Notas iniciais
"...And all I can taste is this moment And all I can breathe is your life..." G.G.D

Quando Clara chegou em casa, já se passava das 23 horas. Assim que abriu a porta do apartamento o filho veio correndo abraçá-la, ato que ela retribuiu com todo carinho, estava com saudade do seu bichinho.

_Pô cara, isso são horas do senhor estar acordado?

Chamou-lhe a atenção, mas não estava brava.

_ Tava esperando a senhora chegar mãe.

Levou algum tempo pra notar a presença do marido na outra sala. Notou-a apenas quando ele falou.

_ Ê amor, e a senhora. Aonde é que se meteu?

_Oi pra você também ,Cadu.

Respondeu desviando-se um pouco da pergunta, mas seu semblante era divertido e ela continuou. Respondendo o que o marido havia perguntado.

_Então, eu fui ao shopping fazer umas compras — Mostrou a ele as sacolas – Ai, a Marina, sabe a Marina?

_Quem? A fotografa da exposição?

_ Ela mesma. Então, ela estava no shopping também e acabamos nos encontramos por acaso, fomos tomar um café e ficamos conversando o tempo passou e eu nem vi.

Enrolou-se um pouco na mentira, mas o outro não pareceu notar.

Ivan que assistia a conversa resolveu falar:

_ Mãe, o pai tem uma novidade.

Clara olhou do filho pro marido em dúvida.

Cadu que até então não tinha se movido. Levantou e foi até ela.

_Amor, você está olhando para o mais novo empresário do ramo alimentício do Rio de Janeiro.

Sorriu dizendo.

Clara olhou-o confusa.

_Como assim Cadu, me conta isso?

_Então, a Lú me levou lá no galpão cultural que o seu primo Laerte vai abrir. Ela tinha me dito que eles iam precisar de um local de alimentação, ai hoje fomos até lá e eu acabei acertando tudo com ele e a esposa. Vou ter meu restaurante amor!

Cadu contava a estória com aquele sorriso lindo no rosto que Clara tanto conhecia. A dona de casa alegrou-se por ele, vê-lo feliz assim, deixava-a também feliz, principalmente agora.

Abraçou o marido com sinceridade e deu-lhe um beijo, no rosto.

_Eu também quero abraço.

Manifestou o filho, já abraçando as pernas dos pais.

Os dois soltaram-se e abaixaram-se na altura do menino. Abraçando-o e enchendo-lhe de beijos no rosto o que deixou o garoto muito feliz.

Soltaram-se e Clara foi dizendo:

_Agora o senhor.

Disse indicando o filho.

_Vai se arrumar pra dormir. Já tomou banho?

O garoto indicou que sim.

_Então vai colocar o pijama, escovar os dentes que a mamãe já vai lá te dar boa noite.

O menino assentiu e retirou-se da sala, a caminho do quarto.

_Mas, então, Cadu, me conta. Como é o espaço? Tamanho? Vai ser como você queria?

_Bom, não vai ser uma coisa do tamanho que eu estava pensando. É uma coisinha menor, mas, c tem que ver o galpão. Parece que vai ser muito legal, cheio de cultura, gente bacana.

_E que papéis são aqueles que você tava mexendo ali?

_Ah, são as plantas que o Laerte me emprestou, tô pensando o que vou fazer. Onde vou colocar o que... Mas, não vou te mostrar ainda. Quero que você veja pessoalmente.

_Tudo bem, vou lá dentro trocar de roupa e colocar o Ivan pra dormir.

Fez um carinho sincero no rosto do marido. Estava verdadeiramente feliz por ele e esperava que dessa vez Cadu se acertasse na vida.

_Vai lá, mas ó, não vou dormir agora não. Minha cabeça tá aqui cheia de coisas, de ideias.

_ Eu vou. Porque estou morta de cansada.

Cadu assentiu e ela mandou-lhe um beijinho carinhoso.

Apenas trocou de roupa. Já havia tomado banho antes de sair do Chalé. Foi colocar o filho pra dormir, deitou na cama com ele, fazendo carinho em seus cabelos. Estava verdadeiramente com saudade de seu bichinho, além disso, a ideia de se deitar na própria cama e dormir com o marido incomodava-lhe. Podia parecer loucura, mas tinha a sensação de se o fizesse trairia Marina. “Tá tudo trocado” ria mentalmente do próprio sentimento. Mentira descaradamente ao marido, mas depois que a fotografa entrou em sua vida, não havia espaço para tristeza, culpa ou qualquer sentimento que lhe fizesse se sentir mal. A única coisa que conseguia sentir era alegria, felicidade, completude.

