Uma segunda chance

6 Capítulo 6 - Ele é meu filho


Notas iniciais
É...crianças em sugar high pulam, pulam, pulam... Já vi meu caçula dando mortais durante uma vez...meu coração quase saiu pela boca O_o

Os dias passaram corridos com todos ajudando o máximo possível. Derek, durante todo processo, sempre ficava com Stiles e acabou se apegando bastante.

Os empreiteiros terminaram de derrubar a parede entre os quartos e a divisória entre a cozinha e a sala em tempo recorde. Um dos banheiros já ostentava seus novos ladrilhos, e os montadores estavam, no momento, instalando os novos armários da cozinha.

A parte da pintura interna da casa não demorou a ficar pronta graças a Peter que, depois do primeiro dia, finalmente parou de mandar em todo mundo e colocou a mão na massa e conseguiu dar uma boa adiantada.

No dia da mudança, os adolescentes e Melissa praticamente madrugaram na casa para ajudar.

Quando os entregadores chegaram, Lydia não hesitou em comandá-los, indicando onde ficava cada coisa, já que Peter estava no escritório ligando seus equipamentos de informática.

— Acho que você vai precisar comprar roupas logo, Peter. Isaac não tem praticamente nada – comentou Melissa, do outro quarto onde ela estava organizando o closet, sabendo que Peter certamente a ouviria.

— Estou começando a odiar fazer compras. – Respondeu Peter do escritório, num tom elevado. – A situação é tão ruim assim? – perguntou, ao ligar sua impressora.

— É o closet mais espartano que já vi. – Riu Melissa.

Scott e Isaac estavam instalando a televisão e as aparelhagens tentando não ser atingidos pela mobília da sala que chegava.

— Vocês realmente tem que fazer isso agora? – reclamou Allison, tirando o plástico de proteção do sofá. Scott e Isaac pararam o que estavam para encará-la. – Tanta coisa mais importante para colocar no lugar. – Disse ao pegar o aspirador.

— Entretenimento é importante. – Respondeu Isaac, olhando-a como se fosse louca.

Lydia agradeceu os montadores quando eles terminaram de montar os armários da cozinha e a bancada, de instalar os eletrodomésticos e os acompanhou até a porta. Agora só faltava a reforma de um dos banheiros para terminar a reforma interna. A pintura externa deveria começar no dia seguinte.

— Às vezes me surpreendo em como sou boa. – Comentou Lydia, presunçosa, ao ver a cozinha pronta. – Não ficou lindo? – os outros tiveram que concordar. A cozinha parecia saída de uma revista de decoração.

— E eu preciso da sua ajuda para organizar tudo aqui. – Sorriu, puxando Jackson, que até então estava encostado na parede, apreciando as mudanças e dando palpite no trabalho alheio.

Pouco tempo depois, Stiles chegou com Derek do supermercado, trazendo montes de sacolas lotadas de mantimentos e produtos de limpeza.

— Olha que diferença – disse, largando as sacolas no chão e batendo palmas –, nem parece o cafofo cheio de gatos da Sra. Willis. – Completou.

Derek correu, cheirando a casa, a procura de Peter. Quando o achou, pulou em seu pescoço. Mas o adulto foi mais rápido, pegando-o no ar e fazendo cócegas.

A risada do garoto inundou a casa. E não tardou em fugir quando Peter se distraiu. Ele correu escada abaixo, pulando alguns degraus e correu para o sofá recém-chegado, onde começou a pular e dar mortais.

— Nossa, obrigado mesmo por ter entupido o filhote com doce. Eu nem queria dormir hoje. – Comentou Isaac, observando o filhote que estava elétrico em sua sugar high. Ele parecia uma pulga ensandecida. Stiles fingiu que não era com ele, fez cara de paisagem e começou a tirar os mantimentos das sacolas, colocando-os na bancada.

— Você não me pega. – Disse Derek para Peter, ainda pulando no sofá, provocando-o para que ele descesse e continuassem a brincar.

— Você vai acabar escorregando d... – Peter falou lá de cima, mas foi interrompido pelo som de Derek caindo em cima da mesa de vidro.

— Que barulho foi esse? – gritou Melissa, lá de cima.

Todos ficaram surpresos com o acidente. Allison foi a primeira a se recuperar, e tentou ajudar. Ela foi até o canto da sala e tirou Derek dos restos da mesa de vidro, já que todos pareciam congelados em seus lugares. O filhote começou a chorar ao ver a quantidade de sangue. Ela ainda tirou alguns caquinhos para que ele começasse a regenerar, mas mudou de ideia, ao ver que o garoto se esquivava de seus toques.

