Notas iniciais
Continuando...

_Deita aqui em cima de mim, quero sentir o peso do seu corpo em cima do meu.

Marina o fez. Assim, agora as mãos podiam se percorrer mutuamente.

Ambas sentiram a calcinha da outra úmida quando a mão que vagava passou em cima do local exato de seu prazer, mas não se ativeram nele, elas seguiram se aproveitando uma da outra, sem a menor pressa. Dessa forma, em determinado momento as lingeries foram pelos ares, tanto as partes de cima, como as de baixo logicamente encharcadas, porém, aqui houve um gesto ousado da fotografa. A mesma, quando Clara tirou a própria peça inferior, roubou-a de suas mãos levando-a próximo ao rosto, cheirando, passando pela face em um ritual … Aquilo foi profundamente excitante às duas.

O ato da fotografa foi só o primeiro, o que desencadeou vários outros no sentido de se lambuzarem com o liquido produzido um pela outra. Pois, estando totalmente despidas e voltando Marina para cima da assistente, suas pernas em meio a da outra também recebia o néctar quente, escorrido e elas se esfregavam tencionando fazê-lo se espalhar ainda mais.

Efetivamente faziam amor, um amor sem pressa, sem arroubos e sem tormentas cheio apenas de satisfação.

Sentir o liquido da outra, escorrido na perna era maravilhoso, então elas decidiram em um acordo mudo, no entanto, mutuo que queriam mais disso. O sexo virou uma fonte na qual elas necessitavam banhar-se. Por vezes uma levava os dedos lambuzados do próprio liquido aos lábios da outra, sem ter o cuidado de não deixar que eles passassem por outros lugares como o nariz, bochecha ou queixo, assim nesses momentos além de se provarem o gosto, o cheiro lhes ficava impregnado. Nos seios o trabalho foi igual. Já tinham os chupados antes da ideia, contudo, o fizeram de novo, dessa vez buscando, primeiro, na fonte, o néctar do prazer para que pudessem tomá-lo sobre aquela região específica. O mesmo fizeram no ventre uma da outra, além de, é claro, não terem desperdiçado o que havia escorrido pelas pernas, mais precisamente pelas coxas enquanto tinham se esfregado ali. Em dado momento, Marina passou-o o próprio na virilha da outra e chupou com gosto o que fez com que Clara, por alguns segundos, visitasse outra dimensão.

Elas estavam quase totalmente meladas, quer fosse pelo liquido, a elas delicioso, fabricado por seus sexos, quer fosse pela saliva das bocas que tinham percorrido-lhes inteiras dos pés a cabeça. O cheiro de sexo era forte e servia a elas como afrodisíaco natural. O meio de suas pernas parecia que estouraria a qualquer momento, mas ela se aguentavam, queriam aguentar, chegar ao limite.

Diziam-se coisas também. Em certa ocasião a fotografa disse à outra:

_Se eu pudesse – pausou. Respirar, sentir e falar ao mesmo tempo era difícil – passaria a vida inteira assim – outra pausa – amando você. Sentindo a sua pele macia – desceu a mão lentamente pela barriga dela ilustrando o que dizia – suas curvas – a mão viajou pelas coxas e bunda — essa buceta gostosa – apertou o meio das pernas dela, também a fim de ilustrar o que falava.

Clara tremeu inteira, tanto pela pegada quanto pelos sons das palavras, vibrava quando Marina, tão fina, dizia-lhe obscenidades.

Em um outro momento o diálogo se estendeu mais, tanto em palavras quanto nas atitudes que derivaram dele.

_Coloca o dedo dentro de mim, amor.

Clara pediu desejosa à fotografa.

Marina a fitou com um olhar questionador como se dissesse que ainda não era hora, que elas podiam aguentar mais. Clara a entendeu e, por isso, explicou-se melhor:

_Só um e só pouquinho, vai. Não precisa me foder.

