Unchained Melody
22 Intenso
Notas iniciais
Roçavam os quadris um no outro enquanto Marina degustava um dos seios da assistente com sofreguidão e Clara apertava-lhe as costas tencionando, com o gesto, descarregar um pouco do que sentia.
_Você me enlouquece, sabia?
Falou ela.
_Sabia. E gosto de te ver enlouquecida – respondeu francamente a outra – É gostoso ver você mudar. Se tornar outra pessoa.
A assistente resolveu fazer-se de desentendida.
_Como assim outra pessoa?
_Você se torna mais segura, mais firme como se nesses momentos você se enxergasse como realmente é, a força que tem. Uhm, digamos que você se garanta, sabe que é gostosa e que faz tudo gostoso.
Respondeu Marina usando a última parte como provocação.
_Ai para. Você já teve tantas...
_E é por isso mesmo que tô dizendo isso. Já tive muitas, mas nenhuma me pegou ou me comeu como você.
Revelou a fotografa de forma mais provocativa ainda.
Clara sentiu o ego massageado ao ouvir tais palavras, sem contar o tesão descomunal que a atingiu ao ouvir a indecência nas últimas palavras proferidas pela outra.
Em um outro momento rolavam na cama, sem que desce tempo de nenhuma das duas manter-se em baixo ou em cima. A insanidade total havia tomando conta delas, mais uma entre tantas outras vezes. Até que Marina se permitiu ficar por baixo, pois, a posição atendia ao que tinha em mente.
Encarrando Clara de forma lasciva e recebendo de volta um olhar tentador, a fotografa resolveu voltar ao que a amada tinha lhe dito ainda no bar, a vontade manifestada de ter vivido mais, tinha entendido aquilo como uma espécie de confissão feita pela outra e a confrontaria para ter certeza.
_Você quer?
Fez a pergunta de forma obscena. Fazendo com que Clara se deliciasse ao ouvi-la mesmo sem ter entendido o que ela de fato lhe perguntara.
_O que?
_Comer outra mulher?
Clara não saberia definir exatamente o porquê, mas esse assunto desde mais cedo a estava excitando de forma surreal, fazendo com que sua mente fosse por caminhos até então impensados.
_Você deixaria?
_Comer sim, dar não.
_Tem diferença?
A conversa desenvolvia-se em tom sensual..
_Tem. Tem que seu corpo é meu. Todo meu e só meu. Mas, eu deixaria você experimentar outra mulher.
_Não tem medo de eu gostar?
_Eu sei que você vai gostar. Mas, eu me garanto – disse segura de si mesma – sou mais eu, por isso não me incomodo, desde que eu assista, é claro.
A autoconfiança de Marina era impressionante, e esse era um dos atributos que compunham a personalidade dela que Clara mais admirada. Tão forte, tão segura a ponto de soar arrogante.
_Rá rá eu sabia que você não sairia alheia a isso. Você é safada, isso sim.
_É claro que eu sou, sempre fui e com você sou mais ainda.
Clara pareceu pensar na ideia, enquanto isso Marina continuou:
_É que eu não acho que seja certa a maneira que as pessoas vivem na maioria das vezes. Presas, alheias ao próprio desejo. Sem viver as próprias vontades. A vida é uma só, as pessoas deveriam ter o direito de se conhecerem bem.
A assistente ainda a olhava, como se refletisse em relação ao que ela dissera. Então, por fim falou:
_Pois eu não te permito uma coisa dessas. Nem de um jeito, nem de outro. Tá me ouvindo, dona Marina?
Se desviando de responder a pergunta inicial feita pela amada.
Mostrara-se possessiva, pela primeira vez. O que em absoluto incomodou a fotografa. Marina nem ao menos tinha pensado na situação contrária. Julgava já ter conhecido tudo o que precisava conhecer e que a assistente era definitivamente sua parada final.
_Sim senhora, gostosa!
Respondeu encerrando o assunto e apertando com força as nádegas de Clara juntando ainda mais o corpo dela do seu.
_Me chupa, Marina!
