Unchained Melody
13 Coragem
Notas iniciais
A fotografa já tinha notado que a morena fazia força entre as pernas, fechando-a, pressionando-a e que sua respiração ficara mais pesada. Agora ela mordia os próprios lábios. E quando ela falou, Marina sorriu safadamente, ainda com um dos seios na boca. Era isso mesmo que tencionava, queria que Clara quisesse mais e foi bem-sucedida. O tesão dela voltara, mesmo depois de dois orgasmos em sequencia.
Então, a fotografa subiu um pouco o corpo, fazendo com que seus rostos ficassem na mesma altura. Seus seios se encontraram por alguns segundos, o que fez a respiração para Clara ficar mais difícil. Ainda não se acostumara com essa sensação, e talvez não se acostumasse nunca. Mesmo que tentasse, não conseguiria entender como ela poderia ser tão boa. No entanto, Marina não permaneceu nessa posição por muito tempo, Virou-se um pouco de lado, seu tronco saiu de cima do dela e ela se apoiou em um dos braços, deixando o outro livre. Uma de suas pernas também saiu de cima da dona de casa e a outra ela pousou no meio das pernas da outra. Estava um pouco de bruços. Era quase como se tivesse com metade do corpo deitado sobre a metade do da dona de casa. Assim estava bom para o que ela queria que fizessem.
Levou a mão até o centro do prazer de Clara e pôde constatar que ela estava encharcada novamente.
_Delícia!
Olhava-a demostrando o tesão que sentir aquilo lhe proporcionava. A outra direcionava a ela o mesmo olhar.
Marina pressionando firmemente o ponto rígido daquele órgão com o dedo, pôde senti-lo pulsando descompassado, a fluxo sanguíneo ali era intenso. O ponto chave do prazer de Clara pedia mais, implorava por mais. E ela obedeceu-lhe, começou a massageá-lo. Além disso, ela sentia que entre as próprias pernas aquele mesmo ponto de seu corpo ardia, também necessitando do mesmo estímulo.
Fitou Clara, fazendo com que ela a acompanhasse com os olhos, indicou o braço livre (pois Marina estava deitada sobre o outro) e logo depois olhou pra baixo, apontando a ela o meio de suas pernas e disse-lhe:
_Vem.
Clara entendeu o que a fotografa queria. E prontamente levou o braço livre até lá. Oferecendo, gostosamente, a mesma massagem que estava recebendo. As duas masturbavam-se.
Por vezes se olhavam, mordendo os próprios lábios dizendo a outra de forma silenciosa o quanto estavam gostando daquilo. Por outras, ambas permaneciam de olhos fechados, sentindo. Queriam sentir e ofegavam entre gemidos baixos que excitavam-nas ainda mais. Quem primeiro recebeu a descarga plena de adrenalina foi Marina, o que não a fez parar o movimento que desempenhava em Clara que não demorou muito pra se ver refém de mais uma explosão do prazer indescritível que a mulher a seu lado lhe proporcionava.
Permaneceram deitadas ali, na mesma posição. Tentando puxar o ar para os pulmões. Enquanto isso, Marina direcionava à Clara o mais apaixonado dos olhares e como resposta, a outra lhe fazia carinho nos cabelos, além de ter depositado um leve beijo nos lábios que ela havia machucado.
Quando se recuperaram o suficiente para falar, Marina resolveu perguntar à dona de casa:
_Gostou do ensaio?
Clara gargalhou.
_É séria essa pergunta?
Marina riu rapidamente e recuperou a seriedade.
_Não, é sério. Tirando a parte em que a senhora quis me matar de tesão. O que achou do ensaio? Gostou de ser fotografa?
Dessa vez Clara entendeu melhor o intuito da pergunta.
_Nunca pensei que me sentiria tão bem fazendo uma coisa dessas. Fez eu me sentir tão livre e fez também, sei lá, com que eu percebesse que nunca fui livre antes. Entende? Sempre presa a convenções, tradições. Além disso, fez eu me sentir mais mulher, aliás, você (deu ênfase nessa parte) tem feito eu me sentir assim.
