Unchained Melody
25 Tensão
Notas iniciais
Enquanto a fotografa e a produtora conversavam. Clara as observava. A conversa aos poucos ia tomando um cunho mais intimo. Marina não se detinha em encostar “casualmente” na outra e a certa altura o flerte ficou nítido, tanto a Clara quanto à Flavinha. O que para essa não se tratava de nenhuma novidade, por isso, não demonstrou estranhamento, nem mesmo em relação ao fato de Clara estar ali. Resolveu deixar que Marina conduzisse a situação, tinha certeza que não demoraria a descobri quais eram as reais intenções dela, ainda mais tendo em vista que, embora fosse séria, não era nenhuma santa. O que quer que a fotografa tivesse em mente, despertara-lhe a curiosidade e também os sentidos. Conhecia muito bem os encantos de Marina, resistir ao charme da fotografa era algo desmedidamente impossível e mesmo tendo-se sempre se considerado apenas amigas o fato era que a fotografa fora, sem dúvidas, responsável por seus melhores momentos de prazer. Por isso, aquele jogo de sedução não lhe era nada desagradável, ao contrário. Além disso, qualquer coisa que resultasse dele não seria, em absoluto, sua primeira transgressão desde que entrara para o mundo artístico.
Apesar de inicialmente roer-se de ciúme com a cena que Marina protagonizava a sua frente, logo a assistente deu-se conta do que ela fazia. A ideia atingiu-a de súbito. Estava aproveitando a oportunidade para realizar-lhe o desejo semi-expressado, já que ela nunca chegara a responder, de fato, a pergunta, ao menos não para a fotografa, há dias. Dias que lhe pareciam séculos pois refletia que nem mesmo havia pensado naquilo novamente. E agora a oportunidade estava ali, no entanto, ela não sabia muito bem se queria prosseguir ou esquecer de vez. Mas, talvez não tivesse chance de exercitar a segunda opção. Começou a suar frio. A cabeça girava alucinada na indecisão. Podia perceber os olhares sedutores que a produtora direcionava à sua mulher, eles eram precisos ao ponto de esquentar-lhe o sangue que corria em suas veias. Obviamente nunca deixara de notar beleza daquela mulher, tal coisa seria impossível. Além da beleza, também havia a rouquidão na voz, o semblante quase sempre sexy e a boca carnuda, um certo ar de mistério lhe dava a última pitada de sexy appeal, quase como a última cereja de um bolo. Divagava atordoada sobre essas coisas quando sentiu uma mão puxando-a, levando-a. Era Marina. A fotografa ia levando-a em direção a produtora. Clara julgava flutuar em um limbo entre duas realidades paralelas, isso era, na verdade, resultado do domínio que a fotografa exercia sobre ela. Naquele instante, a assistente teve a real noção de que Marina causava esse efeito não apenas nela, mas em qualquer outra pessoa que cruzasse seu caminho e despertasse seu interesse. Marina era fatal.
Não houve oportunidade para retiradas estratégicas, contestações ou manifestações contrárias. A maior parte dela ainda não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo quando Marina uniu seu corpo ao da outra, unindo também suas cabeças, mais especificamente, seus lábios. Então, Clara sentiu, ela sentiu pela segunda vez a maciez dos lábios de outra mulher colados aos seus e por fim, suas barreiras foram quebradas. A princípio, sim, ela teve dúvidas, era um poço delas. Mas agora, iria até o fim, não imporia limites ao próprio desejo, Marina lhe ensinara isso.
O que começou com um beijo lento, estudado, calculado, foi rapidamente tomando proporções maiores, mais quentes. Flavinha que no começo não demonstrou nenhum estranhamento ao ser “paquerada” por Marina na frente de Clara, surpreendeu-se bastante ao entender o que a fotografa objetivara. Afinal tudo se tratava de nada menos que um jogo entre amantes. No entanto, além de não ser santa, também não era cega e Clara era linda, um luxo de mulher. Nem um pouco difícil de se desejar, por isso, estava mais que disposta a participar dele. Assim, o beijo foi totalmente envolvido de reciprocidade.
