Uma segunda chance

15 Capítulo 15 - Ainda acho que você é um babaca


Notas iniciais
Confesso que depois que escrevi esse capítulo, eu me senti muito mais leve ^^Espero que gostem.

Alguns dias passaram desde o último encontro entre John e Peter.

Isaac e Derek não saíram do lado do pai para nada. Stiles e Jackson já estavam preocupados com o excesso de faltas de Isaac, que não aparecia na escola há três dias.

Todos os outros adolescentes sempre iam direto para a casa do Peter após a escola, estavam preocupados com o mais velho que parecia extremamente desanimado e sem apetite.

Chris observava pelas câmeras, vendo Peter definhar sem a presença do outro. Balançou a cabeça pensando que isso teria sido evitado se ele simplesmente tivesse seguido seus conselhos, mas o lobisomem era um caso perdido.

John tentou inúmeras vezes falar com Peter, mas sempre era rechaçado por Isaac ou Jackson, que pareciam mais ferozes e decididos a mantê-lo afastado de Peter do que os outros.

Finalmente no quarto dia, Stiles e Scott conseguiram convencer Isaac a ir para a escola, e John teve a sua chance.

Ele foi até a casa de Peter no meio da manhã, quando tinha certeza de que só ele e Derek estariam lá. Quando chegou à frente da porta, respirou fundo tomando coragem e bateu. Não demorou muito para que Derek atendesse.

O garoto de dez anos o olhou com uma expressão fechada.

–Por que demorou tanto? Ele está deitado lá em cima – resmungou ao dar passagem para John.

O xerife estranhou ele estar dormindo àquela hora.

Ele subiu as escadas com certa pressa pulando alguns degraus e bateu à porta do quarto. Decidiu entrar quando não ouviu resposta alguma. Lá, encolhido na cama, estava Peter, dormindo.

–Peter – chamou o outro ao se aproximar da cama, acariciando seu ombro.

–Dormindo – respondeu, sem se mexer.

John deu uma risadinha fraca ao sentar no canto da cama.

–E você fala dormindo? – brincou, passando as mãos pelos cabelos do outro. Sentia falta do contato.

Ele tomou um susto quando dois olhos brilhantes vermelhos o encararam por alguns segundos para em seguida retornarem para o azul habitual.

–Eu tiraria suas mãos de mim o quanto antes, xerife. Não ia gostar de perdê-las, não é? – ela o olhou feio, antes de fechar os olhos novamente e relaxar.

–Laura?! – reconheceu John, puxando sua mão.

–Perspicaz como sempre – ela resmungou, olhando brevemente.

–Qual é o problema? Por que seus olhos parecem os dele? – perguntou preocupado.

–O que há de errado?! – ela ficou pasma. Com dificuldade virou, levantando um pouco o tronco se apoiando nos cotovelos – Você é a merda do problema!

–Ele saiu correndo naquele dia e não me deixou explicar – rebateu John, alterando-se.

–Eu pedi para você cuidar dele porque você se importava com ele. Eu avisei do Argent. Que parte disso tudo você não entendeu? – ela bufou e seus olhos brilharam vermelhos antes de voltar ao normal. Ela caiu na cama. Parecia exausta e respirava fundo.

John sentiu-se culpado. Ele a ajudou a se deitar melhor na cama. Ela resmungava toda vez que ele a tocava.

–Por que não vai embora? Não está ajudando, xerife – ela sugeriu, se aconchegando no travesseiro tentando relaxar.

–Eu quero falar com ele, não com você – respondeu John, cruzando os braços, resoluto – Então o mande parar de se esconder.

–Ele não quer falar com você. E não está se escondendo. Está descansando porque está fraco, o que me deixa fraca também – ela explicou – Para sua sorte – ela o olhou com raiva.

–Minha sorte? – não entendeu.

–Se esse corpo não tivesse tão fraco, eu já teria rasgado sua garganta com meus dentes, humano estúpido – rosnou para ele.

–Não acha que está exagerando um pouco? — ele se irritou.

–Ele não quase não dorme, não come, não tem ânimo para nada. Ainda acha que exagero? – ela pergunta ao fechar os olhos – Ele confiou em você.

Ele sabia que ela dizia a verdade e se sentiu péssimo por não conseguir demonstrar tudo que sentia.

–Então me deixa explicar – começou.

