Uma segunda chance

7 Capítulo 7 - Dois pais?


Notas iniciais
Nesse capítulo sabemos um pouquinho mais sobre o passado de Peter e os efeitos do convívio dele com Derek.

Era quase uma hora da tarde quando a campainha tocou. Peter tinha acabado de arrumar a cozinha e Derek estava brincando no computador no andar de cima.

Peter secou as mãos na calça de moletom que usava e correu para atender a porta. E ficou surpreso quando viu que se tratava de uma senhora de idade avançada que morava no final da rua.

— O senhor sempre atende a porta de pijama? Ou fica de pijama o dia inteiro? – perguntou a senhora com uma prancheta na mão. – O senhor trabalha, senhor – ela pareceu procurar seu nome no meio dos papéis – Peter Hale? – completou, arrumando os óculos, e entrando na casa, olhando tudo.

A senhora era provavelmente a assistente social, e ao que parecia ela viera no intuito de não facilitar em nada as coisas. Acabara de sugerir que ela era um vagabundo e ele teve que se conter para não enxotá- la de lá. Não podia se irritar e tinha que virar o jogo e causar uma boa impressão.

— Você não pode entrar na casa dos outros sem permissão. Muito menos sem se apresentar – disse indignado –, eu não estou de pijama. Só uma roupa confortável porque estava limpando a casa.

Ela olha ao redor e nota que a casa está realmente muito bem limpa.

— Meu nome é Clarice Jones, e eu sou a assistente social designada para o seu pedido de adoção. – Ela se apresentou, esticando sua mão para cumprimentá-lo.

— Prazer. Eu sou Peter Hale. – Respondeu, apertando sua mão. – No que eu posso ajudar?

— O senhor poderia responder minhas perguntas. – Ela disse.

Ele teve que parar e relembrar quais foram as perguntas exatamente.

— Não atendo a porta de pijama. Não uso pijama o dia inteiro. E não estou trabalhando no momento. – Respondeu, fazendo-a levantar a sobrancelha.

— E por que não, Sr. Hale?

— Não preciso. – Ele afirmou, passando a mãos nos cabelos, incomodado. – Depois do incêndio eu herdei as posses de quase todos os meus irmãos fora as que eu já tinha – ele explicou ao ver a expressão descrente da senhora –, e eu só pretendo montar algum consultório quando o Derek for mais velho – comentou despreocupado – A senhora gostaria de beber alguma coisa? – perguntou indo até a geladeira.

— Consultório? – ela perguntou interessada. – Você teria algum refrigerante?

— Eu sou psicólogo. – Esclareceu. – Não tomamos refrigerante. – Ele disse segurando a porta e olhando para geladeira lotada de coca-cola – Pode ser chá? Tem limonada também ou água.

Ela deu um sorriso aprovando sua resposta, anotando algo no papel.

— Aceito limonada. E quanto a álcool, Sr. Hale? – ela perguntou.

— Não bebo, nem tenho em casa. – Respondeu, servindo dois copos de limonada. – Então vou ficar devendo. Mas se a senhora avisar quando será a próxima visita, eu posso providenciar algo. O que a senhora bebe, afinal? – falou, ao entregar-lhe um copo de limonada, deixando-a sem graça.

Ela se remexeu no sofá. Decidiu retomar a entrevista e lhe fez uma série de perguntas.

— Seu nome completo?

— Peter Hale.

— Idade?

— Trinta e dois.

— É bem jovem. – Comentou. — Estado civil?

— Solteiro.

— Aqui consta que o senhor já foi casado.

— Não legalmente.

— Separaram?

— Ele morreu num acidente.

— No incêndio?

— Não, num acidente de carro seis anos antes.

— Ow. – Ela parecia sem graça novamente. — Namora?

— Ainda não.

— Poderia explicar?

— No momento somos só amigos, e é meio óbvio que há um interesse mútuo. – Falou, lembrando-se do beijo que ela lhe deu. Sem perceber estava sorrindo. – E apesar de nos vermos quase todo dia, não acho que dê para rotular de namoro ainda.

