Uma segunda chance

18 Capítulo 18 - Dissociação


Notas iniciais
Pessoalmente, eu teria enrolado um pouco mais para postar esse capítulo porque foi difícil de escrever. O tema é pesado e me deu uma angústia horrível de passar isso em palavras. Era como se tivesse vendo um filme e ficar descrevendo me fazia mal.Mas promessa é dívida. Então aqui está.Não vou dizer "Espero que gostem", porque acho que boa parte, assim como, eu, vai terminar de ler com os olhos marejados (porque eu me nego a crer que sou a única pessoa que chora até com reclame de margarina!!!)Enfim...só mais um aviso. Em várias partes do capítulo, numa hora eles se referem ao Peter como ele mesmo, outras como Laura e assim por diante.Então, eles sempre vão se referir a quem eles acham que está ali no controle naquele momento.Por exemplo: no cap. anterior a Laura estava no controle. Todos que estavam no quarto sabem que é ela. Quem chegar nesse capítulo e entrar no quarto vai achar que é o Peter, pois desconhece a existência da Laura.Muito confuso? Espero que não.

Quando Melissa entrou no quarto, tomou um choque ao ver que o outro se soltara da medicação, que vazava no chão.

–O que vocês acham que estão fazendo?! Não podem perturbar o paciente assim. Essa cama é pra ele descansar. Será que ele já não passou por muita coisa já? – ela voou na direção de quem ela achava ser o Peter, espantando todos os outros que estavam por perto, depois de colocar os resultados dos exames na papeleta ao pé da cama – Você não devia ter tirado a medicação. Por mais que não te resolva grande coisa, pelo menos alivia um pouco. Você deve estar sentindo dores horríveis – ela ajudou Laura a deitar novamente, reconectando a medicação.

–Eu estou bem – Laura começou a falar, mas a enfermeira não dava chances.

–E não deve ficar sentando assim. Vai estourar toda a sutura, desse jeito. E você não vai querer refazer tudo isso, não é? Aliás, tem certeza que não soltou nenhum ponto? Não está sentindo nada?

–Ponto? Onde? – perguntou Laura, sem entender ao que Melissa se referia.

–Melissa, Peter não... – começou John, sendo interrompido pela enfermeira.

–Entendi – a enfermeira levantou a mão, fazendo John se calar – Ele não lembra – suspirou, colocando um sorriso no rosto e sentando no canto da cama.

Laura se afastou o quanto pôde. Aquela mulher a estava assustando.

–É normal não se lembrar de ataques dessa natureza, Peter. O que você passou foi muito traumatizante – ela disse, tentando acalmá-lo já que ele parecia cada vez mais assustado – Você passou por uma cirurgia assim que chegou e a maior parte dos procedimentos já foram feitos e as amostras coletadas.

–Amostras? Que amostras? – perguntou Laura, alterando o tom da voz.

–De fluídos, querido – respondeu Melissa com a voz calma, fazendo o sangue sumir do rosto de Laura.

Antes que alguém pudesse impedir, Laura avançou no pé da cama, arrancando a papeleta, e consequentemente soltando novamente a medicação.

–Você vai se machucar assim – falou Melissa, tentando fazer com que Peter se deitasse de novo.

Laura afastou as mãos da mulher e passou os olhos no histórico desde a internação. Alguns termos lhe saltavam a vista "laceração anuperineal, sendo aconselhável colpoperineorrafia e esfíncteroplastia, após exame bimanual", "equimose na região cervical, com sinais de asfixia manual", "com sinais de bradipnéia e cianose", "lacerações cutâneas no dorso", "grande quantidade de equimose na região do crânio com presença de fratura cominutiva", "apresentou hematêmese durante os procedimentos cirúrgicos", "Indico hemocultura, beta HCG e coletas de amostras de fluídos"; e até o fim da folha, sua respiração estava pesada.

Ela largou a papeleta e respirou fundo. Reparou que Melissa estava novamente ao seu lado e secava seu rosto. Ela nem sequer tinha percebido quando começara a chorar.

Ela pensou em como Peter provavelmente nem tinha ideia do que acontecera de fato, ou se tinha, como deveria estar assustado e sozinho. Ela secou os olhos e fechou os olhos com força, precisava se acalmar.

–Acalme-se. Chorar não vai ajudá-lo em nada – falou John, fazendo-a encará-lo com os vermelhos e uma expressão nada amigável.

Antes que pudesse se esquivar foi atingido em cheio pelo punho de Laura, que voou em sua direção.

