Unchained Melody
57 Amor Total
Notas iniciais
(…)o coração de Clara palpitava e os calafrios que percorriam seu corpo ainda estavam presentes quando ela foi abordada por um homem trajando o que a ela pareceu um uniforme, embora devido a preocupação que a acometia ela não tenha sido capaz de julgar de qual tipo. Seus olhos enviavam a informação para o cérebro, mas o mesmo não era capaz de captá-la.
_ A senhora é a dona Clara, certo?
Ela levou alguns segundos para responder.
_ Oi? Sim sou. — Falou meio perturbada com a mente ainda na namorada. — Por quê?
_ Eu recebi ordens da dona Marina para buscar a senhora.
Clara não absorveu todas as palavras do homem apenas a que dizia “Marina” então despertou.
_ Marina? O que tem a Marina? Cadê ela?
_ Isso eu não sei, senhora. Recebi apenas a ordem de buscá-la e levá-la a um endereço.
_ Que endereço? — Aquilo estava muito estranho.
_ Bom, eu não conheço o lugar. Só sei que fica na Barra. — O homem falou e entregou um papel para Clara com um endereço escrito a caneta. Ela notou que a letra no papel era a fotógrafa “o bilhete escrito a mão talvez se tratasse de uma forma de convencê-la de que ela deveria entrar em um carro, a noite, com um homem desconhecido” raciocinou. Ao lê-lo Clara constatou que também não conhecia o endereço.
_ Ela te deu isso hoje? Agora? — A assistente precisava ter certeza disso para que pudessem, enfim, respirar aliviada.
_ Sim. Agora a pouco quando ela saiu me pediu para que esperasse algum tempo e viesse chamar a senhora.
Toneladas saíram do peito de Clara ao ouvir isso. A namorada estava bem “graças a Deus” pensou.
Mas então, porque ela tinha saído sem avisar? “Mais uma das surpresas de Marina” como se o discurso já não tivesse sido o suficiente.
_ Vamos? — O homem chamou tirando-lhe de seus pensamentos.
_ Ah, sim. Vamos. Eu só preciso me despedir de algumas pessoas.
_ Tudo bem. Estarei aguardando no carro parado aqui na porta.
**
Poucos minutos depois ela saiu porta a fora e deu de cara com o homem esperando encostado em um carro de luxo bem na entrada do evento onde não fora permitido a outros carros pararem ou estacionarem durante a noite apenas o delas quando chegaram. Embora fosse um carro de luxo, não era o de Marina. “Provavelmente alugado” pensou e o homem no final das contas era um motorista, provavelmente contratado da locadora.
No caminho Clara tentou puxar assunto com o motorista a fim de, quem sabe, saber um pouco mais sobre o que a namorada estaria aprontando.
_ Ela não deixou nenhum recado pra mim? Não falou nada?
_ Recado nenhum. A única coisa que ela disse foi que a senhora estaria de vestido preto e usava um coque, o que não é muita informação. Eu tive que perguntar pela senhora para algumas pessoas, sabe?
_ Mais nada?
_ Bom, ela disse também que a senhora era uma "acompanhante" — falou divertido e com um pouco deboche no tom de voz, forçando intimidade como se dissesse “sei bem que tipo de acompanhante”.Clara ia se sentir ofendida, parecia que o homem não a tinha visto seu rosto estampado de todo tamanho no cartaz da exposição ou se vira não reconhecera ou não se deu ao trabalho de fazer a conexão ou gostara mais da ideia da “acompanhante”, “homens...” pensou até que, enfim, se deu conta de que aquilo só poderia ser mais um dos jogos da namorada e que o chofer nada tinha haver com isso, coitado.
A partir dai sua mente começou a conjecturar e ela se deixou levar pelas ideias que passavam nela sem se apegar a nenhuma com apenas uma certeza: Onde quer que aquilo chegasse era exatamente provável que seria muito gostoso.
