Notas iniciais
Capítulo de bônus porque eu eu gostei de ver vocês interagindo rsrsrs... "Essa noite eu quero te ter Toda se ardendo só pra mim Essa noite eu quero te ter Te envolver, te seduzir..."

Duas semanas tinham se passado desde que Cadu sairá de casa. A vida ia aos poucos se acertando. O divórcio não demoraria a sair e Clara até voltara a trabalhar antes do imaginado, embora durante um período menor para assim poder passar mais tempo com o Ivan durante a fase de adaptação. Aliava-a, sobremaneira, não ter precisado passar muito tempo longe de Marina. Era inegável a si mesma o fato de que não sabia mais como levar a vida sem a presença dela.

Sentia-se gratificada ao notar, com o passar dos dias, que a rotina do filho realmente havia mudado muito pouco, mesmo que os pais não dividissem mais a mesma casa. Cadu, inclusive, aparecia quase todas as noites para dar um “oi” antes do menino dormir. Ele estava se esforçando tanto quanto ela para manter o bem-estar do filho intacto. O esforço dois pais não passava despercebido ao menino, fazia-o sentir-se confortado, e, na medida do possível, contente.

***

Enquanto Clara acertava a própria vida, a de Marina começou a mudar, deixando-a em um primeiro momento de cabeça para baixo. Nunca fora o tipo de pessoa que economiza dinheiro ou que se preocupa com as contas do dia, semana ou mês seguinte. Por isso, quase … quando seus cartões foram rejeitados em uma loja. Ao procurar o gerente de seu banco foi informada que suas contas estavam todas vazias e que por causa disso seus cartões de débito não foram aceitos, mas que ela poderia recorrer aos de crédito, sem problemas. Desse momento em diante a fotografa soube que o pai falara sério sobre cortar suas finanças a fim de que ela aprendesse a tomar conta de si mesma. No entanto, até então ela não tinha tido mais notícias nenhuma, nem sobre o progenitor ou do advogado que o mesmo afirmara que iria procurá-la. Até que, por fim o último apareça, como se vindo para salvar-lhe a pátria.

_O senhor tem um ótimo “timing” sabia?

Tentou brincar disfarçando o nervosismo.

Fizeram do estúdio da fotografa um escritório improvisado e trataram dos negócios pertinentes. Vanessa que era sócia e administradora esteve presente a pedido, inclusive, de Marina. Não podia se dar ao luxo de recusar ajuda e embora a ruiva estivesse especialmente desagradável nos últimos tempos, ainda considerava-a a melhor amiga. Clara também permaneceu por ali, embora em nada tenha opinado, provavelmente entendia daquilo menos que a própria Marina, mas fez-se presente a ela assim mesmo.

Nos dias subsequentes a fotografa demonstrava esforço para tentar assimilar as mudanças em seu estilo de vida. De acordo com os cálculos apresentados pelo advogado, sua vida financeira não sofreria um baque muito forme, aliás, dependendo da maneira com que ela se comportasse nos negócios, poderia até mais dinheiro do que a habitual mesada do pai. No entanto, teria que se dedicar menos a seu instinto criativo. Seu tempo e comprometimento com a fotografia estaria comprometido o que ela sabia refletiria diretamente em seus resultados.

Em um final de tarde que em as outras funcionárias do estúdio já haviam se retirado e estavam só as duas, Clara se aproximou dela. Percebendo seu semblante cansado, envolta a um monte de papéis.

_Ei, tá tudo bem?

Perguntou ela à outra, carinhosa.

_Ai, Clarinha, eu leio, leio esses papéis, mas, não entendo nada. Eu não faço ideia de como começar a mexer com isso daqui.

_Você não sabe ou está apenas se negando a aceitar o inevitável?

_Ahm? Como assim?

Perguntou com um pouco mais de impaciência do que pretendeu.

_Não sei. Pode ser impressão minha, mas, parece que você entende mais do que julga entender. Só ainda não aceitou o fato de que vai ter que fazer isso. Que vai ter que abrir mão de coisas as quais está habituada.

_Nossa. Você tá me descrevendo como uma adolescente rebelde.

_E será que não é isso? Será que você não está dando voltar e voltas tentando evitar o amadurecimento?

_Você tá dizendo que eu sou imatura?

A fotografa começava a se indignar.

_O que é que você acha?

