Unchained Melody
40 Angra IV
Notas iniciais
Clara revirou a bolsa e tirou de lá uma caixinha quadrangular segundo o que Marina pôde avistar.
Clara lhe deu uma caixinha, como as de joias. Enquanto a namorada estava a procura da bolsa a fotografa tinha aproveitado para se levantar e sentar, porém, ainda no chão sobre o tapete. Na volta a assistente fez o mesmo sentando ao lado dela oferecendo a caixinha.
_Abre!
Sem rodeios Marina abriu. Lá dentro havia uma correntinha delicada com um pingente. A imagem do pingente era um pássaro que, a principio, a fotografa não soube identificar. Ela olhava com um ar curioso, então Clara explicou:
_É uma fênix. Quando eu era pequena achei numa caixa de artigos da casa de leilões enquanto eu olhava pra ela encantada meu pai me pegou mexendo nas coisas, mas ao em vez de me xingar ele me contou a historia. Disse que a fênix era uma ave mitológica e que segundo a lenda quando percebia que sua vida estava chegando ao fim ela entrava em combustão espontânea, eu fiquei assustada nessa parte, mas dai ele continuou dizendo que depois ela renascia das próprias cinzas. Lembro que de todas as histórias que ouvi quando criança essa foi a que mais me impressionou e ele viu isso na minha cara, por isso, mesmo sem eu pedir, me deu o colar colocando ele no meu pescoço e dizendo que um dia eu iria querer dá-lo a alguém que fosse tão importante pra mim quanto eu era pra ele. — Sorriu — Lembro que naquele dia eu dormi olhando pra ele fascinada e sonhando com a pessoa pra quem eu daria. Sonhando em um dia sentir um amor que fosse tão grande a ponto de nunca morrer, que renascesse a cada dia ainda mais forte – pausou — guardei até hoje. Não sei mas, acho que eu sonhava com você.
Os olhos de Marina enxeram-se de lágrimas na medida em que ela ouvia atentamente ao relato e com as palavras finais da namorada as lágrimas não puderam ser contidas, escorreram pela face. Obviamente, conhecia a história da fênix, mas ouvi-la contada da boca de Clara daquela forma fazia com que tivesse um significado maior.
_Que coisa linda. — falou com a voz embargada – Coloca em mim? — pediu oferecendo o pescoço.
Clara o fez e depositou, também no pescoço, um beijo tenro.
_Eu amo você.
Clara disse abraçando a namorada por trás e entrelaçando as pernas nas dela. Assim ficaram curtindo o aconchego de seus corpos.
_Também amo você – pausou – muito.
Respondeu-a de volta a fotografa com as lágrimas ainda escorrendo.
Após um tempo em silêncio contemplativo, Clara falou de novo:
_Tô com fome. Você não?
_Morrendo. Sente meu estômago. — colocou a mão da namorada sobre o estômago em demonstração da fome que sentia, tinha certeza que o estômago roncaria a qualquer momento – e o pior é que acho que nem tem muita coisa na geladeira. Pedi a caseira pra comprar só o essencial já que ninguém nunca vem aqui.
_Vamos lá ver o que dá pra arrumar?
_Vamos.
Clara levantou e ajudou a outra a se levantar.
Na cozinha elas atacaram a geladeira que, a proposito, não continha nenhum banquete dentro. Marina tirou de lá um queijo e elas comeram acompanhadas de um vinho que a dona da casa abriu. Além do queijo também havia algumas frutas na geladeira e elas optaram por maçãs.
Conversaram enquanto comiam. Falaram sobre o trabalho e pela primeira vez Marina contou a Clara que tinha uma nova exposição em vista, embora não tenha contado do que se tratava deixando a assistente curiosa. Contudo, a conversa seguiu por outros caminhos uma vez que o calor estava demasiado, não só o que as aquecia sexualmente.
_Incrível como já estamos quase no inverno, mas o calor continua terrível.
_É que seu sangue é quente. — brincou insinuante a assistente.
_Você é que faz o meu sangue ferver.
_É, pode ser. Eu causo mesmo esse efeito nas pessoas – falou convencida.
_Bandida! Não quero saber da senhora causando efeito nenhum em ninguém, só em mim – Marina falou se aproximando dela a fim de beijar-lhe os lábios.
_Amei você vestida desse jeito, sabia? – mais uma vez a puxou pela gravata – quero você assim mais vezes.
Beijaram-se e o clima esquentou de novo. Definitivamente elas iriam se amar a noite inteira.
_Tá mesmo com calor? — Perguntou a fotografa
_Muito. Nos dois sentidos – respondeu a outra safada.
_ Que bom porque eu quero te amar no mar.
Clara se arrepiou inteira não só pela ideia como também pela forma que Marina falara. Sua mulher era uma sedutora incorrigível.
