Uma segunda chance

8 Capítulo 8 - Touché


Notas iniciais
E nesse capítulo, Peter Hale oficialmente roubou a fic @_@ Como ele é mau...

A mentirinha de Derek se espalhou pela pequena cidade de Beacon Hills com uma velocidade assombrosa.

Melissa ficou chocada quando escutou sobre o suposto namorado de Peter, que ele prontamente negou a existência. Ela riu e disse que estava sendo boba, já que ele nunca poderia se interessar por um homem. Quando ele disse que tinha sido casado com um, ela surtou, pois achava que ele deveria ter mencionado antes e passou uns dois dias sem retornar as ligações dele, o que Peter achou ridículo já que ela nunca comentara sobre seu ex-marido.

-Não sei como ela ficou tão chocada assim. Essa sua jaqueta de couro não engana ninguém — comentou John, quando o visitou depois do serviço – Ele meio que grita "Eu fui, sou ou serei", sabe? – completou, fazendo todos rirem. Peter se limitou a retaliar tacando uma ervilha.

Num dia, após pegar Derek na escola, Peter foi com o garoto comprar algumas coisas no supermercado. E assim como da primeira vez, Derek fugiu assim que se viu rodeado de antigas amigas de escola do tio e algumas mães da escola.

E dessa vez, nem os seguranças se deram ao trabalho de impedir que Peter corresse pelos corredores à procura do garoto, reconhecendo-o da última vez.

Ele suspirou aliviado quando avistou Derek parado ao lado de Allison, e sorriu ao ir à direção dos dois. Mas hesitou quando viu que Allison o olhava sem graça e estava corada. Ele olhou para os lados e reparou que ela não era única, pois boa parte das pessoas que estavam perto dos caixas o encarava abertamente.

-Será que eu tenho alguma coisa no meu rosto? – pensou, passando a mão pelo rosto – Eles devem ter desenhado no meu rosto de novo e não percebi. Não ia ser a primeira vez. Preciso lembrar-me de olhar no espelho com mais frequência – divagou.

Ele estava tão perdido em seus pensamentos e sem graça por sentir o olhar de todos em cima de si, que não reparou que havia alguém ajoelhado na frente de Derek. Por isso, tomou um susto quando a pessoa levantou, ficando bem próximo dele.

-Por que demorou tanto? – perguntou Chris Argent com um sorriso, pousando a mão em seu ombro, chamando a atenção dos demais.

-Como assim demorou? Eu estava procurando por ele – respondeu Peter, que olhava para a mão que agora estava acariciando seu ombro – Quantas vezes já falei pra não sair correndo assim? – perguntou Peter para Derek, que abaixou a cabeça e encostou-se às suas pernas.

-Nós só estávamos conversando – explicou Chris, com um sorriso doce, que fez Peter recuar – Vocês não ligam, não dão notícias, fiquei com saudades – falou, fazendo o mais novo levantar uma sobrancelha.

Ele viu algumas mães da escola de Derek olhando para eles, e sentiu seu rosto corando. Ele olhou para Allison, que parecia tão sem graça quanto ele.

-Você é tímido – comentou Chris, surpreso – Está parecendo um tomate – disse, passando a mão no rosto de Peter, fazendo-o fechar os olhos e respirar fundo – Bom, foi muito bom ver vocês.

Chris passou a mão nos cabelos de Derek numa despedida e aproveitando-se de que Peter ainda estava de olhos fechados, deu-lhe um rápido beijo no canto da boca.

Derek e Allison arregalaram os olhos ao ver a cena.

-Vamos, Allison – chamou, indo em direção à porta.

-Eu realmente sinto muito – disse a garota ao ver que Peter, com o rosto completamente vermelho, olhando para os lados, claramente envergonhado.

Ele acompanhou a saída do caçador através do vidro do supermercado. E teve que se conter para não rosnar quando viu Chris virar e acenar, mandando um beijo para ele.

-Isso quer dizer que vocês vão ficar juntos? Eu vou ter dois pais? – perguntou Derek, olhando para o tio.

-Não! – respondeu indignado, puxando o garoto de volta aonde tinham abandonado o carrinho – Eu estou saindo com a Melissa.