Pediu a assistente de maneira quase tímida no ouvido dela. A verdade era que a conversa tinha tocado profundamente o imaginário da assistente, por isso, a mesma reconheceu-se ainda mais excitada do que antes.
_Você quer? Quer sentir minha boca aqui?
Levou uma das mãos ao meio das pernas dela e apertou o clitóris intumescido enquanto perguntava, provocando-lhe um gemido espontâneo.
_Quero, quero muito. Respondeu ela vulnerável à própria necessidade.
_Então, vira e senta aqui.
Ordenou apontando o lado para onde ela deveria se virar e a própria boca.
Clara levantou-se e de joelhos se virou, de costas para o encostro da cama e de frente para o corpo da fotografa. Não se conteve, sentou na boca dela o mais rápido que pôde. Precisava daquela boca, a imagem dela chupando-lhe os dedos quando ainda estavam no bar não lhe saia da cabeça. Aquele momento lhe despertara uma vontade irresistível de sentir aquela mesma boca devorando seu sexo, e a vontade só passaria quando Marina tivesse feito isso, com gosto.
A assistente esfregava o sexo no rosto da fotografa, queria-a lambuzada, até porque, sabia que ela gostaria e também queria agradá-la. Estava certa nisso, Marina deliciava-se de modo extremo com a atitude. Ajudava-a, mexendo a própria face a fim de lambuzar-se o quanto fosse possível enquanto a mulher em cima de si gemia, alucinada. Até que pararam e permitiram que a fotografa se concentrasse em chupá-la e lambê-la, alternando entre uma coisa e outra.
_Ai, que boca deliciosa.
Falou a assistente entre um gemido e uma tentativa de levar ar aos próprios pulmões.
_Isso, aí, continua aí. Assim.
A fotografa empreendia movimentos circulares com a língua filme e rígida sobre o clitóris ainda mais rígido de Clara. Podia jurar que sentia o coração da amada batendo ali, frenético. Ela continuou, como a outra pediu.
Clara por sua vez, sentia-se invadida pelo desespero que estava se tornando comum a ela. Naquele caso, a culpada era a língua de Marina. Perfeita, deliciosa. A assistente segurava os próprios seios, apertava-os buscando se proporcionar ainda mais prazer. Assim, que a fotografa intensificou o movimento da língua o que fez com que Clara gozasse mais rápido em sua boca. Da onde estava, além de ouvir os sons produzidos em reflexo ao ápice do prazer da assistente, pôde também sentir os espasmos violentos que tomaram o corpo dela enquanto o ponto duro em sua boca parecia que explodiria a qualquer instante. Clara caiu, então sobre ela, ainda na mesma posição em que se encontravam, o que a deixou com a cabeça próxima, muito próxima ao objeto de desejo de uma e de prazer da outra. Antes que Clara pudesse terminar de concluir o pensando sobre o quanto gostava daquele órgão que estava agora tão próximo, Marina se adiantou:
_Chupa. Sente como ela tá molhada.
E abriu um pouco as pernas de modo que a boca da outra pudesse lhe alcançar.
Enquanto Clara a chupava, Marina comia-a com os dedos. Era difícil para Clara se concentrar. O gosto de Marina era indescritível, a maciez naquela região, incomparável, seus gemidos mais ainda e os dedos que a penetravam, perfeitos. Ao que para Marina, sentir a textura interna de Clara enquanto sentia seus lábios e língua em sua vagina trazia-lhe um prazer sensacional.
***
Quando Marina acordou, Clara já havia despertado. Estava com o celular na mão.
_Oi dorminhoca!
_Uhm, você acordou há muito tempo?
Perguntou uma Marina sonolenta.
_Não, não muito. Estava ligando pro Ivan, antes dele ir pro colégio.
_E ele, como está? Tá tudo bem?
_Parece que sim. Acho que o Cadu seguiu o meu conselho.
_Que bom, Clara!
Falou a fotografa sincera.
_Também acho, e a cada dia aumenta minha esperança de que no final tudo vai se acertar.
_E vai, meu amor. Pode ter certeza.
Sorriu tentando passar confiança à outra.
_Marina, eu queria te pedir uma coisa.
_Pode pode pedir.
Falou ela, atenciosa.