Tiraram o que restava das roupas e foram nuas até a praia que ficava em frente a varanda do quarto principal onde, anteriormente, haviam se amado tão intensamente. Jogaram-se sem rodeios no mar, a praia estava escura, o mar um breu, porém, nada disso importava. Juntas elas mergulharam a fim de espantar o calor, o suor, mas, o sangue continuava quente, ardente. Dessa forma, elas de novo se entregaram ao desejo. Chuparam-se os seios com esmero, alternadamente viraram-se de costas para se excitarem com mordidas e lambidas no pescoço e orelhas. As mãos invadiram-se mutuamente. Além de tudo isso, Marina ainda se excitava, sobremaneira, pensando que depois, ao saírem do mar, chuparia Clara desfrutando do gosto salgado que o sexo dela teria.
Comeram-se, porém, não houve a urgência do gozo, estavam apenas se amando, se aproveitando.
_Não goza aqui, amor. Só sente – pausou — gostoso.
Clara ofegou ao ouvir, podia imaginar o que a outra tinha em mente para depois e queria provar do mesmo. Então esforçou-se para obedecê-la.
Saindo do mar jogaram-se molhadas e salgadas na areia, em pouco tempo, colocaram o que tinham em mente enquanto ainda se estimulavam dentro d'água, em prática. Chuparam-se mutuamente em um 69 não se importando com qualquer incomodo que a areia pudesse proporcionar. Ambas estavam salgadas e era uma delícia, pensavam. Desse modo, o orgasmo fora inevitável para as duas. Assim, após acalçarem o ápice do prazer, elas ficaram deitadas no mesmo lugar, uma de cabeça pra baixo em relação a outra, vendo as estrelas brilharem iluminadas no céu. Não faziam ideia de quantas horas eram e isso também não era importante. Seus corpos estavam trêmulos, tamanha quantidade de descargas que sofrera naquela noite. Mas, mesmo assim uma coisa passava na cabeça das duas “prometemos nos amar a noite inteira” e as duas com certeza queriam cumprir a promessa. Por isso, em um dado momento Clara se levantou e, dessa vez, fora ela guiou Marina até um certo lugar.
_Vem!
Deu a mão à fotografa, ajudando-a a se levantar. Antes de irem até onde Clara queria, porém, a própria passou pelo quarto em busca da cinta, vestindo-a. Depois da surpresa de Marina naquela noite, ela nunca mais teria quaisquer pudores em relação a vesti-la e sair andando por ai com ela na presença da namorada e assim o fez.
Na varanda da enorme casa tinha um sofá, não muito grande que a assistente notara e pensara "besteira" quase no exato momento em que chegaram a casa ainda naquela tarde. Por isso, agora colocaria a ideia que viera-lhe a mente em prática
_Deita.
Clara a colocou apenas meio deitada nele porque era a parte que cabia. Então, a fez pousar uma das pernas no encosto dele fazendo com que ela terminasse com as pernas muito abertas, ficando uma delas, inclusive, içada.
_Delícia essa bucetinha aberta pra mim.
Ouvindo as palavras de Clara, Marina ousou enfiando o dedo na própria entrada.
_Se você acha uma delícia, abusa logo dela se não vai ficar sem.
Falou ao mesmo tempo em que passou a movimentar o dedo, fodendo a si mesma. Mas, Clara a interrompeu logo.
_Eu adoro ver você dando prazer a si mesma, mas, hoje não. Hoje sou eu que vou dar isso a você.
Clara admirava a parte intima de sua mulher, quase hipnotizada. Só não ficaria ali admirando para sempre porque tinha coisas mais gostosas a fazer com ela. Assim, posicionou-se no meio das pernas dela e penetrou-a com vontade.
A varanda estava quase tão escura quanto a praia, a pouca luz era suficiente apenas para que elas se enxergassem de muito perto. Elas sempre transavam no claro para que pudessem se ver, se admirarem, mas a sensação no escuro era instigante com os sentidos mais apurados pela falta de visão. Dizem que o que os olhos não veem a imaginação cria, e, Clara julgou ser verdade já que, por exemplo, a imagem de Marina muito aberta que passava em sua mente era estupenda.
Enquanto se movimentava entrando e saindo de dentro da fotografa, Clara, por vezes, também dava tapas na coxa da perna que estava içada. No dia seguinte haveria marcas dos dedos dela ali, com toda a certeza.
_Gostosa. Isso, geme gostoso assim, igual a putinha que você é.
Marina gemia ostensivamente, delirante a fim de deixar a outra baratinada e com certeza conseguia o intento.
_Tá no cio, é? — Perguntou a assistente a certa altura devido a forma com que a namorada gemia e mexia o quadril buscando ser preenchida cada vez mais rápido.
