Unchained Melody
29 Living
Notas iniciais
Esse tempo tem sido muito bom pra mim. A vida tem sido generosa, além de ter feito o que me era vital colocando você no meu caminho, ela tem feito com que tudo se ajeite quase que por si só, mas, eu sei que, de certa forma, eu também devo isso a você. Porque foi você, a sua imagem que me deu forças pra tomar todas as decisões que me trouxeram até aqui. Sei que ainda não acabou, ter assinado o divórcio foi apenas mais uma etapa de uma longa jornada. Mas eu não tenho mais medo porque é a sua imagem que eu vejo todas as vezes que penso no final desse caminho.
Com você, Marina, tudo se torna mais leve, meus problemas desaparecem... Você me traz a esperança de dias e noites plenas, repletas de paz e felicidade.
Quando eu me apaixonei por você uma parte da Clara que eu conhecia morreu em mim e agora com a separação do Cadu, sei lá a outra parte tá se despedindo.
Sei que à distância pode ter parecido que eu não me importei muito com o fim do meu casamento mas, isso só aconteceu porque o final dele significava o meu inicio com você. E eu sei, sinto com todas as forças que existem em mim que você estava, inevitavelmente no meu destino. Era pra ser. O meu futuro tá escrito e é ao seu lado.
Não sei ainda como eu vou lidar com o preconceito das pessoas, com as reações até de quem diz não tê-lo, mas sei que o farei com alegria, porque eu, ao contrário de muitos encontrei o amor. O amor definitivo que todos passam a vida procurando. E é por causa dele que eu tô pronta, pronta para transformar todo e qualquer medo em risco, porque sem amor nada vale a pena, né?
Eu esperei a vida inteira por você e esperaria por mil outras se fosse preciso.
Eu amo você. Clara.
A fotografa lia-o deitada na cama antes de dormir. Um mês havia passado desde que o recebera, mas ainda ficava emocionada toda vez que re-lia as palavras da amada.
***
Marina que estava entre as pernas de Clara subiu na cama aconchegando-se ao lado dela.
_Gozou gostoso, amor?
Perguntou em seu ouvido.
_Muito. Eu amo a sua boca, o jeito que você me chupa. — respondeu uma Clara letárgica a beijando em seguida – tão macia, a língua tão perfeita — sugou a língua da outra como se tencionasse provar o que falava.
O clima febril entre elas começava a retornar , então a assistente as interrompeu.
_Ain Marina, para. A gente precisa dormir.
_E porque você tá falando assim como se a culpa fosse minha? Foi você quem veio me provocar?
Clara corou, fazendo um cara de culpada.
_Porque é a senhora quem não tem limites, moçinha.
Se defendeu.
_Até parece que sou só eu e que você não gosta.
Contestou-a com indignação se afastando na cama.
__Não amor, volta aqui, por favor!
O semblante era pidão o de Marina por sua vez era de bira ao responde-la.
_ Só se você admitir que também não tem limites, tanto quanto eu.
_Tudo bem eu admito. Admito que adoro o seu corpo, o calor da sua pele, a sua boca e todas as coisas que ela faz em mim...
_Que mais?
_Você quer ouvir tudo, né?
_Sim, amo quando você diz essas coisas.
_ Tá bom. A sua carinha de safada, a cara que você faz quando vai gozar, os seus gemidos, o seu gosto, sua buceta apertadinha, seu clitóris duro pulsando na minha mão e na minha boca... -Ia falando de forma lenta, como se estivesse lembrando de tudo e inevitavelmente sentia calafrios – Por isso, eu também não tenho limites tanto quanto você. Satisfeita? — O sorriso largo da outra dizia-lhe que sim. — Mas, se não dormirmos agora, daqui uns dias estamos as duas cheias de olheiras por falta de sono.
Cortou a empolgação que todas as palavras anteriores despertaram em Marina.
_Sem graça.
Já Clara achou muita graça da cara que ela fez.
_Você ri, né?É que eu não consigo ficar assim, sozinha com você e tão perto sem fazer nada. Sem sentir um tesão... Ainda mais com você desse jeito, pelada.
_Vamos vestir roupa, então.
_Não, amor! Eu já me acostumei a dormir com você assim.
Agora Marina tinha voltado para perto dela, com medo de que ela levasse adiante a ideia de se vestir.
_Sabe o que é? É que parece que quanto mais a gente faz, mais eu quero fazer. Parece que fica mais gostoso.
Tentava explicar a fotografa à namorada.
_Engraçado, eu pensei exatamente nisso enquanto você me chupava – ofegou lembrando do que Marina fizera minuto antes -_Mas, você não acha que andamos exageramos?