— Uma pena. Você e o xerife formam um casal lindo. – Disse, anotando algo, fazendo-o arregalar os olhos.

— Eu não estava falando do xerife. – Ele disse, com uma careta.

— Não? – ela remexeu nos papéis procurando por algo. – Bom, é que aqui consta que você era antes casado com um Sr. Mark Riddle, e que antes de comprar essa casa, você ficou um tempo hospedado com o xerife. – Disse ela mostrando o papel para Peter. — Eu moro no final da rua, e já vi vocês dois de manhã correndo atrás de um cachorro juntos. E eu sei que ele sempre vem aqui.

— Eu fiquei hospedado lá alguns dias. Precisava de um lugar para ficar porque estavam reformando aqui, e ele tinha um quarto de hóspedes. E ele normalmente me ajuda a pegar o meu... cachorro, porque ele tem a triste mania de correr atrás do carteiro todo santo dia. Ele é só um amigo.

— O senhor já disse isso.

— Não, ele é só um amigo, e sempre vai ser só um amigo. – Esclareceu já meio irritado. – Eu me referia à Melissa, que mora aqui na rua de trás e trabalha no hospital.

— Sinto muito pela confusão. – Disse não parecendo nem um pouco arrependida. — O senhor acha que tem a experiência suficiente para educar e cuidar de uma criança e um adolescente?

— Sim. Minha área de especialização é justamente crianças e adolescentes. E sempre ajudei a cuidar dos meus sobrinhos.

— Mas aqui diz que o senhor teve um filho que morreu com dois anos. – Ela disse, olhando os papéis. – Creio que o nome dele era Charles?

— Ele estava no carro com o Mark durante o acidente. – Falou em voz baixa, olhando para baixo. – A senhora gostaria de ver o resto da casa e conhecer o Derek? – cortou as perguntas incessantes. – Ele está lá em cima, brincando. O Isaac só chega mais tarde.

Ela sorriu, sem graça, e seguiu- o. Ele mostrou a cozinha moderna e bem equipada e o banheiro de baixo, cujos ladrilhos tinham sido aplicados naquela manhã. Subiram as escadas, e ele mostrou o quarto onde dormiam, que afirmou ser somente das crianças. O banheiro de cima, novinho em folha e sem nenhum risco para uma criança, ao contrário do de baixo que estava em reforma. Por fim, mostrou o escritório, que apresentou como seu quarto. E deu graças a Deus por ter escutado Lydia e colocado uma cama reserva lá.

— Derek, essa é a Sra. Clarice Jones, e ela é a assistente social que veio nos fazer uma visita. – Ele apresentou os dois.

Derek parou de mexer no micro e virou para a senhora que estava do lado de Peter.

— Não gosto de você. – Afirmou o garoto, olhando feio para a velha. Ele tinha ouvido cada coisa desagradável que ela perguntara para o tio e não gostara nem um pouco. Quando ele viu o tio revirando os olhos, o garoto se aproximou da senhora, com uma expressão triste. – Eu não devia ter falado isso, foi muito rude. – Disse, abaixando a cabeça, e lutando para não sorrir. – O tio Peter sempre fala que devemos ser sempre educados com todo mundo, mesmo se a pessoa não merecer. Então eu sinto muito por ter sido mal-educado. – Completou pensativo. – Muito prazer, Sra. Jones. Eu me chamo Derek. – Apresentou-se com um sorriso cativante. – Fiz certo, tio Peter? – perguntou, olhando para o tio, piscando inocentemente.

Peter sorriu e consentiu com a cabeça.

— Ele parece que é bem esperto para a idade. Como ele está indo nos estudos?

— Bem. No momento estou ensinando ele em casa. Mas estou pensando seriamente em colocá-lo numa escolinha. Acho que seria bom ele se relacionar com crianças da idade dele. – Comentou, fazendo-a sorrir concordando.

