Notas iniciais
Feliz pelos elogios (muita gente safada lendo isso daqui rsrs) e compreensiva com as críticas, no entanto, quero fazer uma ressalva. Gente aqui em Unchaneid Melody Clara e Marina são assim, os acontecimentos compõe a personalidade delas, por isso, creio que coisas desse tipo continuarão acontecendo... No mais, vamos lá: “We've been through this such a long long time Just tryin' to kill the pain But lovers always come and lovers always go And no one's really sure who's lettin' go today Walking away If we could take the time to lay it on the line I could rest my head Just knowin' that you were mine All mine...” G.R.

Clara seguiu fazendo o que Marina pedia com tamanha veemência isto é, fodendo-a forte a ponto de deixá-la doída, ardida.

O frenesi entre os movimentos das duas, tanto o de Clara em comer a fotografa quanto o da fotografa em dar para Clara fez com que o orgasmos não demorasse a atingi-las. Ambas gozaram quase que ao mesmo tempo.

A assistente então relaxou, isto é, emocionalmente. Se permitiu fazer o que tinha vontade independente das consequências.

_Acha que eu terminei?

_Se você tiver terminado e for só isso, eu vou ficar muito decepcionada.

Apesar do êxtase provocado pelo orgasmo recém-sentido, Marina queria mais, não saberia dizer nem porque, apenas queria. Não, Marina definitivamente não tinha todas as respostas ao que dizia respeito às suas emoções quando estava junto à namorada. Talvez, na verdade, as duas fossem dominadas pela carga imperativa do desejo que sentiam. Fato era que o que quer que significasse aquilo, transcendia qualquer lógica. A fotografa sentia dor e sabia que as coisas podiam piorar consideravelmente, mesmo assim insistia em seguir adiante. Assim, ela encarava a outra provocante, com os olhos ela pedia e Clara sabia exatamente o que.

De posse quase intuitiva dos desejos ocultos da fotografa, Clara fez com que ela se levantasse da mesa e levou-a até a cama, no caminho, finalmente se de ao trabalho de tirar-lhe a saia e a calcinha, porém não se preocupou em despi-la na parte superior e nem em despir a própria roupa. Jogou-a no móvel, de costas e puxou os braços dela para trás, segurando-os enquanto se sentava brevemente em cima de suas nádegas, depois, já de posse do domínio completo Clara afastou o quadril um pouco, tirando-o de cima da outra, então buscando pouca lubrificação em seu sexo, apenas o suficiente para que o objeto em meio a suas pernas alcançasse o destino esperado, ela penetrou o outro orifício da fotografa, até então, a mesma admitiria mais tarde, intocado.

Antes de ser penetrada, porém, Marina mudou a posição das pernas, apoiando-se sobre os joelhos posicionando-se … de quatro, no entanto com p tronco totalmente recostado no colchão.

A princípio, a assistente invadia-o com cuidado, de modo que o pênis pudesse entrar da melhor forma possível sem ser obstaculizado pela largura estreita daquele canal, no entanto, quando o mesmo havia entrado o que Clara julgou suficiente, todo o cuidado acabou e ela o empurrou o máximo para dentro.

A fotografa agora não fora assolada apenas por um único grito, mas sim por gritos ininterruptos. Por um instante, inclusive, enquanto o pênis avançava para dentro dela, Marina se arrependeu por ter incitado Clara. Desde que o fizera, fizera com um propósito tinha consciência de qual seria o provável alvo e desfecho, e queria dá-lo a amada, talvez como uma estranha prova de amor, quem sabe. Mas agora, sentia-se como se estivesse sendo dilacerada. Teve vontade de pedir que Clara parasse, mas será que ela pararia ou do ponto onde estavam não teriam como voltar? Nunca teria essa resposta já que não o fez, não pediu para que ela parasse. Conteve-se, até porque ela julgava ser importante o nível de entrega em que se encontrava. Poderia parecer estranho mas para ela era como se tivesse se guardado para a namorada naquele aspecto. Então, apesar da dor e do desconforto deixo-a seguir em frente.