_Você já me perguntou isso uma vez. Não, somos só um casal que se ama – disse com o semblante apaixonado – e que sente tesão uma pela outra, é normal. Qual o problema?
Não havia nenhum. A verdade era que Clara também estava, novamente com vontade, mas resistiu. Sentir aquela vontade gostosa e contê-la, as vezes também era bom.
Em manifestação às ultimas palavras da namoda, Clara a puxou para si fazendo-a se aconchegar em seus braços acabaram deitadas de “conchina”, Clara atrás e Marina de costas a sua frente recebia carinho no rosto enquanto conversavam. Ficaram assim e em silêncio durante algum tempo, até que a fotografa se manifestou.
_Você acha que o Ivan notou alguma coisa?
_Notou? Como assim? Sobre a gente?
_Uhum.
Conversavam com Marina ainda de costas para a outra.
_Ai Marina, acho que não. Ele nunca teve contato com esse tipo de relação para poder fazer a ligação na cabeçinha dele. Nós éramos uma família tradicional que convivia com famílias tradicionais, isso nunca fez parte nem da minha realidade, imagina da dele.
__Verdade – falou pensativa — Hoje foi muito bom, eu adorei. Me senti de volta à infância.
Riu e Clara retribuiu o riso.
_Eu arrumei foram duas crianças, isso sim. Não sei aonde você tava com o juízo de dar aquele quebra-cabeças pra ele. Agora o bichinho não vai querer saber de fazer mais nada enquanto não terminar.
Clara, pela primeira vez desde que estavam juntas tinha convidado a fotografa para ir a sua casa, jantar com ela e o filho e Marina, em retribuição levou um presente para o garoto. Após o jantar, reuniram-se os três e o amigo peludo, é claro na sala afim de montar um quebra-cabeças de mil peças. Ivan era o mais empolgado, obviamente.
_E o que tem de mal nisso? A moça da loja me indicou porque estimula o raciocício da criança e eu achei super legal a ideia.
_Percebi. Tava mais empolgada que ele.
Divertiu-se Clara.
_Ah, acho que é porque eu não fazia essas coisas quando criança, pelo menos não assim cercada de gente – Confessou – Além disso, eu fiquei muito feliz com o convite.
_Eu sei que eu devia ter feito isso antes, mas por causa do Ivan fiquei sem jeito. Sei lá, confesso que tinha um pouco de medo sim dele notar alguma coisa, de fazer alguma pergunta que eu não saberia responder, mas acabei me dando conta que esse medo não tinha o menor fundamento. E também, vi que meu filho precisa começar a conviver com você, assim, no dia- dia, sabe? Vai ser melhor pra cabeçinha dele assimilar pra quando eu contar da gente. Não acho que ele tenha desconfiado hoje nem nas outras vezes, pra ele você é uma amiga querida, que ele adora, principalmente pelo Bolinha — Marina fez uma cara ... ao lembrar da coisa fofa peluda — mas uma hora ele vai ter que saber, então é melhor que esteja habituado com você quando isso acontecer.
_É, acho que eu concordo com você.
Disse sincera e feliz com a possibilidade de, em breve, Clara assumi-la para o filho.
_E em relação a separação, como ele tá lidando?
_Ele gosta da casa do pai, de ficar lá com o tio Nando e com a Verônica. Diz que é muito divertindo. Sem contar que tá apaixonado pela Verônica, né? “Ela vai me ensinar a tocar piano”. Não para de dizer.
_O bom de ser criança é isso, eles se adaptam muito rápido à mudança. Ainda mais nesse caso em que ele não tem motivos pra ficar triste. Você e o Cadu tão conseguindo conciliar muito bem. Eu fico impressionada com ele, o Cadu. Muitos pais vão deixando o filho de lado quando se separam. Fico vendo ele lá no galpão com o Ivan, é muito fofo.
_Ih é, menina. A vida é muito louca, né? Quando que há uns 6 meses atrás que eu imaginar que eu conheceria uma fotografa famosa, linda, gostosa – provocou, porém, com sinceridade — que roubaria meu coração – dirigiu à outra um olhar apaixonado — me separaria do Cadu e que depois nós três trabalhariamos no mesmo ambiente que por sinal foi criado pelo meu primo que foi preso no altar quando ia casar com a minha irmã há vinte anos atrás?
Marina ria atordoada.
_Meu Deus! Que confusão.
_Bota confusão nisso!
As duas riam agora.
_O mundo é um ovo. Ou tudo isso seria coisa do destino? Acho que foi o destino, quer dizer, acho não, tenho certeza – Olhava fixo para namorada ao terminar de falar. Clara, por sua vez tinha um largo sorriso na face quando Marina acabou de dizer as ultimas palavras.
