Uma segunda chance

4 Capítulo 4 - O mal tem sobrenome


Notas iniciais
Hummmm...debates na mesa VIP do refeitório de Beacon Hills High são sempre gostosas de escrever.E nesse capítulo temos o acréscimo de mais uma personagem para dar um pouco mais de ação...>:D Sou má.

Ela estava atrasada. Tinha acordado em cima da hora e para ajudar estava super distraída. Ela simplesmente não conseguia parar de pensar em Derek e checar sua foto em seu celular de tempos em tempos.

— Não vá perder a hora, querida. — Avisou Chris, fazendo-a largar o celular no susto.

— Se você me matar de susto, vou acabar mais do que atrasada. — Disse, com a mão no peito. Logo ela voltou a se arrumar.

Ele pegou o celular dela e tomou um susto quando viu a foto de Isaac e uma criança dormindo. Ele não podia acreditar na ousadia daqueles animais em transformar crianças inocentes.

— Eles estão transformando crianças agora, Allison? Quando você pretendia comentar? — perguntou exasperado, mostrando o celular com a foto para a filha.

Ele viu vermelho quando a filha, ao invés de responder, simplesmente começou a gargalhar. Respirou fundo e tentou se acalmar antes que agredisse sua filha.

Ela se aproximou dele e disse que ele entendeu tudo errado.

— Eu diria até que a alcateia diminuiu — disse, sorrindo para o pai, que parecia confuso —, literalmente. — Riu — Esse garotinho da foto é o Derek. — Explicou, pegando o celular — Consegue ver? — ela mostrou a próxima foto, a com close no rosto de Derek.

Ele pegou o celular e analisou a foto. Era mesmo Derek Hale.

— Pelo que Isaac comentou, eles tiveram algum problema com uma fada e no dia seguinte Derek acordou assim. — Explicou, vendo a expressão curiosa de seu pai.

— E as fotos? — perguntou, devolvendo o celular para filha.

— Você vai me achar maluca se eu falar que ele me lembrou de alguém que eu não sei quem é e que por isso tirei as fotos?

— Claro que não — afirmou, sorrindo —, você sempre foi muito perspicaz — comentou, fazendo com que ela o olhasse estranho.

— Tenho que ir. Até mais tarde, pai. — Despediu-se, dando-lhe um beijo no rosto.

Algumas horas depois, estavam todos sentados em sua mesa habitual.

— Não acredito que ele deu a chave do carro pra você e não pra mim — reclamou Stiles ao olhar para Isaac —, você nem tem licença pra dirigir. — Resmungou, abrindo a garrafa de água com certa violência.

— Como se fosse saber dirigir um Camaro, Stilinski. É muita areia pro seu caminhãozinho. — Provocou Jackson e Lydia concordou com a cabeça, sorrindo. Isaac riu.

— Será que vocês poderiam calar a boca? — pediu Scott, mal humorado.

— Dormiu com a bunda de fora, McCall? — perguntou Jackson, rindo. — Deixa pra lá, prefiro não saber. — Disse fazendo careta.

— Cheguei! Desculpa a demora, amor. — Disse a caçadora ao dar um beijo no rosto de Scott. — Oi! — Cumprimentou os demais, que acenaram de volta.

Vendo que Scott se encolhera até mesmo com o tom de voz de Allison, Isaac não pôde evitar se gabar.

— Nossa, que chato que você dormiu mal. Eu dormi feito um anjo. — Disse para Scott, com um sorriso enorme.

— Quem é que consegue dormir direito com alguém teclando a noite toda? — reclamou Scott, olhando feio para Stiles que respondeu que ele dormiu lá porque quis, já que poderia ter ido para casa.

— Mas e então? Ele usou o pijama? — inquiriu Lydia, debruçando-se na mesa, na direção de Isaac que sorriu e mostrou-lhe uma foto no celular.

Jackson, não gostando de sentir fora do assunto, pegou o celular de Isaac e viu a foto. Derek estava com um pijama de plush amarelo ouro, com orelhas de coelho e um rabo em forma de raio. Allison estava praticamente pendurada em seu ombro para conseguir ver também.

— Isso, estranhamente, é uma das coisas mais ridículas e fofas que já vi na vida. — Comentou Jackson, ao devolver o celular para Isaac.

Scott e Stiles pareciam ainda discutir suas atividades noturnas, enquanto os outros conversavam entre si.

— Se quer saber, eu estava pesquisando algumas coisas que ouvi quando eu desci de madrugada — disse Stiles.