Pediu quase suplicante. Então, Marina o fez, não havia como não fazê-lo tendo Clara pedido daquele jeito. Deslizou facilmente o dedo médio para dentro dela. Ao que assistente tremeu novamente, mordeu os lábios, embora não se pudesse dizer se exteriorizando o tesão que sentia ou se para provocar a outra. No entanto, ter um único dedo de Marina dentro de si só fazia com que ela sentisse mais forte a necessidade de aliviar-se, porém, antes que pudesse não se segurar e implorar para que Marina a comesse a fotografa tirou o dedo de lá, levando-o diretamente a própria boca, colocando-o inteiro nela e fechando-a em volta dele, tencionando sugar tudo o que havia ali. A visão mexeu profundamente com a assistente.

_Me dá, eu também quero.

Todavia, quando a fotografa ameaçou levar o dedo até a boca dela, ela a impediu.

_Primeiro, molha ele de novo.

Para Marina era a coisa mais deliciosa do mundo ouvir Clara falando ou pedindo esse tipo de coisa. Por isso, ela a atendeu mais que prontamente. Só que dessa vez enfiou com força dentro dela tencionando deixá-la com um gostinho de “quero mais”, então, tirou o dedo e levou-o até onde ela o pediu. A assistente fez o mesmo que a fotografa fizera instantes antes, abocanhou-o inteiro fechando a boca ao redor dele e por vezes também passou a língua quente por ele.

Marina via e sentia, em transe. Depois, voltou a deita-se sobre ela. Após algum tempo Clara se pronunciou novamente fazendo outro pedido:

_Eu quero mais, amor.

A fotografa pensou que Clara, por fim, não resistira, pediria a ela que a fodesse, porém, o que a assistente tinha em mente era outra coisa.

_Enfia de novo – pausou – atrás.

Marina delirou, o maior delírio da noite ouvindo tal pedido, mas em vez de render-se e atendê-la de novo prontamente, quis ouvir mais.

_Pede direito então.

Falou ameaçadora, como se dissesse que se a outra não pedisse da forma que ela queria ouvir, não seria atendida. E Clara a entendeu dessa forma, reformulando o pedido.

_Enfia – pausou, era difícil para ela proferir tais palavras, mesmo no calor da intimidade – no meu cuzinho, amor.

A fotografa entrou em êxtase, mas, ainda assim, se conteve, queria mais. Não disse nada verbalmente, mas a cara que direcionou a ela disse-lhe tudo, então, Clara falou mais uma vez:

_Enfia o dedo no meu cu – falou enfática, sem receios dessa vez, afinal de contas, era isso e assim que a outra deseja ouvir – por favor.

Porém, falou em uma voz baixa que transmitia excitação, pois o som de suas palavras também lhe causava demasiado tesão, quer dizer, até mesmo pensar nelas causavam-lhe um tesão desproporcional.

Sorriu em deleite, a fotografa. Procurou os lábios dela encontrando-os com sucesso e enquanto se beijavam deixou que o dedo, também o médio, escorregasse para dentro do outro orifício da amada, provocando-lhe um suspiro de satisfação. O líquido de Clara já tinha escorrido aos baldes até ali, por isso, não houve a menor dificuldade. Uma vez lá dentro Marina podia sentir as paredes do órgão apertando-o em espasmos involuntários e isso a deixava maluca.

_Tão apertadinho.

Regozijava-se no ouvido da outra enquanto o fazia mexer dentro dela, não entrando e saindo, mas apenas movimentava-o para os lados. Clara seguia suspirando ostensivamente. Marina então, começou muito lentamente a sair de dentro dela e quando estava quase fora, deslizou, também de forma lenta para dentro de novo. Assim, os suspiros viraram gemidos. Marina estava fodendo aquela parte do corpo dela e ela julgava-o extremamente prazeroso.

Clara queria dar, a fotografa sabia disso, o que fazia com que sua cabeça fervilhasse pensando em comê-la, porém, não com o dedo. Na cabeça dela era um objeto específico quem teria o destino certo, no entanto, não naquela noite. Ainda teria essa oportunidade e quando a mesma chegasse seria a pedido da própria Clara. Até lá, torturar ia-a pensando nesse futuro que com certeza, seria glorioso. Sim, ela fantasiava com isso e não era de hoje, a bunda de Clara realmente mexia profundamente com ela, nem ela entendia porque, isso se você desconsiderasse o tamanho avantajado dela. Ele por si só já era um grande incentivo.