_Você tem algum bom advogado pra me indicar?
_Advogado? Por quê?
_Divórcio.
Disse, seca.
_Ah, claro. Mas, você já quer tratar disso agora?
_Não adianta ficar adiando. Mas, então, você tem? Eu até tenho o Nando, marido da minha tia. Quer dizer, ex- marido da minha tia. Eles estão se separando e por causa disso eu não queria envolver ele nessa, entende?
_Entendo sim. E é claro que eu conheço um advogado pra te indicar, aliás, conheço vários. Todos de confiança. Quando a gente estiver lá no estúdio você me lembra. Que eu ligo pra algum deles pra você.
Respondeu pegando-lhe uma das mãos e apertando-a na intenção de demonstrar a amada que elas estariam juntas nisso e que ela lhe daria toda a força necessária.
_Obrigada.
_Vamos levantar? O dia hoje tá cheio de coisas.
_Que maravilha! É bom enfiar a cabeça no trabalho, esquecer dos problemas. Acho que nós duas estamos precisando muito disso, né?
Conversavam sentadas na cama.
_Estamos mesmo. Meu pai realmente sumiu e me deixou aqui com uma bomba relógio na mão e eu nem sei quando é que o tal advogado vai aparecer pra me dar alguma notícia.
_Então, enquanto ele não aparece, melhor você ir se adiantando e produzindo bastante.
Tentou animá-la, a assistente.
_Bom, digamos que essa é a parte fácil. Inspiração não tem me faltado.
Falou rindo apaixonada para a mulher a sua frente.
_Uhm, tá inspirada, é? E isso tem um por quê?
_Jura que você não sabe? Não faz a mínima ideia?
Clara não conseguiu continuar com aquilo, o sorriso já lhe dominava toda a expressão. Se aproximou da fotografa, entrelaçando os braços ao redor de seu pescoço e beijando-lhe os lábios com carinho.
_Te amo.
Disse ao sair do breve beijo.
_Pra sempre.
_Vem tomar banho comigo?
É claro que Marina iria, não haveria maneira melhor de começar o dia.
***
O dia decorreu sem grandes questões, envolvido em rotina normal do dia dia. Trabalharam, se divertiram um pouco conversando com as outras meninas, Gisele, Flavinha, até Vanessa deixou um pouco de lado o mal humor habitual por algum tempo. No entanto, houve uma única coisa fora do comum naquele dia, ao menos para Marina. A mesma não pôde deixar de notar uma maior aproximação da assistente em relação a produtora fotográfica. Nada comentou sobre isso, até porque não saberia dizer no que consistia aquilo. Talvez Clara tenha ficado curiosa em relação ao envolvimento que elas tiveram no passado ou talvez tencionasse com aquela aproximação se encaixar um pouco mais na vida da mulher que amava, fazer mais parte dela, sendo amiga de seus amigos, conhecendo suas histórias, enfim, interagindo. Clara sabia que conseguir isso de Vanessa seria quase impossível, mas, poderia tê-lo facilmente no que dizia respeito à Gisele e Flavinha que lhe eram totalmente receptivas. Ou talvez, aquela fosse uma forma velada de Clara dizer-lhe que gostaria de colocar em prática o que haviam conversado na noite anterior, já que no momento em si ela não expressara nenhuma resposta objetiva. “Clara teria sucumbido à ideia?”Questionou-se. Ainda não havia como saber, porém, Marina disse a si mesma que ficaria de olho. Se ela tinha uma certeza na vida era a de sempre estaria disposta a realizar todas as vontades da mulher que trazia alegria aos seus dias, sem exceção e de preferência sem que ela nem mesmo precisasse se manifestar, ao menos não diretamente. Ela via isso como uma espécie de missão sua no mundo e cumprir ia-a sempre de bom grado.
