Uma segunda chance

16 Capítulo 16 - O começo do fim


Notas iniciais
Bom, aqui começa o desenrolar da trama principal e a justificativa do nome da fic.Para ser sincera, achei que esse capítulo ficaria enorme. Mas no final, ficou bem enxuto :) Eu gostei do resultado. Espero que gostem também.

Quando Isaac e os outros adolescentes chegaram da escola tiveram uma surpresa ao ver Peter e John juntos, sentados no sofá vendo televisão. John estava abraçando o mais novo pelos ombros, enquanto Peter estava aconchegado ao seu lado com a cabeça apoiada em seu peito. Derek também estava sentado com eles, mas estava no chão, encostado às pernas de Peter e do xerife.

Isaac olhou para a cozinha e viu inúmeros pratos sujos na pia e restos de embalagens no lixo. Só acordou quando Peter o chamou.

–Como foi na escola hoje? – perguntou Peter, olhando para Isaac.

Isaac o fitou e sorriu. Ele parecia melhor e calmo.

–Normal – respondeu, colocando a mochila no balcão. Os outros pareciam esperar sua reação – Você parece melhor hoje – disse, encarando o xerife com uma expressão neutra.

–Estou – concordou Peter, com o rosto corado.

–Legal – Isaac deu de ombros e se jogou no sofá, colocando a cabeça no colo de Peter, que sorriu e começou a brincar com seus cachos.

Só daí os outros começaram a jogar as mochilas pela sala e foram se aconchegar perto dos outros. Jackson segurava um caderno.

–Quer dizer que tudo isso vai para o lixo? – perguntou Jackson que sentou no canto e colocou as pernas de Isaac no colo, mostrando uma folha com uma lista para Isaac.

–Yeap – respondeu Isaac, após dar uma rápida olhada na folha.

–Que merda. Três dias de trabalho jogados no lixo – reclamou, jogando o caderno no chão.

Stiles estava perto e não pôde deixar de dar uma espiada no caderno que caiu aberto no chão.

–"Dez jeitos de matar o xerife e nunca ser pego" – leu Stiles, puxando o caderno – Mas que porra é essa? Era isso que você estava fazendo todos esses dias? – indignou-se Stiles, levantando e indo para cima de Jackson.

–Você ajudou – respondeu Jackson, sem se importar com a ameaça – O nº9 "Estupro por tentáculos – o terror do fundo do mar" foi sua ideia – falou, fazendo todos os presentes o encararem.

Stiles sentiu seu rosto queimando de vergonha.

–Eu não sabia que estavam falando do meu pai – tentou se defender.

–Então essa é uma morte aceitável para qualquer outra pessoa? – perguntou Lydia, que estava sentada ao lado de Derek.

–Vai se tratar e sai da frente da tevê – falou Jackson, empurrando Stiles de volta para o chão.

E assim, todo o mal estar que pairava entre eles cessou de existir.

Distraídos com seu novo relacionamento, Peter e John esqueceram que o período de cio se estendia por mais alguns dias, e voltaram as suas rotinas normais.

John procurava passar quase todo o seu tempo livre dividindo sua atenção com o filho e Peter, algum momento mais íntimo entre os dois era meio raro devido a constante presença dos adolescentes em volta de Peter.

Para contornar essa situação, John convidou Peter para um jantar na casa dele. Mas nada de comida pronta ou entrega. Eles tentariam fazer tudo sozinhos, aproveitando a companhia um do outro. Para isso, eles combinaram o cardápio, e John deixou claro que se algum adolescente sequer se aproximasse da casa, dormiria na delegacia.

Como ele passava boa parte do dia no serviço, Peter prontificou-se a comprar tudo que fosse necessário juntamente com Derek, já que teria que ir ao supermercado de qualquer forma.

Após o almoço ele arrastou Derek, que apesar de não tão arisco às saídas, ainda era avesso a ter suas bochechas apertadas pelas amigas de sua mãe.

Eles já estavam com quase todos os itens da lista que John entregara no carrinho, quando Derek começou a rosnar ao lado de Peter.

Ele estranhou o comportamento de Derek, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, Derek saiu correndo e se jogou contra as pernas de um homem atacando-o com unhas e dentes. Seu comportamento selvagem estava chamando atenção de todos que estavam por perto. Peter mais que depressa correu, pedindo desculpas pelo comportamento do garoto. Porém, quando levantou o rosto para encarar o homem, Peter gelou.