— Bom, acho que acabei por aqui, Sr. Hale. – Ela sorriu. – Ficarei de olho.

Ele a levou até a porta.

— Velha chata. – Resmungou ao ir tirar o telefone da base.

Sem demora ele discou o número que sabia de cabeça já.

— Alô? – uma voz feminina atendeu rapidamente.

— Mel? É o Peter. Eu preciso de ajuda. – E ele contou tudo que aconteceu na visita.

Depois do telefone, os dois se arrumaram e saíram.

— Eu não acho que a gente devia vir aqui. Pode ser perigoso. – Comentou o garoto, que andava na rua com os braços cruzados no peito.

— Não seja bobo. É uma escola infantil. Só tem mães e um monte de crianças ali na frente. – Disse Peter, indicando o grupo que estava a poucos metros deles.

— Elas parecem com fome. – Comentou o garoto sobre o jeito que as mulheres olhavam para o tio.

Peter o olhou por um segundo e depois continuou a andar.

— Com licença, vocês sabem com quem eu posso falar a respeito de matrícula para o meu filho? – ele perguntou para as mães que aguardavam seus filhos na porta da escola.

Por um segundo eles pareciam chocadas demais para falar. Quando Derek foi até o tio e pediu colo, elas pareceram acordar e começaram a falar ao mesmo tempo. Elas tentavam falar com o pequeno que escondia o rosto no pescoço do tio, e no fim fizeram questão de levar os dois até à secretaria da escola.

Lá, Peter explicou a situação dele e de Derek e conseguiu fazer a matrícula do garoto. Derek começaria já no dia seguinte. Saíram de lá com uma pequena de lista de material, o que fez com que Derek ficasse de mais mau humor ainda, já que isso significava mais compras.

Mais tarde, Scott e o resto da trupe foram para a casa de Peter, juntamente com Isaac, com o intuito de estudar. Intuito era a palavra chave, já que a única coisa que fizeram foi bagunça.

— O que vocês estão fazendo? – perguntou Isaac, vendo Peter tentando montar uma lancheira na bancada da cozinha enquanto Derek ficava tirando as coisas que ele colocava lá.

— Tentando preparar a lancheira desse pestinha para ele poder levar para aula amanhã. – Respondeu Peter bufando. – Você quer devolver o bolinho, por favor? – pediu para o garoto que não pensou duas vezes em tacar o bolinho pela janela.

Isaac ficou horrorizado com a falta de educação do garoto e já ia ralhar com ele quando viu Peter respirar fundo e virar procurando algo no armário.

Com uma paciência e calma absurda, ele trouxe outro bolinho exatamente igual ao que Derek jogara e depositou na lancheira.

— E só para você saber, eu tenho mais de trinta iguais a esse dentro do armário. E se precisar, eu saio para comprar mais. – Disse e deu um sorrisinho sarcástico para o menino, que rosnou.

— Não interessa, porque eu não vou usar essa lancheira idiota. – Retrucou o garoto, fazendo cara feia para o tio.

— Não é uma lancheira idiota. – Jackson tentou animá-lo. – É a lancheira dos Angry birds... o que quer isso seja. – Completou ao ler o nome que estava escrito.

— Como “O que quer que isso seja?”?! É Angry Birds! Angry Birds é show! Como você pode não conhecer Angry Birds? Em que mundo você vive? – perguntou Stiles de uma só vez e sem respirar.

— No mundo onde pessoas normais usam seu tempo livre para treinar e estudar, seu bocó. É por isso que eu sou bom e você é um merda. – Explicou Jackson, fazendo Isaac rir.

— Eu nem gosto de Angry Birds. – Reclamou Derek. – É bobo.

— Você passou a manhã inteira jogando isso – comentou Peter, fechando a lancheira –, e foi você que escolheu a lancheira.

— É, mas foi você comprou. Então vai ser sua culpa se eu apanhar amanhã na escola quando aparecer com uma lancheira idiota. – Retrucou o garoto. – E por que tenho que ir para a escola? Eu não quero ir para escola nenhuma. Eu quero ficar com você – falou, fazendo biquinho.

