Unchained Melody
27 Heart I
Notas iniciais
Marina tentou ligar para Clara em agredecimento mas não foi atendida, pelo jeito ela realmente pretendia fazer-lhe uma surpresa, quer dizer, mais uma pois as flores já a surpreenderam demasiadamente.
Após a interrupção do entregador, os três resolveram dar por encerrado a conversa. E é claro que, muito discretos, nem Cadu nem Verônica perguntaram sobre o ... das flores. Assim, a fotografa encaminhou-se direto à mansão onde morava. Foi no caminho que fez a ligação para a amada, ao não ser atendida achou que chegando lá, quem sabe, teria ciência do que Clara aprontava. No entanto, ao chegar deu com a cara na porta do próprio quarto, a mesma estava trancada e pregado nela havia um bilhete:
“Favor permanecer bem longe daqui dona Marina até o horário marcado. C.”. Ela riu, ao mesmo tempo em que indignou-se. “Que atrevida”. Deu meia volta indo até a cozinha na esperança de que um dos empregados desse-lhe alguma luz. Com certeza pelo menos um deles saberia o que Clara tinha em mente, provavelmente tinha se acertado com eles, pelo menos com o cozinheiro.
_Ih dona Marina, a dona Clara disse que a senhora ia insistir mas, que não era pra ninguém aqui falar nada não.
Marina divertiu-se, mas fingiu revolta.
_Então o senhor pede para a dona Clara pagar o seu salário no final do mês.
Falou divertida, sem qualquer traço de arrogancia.
O cozinheiro dirigiu-lhe um olhar de “o que eu posso fazer” ?
Ela ia se retirando quando uma das arrumadeiras chamou-lhe:
_Dona Marina, a dona Clara deixou uma coisa pra senhora lá no quarto de hóspedes, aquele que ela dormir com o menino outro dia.
_Que coisa?
_Não sei. Não entrei lá, só tô dando o recado.
Aquilo estava ficando cada vez mais estranho. Mas, ou mesmo tempo sentia-se empolgada. Correu até o quarto.
Nele encontrou outro bilhete junto a uma muda de roupas sobre a cama.
“Adoro quando você usa essa roupa”.
Riu apaixonada.
Ainda estava cedo, cedo demais, inclusive, Marina nao via a hora da noite chegar. Por isso, foi ate o estudio, passaria um tempo com as meninas, quem sabe assim não morreria de ansiedade até a a hora marcada.
Ao entrar no recinto quem primeiro se dirigiu a ela foi Vanessa, sempre em tom de reprovação desde que Clara entrara em sua vida.
_Ah, olha quem resolveu dar o ar da graça.
_Tenho ensaio pra hoje Vanessa?
Perguntou seca. Já não tinha mais nenhuma paciência para as ironias da ruiva.
_Nao, mas...
_Então ponto. Eu estava no galpao. Trabalhando, goste voce ou não vou ter que me dividir entre aqui e lá.
Flavinha e Gisele fizeram uma cara como se disessem “podia ter passado sem essa”.
O que acabou descontraindo o ambiente, fazendo com que todas caissem na risada, inclusive, a própria Vanessa. Fato era que tanto Flavinha quanto Gisele já estavam acostumada com as “brigas”de Marina e Vanessa, elas sempre tinham sido assim, viviam feito “gato” e “rato”, mas sempre se resolviam depois, embora ultimamente, as duas tinham notado, elas estivessem mais distantes.
Conversaram e discutiram assuntos referentes ao estudio até as 18 horas quando Marina resolveu ir se arrumar. Queria estar perfeita para mais tarde.
Então, as 20 horas em ponto, direcionou-se quase que correndo ao próprio quarto. Estava nervosa, como se fosse seu primeiro encontro da vida. O coração batia no peito como os passos fortes de botas de soldado, não via a hora de colocar os olhos nela, em Clara. O amor de sua vida.
Ao chegar, parou de frente a porta, ainda estava fechada e ela não sabia o que fazer, se tentava girar a maçaneta, se batia na porta... “Será que Clara já tinha chegado?”, “Ai Marina você parece uma idiota parada aqui desse jeito” caçoou de si mesma. Então ouviu, havia uma música tocando lá dentro, muito baixo, mas ainda assim audível, foi quando ouviu também o barrulho do trinco a porta estava sendo destrancada de dentro para fora. Aprumou-se. A porta abriu, revelando uma Clara simplesmente estonteante, fazendo com que a fotografa perdesse o ar, o folêgo e quase o juízo também.