— E eles já decidiram mandá-lo para um psiquiatra? — perguntou Lydia, intrometendo-se na discussão dos dois.

Stiles estava surpreso. Não achou que nenhum deles tinha notado algo errado com Derek. Mas é claro, que se alguém fosse notar esse alguém seria Lydia Martin.

— Concordaram que seria uma boa ideia, mas o problema seria achar alguém que não percebesse as diferenças nas épocas, já que seriam memórias reprimidas de uma época passada, mas que seria futura agora.

Lydia consentiu, concordando piamente com sua lógica. Os outros o olhavam estranho, como que se duvidando de sua saúde mental.

— Você é retardado? Isso não faz sentido. — Jackson vocalizou os pensamentos da maioria.

— Confessa. Você só está com ele porque ele te faz sentir mais inteligente. — Stiles disse para Lydia, que respondeu que Jackson pelo menos era bonito — Olha, de qualquer jeito, no momento, quem vai quebrar o galho é o Peter, ok? Ele disse que é psicólogo. — Explicou.

— Mas ele é maluco, e já tentou matar a gente. — Argumentou Scott.

— E? Você também já tentou me matar — disse Stiles, ficando irritado —, e ele — apontou para Isaac —, e com certeza ele. — Disse, apontando para Jackson. — Consegue ver um padrão aqui? O Peter, ao contrário de vocês, nunca tentou me matar diretamente. E quando teve a chance me mandou embora e só se deu ao trabalho de entortar as chaves do meu Jipe. O que me deixa mais puto ainda por ele ter dado a chave do Camaro pra esse aí hoje. — Resmungou, e em seguida mordeu uma maçã.

— Que eu saiba psicólogos não podem ter pacientes muito próximos. — Comentou Lydia, interessada.

— Ele é totalmente instável. — Indignou-se Scott.

— Vai ver que aquele papo de que todo psicólogo precisa de um psicólogo senão fica louco é verdade. — Comentou Stiles, com a boca cheia.

— Não acho. Ele me pareceu muito bem. — Defendeu Lydia.

— E como pode ter certeza? — estranhou Allison, encarando a amiga.

— A calma e o cuidado com o Derek e com Isaac me lembraram dele com dezessete anos. — Pensou Lydia. — Palpite. — Disse em voz alta. Jackson, Scott e Isaac encaram-na. Aparentemente perceberam sua mentira.

— O que eu não entendo é porque essa necessidade de um apoio psicológico ou psiquiátrico — comentou Jackson —, tudo isso pelo ataque da fada?

— Claro que não. — Stiles negou. — Aparentemente, uma pessoa se aproximou do Derek quando ele era mais novo, e os dois tiveram um envolvimento um tanto quanto... inapropriado, e isso acabou deixando o Derek meio traumatizado e isso ficou mais evidente agora que ele encolheu. — Explicou e voltou a comer sua maçã.

Todos na mesa pareceram um pouco nauseados. Isaac ficou até um pouco pálido. Scott, no entanto, ainda parecia confuso.

— O pai do Isaac também teve várias atitudes inapropriadas com ele, e ninguém o mandou para um psicólogo. — Disse Scott, confuso.

Isaac ficou mais pálido do que antes. Jackson se debruçou na mesa e deu um tabefe violento na cabeça de Scott.

— Acorda para a vida, McCall. Ele não está falando que alguém usou o garoto pra limpar o chão, ele disse que alguém molestou o garoto. — Brigou Jackson, alterado. Scott ficou horrorizado com a explicação.

— Confesse. Você é amigo dele porque ele te faz sentir mais inteligente — comentou Lydia para Stiles, olhando Scott com descaso. Stiles deu um sorrisinho amarelo em resposta.

— Agora faz sentido como ele reagia às investidas da Erica. — Disse Isaac, chamando atenção dos demais — Ela vivia se jogando em cima dele. Era bem agressiva, e algumas vezes conseguia roubar um beijo. Mas ele nunca reciprocou nada. Na última vez, pouco antes da nossa primeira lua cheia, ele foi bem ríspido e claro quando disse que não queria mais saber daquele tipo de atitude com ele. — Contou.

—Tinha que ser aquela vaca. — Comentou Lydia, e Allison não pôde deixar de concordar.

Stiles ficou bastante irritado com o que Isaac contou, mas não sabia dizer o porquê. Afinal, Derek nem era seu amigo. Era no máximo alguém que adorava praticar bulling.