Após umas poucos estocadas Clara notou que Marina sangrava e teve que conter o ímpeto de parar, por alguns instantes voltara a realidade e tinha consciência de a machucar de verdade, nessa hora diminuiu o ritmo, mas logo voltou ao estado de semi-inconsciência quando a fotografa se pronunciou:

_Tá parando, por quê?

Clara não respondeu verbalmente, respondeu em movimentos. Movimentos estas que se intensificaram, não que ela a comesse ali com a mesma intensidade como fizera na frente, mas chegava perto. Um tempo depois ela também passou apertar a cabeça da fotografa contra o travesseiro quase sufocando-a sem deixar de segurar seus braços nas costas, impedindo-lhe de oferecer resistência. Assim, dominando-a completamente ela seguiu comendo sua mulher, com força.

O gemido de Marina agora era quase um choro. Se é que não era um choro, Clara não tinha como saber. Os gritos, no entanto, estavam menos agudos, além de também estarem abafados pelo travesseiro.

_Tá chorando? Você não queria que eu te fodesse com força? Então...

_Não tô reclamando. Continua assim, me arrombando. Eu tô gostando — Falou do jeito que pôde com a boca quase tapada pelo travesseiro.

E estava mesmo, depois da dor descomunal sentida inicialmente, a ideia de dar algo tão particular para a namorada passou a consumi-la totalmente. O tesão cresceu além da dor e agora ela só conseguia pensar em continuar.

_Se toca, vai!

Ordenou a assistente à fotografa. A mesma, sem dúvidas, gostou da ideia e rapidamente passou a fazê-lo.

O deleite por ter Marina daquela forma fazia com que a excitação de Clara chegasse a níveis inimagináveis, por isso, a mesma, inclusive, alcançou o orgasmo antes da fotografa que, no entanto, também não demorou a ser arrebatada por um gozo que de tão intenso a fez se sentir fora do próprio corpo por alguns instantes.

Ambas com um sorriso de satisfação no rosto, trocaram algumas palavras:

_Era exatamente isso que eu queria.

Afirmou a fotografa ainda com dificuldades em respirar.

_Eu sei. Você sempre me domina, esqueceu? — pausou — Eu não esqueci.

Falaram-se quando pararam uma de frente para outra.

Clara assustava-se consigo mesma porque dessa vez não se comovia com o fato da outra estar machucada, na verdade, excitava-se com as marcar no corpo dela. Só que dessa vez não era só Marina a trazer marcas as costas da assistente também traziam vergões como se tivessem sido cortadas com faca.

Contabilizando os estragos provocados pela insanidade da vez Marina tinha um corte no rosto em consequência do empurrão que a levara diretamente à parede, um corte na boca ocasionado pelo mesmo que a essas alturas já se encontrava inchado, as duas faces vermelhas pelos tapas e o couro cabelo dolorido pelos puxões isso sem falar na parte em que Clara havia metido o pênis tão entusiasmada. Com certeza no dia seguinte a fotografa teria problemas em se sentar, tal como havia pedido. No entanto, todo esse estrago não as fazia refletir melhor sobre o que andavam fazendo, ao contrário isso mexia cada vez mais com as duas. Até Clara que as vezes tinha medo daqueles roupantes agora estava em estado de graça por tê-lo feito do modo que fizera. Concluía que as duas gostavam, sobremaneira, de se relacionarem daquela forma, talvez não sempre, mas a elas, sem sombra de dúvidas, passar dos limites era altamente afrodisíaco. Marina gostava de apanhar e ela gostava de bater, tudo bem, mas e dai? A intimidade era delas e ali entre quatro paredes, dizia a própria fotografa, valia tudo. Raciocinava. Começou a pensar em outras situações em que podiam terminar daquele jeito peculiar. Brigas provocadas propositalmente, quase que como um teatro, maneiras com que poderia subjugar a namorada... A mente fervilhou de ideias sádicas que ela poria em prática imediatamente se pudesse. Então, voltando a si, afastou-as, no entanto, uma delas permaneceria rodando sua mente a partir daquele dia: Um jeito de fazer a Marina algo que a mesma não demonstrasse gostar tanto, isto a Clara significaria, de fato, dominá-la completamente mesmo que por apenas um momento. Partindo desse princípio, nada que a assistente pensou foi agradável. Quer dizer, não seria à fotografa.