Ela apenas conseguiu sorrir, com um semblente abobado, apaixonado. Na hora pensou que devia ter trazido um presente, mas no calor da surpresa com as flores e a curiosidade pelo jantar a ideia nem lhe ocorreu. Tinha ido com as mãos vazias “Que gafe, Marina Meirelles!” “Nem eu me reconheço mais” pensou esse ultimo, resignada. Os olhos estavam tão vidrados na “anfitriã” que ela nem ao menos chegara a reparar na música, tocava "Can't help falling in love — Elvis Presley" . Na verdade, ela nem ao menos entrou no quarto, ainda estava parada imóvel na porta.
_Não vai entrar?
Perguntou Clara, tirando-a do estado de contemplação.
_Oi? Ah, vou.
Estava tímida. Sim, por mais difícil que fosse de acreditar, a fotografa internacional, muito conhecida por seu poder de consquista estava tímida. O sentimente gritante dentro dela deixava-a assim, sentindo-se indefesa.
Entrou e ao estar próxima, muito próxima da assistente, não sabia o que fazer. Se a abraçava, beijava no rosto, na boca...
Clara também sentia-se tímida. Nunca organizara algo como aquele jantar. Estava acostumada a ser paquerada, cortejada já que sempre se relacionou com homens, e agora, a situação se invertia, ela estava ali, como ... de um jantar rômantico para a mulher, isso mesmo, mulher que amava. Mais, a mulher de sua vida. Mesmo que se considerasse a mais decidida das pessoas ultimamente tudo aquilo era inegavelmente novo para ela, ainda estava se acostumando com o fato de amar uma mulher. A ideia quando lhe passava na cabeça, nesses termos, soava-lhe estranha e por causa disso ela não tinha certeza se saberia exatamente como se portar comandando a noite. Mas, colocaria todo o seu empenho nisso. Aquele jantar tinha que ser “perfeito, inesquecível como Marina”, seu coração quase estourava ao pensar. As mãos até chegavam a suar em expectativa. Então, ela criou coragem e se resolveu pelas duas, beijou Marina nos lábios. Não houve língua mas, o “selinho” foi demorado, tempo o suficiente para que as duas recuperassem o folêgo, sim porque Clara também o perdera ao ver o quanto a fotografa estava linda “um escandâlo” pensou. Se esforçando para abandonar o constrangimento inicial.
Chegava a ser engraçado, parecia que elas tinham acabado de se conheçer, como se nunca tivessem vivido momentos de extrema intimidade.
Marina foi então adentrando o quarto, reparando em tudo a seu redor.
Marina notou que as flores que ganhara mais cedo estavam dispostas em vasos pelo quarto. E o mesmo estava iluminado apenas pela luz de velas, velas vermelhas dispostas aos momentos no ambiente. Havia um cheiro gostoso ali também, um perfume que a fotografa não soube identificar, mas era inebriante. A música era leve, agradável.
Ela estava encantada com todo o cuidado e delicadeza que Clara tivera preparando tudo aquilo para ela, aliás, para elas. Olhava tudo apoplexa. Até que finalmente foi capaz de conseguir falar algo, na verdade não falou, perguntou a unica coisa que lhe veio a mente:
_Como foi que você fez tudo isso?
_Tive uma ajudinha do pessoal.
Se referia aos empregados.
_E você tá aqui há muito tempo?
_Não, cheguei agora a pouco. Tempo o suficiente se tudo tinha saido como eu pensei, arrumar alguns detalhes que faltavam e me arrrumar, pra você.
Clara respondeu tirando uma garrafa de vinho do balde de gelo que se encontrava sobre a mesa. Abriu a garrafa e serviu duas taças dando uma a fotografa e tomando uma para si.
_A nós.
Beberam um gole, ao mesmo tempo começava outra música.
_Dança comigo?
Disse repousando a taça na mesa e ofereçendo a mão a ela.
_Claro.
Dançaram, coladas num ritmo muito lento, deixavam que a melodia as tocasse, assim quase desmanchavam-se de amor uma pela outra. Quando a música acabou a que se seguiu foi “The Way You Look Tonight” versão Frank Sinatra. Clara tinha escolhido cada uma das músicas daquela noite a dedo.
_Eu sempre penso nessa como sendo a nossa música. Foi a que a gente dançou no dia do coquetel.
_No dia do coquetel.
Falaram juntas e riram, ainda sem se desgrudar ou parar de dançar.
_Sei lá. Eu vejo aquele dia como o dia que nós começamos de verdade.
_Eu também me sinto assim. Foi naquele dia que eu tive a certeza que você tinha entrado na minha vida pra ficar.