Confidenciou isso timidamente à outra.
Essas palavras fizeram com que o peito de Marina se enchesse de alegria. Tinha conseguido o que tencionara com tudo aquilo, afinal de contas.
_Eu só quis que você se enxergasse como eu enxergo.
Respondeu com sinceridade e brilho nos olhos.
A outra deixou que aquelas palavras lhe invadissem, permanecendo em silêncio por um momento e quando falou foi para elogiar Marina.
_E você? Meu Deus, Marina. Você consegue se iluminar ainda mais com aquela câmera na mão. Eu já tinha me encantado pelo resultado do seu trabalho, mas conhecer esse estúdio, ver você trabalhando... Caramba! Foi o máximo.
Falou a ela alegremente, deslumbrada.
_Sério que gostou tanto assim?
Clara assentiu.
_Eu já vi mesmo que você curte fotografia, seus comentários durante a exposição foram extremamente perceptivos e pertinentes, sabia?
_Ah, pára. É como eu te disse, gosto, mas não entendo nada.
_Entende sim. Mais do que você imagina. Você tem um olhar sensível, parece que você consegue enxergar além da simples imagem e essa é a parte mais importante do trabalho, sabia? O resto pode-se aprender, mas isso...
Clara ficou olhando pra ela, pensativa, como se se decidisse se a outra tinha razão ou não.
Marina continuou:
_É por isso que eu queria te fazer um convite...
_Qual?
Perguntou Clara num mistro de curiosidade e empolgação.
_ Eu queria que você viesse trabalhar comigo.
A outra se espantou.
_ Eu? Trabalhar no estúdio da famosíssima, prestigiadíssima Marina Meirelles?
Clara debochava de si mesma, no fundo, embora ainda não tivesse tido tempo pra pensar nisso, sentia-se um pouco inferior à mulher a sua frente. Eram de mundos completamente diferentes.
_ E o que, que tem? Eu já te disse que você tem mais do que o necessário pra trabalhar aqui. Interesse e sensibilidade.
Clara olhava para ela procurando desvendar em seu semblante se aquelas palavras eram verdadeiras.
Marina entendendo a dúvida da outra, seguiu dizendo, olhando-a no fundo dos olhos dessa vez:
_ Clara, é um fato que eu adoraria ter você ao meu lado todos os dias, o dia todo. Mas, eu levo o meu trabalho muito a sério. Nunca convidaria pra trabalhar comigo alguém que eu julgasse não ter competência. E é claro que eu não vou colocar uma câmera na sua mão e indicar que você saia fotografando no primeiro dia, até porque nem sei se esse algum dia será o caso. No começo você vai ser minha assistente e mesmo pra isso, vai precisar aprender o trabalho com as meninas. Mas, eu realmente acredito que você deveria tentar. Não posso garantir até que ponto você vai chegar com isso, mas acho que você deveria se dar uma chance, de fazer algo que gosta. Fazer algo por você.
Clara ficou estupidificada, principalmente com as últimas palavras. Elas se conheciam há três dias. Apenas três dias. Já tinham conversado um pouco sobre suas vidas e a dona de casa tinha falado a ela sobre a relação com o marido, com o filho e com a família de modo geral. Contara como havia dedicado a vida a cuidar da casa e de seus dois homens, e não tinha reclamado disso, até porque, sempre gostara, isso a fazia feliz. Só que nos últimos três dias isso havia mudado, de repente lhe parecia que ser uma simples dona de casa não era mais o suficiente. Talvez porque sua admiração pela fotografa era tanta, que ela passou a desejar que a que a outra a admirasse também. Por isso, as palavras ditas por ela, lhe soaram como se Marina tivesse desvendado-lhe a alma. Marina decifrou a necessidade que nascera dentro dela, uma vontade de ir além, antes mesmo que ela mesma o fizesse.
