Unchained Melody
50 Happiness
Notas iniciais
Clara abriu a guarda. Marina falando daquele jeito a fazia desmanchar-se.Beijou-a com carinho.
_Meu amor, você – pausou a fim de escolher as melhores palavras – me completa de um jeito que eu nunca imaginei que fosse possível. Quer dizer, você não me completa, me transborda. Eu não consigo me imaginar sentindo falta do que quer que seja do seu lado.
O olhar transmitia a mais pura sinceridade e por causa disso A fotografa beijou-a de volta e o beijo selou o entendimento, sem mais delongas, discussões ou conflitos.
_Te amo.
_Eu te amo mais.
A outra fez uma cara como se dissesse “Impossível” e elas seguiram para o Leblon.
**
Durante um final de tarde no estúdio, após um longo ensaio elas sentaram-se para escolher as fotos da exposição. Em meio à difícil tarefa de escolher umas e descartar outras, elas conversavam e faziam planos para o grande dia até que Marina expressou a vontade manifesta de que seu pai comparecesse.
_Queria que meu pai viesse. Tá certo que essa não vai ser a minha primeira exposição. Ele já compareceu a algumas, não compareceu a outras, mas essa, essa vai ser especial. A mais especial, e pra mim vai ser como se fosse a primeira, gostaria muito que ele estivesse presente.
Clara se comoveu com a revelação, porém, como havia muito pouco a fazer uma vez que não tinha ideia de onde o pai da amada se encontrava, tentou descontrair.
_Bom, você pra ele contando, depois quando marcamos a data liga de novo e é claro, manda o convite. Quem sabe meu sogro não resolve dar o ar da graça e aproveita pra conhecer a nora preferida.
_Nora preferida?
_Sim, claro. Afinal de contas, sou a única.
Elas riram
Em meio ao trabalho, conversas e risadas o telefone da fotografa tocou, era Fernando. O homem ligou dizendo que querer conversar com as duas e informando que decidiu apoiá-las.
Clara suspeitou que a rápida decisão talvez fosse por causa dela e dividiu a dúvida com Marina que acreditou ser possível.
_Esse tipo de homem faz de tudo para impressionar, ainda mais uma mulher como você que além de linda não se demonstrou deslumbrada ela conversa dele, mesmo sendo uma “simples assistente”.
_O que c tá querendo dizer? Que ele pode estar pensando que pode me comprar?
_Não exatamente isso, mas, te agradar e como você também não se mostrou incomodada com as investidas ostensivas dele (...)
Por isso, elas combinam que a assistente iria se encontrar com o sujeito sozinha e esclarecer a situação.
_Nossa, olha a hora. Preciso correr, o Cadu me pediu pra buscar o Ivan na escola. — Sobressaltou-se interrompendo qualquer possibilidade continuação do assunto.
_Posso ir junto? Saudades do Ivan.
Marina direcionou à Clara um sorriso pidão.
_Claro. Vai ser ótimo e ele vai adorar te ver.
**
Clara olhava o filho cabisbaixo no banco de trás pelo retrovisor.
_Que cara é essa hein, filho?
_Ah – pausou — é que eu contei pra um colega meu lá da escola que você tinha uma namorada.
Clara ficou apreensiva.
_E?
_E... que ele me chamou de mentiroso, que mulher não namora mulher. — Houve um silêncio constrangedor e ele continuou — Disse que nunca viu.
_Eu já te disse filho, vocês são crianças, têm muitas coisas que vocês ainda não viram. — Clara não sabia mais o que dize. Sabia que uma hora se veria diante de dada situação, mas agora que chegara estava petrificada.
Marina notando a paralisia dela se manifestou a fim de ajudá-la:
_Eu tive uma ideia. Que tal se a gente saísse e levasse esse seu amiguinho hein, Ivan?
O menino se animou na hora. As crianças resolvem os problemas existências muito mais rapidamente que os adultos.
_Tem certeza que vai ser uma boa ideia, Marina? — Questionou Clara.
_Porque, não? É claro que temos que conversar com os pais dele antes – essa era a parte complicada – mas, se der tudo certo e eles permitirem vai ser ótimo.
