Notas iniciais
Pessoas insaciáveis do meu coração, a gripe me pegou de jeito (n no bom sentindo) na última semana, e com a chegada dela todo o meu ânimo p escrever o q quer que seja foi-se embora. Por isso, peço perdão pela ausência e pelo capítulo curtinho, mas prometo fazer o possível para postar mais até o resto da semana. No mais, beijos e divirtam-se: "Agora vem pra perto vem vem depressa vem sem fim, dentro de mim que eu quero sentir o teu corpo pesando sobre o meu, vem meu amor vem pra mim, me abraça devagar, me beija e me faz esquecer"

Dois dias depois elas se encontraram pela manhã na porta do banco. Conversariam com o gerente sobre o costumeiro apoio da instituição às exposições da fotografa.

_Você tá atrasada! — Indagou Clara quando a namorada chegou 20 minutos após o horário marcado.

_Desculpa, acordei com uma enxaqueca terrível.

Clara olhou-a preocupada.

_Porque não me ligou? — Perguntou com carinho.

_Ah, deixa pra lá, já passou. — Minimizou a fotografa — Vamos entrar que eu estou super empolgada com a realização da nossa exposição. Só espero que a notícia do “corte” do meu pai não tenha chegada até os ouvidos do gerente. — Riu, porém a preocupação era real.

Lá dentro o comportamento solícito e bastante cordial do gerente levava, é claro, em consideração a alta movimentação financeira mensal da fotografa, embora essa movimentação houvesse caído consideravelmente durante certo período a ponto do saldo chegar a zero na ocasião do incidente com o bloqueio dos cartões, agora, porém, o mesmo voltara a crescer. Parecia que o que quer que tivesse acontecido estava passando. Por causa disso, ele em nome do banco confirmou a parceria, apesar de tê-lo feito mediante o oferecimento de um valor menor. Marina logicamente entendeu que o receio era fruto do recente corte financeiro. Mesmo assim, o acordo já era alguma coisa, tinham por onde começar, além disso, Vanessa conseguira uma reunião com o diretor de uma grande empresa e elas, tanto a própria Vanessa quanto Clara e Marina tinham quase certeza de que conseguiriam grande parte da soma a que precisavam. A fotografa se encarregaria de convencê-lo, era muito boa nisso dizia a ruiva e Clara não tinha como não concordar, afinal de contas até o presente momento ela mesma nunca conseguira dizer não a qualquer vontade de Marina.

Quando horas mais tarde chegam na mansão em Santa Tereza ainda na sala a fotografa tratou de colocar uma música para descontrair e aliviar a tensão. A verdade é que estava uma pilha de nervosos por perceber que o projeto com que sonhava há meses finalmente estava ganhando forma. Assim, ela se aproximou apaixonada e contente da namorada, abraçando-a e permanecendo com os braços pendurados ao redor do pescoço dela.

Clara, toda a vez que se via presa naquele olhar tinha a sensação de poderia se afogar a qualquer momento. Era um olhar de perdição, como se se ela parasse ali olhando fixa de volta fosse … para outro planeta em que não seria capaz de voltar nunca mais.

_Marina, eu – pausou por não estar bem certa de que queria dizer o que estava prestes a dizer — só vim até aqui pegar...

_O contrato do ensaio de amanhã, eu sei – Concluiu por ela a fotografa — mas o que, que tem começar o dia bem?

Clara pareceu refletir. Marina não deu tempo a ela de manifestar a conclusão do pensamento, beijou-a. A princípio um beijo aparentemente desinteressado, no entanto, com o passar do tempo e com as línguas se entrelaçando propiciando a troca de uma quantidade cada vez maior de suas salivas doces, as coisas foram ficando quentes, muito por incitação da fotografa que tinha segundas intenções desde o início.

Ainda sem se desvencilharem do beijo, Marina foi guiando Clara até o sofá, fazendo-a cair sentada nele e sentando-se sobre terminando com a assistente em meio a suas pernas. Nessa posição, elas se acariciaram. Por vezes de forma tenra, se olhando, se acariciando no rosto, nos cabelos. Contudo, em outro momento os carinhos tornaram-se mais ousados, com apertões e mordidas e lambidas. Em um desses momentos, a fotografa chegou a boca perto do ouvido da assistente e murmurou:

_Tenho certeza que você tá molhada.