Foi aí que repararam que o drama que o garoto estava fazendo funcionou perfeitamente em Peter. Até Stiles podia ver que ele já não estava tão certo.

— Vai ser legal conhecer gente nova, moleque. Fazer novos amigos e brincar bastante. – Comentou Stiles, cutucando o garoto no braço.

— Eu já tenho um amigo. – Afirmou o garoto. – A gente brinca todo dia de manhã.

— O carteiro não é seu amigo. É só o pobre coitado que você aterroriza todo dia. – Comentou Isaac ao pegar o bolinho da lancheira e comer. Peter o olhou com cara feia. – Ei, eu estou com fome e você disse que tinha mais trinta desses.

Peter revirou os olhos e foi pegar outro.

— Você quer que eu vá para a escola só porque gostou daquele monte de mães em cima de você. – Acusou Derek, fazendo caretas. – “Você é o pai dele? Você é tão novo!”, “Que coisa mais fofa vocês dois juntos!”, “Eu queria que meu marido fosse como você”, “Você é solteiro?”, “Você quer sair na sexta à noite? Minha mãe pode olhar nossos filhos”, “Ou a gente pode fazer novos filhos”.– Imitou Derek com uma voz irritantemente fina, fazendo os adolescentes rirem.

— Agora me senti ofendido. Não sou a única pessoa que tem a mãe assediada pelo lobisomem mau. – Scott fingiu secar o canto dos olhos.

— Eu não assediei ninguém. – Negou Peter, entregando um bolinho pra cada um dos rapazes e para Derek. – Agora já a sua mãe... – Riu, quando viu Scott revirando os olhos.

— Mas e aí, eram gatas pelo menos? – perguntou Jackson, mordendo o bolinho. – Como você pôde tacar isso pela janela, seu herege? É uma delícia. – Ralhou com o pequeno.

— Não sei, não prestei atenção. – Falou Peter, chamando atenção dos jovens. – O quê? – perguntou quando viu que todos o olhavam.

— Como você pode não ter prestado atenção? – estranhou Isaac. – Eu teria percebido se um monte de mulher se jogasse em cima de mim. – Pensou.

— Por que eu deveria? – inquiriu Peter, confuso. – Fala sério. Desembucha logo, Scott. Você parece mais devagar do que já é. Alguém pode achar que você é especial. – Ele falou ao ver a expressão pensativa de Scott.

— Reparou na minha mãe. – Disse Scott a contragosto.

— Isso é algo bom, então. Reparei nela e ignorei todas as outras. Você deveria estar feliz. – Comentou Peter, não entendo o porquê da expressão infeliz do rapaz.

— Isso quer dizer que você acha que ela é especial. E ela obviamente acha que você também é. E se vocês casarem?— Estão ouvindo isso? – perguntou Peter, inclinando a cabeça para o lado. Todos inclinaram a cabeça tentando ouvir. – É o som do meu Q.I. baixando depois de escutar essas atrocidades. – Explicou fazendo todos menos Scott e Derek rirem. – É por isso que vou salvar os neurônios que me restam, mantendo uma distância saudável desse indivíduo. – Disse, apontando para Scott.

Jackson e Isaac estavam quase caindo dos bancos de tanto rir.

— Não tem graça, sabia? – reclamou Scott. Stiles mordia os lábios para não rir, como um bom amigo.

A noite chegou, mas a piada continuou. Eles pediram comida quando as meninas chegaram e Jackson e Isaac tinham ataques de riso cada vez que Peter evitava ficar muito perto de Scott. Quando eles explicaram para as meninas, Lydia disse que não entendia o porquê deles terem ficado surpresos com o acontecido, já que ela sentia o mesmo desde que começara a ter mais contato com Scott.

No dia seguinte foi uma briga para tirar Derek da cama. E foi necessário um trabalho conjunto de Peter e Isaac para arrumar Derek para a escola.