Só queria ajudar. – Disse Allison, sem graça.

Melissa correu, descendo as escadas, quando ouviu o barulho e foi acudir o garoto que olhava os ferimentos, fazendo careta ao tirar uns cacos grandes. Quando ele ia tirar um enorme da coxa, ela pediu para que ele não o fizesse, o que ele prontamente ignorou. Ele puxou o caco com gosto, rasgando um pouco da carne ao tirá-lo, fazendo o sangue espirrar na parede do outro lado da sala, consequentemente dando um banho de sangue em Allison e Stiles que estavam naquela direção. O caco tinha atingido uma artéria.

— Meu Deus! – Exclamou Melissa, correndo para o garoto, tentando estancar o corte. Mas poucos segundos não era mais necessário, o corte estava cicatrizado.

Quando Peter chegou à sala, ele olhou para o estrago que o pequeno tinha feito.

— Que ótimo, a sala parece um cenário do The Walking Dead agora. – Comentou Peter, passando a mão no rosto. – Pelo menos você está inteiro. O mesmo não posso falar da mesa do canto. O que você tinha contra ela? Ela era uma graça. – Resmungou.

— Eu sinto muito pela mesa e pela sujeira. – Disse Derek, olhando para o chão, numa voz baixa.

— Mentir é feio e algo muito estúpido de se fazer para um lobisomem – lembrou, com cara de poucos amigos —, mas como de tudo na vida, a gente tira uma lição, vamos analisar o que podemos aprender com isso. A sua lição, nesse caso, é que você não deve fazer uma zona na frente de testemunhas que possam afirmar que foi tudo culpa sua. Porque agora você não vai poder jogar a culpa para ninguém e vai ter que limpar tudo sozinho. – Ensinou Peter, horrorizando os demais.

A campainha tocou. Peter foi correndo atender. Estava crente que era John. Afinal, o xerife ficara de vir assim que saísse do serviço e a hora batia. Portanto, foi natural ter se surpreendido ao abrir a porta e não ver seu mais novo amigo e sim o caçador Chris Argent.

Ele ficou sem reação quando o caçador lhe empurrou algo caprichosamente embrulhado nas mãos.

— É só um presente de boas vindas. – Disse com um sorriso falso ao ver a expressão confusa do lobisomem, entrando, em seguida, na casa como se fosse bem-vindo.

Peter se recuperou rapidamente ao indignar-se com a audácia do indivíduo ao adentrar sua casa sem permissão.

— Não precisava se preocupar. Cuidarei com o maior cuidado. – Afirmou com um sorriso falso, ao ir à cozinha e jogar o embrulho no lixo, sem a menor cerimônia.

Chris não pareceu nem um pouco abalado com a hostilidade não tão velada.

—Decidiu se mudar para cidade, Hale? Cansou de brincar com fogo? – perguntou, fazendo Peter rosnar. – Bom, eu só vim cumprir meu papel de bom vizinho e lhe dar as boas vindas. – Justificou. – E aproveitar para verificar se você não matou ninguém. – Disse num tom mais baixo, mas suficientemente alto para os lobisomens presentes. – Parece que cheguei bem na hora. – Comentou, ao ver o sangue nas paredes e o estado de Derek.

Allison tentou explicar dizendo que foi um acidente, quando Chris se aproximou de Derek para examiná-lo. As garras de Peter ficaram visíveis com a cena, mas ele conseguiu resistir à provocação e se controlou.

— Quem você acha que é para entrar na casa dos outros sem ser convidado? – perguntou Isaac, com os olhos amarelos e entre dentes.

— Um pai zeloso checando seus filhos. – Respondeu Chris, com um sorriso simpático no rosto. Os olhos de Peter brilharam um vermelho intenso por um ou dois segundos.

Ele foi até a porta, abrindo-a.

— Saia. Você não é bem-vindo aqui. – Ordenou Peter, segurando a porta para Chris.

Ele fincou as garras na porta quando viu o sorriso presunçoso no rosto do caçador.

— Allison – chamou a filha, que estava extremamente sem graça pela atitude do pai –, dê tchau para o seu irmão e vamos para casa.

Ela olhou horrorizada para o garoto, que se afastou dela e de Chris.

Assim que os dois saíram, Peter bateu a porta com tanta força que trincou o vidro da janela da sala. Sua fúria era palpável. Ele tremia e abria e fechava as mãos, respirando fundo. Nenhum dos presentes tivera coragem sequer de se aproximar até ele se acalmar.

Ele então virou para Derek, que estava com os olhos arregalados olhando para porta e a boca aberta.