Todos ficaram um tanto calados e voltaram sua atenção para a terrível comida do refeitório. Allison brincava com sua comida, aparentando estar perdida em pensamentos.

— Alguém sabe a idade real do Derek? — perguntou Allison, como quem não quer nada. Lydia olhava-a de rabo de olho.

— Ele ia completar vinte e três anos em julho. — Respondeu Isaac.

Ela afastou o prato e olhou nos olhos de Stiles.

— Foi a Kate quem fez isso com ele, não é? A minha tia Kate? — perguntou, na lata, chamando atenção dos outros.

Stiles, por um momento, pensou em negar e mentir. Mas seu nojo com relação à Kate Argent era tão grande que ele achava mais do que justo que a sobrinha soubesse as atrocidades que ela cometia.

— Ela mesma. Como sabia? — perguntou, jogando o resto de sua maçã no prato.

— Filha da mãe! —Praguejou Allison, com os olhos enchendo de lágrimas.

Ela então contou como a tia se referia pejorativamente a Derek, na ocasião em que ele o sequestrou e torturou para que ele contasse a identidade do outro beta. Como ela fazia comentários rudes sobre sexo dando a entender que entre os dois havia uma história e que ela se referia a ele como um simples objeto.

— Não é à toa que ele me odeia, eu sou a cara dela. — Comentou, fungando — Com licença — ela diz antes de sair apressada. Todos ficaram penalizados ao verem como Allison ficou sentida, mas não conseguiram discordar de que esse provavelmente seja o motivo pelo qual Derek reagia tão mal a ela.

Scott fez menção de levantar e ir atrás da namorada, mas Lydia fez sinal para ele, e disse que cuidaria disso.

Ele não conseguiu ficar o dia todo em casa. John tinha pedido que ele evitasse sair, mas estava entediado. Já tinha ido ao armazém abandonado pegar alguns pertences, antes que algum caçador enxerido achasse a base e destruísse tudo.

Agora que seu notebook estava são e salvo, e por consequência toda a informação que conseguiu reunir depois que saiu do coma, junto com algumas poucas fotos que digitalizou. Ele estava claramente aliviado.

Mas precisava ver gente, sentir o sol. Derek era muito pequeno para passar o dia todo enfurnado dentro de uma casa.

Decidiu pegar as chaves do Jipe de Stiles, já que os garotos haviam levado o Camaro de Derek quando foram para a escola, e ir até o supermercado reabastecer a despensa do xerife já que abrigar, mesmo que temporariamente, três lobisomens doía no bolso de qualquer um. E a última coisa que ele queria era dar mais trabalho do que o necessário. John até agora não tinha feito outra coisa a não ser ajudar, então isso era o mínimo que ele poderia fazer.

— Eu não quero ir. — Disse Derek, batendo o pé no chão.

— Não seja bobo, está um dia lindo lá fora e nós vamos de carro. Você nem vai precisar andar. — Argumentou Peter, já perto da porta.

— Você não tem carro. — Retrucou o garoto, sentando no sofá. — E você emprestou o meu para o Isaac.

— Primeiro: você não tem mais carro. Crianças de cinco anos não precisam de carros. Por isso, até segunda ordem o carro fica com o Isaac. Segundo: eu peguei o carro do Stiles emprestado. — Disse Peter, mostrando as chaves.

— Mas lá fora tem pessoas — reclamou, cruzando os braços —, e eu não gosto de gente.

— E tem um monte de balas, doces e chocolates também. E eu realmente preciso de algo que estrague os dentes, filhote — confessou, em voz baixa —, então ignore as pessoas e foque nas coisas boas da vida.

— Mas eu não quero bala, eu quero brócolis. — Resmungou.

— Que seja! Será que a gente pode ir agora antes que eles voltem da escola? — perguntou Peter, abrindo a porta para Derek passar.

— Não quer que ele descubra que pegou o carro dele, não é? — o garoto riu quando Peter não respondeu e desviou o olhar. — Posso pular nos bancos? — Peter deu de ombros.

Até que não demoraram muito para encher o carrinho repondo tudo que consumiram no dia anterior e mais um pouco. Peter teve mais problemas arrastando o garoto pelos corredores do que com as compras. Aparentemente, supermercado durante a semana era ponto de encontro de mulheres casadas.

