Unchained Melody
33 Desmoronando
Notas iniciais
_Surpresa? Como assim? O que você aprontou dessa vez?
_Nada demais, não vai se animando muito não. Daqui a pouco eu chego aí.
_Tudo bem, tô te esperando, ansiosa.
Dessa vez foi Marina quem riu, permitindo-se relaxar.
***
Quando Clara entrou pela porta do estúdio quase uma hora depois, para Marina foi como o sol iluminando o dia no amanhecer. Estava linda e com um sorriso esfuziante. Clara pitara o cabelo, como a fotografa havia sugerido e a mudança caíra-lhe muito bem, aliás, mais que bem. Além da cor diferente, isto é, mais escuro, eles estavam, é claro, produzidos uma vez que ela havia acabado de sair do salão de beleza. Quer dizer, os cabelos só não, ela inteira. A maquiagem também era atípica, não a habitual do dia-dia e a roupa parecia ser nova.
A boca de Marina estava aberta de tal forma que a mesma não conseguiu esboçar qualquer som quanto mais uma palavra inteira. Os elogios então, a princípio, ficaram por conta das outras funcionárias do estúdio, Flavinha, Gisele e Vanessa, os dessa menos entusiasmados que os das demais.
_Ualll
Disseram as três em uníssono fazendo uma reverencia que Clara prontamente retribuiu divertida.
Num segundo momento se direcionou sorrindo ao alvo de suas intenções, a responsável por toda aquela mudança e produção: Marina.
Assim a outra finalmente conseguiu falar, porém, ainda embasbacada:
_Não sei como você consegue ficar ainda mais bonita.
Deram-se um beijo rápido e a fotografa continuou admirando-a vidrada.
_Isso merece uma comemoração, temos que sair para desfilar a sua beleza por ai.
Foi a única coisa que conseguiu pensar.
_Pode ate ser, mas essa comemoração vai ficar pra mais tarde porque ainda temos muito o que fazer aqui.
_Ainda bem que a Clarinha é uma pessoa sensata – foi falando Vanessa entrando no meio da conversa – ao contrário de você né Marina.
Clara assentiu para Vanessa impressionada com a mudança repentina, parecia que em fim elas teriam paz e trabalhariam em harmonia. Assim o fizeram pelo resto da tarde e início da noite.
Por vezes a fotografa parou o que estava fazendo para admirar em silêncio a linda morena que, “por sorte” pensava ela, era toda sua, sua namorada, sua mulher, seu amor.
***
Chegaram em um restaurante que Marina escolheu em segredo. Deixando Clara impressionada com tamanha agradabilidade do ambiente. Era aconchegante, à meia luz, música suave apenas instrumental, o cheiro que exalava, maravilhoso. A mesa que a fotografa mandara preparar ficava em um canto, à Clara pareceu ser em um espaço especial, talvez para clientes “vips” não saberia dizer.
Sentaram-se à luz de velas.
_Foi aqui que eu disse que queria te trazer no outro dia, tem umas massas ótimas.
O melhor para massas era vinho, de preferência tinto, no entanto, Marina queria comemorar. Comemorar o visual novo de Clara, comemorar a estabilidade dos negócios, mas principalmente, comemorar o fato de estar viva, mais viva que nunca e de ter encontrando o amor de sua vida.
_A você, ao amor, a tudo isso que a gente tá sentindo.
Falou a fotografa enquanto brindavam.
Durante o jantar elas trocaram carinhos discretos. Agora Clara já não tinha tanto medo de se expor. Talvez a postura diferente fosse reflexo da conversa que tivera com a irmã, ter se assumido para mais alguém a deixava mais leve.
Durante o mesmo Marina contou para Clara que conversou com o pai. Ele finalmente aparecera, e ela aproveitou para contar delas.
_Como foi isso?
_Bom, ele resolveu dar sinal de vida para me dar os parabéns pela forma com que eu venho lidando com o “castigo” que ele me deu e eu disse que o mérito na verdade não era meu. Que era da “Clara”, então ele ficou confuso e claro, perguntou quem era “a clara” — riu – ai eu contei tudo pra ele.