— Sabe o que mais? Por que você não vai tomar um banho e eu limpo essa bagunça aqui? – sugeriu Peter para o garoto. Derek distraiu-se totalmente da revelação bombástica quando surgiu a oportunidade de se livrar da limpeza.

— De banheira? – Peter sorriu, consentindo com a cabeça.

— Você se incomoda de ajudá-lo? – perguntou Peter para Isaac. – Eu ainda não organizei o banheiro.

— Sem problemas – respondeu Isaac, ao levantar Derek, colocando—o nos ombros.

Assim que os dois saíram, Scott grudou do seu lado.

— Que diabos foi aquilo?! – perguntou Scott, indignado. — O pai da Allison praticamente afirmou que ele é o pai do Derek e você não fez nada. – Acusou.

Peter ignorou Scott e foi calmamente pegar uma caixa de papelão e começou a juntar os cacos de vidro do chão. Os outros, vendo suas ações, começaram a ajudá-lo a arrumar a bagunça.

— Porque era verdade, Scott. – Comentou Stiles, com os olhos arregalados. – Sua irmã namorou um caçador e todo mundo aceitou numa boa? – ele perguntou surpreso, para Peter.

— Ninguém sabia, exceto eu – respondeu Peter –, e eu não sabia que ele era um caçador. Pra mim ele era só o cara chato e irritante que roubava a minha irmã, e do qual eu adorava chutar a canela quando ela não estava olhando. – Completou, de mau humor.

— Você chutava a canela dele?! Quantos anos você tinha? Cinco? – provocou Scott.

— Três. – Disse Peter, pegando a caixa de papelão com os cacos e fechando-a.

Melissa, com uma expressão raivosa, aproximou-se de Peter e deu-lhe um cascudo.

— E você não achou que era importante comentar isso antes? – perguntou claramente alterada.

—Não achei que era tão importante. O que interessa quem é o pai biológico? Minha irmã não ligava. Então por que eu deveria? – respondeu Peter, tentando se esquivar dos tapas que vinham em sua direção.

— Eu não estou falando disso, seu fedelho! – Falou, chocando os presentes. — Estou falando da sua idade! Não achou importante me avisar que quando nós saímos eu estava na verdade saindo com alguém que tem quase idade pra ser meu filho?! Não achou que deveria ter nos dito também que você não tem idade pra ter dois filhos dessa idade? – exasperou-se. Os adolescentes presentes estavam divididos entre esconder a risada e apartar a briga.

Peter, ouvindo a última pergunta, fechou o cenho e afastou-se.

— Não achei que minha idade era algo tão importante assim. E sinceramente, estou um tanto ofendido por ter achado que eu pareço mais velho. – Comentou, abrindo a geladeira e pegando uma garrafa de água.

— Acho que é todo esse preto e as expressões maníacas. – Stiles palpitou, não conseguindo se conter. Quando todos olharam em sua direção, ele ficou sem graça.

— E eu tenho idade suficiente para ter filhos dessa idade. Se o meu não tivesse morrido, teria quinze – afirmou, tomando um gole –, e quanto a comentar com você sobre a minha idade. Bom, eu realmente não tinha planejado em te convidar para sair. A ideia inicial era te sequestrar e forçar o Scott a me ajudar na minha vingança maligna. As coisas só meio que saíram do controle. – Falou despreocupado.

— Pare de cavar sua cova, seu bocó. – Comentou Jackson, num tom baixo audível somente para os lobisomens, fazendo Scott rir. Ele viu a expressão irada da mãe. Era tarde demais agora. Peter estava acabado.

— A ideia era me sequestrar?! – gritou Melissa, puxando Peter pelo colarinho da camiseta, fazendo-o derrubar a garrafa no chão. Stiles e Jackson correram para apartar os dois. Lydia parecia chocada demais com a sinceridade absurda de Peter.

— Era até eu ir ao hospital e falar com você. – Respondeu sério. – Você era divertida, inteligente, esforçada e linda. – Confessou, acalmando Melissa.

Os adolescentes vendo que a mãe de Scott não parecia mais querer destroçar o lobisomem se afastaram.

E tanto eles quanto Peter ficaram surpresos quando sem o menor aviso, Melissa agarrou o colarinho de Peter, puxando-o para si, colando seus lábios nos dele.

— Mãe! – reclamou Scott, chamando atenção e trazendo-a de volta à Terra.

Ela se afastou de Peter, com as bochechas rosadas.

— Por que não me ligou de volta depois daquele encontro horrível? – ela perguntou, pigarreando e voltando a limpar a sala. Ela parecia sem graça. Os adolescentes seguiram seu exemplo.