Marina observou-as de perto por alguns instantes, e instantes foi o que levou para que ela concluise não estar confortável com aquilo, pelo menos não tanto quanto pensou que estaria. Algo a incomodava e ela não conseguia identificar ou mensurar o que. Mesmo assim, deixou-as seguirem em frente. Na medida em que o clima entre as duas ia esquentando, ela se afastava um pouco mais, sem deixar de assisti-las vidrada.
As mãos de Clara, como se adquirissem vida própria não demoraram a escorregar pelo corpo da produtora, descifrando-o. E elas eram ágeis, ávidas, tinham pressa. Ao que a outra ensaiou fazer o mesmo com ela, mas ela tratou logo de, de maneira, suave, impedi-la. As regras do jogo já haviam sido traçadas muito antes e Clara sabia que aquela era uma delas. Ser tocada? Não mais do que o estritamente suficiente.
A fotografa que as acompanhava, sentiu-se satisfeita ao notar a maneira como Clara agiu diante da investida da outra, então, afinal, ela se lembrava das regras. Junto à satisfação ela foi invadida de vez pela excitação que o incomodo não calculado insistira até então em suprimir.
Flavinha, por sua vez, entendeu imediatamente que aquela era uma das regras do jogo, e deixou-se conduzir. Deixou que Clara tivesse o que queria, aliás, o que Clara e Marina queriam.
Ao notar a anuência da outra, a assistente avançou com mais ímpeto sobre ela, empurrando-a de costas até uma pilastra que havia no ambiente. Imprensara-a nela, jogando uma de suas pernas, com firmeza, em meio as dela. Clara era firme, para não dizer rude, o que fez com que a produtora suspirasse. Demonstrando aprovação ao ato.
Então, ao mesmo tempo que se desvencilhava dos lábios da outra, e atacava seu queixo, orelhas e pescoço, a assistente foi também tirando-lhe a blusa, em meio a apertos sôfregos em seus seios. Seus apertos envolvia-os por completo, fazendo-lhes caber totalmente em suas mãos. Por vezes ficava confusa, não sabia se acabava de tirar a peça de roupa que a impedia de tocá-los totalmente ou se apertava-os sem se preocupar com isso. Decidiu-se por libertá-los de vez, livrou-se correndo também do sutiã. Os seios de Flavinha eram avantajados, maiores que os de Marina, chegavam a sobrar em suas mãos e nesse momento Clara percebeu-se descobrindo uma nuance ao que diz respeito a relações com mulheres: Existem tantos tamanhos quanto existem mulheres, seios pequenos, médios, grandes. Mas, o fato mais importante mesmo é que eram deliciosos.
Uma vez estando eles, livres, suas mãos voaram tratando de envolvê-los novamente, apertando-os com força e muita vontade. Suas bocas há instantes haviam voltado a se unir em um beijo molhado, muito molhado, tendo em vista que, a boca da assistente salivara com a sensação agradável que seios fartos da outra em suas mãos proporcionavam. A assistente não demorou a se ater na tarefa de desabotoar a calça da produtora, ansiava por tirá-la, no que teve pronta ajuda da mesma. Quando a peça passou pelos quadris e escorregou ao chão junto a a calcinha preta, não houve cerimônias por parte de Clara, ela levou as duas mãos firmes as nádegas de Flavinha, segurando-as com ímpeto.
Diante da investida, a produtora retribuiu-lhe com um suspiro mais enfático. Quer dizer, na verdade, ela começara a ofegar. O encanto que Marina demonstrava por Clara estava a ela, irremediavelmente justificado.