_E ele?
Perguntou a assistente apreensiva.
_”Não me diga, minha filha! Então quer dizer que você arrumou alguém que tem colocado juízo nessa sua cabeçinha” — a fotografa falou imitando a voz do pai e repetindo exatamente as palavras dele.
Elas gargalharam e Clara aliviou-se.
_Viu? Até o seu pai sabe o quanto a senhorita já aprontou.
_Ih, aprontei nada. Só tive algumas paixões, só isso.
_Pois é, mas agora me escolheu e acabou...
Marina assentiu verdadeira com os olhos.
_Ah e ele prometeu aparecer para uma visita e conhecer você, em breve.
_Quer dizer que eu estou prestes a conhecer o meu sogro? Caraca que responsabilidade.
Falou rindo mas, ficou realmente preocupada. “Será que um homem provavelmente muito distinto e principalmente absurdamente rico gostaria dela”? “Achar ia-a digna de sua filha”? Até esqueceu o fato de elas serem duas mulheres e aquilo não ser nada convencional e que se o pai fosse se preocupar com alguma coisa, provavelmente se preocuparia com isso.
Marina como se tivesse lido seus pensamentos falou:
_Meu pai, assim como eu, vai se apaixonar por você. Tenho certeza.
Já no final do jantar a fotografa direcionava à namorada olhares sedutores, em um deles, Clara se manifestou:
_Toda vez que você me olha assim, me conquista de novo.
Na mesma hora começou a tocar uma música familiar, era a música delas “Unchained Melody” , no entanto, versão Elvis Presley instrumental.
Marina se aproximou dela, segurando-lhe o rosto.
_Você – pausou – é a maior alegria da minha vida. Sua bandida, roubou meu coração.
Selou as palavras colando os lábios, num selinho rápido, nos dela.
Clara, emocionada, de maneira nenhuma se incomodou por estarem em público.
***
Deixaram o restaurante mais apaixonadas que nunca, naquela noite o acaso as ajudava, ou o destino porque além da música no momento propício, a lua também conspirava a favor delas. Pararam para vê-la de dentro do carro.Ela estava cheia, dourada e enorme do ponto de vista de onde estavam. Marina achou a ocasião perfeita para dar a Clara um presente que comprara no dia anterior.
_É aquele sabonete liquido que você gostou.
_Aquele da semana passada que você me provocou no restaurante em pleno almoço e quase me matou?
_Esse mesmo.
_Que delícia!
Falou abrindo a sacola.
_Agora seu corpo todo também pode ter esse cheiro.
Ofereceu o pescoço para ela sentir.
Clara o fez enquanto tirava o frasco da embalagem, assim, fazendo-o sentiu o cheio que exalava do produto também.
_Maravilhoso.
Falou já levando a boca ao encontro da de Marina ao mesmo tempo em que lhe fez um carinho na face. O beijo que começou suave logo se intensificou. As mãos também logo passaram a percorrer o corpo uma da outra, não se detendo em avançar por lugar nenhum. Sentiram-se úmidas sobre a calcinha enquanto o beijo tornou-se sôfrego. A temperatura dentro do carro fechado já devia passar de mil graus, julgariam elas. O fogo da paixão estava mais uma vez aceso.
_Vamos embora?
Chamou Clara afastando a boca apenas o suficiente para proferir essas palavras, então voltou a atacá-la sem nem dar tempo que a outra respondesse.
_Não sei, será?
Falou fazendo-se de difícil a outra quando conseguiu responder, também sem desgrudar totalmente os lábios.
Clara intensificou o beijo, praticamente engolindo sua boca enquanto apertou o meio de suas pernas a fim de convencê-la, arrancando-lhe suspiros. Depois foi diretamente ao seu ouvido:
_Eu preciso fazer sexo gostoso com você. Vamos, por favor!
A verdade era que embora Marina tenha feito certo charme, estavam ambas alucinadas, tinham passado alguns dias sem transar, se provocando em silêncio, segurando-se propositalmente. Porque quando acontecesse...
