Unchained Melody
30 Body and soul
Notas iniciais
_E olha que a semana ainda não acabou.
Marina brincou, elas riram e a fotografa continuou:
_Pois agora você vai visitá-los com frequência, eu garanto – disse em tom de promessa — Se quiser podemos conhecer todos da cidade.
Riu mais uma vez. Mas Clara não saberia dizer se ela estava ou não brincando. Em se tratando de Marina provavelmente não.
_Agora que estamos aqui, pode me explicar o que é que aconteceu com você?
Perguntou Clara o que fez com que a fotografa corasse, por um momento havia acreditado que não teria que se explicar.
_Você ficou tímida? É isso mesmo? Agora é que eu faço mais questão ainda de saber o motivo de tamanha vontade, assim do nada.
Ainda havia tanto para conhecerem e saberem uma da outra. Isso era tão empolgante, como se fosse uma espécie de bônus.
_Porque? Você não tem essas vontades?
_Não desconversa, Marina. Você sabe do que eu tô falando.
Marina sabia e Clara esperava a resposta com expectativa.
_Tá bom. É o mar...
_Oi? Como assim, o mar?
_Sei lá, pra mim o contato do corpo com o mar deixa ele mais quente, faz o sangue o e – pausou — a maresia, ela deixa o cheiro do sexo mais intenso, forte e quando eu penso nisso...
_Fica excitada.
Completou a outra.
_É.
Clara foi se aproximando dela devagar, quase ameaçadora.
_Me mostra? — Pediu já próxima o bastante para ir lhe abrindo o short e atacando-a no pescoço.
Uma vez que o short da fotografa estava aberto, a mão de Clara deslizou dentro dele não se detendo pela calcinha, foi direto conferir o estado do sexo da namorada.
_Muito molhada, que delícia!
Sua cara era de prazer ao dizê-lo, pois fora isso que sentiu ao tocá-lo e percebê-lo encharcado. O ponto do prazer dela ali no meio pulsava ao ponto da própria Marina senti-lo pulsando na mão da outra.
A fotografa realmente ficara tímida ao dividir a intimidade com Clara, já esta, por sua vez, adorou a informação, tiraria a prova e com prazer. Não que nunca tivesse notado, mas o fato agora ganhava uma outra conotação.
Clara então tirou a mão de onde estava e se afastou, sentando no sofá que havia no quarto.
_Tira a roupa pra mim, gostosa.
Não pediu, ordenou. Ao que foi atendida imediatamente, no entanto, a fotografa tirou-as lentamente, seduzindo-a e tentando-a no processo. Ela usava calcinha e sutiã rosas, de algodão que poderiam não serem nada sexy em um ser humano comum, mas Marina, sem dúvida, não era um ser humano comum. Clara achou que ela continuaria se despindo para ela, mas a fotografa parou assim, permanecendo de lingerie. Decepcionando-a.
_O resto se você quiser, e eu sei que você quer, vai ter que tirar.
Clara a puxou para perto pelas coxas, venerando o corpo magro a sua frente. Marina parecia uma menininha com aquela lingerie. Uma menininha estupidamente gostosa.
_Primeiro – pausou – deixa eu comprovar o que você falou. A necessidade de tirar a prova dominava-a por completo. Assim aproximou o rosto do sexo da fotografa que estava a sua altura, sugando o perfume que exalava dali. Sentiu a cabeça girar a princípio, depois a sensação de que o próprio sexo explodiria em meio a suas pernas e por fim, um sentimento completamente novo que era ao mesmo tempo tentador e alucinógeno. Estava entorpecida como se tivesse feito uso de alguma substância tóxica. A fotografa definitivamente tinha toda a razão. Agora não era mais difícil para Clara entender o “porque” de toda aquela urgência. Além do cheiro inebriante, um calor ainda mais febril que o habitual emanava dali, ela pôde sentir, mesmo por cima da calcinha, ao passar o rosto de forma suave por toda aquela extensão. Ao ser atingida instantes antes pelo cheiro forte e característico que a namorada exalava esquecera de tudo. Do tempo, do trabalho só existiam as duas e o ainda fariam naquele quarto
Marina que tinha, de forma enfática, dito a Clara que quem tiraria o resto de suas roupas era ela, não resistiu, tirou o próprio sutiã deixando os seios livres para que a outra pudesse tomar posse deles
e Clara, como se lesse os pensamentos dela, levou na hora as duas mãos até eles cobrindo-os totalmente com elas.