Ele até agora encontrara uma amiga de escola de sua irmã Thalia, a mãe de Derek, e duas amigas que estudaram com ele no ginásio. E todas ficaram imensamente felizes em encontrá-lo bem, sem cicatrizes aparentes, solteiro e com um filho pequeno e lindo. Derek, que já não queria estar ali, resmungava em voz baixa dizendo que iria morder a próxima que apertasse suas bochechas.

Ele deu uma desculpa e conseguiu se livrar das antigas amigas, dizendo que tinha prometido um mundaréu de bala para o garoto e se afastou rapidamente com Derek.

A cena era bem cômica, pois estavam os dois lobisomens andando encolhidos, tentando passar despercebidos nos corredores para não atrair mais nenhuma conhecida.

— Finalmente! Corredor de balas. — Disse Peter para Derek, que parecia cansado e olhava com cara feia para o começo do corredor.

Quando Peter percebeu, olhou na mesma direção e viu que elas tinham voltado, e com outras duas amigas.

— Elas não cansam? Vamos logo. A gente entra, pega os chocolates que estão mais próximos e sai de fininho. Elas nem vão ver. As balas ficam para outro dia — Peter informou seu estratagema —, entendeu? — perguntou para Derek. E quando o mesmo não respondeu, ele olhou em sua direção. Derek tinha sumido.

Uma sensação horrível se alastrou pelo seu peito. Sentia que estava paralisado. Sua mente, normalmente tão rápida, não conseguia registrar que o garoto tinha sumido num piscar de olhos. Ele começou a respirar com dificuldade, sentia as mãos suadas e o coração acelerado.

Foi aí que a ficha caiu. Derek sumira. E ele não tinha a menor ideia do que poderia ter acontecido. Sem pensar duas vezes, abandonou o carrinho de compras, correndo pelos corredores à procura do sobrinho.

Entrava e saía dos corredores numa velocidade alucinante.

— Derek! — Chamava. — Derek! —Disse indo para o outro corredor e ser barrado por três seguranças.

— Senhor, não é permitido correr pelos corredores. — Disse um dos seguranças.

— O meu sobrinho sumiu. — Explicou alterado.

— Nós podemos anunciar no alto-falante, senhor. Como ele está vestido? — perguntou outro.

— Humm... calça jeans, camiseta verde, com um símbolo de um super-herói. Ele tem cinco anos, cabelo escuro, olhos claros e se chama Derek e o meu nome é Peter. — Descreveu para o segurança, que passou as informações no rádio para que fossem divulgadas pelo alto-falante.

— O senhor pode vir com a gente agora — um dos seguranças tentou encaminhar Peter, segurando seu braço —, e pode esperar por ele no escritório da administração.

Peter desvencilhou-se sem muita gentileza e tornou a correr.

Depois de conferir mais alguns corredores, ele avistou Derek, que estava parado perto dos hortifrutigranjeiros, olhando para os lados a procura de algo.

Estava aliviado. Nada tinha acontecido. Ele estava lá, nenhum caçador ou doente o tinha sequestrado.

— Derek! — chamou, fazendo o garoto virar para ele.

Foi aí que ele viu quem estava ajoelhado na frente do garoto parecendo conversar. Seu sangue gelou. Apressou o passo para encontrá-los.

— Achei você. — Disse Peter, tentando parecer calmo, ao puxar Derek para junto de si. Não pôde deixar de reparar que o garoto parecia assustado.

Chris se levantou, diminuindo a distância entre ele e Peter.

— Não deveria deixar uma criança desse tamanho sozinha por aí — falou Chris, como quem não quer nada —, alguém poderia ter sequestrado o garoto hoje e você nem saberia — completou, com um pequeno sorriso.

Peter notou que algumas pessoas tinham parado para ver a interação dos dois.

— Eu não ficaria surpreso. Afinal, sempre que acontece uma tragédia com alguém da minha família, um Argent está presente. — Retrucou Peter.

Chris podia jurar que os olhos de Peter brilharam um vermelho intenso rapidamente. Mas fora tão rápido que ele ficara na dúvida. Ele viu o lobisomem virar para ir embora de mãos dadas com a criança. No meio do corredor, eles pararam.

— Fique longe do meu filho, Argent. — disse num tom elevado, para que Chris e todos em volta conseguissem ouvir. Em seguida ele voltou em direção ao carrinho de compras abandonado. Ele não percebeu que Derek esboçava um pequeno sorriso desde que ele o chamara de filho.

Notas finais
Nops... a cor dos olhos descritas para cada lobisomem estão corretas e todas serão explicadas no decorrer dos capítulos ^^