-Mas ela nem responde quando você liga – retrucou o garoto – A gente pode levar brócolis?

-E de quem é a culpa? – falou, estreitando os olhos para o garoto, que se encolheu – Claro que podemos. Deus me livre ficar ouvindo você reclamando que não tem brócolis a noite inteira – resmungou, fazendo o garoto rir.

Peter foi o mais rápido que pôde para casa. Ele estacionou o carro de qualquer jeito na garagem de casa, atravessou a rua arrastando Derek, e tocou a campainha.

-Opa! – cumprimentou John ao abrir a porta, comendo um sanduíche de bacon.

-Oi, Sr. Xerife – respondeu Derek, com um sorriso gigante.

-Eu preciso de um favor – disse Peter, sério.

-Pode me chamar de John – disse para Derek, sorrindo – Os outros marginais estão lá em cima. Pode subir se quiser.

-Obrigado, Sr. Xerife – agradeceu Derek, passando voando pelo adulto e subindo as escadas pulando alguns degraus.

-Isso é cheiro de bacon?– perguntou Stiles, abrindo a porta do quarto.

-Não, é cheiro de sanduíche de bacon – respondeu Derek, fazendo o xerife arregalar os olhos e empurrar o sanduíche para Peter.

-Pai! – ralhou Stiles, descendo as escadas. Porém, quando chegou só viu o pai encostado no batente da porta e Peter segurando um sanduíche meio comido.

Ele observou os dois por alguns instantes estreitando os olhos. Peter revirou os olhos e deu uma mordida no sanduíche, ignorando o jovem em seguida.

-Você pode olhar os filhotes pra mim até eu voltar? Não quero que eles se esqueçam de comer – disse Peter, depois de engolir.

Stiles apontou dois dedos para os seus olhos e depois para o pai, repetidas vezes, indicando que ficaria de olho nele e voltou para o seu quarto.

-Ele já foi? – sussurrou John, de costas para a escadaria. Peter fez que sim e devolveu o sanduíche depois de dar outra mordida – E o que você vai fazer, afinal? Tem algum encontro com a Melissa? – perguntou, com uma expressão meio fechada.

-Homicídio – respondeu Peter, fazendo John rir.

-Claro. E você tem ideia de que horas volta? – continuou a comer seu sanduíche.

-Depende de quanto tempo eu levar para esconder o corpo – falou Peter, pensativo. John parou de mastigar e olhou o lobisomem, medindo-o.

-Você não está brincando – disse, alarmado – Eu já volto – gritou John, para os garotos que estavam no quarto –É melhor você me explicar exatamente o que está acontecendo – afirmou não dando brecha para desculpas. Peter suspirou e fez sinal para que fossem até a casa dele.

Stiles estava em seu computador fazendo algumas pesquisas no micro, pois a cidade estava sendo atacada por um pequeno grupo de Leprechauns, quando reparou que Scott estava vermelho. O amigo estava com os olhos cheios de lágrimas, e tinha as duas mãos na boca, tentando barrar qualquer barulho que pudesse sair. E Stiles poderia jurar que era uma gargalhada, uma vez que os ombros de Scott balançavam. Olhou para os outros, para ver se mais alguém tinha reparado e viu que Isaac e Jackson estavam com uma expressão chocada, Allison parecia culpada e ficava pedindo para Scott parar o que quer estivesse fazendo e Lydia estava observando a casa de Peter, em frente. Ele foi até a janela e viu Peter gritando ao telefone, enquanto John parecia tentar acalmá-lo.

-Mas o que está acontecendo afinal? – perguntou Stiles, enfiando a cara na janela, tentando ver melhor.

-Você não vai acreditar! – disse Scott, enxugando as lágrimas e voltando a rir.

-Não foi engraçado. Foi constrangedor– brigou Allison, dando um tapa no namorado. Quando viu Derek sorrindo para ela, ela sorriu de volta – Ele ficou parecendo um tomate – os dois riram.

-O seu pai é muito cara de pau – resmungou Jackson, não gostando nem um pouco do atrevimento do caçador. Allison não pôde deixar de concordar.

-Ei, humano sem super audição aqui – disse Stiles, balançando as mãos na frente deles.