Era a parte da “permissão” que deixava Clara apavorada. Chegara a hora de enfrentar não a família ou o ex marido, mas sim a sociedade. No entanto, cedo ou tarde teria que fazê-lo e que motivo melhor se não pelo filho? Assim, ela anuiu.
_E eu posso levar o Théo também?
_Quem é esse? — Marina perguntou.
_Irmão dele.
_Ah, sim. Pode é claro e aonde nós vamos? Você escolhe.
_A gente pode ir naquele parque que passamos em frente outro dia hein, mãe?
_Por mim, combinado. — Clara concordou embora um pouco preocupada. Tinha medo que os pais dos garotos posicionassem-se contra e que isso decepciona-se o filho.
**
Clara chegou deslumbrante e não pôde deixar de notar o brilho nos olhos do homem ao vê-la. Fora ela quem escolheu o lugar e assim sendo decidiu que o galpão, aliás o bistrô seria o melhor território.
Ele dessa vez quando pegou na mão dela a fim de depositar um beijo cortês ali, viu a marca que ela ainda tinha da aliança no dedo da mão esquerda.
_Ora ora, então você já foi casada?
_Sim.
_E pelo jeito não faz muito tempo que se separou.
_Não mesmo, é recente.
_Vamos nos sentar. — Sugeriu ele e foi logo puxando a cadeia para ela.
_Foi casada por quanto tempo?
_Dez anos. Quer dizer, quase. E tenho um filho de oito.
_Que interessante! — O homem parecia realmente empolgado com isso.
_Eu também tenho filhos. Dois meninos, um de 6 e um de 10, uns pestinhas. Mas são a minha vida
Clara achou bonita a maneira que um homem tão fino, elegante e rico falava dos filhos.
_Você é casado?
_Eu não disse isso. — Ele riu. — Viúvo.
_Meus pêsames!
_Tudo bem. Já faz tempo.
_Mas e você, seria indelicado se eu perguntasse o por que se separou? Porque a maioria das mulheres quando falam dos ex casamentos não reagem com um sorriso no rosto como você reagiu, realmente começam a falar muito mal dos exs. Sem mencionar a loucura de ter deixado uma mulher como você escapar.
Clara riu. A enxurrada de perguntas a estavam deixando tonta, não esperava tamanho interrogatório, no entanto não era desagradável, ao contrário, suspeitava que isso a ajudaria chegar no ponto aonde queria.
_Pior que essa primeira parte é verdade. Mas no meu caso, meu casamento terminou super bem. E nós continuamos convivendo numa boa, principalmente por causa do nosso filho, o Cadu, meu ex-marido, é um ótimo pai. E ele, inclusive é o dono desse lugar aqui em que estamos.
Ela riu pela oportunidade quase única de surpreender o homem que aparentemente não se deixava impressionar facilmente.
_Então quer dizer que eu vou conhecer o maluco?
Ela riu de novo, embora encabulada.
_Possivelmente sim.
_Mas você falou que ele é um ótimo pai, e um ótimo marido, não era?
_Ah, assim... todo mundo tem seus defeitos, mas eu não tenho nada a reclamar dele como marido não.
_Então?
Clara enfim estava chegando no ponto que queria, afinal fora sobre isso que foi tratar.
_Então que, apesar de nosso casamento estar bem, de termos sido felizes por vários anos e de termos um filho lindo eu – pausou corando, mas, ao mesmo tempo, orgulhosa pelo que ia dizer – me apaixonei por outra pessoa.
O homem fez um “O” de surpresa.
_Mulheres. Essas quando se apaixonam largam casa, marido, cachorro ...
A maneira como o homem falou não foi nem de longe ofensiva, por isso, Clara, inclusive teve que concordar.
_É verdade. E no meu caso foi assim, fulminante.
_Olha eu aqui fazendo um milhão de perguntas indelicadas, onde é que foi parar minha educação?
_Tudo bem, não tem problema.
_Mas é que quando te conheci, Clara fiquei encantado, confesso. Com a sua beleza e também com uma coisa que você carrega no olhar que eu ainda não consegui decifrar o que é. -
Agora a assistente ficara realmente constrangida. — Eu seria indiscreto se perguntasse como as coisas estão indo com o sortudo?