***
A noite durante o jantar Clara se estendeu bastante falando filho e contando a Marina histórias sobre ele. Histórias estas que a fotografa ouvia em estado de graça, era linda a maneira que a outra se referia ao garoto, por causa disso, dentro dela se tornava ainda mais vívida a vontade de fazer parte da vida dos dois, de mãe e filho. E mais, nunca havia pensado objetivamente em ser mãe, mas a alegria que o semblante da amada transmitia ao mencionar a criança era-lhe contagiante ao ponto de se ver, ainda que muito intimamente, cogitando a ideia. Talvez ser mãe realmente fosse como as pessoas dizem: A experiência mais fantástica da vida de uma mulher. O brilho no olhar de Clara passava-lhe a ideia de que poderia ser realmente verdade.
Após um demorado jantar, tomaram banho e se recolherem aos aposentos da fotografa. Elas ameaçaram assistir a um filme, porém, lhes era impossível prestar atenção na tela a sua frente em detrimento de suas próprias imagens. Para Clara, por exemplo, a imagem de Marina nem ao menos parecia humana. Para ela a outra parecia mais uma criatura de uma super-raça semidivina do que uma mulher normal. Por isso, como seria possível desviar a atenção dela? Por isso, passou a encarrá-la profundamente, desviando-se totalmente da frente da TV.
Levou apenas alguns instantes até que a fotografa percebesse os olhos da outra, cravados nelas. E sorriu.
_Clarinha, o filme tá passando ali na frente – apontou a TV- não aqui.
_A visão daqui tá melhor do que a de qualquer filme.
Marina fez-se envergonhada, mas a maneira com que Clara a olhava fez com que ela não tivesse vontade de enrolar ou de prolongar a conversa. Partiu de uma vez para cima da outra que ainda estava recostada no encosto da cama. Sentou em cima de suas coxas, jogando os próprios joelhos para trás. Agora estava na frente da visão da assistente.
_E a visão agora, melhorou?
Clara olhou direto para os seios de Marina que estavam na altura de sua boca, quase engolindo-os com o olhar. Marina era a tentação em forma de gente.
_Muito melhor.
“Safada” Marina pensou, embora não o tenha dito, pois a boca já alcançava os lábios da outra. O beijo já começou com luxúria, cheio de intenções. Elas sabiam muito bem aonde queriam que ele as levasse, e sabiam que levaria. O beijo, era o gatilho que lhes incendiaria. E foi exatamente isso o ele fez. Em pouco tempo o incêndio alastrava-se pela extensão de seus corpos. A respiração foi ficando mais difícil, mais espaçada. As roupas foram tiradas, primeiro Clara ajudou Marina a se livrar da parte de cima do robe que ela usava, então, Marina fez-lhe o mesmo. Os sutiãs não demoraram a seguir pelo mesmo caminho, assim, logo as duas estavam nuas da cintura para cima. Dessa forma suas mãos tiveram mais liberdade para percorrerem seus corpos, sentindo a textura da pele quente e macia uma da outra. As bocas haviam desgrudado-se apenas tempo o suficiente para que tirassem as roupas, e agora estavam coladas novamente, se invadindo. Suas línguas chupavam-se com empenho e a reação que isso provocava nelas era quase a mesma que se estivessem chupando outro lugar mais abaixo.
Marina começou a massagear os dois seios livres da assistente com afinco, vontade. Eram “tão deliciosos, cabiam perfeitamente em suas mãos. Feitos pra mim” pensava ela.
Clara sentia-se sensível, provocada, estimulada. Sua necessidade por prazer gritava. Ao contrário de outras vezes, naquele momento o que ela mais desejava era que a fotografa a dominasse, abusasse dela. Assim, saiu mais uma vez do beijo, parou olhando-a profundamente e falou em desespero:
_Amor, eu preciso dar. Quer dizer, com aquilo.
Referia-se ao pênis.
Marina sorriu em satisfação. Havia tempo que esperava esse pedido. Além do que, ouvir Clara referindo-se a ela por aquele adjetivo a deixou em êxtase.
_Quer que eu te coma, é?
_Quero não. Preciso!
E ela julgava precisar mesmo, com todas as forças. Seu corpo pedia, implorava. Não se tratava apenas de ser violada, mas também de sê-lo pela fotografa e seus mistérios que a faziam quase explodir de prazer.
Marina observou-a por alguns instantes, o semblante de Clara era tormentoso, a vontade que transmitia era arrasadora. Estava completamente entregue. Porém, antes de atender ao pedido, ela desfrutaria da própria vontade.