***
Entraram alegres e de mãos dadas pela porta da mansão, ainda na grande sala Marina parou e lançou à outra, seu já conhecido olhar intimidador.
_Tira a minha roupa!
Não era um pedido, era uma ordem. Clara sabia, no entanto, não pôde deixar de olhar para todos os lados antes de se manifestar:
_Aqui? Mas e os empregados, louca?
_Pela hora, estão dormindo e se não estiverem … — deixou no ar, mas a expressão dizia-lhe “paciência”.
Clara pareceu refletir por instantes, então se aproximou dela de forma sensual deixando claro que a obedeceria, porém, antes alcançou seus lábios, assim, continuando o beijo intenso que trocavam no carro. Ela tirou a roupa de Marina lentamente, deixando cada peça jogada pelo chão, não sem se aproveitar do corpo dela no processo.
Quando a fotografa se viu completamente nua, se afastou, direcionou a namorada um olhar fixo e seguiu desfilando sem qualquer pudor pela casa, a caminho do quarto.
A falta de pudores de Marina nesse sentindo ainda deixa a assistente atordoada, tanto que ela levou segundos para segui-la ao em vez de fazê-lo imediatamente.
Uma vez no quarto, Marina executou o mesmo ritual que a namorada executara momentos antes, tirando-lhe a roupa também se aproveitando do corpo bronzeado a sua frente. Então, tendo terminado, jogou-a na cama.
Clara sentia-se paralisada pela forma que Marina a olhava. Aquele olhar sedutor e sobretudo altivo dela deixava-a trastornada. Amava quando ele aparecia era como se Marina se transformasse em outra mulher. Ela tinha dessas coisas, transitava entre a personalidade doce quase como uma criança e a personalidade forte como uma rainha.
_Você acha que eu esqueci da mensagem da outra noite?
Perguntou a fotografa ainda em pé ao lado da cama, em frente a ela.
_Tenho certeza que não.
Clara respondeu mordendo os lábios. Ato que sempre levaria a namorada às alturas.
_Foi bom?
_Muito.
Respondeu quase suspirando ao lembrar.
_Pois agora você vai mostrar pra mim o que fez. Quero assistir, tudo.
As rédias da situação eram da fotografa, aquela noite ela comandaria..
Clara extasiou-se com a ideia de exibir-se para ela, o corpo respondia com descargas elétricas ininterruptas enquanto ela descia a mão lentamente pelo próprio corpo detendo-se alguns segundos pelos seios, apertando-os em forma de provocação. Até que a mesma alcançou o sexo molhado. Ela estava excitada desde que o clima esquentou dentro do carro, e enquanto a fotografa tirava-lhe a roupa sem deixar de passar a mão por todo o seu corpo, excitou-se ainda mais. Por isso, sabia que estaria encharcada, não sendo nenhuma surpresa o estado que a mão encontrou em seu sexo. Soltou um gemido fraco quando um de seus dedos pressionou com firmeza o próprio clitóris, sentindo-o pulsando descompassado.
Nesse momento a fotografa puxou-a mais para a ponta da cama fazendo com que seus joelhos tivessem que se dobrar para não sair dela. Agachou-se ajoelhando no chão, o que a deixou bem perto do sexo da amada, então com as duas mãos separou as pernas dela ao máximo.
Durante esse ato Clara parara de se estimular, na verdade por um momento acreditou que a boca quente de Marina avançaria em sua intimidade, ,o entanto, não era isso que a mesma tinha em mente, pelo menos ainda não.
_Assim, quero assistir você toda aberta se tocando pra mim — E Clara de fato estava completamente aberta, os grandes e pequenos lábios, seu clitóris estava totalmente visível e exposto dali — Mas não goza amor, deixa pra gozar na minha boca.
Enquanto a namorada falava Clara obedecia voltando a se estimular, anuíra a ideia principalmente porque a última parte era uma das partes que mais gostava: Gozar na boca de Marina.