Observando Derek estava Deucalion, com uma expressão divertida no rosto.

–Ora, ora, se não são os Hale – disse Deucalion, com um sorriso forçado para Peter – Quanto tempo, Peter.

–Deucalion – reconheceu o alfa cego. Ele rapidamente puxou Derek para si, afastando-o do alfa.

–Você parece surpreso em nos ver aqui – comentou, inclinando a cabeça para o lado.

Foi quando Peter olhou em volta e percebeu que estavam cercados pelos outros alfas.

O coração de Peter disparou e o fato não passou despercebido pelos outros.

–Ele é só um filhote – argumentou, abraçando Derek, que parecia com medo — Não somos ameaça para vocês – completou, seguindo os movimentos de Ennis, que os rodeava.

–Parece uma leoa defendendo o filhote – comentou Kali, rindo desdenhosa.

–Comporte-se, Kali – ordenou Deucalion, com um sorriso – Thalia sempre foi nossa aliada, e espero que possamos continuar a sê-lo – disse, surpreendendo Peter que concordou com a cabeça.

Peter esperou que os três alfas se afastassem antes de voltar para o carrinho com suas compras. Derek não desgrudou mais de sua mão até que chegassem ao caixa. Os dois passaram as compras e empacotaram tudo o mais rápido possível e foram para o carro.

Depois de carregar o carro, os dois começaram a dar voltas e mais voltas pela cidade a esmo. Peter tinha a sensação de que estavam sendo seguidos durante muito tempo.

Decidiu ir até a delegacia. Estacionou a Tahoe na frente e entrou com Derek grudado ao seu lado.

Foi em direção à recepção, mas antes que pudesse chegar foi interceptado por um homem alto.

–Peter? – o homem perguntou – Quanto tempo – deu um sorrisinho sacana, ao encostar a mão no ombro do outro.

–Eu te conheço? – perguntou Peter, se afastando do policial, olhando-o estranho.

–Não acredito que não se lembre de mim. Eu certamente me lembro de você da época da escola – respondeu o homem, enquanto Derek se desvencilhava de Peter e corria delegacia adentro – Adam Smith? – tentou de novo.

Levou alguns segundos até que Peter o reconhecesse.

–Irmão da Adélia? – confirmou Peter, estreitando os olhos, enquanto o outro concordava sorrindo – Eu sinto muito, não te reconheci antes. Você está diferente – falou sem graça. Nunca reconheceria o outro. Faziam pelo menos quinze anos que não se viam. E pelo que se lembrava, tirando às vezes em que se esbarravam quando Peter ia estudar com Adélia, que era da sua classe, nunca sequer trocou uma palavra com o outro. Eles nem eram do mesmo ano.

–Você não mudou muito – elogiou, piscando – Então, o que acha de sairmos hoje à noite e botar o papo em dia, entre outras coisas? – convidou, se aproximando do mais novo sugestivamente.

Antes que ele pudesse responder Derek retornou, puxando o xerife pela mão.

–Que surpresa – disse John, puxando-o para um abraço. Ele sentiu o mais novo relaxando com seu contato – Interrompi algo? – perguntou quando viu o outro policial tenso.

–Ele estava me chamando pra sair – respondeu Peter antes que o outro pudesse inventar uma desculpa qualquer, fazendo com que Adam abrisse e fechasse a boca, chocado.

John ao ouvir a resposta, puxou Peter para o seu lado enlaçando sua cintura com um braço.

–Isso é verdade, oficial Smith? – inquiriu, com a expressão fechada. Derek escondia uma risadinha com a mão, enquanto olhava a cena.

–Eu não sabia que vocês – ele apontava para os dois e gesticulava.

–Estavam juntos? – completou John, solícito. Adam concordou com a cabeça – Agora sabe – falou, olhando-o feio – Ele não vai poder aceitar seu convite, Smith. Nem hoje, nem nunca – Adam concordou freneticamente – E você está ainda está aqui – comentou John com um sorriso divertido no rosto, fazendo o outro policial de desculpar e sair apressadamente, deixando os três.

–Ele é rápido – comentou Derek, surpreso – para um humano – completou pensativo.

Ele saiu apressado e não reparou que havia alguém a sua frente até que esbarraram.