–Explicar o quê? – ela o interrompeu, irritada – Como estava fascinado por ele e não perdeu a oportunidade de aproveitar a chance quando ela se apresentou? Como você nunca no fundo achou grande coisa dele? Como passou meses fuçando sua vida quando na verdade a única coisa que tinha que fazer era perguntar direto pra ele? Como fingiu se importar? – ela disse alterada, olhando para ele – Ele não é um qualquer que você pode usar para tirar o atraso e depois jogar fora. Não vou deixar que brinque com os sentimentos dele. Vá arranjar outro pra foder, xerife.

Ele viu vermelho quando ouviu as palavras dela e sem perceber levantou-se da cama, respondendo em tom elevado enquanto apontava para ela.

–Eu falei com várias pessoas sobre o passado dele, procurei ficha criminal, vi que é limpa, mas que há registros de quando era menor de idade. E sabe por quê? Por que é um quebra-cabeça onde as peças não se encaixam – ele disse alterado – Tudo que ouvi tanto de você quanto dos outros não bate com o que vejo. Todos vocês mentiram – completou John, um pouco mais calmo.

–Você estava me testando. Achou mesmo que eu não faria o mesmo com você? – ela admitiu, olhando com um sorrisinho debochado.

–Achou mesmo que eu não iria perceber? Esse é o meu trabalho. Sei que mentiu e omitiu fatos. Assim como todos os outros – declarou, passando uma mão no cabelo, aparentando cansaço – Mas eu sei que o Peter não mentiu – murmurou – Mas acho que há coisas que nem ele saiba – ele disse, encarando-a.

–Ainda acho que você foi um babaca – ela disse, revirando os olhos com uma expressão entediada.

–E eu acho você um grilo falante irritante – ele retrucou, fazendo-a levantar uma sobrancelha e rir – Eu me importo com ele. E muito. Por isso não vou descansar enquanto não achar todas as respostas que procuro – afirmou, olhando-a sério.

–Se encontrar algo que não gosta, vai descartá-lo sem pensar duas vezes – ela predisse, cantarolando, fazendo-o bufar.

–Eu me importo com ele. Muito. E não quero me afastar dele – ele esbravejou – Esses últimos dias foram um horror. Senti falta de ouvir sua voz, das suas piadas bobas, até dos vídeos horríveis que ele gosta do Youtube. Por mim teria ido atrás dele assim que ele saiu da minha casa. Mas o meu filho achou que eu seria destroçado por lobisomens zangados.

–Seu filho é mais esperto que você – ela comentou despreocupadamente.

–Não tinham o direito de mantê-lo longe de mim. Três dias até eu conseguir me aproximar – reclamou, gesticulando.

–Instinto natural de qualquer filhote – ela explicou, com calma.

–Ele é meu – esbravejou, encarando-a.

–Ele não é um objeto, xerife. Não se refira a ele como tal — retrucou, com os olhos estreitos.

Isso pareceu acalmá-lo um pouco.

–Não é nada disso. Ele é meu, assim como eu sou dele – tentou explicar – Depois daquele dia é como se um pedaço de mim ficasse andando solto por aí – continuou, sentando-se no canto da cama novamente – E eu não gosto disso – numa voz baixa, segurando a cabeça entre as mãos.

Peter sentou na cama e observou o outro a sua frente. Inconscientemente, ele levantou sua mão, encostando os dedos de leve no braço do outro.

–Eu também não – Peter respondeu com uma voz fraca, fazendo-o virar.

Ele puxou sua mão de volta e abaixou o olhar quando o outro o encarou.

John sorriu, acariciando seu rosto. Peter respirou fundo, aproveitando a carícia.

–Achei que estava dormindo – falou John, levantando seu rosto com delicadeza.

–Vocês falam alto demais – respondeu, com um sorriso triste.

–Então ouviu tudo o que dissemos? – perguntou o mais velho, aproximando-se do outro e trazendo-o mais para perto.

–O suficiente – respondeu Peter, deixando-se abraçar.

E quando ele sentiu o mais novo junto a si, toda a angústia que sentira nos últimos dias desapareceu. Ele sentia-se inteiro de novo.

Fim do cap. 15

Notas finais
Não sei quanto a vocês, mas eu adorei a Laura dando um 'acorda' no xerife...HUAhuAHHA Eu me senti vingada >:D