Derrotado, ele saiu arrastando os pés com uma expressão triste já que não poderia brincar com o carteiro.

— Você vai poder brincar com um monte de crianças lá. – Comentou Isaac, tentando animar o pequeno.

— E pregar um monte de peças também – acrescentou Stiles, ganhando uma olhada feia de Isaac e Peter –, ou não.

— Boa aula para vocês. – Desejou Peter. – Vamos, Derek. – Chamou, pegando o garoto no colo que acenava para eles quase chorando.

— Quem vê acha que ele vai para o abate. – Comentou Stiles, quando o garoto já estava no carro, fazendo-o arregalar os olhos. – Merda! Acho que ele me ouviu. – Isaac não respondeu nada, só o olhou como se ele fosse idiota.

Quando chegaram à escola, Peter foi novamente super bem recepcionado pelas mães dos coleguinhas de classe de Derek, e foram “escoltados” até a porta da sala.

Depois dos comentários da noite anterior referente à atenção que as mães lhe davam, Peter não pôde deixar de se sentir incomodado a se ver cercado por elas. Por isso, ele se despediu rapidamente de Derek, deu uma desculpa qualquer e voltou para casa.

Derek estava odiando a escola e mal tinha chegado. O tio tinha ignorado todo e qualquer apelo seu para não deixá-lo lá, e isso era injusto. Eles eram uma família e uma alcateia, então ele tinha que ter ficado do lado dele. Então, ele decidiu que faria daquela uma experiência horrível não só para ele, mas o para o tio também. Nada mais justo, não é?

Foi então que ele começou a chorar copiosamente. Seus pequenos ombros balançavam e ele conseguiu até não se esquivar quando uma das mães ficou de joelhos em sua frente, com o claro intuito de acalmá-lo.

— Ele volta logo. Você vai ver só. Qual é o seu nome? O meu é Sam. – Disse uma das mães.

Derek a olhou, e ela não cheirava tão mal quanto as outras e parecia realmente querer ajudá-lo, ao contrário das outras que o ignoraram assim que Peter virou as costas.

— O meu nome é Derek. – Respondeu, e ela apertou sua mão, sorrindo. Ele quase se sentiu mal por mentir. — Eu queria ir pra casa ver meu outro pai. – Completou, quando ela secou seu rosto. Ele aproveitou para fazer bico e olhar para ela com os olhos dignos de cachorro sem dono.

— Ele é novo marido da sua mãe? – ela perguntou, tentando entender.

— Não, o namorado do papai. – Disse, com um sorriso triste. Ela sorriu de volta.

Qualquer culpa que pudesse ter sentido foi embora assim que ouviu as outras mães fofocando sobre seu tio.

Ele se despediu de Sam e foi para a classe. Com um sorrisinho malvado, ele se aproximou de algumas crianças, que ao que parecia estavam tentando escolher uma brincadeira.

— A gente podia brincar de lobisomem. – Sugeriu, antes de rosnar para uma criança que saiu correndo rindo.

Ele entrou em casa e largou as compras na bancada, suspirando. Já tinha levado Derek na escola, ido à Mansão Hale vistoriar o andamento da obra de lá (e tivera um trabalhão para justificar o porão), tinha almoçado fora com Melissa e feito compras. Não eram nem duas horas da tarde e ele já estava esgotado.

Uma luz que piscava no aparelho telefônico chamou sua atenção. Quando apertou o botão, uma voz mecânica soou:

“Você têm vinte e seis novas mensagens”.

Peter arregalou os olhos.

“Primeira nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 8:15”.

“Ei, Peter. É o Isaac. Só estou ligando pra verificar se foi tudo bem lá na escola. A gente se vê mais tarde. Tchau”.

Peter sorriu depois de ouvir a mensagem.

“Segunda nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 8:32”.

“Aqui é o Argent. Estou ligando porque acho que devíamos conversar a respeito do Derek. Mais tarde eu ligo de novo”.

