Uma segunda chance
5 Capítulo 5 - Começando de novo
Notas iniciais
A noite anterior tinha sido um pouco cansativa, com os dois lobisomens mais jovens virando na única cama do quarto, atormentados por pesadelos. Por isso, Peter não ficou surpreso quando no meio da noite os dois acabaram juntando-se a ele no chão, em busca de conforto. Só daí os três conseguiram finalmente descansar.
Ele acordou cedo, mas não quis se levantar e perturbar os dois filhotes que o usavam de travesseiro. Apesar de ter o seu corpo inteiro preso pelos outros dois, era uma sensação muito boa dormir num montinho. Era quente e dava uma sensação de segurança. E, incrivelmente, não era desconfortável. Longe disso. Por isso, sem perceber, estava pegando no sono de novo, ao enrolar os cachos dourados de Isaac entre os dedos.
Isaac relutava em abrir os olhos. Estava extremamente confortável e isso era ótimo, depois de ter passado boa parte da noite sonhando com seu pai e o maldito freezer onde era trancado.
Com um esforço sobre-humano, abriu os olhos e tomou um susto ao perceber que estava no chão, com o corpo todo enroscado em alguém e que esse alguém aparentemente estava passando os dedos pelo seu cabelo. Por um segundo, ele gelou.
— Volte a dormir, aposto que é um horário indecente para se acordar num sábado. — Disse Peter, bocejando e se ajeitando para dormir de novo e puxando-o de novo contra seu ombro. — Mais tarde a gente pode sair e tomar café da manhã fora.
Ele sorriu, e relaxou de novo. Estava confortável.
Quando acordaram novamente decidiram levantar e se arrumar. O dia estava lindo e poder passar o dia juntos parecia ótimo. O problema é que um deles não compartilhava o mesmo sentimento.
— Vão embora. — Reclamou o filhote, escondendo o rosto com os travesseiros. — Eu não estou com fome. Só quero dormir. — Fechou os olhos, fingindo dormir.
— Todo filhote é assim? — perguntou Isaac, rindo de Derek, que de vez em quando abria os olhos pra ver se eles ainda estavam lá, mas não fazia menção de se levantar, e ainda fingia roncar.
— Não, só esse que teve preguiça até para nascer. — Comentou Peter, pegando Derek e jogando—o sobre o ombro como um saco de batatas. Derek parecia um peso morto. — Levou quase um dia para nascer. Coitada da minha irmã. — Explicou ao ver a expressão curiosa de Isaac.
— Você estava lá quando ele nasceu? — perguntou Isaac, surpreso.
— Yeap. Vi. Vi o da Laura também. Mas o dela eu não lembro muito. Era muito pequeno. — Disse, enquanto levava o pequeno para o banheiro. — Se incomoda de pegar uma toalha e separar uma roupa?
— Muito pequeno? Quantos anos você tem, afinal? — inquiriu ao separar as coisas que ele pediu.
— É... eu devia ter uns quatro anos quando ela nasceu. — Respondeu depois de pensar um pouco. — Eu lembro que ela tinha cara de joelho. — Riu. — Bom, hora do banho, filhote. Espero que não se incomode da água estar gelada. Eu e o Isaac acabamos com a água quente. — Comentou, indo ligar o chuveiro.
Isaac riu alto quando viu o garoto parar de fingir que estava dormindo no mesmo instante falando “Estou acordado!”.
Depois de finalmente arrumados, eles desceram as escadas para saírem. Peter já estava com as chaves do Camaro nas mãos.
— Aonde vocês pensam que vão? Não estão pensando em sair sem comer, não é? Isso não é nada saudável — Ralhou com Peter. — E eu tive um trabalhão para fazer tudo isso. — reclamou, mostrando a mesa abarrotada de comida.
Peter parece um tanto quanto sem graça.
— Realmente não precisava se preocupar. Eu tinha chamado os filhotes para tomar café fora. — Falou, fazendo Stiles largar a espátula, que estava segurando, com força na pia. — Você pode vir também, se quiser. — Convidou, sem graça.
— Vocês não podem fazer isso. Nós fizemos um monte de planos. — Disse Stiles, fazendo Peter e Isaac levantarem as sobrancelhas. — Scott e Allison devem chegar a qualquer minuto, então sugiro que comam logo. — Continuou, arrastando Peter e os outros dois para a mesa, servindo-os. — Ainda bem que vi quando estavam saindo. Lydia ia ficar muito chateada depois de ter passado horas escolhendo tintas e os catálogos ontem. Até o Jackson está vindo só para enfeitar o ambiente.