Clara tinha à mulher nua em sua posse, inteira para si. Sabia ter total liberdade para fazer o que quisesse, havia tempos que a outra anuíra àquela ideia sem nem ao menos demonstrar questionamento. Tal coisa mexia com todos os seus instintos, principalmente com os mais vis. A boca correu abocanhando completamente um de seus peitos perfeitamente redondos, enquanto isso, uma das pernas tinha voltado para o centro do prazer dela, comprimindo-o, estimulando.
A fotografa que acompanhava tudo há alguns metros de distância poderia jurar que a qualquer momento explodiria. Explodiria de raiva por ver Clara devorando a outra com tamanho fervor, de ciúme, mas principalmente, por ser consumida pelo tesão mais devastador de sua vida. Não sabia o que fazer ou como reagir. Mesmo assim, queria mais, precisava de mais. Então, aproximou-se delas, ao mesmo tempo que tirava as próprias roupas. Usava blusa e saias largas, confortáveis com as quais já estava acostumada a trabalhar, porém, permaneceu de lingerie. Encachou-se às costas da assistente que ao perceber o movimento da mulher atrás de si, deixou de concentrar-se no que fazia com tanto empenho, aprumando o corpo. Os rostos das três estavam na mesma altura agora, e elas se dispunham como em um “sanduíche” humano onde Clara era o recheio. A mesma, ao sentir Marina tão próxima de si sentiu a cabeça girar ainda mais, por segundos esqueceu da mulher à sua frente, porque a pele, já tão conhecida e adorada de sua mulher causava-lhe queimaduras graves. Chamava-a como se trouxesse o centro da gravidade consigo. O que sentia ao ser tocada por aquela pele, jamais sentiria em lugar nenhum, com ninguém, nem em mil anos. Sem mencionar o calor de sua respiração, pesada, em seu pescoço. No entanto, não houve como se virar, ou tempo para isso. A fotografa não estava lá para compartilhar o momento daquela forma. O sexo não seria a três, até porque Clara não permitiria que Marina tocasse ou fosse tocada por alguém além dela, a fotografa sabia e gostava disso. Mas, deixar ia-a experimentar, outro corpo, outro gosto. E para que a experiência fosse completa ainda falta uma coisa. Clara ainda estava vestida. Assim, a aproximação de Marina tratou-se apenas disso, resolver essa “pendência” e ela o fez com rapidez, consequência da habilidade que possuía. Primeiro despiu-lhe a blusa, soltando logo o sutiã, ao que teve ajuda da produtora para passá-lo pelos braços de Clara. Ao desabotoar a calça de sua mulher e forcar a passagem dela pelos quadris não pôde deixar de se concentrar alguns instantes naquela região, deixando que as mãos bobas deslizassem. Dessa forma, sentira uma vontade avassaladora de tomá-la nos braços, abusar completamente dela, mas segurou-se. Se tinha começado, agora iria até o fim. Fez com ela o mesmo que a própria tinha feito à produtora, arrancando-lhe a calcinha junto a a calça, deixando-a, enfim, despida. Digladiava-se consigo mesma, pois não queria sair dali, não queria desgrudar seu corpo das costas dela, queria tê-la.