Um tempo depois chegaram em um flat luxuoso, porém, quando Clara entrou notou que o mesmo apensar de luxuoso tinha uma “aura” estéril, impessoal. No hall havia uma recepção e ela se encaminhou até lá. A recepcionista também a tratou como “acompanhante” quando ela se apresentou e com extrema formalidade indicou-lhe o apartamento em que estava sendo aguardada. No caminho, avaliando o local ela pensou que aquele lugar provavelmente se tratava de um daqueles lugares que ela via nos filmes que as pessoas (na verdade ela pensou homens) mantinham para levarem os(as) amantes ou para contratarem o serviços de certas garotas sem que a família ou amigos soubessem. Chegando ao andar e número indicado tocou a campainha com um certo frio no estômago, “o que vou encontrar atrás daquela porta”? Perguntou-se. Uma Marina vestida em camisola vermelha (Clara amava quando a namorada se vestia de vermelho. Contrastava com sua pele extremamente branca) de seda bem curta a recepcionou com um sorriso sedutor.
_ Entra.
Lá dentro o ambiente era aconchegante, ao contrário do que Clara vira da porta para fora. Não era um apartamento muito grande, na verdade pouco maior que um quarto de motel e logo da entrada ela pôde notar que, na cama, haviam pétalas de rosas vermelhas como sangue e como a camisola de Marina que contrastavam com o tom pastel do lençol de seda pérola. A assistente pensou em perguntar a outra o que estava acontecendo, em elogiar o cenário que a namorada criara, mas resolveu que seria melhor deixar que a fotógrafa conduzisse as coisas, afinal de contas ainda não sabia o que a mesma tinha em mente e não queria estragar o que quer que fosse. Ainda reparando no interior do apartamento, viu velas aromáticas dispersas. Marina as acendeu assim que fechara a porta deixando o ressinto exalando um aroma incrível e apagou as luzes. Havia também abajures ligados e por causa disso a luminosidade era bastante satisfatória à visão de ambas e música ambiente que era de certa forma romântica e provocativa ao mesmo tempo, e diante do todo Clara observou que existia ali um ar de romantismo apesar de a intenção da fotógrafa para aquela noite estar se tornando a ela cada vez mais manifesta.
_Bom, eu tô meio nervosa... Sabe como é... — Marina manifestou.
_Entendo.
_Posso te oferecer uma bebida?
_Champanhe.
A fotografa obviamente gostou da escolha e gostou mais ainda do fato de Clara ter se entregado à sua fantasia.
_Você é muito bonita. Nem parece... — A fotógrafa falou enquanto servia duas taças de uma champanhe que já tinha aberto.
_ O que? Uma garota de programa?
_ Desculpa. Eu não queria usar esse termo. — Entrou a taça a Clara e as duas brindaram.
_ E porque não? Aqui é você quem manda é você, certo? Pode dizer o que quiser.
_ É, acho que sou eu sim. E a gente combina o preço agora?
_ Não precisa, mas é bom você saiba que o valor depende do que você vai querer que eu faça.
_ E tem assim... um pacote completo?
Clara não conseguiu evitar olhar a namorada com um semblante safado.
_ Ter, tem. Mas, esse é bem caro.
_ Não tem problema. Eu sou muito rica, sabe?- falou remetendo ao que a própria Clara dissera na noite anterior. “Então foi daquela conversa que ela tirou a idéia disso tudo”? Clara se perguntou, embora a pergunta fosse retórica.
_ Uhm. Eu gosto disso.
_ De dinheiro?
_ Disso também, mas eu quis falar de clientes, assim como você.
_Assim como eu como?
_Você é bonita, me parece sofisticada.
Marina sorriu.
_E por onde a gente começa?
_Posso começar te fazendo uma massagem pra você relaxar.
Clara ofereceu a massagem tanto por ter sido a primeira coisa que viera-lhe a mente a se fazer em um momento como aqueles, quanto porquê ela mesma precisava relaxar, incorporar o personagem. Ainda estava surpresa demais.
_Você pode tirar a roupa? Ficar só de lingerie?
_Como eu disse, é você quem manda.
A cada dia Clara entendia um pouco mais das peculiaridades da personalidade de Marina e surpreendentemente gostava dela. A perversão em Marina fazia com que ela inevitavelmente a seguisse sem nem ao menos questionar-se sobre isso, por exemplo, agora a fez por alguns instantes ter vontade de ser de fato o personagem da fantasia que a fotógrafa criara.