Isaac não gostara nem um pouco da intromissão dos outros jovens. Além de fazerem planos e não se darem nem ao trabalho de comunicar, eles ainda agiam como se fizessem parte de tudo. E não faziam. A alcateia de Derek era composta por ele e Peter, depois que Erica e Boyd partiram. Mas agora, com Derek pequeno, todos parecem ter mudado de ideia.
—Como ela pode sair comprando qualquer coisa se nem conhece a casa? – perguntou Isaac.
—Eu conheço a casa. E ela viu ontem, quando pegou as chaves na imobiliária. — Respondeu Stiles, surpreendendo Peter. — Ela foi lá e disse que era sua decoradora. Ela vai trazer as chaves quando vier. — Terminou, fazendo Isaac levantar as mãos, exasperado.
Antes que eles pudessem dizer qualquer coisa, Lydia e Jackson entraram sem nem sequer tocar a campainha ou bater.
— Disponha. — Disse Lydia, ao sorrir para Peter e lhe entregar um molho de chaves, sentando-se com Jackson à mesa em seguida. Eles cumprimentaram a todos e ela deu uma piscadinha para Derek, que ficou vermelho.
Scott e Allison chegaram em seguida.
— Oi geral — cumprimentou Scott. Em seguida ele puxou uma cadeira para Allison, que aceitou e cumprimentou a todos. — Como você adivinhou que eu estava faminto? – perguntou ele para o amigo.
— Quando é que você não está? – retrucou Stiles, servindo uma pilha de panquecas para Scott.
— E aí, quando vamos começar? É melhor a gente se apressar. Eu tenho que trabalhar à tarde. — comentou Scott, antes de colocar uma panqueca inteira na boca.
— Eu nunca pintei uma casa. Mas posso ajudar trazendo lanches. — disse Allison, antes de mordiscar uma panqueca. — Se bem que levando em consideração como isso está bom, talvez seja melhor deixar o Stiles fazer isso.
Os adolescentes concordaram e comeram rapidamente, saindo correndo em direção à casa do outro lado da rua.
— Eles invadiram a nossa casa, e nós nem mudamos ainda. — Reclamou Isaac. – Isso é invasão de território! A gente não vai fazer nada? – perguntou indignado para Peter.
— Ele quer ir lá urinar nos cantinhos, tio Peter. — Acusou Derek. — Isso é nojento. — Disse, fazendo careta. Peter sorriu. — Eu não quero morar num lugar fedido. A gente não pode largar eles lá, e ficar com essa casa aqui? Já está arrumada. — Sugeriu, fazendo os dois rirem. — Aqui tem o senhor Xerife também. Eu gosto dele.
— É natural que eles fiquem por perto. Não confiam em mim, e querem ficar perto do filhote. — Explicou Peter, pegando mais torradas e ovos mexidos.
— Antes eles não tinham essa preocupação. Até evitam a gente. — Resmungou Isaac, batendo o garfo com mais força do que necessário no prato. — E agora parecem fazer fila para entrar na alcateia.
— Primeiro eles precisam aprender o que uma alcateia realmente é. — Comentou Peter, comentou com a boca cheia, mal se fazendo entender. — Que nem a gente. — Completou pensativo.
— O que quer dizer com “Que nem a gente”? – inquiriu Isaac, confuso.
— Somos família. — Explicou Derek, com a boca toda suja de calda de chocolate. Peter consentiu.
Isaac ficou um pouco surpreso com a explicação do pequeno, mas logo passou, pois ele percebeu que era a mais pura verdade. Os três tinham em pouquíssimos dias se ligado de um jeito que pareciam ter passado a vida inteira juntos.
Eles eram a mais nova e estranha família que já vira, com um pai novo demais com tendências psicóticas, um irmão mais novo que na verdade era mais velho e ele e seus traumas. Eram totalmente diferentes, mas de algum jeito se encaixavam e isso era perfeito.
Sentia-se bem. Muito bem. Fazia parte de algo. Tinha uma família.
Quando acabaram de comer, eles atravessaram a rua.
— Então é isso aí, quando passarmos daqui é vida nova. — Comentou Peter, olhando para os dois.
— Parece bom pra mim. — Disse Isaac, sorrindo.