Clara, por sua vez, durante instantes chegou a pensar que Marina não resistiria, quereria participar o que a revoltara, a fotografa anularia totalmente as regras, mas antes que pudesse manifestar qualquer reprovação a mesma se afastou, como se tivessem se acertado por telepatia. A cabeça de Clara vibrou ao senti-la distanciando-se, embora o corpo tenha lamentado. A despedida não o agradara, em absoluto. Então, ao mesmo tempo em que a fotografa se acomodava, precavidamente, já que bem corria o risco de as pernas não aguentarem tamanha carga de emoções, em sua poltrona, a que ocasionalmente se sentava para descansar ou refletir, a assistente envolvera Flavinha com o corpo, guiando-a, empurrando-a até o sofá em um canto do estúdio. Jogou-a lá, com o máximo de jeito que o momento lhe permitia, caindo sobre seu corpo. Parou um momento frente a frente com ela, a mesma olhava-a insinuante, indecente. Parecia-lhe que a sensualidade já característica elevara-se à estratosfera. Ela estava definitivamente amando tudo aquilo, o que deixava Clara, de certa forma, sentindo-se valorizada. Estava, afinal de contas, se saindo bem. Por isso, não se deteve em atacar-lhe o queixo e pescoço novamente, dessa vez, aproveitando para segurá-la pelos cabelos da nuca, com confiança. Assim que se deu por satisfeita, voltou aos seios, porém, não abocanhou-os diretamente, ao contrário, primeiro esfregou a face neles, deliciando-se com o contato, deliciava-se também, internamente, por saber que Marina a assistia. A ideia perturbava-a de forma gostosa. Não saberia dizer se caberia mais tesão dentro de si, achava que não havia como sentir mais que o que sentia.
Encontrava-se, a fotografa, a cada minuto e atitude da assistente, mais ensandecida. O incomodo inicial alcançava níveis alarmantes, parte dela sofria, sangrava ao ver a mulher que amava agindo daquele jeito. O ciúme era enlouquecedor. Porém, em algum lugar em seu ser, a dor, assim como a dor física que a mesma já havia sucumbido, transformava-se em excitação exacerbada e ela já não sabia se tudo lhe era doloroso ou prazeroso demais. Lembrava das palavras de Vanessa dizendo que a assistente era uma “vagabunda”, na ocasião teve que admitir a si mesma que imaginá-la sendo assim era excitante, mas agora, não sabia se a ideia a estava excitando ou lhe destruindo. Poderia acabar com aquilo, dar por encerrado a trágica experiência, todavia, seu corpo não reagia a ideia, seus olhos não conseguiam desviar da cena que se desenrolava a sua frente. E a cena era, sobremaneira, forte. Clara tinha avançado pelos caminhos do corpo da produtora, deixando um rastro molhado em sua barriga, nas curvas de sua cintura, então, beijava-lhe e mordia-lhe o ventre. Seus seios pequenos encontravam-se, no momento, a altura do centro de Flavinha e ela continuava descendo, a boca tinha rumo absolutamente certo. Além disso, Marina assistia os espasmos involuntários da produtora, como também ouvia os gemidos que começados instantes atrás ainda quando Clara lhe sugava um dos mamilos. Aliás, da onde estava era possível a Marina ouvir os barulhos produzidos pelas duas, uma vez que Clara, ofegava tão forte que era perfeitamente audível. Ela estava gostando, quer dizer, com a fome que aparentava, podia-se dizer que estava adorando o que isso fazia com que Marina pudesse adicionar satisfação a sua lista pessoal de sentimentos conflituosos naquele momento. O coração, então, chegou-lhe a garganta quando concluiu que Clara estava prestes a alcançar o objetivo fortemente pretendido. E ela alcançou, com ainda mais fome do que a que demonstrara ter em o resto. Sua boca mergulhou, ao que à Marina pareceu em câmera lenta, no sexo, demasiadamente encharcado da produtora. A fotografa sentiu-se vítima de choques elétricos que lhe causavam espasmos contínuos, o meio das pernas doeu, fora uma dor verdadeiramente física e ela não saberia precisar se aquilo tinha se tratado ou não de um orgasmo. Clara que por alguns momentos no decorrer de sua saga pensara “Eu tô louca, só posso estar, mas, é uma loucura deliciosamente irresistível” foi invadida por uma sensação de completude, enfim, podia dizer que se entendia melhor, que sabia quem era, o que queria e o que gostava. Mais do que tesão e excitação extrema, ela sentia alívio. E comemorou-o tomando o melhor dos líquidos, o produzido pelo órgão feminino, neste caso, o produzido pelo que estava em sua boca. Liquido este que estava presente ali por causa dela, para ela. Tomou-o, com gosto e ao fazê-lo, deixava que o mesmo melasse seu nariz, suas bochechas, queixo. Deixava que ele a dominasse por completo.