Clara por sua vez, pedira para que ela enfiar o dedo naquele lugar justamente para provocá-la, atiçá-la sabia muito bem que a fotografa fantasiava comê-la ali, e não com o dedo e se não fosse hoje não tinha problema, esse dia chegaria, tão certo quanto dois e dois são quatro e ela daria, porque queria dar. De um modo estranho, para ela, aquilo a excitava, talvez porque quando finalmente o fizesse simbolizaria sua entrega total.

Marina realizou o movimento de entrada e saída apenas algumas vezes, talvez umas quatro e parou, saindo de vez de dentro dela. Deixando uma Clara decepcionada. “Maravilha” pensou ao notar a forma como o corpo da assistente reagiu ao seu deixado, a mente já se projetava ao futuro. Mas, naquela noite havia muito o que fazer, muito o que desfrutar com prazer, por isso, a fotografa jogou-se mais uma vez em cima da assistente e elas voltaram a se abusar. As mãos passeavam sem limites. Elas trocavam periodicamente de posição, ora Marina permanecia por cima, ora Clara. A verdade é que elas faziam hora para se estimular, desfrutavam o momento de paixão, se curtindo. O gozo não era, em absoluto, objetivo específico, estavam se amando, seus corpos correspondiam as manifestações e anseios da alma. Porém, o limite chegaria, estava próximo, muito próximo. Por causa disso sentindo-o eminente em certo momento Clara feriou-as e disse:

_Eu tenho um presente pra você.

Expressou enigmática, arrancando um sorriso lascivo da outra.

_O que?

Perguntou a fotografa que desde o início da noite reparara no embrulho que havia sobre seu criado-mudo.

_Pega aquele embrulho ali.

Apontou exatamente para o que estava em cima do criado.

Marina o fez com pressa, estava curiosa para saber o que mais Clara tinha aprontado para aquela noite.

_Abre.

Na caixinha haviam dois objetos solitários: Uma algema e uma venda.

A cabeça de Marina imediatamente fervilhou de ideias maliciosas ao vê-los ao mesmo tempo em que olhava para outra maravilhada com a ousadia.

Dessa vez foi a hora de Clara direcionar-lhe o sorriso lascivo.

_Continua querendo se vingar de mim? Agora você pode me castigar direito, me dar uma lição de verdade.

_Você gostou de me ver transtornada daquele jeito né, vadia?

_Gostei não. Amei.

Clara mordia os lábios, do jeito característico que Marina sabia ser o dela exteriorizar a excitação que sentia.

Era chegada a hora de perderem o juízo, a hora de levarem-se ao já habitual extremo. Não sabiam mais viver sem isso, lhes era como respirar.

Marina não fez rodeios, até porque o sexo entre as pernas indicava-lhe estar chegando ao próprio limite, o gozo gritava pedindo para sair, de pressa.

Então, ela agiu. Prendeu os pulsos da outra com as algemas, tendo o feito ela virou-a na cama em sentido oposto. Buscou um lenço em uma de suas gavetas. Passou-o no meio, na corrente entre as argolas das algemas, amarrando-o no … da cama deixando um Clara efetivamente presa. Feito isso, vendou-a. Enquanto realizava tais atos a cabeça viajou em pensamentos. Refletiu sobre como Clara ao mesmo tempo em que era tão tímida, uma mulher de “família” tinha a capacidade de se transformar e desestruturá-la por completo naquelas situações. Nunca deixaria de se sentir surpresa e impressionada. Pensou ter criado um monstro. Um monstro divinamente safado e provocante. Mas, seu principal raciocínio fora a respeito das verdadeiras intenções da amada. “Será que entendera direito”? “Será que Clara queria provar do prazer proporcionado pela dor que a própria Marina já tinha provado e aprovado, inclusive, gostado muito, pelas mãos da própria assistente”? “Quando disse querer ser castigada significara, então que queria experimentar a dor que à Marina tinha se mostrado quase equivalente ao orgasmo naquela ocasião”? Seus pensamentos eram confusos. Não tinha certeza, mas o faria assim mesmo.