Enquanto terminavam de beber o líquido em suas taças fitaram-se em silêncio e isso deu tempo a Clara de se perguntar quantas vezes Marina havia feito aquilo com outras mulheres, não fantasiosamente, mas de verdade. Quantas vezes teria ela pagado por aquele tipo de companhia? Porém, a princípio, não se importou. Na verdade a idéia a excitou. A fotógrafa a cada vez mais fazia-a se perder do que fora até meses atrás a transformando em outra coisa, um outro alguém. O que desperta nela uma sensação incrivelmente maravilhosa.
Por baixo do vestido Clara usava um sutiã tomara que caia e surpreendentemente uma calcinha fio dental. “Safada, você tinha planos pra essa noite, é”? Marina perguntou para si mesma como se perguntasse para a outra. Esta que estava agora sentada na cama, babou e a tensão sexual invadiu o quarto, no entanto, por um instante seu olhar deixou transparecer mais do que o tesão pelo tesão, transpareceu o tesão, atração e admiração pela mulher que ela sabia ser sua. Por causa do amor o teatro foi desfeito, mas apenas por meros segundo.
_Deita. — Clara pediu após despir-se.
E a fotógrafa o fez e por um momento a assistente ficou paralisada admirando a beleza dela deitada no colchão, no cabelo jogado pelos lençóis, as rosas assim como a camisola contrastando com sua pele. Por esse momento ela sentiu o coração parar diante da visão do amor de sua vida deitado ali, esperando-a. Então, tratou de juntar-se a ela na cama. A princípio, tirou-lhe a peça de roupa que a cobria suavemente. Marina usava uma calcinha semelhante a sua, isto é, também fio dental o que deixou Clara de certa forma surpresa, pois sem qualquer combinação elas tinham feito a mesma escolha para aquela noite.
_Vira de costas. — A assistente falava com calma e tranqüilidade o que de uma forma estranha causava arrepios na pele da outra que obedecer prontamente de modo que Clara pode subir em cima dela e colocar-lhe entre suas pernas.
Com a namorada sentada sobre suas nádegas e começando a massagear seus ombros, Marina se manifestou:
_Eu sei o que você deve estar pensando. Deve estar pensando que essa não deve ser a minha primeira vez. — Clara continuou o que fazia sem esboçar reação. Esperava que ela continuasse falando e ela assim o fez. — E tem razão. Mesmo assim fiquei nervosa porquê desde que te vi no catálogo eu fiquei... hipnotizada. Mais ainda quando abri a porta e dei de cara com você. -
Clara sabia que parte daquela declaração não fazia parte da fantasia, era verdade. Mas não se espantou pois tendo Marina o vigor sexual que tinha não era de se admirar que ela tenha buscado esse tipo de aventura durante a vida. Não pela falta de ter com quem se relacionar sem precisar disso e sim pelo prazer da aventura, do “diferente”. Apesar disso, ela não sabia o que dizer.
E a fotógrafa continuou falando:
_ Só que dessa vez eu quero que seja diferente. Quero ser possuída, não possuir. Quero que você me faça sua. Sabe, recentemente eu me descobri sentindo prazer com coisas bastante, uhm... digamos peculiares. — Clara notou que o nervosismo inicial da fotógrafa desaparecera e que talvez ele nunca tivesse de fato estado lá, ela estava agora provocante, emanava provocação de cada palavra que pronunciava. — Quero que você...
_Xiiiu. — Clara a impediu de terminar — Espera. Não precisa pedir nada agora. Primeiro deixa eu fazer a sua massagem.
_Claro.
Clara fez uma massagem completa pelo corpo da fotógrafa, na medida em que fazia isso teve tempo para pensar que de certa forma tudo aquilo fora o jeito que Marina encontrara para confessar-lhe mais uma parte de suas peripécias. Talvez se envergonhasse disso. Enfim, Clara não saberia dizer.