Olharam-se apaixonadas, o olhar de ambas era de confirmação.
Seguiram na dança, em silêncio, a mente viajando ao passado recente e fazendo planos para o futuro. Ora colavam também os rostos além do corpo. Ora colavam as testas, olhando-se, perdendo-se no olhar uma da outra. Ora conversavam sem deixar de movimentar-se, sempre coladas e no ritmo inebriando da canção. Sentiam-se em outro mundo, em um mundo em que existia somente elas. Marina é claro, acostumada, as conduzia. “The Way You Look Tonight” acabou ao que outra música a seguiu e mais outra. As vezes parando brevemente para um gole de vinho. Elas se movimentavam muito pouco, por isso, cançasso estava fora de questão, o movimento era apenas o suficiente para não dizer que estavam paradas, se sentindo, sentindo o calor gostoso que emanava de suas peles, sentindo o cheiro de seus cabelos e principalmente, o amor sublime que emanava de suas almas. Até que em determinado momento Clara saiu do estado de contemplação e sugeriu:
_Então, vamos jantar?
_Vamos. Tô doida para saber o “menu”.
Disse a fotografa divertida.
_Ih, não vai se empolgando não porque não ten nada demais. Eu não sou tão sofisticada quanto você e ainda que não tenha sido eu a cozinhar, nem sequer conheço esse tipo de receita. Então, pedi pra que preparassem o básico.
Falou Clara sincera.
_Tenha certeza que vou adorar.
Respondeu Marina também sincera e apaixonada.
_Então, sente-se senhorita.
Puxou a cadeira e aguardou que ela se sentasse.
Marina achou graça no gesto, mas ao mesmo tempo sentiu-se lisonjeada com o galanteio. Sentou-se e Clara a seguiu fazendo o mesmo.
O cardápio era leve, apenas salada e peixe, o que o incrementava eram os molhos. Comeram ainda tomando o vinho que Clara tinha aberto ao que quando o mesmo acabou, abriram outra garrafa. A noite pedia que não se preocupassem com excessos. De sobremesas Clara providenciou bombons de licor, eles vinham em uma caixa em forma de coração, perfeita para o momento. A mesma fez questão de compartilhar com Marina dando-a na boca, mas primeiro ela se levantou indo até ela, dando-lhe mais uma vez e fazendo-a levantar. Assim, estando novamente próximas, ela mordeu um deles pela metade ao que o liquido quase escorreu, então ela levou a parte que sobrara a boca da amada que não soube se apreciava o sabor do bombom, que por sinal Marina achou delicioso, ou se se concentrava na figura a sua frente.
A noite delas seguiu e a certa altura Marina acabou concluindo que todas as músicas eram canções ou versões de canções dos anos 60 ou 70. Não conhecia todas, mas podia identificar pela batida. Eram Elvis, Frank Sinatra, Rod Stewart, etc. Todas músicas lentas e extremamente românticas. O clima que a assistente criara a fazia se sentir ainda mais apaixonada.
Voltaram a dançar, dessa vez por manifestação da fotografa. Já haviam passado tempo demais longe uma da outra. A dança era mais sensual agora. Marina as condizia assim. Não mais mantinham apenas os rostos colados, giravam, por vezes Marina parava atrás da outra abraçando-lhe as costas. Continuaram sentindo-se através do tato, do cheiro em seus cabelos e pescoço. Dessa forma, e talvez por isso a música que se iniciou tocou-as de maneira única, sobrenatural tratava-se da versão de um clássico, que posteriormente veio a tornar-se a música de tema de outro clássico, só que do cinema. O filme era “Ghost” e a música era “Unchained Melody” só que a versão era da banda Irlandesa “U2”.Mas nela elas mantiveram-se firme na mesma posição, abraçadas, com as mãos nas costas uma da outra, testas coladas e lábios tão próximos que podiam sentir a respiração uma da outra neles, além disso, de tão grudadas podiam sentir também o coração batendo no mesmo compasso.
“Oh, my love, my darling
I've hungered for your touch
a long lonely time
Time goes by so slowly
and time can do so much
Are you still mine?
I need your love
I need your love
God speed your love to me”
A versão, na opinião de Clara, que a escolhera com esmero, tornava a música ainda mais emotiva, forte e fora exatamente por isso que a assistente selecionara. Marina não sabia disso, mas pôde sentir a mesma coisa. Tudo nela tocou-a profundamente, cada verso, cada nota fazendo com que o coração apertasse dentro do peito. E elas se uniram uma a outra de forma mais intensa, mais firme como se desejassem com isso tornarem-se uma.