Adormeceu rapidamente na cama do filho. Estava realmente muito cansada.

***

Marina chegou à mansão já eram quase 00:00 pois havia deixado Clara em casa primeiro. Logo ao entrar pela porta foi interceptada por Vanessa, com quem dividia a casa.

_O bom filho à casa torna.

Falou irônica.

_Ah não Van. Não me venha com as suas gracinhas agora. Eu tô exausta.

_Exausta de que, posso saber?

Marina olhou-a desacreditada. Vanessa agia como se fosse sua esposa, e pior, uma esposa ciumenta., sendo que Marina odiava qualquer tipo de ciúme.

_Você deve estar de brincadeira comigo né, Vanessa? Desde quando eu te devo satisfações?

_Credo. Patada uma hora dessas? Eu tava preocupada com você, só isso. Sumiu o dia inteiro.

_Preocupada nada. Você tá é curiosa isso sim.

_Um pouco.

Confessou rindo.

_ Hahaha. Muito engraçado, pois vai ficar, porque eu não vou te falar nada.

Disse isso já subindo as escadas, deixando a ruiva atrás de si, mas voltou ao lembrar-se do ensaio que faria no dia seguinte.

_Van, não temos nada marcado pra amanhã a tarde, né?

_ Ensaio?

_É.

_Não, por quê?

_Porque eu marquei um e quero que você peça a Flavinha pra vir falar comigo amanhã de manhã quando ela chegar.

_ Uhm, tá. Posso saber que ensaio é esse?

_Não, não pode. É coisa minha e eu preciso da Flavinha pra me ajudar.

_Por que ela e não eu?

_Você é produtora fotográfica agora Vanessa?

A ruiva balançou a cabeça negativamente.

_Então...

Voltou a subir as escadas sem dar tempo que a outra contestasse mais alguma coisa. Estava com a cabeça cheia, pensando no ensaio do dia seguinte.

Conhecia Clara há pouco mais de 48 horas, mas já tinha conseguido observar certas coisas na personalidade dela, inclusive pelo que a própria já havia lhe dito.

Era uma mulher simples, dona de casa, mãe, esposa, tradicional, tímida, “comum” ela mesma tinha se descrito assim. E Marina concordava, porém, percebera que Clara não notava o quanto esse “comum” podia ser especial, fazia dela uma pessoa “real” em um mundo em que as pessoas fazem o que podem e não podem para não sê-lo.

Além disso, Clara se descrevera de forma banal, como se não fosse nada mais que dona de casa, esposa, mãe... Inclusive já tivera coragem de cometer o “sacrilégio de dizer que não se achava bonita” Marina ouvira isso como se fosse o maior dos absurdos, o que pra ela realmente era. No entanto, a fotografa já tinha tido a oportunidade de conhecer, também, uma outra Clara, aquela que havia estado com ela entre quatro paredes. Aquela era uma mulher firme, corajosa.

Constatou, então, que por trás da timidez e da leveza das pessoas que não se levam a sério existia uma “leoa” e Marina queria trazê-la à tona. Mudar maneira de Clara levar a vida dali em diante. Queria que ela se enxergasse como especial e que poderia ser ou fazer qualquer coisa que quisesse. Não precisava viver com a imagem subestimada que fizera de si mesma.

No entanto, sabia que esse ensaio seria algo difícil pra ela. Deitou na cama tentando pensar em maneiras de fazê-lo de forma mais intima, de modo que o tornasse mais fácil para outra, pois não era pra ser uma “tortura” era pra ser algo bom, que a fizesse se descobrir como mulher, como pessoa.

***

Clara madrugou. Levantou-se da cama do filho com cuidado, deixando-o dormir um pouco mais. Ainda estava cedo para a escola.