Os dois olham para Derek que fica olhando para a casa de Stiles indeciso.
— Tem certeza que a gente não pode ficar com aquela? – Peter fez que não. Derek olhou para baixo, injuriado. – E quanto ao senhor Xerife? A gente pode ficar com ele?
— Depende. Você vai lembrar-se de dar água e comida? Humanos são muito frágeis. — Perguntou Peter carregando Derek no colo ao entrar na casa, fazendo Isaac rir.
Eles entram na casa e viram Lydia e Allison testando alguns tons de tinta na parede.
— Gostei desse para a sala. Vai deixar tudo bem claro. — Comentou apontando para o mais claro, ao passar com Isaac e Derek.
— Foi exatamente o que pensei. — Concordou Lydia, seguindo-os.
— Então, não é muito grande, mas também não achei muito pequena. Aqui é a...
— Peter, tem um cara chamado Ferdinand te chamando lá na frente. — Interrompeu Scott, com várias latas de tintas equilibradas nas mãos.
— Ah, é o empreiteiro que você contratou. Eu vou lá recebê-lo. — Disse Lydia, pulando de alegria.
Todos olhavam para Peter com expressões traídas, mas ele não tinha ideia de quem era essa pessoa. Não tinha contratado ninguém. Ele nem sequer tinha pisado na casa que comprara novamente depois do dia da compra.
— Peter, esse é o Ferdinand, o empreiteiro que vai fazer todo o grosso da reforma. Ferdinand, esse é Peter, o dono do dinheiro. — Ela apresentou os dois. — Minha família trabalha há anos com o Ferdinand. Ele é ótimo. — Explicou Lydia. — Se vocês me seguirem, eu posso dizer um pouco do que pensei para cada ambiente.
Todos a seguiram. Ferdinand estava tomando nota de tudo que precisaria ser feito.
—Em todos os ambientes eu quero trocar esses rodapés, por uns mais largos e mais modernos. O chão de madeira precisa ser tratado. Está cheio de marcas de unha. Eu pensei no que você comentou no outro dia, Peter, e acho que ficaria ótimo derrubar a parede que divide a cozinha da sala, integrando os dois ambientes. Para delimitar, a gente pode colocar uma bancada aqui, com espaço suficiente para todos. — Disse indicando todos os adolescentes. — Duas geladeiras enormes aqui, um fogão a gás grande e o restante dos eletrodomésticos daquele lado e depois a gente pode cobrir o restante com armários. Armário nunca é demais. — Todos pareceram concordar, exceto Isaac que estava com os braços cruzados, emburrado.
Peter, tentando distrair o garoto, bagunçou o cabelo dele.
— Isso soa ótimo, minha querida Lydia. Só esquece o fogão. Não me agrada a ideia de algo que produza fogo, adolescentes e eu no mesmo ambiente. Talvez um forno elétrico? — sugeriu, indo para as escadas. — De resto pode mandar ver. Mas agora quero mostrar uma coisa para eles. — Disse Peter, subindo as escadas com Derek e Isaac. — Você poderia vir também, senhor Ferdinand? Podemos precisar de um especialista.
Scott e Jackson os seguiram sem demora. Stiles deu um sorriso amarelo e um tapinha no ombro de Lydia e subiu em seguida. Lydia não pareceu muito feliz de ser colocada em segundo plano.
— Não fique assim. Ele só quer passar um tempo com os novos filhos. — Allison tentou animá-la. — E acho que só estava brincando com relação ao fogão. Ele não acha que vamos atear fogo nele de novo, não é? — parecia incerta.
Peter os levou para a entrada dos quartos no segundo piso. De um lado, de frente para a rua, ficava um dos quartos e o banheiro. Do outro lado, ficavam os outros dois quartos.
— Quando vi esse dois quartos, eu pensei em derrubar a parede que os divide e fazer um quarto enorme. Daria para aumentar a área do closet, fazendo um grande o suficiente para os três, que desse para organizar tudo, e colocar duas camas enormes, tipo king ou queen size e deixar tudo com cara de hotel. Sem muito móvel. Talvez só umas cômodas ou algo assim. O que vocês acham? — perguntou para os garotos, que aprovaram a ideia.
— A gente pode transformar aquele da frente num escritório. Assim teremos um lugar calmo para estudar ou pesquisar alguma coisa. — Sugeriu Isaac.
— Mas dá para tirar essa parede daí? Ela não é de sustentação? — inquiriu Peter ao empreiteiro.