–Olha por anda, Adam – reclamou Sandra, outra policial trazida após o massacre de Matt e o Kanima para reforçar o quadro de funcionários da delegacia – Está com uma cara estranha – disse, olhando o colega de trabalho, que conhecia há anos graças ao curso preparatório para a polícia que fizeram juntos.

–Acho que acabei com qualquer chance de promoção nesta vida e na próxima – resmungou.

Ele contou o que acontecera há pouco.

–Então esse é aquele Peter, que você comentou uma vez? – perguntou ela, em tom de fofoca, tentando espiar ele e o xerife – Do jeito que você falava eu imaginava alguém totalmente diferente. Mas até que ele é bonitinho – elogiou em voz baixa para ele.

–Bonitinho e ordinário – resmungou, entrando e indo em direção a maquina de café. Aquele prometia ser um dia daqueles.

John reparou que o outro estava grudado nele, não parecia querer ir embora. Derek parecia relaxado e estava atirando pedrinhas no lago que ficava ao lado da delegacia. Os dois conseguiam vê-lo com clareza de onde estavam.

–Aconteceu alguma coisa? – perguntou, abraçando o mais novo. Peter suspirou e afundou o rosto em seu pescoço, afirmando com a cabeça.

E contou do seu encontro com a alcateia de alfas e da sensação de estarem sido seguidos.

–Ainda está com a sensação de que estão te seguindo? Consegue senti-los perto? – perguntou John, olhando-o nos olhos.

Peter pareceu se concentrar nos barulhos a seu redor.

–Não, não sinto nada – respondeu por fim.

–Eu acho que você só ficou impressionado – reconfortou o outro.

–Você não pode sair mais cedo? – insistiu, olhando John com cara de cachorro sem dono.

–Estou cheio de trabalho aqui. Mas faz assim, vão vocês na frente. Vou tentar adiantar o máximo que der, e tento chegar mais cedo. Pode ser?

Vendo que não tinha muita opção, Peter consentiu. Despediu-se de John e foi com Derek para casa.

Quando chegaram, Derek começou a aprontar, distraindo e relaxando o tio enquanto os dois guardavam as compras nos armários.

Chris observava os dois pelas câmeras em sua casa. Deu zoom na tela quando viu um vulto passando em outro ambiente.

Ele viu Peter e Derek olhando na direção do corredor ao mesmo tempo. Derek parecia se esconder atrás do tio. Chris pegou sua arma e alcançou uma besta que estava numa prateleira próxima e continuou a observar.

Peter fez sinal para que Derek não fizesse barulho e apontou para a porta de entrada. Derek fazia que não e segurava sua mão. O outro parecia irritado e fez o mesmo sinal de antes e depois apontou para o próprio cabelo, enrolando uma mecha como se fosse um cacho. Derek abaixou a cabeça e fez que sim.

O lobisomem puxou o menor para um abraço e lhe deu um beijo na testa. Quando se separaram, ele lhe mostrou três dedos. E como numa contagem regressiva foi abaixando cada um deles, e juntos ao abaixar do último dedo, cada um correu para um lado.

Chris suspirou aliviado quando viu que Derek seguira o que o outro mandou e conseguira escapar. Ele se recostou na cadeira e continuou a observar o desenrolar da cena.

Assim que viu Derek levantar e correr para a porta, Peter correu para o corredor, interceptando o invasor. Ele tentou atacá-lo com suas garras, mas o outro foi mais rápido e o pegou pelo pescoço antes mesmo que pudesse chegar perto de seu objetivo.

–Não acredito nisso – resmungou Chris ao ver o invasor prensando Peter na parede da casa e rasgando suas roupas.

Ele já ia saindo da sala quando reparou que o mais novo se debatia, e por alguns instantes conseguiu se desvencilhar do outro, correndo para a escada. O outro, que já estava meio transformado, o puxou de volta pelo pé fazendo-o bater a cabeça nos degraus e quebrando o corrimão da escada com o impacto. Chris deu zoom quando viu sangue e praguejou.

Ele pegou o celular e ligou para a polícia.

Peter sentiu o impacto contra sua cabeça e ficou atordoado. Quando abriu os olhos, um punho foi a última coisa que viu antes de tudo ficar preto.

Fim do capítulo 16

Notas finais
Apesar da cena do ataque ser indispensável como gatilho para os próximos capítulos, não queria nada muito grotesco e com excesso de detalhes desnecessários.