Quando julgou que usar as mãos tinha sido o suficiente ela tirou o sutiã e passou a usar o corpo. Deitou em cima da fotografa e movimentava-se pressionando o próprio corpo no dela o que fez com que Marina arfasse. O clima definitivamente havia esquentado, aliás, pegado fogo, diriam as duas. Clara continuou usando os seios, a barriga, os braços e as pernas em uma massagem gostosa que servia apenas para deixá-las, sobremaneira, excitadas ao passo em que recebia ajuda da fotógrafa que se esfregava em baixo dela com a mesma dedicação. Até que pegou-a de surpresa agarrando-lhe pelos cabelos.
_Pelo que entendi, você não me chamou aqui pra fazer massagem. Então, porque agora você não me fala o que quer que eu faça, hein?
Marina virou-se na cama de modo que ficasse de frente para ela.
_O que eu quero? Quero que você me pegue, mande em mim, ordene – respondeu direta – castigue, machuque. Quero que diga que é minha dona. Quero que a puta hoje, aqui, seja eu. — Terminou de dizer e olhou desafiadora.
Clara delirou ao ouvir os desejos dela. Estava muito excitada com aquilo tudo, mas também se irritava com a revelação feita por Marina minutos atrás, imaginando-a "se divertindo" com outra, comendo outra ainda mais pagando por isso simplesmente porquê não conseguia segurar seus impulsos sexuais. Ou seja, além da excitação proporcionada pelo momento, havia uma raiva crescente por todas as aventuras que a fotografa vivera ao longo da vida. Assim, fazer o que ela queria não seria, em absoluto, difícil. A namorada de fato sentia vontade de machucá-la afim de lembrar a ela que nunca teria permissão para viver qualquer uma daquelas coisas novamente a não ser com ela. Sua mulher. A única.
_Com todo prazer. — Respondeu com um sorriso quase maquiavélico nos lábios. — Vira, putinha. — Clara ordenou – ainda quero você de costas.
_Espera. Falta uma coisa pra, digamos que, apimentar as coisas. — Marina Pegou um controle que estava na cabeceira da cama e apertou um botão.
_Isso mesmo excita, sabe?
A música mudou, tornou-se outra coisa. Sons, barulhos que a assistente custou a identificar, mas quando conseguiu foi tomada pelo que lhe pareceram choques elétricos. Rapidamente constatou que a deixava, também, enlouquecedoramente excitada. Sentia o fogo subindo por seus pés, devorando e consumindo o corpo inteiro e a mente tornou-se apenas um emaranhado de ideias desconexas presa a um corpo que aparentemente estava perto de explodir.
Eram gemidos, mais precisamente de mulheres e os mesmos deixavam a assistente tonta, “Mais uma revelação, afinal de contas”, mas essa era única e exclusivamente boa, em verdade uma delícia.
Então, quando Marina obedeceu-lhe virando de costas ela levou a mão novamente aos seus cabelos puxando-os com força e mergulhando a face em seu pescoço buscando seu cheiro e sentir a textura macia da pele dali, arfando ar quente que saiam de seus pulmões e deixando a fotógrafa totalmente arrepiada. Enquanto isso, se moveu um pouco para o lado, assim a mão que lhe restara percorreu rapidamente o lado do corpo de Marina que estava com a passagem livre.
_Não tenho tempo a perder, como você bem sabe. Por isso, o que você acha de eu parar de enrolar e eu te como logo? Hein? Não acha uma boa ideia? — Clara tentava ao máximo incorporar o personagem e a maior parte disso estava relacionada ao fato que a partir daquela noite ela queria se fazer presente em todas as lembranças que Marina pudesse, eventualmente, vir a ter sobre relações daquele tipo.
_ Ta me perguntando? Achei que tinha sido clara sobre você mandar em mim.
“Marina, Marina, não me provoca” pensou sentindo o sangue ferver pela petulância da outra. Desse modo, a mão que agarrava uma das nádegas a essa altura, foi ao meio das pernas da fotógrafa e puxou habilmente o fio dental de forma que a mesmo se enterrasse ainda mais ali no meio. Feito isto ela, sem nem ao menos constatar se havia lubrificação ou se preocupar em afastar o fio da calcinha direito ela enfiou dois dedos dentro do sexo da fotógrafa e puxou-lhe os cabelos com mais força.