Marina não teve coragem de lhe rebater, até porque sabia que era bem provável que a assistente tivesse razão. Mesmo assim, fechou a cara em um bico que à outra acabou soando profundamente fofo.

_Ei. Olha pra mim — A assistente virou o rosto dela pra si – Será que eu não posso de ajudar de forma mais efetiva? Sei lá, vai que eu consigo te servir de inspiração.

Disse sorrindo.

_Uhm – respondeu tentando fazer-se de difícil — Talvez, mas tá difícil. Confesso que meu negócio nunca foi ganhar dinheiro e sim gastar.

Riu. Deixando para trás o bico e nervosismo anterior.

_Pois é, mas agora vai ter que crescer, que aprender – pegou a mão dela – e você pode contar comigo pra tudo, tá? Vamos sentar, ler tudo isso dai e tenho certeza de que no final vamos conseguir pensar em alguma coisa, juntas.

Marina encantou-se com a sugestão, ainda mais tendo em vista que Clara tinha suas próprias questões a resolver, e, mesmo assim, estava ali disposta a acalmá-la, ajudá-la.

_Ai, coisinha linda – apertou as bochechas da amada – Sabia que você é a coisa mais preciosa da minha vida?

Clara corara, embora a cada dia elas estivessem mais intimas, ainda conseguia se envergonhar com a maneira que a fotografa a tratava as vezes.

Elas sorriam. E juntas passaram a estudar a papelada jogada sobre a mesa.

***

_Nossa Marina. Eu tô louca aqui. Hoje o Ivan não teve escola e agora tá armando essa tempestade

_É parece que vai ser feia mesmo. Se você não quiser vir trabalhar, tudo bem, tá? Mas, também se quiser trazer o Ivan junto...

_Ai Marina, mas no trabalho? Não acho que convém misturar as coisas.

_Bom, se você acha.

Respondeu uma Marina desanimada.

_Não. Espera. Eu não quis dizer que não convém misturar você e o Ivan – tentou concertar rapidamente a mancada que dissera – eu falei em relação ao trabalho, aí é nosso trabalho, né? Acho que não convém levar uma criança. Tenho medo de que possa te atrapalhar.

_Atrapalhar em que, Clara? Você fala parece que o Ivan equivale a uma turma de trinta crianças.

As duas riram.

_Ah, mas ele é levadíssimo esse menino.

_Bom, pelo pouco que eu pude ver nem é tanto assim você que exagera. E aqui tem coisas legais que ele pode fazer. Com a chuva que tá armando, piscina sem chances, mas a gente pode arrumar outras coisas pra ele se distrair. E também hoje o dia tá calmo, então...

Clara parou para pensar um pouco e resolveu que o faria, talvez fosse um bom momento de começar a unir as duas pessoas mais importantes de sua vida. Pensar nesses termos fez com que ela fosse atingida por um frio na espinha, era medo, medo de que a relação entre eles fosse boa. Isso partiria seu coração. Mas, logo deu-se conta de que não tinha motivos para temer, tratava-se apenas daquela insegurança característica que antecede à felicidade.

_Tudo bem, nós vamos.

_Oba – Marina comemorou em sinceridade – Ah, não deixa de trazer o cachorro!

_Sim, senhora.

A assistente desligou o telefone rindo. Tinha certeza de que fariam tudo naquele dia, menos trabalhar.

***

Quando Clara, Ivan e o Bolinha entraram pela porta do estúdio a tempestade já se anunciara, tormentosa, lá fora.

Um Bolinha assustado vinha aninhado aos braços do garoto de 8 anos o despertava desmedida ternura na fotografa. A mesma precipitou-se ao encontro deles:

_Oh, meu Deus! Como esses dois são fofos.

Falou ao mesmo tempo em que um Ivan sorridente entregava-lhe o cachorro nos braços. Ela pegou-o fazendo logo um afago na barriguinha sensível, ao que o animal retribuiu lambendo-lhe desesperado a mão.

_Como esse rapaz cresceu. O que vocês tem dado pra ele comer, hein Ivan?

Direcionou-se ao menino, agora mexendo nos cabelos dele.

_Ração ué. Mas, é que ele come muito.

Respondeu ele de forma engraçada, fazendo com que a fotografa risse.

Clara observava a cena encantada.

_Tá certo. E ele tem que comer muito mesmo, pra ficar forte e bonito, você não acha?