***

Elas se olhavam deitadas uma de frente para outra. Marina fazia carinho ora nos cabelos da amada, ora em sua face.

_Eu queria que você entendesse...

_O que?

_O tamanho do meu amor por você, Mas, eu não te julgo, as vezes nem eu entendo. Não entendo como é possível.

_Eu entendo. Quer dizer, sinto. Acho que o problema as vezes não é o seu amor. É o meu. Tão grande que eu tenho um medo paralisante de te perder.

_Isso nunca vai acontecer. Nem se quem sabe algum dia você quiser, meu amor.

Falou um pouco divertida, um pouco insinuante e lhe atacou os lábios, de modo que elas trocaram um beijo apaixonado e também quente, cheio de saliva.

_Quer mais?

Perguntou Clara a certa altura afastando um pouco os lábios. Aquele contato intimo era tão bom que era difícil se permitir parar, abrir mão dele.

_Sempre e você?

_Também.

Clara que ainda não tinha se livrado da cinta “correu” para cima da fotografa, deixando o pênis deslizar para dentro dela. A entrada foi suave já que ali estava bastante molhado. Uma vez devidamente posicionada dentro da mulher que amava a assistente voltou a beijá-la. E assim foi até que Marina gozasse, elas se beijaram lascivamente enquanto Clara metia na fotografa dessa vez de forma suave, apaixonada.

Após o gozo e de Clara ter caído ao seu lado, Marina fez uma sugestão incitante a ela:

_Se resolve também.

Sugestão essa que Clara anuiu prontamente. Tirou a cinta e se masturbou, ali, sem pudores nas vistas da namorada. A fotografa por sua vez, assistindo a cena julgava que, apesar de todas as outras, aquela talvez fosse a imagem que mais gostasse: Clara gozando sob o estímulo do próprio dedo. Conhecia bem as maravilhas que aquele dedo podia proporcionar.

Depois de também ter gozado, aliviando-se a assistente virou-se para a amada:

_Vem, eu vou dar banho em você.

Marina, sem dúvidas, precisava de um.

Antes de se dirigirem ao banheiro, porém, a assistente ligou e pediu para que uma das empregadas trocasse a roupa de cama.

***

Clara acordou primeiro e foi preparar o café para Marina, aliás, para as duas. Leva-o na cama com direito a uma flor que roubou do jardim, oferecendo amorosamente à outra:

_Foi o que eu consegui.

Marina pegou-a da mão dela encantada com o “mimo” levando-a até o nariz a fim de sentir seu perfume. Fez isso muito lentamente e com dificuldades já que todo o corpo doí demasiadamente. Quando acordou e se movimentou na cama, inclusive, a princípio ela teve dificuldades em lembrar o que lhe acontecera já que dormira pesadamente e ainda estava grogue de sono, depois quando as lembranças a atingiram, por um breve momento ela se arrependeu pelo ponto em que haviam chegado na noite anterior, mas isso durou apenas o tempo em que levou para a namorada aparecer a sua frente trazendo-lhe carinhosamente o café na cama.

***

_Nem em mil anos eu colocaria outra no seu lugar. Me sinto realizada do seu lado.

_Até em momentos como os de ontem?

_Principalmente por causa dele. Sabe – pausou — Eu posso ter vivido muita coisa, mas nada se compara ao que nós duas temos.

Já pelo lado de Clara não precisa nem dizer da loucura que as acometia, a assistente antes sonhara em provar.