A fotografa daria isso a Clara e logo descobriria se entendera direito ou não. Porem, começaria devagar, se a amada, de fato, desejava provar que fosse tomando gosto pela coisa aos poucos. Essa era Marina, sempre calculista. Não que isso fosse ruim, ao contrário, a própria Clara poderia atestar categoricamente, era maravilhoso.

Como foi pega de surpresa, estudou rapidamente como agiria. Então, a ideia materializou-se gritante a sua frente, na verdade, o que precisava já estava lá, também a sua frente, aliás, em todo o seu redor.

Clara que nada enxergava apenas sentia e ouvia Marina movimentando-se perto dela, tomou um susto quando sentiu um dos seios arder dolorosamente, xingando a outra em um reflexo quase inconsciente.

_Aaii, putaaa.

Gritou.

Sentiu a face arder, mais que o seio. Levara um tapa estalado.

_Me respeita. A única puta aqui é você.

Primeiro Clara deixou o prazer de ser chamada e tratada daquela forma a invadir por inteiro, depois raciocinou sobre o que Marina fizera, sobre o que lhe causara tal ardência, não a do tapa, é claro. Então deu-se conta que na havia sido queimada por uma gota quente que atingira precisamente o mamilo direito. Quase imediatamente a conclusão do raciocínio ela sentiu de novo, só que no outro mamilo, dessa vez, porém a sensação foi diferente, talvez porque sabia do que se tratava, a sordidez de Marina subiu-lhe a cabeça causando um efeito “afrodisíaco talvez”? Não sabia ao certo. No entanto, ela voltou, sem perceber a morder os próprios lábios o que naquela situação levou a fotografa ainda mais ao delírio. Concluiu que Clara então, havia, assim como ela, se excitado com a dor. “Maravilha” pensou ela mais uma vez naquela noite, a cada dia tinha mais certeza de que juntas, o céu não seria o limite, de forma alguma.

As gotas da vela vermelha seguiram pingando num caminho reto e ascendente pelo corpo da assistente. Deixando uma Clara perturbadoramente arrepiada no contato de cada um a delas com a pele sensível de sua barriga, ela chegava a suar frio. Marina assistia em transe cada uma das gotas caindo e se solidificando. Toda vez a assistente soltava um grito curto, o que deixava a fotografa ainda mais excitada, trazendo à tona toda a sordidez armazenada dentro dela. A última gota foi cuidadosamente direcionada à virilha de Clara, quase no início dos grandes lábios. Por ser uma região extremamente sensível, foi a que mais lhe causou dor, uma dor efetiva que nada teve haver com prazer. O que de maneira alguma incomodou Marina. Clara literalmente havia brincado com fogo, então...

Agora, estando ali, entre as pernas da assistente ela se concentrava em outra atividade, ainda usando a vela em seus objetivos. Passava-a por toda a extensão do sexo da outra isso incluía o clitóris, a entrada da vagina e também o ânus. A fotografa teve que fazer um esforço sobre-humano para que a vela não adentrasse nesse último. Ela assistia hipnotizada a cena que ela mesma criava. E por um tempo se deteu sobre o nervo rígido e pulsante da assistente, estimulando-o, a verdade é que a estava masturbando com a vela. Até que finalmente a meteu na fenda dela e ficou observando fascinada a mesma entrando e saindo. Clara estava tão lubrificada que por vezes ao enfiar a vela, de tamanho e circunferência comuns, toda dentro dela, a vagina expulsava-a fazendo com que ela escorregasse sozinha dali.

À Clara aquela era uma provocação e tanto. Sentia o gostinho do objeto a penetrando, mas, precisava de mais empenho, daquela forma não se sentia preenchida e estimulada, dava-lhe, tal como dedo solitário anteriormente, apenas o gostinho de “quero mais” e ela queria mais, muito mais. Além do prazer proporcionado pelo momento, haviam outras questões rondando a mente da assistente. Ela mal conseguia conter os instintos que lhe diziam ser seu o papel de carrasco, subjugando Marina, não o contrário. O traço de sadismo recém-descoberto em sua personalidade manifestava-se com força total. Esses instintos, sabia ela, eram perigosos, Clara tinha medo deles. Medo de que em algum momento passasse ostensivamente dos limites, por isso, tentava controla-os, contê-los na maioria das vezes, mas agora eles a arrebatavam quase que completamente, quis trocar de lugar com a fotografa, dominá-la, no entanto, estava presa, não havia como fazê-lo. O que, de certa forma, era um alívio, se pegasse Marina naquele momento, talvez a machucasse, muito e de verdade.