— Eu morri – ele respondeu, fazendo-a rir do absurdo da afirmação –, mas a gente pode sair qualquer dia desses para tomar um café ou algo assim. – Sugeriu. Melissa concordou na hora, sorrindo. Scott rosnou ao ouvir.

O clima ficou tenso. Para aliviar a tensão, Lydia decidiu mudar totalmente de assunto.

— Acho que vou procurar uma mesa de canto só de madeira para evitar acidentes futuros. O que acha, Peter?

— Você quem manda, minha querida Lydia. – Respondeu, com um sorriso largo.

Lydia e os outros não puderam deixar de notar que ele parecia mais novo quando sorria.

Quando eles acabaram de arrumar e limpar tudo, John finalmente chegou do serviço.

— Uau! Ficou muito bom. – Elogiou. – Aceitam mais um morador? Eu posso dormir no sofá. – Brincou o xerife.

— Mi casa és su casa. – Respondeu Peter, rindo.

— Nem pensar. Se depender desse aí você comeria delivery todo santo dia. – Disse Stiles apontando para Peter, que pareceu ofendido, antes de ir sentar junto com os outros jovens na sala. Ele se sentou do lado de Derek que partilhou com ele seu pote de pipoca.

— Não é minha culpa se não sei cozinhar – retrucou Peter, sentado no balcão.

— Não sabe nem fritar um ovo? – perguntou admirada.

— Até eu sei fritar um ovo – comentou John, ganhando um olhar maligno de Stiles –, não que eu frite, porque não posso comer ovo frito. – Emendou, com um sorriso amarelo.

— Nunca precisei. Sempre tinha uma multidão em casa. Um monte de irmãos e irmãs, cunhados e cunhadas mais velhos que adorava me babar. Então nunca cheguei perto da cozinha. – Explicou, dando de ombros.

— E você fazia o que? – perguntou John, curioso. Peter riu.

— Ficava brincando com os meus sobrinhos – respondeu, com um sorriso –, e ensinando um monte de coisas erradas para irritar os pais deles. – Riu.

— Não me parece muito inteligente irritar um monte de lobisomens. Digo, o Isaac ali – apontou para o garoto que jogava videogame – pareceu fora de si quando o Stiles apareceu com o filhote lá em casa. E se não fosse o Scott, acho que não teria muito dele para contar história. E era só um, pelo que você falou sua casa era bem cheia.

— Duas irmãs e quatro irmãos. Mais o meu cunhado e as minhas cunhadas – disse Peter –, mas só o Martin era meio esquentado, então era só tomar algumas precauções.

— É, ele só aprontava quando a mamãe estava por perto. – Delatou Derek, rindo. – “Thalia! Thalia! O Martin está sendo malvado de novo!”. – Imitou o garoto, com uma voz fina, fazendo os adolescentes gargalharem. Peter estava com o rosto todo vermelho.

— Sabe, vendo você agora eu entendo meu irmão. – Comentou Peter, sério. – Essa ânsia por arrancar esse seu sorrisinho de escárnio do rosto. E pense só: se isso fosse há uns meses atrás, vocês poderiam estar todos mortos agora.

Todos os olharam assustados e apreensivos.

— Vocês deviam ver a cara de vocês. – Gargalhou Peter quase caindo da cadeira.

— Vendo você agora, eu também entendo seu irmão Martin, seu sem noção. – Reclamou John, dando um cascudo em Peter, que ainda ria. – Eu estou velho demais para emoções desse tipo. – Resmungou.

— Bom, então que bom que você chegou mais tarde e perdeu todo o drama da novela que é a família Hale. – Comentou Melissa, em tom de fofoca, apoiando no balcão na direção de John.

— Não é uma trama de novela! – Negou Peter.

Mas daí ele pensou: sua irmã tinha tido um caso com um cara que nunca assumiu o romance com ela, e a deixou com três filhos. Daí o cara saiu da cidade e casou com outra caçadora e teve uma filha. A irmã dele, tia de Derek, seduziu o garoto mesmo sabendo que ele era um parente e tornou a vida dele um inferno, matando inclusive todo o resto da família e deixando Peter em coma por anos. Ele, por sua vez, quando acordou ensandecido, matou a própria sobrinha, que era praticamente como uma irmã, e vingou sua família, matando a tia víbora e pedófila. Para então ser morto pelo sobrinho, que agora tinha sido transformando em criança de novo e de quem ele era responsável depois de ter voltado à vida. Agora o pai irresponsável, que nunca ligou para o garoto, decidiu voltar e tomar o que achava ser o seu lugar de direito.

— Talvez seja uma trama de novela – concedeu Peter, pensativo –, mas isso faz de mim o que? O mocinho? Eu não quero ser o mocinho. Mocinhos sempre se fodem até o final.