_Assim safada? É disso que você gosta? É isso que você quer?
_Isso. Gosto. Quero – pausou — muito. — respondeu manifestando, no tom com que proferiu as palavras, sua satisfação. — Diante de sua anuência indecente, a outra começou movimentar os dedos dentro dela, pouco depois a mão que estava em seus cabelos desceu, passou por baixo de seu corpo indo até a parte interna da coxa, nela, perto do joelho Clara cravou as unhas e saiu arranhando-a de baixo para cima deixando vergões vermelhos de pele cortada.
_Ai, cachorra!- Marina manifestou.
_Cachorra? — Clara riu – não sou eu quem está sendo fodida e pedindo mais.
_Eu não pedi mais. — Marina questionou.
_Mas vai pedir. Vai pedir muito mais. — Sussurrou em resposta com a voz rouca.
Marina estremeceu.
_Então, porque você não me come com aquilo ali. — Marina apontou o objeto que repousava sobre um móvel no extremo oposto do apartamento.
Quando se aproximou do objeto que Marina apontara, Clara notou que o strap on não era o delas. Embora a cinta fosse parecida o pênis no meio tinha cor diferente e esse tinha a aparência de gel com a cor roxa. Quando chegou perto sendo capaz de examinar melhor concluiu que esse remetia à filmes pornôs, por isso, trazia consigo um ar de promiscuidade perfeito para o momento em que estavam. O tamanho, contudo, era o mesmo. Ao voltar para cama devidamente vestida com o acessório ela puxou sem o menor jeito a fotógrafa de modo que esta ficasse de frente. Posicionou-se em meio as pernas dela, apoiou os pés de Marina pouco abaixo de seios seios, assim o caminho ficou divinamente livre e o objeto entrou fácil, deslizante para dentro dela. Depois os braços de Clara passaram por trás do corpo subjugado e suas mãos apoiaram-se em seus ombros. Desse modo, a assistente teve total comodidade para comer a mulher que havia chamado-lhe ali para isso.
Durante o ato Marina gemeu alucinada, entre quase gritos e ofegos. O porte físico da mulher acima de si, a intensidade com que a fodia deixava-a louca, sempre deixaria.
Em dado momento, Clara desistiu do apoio que as mãos lhe proporcionavam por trás dos ombros de Marina, arqueou um pouco o troco e deixou as mãos descansarem sobre os seios dela, mas descansarem não era o suficiente. Marina queria dor e Clara daria-lhe isso, por isso, passou a apertá-los, puxá-los segundo-os como se fossem rédias que a ajudavam no movimento do quadril. Nesse momento os “quase gritos” viraram gritos. Mas, a assistente não deixaria a outra gozar sem antes castigá-la como a mesma pedira. Dessa forma, quando os gemidos da fotógrafa se intensificaram ela parou, tirou as pernas dela de onde estavam apoiadas deixando-as descansarem sobre o colchão e se aconchegou deitada em cima de seu corpo, não sem antes deixar que seus mamilos inchados passeassem provocativamente sobre os dela ( essa era uma das sensações que Clara mais apreciava no sexo com mulheres), assim deitada agora entre as pernas da fotógrafa ela continuou o movimento, e pouco tempo depois abocanhou os seios dela mordendo-os intermitentemente e com força exacerbada.
Devido a intensidade do que Clara lhe fazia, Marina que passara a apertar suas costas, a princípio, com a finalidade de se apoiar, e a certa altura perdendo o controle, arranhou-a. Ao senti-lo, Clara se levantou um pouco, fitou-a no olhos e então a estapeou.
_Eu não te dei permissão pra me machucar.
_Mas eu sim. — Marina olhou-a sugestiva.
_Clara a fitou desacreditada. — Ela, Marina, sempre conseguia contornar a situação e isso era irritante. Sem medir a força ela levou mais uma vez a mão à face da fotógrafa. Dessa vez, o tapa além de deixar a habitual marca vermelha, acabou machucando-lhe, fazendo um corte. No exato momento a assistente se arrependeu, quis manifestar isso mas vendo a satisfação na expressão dela teve, na verdade, vontade de continuar. Não o fez, não daria isso a ela, pelo menos ainda não.Continuou comendo-a de forma que era evidente sua vontade de deixa-la com as pernas bambas, acabar com ela.