_Quando é que eu ia me imaginar cometendo essas loucuras...

_Pois eu poderia jurar que você tinha uma vasta experiência nisso, porque olha...

Riu.

_A culpa é sua que me provoca, me tira do sério...

_Minha? Eu sou uma vítima dos seus abusos.

Marina riu mais uma vez.

_Vítima? Você provoca esses abusos de todas as formas e jeitos...

_Verdade. — concordou ainda rindo — Eu gosto de ser sua desse jeito, de te pertencer de todas as maneiras, até nas mais loucas.

_Já eu não sei o que é isso que você faz comigo que faz eu me sentir daquele jeito, me tornar aquela pessoa...

_Sádica? — soltou uma gargalhada provocativa – Meu amor, se você não sabe, tudo bem. Mas, por favor continua assim.

Terminou piscando para outra.

***

Após a partida de Marina ainda na cama, pediu a uma das empregadas para chamasse Vanessa.

Ao colocar os olhos na fotografa, a ruiva mais uma vez se assustou com o estado da mesma.

_Isso não vai terminar bem, Marina. Escreve o que eu tô dizendo.

_Eu me pergunto é se eu quero que termine... — falou contemplativa mais pra si mesmo do que para a outra.- Mas, não foi por isso que eu pedi pra você vir aqui.

_Eu já sei o que você vai falar. A dona de casa com certeza foi reclamar com você, não é isso?

_Porque? Ela tinha algo pra reclamar?

_Não, mas é que...

_É que nada – Marina interrompeu antes que ela pudesse terminar o que ia dizer – O problema não é a Clara, Vanessa ou qualquer reclamação dela. É você! E isso não é de hoje. Já faz tempo que eu tenho arrastado essa situação e depois de São Paulo... Você sabe o respeito e a consideração que eu tenho por você, o quanto eu te quero bem, mas sabe também que eu amo...

_A Clara – completou a ruiva em tom de deboche – Sei. Você até parece um disco arranhando falando isso.

_Tá vendo? Não dá pra conversar com você. Toda vez que eu entro nesse assunto você debocha, ironiza parece que não escuta.

_Porque eu prefiro nem levar em consideração o que você fala dessa mulher. Sabe quantas vezes eu já te ouvi se dizendo apaixonada? Eu já perdi as contas, Marina! E depois de todas as vezes foi pra mim que você voltou. Por que eu devia achar que dessa vez é diferente?

_Por que eu tô te dizendo que é – pausou — Eu vou me casar com ela, Van.

_Oi?

_Isso mesmo que você ouviu.

O queixo da ruiva caiu.

_Casar, casar?

_É Vanessa, casar, casar.

A ruiva então começou a rir. O riso não era alegre, ao contrário, mostrava sua instabilidade emocional.

_Essa eu quero ver. Marina Meireles, fotografa internacional casando, virando mulher de “família”. O que mais você vai me dizer agora? Que vai começar a ir a feira, fazer compra no supermercado que nem a dona de casa lá faz?

_Se for preciso...

Então Vanessa parou de rir. Marina estava de fato falando sério.

_E quanto tempo você acha que vai durar isso, Marina? Você...

_Eu não presto, me apaixono muito, não sou fiel, sou volúvel, você me conhece muito bem, que mais? Isso tudo eu já sei de cor porque você não para de repetir. Mas eu não penso assim. Não me vejo mais assim e principalmente, a Clara também não e é isso que importa. E eu tô cansada dos seus jogos mentais de ficar repetindo sempre a mesma coisa pra me influenciar a acreditar na visão que você tem de mim – Marina se exaustara na medida em que foi falando – Mas, não vai adiantar, Vanessa. O meu amor pela Clara é pleno e definitivo e isso não vai mudar, não importa o que você diga. Pro seu bem é melhor que você entenda e se acostume com isso, porque se não, mesmo que eu não queira vou ter que me afastar definitivamente de você – terminou enfática.