_Você não cansa de ser tão gostosa?
Perguntou sussurrando no ouvido da outra. Não esperava resposta, queria apenas provocá-la. Sua boca, então, passou a fazer uma trajetória molhada entre a orelha e o pescoço da assistente, causando-lhe ainda mais arrepios. A língua seguiu escorregando até alcançar o colo dela, descendo e detendo-se sobre um dos seios. Marina não o mordeu, ou botou-o dentro da boca. Ela passou apenas a língua molhada por ele, depreendendo um pouco mais de tempo e empenho no mamilo que permanecia duro feito pedra sob a superfície dela. Agiu da mesma forma em relação ao outro. Estava calma, sem pressas, sem roupantes e isso acabava deixando uma Clara ainda mais trastornada em baixo de si.
Continuou percorrendo o corpo da amada apenas com o auxílio da língua quente, deixando sobre pele da outra um caminho molhado, babado. Ao se acomodar em meio a suas pernas e concentrar-se em seu ventre Marina usava as mão para segurar-lhe a cintura. Também já não mais a lambia, beijava aquela região com o mesmo amor com que se beija uma mulher grávida. Olhou-a, enfim, queria ver o resultado de seus carinhos refletidos em sua expressão, o que viu foi profundamente prazeroso. A assistente estava vermelha, corada, em parte parecia ter perdido um pouco da conexão com a realidade.
Levantou-se indo até a gaveta, buscando o objeto de interesse da assistente. Clara a seguiu com o olhar, sorrindo satisfeita quando vislumbrou o que Marina tinha ido buscar. A fotografa, enfim, atenderia seu pedido. No entanto, antes de voltar para cama, Marina ordenou-a:
_Tira o resto da roupa.
Clara tirou rapidamente a parte de baixo do pijama que usava, não precisou tirar a calcinha, pois já não usava uma. Enquanto isso, a fotografa fez o mesmo com o resto da própria roupa e vestiu o acessório, regulando-o e dirigiu-se de volta a cama. Clara a esperava ansiosamente. Porém, Marina não a alcançou ou se deitou sobre ela. Sentou-se escorada no móvel, segurou o objeto ereto e falou-lhe de forma provocativa:
_Senta. Você não queria dar? Depois diz que eu é que sou vagabunda.
Clara indignou-se por milésimos de segundos com o que a outra disse, mas, não se ateria a isso, afinal de contas, Marina tinha razão. Levantou-se e de joelhos passou as pernas pelas da outra fazendo com que seu sexo parasse mirando o local exato ao que pretendia. Umas mãos foram ao encontro dos cabelos da fotografa, segurando-lhe a nuca. Beijou-a, um beijo de tirar o fôlego. Então, levantou um pouco o quadril de modo que tivesse espaço para poder realizar o ato que tanto desejava.
_Espera. — Marina a deteu segurando-a — Primeiro responde, você é minha?
_Toda sua, completamente sua.
Marina deixou-a sentar. Deslizar pra dentro dela foi como deslizar em óleo delicado.
Os braços de Clara entrelaçaram o corpo da outra, enquanto os de Marina foram mais abaixo lhe agarrando as nádegas firmemente. Estavam tão próximas que podiam se sentir uma só.
Os movimentos dos quadris eram mútuos e intensos. Marina delirava ao sentir e observar Clara rebolando com perícia e afinco sobre aquele membro.
Os gemidos das duas em seus respectivos ouvidos eram intermitentes e o eram porque além de gemerem elas também se diziam coisas, a indecência e a obscenidade nesses momentos já lhes era comum. Fazia com que se sentissem ainda mais intimas, ainda mais expostas uma à outra. Compartilhar essas coisas, sem pudores, faziam-lhe sentir que poderiam compartilhar qualquer coisa.
_Assim, rebola em mim gostoso, sua bandida.
Clara aumentou a intensidade do que estava fazendo. Ao que Marina fez o mesmo.
_Me fode, toda. Minha, vadiazinha!
Falou Clara abusadamente em seu ouvido. Ao que Marina quando conseguiu responder:
_ Sempre. Amo foder essa buceta deliciosa.