— Olha o linguajar. – Melissa lhe chamou a atenção. — Você fala palavrões na frente deles o tempo todo?

— Claro que não. – Negou, com a cara mais lavada do mundo.

— Ele está mentindo, mãe. – Comentou Scott com um sorrisinho perverso no rosto.

Melissa deu um tapa na cabeça de Peter, que se encolheu.

Daí, ela começou a contar sobre a visita inesperada de Chris, e a discussão que se seguiu depois.

— Esse Argent é muito cara de pau! – Vociferou John. – O que você pretende fazer? Vai tomar alguma providência?

— Não. – Falou Peter, surpreendendo os dois. – Não vejo o porquê. Ele não fez nenhuma ameaça. E mesmo que faça, estamos seguros aqui. – Explicou, ao ver a expressão surpresa dos dois.

— Ele pode pedir um DNA e provar que o filho é dele. – Comentou John.

— E vai alegar que quem é a mãe? A irmã dele assassinou minha família quase inteira há mais de seis anos atrás. Derek só tem cinco. Ou ele pode falar a verdade. Gostaria de vê-lo afirmar que esse é o filho de vinte e dois anos dele que foi atacado por uma fada vingativa e virou uma criança de novo. – Argumentou Peter. – Ele quer atenção. E me nego a dá-la. Então tudo vai continuar exatamente do jeito que está.

— Mas não custa nada ligar para o seu advogado e pedir para agilizar a papelada dos dois para não correr nenhum risco. – Comentou Melissa apontando para Derek e Isaac. Peter concordou com a cabeça.

— Esse Argent e a família dele não valem o prato que comem. – Resmungou John. – Tem cerveja nessa geladeira? – perguntou ao ir fuçar a geladeira do vizinho.

No fim da noite, todos foram embora. E como Peter previu a segunda cama só foi usada no começo da noite. Depois, Isaac e Derek foram para a sua cama, onde dormiram todos embolados num grande montinho. Nenhum dos dois pareceu ter pesadelos naquela noite.

Assim que acordou no dia seguinte, Peter preparou um café da manhã rápido para os filhotes e foi até seu escritório procurar uma empresa especializada em alarmes e artigos de segurança. Acabou contratando não só alarmes, mas também câmeras de segurança. Não achava que sofreriam um ataque, mas era bom estar preparado.

— Vou indo nessa, Peter. – Despediu-se Isaac, do andar de baixo. – Tchau, Derek. – Disse, cheirando o pescoço do garoto que estava com a boca cheia.

— Até mais tarde. – Respondeu Peter.

Pegando algumas torradas numa mão, Isaac enfiou uma na boca enquanto passava pela porta.

Derek, que estava comendo seu café vagarosamente, inclinou sua cabeça quando ouviu o barulho das caixas de correio no fim da rua. Sorriu ao descer da cadeira, arrancando a roupa e se transformando.

— Derek? – Chamou Peter, ao ir para cozinha e não ver o filhote. Foi quando olhou para baixo e viu as roupas da criança jogadas no chão.

— Perdeu a hora? – perguntou Stiles, vendo que Isaac ainda parecia comer seu café da manhã.

Isaac sorriu e consentiu.

— Foi meio difícil sair da cama. – Confirmou, dando uma torrada para Stiles, que aceitou. – Quer dirigir hoje? – perguntou, dando as chaves do Camaro para o outro que começou a pular de felicidade.

— Tchau, pai. – Gritou Stiles, do outro lado da rua, acenando para o pai que estava na porta pegando seu jornal e esperando a correspondência. John acenou de volta.

Stiles, todo animado, não perdeu tempo em ligar o carro e arrancar com o carro. Quando viu que Derek tinha se transformado em um lobo e estava brincando com o carteiro, e que por pouco não o atropelou. E só não o fez porque Peter tinha descido e correu para pegar o filhote no colo, antes que ele pudesse sequer frear.

John viu que depois que os dois adolescentes foram embora no carro, Derek conseguiu pular do colo de Peter. Ele via claramente que o filhote só estava brincando, mas o carteiro não sabia, e estava assustado e gritava com Peter para que ele pegasse seu cachorro selvagem. E ele estava tentando, mas o filhote parecia ser feito de sabão. E toda vez que ele o pegava, o filhote escapava.

— Não fique aí, rindo, John. – Reclamou Peter do outro lado. – Por que você não me ajuda a pegar o filhote antes que ele coma o carteiro? – sugeriu Peter.

Foi só aí que John reparou que estava rindo.

Notas finais
Ta-rã! Ninguém esperava por esse parentesco, ne?