_Tô. Tô louca de tesão. — falou brevemente voltando a gemer lascivamente.
Aquilo despertou em Clara a vontade de agredi-la. A assistente não sabia ao certo porque sentia essa vontade em momentos em que Marina agia daquela forma, só sabia que a agressividade de certa forma tomava conta, totalmente, dela. As palavras, ações e gestos da namorada despertavam-lhe certo ressentimento, ou seria ciúmes por seu lado inconsciente saber que ela já havia se comportado assim com outras pessoas? Raciocinava. “Clara, acho que você precisa de terapia, só pode estar muito doida” disse a si mesma. Mesmo assim, as mãos não se controlaram, uma delas foi direto à face da fotografa depositando um forte tapa ali. Ela não enxergava direito por causa da penumbra, mas tinha certeza que a cara de Marina era de prazer. Por isso bateu de novo e de novo. E ela estava certa, Marina sentia que a cada tapa que levava, fosse na nádega, fosse na face: o gozo se aproximava mais rápido. Dava um certo desespero por causa de uma vontade louca de receber mais. Mais tapas, mais dor. “Mulher de malandro” pensava a fotografa e divertia-se ao mesmo tempo com a ideia que ao em vez de a desagradar, excitava e, ao contrário do que a namorada pensava, seu comportamento era exclusivo, ela nunca havia se entregado tão demasiadamente a outra pessoa. Desse modo, pensando nas loucuras que o próprio corpo necessitava, pedia e desejava, ela gozou gostosamente, sorrindo para a amada em gratidão pelo orgasmo proporcionado.
Amanheceu e elas ainda estavam se amando, em intervalos regulares para que pudessem se recuperar. A noite de luxúria exacerbada terminou com a assistente chupando a fotografa. Não na enorme casa no meio da ilha e sim no Iate, já que quase de manhã elas foram transar a bordo do mesmo. Na cama do barco a fotografa jogou champanhe no próprio sexo para que Clara bebesse.
_Você quer?
Levou a taça próxima ao rosto dela.
_Quero.
Lentamente ao em vez de dar-lhe a bebida na boca, ela despejou o líquido gelado em meio as próprias pernas.
_Pois então, bebe – pausou – tudo – falou provocativa.
_Safada! Que tesão você é.
_Se você diz, então abusa de mim e me faz gozar de novo.
E Clara fez. Na hora do gozo ela quis segurar porque pensava que aquela sensação poderia ser eterna, seria maravilhoso. No entanto, o corpo terminou entregue mais uma vez.
Assim, elas voltaram a praia e jogadas na areia viram o sol nascer lado a lado, de mãos dadas, com mãos que se apertavam com força como se tivessem medo de se perderem caso se soltassem.
**
Ainda no mesmo dia elas voltaram ao Rio. Contudo, mais tarde do que esperavam. Após as “estripulias” da noite anterior elas praticamente desmaiaram dormindo até por volta das 16 horas.
Assim que chegaram ao prédio da assistente a despedida, obviamente, não pôde acontecer sem que o coração de ambas se apertassem. A cada dia a separação tornava-se cada vez mais difícil.
–Brigada por tudo.
Falou Clara apertando a mão da outra.
_Você não tem que me agradecer, foi nosso primeiro dia dos namorados juntas eu queria que fosse especial...
_E foi, especial e – pausou – gostoso – disse essa última com um semblante um pouco safado, apesar de que o sentimento que a dominava fosse na verdade o pesar por ter que deixá-la.
Marina, por sua vez, levou uma das mãos à correntinha no pescoço apertando-a em demonstração também de gratidão pelo presente. Nesse momento, em um gesto inesperado a namorada levou os lábios ao pingente depositando um beijo tenro nele, ao que a fotografa, com amor, fez o mesmo, depositou outro sobre o que a amada acabara de dar. Essa foi a despedida delas, então Clara desceu do carro indo em direção a casa que dividia com o filho.
Tanto uma quanto a outra ao chegarem em suas receptivas casas tinham o mesmo pensamento “Como era possível se sentir ainda mais apaixonada”? Porque era exatamente assim que estavam se sentindo. Amando-se mais do que nunca.
**
_Como foi lá na casa do seu pai?
Perguntou Clara quando o filho chegou em casa pouco depois dela.
_Foi muito legal...
_Já falei com o seu pai que ele precisa arrumar outro lugar pra morar, você precisa ter um quarto, ter suas coisas...
_ Ah mãe eu gosto da casa do papai. A verônica e o tio Nando são muitos legais.
_ É você gosta da bagunça nê.
Ele riu culpado.
_Mãe – Pausou — Você foi viajar com a Marina?
_Fui filho eu não te disse no telefone?
_Disse sim.
Ele parou pensativo.
_Sabe mãe, eu acho que a Marina gosta de você.
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