A intensidade dos gemidos de Flavinha tinha aumentado, também pudera, além do belo serviço prestado por Clara, a situação inteira era excitante, de forma desmedida até. A ideia de ser usada pela assistente daquele jeito, mexera com seus instintos. Clara estava envolvida na trama de Marina, o que para a produtora era como se a fotografa agora tivesse uma espécie de “aprendiz” ou será que dizer isso desqualificaria as qualidades da própria Clara, que agora era sabido por ela, serem incríveis? Talvez tudo se tratasse exatamente disso, talvez por isso elas tivessem se encontrado, não havia “mestre” ou “aprendiz”, talvez elas se complementassem exatamente em seus poderes de sedução. Talvez...
Clara não pôde se ater apenas em chupar o órgão aberto a sua frente, ainda havia mais a provar e experimentar, por isso, dois de seus dedos, o indicador e o médio, escorregaram, sem escalas, para dentro da produtora que reagiu imediatamente levando as mãos à sua cabeça, consequentemente fazendo com que a boca de Clara pressionasse ainda mais seu sexo.
Com o órgão pulsante de Flavinha completamente dentro de sua boca e sentindo também as paredes internas dele comprimindo-lhe os dedos, Clara perdera quase totalmente a capacidade de raciocinar. A única parte de seu cérebro que ainda era capaz de formar pensamentos estava em Marina. De certa forma, tudo aquilo era uma maneira da assistente exibir-se para ela, provocá lá, tentá-la. Não se sentia, de fato, fazendo aquilo por si, mas para ela, quer dizer, talvez para elas. Aquele era mais um jogo de prazer delas, um ato da mais profunda loucura a qual ela ainda estava se habituando ser vítima. Marina era a causa e razão de tudo. A causa de seu desassossego, de sua tormenta, seu pecado. Seu mais profundo e delicioso pecado.Sentiu, então, o corpo de Flavinha arquejar, o gemido alto tirou-lhe os devaneios. A mulher atingira o orgasmo e pelo tremor de seu corpo, Clara sabia tê-lo sido intenso. Sentindo-a relaxada sobre a superfície do sofá, a assistente fez o mesmo, relaxou, repousando o rosto ainda entre suas pernas. O ar lhe faltava, por alguns instantes que não saberia precisar, porque nem sequer notara, ela havia parado de respirar, agora sugava o ar com força.
Flavinha também respirava com dificuldades, mantendo os olhos fechados, tentando recuperar as forças perdidas. Gozara deliciosamente no ritmo dos dedos e da língua da ávida da assistente de Marina, suas mãos ainda pousavam nos cabelos dela já que a mesma ainda se encontrava em meio a suas pernas. Então, pôde sentir o peso do corpo de Clara em cima do seu, desaparecendo, ela estava se levantando.
Enquanto observava Clara chupando e comendo Flavinha impetuosamente, a fotografa, enfim, decidira-se entre a dor e o prazer. Aliás, não se pode dizer que tenha, de fato, sido uma decisão já que não foi pensado, apenas sentido. A excitação soberba vencera. E ela passou a ser capaz de pensar apenas em certos temas, todos envolviam a completa luxúria, sem, em absoluto, serem conexos, traziam apenas fragmentos como: “Sexo” “Prazer” “Gozo” “violar” “gozar” “comer” “dar” entre muitos outros, havia um dicionário completo de obscenidades e vontades urgentes dentro dela. Por isso, não se conteve mais quando a produtora, enfim, gozou. Pulou de sua cadeira e foi em busca de sua necessidade. Alcançando Clara, puxou-a suavemente, fazendo-a se levantar e trazendo-a para perto de si. Parou a centímetros do rosto dela atordoando-se positivamente com o cheiro que exalava dele. O mesmo encontrava-se, inclusive, ainda molhado. Ela olhava para a assistente com o olhar mais lascivo que a mesma já havia visto em seu rosto desde que a conhecera, o que fez com que suas pernas tremessem, perdendo as forças. Então, Marina segurando-a pela nuca, a beijou, um beijo devorador, mas principalmente, explorador. A fotografa roubava-lhe o gosto da produtora, ao mesmo tempo em que demonstrava seu prazer ao sentir o cheiro do sexo em sua pele. E Clara, agora com as pernas mais bambas que antes, dividiu, compartilhou com ela. Entregue aos braços de sua mulher, como uma boneca. Marina, sem dúvidas, era sua dona, dominava-lhe o corpo e a alma.