_Eu acho.

_E você tá cuidando bem dele ou tá deixando o trabalho toda pra sua mãe, hein?

Agora o garoto corara.

_Responde Ivan.

Disse a mão de forma indagadora.

_Ué, nós dois cuidamos dele, né mãe?

_Uhm. Assim, eu é que tenho que ficar lembrando ele de colocar água, de levar o bichinho pra passear, essas coisas. Se for depender desse dai, o cachorro só come.

Agora os três gargalhavam.

_Mas, nada mais justo que os dois cuidem dele, afinal, um cachorro precisa de muita atenção, então, quanto mais gente melhor. Você não acha, Ivan?

_Eu acho.

Respondeu no ato, espertamente, o menino.

Prosseguiram conversando sobre o pequeno animal durante um tempo até que a conversa se estendeu a outros assuntos. Marina se dava surpreendentemente bem com o garoto, principalmente, para alguém que nunca tivera maiores contatos com crianças. A certa altura, Clara, inclusive, deixou-os a sós, pois precisava colocar alguns assuntos do trabalho em dia. Distraiu-se e quando se deu conta, o filho e Marina nem estavam mais a sua vista, tinham subido as escadas que haviam no recinto e se encontravam em um segundo pavimento, amontoados sobre a mesa que havia lá.

_Ei, o que vocês dois estão aprontando ai? Filho, a Marina precisa trabalhar.

_Calma, Clara. Eu que trouxe ele pra cá. Esse mocinho me disse que adora desenhar, colorir.

_Ih, isso é verdade. Se não fico de olho, ele nem faz os deveres de casa.

_Então, viemos aqui pegar uns lápis e imprimir uns desenhos pra ele -Ivan olhava para mãe em confirmação – e eu tava contando pra ele que quando era pequena, passava horas, se deixasse até o dia todo fazendo isso. Gostava de ficar imaginando que eu era uma pintora famosa.

Mãe e filho riram compulsivamente da maneira com que a fotografa expôs duas ambições.

_Tudo bem. Mas, filho, primeiro o senhor tem que fazer o dever de casa ou pensa que eu esqueci?

_Ah, mãe. Não, só hoje.

_Só hoje nada. Você já não teve escola. Seus cadernos tão todos dentro da sua mochila, pode começar. Enquanto isso a mamãe e a Marina temos que trabalhar, mas se você precisar de alguma ajuda é só me chamar.

_E quando eu vou poder colorir com esse tanto de lápis irado que a Marina me deu?

Apontava uma quantidade absurdamente grande de lápis de todas as cores que se encontravam espalhados pela mesa.

_Quando acabar os deveres.

_Aff. Tá bom.

Falou a contragosto.

_Ei, fica frio. Tenho certeza que você vai tirar de letra esses deveres ai. E quando acabar pode me chamar que a gente imprimi aquele desenhos. Combinado?

Falou Marina segurando o punho no ar, esperando que ele tocasse.

_Combinado.

Bolinha se encontrava deitado despreocupadamente sob os pés de seu pequeno melhor amigo.

A tarde se passara relativamente rápida, Marina não tinha nenhum ensaio marcado para aquele dia, e mesmo que tivesse era provável que iria ter tido que desmarcar por causa do tempo. Assim, o que de mais importante teve a fazer fora dar alguns telefonemas, aceitando alguns trabalhos e recusando outros. Era fundamental no momento que reunisse o maior número de trabalhos publicitários e rentáveis possíveis, precisava de dinheiro em caixa o quanto antes, essa era uma das conclusões que ela e Clara haviam chegado no outro dia. A primeira coisa que ela precisava era fazer o estúdio render o quanto tinha potencial para render, só então, ela poderia começar a pensar, novamente, em seu potencial artístico.

Fora isso, a fotografa pouco trabalhou, passou o dia às voltas com Ivan, ora conversando sobre desenhos, super-heróis e animais. A tempestade não passara, muito pelo contrário, era torrencial e por isso, mais tarde a fotografa anunciou que não deixaria que mãe e filho saíssem dali naquelas circunstâncias.

_Não tem a menor condição de vocês dois atravessarem o Rio de Janeiro inteiro em baixo dessa chuva. Tá decidido. Vocês jantam comigo e dormem aqui.

Clara olhava para o filho tentando decifrar antecipadamente como ele se sentiria com aquilo. O menino não demonstrou qualquer estranhamento, fazendo com que a mãe relaxasse um pouco.