Emocionou-se e o olhar que direcionou a Marina foi de gratidão. Como se agradece por ela tê-la desvendado, por ter lhe dado respostas pra perguntas que ainda não tinham sido feitas, por permitir-lhe que se tornasse outra pessoa.
Marina entendeu o sentimento no olhar da outra. Muito bem até, porque se sentia igual. Olhou-a de volta como se dissesse: “Obrigada também”. Pois, Marina sentia que Clara já estava tornando-a uma pessoa melhor. Pensar em fazer o bem para a mulher que estava a sua frente, sem pedir nada em troca era uma das coisas que a fazia sentir que estava mudando. Além disso, e ao contrário do que Clara imaginava, ela também a admirava, admirava muito pois tinha a certeza de que a dona de casa só tinha a lhe acrescentar. Clara era a metade de tudo o que faltava nela.
_Então, você aceita?
Perguntou Marina.
_ Aceito!
Respondeu ela firmemente.
Marina mal se aguentou de alegria.
***
Quando chegou em casa, no começo da noite, logo depois de ter buscado Ivan na casa de Helena. Clara sentiu pela primeira vez o peso da situação que estava vivendo lhe cair sobre os ombros. Naquele começo de noite, Cadu ainda não havia chegado em casa e Ivan que já tinha feito os deveres de casa com a ajuda de Virgílio (seu cunhado, marido de Helena) estava distraído jogando o videogame que tanto adorava. A mãe havia parado para observá-lo por alguns minutos, com amor. E foi nesse momento que a realidade a atingiu com força.
Fazia três dias que estava vivendo uma história “proibida” com uma mulher. Ao pensar nisso lembrou-se do preconceito e de como a sociedade reage diante desse tipo de relação. Tentou imaginar como a família reagiria se soubesse, e o filho? Deu-se conta que não sabia nem se o filho já ouvira falar desse tipo de coisa.
Viu-se pensando também que durante esses mesmos três dias esqueceu-se quase completamente que tinha um marido, que se sentia feliz ao lado dele, pelo menos até àquela exposição. E que ai de uma hora para outra era como se magicamente o que havia sentido por ele durante os últimos 10 anos tivesse simplesmente desaparecido. Como era possível? Não sentia mais Cadu como seu marido, aliás, tinha perdido qual era a noção ou o conceito de marido. Tentou analisar dentro de si a influência que essa palavra exercia, e não achou nenhuma. Toda vez que olhava para dentro de si mesma só encontrava Marina, ocupando todos os espaços. Os que faziam sentido e os que não faziam.
Não que ela não sentisse mais nada por Cadu. Amava-o como pessoa. Mas, ele, agora, ocupava a posição errada em sua vida. Ele ocupava o lugar que era de Marina. Na verdade, dava-se conta de que ele sempre ocupara o lugar que era dela.
No entanto, mesmo que tivesse muito bem definido, em seu intimo, o lugar de cada um dos dois teria coragem de se separar dele? De tirar do filho o convívio diário com o pai? De assumir Marina? De se assumir homossexual? Sentia-se homossexual quando lembrava todas as sensações que o corpo feminino de Marina despertava dentro de si e recordar que naquele mesmo dia tinha tido três orgasmos em poucos minutos sem nem ao menos ter sido penetrada reforçava-lhe a ideia de homossexualidade. Depois daquela tarde julgava não ser mais capaz de deixar que um homem a tocasse da mesma forma que antes, ou de tocar algum com o mesmo desejo. Após sua cabeça ter rodado e dado muitas voltas ao redor desse tema, concluiu que definir isso não era importante naquele momento, talvez nunca fosse. O importante mesmo era definir o rumo que daria a sua vida. Se teria coragem de mudá-la de cabeça para baixo, assim como seu coração havia feito.
“Coragem” repetia essa palavra mentalmente. No final das contas, tudo que lhe acontecesse dali para frente resumir-se-ia a ela. Quer fosse por sua falta, quer fosse por seu excesso.
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