Marina virou-se um pouco de modo que pudesse alcançar os lábios da outra.
_Olha a gente aqui conversando ao invés de dormir. Vamos? se não a gente não corre amanhã.
_Não seria má ideia.
_Deixa de ser preguiçosa, mocinha.
***
Com o tempo o relacionamento delas ia se tornando mais sóbrio, mais real, mais palpável e substancial. Tudo o que sentiam não era mero efeito de uma loucura inicial. Embora fosse inegável que boa parte do segredo da relação delas era a maneira como se relacionavam na cama. Isso as prendia como um ímã, um vício. Não havia nada que não pudesse ser resolvido daquela forma. O amor e o tesão as unia na mesma proporção ou talvez os dois fizessem parte de um pacote único, faces da mesma moeda.
Naquele mês os laços entre elas se estreitaram através da convivência constante. Além de trabalharem o tempo todo diretamente juntas. Clara destinava todo o tempo em que não tinha que estar com o filho à fotografa, não conseguia ficar longe de Marina e daquela casa. As vezes, sentia-se perdida no próprio apartamento sem o calor do corpo da namorada por perto.
No trabalho a relação também se intensificou, mais que assistente de fotográfica a também dona de casa passou a oferecer suporte total a Marina na gestão negócios recém imposta a ela pelo pai. Não que ela soubesse qualquer coisa a mais que a fotografa, na verdade, a princípio, era mais o contrário, no entanto, o interesse de Marina por aquilo era quase zero, então, de certa forma, coube a Clara estudar, planejar e principalmente incentivar a outra de todas as formas lhe despertando assim um maior interesse.
Em um final de tarde em que Marina deu com Clara concentrada e dedicada a estudar e entender alguns papéis cheios de números, tabelas e gráficos complexos a fotografa se aproximou dela dizendo-lhe com carinho e gratidão:
_Ver você assim tão dedicada a mim me emociona, mas também faz com que eu me sinta culpada. Não queria te envolver nos meus problemas.
Ao que recebeu uma resposta simples e objetiva da outra:
_Eu faço isso porque eu te amo.
Sem dúvidas o cuidado de Clara com Marina era irrepreensível, contudo, era recíproco.
Aos poucos e com a ajuda da namorada a vida financeira da fotografa ia se ajeitando e Marina sentia-se alegre mais do que por isso, por Clara ocupar cada dia mais todos os espaços em sua vida. A ideia de serem um casal se consolidava apesar de ainda namorarem escondido da maioria das pessoas.
Ao que dizia respeito ao galpão cultural ficou estabelecido entre Marina, Verônica e Laerte que a fotografa ficaria responsável pela coordenação das aulas referentes as artes visuais: Pintura, desenho... Atenderia os alunos, prestaria auxílios aos professores, sentaria com eles e decidiria sobre cronograma de aulas e ficaria responsável pelo cumprimento, coisas assim. A administração do galpão em si era feita por Laerte pois tratava-se o único dos três que entendia disso, no entanto, os três se reuniriam de 15 em 15 dias para a prestação de contas. Assim, Marina passou a se dividir entre o estúdio e o galpão. Estava no último três vezes por semana no período da manhã. Durante a jornada da manhã Clara estava quase sempre com ela uma vez que Gisele, Flavinha e Vanessa davam muito bem conta do estúdio sozinhas. As vezes era solicitada a tarde e quando não podia ir, Clara ia em seu lugar já que tinha ciência de tudo o que acontecia ali tanto quando a própria fotografa. Dessa forma, Clara informalmente passou de assistente a secretária pessoal, por assim dizer, embora ainda se considerasse como assistente.
Sempre estavam por lá aos sábados também, a verdade é que gostavam do ambiente. As duas gostavam. Ivan geralmente estava presente, com elas, o pai e o melhor amigo, é claro, este não no bistrô, mas no galpão em si não havia problema.
***
O dia nascera perfeito, ensolarado e lindo. Acordaram bem-dispostas e felizes. Até Marina avessa ao tipo de exercício físico que fariam, se sentia surpreendentemente bem.
Tinham combinado de correrem juntas pelo menos duas vezes por semana e aquela seria a primeira. Este foi um dos motivos que levaram a fotografa a dormir na casa da namorada, Clara quis se certificar que Marina não fugiria logo no primeiro dia. Assim, a dona de casa preparou o café para as duas e deixou a mesa posta para quando o filho acordasse, Cadu, como todos os dias o levaria para a escola. Saíram, rumo à praia.
