?
20:00 horas. Nosso refúgio.
Seus olhos enxeram-se de lágrimas e ela permaneceu imóve com um sorriso bobo na cara, lendo e relendo o cartão atordoada. Ao mesmo tempo que a curiosidade dominava-lhe.
“O que será que Clara estava aprontando?”
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