Uma viagem sem igual
23 Renovação de gerações.
Notas iniciais
– Tenha calma, Ash, você está muito nervoso. – Drew acalmava o amigo enquanto ele andava stressado de um lado para o outro da sala.
– Calma? Ela foi lá para dentro há três horas! E se lhe aconteceu alguma coisa? Ou aos meus filhos? – Ash pressionara a testa contra a parede.
– Ahahah! – May riu do amigo. – Tenha calma, eles vão ficar bem. Está-se tornando um pai demasiado protetor!
– Sim, Ash, relaxe! – Drew também ria.
– Quando for você a estar no meu lugar quero ver! Olhe que já não falta muito… — Ash brincou.
Drew e May olharam-se, May corou e desviou a cara, Drew desviou o cabelo de sua bochecha e beijou-lhe a face, acariciando sua barriga, já bem visível, por baixo da roupa.
– Chegámos muito tarde? – Misty e Gary apareceram ofegantes.
– Chegaram na hora, Dawn ainda está lá dentro. – Ash sorriu.
– Oh, você vai dar um pai muito baboso. – Misty felicitava.
– Pois vou! – Anunciou orgulhoso. – Só falta vocês serem pais!
–Pois… há cerca disso… — Gary começara.
– Espere! Não diga que… — Ash estava prestes a explodir de felicidade.
– De três semanas… — Misty sorriu.
– Boa! Assim Satoshi e Hikari vão ter priminhos da mesma idade para brincar! – Ash abraçara os futuros pais.
– Oi! – Serena entrara com N e Paul.
– Oi, Serena. – Misty cumprimentou.
– Senhor Ketchup? – O médico chamou.
– Ketchup? Não quer dizer… Ketchum? – Gary prendeu o riso.
– Hum? – O médico olhou a folha de registo. – Oh, peço desculpa, sim é Ketchum.
– Sou eu… — Ash respondeu com uma aura negra formada pelo que fora chamado.
– Pode entrar. – O médico abriu a porta.
Ash engoliu em seco e entrou dentro da sala, olhou-me deitada naquela cama, com as duas crianças nos braços, vi que tinha um ar comovido, uma lágrima correu de seus olhos, ele andou lentamente até mim.
– Oi, Ash. – Cumprimentei com um sorriso enorme.
– O-oi. – Disse assustado olhando os pequenos seres no meu colo.
– Estes são seus filhos, Satoshi e Hikari. – Apresentei.
– Parecem tão frágeis. – Ele observou.
– E são. Quer pegar-lhes? – Perguntei com uma voz doce.
– Posso? E se os deixar cair? – Ele estava realmente assustado.
– Ahahah! Não seja tão nervos, sei que não deixa. — Ri.
– Ok, então… pode ser. – Hesitou um pouco, mas estendeu os braços.
Dei-lhe para os braços o pequeno Satoshi, pois agarrar os dois era uma tarefa difícil. Ele agarrou-o tremendo, acho que nunca o vi tão nervoso, mas acostumou-se e soltou um sorriso, agora ele era pai.
………
– SATOSHI KETCHUM! PARA DE SER MAU PARA A TUA IRMÃ! – Gritava enquanto meu filho gozava com a minha filha.
– Mas mãe, ela roubou-me os doces! – O pequeno defendia-se.
– Não sejas queixinhas! Mãe, é tudo mentira! – A menor choramingava com a boca cheia de chocolate, o que a denunciou.
– Ai, eu não estou com paciência! Vão-se arrumar, temos de ir à festa de anos do Shuu que May convidou. – Pedi sem paciência.
– Achas que a madrinha tem alguma coisa para mim? – Satoshi perguntou com um sorriso.
– Não vale! Sua madrinha dá-lhe coisas giras! A minha não! – A menor queixava-se.
– Parem de discutir e vão arranjar-se! – Pedi num tom zangado. – Vamos que o vosso pai deve estar chegando.
As crianças correram para o quarto, hoje o filho mais velho de May e Drew fazia seis anos, eles, como nós e Misty, possuíam dois filhos, mas a garota era adotada. Eu chegara mais sedo do meu trabalho stressante de top coordenadora, então esperava que Ash voltasse da Liga, pois era o atual campeão de Sinnoh.