— Dá sim. Também não teremos problemas em aumentar o closet como o senhor comentou. — Disse o empreiteiro, após dar uma olhada em tudo.
Lydia subiu com Allison e comentou que pensava em trocar todos os ladrilhos da casa. Eles poderiam seguir a mesma temática do quarto e deixar os banheiros com cara de hotel. Peter adorou a ideia. Isaac disse que já ficaria feliz do banheiro não ser rosa.
— Já cobrimos o andar de baixo e esse. Agora só falta a cerca branca. — Comentou, sorrindo. — O quê? — perguntou quando percebeu que todos estavam olhando para ele, e deu de ombros. — Então, pode começar derrubando a parede do quarto e depois essa da cozinha. Assim a gente já começa com a adiantar a pintura. — Disse Peter, voltando para a sala.
— E com o porão? Não pretende fazer nada com ele? — inquiriu o empreiteiro. Isaac tropeçou ao ouvir a pergunta, o que não passou despercebido por Peter.
Ele olhou para os outros que pareciam estranhamente entretidos com as paredes, o chão e as janelas. Só Jackson que olhava Isaac com uma expressão triste.
— Me dá só um segundo? — falou Peter, ao passar Derek para Stiles e puxar Isaac para um canto.
— Então, o que achou até agora? – perguntou Lydia, tentando distrair o empreiteiro.
Ele levou o garoto para outro ambiente, longe dos olhos, mas não dos ouvidos dos lobos.
— O que foi aquilo? — perguntou Peter, olhando para Isaac, que evitava encará-lo — Não quer me contar? — Isaac fez que não com a cabeça. Ele tremia. — Pode me mostrar, então? É só colocar suas garras aqui — ele colocou a mão direita de Isaac em sua nuca, fincando as garras em seu pescoço —, e se concentrar na memória que você quer que eu veja. — Explicou com uma voz suave para o filhote assustado em sua frente.
Em segundos, sua mente foi invadida por uma enxurrada de memórias dolorosas, de um garoto pequeno sendo obrigado a limpar uma cozinha com uma escova minúscula. Tomando uma surra porque um professor não deu nota máxima para ele, e simplesmente porque ele não era o irmão perfeito que morrera. Depois de um adolescente sendo torturado com requintes de crueldade e trancafiado dentro de um freezer por dois dias. Quando Isaac finalmente tirou suas garras, Peter estava respirando fundo tentando se acalmar.
Sem pensar, ele trouxe o filhote para perto e o abraçou. Isaac tremia violentamente, mas pareceu se acalmar quando Peter o abraçou, e apesar de ser bem mais alto que Peter (por volta de vinte centímetros), não se sentiu sem graça. Sentiu-se seguro, e sem perceber, estava com o rosto escondido em seu pescoço, soluçando. Não tinha sequer percebido quando começara a chorar.
Algum tempo depois, Peter voltou para a sala com Isaac, que estava com os olhos vermelhos e ficou meio afastado dos outros. Derek desceu do colo de Stiles e foi se sentar ao seu lado na escada, apoiando a cabeça em seu braço.
— Onde estávamos? No porão, não é? Pode fechar tudo. Lacra. Coloca uma parede de gesso pra nem parecer que tem porta para lá. — Ele deu seu veredito.
— Mas e se o senhor precisar arrumar algum encanamento ou a parte elétrica?
— É só quebrar a parede de novo. — Retrucou Peter. — Olha, eu tenho um filho pequeno também. Não quero um lugar onde ele possa cair e se machucar. Ele pode rolar essa escada, quebrar um braço ou algo pior. — Disse claramente dando uma desculpa qualquer. — Por que você não checa toda essa parte hidráulica e elétrica antes de fechar? Se precisar trocar alguma coisa, troque. Mas depois, lacre tudo. — o empreiteiro pareceu concordar.
— Acho que isso é tudo, então. Vou avisar os rapazes pra começarem imediatamente. — falou o empreiteiro.
— Na verdade, eu gostaria de te contratar para outra reforma depois dessa. — Peter disse, seguindo-o. — Isaac, eu vou lá fora um pouco. Você pode dar uma olhada na Lydia?
— Por quê? – perguntou sem entender.
— Só para ter certeza que ela não vai transformar isso na casa dos sonhos da Barbie – Isaac deu um sorrisinho malvado e disse “Pode deixar”.