Isaac estava claramente nervoso e seus olhos começaram a ficar amarelos.

-O que quer que seja, está para piorar, pois o seu pai, Allison, acaba de chegar – comentou Lydia, apontando para a Tahoe vinho de Chris.

Ao ouvir o comentário, Isaac rosnou, se transformando e pulou pela janela em direção à sua casa.

Sem pensar duas vezes, os adolescentes e Derek saíram correndo escadas abaixo, atrás de Isaac.

-Eu não acredito que você ainda teve a coragem de vir aqui! – gritou Peter, ao ver Chris entrando.

-Estraguei os seus planos de extermínio? Tente não avisar da próxima vez que for matar alguém. Eu só quero conversar – disse, num tom elevado, aproximando-se de Peter e John.

-Fique longe de mim – falou Peter ao se afastar, corando.

-Ainda está vermelho por causa de antes? Não achou que era sério, achou? – perguntou o caçador, surpreso.

-Fora daqui – disse entredentes.

-Por isso disse que ia me matar? Por que eu te dei um beijo no canto da boca? Sério? – riu, desdenhoso — Imagina então se eu te fodesse até você não conseguir andar ou lembrar o seu nome.

Peter pareceu chocado com o que ele disse. O caçador, divertindo-se com o efeito de suas palavras no lobisomem, não prestou a devida atenção na outra pessoa presente e foi acertado em cheio por um punho.

-Eu mediria as palavras se fosse você, Argent – disse o xerife, com cara de poucos amigos, ao se afastar novamente e se colocar entre os dois.

Chris limpou o sangue do canto da boca e observou os dois. Viu como John colocava-se a frente do outro e como Peter inconscientemente se encolhia e aceitava a posição do outro submissamente.

Peter o viu estreitando os olhos enquanto colocava a mão sob a arma de choque que trouxera. John conseguira pegá-lo de surpresa com o golpe, mas não aconteceria duas vezes.

Ele viu um vulto se aproximando da porta e seu olhar deve ter alertado o caçador, pois quando conseguiu ouvir o rosnado, Chris já virou com a arma em punho, disparando-a na direção do alvo.

O disparo do taser atingiu em cheio o peito de Isaac, que caiu no chão com um forte baque, voltando a sua aparência normal.

-Oh, meu Deus! Você está bem? – perguntou Peter para Isaac, nervoso enquanto checava o garoto que se encolhia no chão, tremendo. John se apressou a checar o garoto também.

Quando os outros chegaram viram Isaac caído e Peter o abraçando no chão, com Chris apontando uma arma de choque para os dois.

Derek, que estava no colo de Stiles, começou a se debater, transformando-se num filhote de lobo. E não tardou para pular para o chão, colocando-se entre o caçador e sua alcateia. Peter puxou o filhote para trás de si e junto de Isaac, usando seu corpo como escudo.

A cena com os dois encolhidos atrás de Peter chocou até mesmo Chris, que viu como uma simples conversa desandou de um jeito absurdo. Por isso não ficou surpreso quando ouviu John, no modo xerife, pedindo que ele acompanhasse até lá fora. Ele deu uma respirada mais forte, um tanto quanto arrependido pelo desenrolar da situação. Afinal, sua intenção era conversar e tentar chegar a um acordo para que pudesse finalmente ter contato com seu filho, e não aterrorizá-lo comportando-se como um Neandertal.

Ele seguiu John em direção à porta, e viu que os outros jovens e até mesmo sua filha não perderam tempo em correr para o lado de Peter perguntando se eles estavam bem, enquanto ele fazia cara de vítima. Normalmente ele não tinha problemas para se controlar, e por isso sentiu-se péssimo pela situação ter chegado até aquele ponto.

Estava quase indo embora quando seus olhares se cruzaram. Peter o olhava com um sorrisinho maroto, enquanto seus olhos brilhavam um vermelho intenso, como no outro dia. E ali ele teve certeza de que durante todo o tempo tinha sido manipulado e que Peter se aproveitou para fazer dele o ruim da história.

Fim do cap. 8

Notas finais
Já comentei que tenho um gato chamado Peter Hale? Agora posso chamar o nome o dia inteiro sem parecer maluca ^^