_O que você acha, Ivan?

Perguntou Marina a ele.

_Uhm. Tudo bem, mas, vai ter aquele bolo de chocolate de sobremesas que você falou?

Perguntou sapeca.

_Que isso, moleque? Essa foi a educação que eu te dei? Que história de bolo é essa?

_É que a Marina me contou que a empregada dela faz o melhor bolo de chocolate do mundo, mas ai eu disse que duvidava que fosse melhor que o da Rosa e ela me disse que então, ia me convidar pra comer qualquer dia pra eu tirar a prova.

_Mas, vocês dois, hein? Eu não posso me distrair um minuto que ficam ai cheio de segredos. Só que filho, isso não precisa ser hoje, a gente já tá dando muito trabalho, deixa esse bolo pra outro dia.

_Opa, mas, por quê? Eu também tô doida querendo esse bolo, Clara. Vai ter bolo sim Ivan, e ainda vou falar pra ela caprichar porque vai ter um jurado muito exigente.

Marina piscara a ele.

_Ih, já vi que sou voto vencida aqui. Vou deixar vocês fazerem o que quiserem que é melhor.

Ivan e Marina concordaram cúmplices e todos caíram na risada.

_Mas, o senhor Ivan, primeiro vai ligar pro seu pai, se não ele fica preocupado.

O garoto assentiu.

***

_Colocou ele pra dormir?

_Coloquei. O bichinho tava exausto, tadinho.

Respondeu à outra se sentando sobre a superfície do colchão da cama dela.

_Também, o tanto que correu nessa casa.

Marina divertia-se ao lembrar.

_É e a senhora ajudando, né? Arrumei duas crianças isso sim.

_Ah, para. Fala que você não gostou? Não achou divertido?

_Achei. Achei lindo ver vocês dois juntos.

Respondeu apaixonada. Clara se sentia frouxa de felicidade após aquele dia.

Marina aproximou-se dela na cama, entrelaçando as pernas em seu quadril e os braços em seu pescoço. Os lábios se procurando e encontrando-se rapidamente.

_Eu não posso dormir aqui. Preciso voltar pra dormir com ele. Afinal de contas, ele não tá acostumado com a sua casa.

_Tudo bem. Você vai voltar. Mas, pode ficar aqui um pouquinho com a sua mulher?

Ouvir Marina definir-se dessa forma fazia com que Clara sentisse coisas que não saberia descrever, sabia serem, apenas, muito boas.

_Minha mulher?

Perguntou com os olhos fixos nela e mordendo os lábios.

_É, sua mulher.

Respondeu a fotografa provocativa.

_Vem aqui então.

Clara puxou-a mais para perto de si e fazendo com que seus lábios colassem novamente, dessa vez em um beijo muito mais molhado que o outro.

A temperatura entre as duas começava, como de costume, a chegar a índices alarmantes.

_Marina, eu preciso ir.

Clara dizia à outra, mas ela mesma não conseguia se desvencilhar. Seu corpo inteiro já tinha sido tomado por arrepios que deixavam seus pelos eriçados.

_Marina, me deixa...

_Deixo. Daqui a pouco. Primeiro deixa eu fazer uma coisa? Vai ser rápido.

Clara tinha certeza que essa “coisa” não se tratava de nada bom. Ou, o contrário, tratava-se de algo bom demais. Confundia-se.

_O que?

_Dar boa noite.

Apontou o meio das pernas dela com os olhos.

_Não tem jeito com você mesmo, né?

_Não. E a culpa é sua. Me deixou viciada, intoxicada. Mas então, você não estava com pressa? Por que estamos discutindo isso?

_Você é uma putinha insaciável, isso sim.

Disse com a voz rouca que lhe era peculiar desferindo à Marina um olhar indecente.

No entanto, concordou com o que Marina tinha em mente, até porque, pra que se fazer de difícil se tudo o que mais queria era receber o que ela tencionava lhe dar?

Usava uma camisa de malha e tirou, com pressa, a calcinha em baixo dela. Deitou-se na cama, com as pernas abertas, exposta, então dirigiu-se à fotografa:

_Vem ou não vem?