Marina, por sua vez, sentia-se em outro planeta onde só existia o prazer, puro e extremo. Mesmo assim, Segurava o orgasmo, queria que a namorada continuasse e continuasse “pra sempre”, desejava e pedia em delírio.
_Come! Mais rápido, vai... forte... assim, tá gostoso. Muito gostoso... — Então parava e voltava a gemer. Depois pedia exatamente a mesma coisa novamente.
Entre pedidos e gemidos da fotógrafa, a boca de Clara foi a um dos mamilos dela mordendo-o, querendo de fato machucá-lo, arrancá-lo e a soma entre a penetração e a dor na mama fez com o corpo de Marina tremesse de repente e parecesse saltar para o alto. Percebeu que não seria apenas um orgasmo, mas uma explosão nuclear e assim o foi fazendo com que cada terminação nervosa de ser corpo reagisse ao evento. Clara exausta caiu sobre o corpo dela e ela também estava exausta. Ambas suavam e o suor exalado aumentava a vontade, o tesão que de maneira alguma fora embora após o orgasmo. A adrenalina com certeza permitiria-lhes continuar. Em suas mentes a fantasia entre cliente e “acompanhante” continuava fazendo efeito. Arrepiando-as. Marina achava incrível a forma com que Clara incorporou o personagem sem precisar de explicações, sem ressalvas aparentemente simplesmente gostou e comprou a ideia divinamente. Isso a deixava perturbadoramente excitada. Ao passo que Clara estava estupefata com o fato de a namorada ter tido tal ideia. Além disso, agora pensar em Marina em um apartamento como aquele, ou talvez até mesmo aquele com uma “acompanhante” deixava perturbadoramente excitada. O espírito luxurioso de Marina a deixava perturbadoramente excitada. Os sons do aparelho de som a deixavam perturbadoramente excitada.
Naquele momento, as duas pediam para que aquela noite, aquele quarto e o que estavam fazendo fosse eterno. “Como a gente enlouquece quando está com tesão” uma das duas pensou.
Instantes depois Clara se posicionou atrás de Marina. Com ambas deitadas de lado e, após terem se livro juntas da calcinha que a fotógrafa ainda usava, o pênis voltou imediatamente para dentro da fotógrafa. Clara a comeu colocando uma das pernas dela dobrada se apoiando na cama dando assim mais espaço para que o pênis penetrasse mais fundo, enquanto que suas próprias mãos se apoiaram nos seios a frente. Depois ela passou a puxar o cabeço da outra novamente com tal força que a obrigava a virar cabeça ao ponto dela, Clara, poder visualizar seu semblante delirante ao comida daquela forma.
_Gosta disso, vadia? — Referia-se à posição em que estavam.
Marina não respondeu, apenas gemeu e prazer estampado no rosto respondia perfeitamente bem a pergunta.
Os gemidos de Marina voltaram a se configurar como gritos e Clara tapou a boca dela, não tencionando exatamente que ela se calasse, mas sim sufocá-la.
_Cala a boca putinha. — Clara mandou altiva enquanto o quadril continuava fazendo um trabalho excelente movimentando-se em "vai, vem". — toma — disse e pressionou o pênis de uma vez e com força fazendo-o desaparecer dentro da fotógrafa.
A mão continuava pressionando a boca de Marina que não conseguia respirar direito pelo nariz por causa do ato que a assistente realizada dentro dela. Era como se o nariz não conseguisse sugar ar o suficiente porquê o ar que tentava entrar entrava em conflito com o prazer que precisa sair. Eventualmente ela tomava tapas em uma das nádegas. Foram tantos que ela sentia o lugar ardido apesar que não era apenas ali que se encontrava ardido no final das contas. As bochechas ardiam, a boca machucada ardia e ardia mais ainda por a mão da outra estar pressionando-lhe a ferida, mas o que mais ardia no corpo dela era o sexo do qual Clara seguia abusando. Em certo momento ela pensou que sufocaria ao mesmo tempo em que Clara com a boca atacou-lhe o pescoço em mordidas que pareciam arrancar-lhe pedaços. Ela quis gritar e não pode, pensou que sufocaria e desmaiaria, no entanto, a sensação foi sinal de outra coisa. Alcançou o clímax e um prazer tão grande que era quase dor jorrou inesperadamente ao que ela sem saber como exprimi-lo mordeu a mão que sufocava seus gritos.