A fotografa, por sua vez, assistia extasiada a namorada masturbando-se. Sobretudo porque Clara o fazia provocativamente, olhando-a, encarrando-a, mordendo os próprios lábios, contorcendo-se, enfim, todas as coisas que ela sabia que deixavam a fotografa enlouquecida. A intimidade adquirida com o passar do tempo tem dessas coisas.
A certa altura Marina passou o indicador pela extensão encharcada no meio da namorada e levou aos lábios.
_Você quer? Quer minha boca ai? — perguntou também provocativa.
Era só nisso que a outra pensava, na boca da fotografa no órgão que estava tocando enquanto estimulava a si mesma.
_Se você não me chupar logo eu vou gozar sem você.
Clara dava sinais de que o gozo estava próximo.
_Para — tirou a mão dela do órgão que estimulava. Marina então penetrou-a indo em busca do ponto G.
Quando notou que ela estava a ponto de ser atingida pelo orgasmo alcançou a parte externa com a boca. Além de comê-la, passou também a chupá-la. Metia nela com ímpeto e chupava-a com volúpia. Ela cadenciava o estimulo empreendido pela boca com o empreendido pelos dedos. Querendo um orgasmo duplo.
Clara gozou desesperadoramente na boca e nos dedos da amada que fez questão de beber o liquido que minava dali. Aquela, para Clara fora uma sensação completamente nova. Depois do orgasmo arrebatador ela estava acabada, o corpo quase não respondia, mas Marina não tinha terminado com as lições da noite, ainda tinha algo novo a lhe mostrar. Esperou que ela se recuperasse ao menos em parte, dai seguiu colocando em prática o que ainda tinha em mente para aquela noite.
_Vem, vou te mostrar uma coisa — pausou – nova.
Clara se deixou guiar, quando Marina se transformava daquela forma, inevitavelmente os papeis se invertiam. A Clara submissa aparecia entregue aos comandos da fotografa. Marina usava um tom intimidador que tinha o poder de deixá-la imediatamente excitada. Falando daquele jeito então, dominadora, firme, experiente de tal modo que à Clara parecia como uma professora que ainda tinha muito a ensiná-la. Segundos depois ela descobriria que tinha mesmo.
Fez com que Clara se posicionasse mais no meio da cama, então, de joelhos se aproximou dela, passado uma das pernas pela dela de modo que acabou enganchando o próprio sexo no dela, os meios molhados de suas pernas estavam colados um no outro agora, e seus clítoris entumecidos se encontravam em um encaixe perfeito, com a mão, Marina abria os próprios lábios inferiores de tal forma que pudessem permitir o contato total
A sensação era esplêndida e inigualável, julgara Clara. Coladas daquela maneira ela conseguia sentir o clitóris da outra pulsando junto com o seu. Concluiu que, sem dúvidas, ainda tinha coisas novas e maravilhosas a aprender na dinâmica de amar e ser amada por uma mulher, sexualmente falando.
Marina começou a rebolar, enquanto segurava as mãos da outra em busca de apoio. Começou em uma velocidade moderada, assim agia de modo que ao mesmo tempo em que as estimulava ensinava a outra a fazer o mesmo, porém, no sentido contrário.
Por sua vez, Clara logo entendeu o que fazer, não havia mistérios, há tempos descobrira que o segredo era se deixar contagiar pelo tesão e o corpo intuitivamente faria o resto.
Assim, a velocidade com que esfregavam os sexos um no outro, aumentou exponencialmente num frenesi absurdo, por causa disso toda aquela extensão específica das duas ficava cada vez mais melada na medida em que o ritual prosseguia ininterrupto.
O que mais extasiava a fotografa, fora o modo como seus sexos de encaixaram perfeitamente, como se tivessem sido feitos para aquilo, era o modo como Clara rapidamente pegara o jeito da coisa.
Enquanto isso, a assistente delirava porque além do que sentia em baixo, ainda tinha a visão sexy de Marina rebolando quase alucinada sem deixar de olhá-la provocativamente nem por um segundo..