Clara corou e riu, culpada. Marina continuou:

_Eu quero, quero tudo e quero aqui!

_Aqui? E a Vanessa? E os empregados? Podem entrar a qualquer momento.

Marina, então sem dizer palavra pegou o telefone e ligou para a cozinha.

_Fala com todo mundo da casa que eu tô na sala e não quero ser incomodada. — Deu o recado sem nem se preocupar com quem atendeu e depois olhou para a outra um olhar que dizia: “Pronto problema resolvido”.

_E a Vanessa?

_Saiu cedo pra resolver umas coisas do estúdio e antes que você pergunte, Flavinha e Gisele só chegam pra trabalhar mais tarde.

Clara por fim cedeu, encarrando-a safada dando-lhe sinal verde.

_Mas, pra você ter “tudo”, primeiro – pausou – vai ter que me dar algo em troca.

_O que? — Perguntou, mas com a expressão sugestiva.

Clara foi logo desabotoando a calça preta de cintura alta que a fotografa usava e assim que terminou a mão correu para dentro dela dando um apertão sobre a calcinha úmida.

A fotografa excitada, sumariamente disse as palavras mágicas, isto é, falou o que a amada queria ouvir.

_Me come, amor. Quero sentir seus dedos dentro de mim.

Clara sem demora trespassou a barreira da calcinha e enfiou um dedo.

_Assim? — Perguntou cínica.

Marina gemeu baixo quando o dedo entrou. Mas aquele único dedo servia apenas para instigá-la a querer mais.

_Não. Mais um.

Clara o fez.

_Assim?

_ É. Isso. Agora me fode, vai.

_Só se — pausou sacana — você rebolar pra mim.

E a fotografa anuiu à condição assim que os dedos começaram a se movimentar dentro dela.

_Delícia. Rebola desse jeito, gostosa.

Em um determinado momento quando os dedos de Clara acertaram um cheio o ponto G da namorada, Marina passou a delirar.

_Ai amor, aí. Assim. Não para.

_Tá gostoso?

_Muito. Muito gostoso — respondeu entre gemidos loucos que iam aumentando de volume exponencialmente na medida em que o prazer ia percorrendo seu corpo. No fim ao mesmo tempo em que ela arquejou, soltou um urro em manifestação do forte orgasmo que a atingira.

_Satisfeita? — A fotografa perguntou após ter se recuperado um pouco.

_Muito! — respondeu suspirando a outra. — Agora você pode fazer o que queria.

Marina deu um beijo rápido e molhado nos lábios dela a título de exemplificação e foi subindo o vestido que ela usava. A própria a ajudou a tirar a calcinha. Logo a fotografa partiu para o meio das pernas de Clara ajoelhada no chão.

_Abre. Fica bem aberta pra mim. — Pediu. Então parou instantes olhando a beleza do sexo da amada, encantada. Da onde olhava podia vê-lo pulsante ou seria só sua imaginação? Seu desejo? Não saberia dizer, por isso, avançou logo abocanhando o órgão rosa escuro a sua frente que minava o liquido viscoso que a mesma tanto amava. Ela o lambeu, tomou, se lambuzou e ao final. Se deliciou com o gozo da namorada.

No caminho de casa um tempo depois, Clara pensava: “Marina tinha razão. Seguir o dia após ter desfrutado de um orgasmo maravilhoso era muito melhor”. E ria de seus pensamentos devassos. Mais tarde, naquela noite ela também usaria o presente que ganhou da namorada na cozinha da mansão dias antes pensando e lembrando do final daquela manha.

**

Na mesma semana elas compareceram ao jantar que Vanessa tinha conseguido com um possível apoiador financeiro para a exposição.

O homem, muito bonito, de meia idade, uns 45 anos talvez, se interessou pela assistente logo de cara e não disfarçou. Clara, por sua vez, achou-o muito bonito, sem dúvidas, um homem pelo qual se interessaria fácil e sentiu-se lisonjeada com o interesse dele.