Não haviam corrido mais que vinte minutos quando a fotografa começou a reclamar. Parecia-lhe mais “pesado” correr na areia e de fato era. Antes de meia hora ela parou sustentando o tronco com as mãos sobre os joelhos, exausta. Clara que tinha corrido um pouco a frente voltou, sem deixar de continuar movimentando-se.
_Anda, amor. Vamos, só mais dez minutos.
_Não dá Clarinha, tô morta. Não sei como você aguenta e ainda com todo esse ânimo.
_Pra fazer outras coisas você não fica “morta” assim não, né? -Marina deu um riso fraco, estava exausta demais para rir – Só mais dez minutinhos vai, por favor! Você consegue.
_Cinco.
Negociou a outra.
_Fechado.
E saiu correndo com uma Marina ofegante atrás dela.
Passados os cinco minutos, a fotografa jogou-se sentada na areia. Não daria nem mais um passo. Além de cansada também morria de calor.
Clara olhava-a se divertindo com seu estado. Então, de repente ela se levantou e sem avisos despiu-se, revelando o biquíni que usava por baixo e correu imediatamente até o mar, tencionando com todas as forças se refrescar. Deixou uma Clara transtornada atrás de si, definitivamente ela nunca seria indiferente à visão da amada seminua. Quando Marina a chamou à distância, ela num gesto espontâneo, quase inconsciente ela não conseguiu deixar de olhar para os lados como se conferisse se alguém que havia algo entre elas. Ao se dar conta disso, repreendeu-se mentalmente, precisava superar de uma vez por todas o preconceito que existia dentro de si mesma. Após seguir o mesmo ritual que a namorada tinha feito instantes antes ela também se jogou no mar acompanhando a outra no mergulho refrescante e revigorante.
***
Haviam tirado o sal do corpo e trocado o biquíni molhado, e as roupas suadas. Conversavam lado a lado agora em um quiosque a beira a mar.
_O que eu mais amo em morar no Leblon é isso, poder ver o mar assim logo cedo, pisar na areia, esse ventinho batendo no rosto e é claro, tomar essa água de coco geladinha desfrutando dessa vista maravilhosa.
_Já eu sempre gostei de Santa Tereza por causa da vista também, de poder ver a cidade lá do alto. Mas, aquele “climinha”de montanha é o meu preferido. Se bem que – pausou por um instante – com você falando desse jeito deu até vontade de morar próxima ao mar.
Direcionou à Clara um sorriso apaixonado e sugestivo ao que foi retribuída com a mesma expressão.
_Sabe que não seria má ideia?
Ficaram se olhando se saber o que dizer até que a assistente as tirou do estado de contemplação.
_Vamos terminar aqui logo porque hoje o dia tá cheio.
A fotografa assentiu, mas enquanto não terminavam aproveitou para estender um pouco mais a conversa.
_Sabe que existem poucas coisas na vida que eu gosto tanto quanto água de coco? Pode parecer, sei lá, estranho, simples, mas eu amo. Sem contar que é muito bom pra hidratar, né?
_Eu não sabia disso.
Falou Clara com sinceridade.
O fato de irem, a cada dia conhecendo um pouquinho mais uma da outra era mágico, mesmo, e talvez principalmente, em relação a coisas simples como essa.
_Pois é, tem muita coisa que você ainda não sabe sobre mim Clarinha.
Falou divertida, mas, ao mesmo tempo, misteriosa.
_É mesmo? Por exemplo?
_Por exemplo – pausou- que eu odeio correr na praia.
Gargalhou, no entanto fora sincera.
_Rá rá. Mas agora a senhora vai correr e pode ir arrumando um jeito de começar a gostar porque a senhora é muito relapsa com a saúde ou pensa que eu não vejo que também se alimenta muito mal?
__Meu Deus eu to perdida com você. Tudo bem, você manda e eu não sou louca de não obedecer.
Caçoava, mas, realmente gostava do cuidado da namorada.
Conversavam próximas e Clara notava que enquanto falavam Marina cruzava as pernas revezando os lados e que as vezes tinha uma certa dificuldade em respirar. Ela achou esquisito, porém, nada comentou, embora bastante intrigada.
_Pode ter certeza que tá perdida sim, mas será que eu não sirvo de inspiração, nem um pouquinho?
Falou de um jeito que para Marina soou extremamente fofo.
_Mas é claro que serve, meu amor. Você é toda a inspiração que eu preciso na vida.
Assim, não conseguiu evitar de fazer-lhe carinho em seu rosto ao que Clara involuntariamente acabou ficando sem graça e constrangida já que estava em publico, além de estarem no bairro em que morava.