Sem tirar a vela de dentro dela, a fotografa passou a chupá-la e o fez com muito gosto, já tinha provado daquele liquido várias vezes durante a noite, mas nada se comparava a tomá-lo na fonte, sentindo os lábios macios da amada e o ponto pulsante do prazer dela em sua boca. Mais gostoso ainda foi sentir dali os espasmos e tremores quando ela por fim gozou deliciosamente no ritmo de sua língua ouvindo-a gemer desesperada em prazer

Clara que já estava “subindo pelas paredes” há muito tempo, viu-se atingida por um orgasmo arrebatador consequência de toda a sedução e estímulos sensoriais e extrassensoriais aos quais seu corpo e sua alma tinham sido expostos naquela noite. A venda, a venda aguçara-lhe os sentidos. Algumas vezes, antes de Marina começar a chupá-la, sem enxergar ela esperava tanto que isso acontecesse a qualquer momento que chegava a sentir a boca quente e macia da fotografa fazendo-o, chupando-a.

Após o orgasmo da outra a fotografa não descansou, bebeu tudo o que havia ali e se levantou sentando sobre o colo dela, pouco acima dos seios. Clara que ainda não enxergava, não fazia muito ideia do que a amada pretendia com aquilo, então Marina se manifestou.

_Vou tirar a venda agora.

E tirou-a, com calma.

O sexo da fotografa estava a centímetros de sua boca. Viu que ela estava sentada, com as pernas abertas, pouco acima de seus seios com o corpo um pouco inclinado para trás, assim que Clara pôde enxergá-la Marina passou a masturbar, com o dedo, o próprio nervo rígido na frente dos olhos dela.

Clara estava alucinada com as caras e bocas dela, olhava do rosto para o sexo aberto a sua frente e depois de novo para rosto. A cabeça girava, não sabia aonde fixar o olhar. Tinha vontade de tocá-la, mas resistiria, assistir aquela cena lhe era demasiadamente prazeroso para ousar interferir. Tinha acabado de gozar, mas o tesão voltara arrebatador. Marina sempre, sempre a surpreenderia, sempre arrumaria um jeito de enlouquecê-la, e isso a fazia amá-la ainda mais. Resolveu apenas provocá-la direcionando-lhe olhares indecentes e penetrantes.

Marina gemia de um jeito que só ela gemia, era unicamente gostoso ouvi-la. E a assistente tinha completa noção do prazer que ela estava proporcionando a si mesma. A fotografa era perita naquilo, fazia-o com maestria, já fazia algum tempo que Marina a ensinara a alcançar o céu com aqueles mesmos dedos.

Quando fotografa gozou, sob o estímulo do próprio dedo, Clara não se deteve em secá-la, inteira.

Estavam nuas, babadas, meladas e pregadas. A felicidade extrema as possuía por completo. Sentiam-se no céu, flutuando e flutuando como se tivesse feito uso de alguma substância alucinógena. Isso não era efeito da letargia pós orgasmos, era felicidade. A mais pura e plena felicidade. Plenitude essa era a palavra. Então, depois de alguns instantes quietas e pensativas. Clara respirou fundo, tomou coragem, afinal de contas era disso que toda aquela noite tinha se tratado e falou:

_Posso te pedir uma coisa?

As palavras tiraram Marina do transe em que ela também se encontrava.

_Pode, meu amor. Claro.

Respondeu sincera.

_Namora comigo?

O queixo de Marina caiu, ela ficou altamente atordoada. Em outra situação julgaria um pedido desses extremamente brega, Clara falava como se elas tivessem 12 anos coisa que não tinham há muitos anos, “namorar”? Mas, as palavras vindo del à Marina soaram como música. Teve vontade de dançar, pular, festejar. Só que ela não fez nada disso, estava paralisa.