Uma das coisas mais sensacionais de transar com uma mulher, é, sem dúvida, poder desfrutar da sensação única que passar as palmas das mãos sobre os mamilos rígidos proporciona e Clara aprendera essa lição desde o primeiro dia que o fizera.
Ainda com as mãos cobrindo totalmente os seios da outra e apertando-os com … a assistente mordeu com vontade, porém, sem muita força o sexo da amada sobre a calcinha úmida.
A fotografa que já não se aguentava mais, pois estava se segurando há tempos, sucumbiu de vez após o gesto. Por isso, se afastou indo até a cama, deitando-se nela e se dirigindo à namorada:
_Vem aqui me comer, vem.
Chamou. A vontade dela hoje chegava a ser mais urgente que em outros dias.
Clara, como se hipnotizada a seguiu atendendo ao chamado.
_Espera. Primeiro tira a roupa. Quero você pelada.
Já estava tao perturbada que até esquecera que estava vestida. Tirou toda a roupa com uma pressa inadiável e jogou-se em cima da outra com desejo absurdo de devorá-la, inteira.
Uniram as bocas em um beijo ardente suficientemente poderoso para fazer a temperatura entre elas, que já era alta, aumentar exponencialmente. Enquanto se beijavam Clara pressionava uma das coxas no sexo de Marina fazendo com que ela, ocasionalmente, soltasse gemidos leves em sua boca. Assim, em uma ocasião em que a namorada pressionou com mais força, a fotografa soube que não aguentaria mais, estava no limite, por isso, falou ainda com as bocas quase coladas:
_Amor, me come, vai.
Puxou o braço direito de Clara que estava entrelaçado em suas costas e levou até o meio do caminho indicando para onde ele devia seguir, então passou os próprios braços pelo pescoço dela puxando sua boca de volta, colando-a na sua.
Enquanto deram continuidade ao beijo que se desenvolvia exatamente da mesma forma que antes, Clara realizou o desejo da amada, dois de seus dedos a penetraram, dando inicio ao tão necessitado movimento de “vai vem”, a princípio lento, contido deixando que a fotografa desfrutasse da sensação de ser preenchida por eles.
Da boca Clara passou diretamente aos seios perfeitamente redondos da amada, sem interromper o que fazia mais a baixo. Com eles alternadamente na boca da namorada, que chupava-os com sofreguidão, aos poucos Marina com o movimento do quadril dizia a Clara que ela queria mais, mais intensidade, mais velocidade e a mesma dava isso a ela, porém, num aumento gradual.
Em dado momento, após ter saciado a ânsia por devorar-lhe os seios, a assistente voltou a ficar com o rosto na altura do da fotografa. Desejava ver as expressões dela enquanto recebia o que tanto desejava. Assisti-la proporcionava a Clara um enorme prazer.
Assim, além de assistir, podiam falar-se coisas indecentes, a elas profundamente excitantes.
_Goza pra mim, gostosa. Vai.
Mantinha o olhar fixo na fotografa.
_Mete com força na sua mulher, então.
Recebia a mesma fixação de volta, porém, Marina era também provocante, desafiadora.
Clara que até então a fodia com intensidade relativamente moderada passou a fazê-lo como pedido.
_Isso – Dizia a fotografa entre gemidos lascivos — assim.