Ao mesmo tempo em que sentia o desespero de Marina por estar aparentemente sufocando, e que sentia o corpo dela arquejando e tremendo e posteriormente explodindo, Clara também sentiu-se, a princípio, sufocando e depois explodindo em uma fonte de prazer inesgotável.
_Acho que alguém tá gostando do trabalho. — Marina falou divertindo-se quando, enfim, conseguiu falar.
_Você não faz idéia do quanto. — A outra respondeu e levantou-se quase imediatamente a fim de sentar-se sobre a boca da fotógrafa.
– Chupa vai, tô mandando! — Antes de se sentar ela não se deu ao trabalho de retirar o strap on ou calcinha que usava por baixo dele, apenas os afastou de modo que o sexo pudesse entrar em contato com a boca quente e úmida de Marina. E na medida em que a mesma a chupou, Clara rebolou loucamente tentando assim eliminar um pouco do tesão maluco que tudo naquela noite havia despertado dentro dela.
**
Sem terem a menor ideia de há quanto tempo estavam entregues aos braços uma da outra dentro daquele quarto, agora elas estavam sentadas na cama com as pernas entrelaçadas uma na outra de modo que seus seios, barrigas e sexos permanecessem colados. Após horas de sexo louco sem terem trocados se quer um beijo, elas compensavam beijando-se com paixão.
Se alguém chegasse e vise Marina naquele momento com certeza concluiria sem qualquer dificuldade que a mesma se encontrava em estado deplorável. Clara havia feito um estrago considerável o que para fotógrafa não era problema nenhum. Por um fetiche ela descobrira-se gostando de ver em si as marcas feitas por sua mulher.
Sim, a essa altura a fantasia havia sido desfeita e elas eram Clara e Marina, fotógrafa e assistente, namoradas, amantes que se amavam à beira da insanidade.
Além do beijo apaixonado elas também se cheiravam com suavidade, se tocavam a fim de tentar passar para outra a intensidade do amor desesperado que havia dentro de cada uma delas.
_Eu quero ficar com você pra sempre. — A fotógrafa declarou sincera à outra.
_Eu também. — Clara respondeu e tentou beijá-la, porém, a fotografa se desvencilhou e olhou-a com seriedade e com os olhos fixos nos dela.
_Eu tô falando sério. Quero ficar com você pra sempre, me casar com você.
Clara demorou um pouco para processar a informação, até porquê tinha coisas que queria dizer a Marina desde que a mesma discursara na exposição. Não tinha tido tempo de agradecer, nem de dizer-lhe como se sentiu ouvindo suas palavras. Por isso, demorou um pouco para que o que tencionava dizer-lhe se dissipasse e ela conseguisse entender o que acabara de ouvir.
Marina ainda a fitava com olhos fixos, agora porém, demonstrando um pouco de insegurança pela demora na resposta.
_Você tá me pedindo em casamento, meessssmo?
_Por quê? Você não quer? — Marina respondeu com outra pergunta, nervosa.
Clara perdeu o ar e quase engasgou. Olhava para a namorada desacreditada. Não acreditava no que acabara de ouvir sobretudo porque não esperava que aquela noite fosse capaz de reserva-lhe mais surpresas. Até que por fim conseguiu pronunciar apenas uma palavra:
_Sim.
O som que saiu da garganta de Marina fora indecifrável, Clara só soube que era uma manifestação de alegria pelo tamanho do sorriso que a mesma esboçou. Então, a assistente de repente se viu vítima de uma Marina que partiu para cima dela e acabou deixando-a deitada. No entanto, a atitude fora apenas uma desculpa para poder se levantar e ir até o móvel onde anteriormente ela deixara a garrafa de champanhe. Lá havia uma caixinha quadrada de madeira meio rústica.