Diziam-se coisas assim, e outras mais enquanto o movimento dos quadris permaneceu alucinado até alcançarem, pela primeira vez, porém não última, o prazer esperado.
Quando dormiram, o fizeram nuas, descabeladas, exaustas e entrelaçadas pela terceira noite consecutiva, em meio a lençóis suados e envolvidas na mais pura luxúria.
***
O experiente estava chegando ao fim, e junto com ele viria a despedida. Clara teria que voltar para casa. Julgava aqueles dias que passara com Marina como os mais completos de sua vida, até ali.
Foram apenas quatro dias, mas a ela pareciam muitos mais. Como se estivessem juntas e se amando por anos a fio. Não havia tido festas ou surpresas ou declarações de amor demasiadas, havia tido apenas ela e Marina, compartilhando a vida, o trabalho, como um casal comum. Finalmente tinham vivido como um casal e a experiência tinha superado toda e qualquer expectativa. Se davam muito bem, eram sinceras uma com a outra, honesta, se respeitavam, admiravam. E tudo isso, entre outras coisas, era razão, ela sabia, que faria com que a despedida lhe doesse ainda mais. Porém, ainda que sua felicidade naqueles dias tivesse sido imensa, faltava-lhe algo fundamental, o pedaço que deixara para trás ao sair de casa, o filho. A saudade do menino apertava e ela sabia que sem ele, nada poderia estar, de fato, completo. A fato de que o veria, em breve, tornava a ideia da despedida menos cortante.
Marina, por sua vez, passou o dia mais calada que o habitual. Refletia também sobre a experiência vivenciada durante a estada de assistente em sua casa. Julgava ter vivido uma vida inteira em quatro dias. Pois, não se lembrava de um dia ter tido nada tão palpável, verdadeiro e real. Seus relacionamentos passados, se é que poderiam ser chamados assim, sempre haviam sido envoltos, de certa forma, a futilidades, disputas de ego, jogos de conquista, ou, como no caso de Vanessa, veneração exacerbada. Já com Clara não, era tudo muito simples, franco. A assistente não a tratava como um ser superior, mas também não se apresentava assim. Era uma mulher simples que não tinha vergonha de sê-lo ou de se mostrar, de ter dúvidas e perguntas, ou de não parecer interessante o tempo todo. Era espontânea. O que deixava a fotografa ainda mais encantada. A cada dia, ela passava a desejar mais que a própria vida tomasse um caminho que, até o momento em que conheceu Clara, nunca havia pensado que desejaria. Tudo isso também a tornava mais nobre. Embora, ela julgasse que precisava da assistente, de seus cuidados, carinhos, amor e julgasse, também, precisar disso em tempo integral, o fato de aquilo não ser possível tendo em vista que Clara tinha um filho com quem dividir a atenção não a incomodava, muito pelo contrário, fazia apenas com que ela desse mais valor ao tempo que a outra estava disposta a lhe entregar. Por isso, mesmo que estivesse triste pela partida, via nela não uma despedida, mas, o afastamento que daria início a construção de uma união sólida entre elas.
***
Terminaram o ensaio daquele dia aproximadamente no meio da tarde e Clara se retirou do estúdio com intuito de ir arrumar suas coisas. No quarto, enquanto arrumava a mala, pensava no que enfrentaria quando chegasse em casa, afinal, precisaria ter a conversa definitiva com Cadu. Pensar sobre isso ajudava a não pensar que teria que deixar Marina para trás, principalmente, porque não tinha como saber quando a veria de novo. Havia ainda tanto pela frente a se enfrentar quando voltasse à realidade.
Seus pensamentos foram interrompidos pela entrada silenciosa da fotografa no cômodo. Marina, sem falar nada se sentou na cama, assistindo-a já nos preparativos para um banho. Sua expressão era meio perdida, estava em uma luta interna entre a tristeza e a compreensão. Ao que Clara se dirigiu a ela com um olhar penetrante:
_Não vai se despedir de mim?
_Como?
Perguntou-lhe a outra prontamente, abandonando qualquer devaneio que estivesse tendo.