Seus sexos escorregavam um no outro por causa da lubrificação que minava de ambas. Ambas também gemiam alto, sem limites para manifestarem o prazer que sentiam com o ato, os dedos de suas mãos, entrelaçados se apertavam expressando cumplicidade pois davam-se apoio na consecução do movimento necessário à manutenção do prazer que se proporcionavam.
Instantes depois, Marina sentia o orgasmo aterrador chegando para consumi-la em prazer, porém, se aguentava, aguentava a hora certa. Queria que gozassem juntas como se fossem uma só. Esperava o corpo de Clara manifestar seus espasmos característicos para se entregar. Não falava, não perguntava, queria que apenas seus corpos se comunicassem. E eles o fizeram perfeitamente. Gozaram juntas, dois orgasmos magníficos.
Ainda na mesma posição, segurando uma à outra pelas mãos, elas se encarraram profundamente.
_Te amo!
Expressou a fotografa.
_Muito.
Completou a outra.
As palavras, transmitiam a intensidade do amor que as unia.
Mais tarde, ainda na cama elas conversavam.
_Toda vez que penso nessa coisa da relação entre duas mulheres acho tudo muito louco, pra mim ainda é muito surreal, maravilhosamente surreal.
Seu semblante ainda transmitia o êxtase proporcionado pela experiência vivida anteriormente.
_Louco, surreal e extremamente excitante.
Afirmou Marina.
_Você também se sente assim?
Perguntou Clara a ela, surpresa com o que ela dissera.
_Sim, sempre. A sensação nunca passa. Num sei, acho que é por causa da ideia de viver algo proibido.
_É pode ser isso. Gosto quando você me domina como fez hoje – falou Clara mudando de assunto.
_Meu amor – pausou – eu sempre te domino.
Gargalhou, mas falara em tom de verdade.
Era fato que Clara sempre fazia, de certa forma, o que Marina desejava, mesmo quando a dominava ou a subjugava no fundo estava obedecendo aos comandos da fotografa, ambas sabiam disso.
Marina a induzia a subjugá-la, a possuí-la, dominá-la, a comê-la... Por quê? Porque Marina compreendia os anseios da libido de Clara, a mesma necessitava, talvez, de certa forma, recuperar o tempo perdido. Nem a própria Clara sabia objetivamente disso, mas a fotografa sabia e dava isso a ela. O que a assistente sabia, aliás, tinha certeza era que a fotografa se tornara ostensivamente dona do seu corpo e de sua alma, de suas vontades desde o dia em que colocara os olhos nela
_Não importa, o que eu preciso é do seu corpo no meu o tempo todo, como respirar — respondeu.
***
No sábado de manhã...
_Marina o seu sócio te ligou... — ia continuar, mas a fotografa se adiantou.
Disse Vanessa.
_Sócio? Que sócio?
_Dá galeria de São Paulo.
_Ah.
_Então, eles não depositaram o dinheiro desse mês e a gente aqui no estúdio tava contando com isso, dai eu liguei pra lá ontem e deixei recado, só hoje que ele retornou com uma desculpinha que eu não acreditei nem um pouco. Enfim, em todo caso a gente precisava desse dinheiro pra cobrir as contas na segunda e não teremos. Você vai ter que ir pessoalmente até lá resolver isso e também já passou da hora, né? Sei que não tenho nada a ver com isso, que o dinheiro é seu mas, a gente tá contando com isso até que o estúdio dê lucro efetivo, coisa que ainda não aconteceu tendo em vista que você nunca se preocupou com isso já que tinha o dinheiro do seu pai pra colocar aqui.
_Tá Vanessa, eu já sei disso tudo, não precisa repetir tudo de novo, o problema e que quem cuidou disso até hoje foi a Clara.
_Então liga pra ela, mas, de qualquer forma, você vai ter que viajar.
_Sério? Mas eu já tinha combinado com o Ivan da gente passar o domingo na piscina – falou pesarosa — além disso, a gente tá cheia de trabalho aqui, já tinha combinado com a Clara de passar o sábado colocando as coisas em dia.