Quando Peter finalmente voltou, Derek estava jogado no chão, com a cabeça no colo de Stiles, ganhando cafuné e quase dormindo apesar do barulho que Lydia e Isaac estavam fazendo. Os dois aparentemente estavam numa discussão ferrenha sobre mobília.
— E quanto a esses? – mostrou o encarte. — Esses móveis brancos são lindíssimos. — Argumentava Lydia.
Não. — Isaac foi categórico. — Nada muito claro.
— Mas o ambiente vai ficar mais leve. — Retrucou a garota.
— E eu vou ficar cego quando acender a luz. — Rebateu Isaac.
— E por que você que tem que decidir, Lahey? — perguntou Jackson, com uma careta.
— Por duas razões, Jackson. A primeira é porque o Peter pediu. A segunda é porque eu vou morar aqui. E logo o sobrenome vai ser Hale. Por que você não vai treinando? — sugeriu Isaac, pegando os encartes e dando uma olhada.
— Por mais que adore ver vocês brigando, será que podemos começar a pintar pelo menos o escritório? — implorou Scott.
Lydia fez que sim com a cabeça, e voltou a sua discussão com Isaac.
— Não posso deixar as crianças sozinhas cinco minutos que já começam a brigar. Desse jeito vou colocar vocês de castigo no canto da sala. — Comentou Peter, nem um pouco incomodado com o barulho que faziam, pegando alguns encartes para ver.
Sem demora, Lydia começou a mostrar os encartes para Peter, que no fim concordou com Isaac.
— Não, Lydia. Vamos de móveis retos com design simples. Nada de cores claras. E eu quero um sofá gigante de couro preto ali — disse apontando para uma parede da sala —, mas nada duro. Quero um extremamente confortável. Daqueles que te abraçam quando você senta? — ele gesticulava animado enquanto falava. Isaac pareceu adorar a ideia. — Essa linha mais clássica, você pode usar quando decorar a Mansão Hale. Lá vai ficar ótimo. — tentou apaziguar os ânimos.
O que funcionou perfeitamente. Pois mal falou e os olhos de Lydia brilharam de prazer.
— Vai reconstruir lá? E eu vou poder decorar? — perguntou a garota sorrindo, abraçando um encarte.
— Sim, mas só depois que terminarmos aqui. — Respondeu Peter. — Por isso, eu quero essa com tudo que os meninos quiserem.
Isaac deu um sorriso vitorioso para Jackson e disse que ia ajudar Scott e Allison no andar de cima.
Lydia anotou quais móveis se encaixavam na descrição de Peter. Enquanto ela, Jackson e Peter estavam medindo os cômodos para verificar quais móveis se encaixariam, a equipe do empreiteiro começou o trabalho no andar de cima.
— Que tipo de cama você quer nos quartos? E quantas? — perguntou Lydia com sua prancheta e caneta na mão.
— Duas camas box está ótimo, do maior tamanho que couber. — Respondeu de pronto – E cômodas bem grandes. E jogos de cama completos com direito a tudo, lençol de baixo, de cima, porta-travesseiro, colcha, cobertor, etc. De preferência numa cor que não seja deprimente. E muitos travesseiros. — Completou pensativo.
— Tem certeza que não quer um chocolatinho no travesseiro também? – comentou Stiles, brincando com o cabelo de Derek.
— Se não for pedir demais – ele acrescentou, olhando para Lydia com uma expressão tão inocente, que ela não conseguiu negar. Torceu o nariz, mas acrescentou chocolate na enorme lista.
— Mas só duas camas? E onde você vai dormir? – pensou Jackson em voz alta.
— Com eles, é claro – respondeu, voltando a folhear um dos encartes.
Quando percebeu que Lydia e Jackson o olhavam de forma estranha, ele decidiu explicar.
— Filhotes dificilmente dormem sozinhos. Eles acabam procurando segurança em números e conforto. Por isso sugeri juntar os dois quartos. — Explicou. — Como vocês tem a mente suja, credo. Depois eu que sou psicótico. — Resmungou.
— Por isso que eles foram dormir com você, no chão, ontem? Quando passei por lá, vocês estavam dormindo em montinho. — Falou Stiles, curioso.
— Exatamente. — Afirmou Peter.
— O que você estava espionando no quarto deles, seu doente? – perguntou Jackson, enojado.
— Eu não conseguia dormir, então fui andar pela casa até o sono vir. — Defendeu-se Stiles.