“Lonely rivers flow to the sea
To the sea
To the open arms of the sea
yeah yeah
Lonely rivers sigh "Wait for me"
Wait for me
I'll be coming home
Wait for me”
O cunho não era sexual, embora a dança fosse sensual. Era de entrega, amor sincero, amor total. Não eram mais duas pessoas, eram uma só alma. Esse era o efeito que a música causava nelas, as tocava, emocionava ao ponto de seus olhos enxerem-se de lágrimas, o brilho das velas iluminando a penumbra, então, potencializavam toda e qualquer emoção. Aquele dia, aquele momento, principalmente, aquela música ficariam marcados para sempre na histórias delas. Quando estivessem velhinhas, e ainda juntas, se lembrariam dele com toda a certeza. Não se aguentaram, um “Eu amo você” saiu de seus lábios em uníssono, embora elas já se dissessem isso com os olhos desde que Clara abriu a porta.
“Oh my love, my darling
I've hungered
Hungered for your touch
A long lonely time
And time goes by so slowly
And time can do so much
Are you still mine
I need your love, I
I need your love
God speed your love to me
Ooh”
A essa música seguiram outras. Dançavam completamente unidas no ritmo romântico delas que se seguiam ininterruptas, uma após outra. Estavam enfeitiçadas pela magia do momento. Vale ressaltar que desde o começo da noite seus lábios ainda não haviam se tocado, embora uma tivesse encarrado e quase mergulhado nos lábios da outra mais de uma vez. Ainda assim, resistiam, resistir fazia parte do encanto. O efeito do vinho já as atingia, adormecendo-lhes as extremidades, giravam em um universo particular, só delas. Então, quando compartilharam outro bombom da mesmíssima forma que Clara fizera anteriormente, do romantismo a dança passou lentamente, de novo, ao sensual, porém, dessa vez a sensualidade tomava outro cunho. As peles de seus rostos ao roçarem-se começaram a arder num calor febril. A vontade que uma tinha da outra foi dominando-as, crescendo a cada segundo e logo não poderiam mais resistir. Em dado momento em que roçavam seus rostos suavemente, mais uma vez, seus lábios terminaram se procurando e se unindo inevitavelmente no que foi o primeiro beijo. A dança continuava, agora selada com um beijo a princípio, doce, efeito do amor que lhes transbordava. Unidas assim, eram, de fato, apenas uma, uma única alma completa em suas duas faces. Da doçura, o beijo passou à intensidade, podia-se notar isso pela maneira que elas respiravam. De suspiros foram à respiração pesada ainda na boca uma da outra.
Pararam imóveis, a dança acabou, desvencilharam-se os lábios e olharam-se profundamente mergulhando, mais uma vez, perdidamente em seus olhos. Ao mesmo tempo Marina segurou firme a cabeça de Clara entre suas mãos. Permaneceram assim, sem saberem como se expressar por alguns instantes até que a assistente falou com um semblante convidativo e cheio de desejo.
_Faz amor comigo, Marina.
A fotografa amava o som do próprio nome saído da garganta de sua mulher. Sim, era sua mulher e para sempre o seria, raciocinava e vibrava com o raciocínio.
Mais do que sexo, prazer ou luxúria Clara desejava ser amada. Existia uma diferença ai, a alguns sutil a outros não, mas o fato é que essa diferença era real, ao menos para ela. Tanto quanto respirar ou se alimentar a assistente, sem dúvidas, sempre necessitaria de qualquer tipo de contato físico que pudesse ter com a fotografa, sempre lhe seria altamente prazeroso. Mas, tinha criado todo o clima daquela noite para que ela fosse diferente, mais intensa em outro sentido, talvez. Não saberia descrever, podia apenas sentir e tudo até ali tinha saído como o planejado, causando-lhe sensações únicas de completude e bem-estar e ela estava ciente de que a fotografa compartilhava da mesma opinião, não pela mesma ter dito isso várias vezes durante o jantar ou enquanto dançavam, mas porque existia uma conexão inexplicável entre elas que fazia com que uma simplesmente soubesse exatamente dos sentimentos da outra. Havia uma espécie de magia ali. E agora faltava a última parte, tinha certeza que fechariam com “chave de ouro”. Era a parte em que suas almas se encontrariam de outra forma, em um outro ritual.