Sempre que os dedos de Clara entravam forte dentro dela, Marina revirava os olhos em deleite, isso fazia com que Clara metesse-os para dentro dela com ainda mais força na vez seguinte só para ver a expressão se intensificar.
_Vadia.
_Sua vadia, toda sua. Me come – pausou, mais uma vez para gemer — toda, vai.
Não deixavam de se olhar, provocando-se com os olhos, mas também com as palavras.
Mariana realmente parecia desesperada de tesão, como dissera na praia e Clara desejava saciá-lo totalmente.
_Bucetinha deliciosa.
Disse sincera, mas também com o intuito de estimulara ainda mais.
_Você – pausou por segundos para poder desfrutar de uma sensação gostosa que a atingiu, soube que não demoraria a gozar – acha? — Terminou com dificuldade.
_Acho. Deliciosa, perfeita, gostosa...
_Amor, tô quase gozando! Enfia mais um dedo e continua metendo nela assim, forte.
Falava delirante e as palavras faziam com que Clara delirasse também.
As palavras podiam soar vulgares, no entanto, o fato é que na hora do sexo tem que haver vulgaridade, inclusive, quanto mais vulgaridade melhor. Elas concordavam nisso.
Clara então, atendeu o pedido. Colocou o terceiro dedo. E além das estocadas fortes, ela acelerou-as ainda mais.
_Assim – pausou – Não para, Clara. Por favor, não para – e voltou a gemer, um gemido baixo, porém, verdadeiro e contagiante. Era a pura manifestação do prazer que a consumia.
_Vou gozar!
Falou mais para colocar para fora parte do que sentia do que para Clara e gozou, contorcendo-se nos dedos da namorada, arquejando na cama enquanto era atingida pela onda de prazer e caiu nela, maravilhada pelo orgasmo extasiante que a namorada acabara de lhe dar.
Clara, além de sentir as reações do corpo da outra, assistira vidrada o prazer manifestado no semblante dela. Para ela assistir a namorada naqueles momentos refém do prazer absoluto e arrebatador do orgasmo era a pura personificação da perfeição.Ainda ficou admirando-a por algum tempo aproveitando para fazer-lhe carinho na face. Até que, por fim, a realidade chamou-a, lembrando que todo um aparato de pessoas e equipamentos as esperavam no estúdio.
_Vamos embora? Já gastamos aqui um tempo que não tínhamos. As meninas vão matar a gente.
Além de ter se manifestado pelo fato de estarem atrasadas, fazia parte da fantasia ser somente ativa as vezes. Assim como, as vezes, era apenas passiva. Não havia problemas, elas sempre teriam tempo para serem qualquer coisa e estar ciente disso a empolgava bastante. Empolgava as duas, na verdade.Um dia uma podia só comer, no outro só dar, no outro as duas coisas e assim por diante. Não haviam regras, nem pressa. Mesmo que uma estivesse com muito tesão, podia segurá-lo até a próxima vez o que também era altamente excitante. Ir para casa, ou ficar em casa cheia de tesão, pensando obscenidades, ter que se controlar, tomar banho gelado também fazia parte do encanto. Porque no outro dia, Clara podia exigir de Marina que resolvesse o problema ou Marina podia exigir o mesmo de Clara e com certeza seria maravilhoso, ambas sabiam.
Mas, não hoje. Hoje Marina também queria desfrutar, especificamente, do órgão no meio da mulher que amava.Então, fingiu ao concordar em irem embora.
Quando Clara se levantou pretendendo vestir-se, Marina sentou-se e dessa forma arrastou-se na cama até estar sentada, com os pés no chão, enfrente a ela. Então, em um momento em que a outra virou de costas, Marina desceu, alcançando o chão. Sentou-se no chão encontrando-se na cama. Dali estaria na altura certa para o que pretendia.
_Que isso, Marina?
_Vem aqui.
A fotografa pegou-a pelas pernas antes que ela tivesse tido chance de vestir-se, puxando-a de modo que ela acaba entre suas pernas.
