Notas iniciais
"...Now and then when I see her face She takes me away to that special place And if I stare too long I'll probably break down and cry..." G.R

Marina correu para abraça lá. Dizendo-lhe em meio ao abraço:

_Você veio.

_Eu disse que eu vinha.

As duas não eram capazes de conter o sorriso fácil.

_Eu sei, mas eu fiquei com medo de você, sei lá. Desistir.

_Que isso, eu disse que vinha. Bom, tô aqui.

Já haviam se soltado do abraço e nesse momento Marina segurava Clara pela mão.

_Vem, deixa eu te mostrar tudo aqui. Primeiro deixa eu te apresentar: Essa aqui é a Flavinha. Minha produtora e amiga. Não sei o que eu faria sem ela.

_A que isso, a Marina é exagerada.

Disse Flávia, estendendo a mão para Clara.

As duas se apresentaram e conversaram por um momento, junto ao maquiador que Marina também tinha apresentado.

A fotografa aproveitou para mostrar-lhe o estúdio, como uma mãe coruja gabando-se do filho. Tinha muito orgulho daquele espaço, que montou cuidadosamente pensando em cada detalhe.

A dona de casa demonstrava-se maravilhada com tudo que lhe era mostrado, a aura daquele espaço lhe fazia muito bem. Não sabia dizer se era pelo fascínio recém-descoberto que tinha pela fotografia, ou se por saber que cada canto daquele espaço tinha um pedacinho de Marina. Sabia apenas que sua vontade era não sair dali nunca mais.

Dentro do estúdio, havia um local em um dos cantos que estava fechado, pelo que lhe pareciam costinas pretas. Notou que Marina não tinha apresentado aquele canto específico e não contendo a curiosidade perguntou do que se tratava.

_Ali é aonde a gente vai trabalhar hoje, é ali que vou te fotografar. Vem.

Atravessou uma das cortinas sendo seguida pela outra.

Estavam sozinhas agora e a fotografa explicou porque pensara naquele espaço reservado e nos detalhes ali dentro.

Clara comoveu-se com a preocupação de Marina. Sentido-se se não protegida, digamos que, cuidada. Aproximou-se da fotografa com delicadeza e levou seus lábios aos dela carinhosamente em um beijo rápido.

Ao se afastarem, Marina falou:

_Bom, então vamos começar?

Clara sentiu o pânico invadindo-a novamente como acontecera naquela manhã.

_É hoje que eu morro de vergonha.

Disse, tímida, fitando os próprios pés.

Marina com uma das mãos, levantou o rosto dela, dizendo-lhe:

_Ei, para com isso. Eu nunca faria nada que te fizesse mal, que te deixasse constrangida. Confia em mim.

Clara assentiu, sentindo-se mais calma com as palavras dela. Devolve-lhe um semblante meigo, quase infantil.

_Vem, o João vai preparar você.

Falou a fotógrafa já saindo do reservado e segurando a cortina para a outra passar.

Clara estava ainda mais bonita depois da produção, “se que isso era realmente possível” pensava Marina. Entrou no reservado já pronta, vestindo um robe de seda perolado no qual a altura ia apenas até pouco acima do joelho. A própria Marina havia escolhido-o.

A fotografa que já aguardava lá dentro, não conseguiu disfarçar o quanto estava deslumbrada pela mulher à sua frente. Ao vê-la ficou de boca aberta, paralisada, abobada. Sua vontade era tomá-la para si naquele momento esquecendo todo o trabalho. Teve que se esforçar muito para se segurar e tomar as rédeas da situação.

A dona de casa notou o embabacamento da outra, o que a fez vibrar por dentro, sentia-se valorizada.

Sem avisos Marina começou a fotografá-la.

Pensou em dizer “que isso Marina, mas assim? Sem avisos" só que, dessa vez, quem ficou paralisada foi Clara. Notou que era a primeira que via a fotografa trabalhando. Já conhecia o resultado de seu trabalho, mas vê-la ali com aqueles óculos que lhe davam um ar de seriedade e aquela câmera nas mãos fez com que ela a admirasse ainda mais. Além disso, aquilo a seduzia profundamente. Fazia com que quase perdesse a força que sustentava suas pernas.

Marina entendera e o ar ali passou a ficar pesado. Ela descobriu como conseguiria levar aquele ensaio sem que Clara se sentisse envergonhada. Sabia como a faria se soltar.

Passou a direcionar a ela aquele olhar predador, que lhe despia a alma. Assim a temperatura ali dentro começara a esquentar.

Mesmo sem ter tirado o robe ainda, Clara já se sentia nua pelo modo com que a fotografa olhava pra ela. Nesse momento seus corpos se chamavam, se pediam. Apenas com um olhar Marina era capaz de fazer o órgão entre as penas da dona de casa reagir fortemente. Então, ela resolveu entrar no jogo. Sabia que a fotografa a estava provocando, tentando-a. Decidiu esquecer que aquilo era um ensaio fotográfico, o que ela faria ali, seria se mostrar para mulher a sua frente, a mulher que despertava seus instintos mais primitivos. Começou a abrir o robe lentamente e enquanto fazia, a outra não sabia se fotografa ou se assistia a cena, Clara conseguira o que queria: Deixou-a perturbada.