A assistente, então, seguiu para o banheiro. Deixando a pergunta no ar.
Clara entrou no box e ligou o chuveiro posicionando-se propositalmente de costas a espera que Marina viesse a seu encontro. A fotografa não demorou, chegou abraçando-a por trás e ela pôde sentir na altura de suas nádegas a rigidez do objeto que trouxera preso a si. Aquilo a deixou maluca, ao ponto de ser até estranho o fato de causar-lhe tamanha excitação.
Marina levou uma das mãos aos seios e a outra desceu ao encontro do sexo da amada, fez isso enquanto também esfregava o corpo nas costas dela, ato que Clara retribuía com prazer. Água em abundância escorria por seus corpos.
_Vou dar uma lembrança pra você levar. Assim, você não se esquecer de mim.
Disse a fotografa de forma sensual, porém, as palavras também escondiam um pedido.
_Eu nunca vou me esquecer de você. Mas, pode me mostrar a lembrança que veio me dar.
Respondeu insinuante.
A mão de Marina passou a estimular firmemente o clitóris de Clara, enquanto a outra fazia o mesmo em um de seus mamilos e a assistente fez questão de ajudá-la estimulando o que sobrara. Permaneceram assim, gostosamente por algum tempo. A intensidade do roçar de corpos foi crescendo exponencialmente durante o período. O pênis passeava entre as pernas de Clara durante o ritual, deixando-a com as pernas bambas todas as vezes que sentia sua presença.
_ Empina a bundinha pra mim.
Falou Marina já segurando forte o quadril da outra na intenção de guiá-lo a fim de que Clara se estabelecesse exatamente na posição desejada. E ela deixou, se deixou ser guiada. Marina também apoiou uma das mãos sobre suas costas, indicando assim que ela deveria abaixá-las. O resultado foi uma Clara apoiada à parede a sua frente, com a bunda empinada na direção da fotografa, exatamente como a mesma queria. Aquela, para Marina, era a visão do paraíso. Nunca cansaria de olhar, admirar e desejar aquela parte específica do corpo da assistente. Estava tornando-se para ela um fetiche. Levou dois dedos a entrada do sexo de Clara, como se tencionasse lhe conferir a lubrificação. Estava, de forma esperada, deliciosamente molhada. Os dedos vagaram por ali durante instantes, até que se estenderam a um ponto acima, na outra entrada da assistente, para ser exato. Lá, seu dedo médio brincou, deslizou como se tivesse o poder de raciocinar e o fizesse tentando estabelecer se seria bem-vindo.
O gemido lascivo de Clara dera-lhe autorização e ele a penetrou com calma. Era apertado e na medida em que entrava podia sentir as paredes retraindo-se, prendendo-o. Depositou toda a extensão do dedo naquele orifício, no entanto, ela não pretendia exercer estocadas ali, o dedo repousou, apenas movimentando-se para os lados. Enquanto isso o pênis invadiu a outra entrada da assistente causando-lhe certa surpresa já que ainda se concentrava no ato que a fotografa empreendia na outra parte, ato estava se revelando extremamente prazeroso a ela. A entrada do pênis em sua vagina, porém, não foi violenta, muito pelo contrário, o membro entrou suavemente já que, a própria Clara julgaria estar mais molhada que nunca.
Agora Marina segurava o mais firme possível o quadril da amada com apenas uma das mãos, uma vez que a outra estava ocupada. As estocadas que ela empreendia no sexo da assistente eram rápidas, a visão da posição em que a outra se encontrava causava esse furor frenético. A única ideia que passava em sua mente era comê-la, comê-la desesperadamente.
Estar entregue e tão exposta assim à fotografa também causava em Clara demasiado frenesi. A desestruturava completamente, fazia, inclusive, que naqueles instantes ela desejasse que nunca tivesse fim. Sobretudo, agora, sentindo-se ocupada de todas as formas. Julgou a sensação tão boa que não conhecia palavras que a definiria. Por isso, incapacitada de formar pensamentos coerentes, ela apenas gemia exteriorizando de alguma forma o prazer que sentia, ou dizia a outra, palavras que lhes pareciam desconexas, embora não fossem.