_Tá achando que acabou, assim?
_Louca! A gente precisa ir.
Dizia isso, mas a verdade era que queria ficar. Queria que Marina realizasse o que tinha em mente. Até tinha tencionado se segurar mesmo morrendo de tesão, porque isso a fotografa com certeza poderia resolver para ela mais tarde depois do trabalho, quando não estivessem mais atrasadas.
_Você também vai gozar e – pausou num certo suspense — na minha boca.
Clara nunca, nem em mil anos sonharia recusar até porque não conseguiria. Aquele olhar de Marina era arrebatador, fazia-a, inclusive, perder as forças que a sustentavam de pé. O sexo ficara um pouco mais alto que em relação a boca da fotografa o que foi resolvido facilmente com ela se abaixando um pouco, depositando o tronco sobre a cama.
Marina, antes de chupá-la cheirou-a se aproveitando, finalmente, do cheiro característico que exalava dali.
As pernas de Clara estavam bem abertas, assim, ela podia ver com clareza o clitóris da outra em meio aos grandes lábios também abertos. Ela adorava aquela visão. O nervo rígido em meio às pernas da namorada era grande e como resultado do sangue circulando rapidamente ali estava ainda maior o que deixava Marina enlouquecida. Amava-o assim, do jeito que era. Um ponto unicamente especial no centro da mulher que ela tanto amava.
Primeiro passou a língua molhada e quente, leve sobre ele. Fazendo com que as pernas da namorada tremessem. Mas, não se demorou, colocou-o todo dentro da boca, queria senti-lo pulsando nela, a vontade era irresistível. Sugou-o com volúpia, hoje não desperdiçaria tempo bebendo do néctar, pois não o tinham. Se ateria apenas ao que mais gostava, ao tinha veneração, tanto pela imagem quanto pela sensação que despertava quando estava em sua boca. Era a vez de Clara revirar os olhos em satisfação por tê-lo pulsando totalmente na boca da fotografa. Assim, em resultado do estímulo empreendido pela língua firma de Marina, Clara gozou soltando um gemido alto e trêmulo, as penas quase falharam de vez fazendo com que fosse necessário ela se apoiar mais ainda na cama.
***
Já vestidas e prontas para irem embora, se abraçaram. Clara tinha os braços em volta do pescoço da fotografa e esta, em volta da cintura dela.
_Confesso que se todos os dias que a gente for correr forem assim, eu vou até me levantar com mais ânimo.
Marina falou descontraida. Mas, Clara permaneceu séria, porém olhando-a com amor. Tinha um pedido importante em mente.
_Promete que vai ser sempre assim? Que a gente sempre vai se amar dessa forma? — pausou – Não é de sexo que eu tô falando.
Pediu Clara.
_Prometo – uma das mãos de Marina foram ao rosto dela, acariciando-lhe — Não gosto de nada que míngua. Quer dizer, prometo não, porque acho que tudo tem que crescer, sempre, na amizade e no amor. Então prometo que com a gente vai ser assim.
Trocaram um beijo de esquimó que era ao mesmo tempo carinhoso e amoroso.
E a verdade era uma só, nem tudo do que se passava entre elas na cama ou entre quatro paredes se tratava apenas do sexo em si,. O fato de buscarem-no com tanto frequência residia mais na necessidade de manifestarem, extravasarem o sentimento arrebatador que as consumia internamente, de compartilharem a intensidade dele como se sentissem que se não o fizessem, explodiriam, do que no prazer pelo prazer. Tudo, tudo aquilo que buscavam nos momentos de intimidade tinha como objetivo real o breve momento, os segundos durante e após o orgasmos em que podiam transcender as limitações físicas do corpo, porque a existência desse, por vezes, a elas se apresentava como algo que as aprisionava, impedindo que suas almas de fato de encontrassem-se, se fundissem. Claro que elas não sabiam disso objetivamente, nesses momentos quem falava por elas, ironicamente, era o corpo.