Quando se deu por satisfeita e tomada por uma surpreendente, repulsa, Marina a soltou.
Saindo, ainda apenas de lingerie pela porta porta do estúdio, não sem antes depositar um beijo suave nos lábios da produtora que assistia a cena, a ela o beijo soara como um agradecimento silencioso. Eram amigas de longa data, a experiência tinha sido maravilhosa, mas, Flavinha sabia, e de maneira nenhuma se importava, acabara ali. No dia seguinte tudo seria como sempre fora.
Enquanto isso, Clara ao ver a maneira pérfida com que Marina a olhara e vendo-a saindo dali daquele jeito, sem olhar para trás, sentia o mundo sumindo sob seus pés e o coração morrendo dentro do peito.
Seguiu-a o mais rápido que pôde, pois primeiro teve que no mínimo vestir de volta a calcinha e a blusa, não poderia sair nua pela casa, entre os empregados. Também direcionou um olhar preocupado à Flavinha, não queria deixá-la como se nada tivesse acontecido, porém, recebeu da outra em resposta um olhar compreensível que dizia “Vai lá, vai atrás dela” e Clara foi atrás de Marina, perguntando-se afinal de contas o que é que tinha acontecido a ela, o ar desaparecia de seus pulmões.
No breve espaço de tempo gasto entre o estúdio e seu quarto os sentimentos de Marina viraram de novo. O corpo pegava fogo, precisava apagá-lo, aliás, precisava que Clara o apagasse e quando se virou para a porta na intenção se sair atrás dela, a mesma entrou, com pressa. Parando de súbito a sua frente. Encarrava-a com um semblante confuso, em silêncio perguntava-a o que estava acontecendo, seus olhos transmitiam desespero, o coração estava aos pulos. Marina então avançou impetuosamente nela, atraída pelo amor desmedido que sentia, segurando-lhe o rosto e beijando-a sofregamente e deixando-a, por fim, aliviada.
Quando se desvencilharam, Marina perguntou-lhe safadamente:
_E ai, o que você achou?
Ao que Clara lhe respondeu a altura:
_Delicioso.
Seu semblante dizia que ela lembrava para responder com o máximo de exatidão que podia.
Isso fazia as entranhas de Marina revirarem-se. Tinha vontade de bater nela, socá-la, matá-la. Mas o que conseguiu fazer passou muito longe disso. Precisava aliviar o tesão reprimido, ele a estava deixando louca. Não poderia pensar direito sem livrar-se dele, pelo menos em parte, então, ela praticamente implorou:
_Faz comigo o que você fez com ela. Me usa, me come com aquela fome.
Mesmo que ainda estivesse preocupada com a reação conflituosa da fotografa e tivesse percebido em sua expressão que ela encontrava-se em crise interna desencadeada pela cena presenciada, Clara deixaria-se levar pela luxúria daquele pedido, principalmente porque o tesão que sentia também a estava destruindo. Queria, aliás, precisava amar Marina e também ser amada por ela, a fotografa era seu único remédio. Tinha certeza que se resolveriam assim. Resolveriam o que quer que tivessem a resolver. Se amando, transando, gozando. Não havia outro jeito.
Fale com o autor