Marina foi, de forma tranquila. A boca salivava, como era comum toda vez que raciocinava sobre aquele lugar para onde se encaminhava. Quando se deitou entre as pernas da amada, ela dedicou-se a admirar aquele órgão com atenção. Os lábios grossos, a maneira com que o liquido ali presente em abundância refletia nos poucos pelos e como ele lhe escorria divinamente ostensivo. Perdia-se ao pensar na ideia do quanto simplesmente podia venerar o local, completa e totalmente. O botão rígido no meio dele era seu objeto de maior encantamento e mesmo que seus olhos e bocas agora estivessem um pouco distantes dele, ela sentia-o pulsando, com força, cheio de vida.

A maneira com que Marina observava com tando desejo a parte tão intima de sua anatomia fazia Clara tremer, contorcia-se sem nem ao menos ser tocada, para ela era como se a fotografa estimulasse-a por telepatia.

Então, após um tempo de veneração suprema, Marina resolveu satisfazer-se, porém, antes que encostasse a boca quente de vez no ponto pulsante que a gritava, em chamas. Ela parou a centímetros dele e olhou para cima, em direção à outra encarrando-a de forma profunda ao mesmo tempo em que seus lábios se aproximaram de vez e depositaram um beijo suave na região sensível.

Os olhos hipnotizantes de Marina olhando-a daquela posição e o toque suave de seus lábios no ponto chave de seu prazer, quase foram o suficiente para que Clara gozasse na hora. Pensou, inclusive, que explodiria, iria pelos ares a qualquer momento em decorrência do efeito provocado por tal visão.

Marina, por sua vez, concentrou-se apenas no ponto duro que agora estava em meio a seus lábios. Sugava-o com calma, porém, empenho. Por vezes, prendia-o e deixava que a língua passeasse por ele, por outras, voltava a sugá-lo, com gosto. Clara segurava sua cabeça, embora não o fizesse com intenção de movimentá-la ou guiá-la, fazia-o apenas como reflexo, apenas com o intuito de ter algo a que se segurar. Gozou em um dos momentos em que a fotografa lhe sugava com precisão, deixando que a mesma sentisse dentro da própria boca os espasmo causados pelo prazer atingido. Marina, então, aproveitou para secar-lhe, buscando, com a boca, beber cada gota do líquido que havia naquela extensão. A assistente deliciava-se com o gesto, mais ainda com o prazer que a fotografa demonstrava ao fazê-lo.

Quando Marina se deitou sobre ela, unindo seus rostos, Clara com certeza podia sentir o cheiro do próprio sexo em sua pele. Acabou buscando, também, o próprio gosto na boca da outra. Vasculhando-a por inteiro.

_Você não tinha que ir a algum lugar?

Marina perguntou, faceira.

_Eu tinha, mas desde que eu te conheci nunca mais consegui deixar de me atrasar...

Falou por metáfora com a voz baixa.

Marina gargalhou.

_E depois a puta sou eu.

Clara aproveitou para se levantar, fingindo-se de ofendida. Recolheu a calcinha jogada pelo quarto, vestindo-a.

Se aproximou da cama novamente, mandando um beijo sexy e provocativo de longe para outra.

_Boa noite.

_Boa noite.

Deixou uma Marina suspirante atrás de si. Chegou ao quarto em que o filho dormia ainda com as pernas trêmulas e pensando no que Marina faria naquele momento.

***

No dia seguinte Clara aproveitou que Ivan almoçaria com Cadu e foi almoçar com a irmã mais velha.

_Nossa, finalmente a senhorita deu as caras. Tá sumida.

Helena a olhava indagadora.

_Eu sumida Leninha? Que isso. Tô só trabalhando demais, e essa coisa de ter que dividir os horários do Ivan, acabei me enrolando um pouco.

_Sei...

_Ih, se continuar me olhando assim eu vou embora, hein?

_Ai desculpa, Clara. Não sei, mas é que você tá me parecendo diferente. Mais bonita, vívida, sorridente. Até a pele tá diferente.

Clara sabia aonde Helena tentava chegar, com certeza desconfiava que ela estivesse envolvida com alguém. No entanto, nem que irmã se esforçasse muito conseguiria chegar nem perto do real motivo de Clara estar daquele jeito. De repente, viu os pensamentos vagando até a noite anterior.

Toda vez que se lembrava de Marina encarando-a do meio de suas pernas ela sentia ondas de calores consecutivas arrebatando-lhe o corpo. Podia garantir até que sentia seu corpo exalando ferormônios.