_ Que prazer conhecer a famosa, Marina Meirelles! — Manifestou o homem se levantando assim que o maitre levou-as até a mesa.

_Ah, que isso. Nem tão famosa assim, Fernando. – Marina não sabia ser modesta. Fato.

O homem, galante puxou a cadeira para que a fotografa se sentasse.

_E essa – falou dirigindo-se a Clara – deve ser a moça que falou comigo ao telefone...

_Errado – Clara riu um pouco tímida — Aquela foi a Vanessa, sócia do estúdio, eu sou a Clara, assistente da Marina, prazer – Estendeu a mão ao homem que não ficara em absoluto constrangido com o engano.

_Mas que bela assistente – Ele beijou-lhe a mão em vez de apertá-la.

Era um homem atraente, acionista e presidente de uma grande empresa. Ouviu com atenção a proposta das duas durante o jantar sem deixar de olhar com interesse manifesto para Clara que não se demonstrou em momento nenhum, incomodada com o “assédio”.

Ao final, Fernando disse a elas que apesar de ter gostado bastante da proposta (proposta essa que não foi manifestamente explicada como uma exposição sobre o olhar de duas amantes, isso fora decidido por elas que seria surpresa, parte do “show”) mas, que teria que se reunir com algumas pessoas antes de assumir qualquer compromisso. O que, enquanto figura atuante nesse ramo há alguns anos já era esperado pela fotografa, assim os três então apertaram-se as mãos e se despediram.

No carro, a caminho de deixar Clara em casa, a fotografa manteve-se séria e introspectiva apesar de toda a empolgação da namorada. A assistente tinha certeza de que conseguiriam o patrocínio, porém, ao notar que Marina não compartilhava da empolgação questionou-a:

_Marina? Qual o problema?

_Nenhum. Só tô com dor de cabeça — Respondeu seca.

_Ei, espera aí. Porque você tá falando comigo desse jeito?

_De que jeito, Clara?

_Assim, seca...

a fotografa então, não aguentou e parou o carro.

_Tem certeza que você não sabe?

_Sei de que? Do que você tá falando?

_Tô falando dos olhares e gentilezas entre você e ele – deu ênfase no “ele” — a noite inteira.

Clara gargalhou.

_Você só pode tá de brincadeira.

_Você acha? Porque eu não vi motivo nenhum nessa noite pra brincadeira ou pra me divertir com o que quer que seja.

_Eu – pausou – eu sinceramente não sei nem o que te dizer, tamanho o despautério do que você tá insinuando.

_Não tô insinuando. Estou dizendo com todas as letras. Aquele homem deu em cima de você o jantar inteiro e você aparentemente gostou.

_E por que eu não gostaria? Que mulher não gosta de ser cortejada, desejada? Mas isso não significa nada.

Marina riu de indignação.

_Então, você admite?

–Admito ué, mas, qual o problema? Você é a primeira a desfilar seduzindo e encantado aonde vai, tá me julgando por quê?

_Quer dizer que você agiu assim de propósito pra, sei lá, descontar?

_Não. Eu só dei um exemplo. Não me incomoda que você seja assim, ao contrário, me atrai e me deixa orgulhosa, me envaidece, porque você é minha! — Frisou essa parte – o que eu quis dizer é que é claro que ser cortejada daquele jeito faz bem pra autoestima, pro ego, etc, mas que não significou nada e que você devia saber disso. E outra, pelo jeito que você tá falando tá me acusando de ter retribuído, coisa que eu não fiz.

_Eu devia, mas eu não sei. Não sei como você se sente diante de um homem. — Agora o tom não era mais agressivo, era de insegurança.

_O problema então é esse? O fato de ser um homem? Se você supostamente julgasse que eu me senti atraída por uma mulher não teria problema?

_Não é isso, é que eu – pausou com vergonha de confessar – tenho receio de que, de repente, você sinta falta de alguma coisa, entende?

Notas finais
Eita, Clara. MAOQ???????