_Vai, isso, fundo. Eu vou gozar.
Ao ouvir a manifestação Marina acelerou ainda mais o movimento. Fez isso, em parte, porque também estava preste a atingir o próprio orgasmo.
Quando sentiu os espasmos no corpo da mulher atrás de si e ouviu-a gemendo efusivamente, Clara foi tomada pela onda inenarrável de prazer que fez com que seu corpo também fosse tomado por espasmos intensos, tendo, por isso, inclusive, que se segurar mais firme a parede para conseguir se equilibrar e soltando um urro bastante audível. Permaneceu imóvel, ao que Marina fez o mesmo, ficaram assim, paradas na mesma posição, com o objeto e o dedo da fotografa ainda ocupando os espaços internos da assistente, talvez por um minuto ou mais. A letargia total tinha tomado conta delas. E elas queriam senti-la dominando-lhes, fazendo-as lembrar do que uma provocava na outra.
***
Estavam de roupão sobre a cama e conversavam intimamente.
_Você não acha que estamos exagerando, mocinha?
Perguntou Clara à fotografa.
_Em que?
Marina entendera a pergunta, mas quis que a outra falasse assim mesmo.
_Eu preciso mesmo dizer?
_Sim, eu gosto de ouvir você falar dessas coisas. Afinal de contas, as palavras também são afrodisíacas.
Riu de maneira insinuante.
_Tá vendo? É disso que eu tô falando. Você fala desse jeito comigo e minhas pernas começam a tremer, me sobe um calor – Abanou-se em representação – Não aguento, acho que estamos passando dos limites.
Marina gargalhou.
_ E quem determina limites pra isso?
_Ah, não sei...
Fez uma cara de dúvida, e Marina aproveitou para falar:
_Não estamos exagerando. Quanto mais melhor, meu amor.
Clara derreteu-se em naquelas palavras aproximando-se dela, fez-lhe um carinho no rosto que foi correspondido por um beijo, estavam entregues uma a outra mais uma vez.
_Espera, Marina.
Clara a afastou-a. Assim eu não consigo ir embora caramba.
O semblante da fotografa dizia-lhe que essa era a intenção. Então, a assistente julgou que aquele seria um bom momento para conversarem sobre o que viveram naqueles dias e no que viveriam dali por diante.
_Você sabe que eu vou ter que me ausentar do trabalho por alguns dias, não sabe?
Marina assentiu em um silêncio compreensivo.
_Mas, sabe também que eu tô levando você aqui dentro – levou uma das mãos da fotografa ao próprio coração. A mesma olhou-a de forma apaixonada, além de um pouco abobada pela declaração e então, finalmente se pronunciou:
_Eu sei. E você também vai ficar aqui, grudadinha em mim – foi a vez dela levar a mão da outra a seu peito.
_Esses foram uns dos dias mais felizes da minha vida, Marina. Talvez perdendo só pro dia que eu tive o meu filho. E eu preciso que você acredite nisso, preciso que você acredite que seja lá o que aconteça depois que eu sair daquela porta, ou o tempo que leve, vai ser sempre visando o momento de voltar.
A fotografa tinha vontade de chorar agora. Porém, não o fez. Não tornaria aquilo ainda mais difícil para Clara.
_Eu sei, Clarinha. E você também tem que saber que esses foram os dias mais felizes da minha vida, já que eu não tive o privilégio de ter um filho. Que você me completa como eu jamais imaginei que alguém faria. Você trouxe a luz que faltava na minha vida. E eu estarei aqui com você, mesmo longe. Vai sabendo que pode contar comigo pra qualquer coisa, de verdade. No mais, confie na sua medida das coisas, confia em você. Tenho certeza de que vai conduzir tudo da melhor forma, e que tudo vai dar certo.
Seu olhar transmitia a Clara uma paz profunda.
Abraçaram-se, com forca, de modo que podiam sentir as batidas intensas do coração no peito uma da outra. Não choraram, ao contrário, ali não havia espaço para lágrimas, ainda que fossem lágrimas de felicidade, naquele momento havia espaço apenas para alegria. Haviam se encontrado e nunca mais se perderiam.
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