_Eu sei, mas se esse dinheiro não aparecer nossos credores vão cair em cima de nós. Ainda nem nos recuperamos do mês em que seu pai fez o corte repentino.
_Não. Tudo bem, você tá certa. Vou ligar pra Clara e ligo de volta pra lá dando uma resposta.
**
As galerias como já estabelecidas no mercado, tinham lucro praticamente certo, por isso, eram as mesmas que estavam injetam capital no estúdio até que pudessem ter certeza que o mesmo se manteria por si só. Já o galpão era um caso a parte, uma aposta praticamente, tendo em vista que acabara de ser inaugurado. Esse raciocínio foi feito por Clara, assim como foi ela, sob aval de Vanessa que pensou na coisa do capital ir para o estúdio.
O balanço das galerias era mensal, e até então nem sequer fora preciso que Marina as visitasse e ela também não tinha tido interesse em fazê-lo. Sua cabeça estava totalmente voltada para o trabalho no estúdio e no galpão. Quem desde o começo conversava diretamente com os administradores para prestação de contas fora Clara. Marina julgava saber o suficiente: Ganharia um bom dinheiro, logo a mesada do pai não faria qualquer falta. O que, por óbvio, deixava todos no estúdio aliviados. A participação de Clara fora e continuava sendo vital em toda a vida … de Marina, por isso, esta tratou lhe ligar imediatamente e deixá-la ciente de tudo, pedir-lhe orientação e principalmente convidá-la para viajar com ela.
_Ai Marina, eu já ia te ligar. Meu bichinho acordou doente tadinho.
_Mas o que ele tem? É alguma coisa grave? Já foram no médico? Porque não me ligou antes?
Ela realmente estava bastante preocupada.
_Amor, calma – riu – Até parece que a mãe é você – riu mais uma vez, a verdade é que a ideia agradava a ambas – é só uma gripe, mas, mesmo assim, tem que ser tratada né, o bichinho tá ali … na minha cama. Já prometi ficar grudadinha nele o dia todo.
_Não. Você tá certa – sonhou por um segundo estar lá com eles e manifestou a vontade – Ain eu queria estar ai com vocês.
_Eu também. E acho que o Ivan também, ele gosta de você e homem doente você sabe como é, não dispensa um mimo, ainda mais sendo criança.
_Vou ligar pra São Paulo e dizer que não vai dar pra ir.
_Tá doida? De jeito nenhum, vai tem que ir Marina.
As palavras não foram de apoio, foram de …
_Tudo bem, vou correr aqui com as malas. Melhoras ai pro nosso bichinho, qualquer coisa não deixa de me ligar na hora, tá bom?
Clara derreteu-se ao ouvir a namorada se referindo ao filho daquela forma.
_Tá. Boa viagem.
_Amo você!
_Amo você!
Falaram ao mesmo tempo antes de desligar o telefone.
No mesmo momento o coração de Clara comprimiu dentro do peito, como se pressentisse que algo ruim estava prestes a acontecer.
***
_Que cara é essa, Marina?
_Ah, a Clara não vai poder ir.
__Porque?
_Porque o Ivan tá doente.
_Ah o filho – quase soltou um comentário desagradável, mas se conteve.
_Bom, eu posso ir com você. Assim, pra te fazer companhia.
Marina desconfiava da solicitude da ruiva, mas não queria cortá-la agora que estavam voltando a se dar bem, e também não queria viajar sozinha, por isso, acabou aceitando a oferta.
***
Marina ficou verdadeiramente satisfeita por ter aceitado a companhia de Vanessa. A viagem fora agradável, elas conversaram e se divertiram bastante relembrando os “velhos tempo” .Sentia como se tivesse recuperado a melhor amiga, dando-se conta que sentira mais saudades dela do que imaginava. Quando queria, a ruiva sabia ser a pessoa mais agradável do mundo.
Vanessa a acompanhou até a galeria. Conheceram o espaço juntas, relembrando tantas exposições que já tinham ido juntas. A ruiva a aguardou do lado de fora, por isso, estava pronta para tentar acalmá-la quando ela saiu da sala de reuniões uma hora e meia depois.