Marina deliciou-se com o pedido da amada. Clara estava certa a fotografa compartilhava da mesma sensação referente a noite que estavam tendo. Por isso, amar ia-a, mas não totalmente no sentido sexual, essa noite não seriam seus corpos a se encontrar na luxúria, seriam suas almas. Mais uma vez pensar tal qual a outra. Assim, Beijou-a ainda com as mão segurando seu rosto. Sem desvencilhar-se ela levou a mão ao ombro da outra passando por ele a alça fina do vestido que ela usava. Ele escorregou com facilidade pelo braço, ao que a fotografa, então, fez o mesmo do outro lado. Em ambas as vezes ela o fez com calma, paciência, sem deixar de se aproveitar do toque na pele macia e bronzeada da amada. No que soltou a segunda alça o vestido de tecido leve caiu-lhe pelo corpo, indo diretamente ao chão, revelando a lingerie que a mesma usava por baixo e deixando uma Marina sem folego na frente dela. Levaria a vida toda e mesmo assim era possível que não se acostumasse com os efeitos que a visão da mulher a sua frente lhe causava. Era, para ela, como avistar uma espécie de divindade. Clara usava uma lingerie azul-claro, de renda. O sutiã, com bojo, meia taça trazia alguns detalhes azul-escuro enquanto a calcinha, inteira de uma cor só, era minúscula. A vestimenta dava-lhe um certo ar colegial, ou seriam apenas as fantasias de Marina pervertendo-lhe os sentidos? Olhou-a com demasiado desejo por um tempo, admirando-a, despindo-a sem nem ao menos tocá-la.
E era assim mesmo que Clara se sentia ao ser vitima do olhar penetrante de Marina, nua.
_Linda.
Falou a fotografa meio abobada.
Então, suas mãos avançaram no corpo dela, passeando delicadas por ele, com calma e cuidado. Apenas com o intuito de confirmar que ele sempre estaria ali para ela, ao alcance de suas mãos.
Clara deixava que as mãos de Marina a percorresse, sem oferecer qualquer resistência ou tocá-la de volta. Simplesmente deixava que as mãos da amada se aproveitasse dela. A fotografa, por sua vez, não conseguiu ficar apenas nisso por muito tempo, então, a boca logo tratou de fazer companhia às mãos na tarefa de degustar o corpo divino da mulher que amava.
_Perfeita.
Falou enquanto sua boca percorria um dos lados do pescoço da outra.
_Cheirosa.
Disse ao mesmo tempo em que se encaminhava para as costas dela.
_Gostosa.
Se expressou ao mesmo tempo em que a boca chegou a nuca dela, provocando-lhe um arrepio que Marina foi capaz de sentir nos...de sua pele.
Os movimentos lentos da fotografa envolviam Clara de tal modo que a fazia delirar, deixando-a meio fora de órbita.
Buscou sua última conexão com a realidade e virou-se, ficando novamente de frente para ela.
Era a hora de despi-la também. Começou a fazê-lo, lentamente, tentado envolver a outra da mesma forma que se sentia envolvida. Marina usava uma camisa de seda, com botões na frente, mais cedo o modelito tinha casado perfeitamente com um blazer preto dando a ela um ar sério, sóbrio e quase masculinizado. Quando começaram a dançar ela havia se livrado do blazer e agora restava apenas a blusa para a assistente tirasse, e ela o fez, com uma calma absurda desabotoou botão, por botão. O coração batia mais rápido a cada botão, estava nervosa como se aquela fosse ser a primeira vez que veria o que havia por baixo daquela roupa. Expectativa, era isso. Efeito da emoção que a fotografa despertava nela. Quando terminou levou as mãos dentro da calça da fotografa, pois a blusa se prendia ali dentro. Quase não se conteve uma vez que a ideia do lugar aonde a mão já ia passeando era demasiadamente tentadora, mas, resistiu tirou-a de lá. Livre do julgo da calça, Clara pôde enfim se livrar da blusa, passando-a pelos braços de Marina e deixando-a ir diretamente ao chão perto delas. A calça preta, foi logo pelo mesmo caminho. A lingerie que a fotografa trazia junto ao corpo imponente era “vinho” quase um rosa escuro, o sutiã de armação combinava perfeitamente com calcinha de cintura alta que para Clara se tratava de uma característica marcante da fotografa.
Elas se devoravam com os olhos. Se emocionavam por pertencerem uma a outra. Assim, Marina deu uma das mãos a Clara e disse-lhe:
_Vem.
Clara deu a mão e Marina puxou-a, com calma, até a cama, colocando-a deitada nela com cuidado.
Sentou-se a seu lado e a mão voltou a percorrer aquele corpo ao mesmo tempo que o assistia vidrada.
Clara então, segurou a mão dela, impedindo-a de continuar.
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