A fotografa percebeu e elas acabaram conversando numa boa sobre o assunto.
_Você ainda tem dificuldades em lidar com isso, né?
Namoravam escondidas e isso deixava Marina um pouco chateada, mas, ao mesmo tempo, ela entendia a condição da namorada. Engraçado era que quando Clara era casada não parecia ter esse tipo de problema, embora a maior parte do tempo que passaram juntas naquela época tenha sido entre quatro paredes.
_Desculpa.
_Não precisa se desculpar, você não está acostumada. É normal.
_As vezes eu tenho vontade de sair por ai gritando, sabe? Pro meu filho, minha família, pro mundo. Mas ainda é tão difícil. Acho que é o medo da rejeição. Não de eles me rejeitarem, mas de rejeitarem você... eu – pausou — eu ficaria arrasada.Mas ao mesmo tempo eu não quero passar o resto da vida me escondendo.
_ Ei, olha pra mim – ela o fez — Isso não vai acontecer – O olhar de Marina e o jeito dela falar era enfático, reconfortante passava a Clara toda a segurança que ela precisava – fica calma. A verdade é que tudo aconteceu muito rápido pra você, aliás, pra nós. Só que pra mim era mais fácil porque eu era solteira e também sempre fui assim. Então, não se cobra tanto, com paciência mais dia menos dia você vai acabar assimilando tudo.
O olhar das duas agora eram cúmplices e Clara pegou a mão dela
_Brigada por você ta sempre do meu lado me apoiando, tendo paciência comigo.
_Você vive me dizendo isso e agora é a minha vez de dizer o mesmo. Eu faço isso porque eu te amo. Nós sempre vamos passar por qualquer dificuldade juntas, entendeu? Eu tô com você, apertou firme a mão que estava junto a sua — Clara assentiu – e Marina continuou a fim de descontraí-la — Só amo você um pouquinho menos por estar me obrigando a correr...
Clara riu, mas entendendo a intenção da fotografa se comoveu ainda mais abraçando-a em retribuição as palavras de incentivo.
Ficam assim por tempo o suficiente para que possam sentir o cheiro uma da outra. O calor de suas peles. Marina que, primeiro por não querer parecer uma “tarada” e depois por causa do assunto, estava se aguentando desde que se sentaram ali. Acabou não resistindo e se revelando.
_Agora só falta uma coisa.
Olhava para Clara com um olhar safado e sugestivo ao mesmo tempo recebendo de volta um semblante desacreditado. A namorada simplesmente não estava acreditando que a fotografa realmente estava sugerindo o que ela pensava que estava. Apesar de que, no fundo, gosta da ideia de pensar que sim, porém, não o deixa transparecer.
_O que tá passando ai nessa cabecinha fértil?
_Adivinha? Preciso de um incentivo, amor. Pra ter ânimo de continuar correndo e tals... Você não disse que queria me inspirar?
Pergunta ainda olhando-a da mesma forma ao mesmo tempo em que a mão segue distraidamente encontrando a parte interna de uma das coxas de Clara em baixo da mesa, repousando lá por alguns instantes.
Clara sentiu um espasmo na parte intima com o gesto, mesmo assim, tentou colocar limites na namorada.
_Para Marina, hoje o dia tá cheio. Nós nem devíamos estar aqui ainda jogando conversa fora. Você tem aquele ensaio da marca de lingerie, nem sei que horas vamos terminar, por isso, pode ir tirando essas ideias dessa cabecinha.
Levou o indicador a testa da outra, ilustrando.
Marina encarou-a séria ao ponto de Clara ficar curiosa.
Então, se manifestou:
_Clara, eu tô com tesão. Preciso de você. Agora!
Foi enfática, exigente de um modo que excitou a assistente que a olhava de volta surpresa com a ênfase nas palavras. Mesmo surpresa, a informação permitiu a ela desvendar enfim, o comportamento estranho que notara na outra anteriormente... Então se rendeu. Afinal de contas, por que não? Embora não entendesse a necessidade tão urgente da outra, mas isso Marina teria a oportunidade de explicar. Em outro lugar...
_Tá bom, mas tem que ser rápido. Só porque você correu direitinho.
Quem tinha o olhar safado agora era ela, tencionando provocar a outra com a ideia do sexo rápido, casual.
Viviam aquela fase do relacionamento em que qualquer coisa é desculpa para o sexo. No ultimo mês havia sido assim, qualquer hora era hora. O desejo entre elas não vinha em ondas ou em períodos era constante.
Marina apenas sorriu em aprovação.
***
_Nunca fui de ir ao motel – falou Clara, espontânea – agora tô entrando em um pela segunda vez na mesma semana.
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