Peter se jogou no sofá, suspirando.

— Vai sonhando, Argent. – Falou sozinho.

“Terceira nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 9:11”.

“Sr. Hale, aqui é Lisa da escola. Estou entrando em contato porque tivemos um pequeno problema com o Derek e com alguns amiguinhos da sala. Quando o senhor vir buscá-lo a professora gostaria de conversar sobre o ocorrido. Tenha um bom dia”.

Peter passou as mãos no rosto, cansado.

“Quarta nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 9:25”.

“Hale, é o Argent de novo. Nós realmente precisamos conversar”.

“Quinta nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 9:54”.

“Quem você acha que é pra não atender minhas ligações, Hale?”

— Eu sou Hale. Peter Hale. Um martíni, por favor. Batido, e não misturado.

“Sexta nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 10:30”.

“Mas que merda, Hale. Atende logo esse telefone”.

Peter riu. E ligou a televisão.

— Que cara estressado.

“Sétima nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 11:12”.

“Oi, é a Melissa. É só pra avisar que já estou no meu intervalo. E que você realmente precisa se lembrar de carregar seu celular, Peter. Beijo”.

Ele pegou o celular, e realmente não havia a menor sombra de carga. Estava morto.

“Oitava nova mensagem. Mensagem recebida hoje às 12:05”.

“Sr. Hale, aqui é a Lisa de novo. Gostaria de saber se o senhor poderia vir buscar o Derek. Ele está aqui na secretaria. Tentei ligar no seu celular, mas só cai na caixa postal”.

Peter olhou para o aparelho telefônico, e se levantou rapidamente, pegando as chaves da Tahoe.

Ele passou rapidamente as mensagens restantes e para seu espanto, todas as outras dezoito mensagens eram de Chris Argent e estavam cheias de ameaças e acusações infundadas que iam desde uma mera pirraça até estar ocupado demais para atender ao telefone por estar cavando covas no quintal, o que Chris Argent jurou que checaria e puniria Peter caso ele tivesse violado o código.

Isaac chegou à sua casa, um tanto esbaforido. Estava ansioso para saber como tinha sido o primeiro dia de Derek na escola e se ele tinha feito muito amigos. Ele nem esperara a carona de Stiles (eles tinham ido para a escola com o Jipe hoje) e decidiu vir correndo, já que a distância da escola não era tão grande.

Mas ficou surpreso quando viu que o carro de Peter não estava na frente da garagem. Ele entrou e começou a procurá-los pela casa. Estava vazia.

Quando ouviu um barulho de carros, ele foi até a entrada. Era só Stiles e Jackson.

— Tava com dor de barriga? Não podia ter esperado mais um segundo? Eu tive que ficar aguentando o Stilinski sozinho. – Resmungou Jackson para Isaac.

— Eu também estava lá. – Indignou-se Lydia, saindo do carro também.

Jackson olhou para a namorada.

— Eu tive que aguentar o Stilinski e a Lydia sozinho. – Ele consertou, ganhando um tapa da namorada.

— Eles não estão aqui. – Falou Isaac. – Já deviam ter chego faz tempo.

— Ele não deixou recado? – perguntou Stiles, que tinha estacionado o carro do outro lado da rua e se juntava a eles. Isaac fez que não com a cabeça.

— E quanto a recados na secretária? Ele deixou algum recado? – perguntou Lydia, entrando na casa e indo checar.

Os adolescentes checaram a secretária e ouviram todas as mensagens. E os lobisomens estavam bufando depois das ameaças do caçador. E já estavam se organizando para procurar por Peter e Derek quando ouviram o barulho do carro da Tahoe chegando.

Peter entrou com Derek no colo, deixou-o na sala e subiu as escadas pulando alguns degraus. Desceu rapidamente segurando um edredom que dobrou em quatro, fazendo uma almofada. E depositou-o no chão, entre a sala e a cozinha, encostado na parede.