Contudo, antes que pudesse esboçar qualquer reação a outra continuou:

_Sei que eu ainda não sou oficialmente livre, mas agora é só questão de dias. Dois, na verdade, então, será que a gente pode se adiantar só um pouquinho?

Fez um gesto com a mão que indicava esse “pouquinho” o que a Marina soou extremamente engraçado, tirando-a, em parte, do atordoamento que o pedido causou.

_Sim.

Respondeu monossilábica, ainda desacreditada pelo pedido repentino.

A cara atordoada de Marina fazia com que a assistente se sentisse ainda mais apaixonada.

_Espera. Eu preciso registrar esse momento.

_Ahm? Como assim?

Marina finalmente saiu totalmente do estado anterior quando Clara pulou da cama levantando-se.

Ela tinha ido em busca do celular e voltou, batendo uma foto do rosto da, agora namorada, daquele jeito. Natural, descabelada, suada.

A fotografa não se importou, deixaria que a amada guardasse a lembrança do momento tão especial. Ela mesma lamentou por sua câmera não estar ali para poder registrá-lo com o carinho que a ocasião merecis. Queria ter fotografado a mesa posta, as velas cuidadosamente dispostas, a mulher linda ao seu lado...

Ficaram deitadas um pouco, Clara aninhada aos braços de Marina. Sentindo-se a mulher mais sortuda do mundo.

_Incrível como eu me sinto diferente com você. Sei lá, as vezes nem eu me reconheço. Sabe que eu tava pensando isso parada na porta antes de você abrir? Tava toda estabanada, acabei rindo de mim mesma.

Confidenciou a fotografa.

_Mas porque você tá falando isso?

_Ah, sei lá. Sempre fui tão segura, tão …

Antes que ela terminasse Clara interrompeu.

_Isso é verdade. Você as vezes até intimida a gente com tanta segurança. Sabe que primeira vez que olhei pra você foi isso que eu pensei? Quer dizer, depois de te achar linda.

Marina deu um beijo amoroso nela como se retribuísse o elogio.

_Pensou o que?

_Essa mulher não deve ter medo de nada nessa vida. Não seria possível.

Marina riu.

_É sério.

Ela ainda riu um pouco até voltar a falar.

_E eu achava que não tinha mesmo. Ai você apareceu e agora eu vivo cheia deles.

_Por exemplo?

_Medo de te perder, de não te fazer feliz como eu sinto a necessidade de fazer, de errar...

_Pára. Meu amor, nenhum desses medos condizem com a realidade porque, primeiro você não se livra de mim nunca mais, mocinha. Segundo, você já me faz a mulher mais feliz do mundo só por existir.

Falou apaixonada e recebeu um olhar igual de volta.

_Jura?

_Juro.

Ficaram em silêncio alguns instantes, se olhando. Então Clara continuou:

_Não sei o que você viu em mim.

_Não sabe? Pois eu não sei mais o que seria da minha vida sem você. O medo não é ruim, faz com que eu me sinta, sei lá, mais humana. A minha vida era tão vazia e perdida antes de você. Hoje eu percebo isso tão claro. Percebo também o quanto eu te procurei em todas as pessoas, em todos os lugares...

Uma lágrima escorreu pelos olhos da assistente, Marina a secou com as costas dos dedos.

Clara não sabia o que dizer, ou uma forma de expressar que transmitisse à outra tudo o que sentia. A fotografa falando daquele jeito a fez sentir-se especial, a mulher mais especial do mundo. Para Clara era como se enfim ela tivesse descoberto sua missão na terra: Amar e cuidar da mulher a sua frente. No entanto, Marina não precisava de quaisquer palavras sabia que tudo que sentia era recíproco, sentia. Então, resolveu o dilema da outra beijando-a, pondo fim a conversa.

***

_Namorada.

Marina riu.

_Namorada.

Voltaram a beijar-se novamente.

Desejaram muitas vezes se unirem como se uma fossem, agora tinham certeza que o eram. Na verdade, sempre foram.

