Uma viagem sem igual
18 Porquê? Porquê todo o mundo?
Notas iniciais
– Vocês… vão embora? – Perguntei encarando o chão.
– Sim, Dawn… Desculpe nosso egoísmo… — Desculpou-se Misty começando a chorar também.
– Para serem cientistas, né? – Perguntei prendendo o choro.
– Sim… — Respondeu Misty começando a encarar o chão também.
– Isso é… — Levantei a cabeça mostrando um sorriso. – Demais!
Ninguém esperava que eu sorri-se, para ser franca, nem eu esperava, mas seria um ato de egoísmo não o fazer. Eles iam concretizar seu sonho… só podia estar feliz.
– Quando partem? – Perguntou Serena compartilhando o mesmo sentimento que eu.
– Amanhã. – Respondeu Gary.
– AMANHÃ?! QUANDO ESTAVAM PENSANDO NOS CONTAR?! – Perguntou Paul um pouco irritado (ok, muito irritado).
– Na verdade… eles já contaram a alguém… — Explicou Drew.
– Vocês sabiam? Porque não nos contaram?! – Indignou-se N.
– É que nós também temos de ir… — Confessou May.
– Vocês também? Porquê? – Perguntei, estava a ver que todos teriam de partir.
– Por causa da taça Wallace, um torneio para coordenadores, vai decorrer em Johto, nós vamos para lá. – Explicou Drew.
– Hum, compreendo… — Desanimei um pouco, mas sorri na mesma.
– Fogo, está tudo indo em bora! E a seguir? Vou ter de voltar para Kalos? – Nesse momento o celular dela tocou. – Só um minuto. Oi, mamãe! Sim? Sim? Ah, compreendo… mas, mãe! Está bem… Xau… — Desligou. – Pessoal, tenho de voltar para Kalos.
– Vai para Kalos? Sozinha? – Perguntou N um pouco preocupado.
– Bem, se alguém quiser vir não tem problema. – Respondeu Serena.
– Eu vou com você! – Afirmou Paul.
– Nem pense! Eu é que vou com ela! – Ripostou N lançando um olhar agressivo para Paul que respondeu do mesmo jeito.
– Ei, rapazes, não briguem! Podem vir os dois! – Riu Serena sem notar que os dois rapazes estavam quase lutando.
– Sendo assim… Ficamos só eu, Ash, Yasmin e… — Ai reparei, não sabia o nome da nova garota que se tinha juntado a nós. – Desculpe, mas pode dizer-me qual o seu nome?
– Meu nome é White. – Respondeu a garota timidamente como de costume.
– Ficamos só eu, Ash, Yasmin e White! – Mentalizei-me.
– Hei, não fique assim, nós vamos voltar, para além disso… Você não está sozinha. – Lembrou Misty.
Aí olhei para meus dois amigos que iriam ficar, White a nova miúda que me parecia boa pessoa, mas muito misteriosa, Yasmin a minha prima infantil extrovertida, e Ash… ah, Ash… Ele olhava-me com alguma pena, mas sorrindo, como se disse-se “Eu vou estar sempre aqui com você”, aproximei-me, aconcheguei-me em seus braços e olhei todos os outros que iriam partir, respirei fundo antes de voltar a dizer algo.
– Pessoal, espero que consigam seguir vossos sonhos, mas despedidas só amanhã! Hoje, temos festa! – Festejei levantando o braço.
Passámos a noite em festa, Yasmin batalhava comigo na pista de dança, provavelmente é a única pessoa que é capaz de me fazer frente, os outros comiam e riam, quando tivemos de desligar o som, pela simples razão de estar na hora da Yasmin ir deitar, decidi ir conversar com a White que se mantinha isolada a beber um suco de oran.
– Ei, White! – Cumprimentei.
– Oi.
– Porque está aqui e não vai para a festa?
– Acho que ia atrapalhar…
– Já intendi, você é antissocial. Está vendo aquela ruiva ali? – Apontei para Misty lembrando como ela era.
– Sim, está falando com todo o mundo, que isso tem? – Perguntou.
– Ela era como você, ou até pior. Tinha os mesmos receios e medos que você e também não se dava connosco. Olhe para ela agora, é quase tão doida como o resto do grupo. – Ri.
– Sério? Não parece mesmo nada! – Espantou-se a morena.
– É… Olhe, White… Você me deixou curiosa… Porque você fugiu de sua casa em Unava e veio ter a Sinnoh? – Perguntei, acho que não aguentava mais aquela intriga.
– Bem, você parece legal… portanto acho que vou contar… — Começou. – Fugi de casa para me encontrar com meu amado…
– Com seu amado? Quem é ele? – Perguntei curiosa.
– Ele se chama Black, como nossos pais não aceitavam nossa relação, combinámos encontrar-nos em Sinnoh nesta rota, quando ouvi barulho pensei que era ele que estava chegando…
– Puxa, que história… Sabe, nós estamos numa jornada, acho que não podemos ficar aqui muito mais tempo, sabe? – Fiz uma pequena introdução do que iria acontecer.
– Sei, eu só queria passar aqui a noite com vocês, pois tenho dormido sempre em ramos de árvore.
– Sim, mas, se ele aparecer, não quer vir numa jornada com a gente? – Perguntei curiosa.
– Ia adorar. – Confessou.
Bem, talvez ele venha, talvez não, seja como for, sei que fiz ali uma nova amiga. O resto da noite foi aproveitada com meus velhos amigos, pois eu não os iria voltar a ver tão sedo…
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