Riu internamente.

_Ai Leninha. E porque eu não deveria estar assim? Só porque eu me separei eu deveria estar péssima pelos cantos?

Tentou desviar o assunto.

_Não Clara, que isso? Tá achando que eu tô falando isso por mal? Muito pelo contrário. Fico muito feliz por te ver assim.

Fitou-a ainda de forma indagadora, porém, divertida. Por ser a irmã mais velha, Helena julgava conhecer a mais nova como se fosse sua filha. Ela estava escondendo alguma coisa, disso não tinha dúvidas e era engraçado vê-la se escondendo como se tivesse feito alguma traquinagem. Porém, o importante era vê-la bem e feliz e ambas as coisas estavam gritantes em sua expressão.

***

No mesmo dia, enquanto Clara almoçava com a irmã, Marina almoçava com o advogado do pai. Do restaurante iriam até o empreendimento que ela teria que administrar diretamente. Estava especialmente nervosa em relação a ele, pois além de ter que administrar, algo que nunca fizera, também teria sócios, o que provavelmente a lembraria constantemente que não era uma mulher de negócios.

Quando finalmente chegou, foi invadida por uma carga de profunda estupidez. Como ainda não tinha se dado conta de algo tão óbvio?

Por vezes tinha estado, nas mãos, com papéis que definiam o negócio e mesmo assim, nunca fizera a associação, pior, nem mesmo Clara havia feito-a e, de repente, estava ali fazendo conexões entre nomes, pessoas conhecidas. O fato, era que o negócio em que seu pai a metera como investida e sócia-administradora era, na verdade, o empreendimento do primo de Clara, o mesmo que deu a oportunidade para que Cadu realizasse o sonho do restaurante. Laerte, o nome dele. Laerte, é claro. O músico famoso que o pai a apresentara junto a esposa Verônica em Londres. Clara já havia falado-lhe algumas vezes dessas pessoas, mas, ela nunca fizera a conexão ou se dera conta de que se tratavam das mesmas pessoas. Então, seus sócios se tratavam de Laerte e Verônica, sendo que o primeiro era primo da mulher que amava, como o mundo era pequeno. Pior, o restaurando do ex marido de Clara estava dentro do negócio que agora ela sabia, ser dela. Não poderia estar mais perplexa. Era como se a vida tivesse inventado todos os jeitos possível e inimagináveis para que ela e Clara se encontrassem, de um jeito ou de outro. Como se não existisse nenhuma possibilidade de a vida deixar que elas escapassem uma da outra.

A experiência acabou sendo mais leve do que a fotografa poderia imaginar. Laerte e Verônica não eram dois empresários rígidos, ao contrário, travam-se também de dois artistas, como ela. A reunião deles deixara-a otimista, além disso, a ideia de um galpão voltado às artes e a cultura agradava- profundamente. E pela primeira vez em semanas convenceu-se que, de fato, sua vida poderia mudar para muito melhor. A única coisa que a incomodou foi a proximidade inevitável com Cadu. Ele era um homem muito agradável, educado e simpático, isso lhe trazia certo desconforto, tendo em vista, a ignorância dele em relação a seu envolvimento com Clara. No entanto, não tinha alternativa, teria que superá-lo.

***

Outras duas semanas tinham se passado, voando. Os papéis do divórcio de Clara e Cadu tinham ficado prontos em tempo recorde, o que se deu, principalmente, porque ambos não tiveram questionamento em relações aos bens ou à guarda do filho. Logo eles os assinariam.

Nessa tarde específica, Vanessa e Gisele haviam saído do estúdio para resolverem alguns problemas na rua. Tendo avisado que não voltariam mais, provavelmente esticariam a noite com algum programa. Clara resolvera ficar até mais tarde para adiantar o planejamento da agenda de Marina nas próximas semanas, fazia alguns dias que tinha tomado tal responsabilidade para si. E Flavinha ao ser dispensada pela chefe dos afazeres regulares, manifestou interesse em discutir com ela algumas ideias, mudanças na produção, de um modo geral. O que Marina aceitou prontamente, com demasiado interesse, inclusive.

Notas finais
E quem conseguiria esquecer? http://gshow.globo.com/novelas/em-familia/personagem/marina.html#cenas/3338698 Sugiro que preparem seus kits de sobrevivência para o próximo capítulo...