Respirando fundo, ele passou as mãos nos cabelos, parecendo extremamente cansado. Virou para Derek e o levou até o local, fazendo-o sentar. Os adolescentes se olharam sem entender nada.

— Esse é cantinho da disciplina. Cada vez que você se comportar mal, você vai ficar sentado aí pensando no que fez durante cinco minutos. Se depois desses cinco minutos você continuar se comportando mal, você fica mais cinco minutos. Se levantar durante os cinco minutos, eu começo a contar de novo. E não ache que não vou colocar você aí de novo, porque se precisar eu posso fazer isso a noite toda. Hoje, você vai ficar sentado aí porque você mordeu a sua classe inteira sem motivo nenhum, porque você também mordeu a moça da secretraria e porque achou legal ficar inventando um monte de mentiras. – Informou ao pequeno, que não pareceu nem um pouco feliz. Em seguida, ele virou de costas voltando sua atenção para os adolescentes.

— Então, como foram as aulas? – Peter perguntou para Isaac e os outros.

— A gente estava brincando de lobisomem. Eu era o alfa. Eu tinha que morder todo mundo, dã. – Falou Derek ao se levantar e ir até o tio, fazendo careta e puxando a calça dele.

Peter não disse nada ao pegar o garoto e levá-lo de volta ao cantinho.

— Foram tranquilas. – Disse Isaac, vendo o garoto levantar de novo e chutar a perna de Peter, não gostando de ser ignorado.

Peter respirou fundo e levou Derek de volta ao cantinho.

— O seu dia foi meio cheio, pelo que percebi. – Comentou Isaac. – Eu posso ficar aqui amanhã e ajudar, sem problema nenhum.

Peter não respondeu e levou o garoto que tinha saído de fininho de volta para o cantinho novamente. Em seguida, ele foi até a geladeira e pegou uma latinha de coca, virou seu conteúdo num copo longo e encheu quase a metade com gelo. Deu um gole e deu um sorriso. Checou o relógio. Pareceu acordar quando viu os adolescentes olhando para ele. E pegou mais três latas e copos para eles, que se sentaram na bancada.

— O que foi que ele inventou na escola, afinal? – perguntou Stiles, brincando com a lata em sua mão.

— Disse que queria vir para casa ficar com seus dois pais. – Respondeu Peter, checando o relógio.

— Com o Argent? – falou Isaac, confuso.

— Não, aparentemente eu tenho um namorado. – Explicou, olhando o relógio.

Stiles e Jackson cuspiram o refrigerante, não esperando a resposta.

— Que nojo. – Reclamou Lydia.

Stiles, Jackson e Isaac começaram a rir.

— Não é engraçado. – Brigou Peter. – O tempo acabou. Você pensou no que fez? – perguntou para o garoto.

— Sim, e não entendo porque você está bravo. Você agora fez um monte de amigas e pode arrumar um novo namorado que nem o tio Mark. – Disse petulante.

O silêncio se instaurou no ambiente. Os adolescentes olhavam de um para o outro, esperando uma explosão de Peter. Mas ele só parecia triste.

Ele só se limitou a balançar a cabeça de um lado para o outro e subiu as escadas.

Derek se sentiu mal quando viu o tio subindo as escadas, e voltou para o cantinho.

Notas finais
Momento curiosidade: A brincadeirinha sem noção do Derek que ele carinhosamente chamou de "Lobisomem" realmente aconteceu na vida real.Tive que assinar um advertência na creche depois que meu caçula mordeu a sala toda. Infelizmente, eu não sou psicóloga e meu senso de humor é extremamente duvidoso.logicamente que eu conversei com ele na frente da professora e ele prometeu que nunca mais faria isso. Afinal, ele já era o alfa da alcateia do Pré A.A professora pareceu contente por ele falar que nunca mais faria algo assim, e quando viu meus olhos marejados ainda me deu parabéns pelo filho lindo que eu tinha.Mal sabia ela que as lágrimas eram de orgulho. Afinal, meu filho era o alfa da alcateia do Pré A >:D