Algum tempo depois Ash chegara a casa, como sempre, os dois correram ao encontro do pai.
– PAI! – Gritaram em coro.
– Satoshi, Hikari! – O baboso pai agarrou os dois com os seus fortes braços e os ergueu no ar.
– Pai, hoje vamos brincar com Shuu e Haruka! – Hikari anunciou colocando o boné do pai na cabeça.
– Sério? Sabe que Kasumi e Shigeru também vão? – Ash estragou a surpresa.
– Os primos também? YEY! – Satoshi riu.
Meu marido os colocou no chão e veio ter comigo.
– Oi, azulada, como correu o dia? – Ash perguntou vindo sentar ao meu lado no sofá.
– Bem e o seu? – Respondi.
– Também. – Disse esticando os lábios na minha direção.
Ele queria que eu o beijasse, dei-lhe um pequeno selinho como todos os dias fazia quando ele chegava a casa.
– Destruiu muitos sonhos hoje? – Brinquei.
– Sabe que eu sou imbatível. – Brincou também.
……
Chegámos na festa, May e Drew preparavam as coisas em conjunto com Shuu e Haruka, aqueles dois eram bem mais educados que os meus filhos… Deve ser das influências do pai…
Também já lá estavam Misty e Gary com Shigeru e Kasumi, Satoshi e Hikari correram para lá, logo começaram a brincar no pequeno jardim que meus amigos possuíam.
– Seus filhos são uns cheios de energia. – May comentou.
– Saem ao pai. – Comentei.
Realmente saiam bem mais ao pai que a mim, a única coisa notável que eles herdaram de mim foi a cor dos olhos que eram azuis, seus cabelos eram negros como os do pai. Shuu era mais parecido com a mãe, possuindo os cabelos morenos dela, mas os olhos eram verdes como os do pai. Haruka, mesmo sendo adotada, parecia ter herdado os cabelos esverdeados que o pai possuía. Em relação a Kasumi e Shigeru, a garota possuía o cabelo do pai e os olhos da mãe, enquanto o garoto os cabelos ruivos da mãe e os olhos do pai… como também tivera a sua personalidade.
– Ei, Satoshi! Voltei a ganhar uma medalha de mérito na escola! – Shigeru gabava-se.
– Não vale! Eu ainda não ganhei nenhuma! – Satoshi ficara enervado.
– Eles não vos lembram de ninguém? – Gary disse para os adultos presentes.
– É igual. – Ash assumira.
As crianças brincavam todas juntas, bastante divertidas, eu as olhava pensativa.
– Então, azulada? Vendo os meninos a brincar? – Ash falou docemente vindo ao meu encontro.
– Sim… de pensar que são todas fruto daquele Verão… — Mencionei nostálgica.
– Aquele sítio significa muito para todos nós, né? – Ele perguntou chegando do meu lado, beijando a minha face e mostrando um folheto.
– Claro que sim. – Olhei o folheto. – Que folheto é esse?
– Não é um folheto, é uma ficha de inscrição, da Pokécity, para nossos filhos. – Ele explicou.
A ideia de eles irem para lá, onde seus pais se conheceram, era muito tentadora, eles iriam estar no pátio da piscina onde eu e as garotas nos perdemos para o encontrar, no Poképarque, o local onde Ash tivera demonstrado por primeira vez preocupação por ela, no Aquário, onde o Tracey ficara hospitalizado e nós assumíramos o namoro, com alguns contactos, eles ficariam na suite Obsidiana e descobririam aquela praia.
– Quer mandá-los para lá? – Eu perguntei.
– É só dizer que eu envio o papel da inscrição… com o pedido especial da suite Obsidiana. – Ele piscou.
– Acho uma ótima ideia. Vamos fazê-los viver uma aventura… como nós vivemos. – Suspirei abraçando-o carinhosamente.
Ele respondeu ao abraço, fechei os olhos, por momentos senti de novo que estava lá na “minicidade”, no meu corpo de adolescente ingénua e rebelde… mas foi tudo uma ilusão… eu sabia que aquele lugar já só permanecia em minhas memórias, pois nunca mais lá voltaria viva… eu tinha a certeza…
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