***
Chegaram atrasadíssimas, contudo, animadíssimas no estúdio. Antes de irem até lá, porém, tiveram que tomar banho e se arrumar o que as atrasou ainda mais. Por isso, encontraram uma Vanessa furiosa ao entrarem pela porta.
_Duas horas e meia de atraso Marina. Eu, a Flavinha e Gisele cansamos de ligar no seu celular e você não atende. Aonde você tá com a cabeça? Ah, mas não precisa nem falar. Tá com a cabeça nessa dai – falava quase gritando e apontou para Clara.
Marina e a namorada trocavam olhares cúmplices e não a rebateram. Sabiam que a outra tinha razão.
Ao perceber que não teria argumentação por parte da fotografa a ruiva continuou falando:
_Acha que as pessoas estão por sua conta? Você não sabe o que eu e as meninas precisamos fazer para conseguir convencer as modelos a não irem embora. Tem noção do prejuízo que seria se elas tivesse ido? Onde é que está o seu profissionalismo? Ah, não precisa nem dizer, né?
Terminou de falar olhando diretamente para Clara.
_Tudo bem, Vanessa. Você tá certa, eu errei em ter me atrasado, em não ter atendido o telefone, desculpa – Olhou também para Flavinha e Gisele estendendo a elas o pedido – Mas, agora a gente tá perdendo tempo aqui. Cade as modelos? Tá tudo pronto? Pode chamar elas, vamos começar.
De tudo o que vinha fazendo desde que começara a trabalhar com Marina, obviamente o que mais fascina Clara continuava sendo a fotografia. Mesmo que naquele período estivessem fazendo trabalhos apenas para a publicidade. Gostava do fato de Maina ter conseguindo encontrar uma veia artística nesses trabalhos e estava sendo cada vez mais requisitada por isso. Sem contar que o trabalho acabou se tornando menos sacrificante para ela.
A fotografia continuava fascinando Clara. Todas os dias em que tinha ensaio ela viajava para outro mundo de tal forma que seguia influenciando a fotografa no processo criativo. Marina, por sua vez, surpreendia-se por ela ainda não ter se dado conta disso. A ideia da exposição continuava muito viva em sua mente, embora tenha tido que adiá-la quando o pai decidiu corta-lhe a mesada. Mas agora podia voltar a pensar seriamente nisso.
Ao final do ensaio quando as modelos já haviam se retirado e elas estavam arrumando tudo, sem deixar, é claro, de comentar sobre cada detalhe do trabalho. Marina aproveitou para brincar com a namorada e afirmava veementemente que o ensaio tinha sido perfeito.
_Você gostou da fotografia ou das modelos de calcinha e sutiã hein, dona Clara?
Perguntou rindo
_Das duas coisas, meu amor.
Respondeu Clara no mesmo tom.
As duas, junto a Flavinha e Gisele riam.
Enquanto Vanessa fazia cara de deboche, o ciúme que a ruiva tinha de Marina nos últimos tempos tinha se intensificado bastante.
***
Já era noite. Marina tinha ido para uma reunião com um contratante ao que Clara ficou analisado ou melhor, tentando analisar a papelada referente as contas do galpão que Laerte tinha passado para elas na prestação de contas dos últimos 15 dias. Lia tudo tão compenetrada que nem percebeu quando Vanessa entrou.
_Ora ora. Tá sozinha, Clarinha? Cade a namorada?
_Saiu.
Respondeu seca.
_Uhm e você aproveitou pra ficar aqui tomando conta do palácio...
_Rá rá. Engraçado.
_Ah, é. Agora você não é mais dona de casa. Não cuida mais de cama, agora você é uma mulher de negócios.
Riu irônica.
Clara não se daria ao trabalho de respondeu, percebendo isso Vanessa continuou:
_Muito esperta você...
Nesse momento Clara não aguentou, teve que se manifestar.
_Tá insinuando o que?