_Na verdade – pausou – é sortuda.
O homem fez outro “O” este mais enfático, e ela não precisou continuar.
_A Marina? — ele riu sem graça pela gafe que cometera.
Ela assentiu e a sensação foi alívio por tê-lo feito.
_E é por isso que eu quis vir sozinha. Desculpa ser assim tão direta, mas notei o seu interesse no jantar do outro dia e eu não queria que ficassem mal-entendidos entre nós.
Dessa vez foi o homem quem riu.
_Peraí, você tá achando que eu resolvi apoiar a exposição por causa do meu interesse em você?
_Bom, se eu tiver entendi mal, me desculpa mas...
_Bobagem, não tem problema.
Continuaram conversando e o homem deixou claro que as apoiaria porque gostou de fato da proposta e a assistente não só acreditou como inegavelmente gostou da companhia do homem. Fazia tempo em que conversava apenas com família, com a namorada, com o povo de estúdio ou sobre negócios. Foi bom passar algumas horas em uma companhia diferente e agradável e o melhor: A exposição de fato tornar-se-ia realidade. Ela mal se aguentava de alegria e ansiedade por causa disso.
**
No final de semana, Clara, Marina, Ivan e os dois irmão amigos do filho de Clara foram ao parque.
Após sentir-se torturada pela trupe que envolvia todos os outros exceto ela, a assistente estava sobremaneira contente por ter um descanso e não ter que ir a brinquedos que a faziam se sentir como se seu estômago tivesse ido parar na boca.
Ela e Marina estavam sentadas em um banco enquanto esperavam os garotos no “bate-bate”.
_Achei legal a postura da Glória. Deixou até os garotos dormir lá em casa.
_Eu também. E isso vai ser bom pra servir de exemplo para os outros pais.
_É incrível, né? Mesmo que as pessoas tenham preconceito, elas fingem não ter pra seguir a mesma tendência dos outros. Não que esse seja o caso dos pais dos meninos, mas tem muito gente hoje em dia agindo assim.
_Melhor pra nós, né? — Clara colocou o braço envolva do ombro de Marina e continuou – Porque eu não quero que meu filho sofra.
_Vamos fazer o possível pra que isso nunca aconteça. Até porque graças a Deus as coisas têm mudado.. — Marina descansou a cabeça no ombro da namorada.
_É, antes como a minha vida era muito distante disso tudo eu não sabia e confesso que tive muito medo, mas agora que estou dentro da situação vejo que as coisas não são, ou, pelo menos, não são mais, tão complicadas.
_Verdade Clarinha. Hoje em dia até quem tem preconceito tem vergonha de admitir, de parecer ignorante e também, acho que a maneira com que nos tratam deve-se muito á postura que resolvemos adotar. Se nos acuamos, se nos escondemos a tendência é que as outas pessoas também nos acue e queiram que nos escondamos.
_Eu nunca tinha pensado por esse lado. — Falou reflexiva. (..)
Naquele dia os amigos de Ivan além do próprio, é claro, passaram a noite na mansão, bem como parte do domingo que decorreu com bastante alegria.
Quando foi levar Theo e o irmão em casa Clara ainda foi surpreendida por uma declaração da mãe dos garotos:
_Eu acho importante que meus filhos convivam com a diversidade. Hoje em dia o mundo está tão... que é difícil encontrar boas pessoas, então, quando encontramos não podemos abrir mão disso por uma coisa tão particular quanto a sexualidade. O Ivan é um menino de ouro e nós, eu, meu marido, você e o Cadu já nos conhecemos desde que eles eram pequenos, eu sei que a família de vocês é constituída por gente de bem, por isso, pode ter certeza de que o depender de nós aqui em casa seu filho vai ser sempre muito bem-vindo e querido.
Clara se emocionou com a declaração e não pode deixar de retribuir as palavras de tolerância com um abraço.
**
Clara andava apenas com uma blusa amarrada na altura da cintura e calcinha. Deitadas Marina, qu também estava seminua com apenas uma calcinha de cintura alta e sutiã, passava os dedos suavemente pela barriga dela.
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