***

Vanessa notou que a porta estava aberta e entrou, no entanto, com cuidado pois não sabia o que poderia encontrar. Ao visualizar que Marina estava sozinha ela não pôde deixar de fazer a pergunta sarcástica.

_Ué. Cade a dona de casa?

_Foi pra casa.

_E deixou você aqui assim, sozinha?

_A Clara tem um filho, não pode ficar dormindo fora todo dia.

_E o menino não tem pai?

_Tem Vanessa – estava ficando sem paciência – Mas o Cadu dormiu com ele ontem.

_Uhm. Pois é, e essa é a vida que você sismou que quer ter de agora em diante. Ter que dividir a atenção da mulherzinha com filho, ex-marido, mãe, irmão, cachorro, periquito, papagaio.

_Ai Vanessa, de novo isso? Quantas vezes eu vou ter que repetir pra você a mesma coisa? Vamos lá: Eu entendo perfeitamente a situação da Clara e não me importo que ela tenha que cuidar do filho. Aliás, o amor e cuidado que ela tem com ele são, inclusive, um dos motivos que me fazem gostar tanto dela.

_Meu Deus, como você tá brega.

_Você diz isso porque não entende, porque nunca viveu algo assim.

_Eu pensei que tinha vivido isso com você, Marina.

_Tá Vanessa. Não adianta discutir isso com você, você vai sempre entender as coisas do jeito que mais te convém. Agora deixa eu dormir que eu tô cansada.

_É, não duvido que esteja mesmo.

Disse irônica tentando abraçá-la na cama.

_Deixa eu dormir aqui com você, coladinha, prometo que fico quieta.

_Não.

Respondeu seca. Ao que Van se surpreendeu.

_Porque não?

_Se a Clara souber ela não vai gostar.

_A Clara não vai gostar? A Clara não vai gostar? Você só pode tá brincando comigo. Desde quando você liga pro que qualquer peguete vai ou não vai gostar?

Seu tom era de extrema indignação.

_A Clara não é minha peguete, a Clara é a mulher da minha vida e eu já te disso isso mais de uma vez. E tem outra também, tá mais do que na hora de você superar Van.

A fotografa olhava para ela nesse momento, seu tom tornou-se mais calmo, complacente.

_E você se deu conta que a Clara não ia gostar disso e que eu precisava superar agora, né? Hoje. Porque até semana passada...

_Até semana passada não importa Vanessa. O que importa é o agora, o hoje e a partir de hoje eu decidi que não quero mais você aqui na minha cama. Desculpa, eu não queria ter que dizer isso assim, mas...

Vanessa custou a segurar o chora e mesmo que chorasse não saberia se o mesmo seria em … da tristeza pelas palavras de Marina ou de raiva de Clara. A fotografa percebendo o semblante dela, continuou com calma:

_Van eu tô amando. Amando tanto, como eu nunca pensei que podia amar. Eu tô feliz, como eu nunca imaginei que pudesse ser. Você é minha melhor amiga, não sei o que faria da minha vida sem você. Eu te amo, só que um amor diferente. Preciso tanto que você entenda isso e aceite.

Falou sincera

_Você pode até estar amando Marina, mas você não vai ser feliz com essa dona de “casazinha” – disse enfática e continuou no mesmo tom – Esse seu conto de fadas gay não vai durar, pode apostar. E quando você quebrar a cara vai vir atrás de mim, querendo se curar na minha cama. E eu vou te receber de volta. Eu espero você.

E tratou de se retirar do quarto.

Falou de um jeito que deixou Marina profundamente chateada e embora a suposta premonição tenha lhe causado arrepios, ver Vanessa se humilhando daquela forma fazia mal a ela.

A verdade é que Vanessa se demonstrava emocionalmente instável e não era de hoje.

***

Chegou em casa a mãe cochilava no sofá, deitado no colo de um Ricardo também sonolento que via um filme. Com sua entrada Chica despertou.

_Filha, como você demorou. Achei que não voltava hoje.

_Desculpa mãe. Eu acabei me enrolando por mais tempo que devia.

Sorriu um sorriso culpado.