— Se tem tanto problema pra dormir, da próxima vez deveria cogitar se juntar ao montinho. — Comentou Peter, voltando sua atenção aos encartes. Stiles pareceu considerar a ideia. — Acabamos aqui, Lydia? Eu preciso ir fazer algumas coisas.
— Você não vai ficar para ajudar? – perguntou Stiles, indignado.
— Eu preciso comprar um carro e alguns itens de segurança para ele — disse apontando para Derek, que ainda dormia no colo de Stiles —, fora arranjar um advogado e arrumar toda a papelada das adoções.
Jackson sugeriu que ele fosse junto, assim eles poderiam passar e falar com o pai dele que é advogado. Ele não estava no escritório, mas que com certeza estaria em casa e falaria com Peter se Jackson pedisse.
— Você faria isso? Isso seria ótimo! E você ainda pode me ajudar a escolher um carro. — Concordou Peter sorrindo e colocando a mão no ombro de Jackson. — Vai precisar de mais alguma coisa, Lydia? – verificou.
— Acho que cobrimos todos os móveis. — Respondeu, checando a lista. — Vocês podem me dar uma carona e me deixar no shopping para eu começar a torrar o seu dinheiro? — perguntou.
Peter respondeu que por ele não tinha problema nenhum. Jackson sugeriu que eles fossem com o carro dele, assim os outros não ficariam a pé se precisassem pegar alguma coisa na rua.
Quando Peter fez menção de pegar Derek, Stiles disse que seria perigoso ele levar o garoto num Porsche sem nem sequer um assento booster. Ele então sugeriu que ele e Derek voltassem para a casa dele, onde ele poderia olhar o garoto até que eles voltassem. Peter concordou e chamou Isaac, que prometeu ficar de olho para que Stiles não fugisse do país e vendesse o garoto no mercado negro.
— Vocês vão ver os eletrônicos hoje também? — perguntou Isaac, meio sem jeito, com o rosto sujo de tinta.
— Provavelmente vou dar uma olhada. — Concedeu Lydia, com os olhos estreitos.
— A gente podia comprar alguns videogames? — perguntou esperançoso.
— Mas é claro. — Respondeu Peter. Lydia acrescentou na lista. Ela perguntou qual console. — Surpreenda-me — ele respondeu. Ela anotou “Todos”.
Eles deixaram Lydia na loja de móveis e em seguida foram à concessionária escolher o carro. Peter comprou um Tahoe, da Chevrolet, na cor prata. Passaram também no Wal-Mart, compraram um assento booster e depois seguiram para a casa de Jackson.
Quando eles chegaram a casa, Jackson apresentou o lobisomem a seu pai. E Peter começou a explicar a situação. Jackson ficou surpreso na facilidade com a qual Peter conseguia inventar desculpas esfarrapadas e apresentá-las de maneira que parecesse verdade.
Ele justificou a aparição de Derek dizendo que ele era seu sobrinho, filho de um de seus irmãos irresponsáveis que largou a namorada grávida, e que como ela não podia cuidar mais dele e ouviu que ele finalmente tinha saído da clínica e estava bem, decidiu deixar a criança com ele, com a roupa do corpo, sem nem ao menos deixar algum documento ou algo assim.
E ele, como um bom cidadão, tinha procurado o xerife, que é seu amigo e que por acaso o estava hospedando, já que ele está reformando sua casa onde ele iria morar com Isaac, o rapaz que ele iria adotar e que é amigo de Jackson e que estava morando com seu sobrinho que foi viajar. Então, ele queria resolver tudo isso legalmente e adotar os dois, já que aparentemente nenhum dos dois tinha ninguém por eles.
— Você tem certeza que o garoto é seu parente mesmo? – perguntou David Whittemore, o pai de Jackson.
— Absoluta, ele é a cara do meu sobrinho Derek – respondeu Peter, fazendo Jackson rir.
— Seu outro sobrinho se chama Derek também? – o advogado perguntou surpreso. Peter sorriu e balançou os ombros. — Segunda-feira eu já darei entrada em toda a papelada, Sr. Hale. É melhor o senhor correr com a reforma da casa, pois em breve uma assistente social deve visitá-los e verificar se está tudo em ordem.
Peter agradeceu e se despediu. Jackson esperou Peter se afastar um pouco e deu um abraço no pai, agradecendo a ajuda. David sorriu.
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