***

Vanessa saiu do quarto de Marina arrasada com as palavras que ouviu. Vagando sem destino pela casa acabou no estúdio, dando de cara com Flavinha.

_Que cara é essa Van? — Perguntou a produto com carinho.

_Ela disse que quer se casar com a dona de casa, tem noção disso?

_Ela... Você tá falando da Marina?

_Sim, a própria.

Confirmou e caiu finalmente no choro, deixando a outra comovida. Flavinha então abraçou-a a fim de consolá-la.

_Não fica assim, Van. Talvez saber disso tenha sido o melhor pra você. Tá na hora de você esquecer a Marina de uma vez por todas. Esse amor que você diz sentir por ela te destrói, faz você se tornar uma pessoa que você não é e você não merece isso, merece ser feliz com alguém que realmente gosta de você (...)

***

Clara voltou à mansão no início da noite.

_O Ivan foi ficar com o Cadu de novo. Definitivamente não quer ficar com a mãe esse garoto. A não ser que a “Marina venha visitar” fica falando isso o moleque, dai como … preferiu ir passar a noite com a tia “Verônica”, é mole?

_Ele tá curtindo isso de ter um monte de gente nova na vida dele, né?

_Mas é claro que tá, porque vocês fazem todas as vontades. Ele não para de perguntar que dia vem passar o dia aqui. Tá louco com a piscina.

_Ué, por mim. Você pode trazê-lo qualquer dia, já te falei isso um monte de vezes. Vem aqui, vem – Marina chamava-a para se deitar junto a ela no tapete do estúdio.

_Eu sei, achei melhor a gente ir aos poucos, mas agora acho que podemos marcar no final de semana o que você acha?

_Vou achar ótimo!

Comemorou.

Clara encarrou-a por instantes como se a analisasse, então, por fim falou:

_Você gosta mesmo disso, né?

_Do que? Passar o dia com vocês?

_Sim. Quero dizer, porque o Ivan é uma criança e quando ele tá perto não pra gente... Você sabe, ter qualquer contato mais intimo.

_Eu gosto não. Eu amo! É claro que gosto muito dos nossos momentos sozinhas, não falo só de sexo, você sabe. Mas eu adoro quando estamos juntos nos três e queria de verdade que isso acontecesse mais vezes.

Clara se desmanchou com a declaração da amada.

_Você acha que o Ivan vai entender isso tudo com naturalidade?

_ Bom, depende de como você vai abordar isso, né? Acho que tá indo pelo caminho certo deixando ele se acostumar comigo primeiro. E além disso, ele é pequeno, tem menos dificuldade em lidar e aceitar o que é diferente. Nós adultos é que, por causa da carga de preconceito com que nos deparamos ao longo da vida, é que muitas vezes estranhamos o que é diferente. Já pras crianças, sei lá, acho que é mais fácil.

_Verdade, você tem razão. Mas eu tenho medo também das outras crianças, do que vão falar pra ele. Sabe como é, crianças as vezes de tão sincera chegam a ser cruéis.

_Mas isso é normal. Toda criança nessa época de escola passa por essas coisas se não for uma “brincadeirinha” associada aos pais, acaba sendo uma piadinha sobre o peso, a altura, o cabelo e por ai vai.

_Verdade e sabe que eu e o Cadu sempre tomamos cuidado com isso? Tanto em relação ao Ivan de repente ser vítima dessas brincadeiras desagradáveis quanto em relação a ser autor. Nesse ponto a escola é bem cuidadosa também, sempre fez questão de nos manter informados e de provocar evitar ao máximo qualquer coisa desse tipo entre os alunos.

_Pois então, com certeza a escola vai estar do seu lado na hora que o momento de você lidar com isso chegar e eu também — Fitou-a com carinho e sinceridade no olhar – Você vai sempre poder contar comigo pra tudo! Daqui pra frente a gente vai fazer tudo juntas.