_Que isso Clara. Sua mãe tá reclamando atoa.

Falou Ricardo

_Ih, eu não tô reclamando o que eu quis dizer foi que olha a hora você nem devia ter voltado, que perigo vir de Santa Teresa até aqui essa hora da madrugada. Você devia ter ligado, eu e o Ricardo ficaríamos com o Ivan sem problemas.

_Mas, eu tinha que vir pra, pelo menos, estar já estar aqui quando o meu bichinho acordar amanhã. Já dormi sem ele ontem, não quero que ele sinta a minha falta. Com ele eu não posso errar, entende?

Os dois assentiram.

_E ele? O bichinho reclamou da minha ausência? Foi dormir no horário? Ou ele conseguiu dar a volta em vocês? Porque vocês sabem né, ele vive tentando fazer isso.

Os três riram.

_Ih Clara o moleque nem lembrou que tinha mãe, nós nos empolgamos assistindo a um filme.

Respondeu Ricardo, ao que Chica continuou:

_Mas, mesmo com o programa da vovó e do vovô – riram os três novamente – o Ivan se comportou direitinho e foi dormir na hora certa também. Já é um rapaz esse meu neto. Mas, e você minha filha? Senta aqui – indicou o sofá – Como está? Tá feliz?

Clara não conseguiu segurar o sorriso transcendental, ao ser questionada pela mãe, ele simplesmente escapou alucinado de seu semblante.

_Muito mãe. Muito.

A mão, ainda que estranhasse a relação, não pôde deixar de alegrar-se com a felicidade sincera que viu e sentiu na filha.

O casal foi embora, deixando Clara e o filho sozinhos no apartamento. A dona de casa passou rapidamente no quarto do garoto, deu-lhe um beijo de boa noite, ao que o menino ressonou sentindo o toque amoroso da mãe, Bolinha, que dormia aconchegado em sua cama, fez festa, embora sem sair do lugar, virou-se de barriga para cima esperando o afago que sem dúvidas viria, e veio. Então ela se dirigiu ao próprio quarto. Antes de dormir passou o que tanto podiam ter sido muitos quanto horas olhando a foto de Marina e repetindo a mesma palavra milhares de vezes em sua cabeça, e em todas elas não conseguia não se emocionar: “Namorada”. Agora ela tinha uma namorada. A palavra lhe causava calafrios, mas eram do tipo bom. Como muitas pessoas reagiriam quando soubessem? A ideia do “proibido” não a intimidava, ao contrário a estimulava, fazia-a se sentir feliz. Ela tinha uma namorada, era diferente e achava isso o “máximo” a maioria das pessoas, inclusive ela até pouco tempo, eram tão iguais, que nem se davam conta do quanto é … ser diferente. Ainda mais se essa diferença residisse no fato de ela ter a mulher mais maravilhosa do mundo, pensava.

***

Dois dias depois Clara e Cadu assinaram os papéis do divórcio, que, embora de comum acordo, teve que ser judicial uma vez que os dois tinham um filho menor.

Clara sentiu-se mais melancólica do que esperava. Aproveitou o dia para ficar colada no filho. Visitou também a mãe e a irmã, estava meio perdida, esbarrando nos móveis. A perspectiva da vida nova embora fosse alegre, por causa de Marina, também era assustadora. Ouviu a mãe dizer que isso era normal.

No final do dia, ao ter passado-o todo sem conversar com a fotografa, resolveu escrever-lhe algumas palavras que talvez não conseguisse dizer em voz alta, ou pelo menos não de maneira articulada o suficiente para se fazer entender.

***

Marina chorava sentada no sofá do estúdio com o notebook no colo. Vanessa assustou-se ao vê-la daquele jeito.

_Que isso, Marina? O que, que aconteceu?

_Eu acabei de receber o e-mail mais lindo do mundo da Clara.

Enquanto Marina sentia-se a pessoa mais feliz do mundo, a ruiva demonstrou demasiada irritação.

Notas finais
Cade os comentários para inspirarem a minha superação? Hein? Hein? Gosto de saber a opinião de vocês e de ler vocês compartilhando as sensações provocadas por essas duas lindas. :)