A essa altura o som que emanava pelo quarto não era outro. A partir do momento em que desfizeram o teatro e voltaram-se a se tratar como namoradas, Marina havia colocado música, dessa vez uma coletânea de músicas romântica, mais precisamente: Bossa Nova. Bossa nova era tão elas, tão Santa Tereza, tão Leblon, tão Rio de Janeiro... Desde então ali já havia tocado músicas como “Wave – na voz de Tom Jobim”, “Esse seu olhar – na voz de Elis Regina”. “Só tinha quer ser com você”, “Chega de saudade” entre outros sucessos da época de ouro da música brasileira. E a Bossa Nova trouxe consigo o romantismo da noite. No exato momento, elas duas eram dois seres cobertos pelo aconchego da presença uma da outra e tinham em volta um ambiente perfumado, luminescente que trazia consigo pétalas de rosas pelo colchão ali perto e, agora também em baixo de seus pés.
_Que isso? Isso tava ai desde que nós chegamos? — Clara perguntou de pé atrás da namorada.
_Tava, tava sim.
_E como é que eu não vi?
_Bom, amor... acho que você tava preocupada em ver outras coisas.
Não houve tempo para que Clara respondesse a isso, pois Marina havia se virado e de frente para ela abriu a caixinha. Lá dentro haviam dois anéis iguais com um único brilhante em cima. Eram simples como aqueles que se podiam ver nas comédia românticas de que Clara tanto gostava.
_Você tava falando sério? Tá me pedindo em casamento, mesmo? — Sabia que já tinha feito essa pergunta, mas perguntou de novo para ter certeza que de era real, de que aquilo estava acontecendo realmente. Ao mesmo tempo em que olhava dos anéis para Marina e de Marina para os anéis abobada.
_Muito sério. Eu quero passar o resto da minha vida com você. Construir uma família com você. Nunca desejei tanto algo quando desejo isso. E você? Você quer casar comigo?
Clara ficou paralisada, pelo que para Marina demorou uma eternidade, esta estava apreensiva, nervosa, tremendo afinal de contas não era todo dia que se pediu alguém em casamento.
_Eu... eu... — Clara gaguejou. O coração parecia que a qualquer momento pararia de bater — quero – riu em decorrência do nervosismo e também porque a cara de apreensão da namorada por algum motivo a fez achar graça – é o que eu mais quero nesse mundo.
Uma lágrima escorreu pelo rosto das duas ao mesmo tempo.
A tensão de Marina tornou-se alívio e depois emoção. O choro parou preso em sua garganta e ela se esforçou para que ele permanecesse ali porque se saísse, ela sabia que seria capaz de chorar copiosamente e aquela não era uma boa hora. Clara por sua vez, viu um filme passar na frente de seus olhos. Os sonhos e planos que fizera na infância, os namoradinhos que tivera, o namoro e casamento com Cadu, a descoberta da gravidez e de repente, exceto pela gravidez e o nascimento do filho, nada daquilo parecia encaixar-se em sua vida, era como se sua vida só começasse a se encaixar dentro dela a partir daquele momento. Parecia que tudo até o momento havia sido pálido e ela pôde, como uma premonição, vislumbrar a vida que teria ao lado de Marina como uma estrada eterna e cheia de cores. A visão trazia-lhe um conforto transcendental que poucas pessoas têm a oportunidade de desfrutar durante uma vida. Ela não soube, mas a fotógrafa no mesmo exato momento compartilhou da mesma sensação.
Marina ofereceu a caixa a Clara para que ele pudesse colocar um dos anéis em seu dedo, e depois que ela o fez, fez o mesmo.
Elas deram-se as mãos e colaram suas testas, emocionadas em silêncio, sentindo-se.
_Onde é que você esteve por tanto tempo?
_Procurando você.
E elas choraram. Agora as lágrimas copiosas não se detiveram em cair. E mais tarde se amaram, dessa vez, delicadamente deixando seus corpos transmitirem um ao outro a imensa felicidade que suas mentes sentiam.
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