Em agradecimento às palavras da fotografa, Clara levou os lábios aos dela depositando um beijo rápido neles.

_Outra coisa que e utava pensando, eu vou ter que contar pro Cadu antes de contar pro Ivan. Não tem como eu manter ele alheio a isso. Só que o meu medo é que ele junte as coisas sobre nós. Ele não me perdoaria.

_Você já se perdoou?

_Sim. Acho que sim. Não sei, mas acho se não tivesse sido por amor eu nunca me perdoaria.

_Pois então, é isso que importa. Pode até ser que o Cadu junte os fatos e não goste, e com toda razão. Mas, pro bem do Ivan ele vai ter que aceitar, não acha?

_Acho que sim.Você é tão cuidadosa comigo nesse aspecto. Quer dizer só nesses aspectos não, em todos. Mas quando se trata do cuidado comigo em relação ao Ivan, sei lá, me deixa comovida. Me deixa tão feliz saber que você gosta dele, se preocupa com ele. Porque pra mim, meu bichinho é a coisa mais importante do mundo, você sabe. Sempre sonhei ser mãe, mais que qualquer outra coisa na vida. Acho até que me casei por isso, sabia?

_Jura?

_Acho que sim – respondeu pensativa – e o dia que meu filho nasceu foi o mais feliz da minha vida.

_Imagino. Deve ser mágico dar a luz.

_E é mesmo. Depois ver que aquela coisa pequenininha saiu de dentro de você e que ela vai precisar de você pra tudo dali em diante. É uma sensação indescritível e aterrorizante ao mesmo tempo.

_E você nunca pensou em ter mais um?

_Ah, pensar eu já pensei, mas eu e o Cadu não estávamos em condições de ter né, Marina?

_E agora?

_E agora o que?

_Agora você não tem vontade de ter outro?

Clara olhava-a confusa.

_Você tá querendo dizer o que eu acho que tá querendo?

_Eu sempre pensei que se um dia tivesse uma filha daria a ela o nome da minha mãe: Mariá.

O Que você acha?

(...)

***

Ainda conversavam distraídas no estúdio quando Gisele chegou chorando, alarmando-as.

_Que foi que aconteceu, Gi?

Perguntou Marina, ao que Clara foi ao encontro dela ampará-la sentando-se com ela no sofá.

_Minha mãe me pegou chegando em casa de moto com o Murilo e vocês podem fazer ideia do barraco que rolou.

Marina fazia, Clara nem tanto. Ainda não conhecia Branca direito.

_Murilo? O carinha que você conheceu no supermercado?

_É...

_Uhm e você nem contou pra gente que tava pegando.

A fotografa brincou tentando distraí-la.

_Esse é o problema. Hoje foi a primeira vez que a gente saiu e minha mãe já aprontou. Vocês não fazem ideia da vergonha que eu senti. Por isso sai correndo de lá e o primeiro lugar que eu pensei em vir foi pra cá. Desculpa atrapalhar vocês gente.

_Ain bebe, não precisa se desculpar. Você não atrapalha – falou Marina dando-lhe um beijo estalado na face.

_Não mesmo Gi, nós somos quase irmãs esqueceu? — falou Clara em relação ao namorado de sua mãe com o pai dela.

_A Branca é foda, mas fica calma. Hoje você não precisa voltar pra casa, pode ficar aqui com a gente afinal de contas, estamos em família aqui nós três.

Divertiu-se a fotografa.

As três jantavam comida japonesa e conversavam descontraídas quando Branca entrou desvairada na mansão. Gisele, muita discreta, não havia dito nada sobre as marcas na fotografa, a mãe porém, não perdeu a oportunidade:

_Que isso, Marina? Caiu de uma moto também?

_Oi pra você também, Branca.

_Oi nada minha filha, oi nada. Não me venha com essa de ser educada porque educado seria você ter me avisado do paradeiro da minha filha. Agora veja você eu estava louca de preocupação com essa menina e ela aqui com você e com a sua … — olhou de lado para Clara – Você é que mesmo minha querida?