Foi até o próprio quatro, se trocou (o marido ainda dormia) e saiu para a praia. Foi correr. Tencionava cuidar do corpo, mas também precisava pensar e se acalmar. O nervosismo tomava conta dela por conta do ensaio que Marina tinha colocado na cabeça que queria fazer. “Ai meu Deus, como é que eu pude aceitar essa loucura”?. Sabia muito bem a resposta pra essa pergunta. Desde o momento em que conhecera a fotografa tivera a impressão de que jamais conseguiria lhe dizer não. Agora estava ali, em pânico por causa das fotos que ela queria fazer dela, nua. Tentava pensar em uma forma de “escapar”, inventar uma desculpa, mas sabia que não seria capaz e também, porque, no fundo, algo dentro dela queria fazer aquele ensaio. Talvez fosse a parte que gostava da ideia de se mostrar pra Marina. Ela não saberia precisar.

Correu pelos costumeiros 40 minutos e voltou à casa, estava na hora de acordar Ivan para o colégio.

***

Tomaram o café da manhã os três juntos, e antes de Clara e o filho saírem, Cadu avisou a ela que não estaria em casa quando ela voltasse. Sairia para olhar algumas coisas para o “bistrô”.

Ela assentiu aproveitando pra dizer-lhe que naquela tarde iria ao estúdio de Marina, a outra havia convidado-a para assistir um ensaio.

Mentira mais uma vez ao marido, pensou. Preparando-se para o momento em que a culpa a atingiria como um muro. Mas, nada aconteceu.

O outro concordou e ela despediu-se dele com um beijo no rosto. Mais uma vez apenas um beijo no rosto. Ato que Cadu não pareceu notar.

***

Marina foi acordada cedo por Flavinha.

_Não queria te incomodar, mas recebi seu recado.

_Tudo bem Flavinha, eu precisava mesmo falar com você.

Levantou-se e as duas sentaram na mesinha que havia ali no quarto para combinar tudo.

Marina pediu especificamente a outra que não comentasse mais que o essencial com Vanessa ou Gisele. Não queria expor Clara. (Não que ela tivesse lhe dito quem realmente era Clara e o que ela significava pra si).

Flavinha concordou e garantiu que assim seria. Levantou-se e se encaminhou ao estúdio para executar as tarefas que a chefe havia lhe passado.

A fotógrafa tinha pedido a ela que diminuísse o espaço no estúdio, criando assim um espaço reservado. Pensou que assim seria mais fácil para que Clara se soltasse. Pediu que lá dentro fosse colado apenas um baú que usavam no dia dia como uma espécie de “mesa” e uma barra de ferro vertical, como as usadas no “pole dance” fez isso também pensando que seria mais fácil para a dona de casa se tivesse lugares onde se apoiar, além disso, é claro, pediu a ela que dispusesse dentro do espaço as luzes e materiais necessários à produção das fotos. Não precisou se ater a esses detalhes porque Flavinha já conhecia até melhor que ela essa parte do trabalho.

Outra das determinações da fotografa, foi que estivesse no estúdio, quando Clara chegasse, além da própria Flavinha, apenas o maquiador/cabeleiro. Não queria que ninguém, além dos três soubessem quem seria fotografada naquele dia. Fez isso, mais uma vez, pensando em preservar a amada.

Depois que a outra saiu de seu quarto a fim de executar as ordens que recebera. Não demorou muito para que Vanessa entrasse pela porta indignada.

_O que é que você está aprontando Marina? O que é isso de dispensar todo mundo? Inclusive eu?

_Tenho uma cliente importante, que pediu discrição. Só isso.

_E você não pode dizer nem pra mim, que sou sua sócia – frisou essa parte-?

_Não, nem pra você e é melhor você se conformar porque eu não vou dizer mais nada. Aproveita a tarde de folga para ir ao cinema, fazer compras, enfim, qualquer coisa.

A ruiva preferiu nem responder, saiu porta a fora espumando de raiva.

***

Marina tinha pedido a Clara que chegasse às 13:00. E na hora marcada ela estava lá, pontualmente.

Quando Clara entrou pela porta do estúdio e as duas se olharam, quem estivesse assistindo a cena seria capaz de enxergar claramente várias coisas: Havia saudade ali, alegria, mas, principalmente, amor. O sentimento entre elas era quase palpável.

Notas finais
Agradecendo os elogios, fico muito feliz que estejam gostando. Se não for pedir demais, quem puder, ajude a divulgar a fic. Desde já, obrigada. Ps: Deixa eu contar uma coisa pra vocês. pra mim que escrevo essas cenas de sexo, faz tanto calor quanto faz pra vocês, ou até mais. Já que o cérebro funciona mais rápido que a minha capacidade de escrever. rsrs