_Eu insinuando? Que isso, longe de mim. Só não entendi até hoje o que é que você tá fazendo com a Marina.
_Quem precisa entender é ela, não você.
_Porque você tá claramente enrolando ela – Vanessa continuou falando como se não tivesse ouvido a resposta da outra — Não se assume, não assume ela, faz com que ela viva escondida como se fosse uma espécie de “criminosa”, você acha isso certo, Clarinha?
_Não é da sua conta.
_É da minha conta sim – agora o tom da ruiva havia mudado da ironia para a raiva, estava mostrando-se – Porque eu me preocupo com ela e tenho certeza de que mais dia ou menos dia você vai cansar desse passeio pelas “poças coloridas”da vida e vai querer voltar pra vidinha de mamãe papai e filho que tinha antes e deixar ela destruída aqui. Eu conheço bem o seu tipo, pode até gostar do que tá vivendo agora, mas sempre vai sentir faltar de ser uma mulher “respeitada”, mãe de família, casada...
_Ih minha filha, você me conhece tão, mas tão mal.
_Mal? Então o que você me diz sobre ter levado tanto tempo pra deixar o maridão, mesmo colocando a galhada nele desde o dia que conheceu a Marina?
_Eu não tenho que te dizer, ou te explicar nada Vanessa. A minha vida não te diz respeito e até onde eu sei a da Marina também não, apesar de você não aceitar isso.
_Mas não se sinta tão culpada, Clarinha – mais uma vez a ruiva ia falando como se não tivesse escutando o que Clara dissera – ou você acha que era a única que dividia a cama com outra pessoa? Marina é muito carente sabe? Ela demanda cuidado integral, sei disso porque conheço ela como a palma da minha mão. São anos de convivência. Morando juntas, trabalhando juntas... E você demorou demais pra se resolver, deixou ela muito sozinha, quer dizer, deixou não, ainda deixa.
Disse a ruiva agora de forma extremamente maldosa.
Clara a princípio olhou-a confusa não entendeu, ou não quis entender o que ela tencionara dizer com aquilo. Até que a “ficha caiu” e a informação a atingiu como um murro.
_Porque você é sempre tão … porque nunca consegue ser clara? Dizer as coisas diretamente? Tá querendo dizer que ela dividiu a cama com outra pessoa? Com você?
_Pra quem sabe ler...
Vanessa então, foi saindo do estúdio deixando Clara sozinha com as palavras que lhe disse ecoando em sua mente.
Pouco tempo depois de ter sido deixada sozinha a assistente desmoronou. O mundo rodou em baixo de seus pés. Não sabia se o que doía era a informação em si ou o fato de Marina nunca ter falado nada sobre isso. Ficou arrasada. Até tentou segurar as lágrimas, porém em vão, elas escorreram-lhe pela face assim mesmo. Tentava dizer a si mesma que se o que Vanessa dissera fosse verdade ela tinha se referido ao tempo em que a própria Clara era casada e que assim, a namorada não tinha feito nada de errado já que elas não tinham nada, ao menos não oficialmente. Em outros momentos tentava encontrar uma desculpa na personalidade dela que até então fora diferente, Marina sempre se imaginara livre desses conceitos de exclusivismo, fidelidade e etc, Clara sabia disso. O importante era que ela murada, “não mudara”? Perguntava-se agora em dúvida. Tentava, mas não, não conseguia não sofrer. Parecia um pesadelo.
Quando Marina chegou notou rapidamente que havia algo de errado com a namorada.
_Clara? Tá tudo bem?
Perguntou com cuidado, preocupada.
Clara olhou para ela, impassível e perguntou, sem rodeios:
_Quer dizer que até pouco tempo atrás você dividia a sua cama com a Vanessa?
Marina se assustou, sobremaneira, com o fato de Clara estar ciente daquilo.
_Quem te contou isso?
_Não importa — Respondeu seca — é verdade?
_Tá certo, não importa. É verdade sim (...)
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