_Clara. Meu nome é Clara.

_Então, com você e a – pausou – Clara – Falava em tom de ironia que foi imediatamente captado pela assistente.

_Branca, a Gisele é adulta. Você acha mesmo que eu tenho que sair ligando pra você pra avisar sobre os passos dela?

_Ah, mas é claro que você não ligaria e tenho certeza que também não se importa com quem ela tem andado, afinal de contas você é a primeira a gostar das coisas erradas.

_Tá querendo dizer o que com isso? — perguntou a fotografa já se exaltando.

_Nada minha querida, nada. Quis dizer só que você não é mãe, por isso não sabe o quanto a gente se preocupa.

_Pois eu sou e não vejo sentindo nenhum no que você está falando.

_Ora, ora Marina. Essa é sua nova modelo? Mas me diz aqui, agora você resolveu arrumar uma que já veio com a cria pronta e tudo mais?

Gargalhou

_Olha aqui, minha senhora. A senhora faz o favor de respeitar!

Bradou a assistente.

_Que isso gente? Que agressividade é essa? E outra coisa minha filha, você é que devia se dar ao respeito. Se diz mãe de família mas tá aqui uma hora dessas da noite fazendo o que? — pausou, já que a pergunta era retórica – pois eu sei muito bem o que. Tá aqui pronta pra se jogar na cama da Marina e ainda acha que tem moral se dirigir a mim com essa empáfia? Pra começo de conversa eu nem queria que a minha filha trabalhasse, não acho que seja um ambiente saudável pra ela, mas sabe como é né, os filhos crescem e não dão ouvidos ao que a gente diz.

_Mãe! Pelo amor de Deus, cala a boca. Clara, meu Deus, por favor me desculpa!.

_Não precisa se desculpar, Gi. Você não tem culpa por ter uma mãe louca. E ela aqui Branca. É Branca o seu nome, né? Pois então, sou uma mãe de família sim e tenho muito orgulho da educação que dou pro meu filho. Não sou modelo nenhuma da Marina, sou a mulher dela! E sim eu estou aqui a essa hora pra me jogar na cama, mas não na cama dela e sim na nossa cama! Na cama que nós duas dividimos com amor. Sabe o que é isso? Acho que não, porque se soubesse estaria ocupada vivendo isso em vez de entrar pela porta da casa dos outros destilando comentários de duplo sentido e preconceituosos. Agora se não for pedir muito, você pode fazer o favor de se retirar? Nós estávamos jantando e queremos terminar. — terminou olhando para Marina buscando aprovação em seu olhar.

Teve mais que isso quando Branca a olhou indignada como se dissesse “Você vai deixar essa mulher falar como se fosse dona da casa”?

_Pois é, Branca. Já passou da hora de você ir embora. Na verdade não devia nem ter vindo e outra a Gisele fica. Ela só vai sair daqui quando ela quiser.

**

Já na cama, Clara e Marina conversaram sobre a visita desagradável da mãe de Gisele. Marina não pôde de elogiar a namorada pela forma com que ela lidou com a preconceito da outra. Assim, seguiram dialogando

_Que mulher louca.

_Imagina se ela soubesse que você é filha Chica, meu amor.

As duas caíram na risada.

O resto da semana passou voando e na sexta feira após sair do galpão, ainda antes do almoço, elas resolveram passear no shopping e fazer algumas compras.

_Me diz uma coisa que você tem vontade de fazer?

Perguntou a fotografa.

_Ahm? Como assim?

_Uma coisa que você sempre teve vontade de fazer, qualquer coisa.

_Porque? O que essa mente fértil tá aprontando, hein?

Notas finais
Eita Vanessa, eita Branca! Tinham que ser parentes mesmo só assim p serem tão parecidas na arte de serem desagradáveis, não acham? Mais de 2000 visualizações em 24 horas, coisa linda vocês!! *-*