O robe estava no chão agora, tinha escorrido lentamente do corpo dela e a essa altura ela estava totalmente despida. Nua e entregue às lentes da câmera da fotógrafa que com muito esforço tinha decidido que faria seu trabalho, fotografaria. Teria todo o tempo do mundo para desfrutar daquele corpo depois.

_ Isso, meu amor. Se solta.

Dizia Marina, enquanto tratava de colocar uma música adicionando leveza ao ambiente.

E Clara o fez.

O que se passou a seguir foi quase um ballet, ensaiado e coreografado. As duas se provocavam com o olhar e quando uma ia se aproximando a outra se afastava e vice-versa. “Brincavam de gato e rato”. A câmera de Marina registrava tudo, cada movimento, cada olhar. Por vezes Clara suspirava, em outras soltava gargalhadas observando o semblante atônito que cada pose que fazia causava na outra. Mesmo assim ela seguia registrando tudo.

Marina arrependera-se veementemente por ter tido a ideia do cano vertical. Clara havia adorado exibir-se, sexy, para ela de todas as formas, de frente, de costas, segurando-se nele virando-se para trás com os cabelos esvoaçantes e encarrando-a provocante, rodando... o que, consequentemente, acabou fazendo dele o objeto de tortura dela.

A temperatura no ambiente já devia passar dos 1.000 graus tamanha a provocação mútua. As fotos que Marina estava fazendo tornaram-se quase pornográficas. Não pelas poses da modelo, que não eram vulgares, ou o fato dela estar nua, mas por seus olhos, boca, pela energia sexual que emanava dela. A vulgaridade se encontrava nesses detalhes. Mais tarde quando Marina fosse selecionar quais as fotos sob as quais trabalharia na arte final,enfim, as que daria a Clara. Ela chegaria a conclusão de que aquele foi seu melhor trabalho até o momento. Por causa da entrega, a entrega era real. Cada reação esboçada pela modelo era real e isso era extremamente visível pra qualquer um que vise, quase saltava das fotos.

Por vezes durante o ensaio, a boca de Marina abria-se em choque e terminava ficando seca. Ao parar pra admirar a perfeição do o corpo e pele da mulher à sua frente. Desejava com todas as forças violá-lo de todos os jeitos possíveis

Enquanto isso, Clara não sabia por quanto tempo conseguiria continuar com aquilo, mesmo que se sentisse em transe em uma viagem louca como se tivesse feito uso de alguma substância alucinógena, o semblante de seriedade de Marina ao executar o trabalho misturado ao olhar de desejo que ela lhe direcionava fazia seu sexo pulsar alucinado entre as pernas. No entanto, seguia mostrando-se, exibindo-se, aguçando-lhe os sentidos. Sabia estar torturando-a tanto quanto se sentia torturada e gostava disso, gostava do desejo que via refletido nos olhos da outra.

Estavam terminando, tinham que terminar. Nenhuma das duas aguentaria por muito mais tempo. Nas últimas fotos que a fotografa tirou de Clara a mesma estava deitada sobre o baú, seus cabelos estavam jogados pela extensão dele e também saiam um pouco para fora, seus joelhos estavam dobrados, ela mantinha as pernas extremante juntas, fazendo força pra isso como se precisasse conter, de alguma forma, o fogo que saía do meio delas. O olhar que ela direcionava ao rosto por trás da câmera, mordendo os próprios lábios, já não era de desejo, era um olhar de puro tesão que exalava de seu corpo bronzeado, Clara estava chamando-a, era hora de acabar com aquilo. Tirou a última foto, captando o momento, aquele olhar.

Agora era hora de jogarem outro jogo, porém, antes Marina dispensaria a assistente (produtora) que as esperava do lado de fora. Foi o que fez, agradecendo-lhe a ajuda e dizendo que não precisaria mais dos serviços dela naquele dia, pediu-a que trancasse a porta antes de sair.

Quando voltou, Clara a esperava sentada no baú, com as pernas soltas do lado de fora e apoiava-se nos braços atrás de si.

A dona de casa direcionou a ela um sorriso safado e chamou silenciosamente com o indicador. A fotografa, então, depositou a câmera em uma mesinha que estava em no canto, e tinha servido para depositar o material que a mesma tinha usado durante o ensaio (outras câmeras, lentes, e afins) e tratou de atender prontamente ao chamado da mulher que lhe tirava a razão.

Notas finais
Desculpem a demora. Vai aí um pequeno capítulo pra vocês e preparem-se para os de amanhã pq Clara e Marina vão lhes mostrar o quanto pode ser bom. :)