_Que foi Marina?
_Vamos sair daqui Van, agora!
De lá foram direto para o bar do hotel beber um pouco. Vanessa até quis sair, esticar a noite, mas Marina julgou melhor não. Também não tinha ânimo.
No caminho até lá contara à outra como ocorreu a reunião.
_Eles me explicaram todo o funcionamento da galeria, me apresentaram a alguns funcionários, contaram como funciona a escolha das novas exposições e etc, como se isso tudo me interessasse – desdenhou – e no final das contas se desculpou dizendo que não houve receita satisfatória e que resolveram como medida excepcional reinvestir o lucro na própria galeria.
_E fizeram isso sem te consultar?
_Exato! — Marina estava, sobremaneira, revoltada – disse que houve também um problema de comunicação, mas que ele arcaria pessoalmente com os “danos”.
_Então, ele vai depositar o valor que estavam nos relatórios na sua conta?
_Vai. Até porque ele não tem outra escolha, mas tem cabimento o que esse “senhor” fez”?
A conversa prosseguiu até o bar do hotel. De lá subiram para o quarto de Marina terminariam o “drink” lá. No entanto, a fotografa que estava exausta preferiu tomar um banho primeiro.
Enquanto Marina estava no banho, seu celular tocou, era Clara. Vanessa maldosamente fez questão de atendê-lo.
_Clarinha, a Marina tá no banho. Quer deixar recado?
Falou cínica.
_Não, não precisa – respondeu Clara, seca e desligou no mesmo instante.
Clara ficou intrigada com a presença de Vanessa no quarto da namorada, para não dizer outra coisa. Até porque, ela nem sequer sabia que Vanessa havia viajado com a fotografa.
***
Ao sair do banho Marina tentou falar com namorada, no entanto, sem sucesso. O que a deixou chateada, pois queria contar-lhe o que passara na reunião com o sócio. De fato ainda estava bastante zangada e tensa. Assim, Vanessa viu nisso a ocasião perfeita para tentar seduzi-la.
Notando a tensão da ex, a ruiva pensara cuidadosamente em tudo.
_Vem, deixa eu te fazer uma massagem, tô vendo como você tá tensa. Eu pedi uma esteira do hotel, sabia que você precisaria de uma massagem, sempre foi assim nas nossas viagens pelo mundo. Pedi também mais uma dose de whisky pra gente, seu preferido.
Por um minuto Marina pensou em se esquivar, mas, estava realmente bastante estressada e a massagem de Vanessa cairia muito bem, relaxar e uma dose de whisky eram tudo o ela precisava.
Deu-se conta que havia um certo tempo que não fazia esse tipo de coisa, coisas que lhe agradavam bastante. Olhou para a vida que estava vivendo nos últimos tempos e não a reconheceu como sua. Talvez fosse o efeito de estar ali, como em tantas outras vezes, em um quarto de hotel com Vanessa.Tirou o roupão, obviamente, sem qualquer pudor e se deitou de costas na esteira.
Após algum tempo sendo massageada a fotografa relaxou, tanto em relação ao nervosismo em que se encontrava, quanto em relação a ter aceitado que a ex a fizesse.
_Ai Van você sabe, né que mãos iguais as suas não existem outra...
Vanessa riu, satisfeita, então aproveitou para, enfim, atacá-la aproximando o rosto do ouvido dela, respirando ali, sem deixar de aperta-lhe os ombros.
_Eu sei disso, achei que você é que tinha esquecido.
Marina notou que a outra havia levado seu comentário para outro lado e tentou consertar, mas a ruiva continuou falando e se aproveitando da forma como a fotografa estava deitada.
_Não sente saudade do resto? Não lembra como era bom? — Beijo-a no pescoço próximo da nuca – como a gente se entendia?
_Para Van – falava, no entanto, não se movia.
Ela continuou, beijando suavemente o mesmo lugar novamente.
_Hein? Responde, não sente saudades? — respirava o ar quente que saia de sua boca na nuca da fotografa deixando-a arrepiada e paralisada.
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