Unbreakable

1 O1: Inesperado


Notas iniciais
Bem, gente, essa é minha primeira fanfic Clarina e, acho que a maioria já sabe, eu não escrevo long-fic, então paciência comigo, ok? ç.ç

Boa leitura!

Narração por: Clara Fernandes

Era uma tarde quente de quinta-feira, quando eu estava na casa da Helena colocando os assuntos em dia. Ela procurava um vestido para usar no próximo leilão, que aconteceria mais tarde, enquanto eu estava jogada em sua cama, brincando com as almofadas que tinha ali.

– Menina, – ela apareceu de supetão na porta do closet, me assustando um pouco – eu acabei esquecendo de te falar. – ela voltou lá pra dentro, rolei os olhos.

– O que? – perguntei com minha curiosidade atiçada.

– Essa semana, eu recebi um panfleto de divulgação, sabe? – ela apareceu com um vestido florido e se viu no espelho, suspirou e voltou pro armário – Vai ter uma nova exposição naquela galeria que fomos da última vez.

– Ah, não, Helena. Não quero ver aqueles quadros esquisitos de novo. – reclamei. Ela agora tinha um belo vestido azul marinho de cetim.

– Não são quadros, Clara. – falou meio que bufando e me encarou por uns segundos antes de voltar sua atenção pro vestido – São fotografias. – ela rejeitou aquela opção e foi procurar outro.

– Sério? Que novidade. – falei, sem interesse, olhando para minhas unhas.

– E não é? Você vai cair… – parou no meio da frase, repensando – Você não vai acreditar quando eu disser quem é a fotógrafa. – por essa eu não esperava.

– Fotógrafa? – entonando o artigo feminino mais forte. – Ela? Mulher? – meio maravilhada, meio chocada, meio que não acreditando que isso estava acontecendo.

– Aham – Helena prestava atenção no vestido cor de vinho – Por que o espanto? – sorriu pro seu reflexo no espelho, gostando do que via – Que tal esse?

– Lindo. Vai ficar maravilhosa, como sempre. – ela riu e fez um gesto com a mão, minimizando meu elogio – Então… Quem é a fotógrafa?

– Marina. – respondeu como se esta simples palavra não me afetasse nem um pouco. Ela esperou uma reação.

Eu senti meu corpo gelar com menção àquele nome, bem aos poucos, tentando processar o que tinha ouvido. E, por fim, o choque de realidade. Meu coração batia forte e rápido, descompassado. Tenho certeza que falhou uma batida. Marina? Ela estaria voltando? Depois de tanto tempo… Depois que tanta coisa aconteceu… Minha Marina… Aquela que foi embora? Aquela que me abandonou? Ela…

Senti lágrimas brotando em meus olhos, mas logo tratei de limpar.

– Marina Meirelles? – até falar seu nome doía. Minha voz soou engasgada até para mim.

– Essa mesmo. – meu coração afundou um pouco mais. Eu precisava de outra confirmação. Qualquer coisa. Não conseguia acreditar.

– Tem certeza, Leninha? Você ainda tem o panfleto? – a necessidade falava mais alto. Muito alto.

– Acho que só existe uma Marina Meirelles que fotografa de mulher pelada. – bufei – Tenho. Está no meu escritório. Depois pego pra você. – assenti, não mais prestando atenção ao que ela estava falando.

Minha mente estava nublada. Uma torrente de emoções tomava conta do meu corpo, inibindo qualquer pensamento coerente, qualquer certeza que eu tinha até cinco minutos atrás, qualquer palavra, ação, reação que eu poderia ter com essa notícia.

Nossos momentos juntas, desde a infância até o dia em que ela foi embora, eram bem vívidos. Só fechar os olhos que a Marina aparecia em 50 tons diferentes. Sua risada doce, seu cabelo macio e ondulado, sua voz calma, seus lindos olhos castanhos, sua alegria contagiante, seu corpo maravilhoso e…

Fui puxada bruscamente da minha bolha por uma Helena impaciente.

– Céus, Clara! – jogou as mãos para o alto – Estou te chamando há horas. – colocou a mão na cintura.

– Me desculpa? – franzi o cenho – Poxa, Leninha… – ela desarmou quando viu minha expressão.

– Ok. Ok. – sentou do meu lado, puxando-me para deitar em seu colo – É bem… notável o quanto ela ainda mexe com você. – assenti, sentindo meus olhos arderem.

– Faz tanto tempo. – soltei um suspiro, cansada – Por que isso ainda acontece comigo? Por que eu fico assim só de tocar no nome dela? – Helena abriu a boca para responder, e eu a calei – Eu sei o porquê. Nós duas sabemos. – ela concordou, fazendo carinho no meu cabelo, tentando me acalmar – Eu não estou preparada para encontrar com ela. – sussurrei, com medo.

– Bem… – ela começou – Eu fiquei sabendo de umas coisinhas.

– Que coisinhas? – me levantei, voltando a ficar nervosa. Ela riu.

– Calma. – arqueei a sobrancelha. – Mas eu acho melhor você se preparar logo.

– O quê? Por quê? – de repente, minha cabeça começou a latejar muito forte. Sentia meu coração bater em meus ouvidos.

– Porque… – fez suspense, tirando uma com a minha cara – eu ouvi conversas de que ela vai passar um longo tempo por aqui. – esticou o ‘o’ do longo por uns segundos. Gemi.

– Ai, meu Deus. – tampei os olhos, caindo de costas na cama. – Você só pode tá de brincadeira comigo.

– Não estou. Na verdade, não tenho certeza. Foi o que eu ouvi. – pegou o celular — Clara do céu, olha a hora! – levantou, indo correndo para o banheiro – Estou atrasada, tenho que correr para me arrumar. Você me espera?

– Não, não, vou pra casa. Preciso colocar minha cabeça no lugar. – ela assentiu – Vou indo. Te ligo mais tarde, irmã. – falei mais alto para que ela pudesse me ouvir.

– Tá bom. Fecha a porta quando sair. Juízo, hein? – ela riu.

– Ha, ha, ha. Dá um beijo na Luiza. – e sai.

A casa de Helena estava uma paz, já que todos tinham saído. Um ótimo contraste para a guerra que acontecia dentro de mim.

Notas finais
O segundo capítulo é maior e postarei em breve. Reviews?