Ela viu a cara de surpresa do xerife, e isso a fez sentir-se mais calma. Ela sorriu debochadamente para ele, antes de ir procurar Peter.

John viu os olhos vermelhos sumindo, dando lugar a assustados olhos azuis. Quando a pessoa o olhou com uma expressão horrorizada, choramingou e se afastou, esbarrando em Isaac, John teve a certeza de que Laura fora buscar Peter.

–Ele só está com medo – Lydia disse para Isaac, que tentava segurar o garoto que se debatia e chorava – Está tudo bem, Pete. Não vamos te fazer mal – ele olhou para ela quando ouviu seu nome.

– É o garoto? – Isaac quis se certificar, antes de soltá-lo. Lydia fez que sim com a cabeça.

Assim que se viu solto, Pete se afastou mantendo distância de todos.

–Do que ela está falando? – perguntou Melissa, sem entender a mudança brusca de atitude de Peter.

–Aquele não é o Peter. É uma criança – falou Scott – Eu juro que eu explico o resto depois – se comprometeu Scott, aproximando-se da porta, para evitar a fuga do lobisomem.

–Você sabe onde está? – Lydia perguntou, com um sorriso para o menino que a olhava assustado.

–Não – Pete respondeu com a voz baixa, olhando-a curioso.

O timbre de sua voz assim como toda sua expressão corporal era totalmente diferente de Peter ou Laura, era definitivamente infantil.

–Em um hospital – disse Lydia – Aqui eles cuidam de pessoas feridas que precisam de ajuda, como você – ela explicou – Aquela moça é uma enfermeira, e ela ajuda as pessoas a se sentirem melhor – ela apontou para Melissa, que deu um tchauzinho – Você não está se sentindo um pouco melhor já? Não dói tanto, não é? – ela tentou dar um sorriso encorajador para ele, sabia que graças à Laura, os ferimentos estavam bem melhores.

Ele concordou. E quando ela esticou a mão para ele, e após uma pequena hesitação, ele aceitou.

Lydia o levou até a cama e ajudou a se deitar. Melissa sorriu ao se aproximar e explicou que precisava colocá-lo sob medicação para que ele sentisse menos dor. A ruiva o distraiu enquanto Melissa puncionava uma nova veia, já que Laura estourara a que estava sendo usada quando pulou para alcançar a papeleta.

E não demorou muito para o menino pegar no sono. Ele dormiu segurando a mão de Lydia, parecia à vontade com a ruiva.

–Agora será que alguém podia me explicar direito que loucura foi essa? – pediu Melissa falando baixo para não acordar o lobisomem.

–Eu preciso de um café – comentou John, pedindo que ela o seguisse – Uma garrafa de café – resmungou.

–Eu vou com vocês – Stiles se prontificou. Ele odiava hospitais, e ficar ali olhando Peter naquele estado estava deixando-o com os nervos à flor da pele.

Ele colocou a mão na perna de Pete num carinho rápido e saiu com os dois em direção à cafeteria, fechando a porta ao sair.

Os outros adolescentes, vendo que Pete finalmente estava descansando, apagaram a luz e se espalharam pelo quarto, tentando ficar mais confortáveis.

Todos os rostos viraram para a porta, quando ouviram a maçaneta girando e abrindo uma fresta. Uma mão tateou a parede, apertando o interruptor de luz, fazendo o paciente na cama se mexer.

Um senhor, que aparentava beirar os sessenta anos e que vestia um jaleco branco segurando uma bandeja de inox com alguns instrumentos entrou sem a menor cerimônia, sorrindo para os adolescentes que cobriam os olhos tentando se proteger da luz.

–Nossa! Quantas visitas – comentou o senhor, ao pegar a papeleta e examinar os resultados em anexo – Mas que interessante – pensou em voz alta, olhando Peter.

–Foi o senhor que atendeu ele antes? – perguntou Isaac curioso.

–Não. Acabamos de trocar o plantão – respondeu o médico, sorrindo em sua direção – Por isso estou fazendo a ronda.

Ele tentava ser agradável, mas o cheiro de hospital impregnado nele causava um mal estar no lobisomem.

–Eu preciso examinar o paciente – disse ao se aproximar da cabeceira da cama e virar o rosto de Peter de um lado para o outro, verificando os hematomas.

Obviamente, com toda a movimentação, Pete acordou e não ficou nada feliz ao ver um estranho com as mãos nele e começou a choramingar.

–Sente dor aqui? – o médico perguntou, apertando um ponto em seu pescoço que parecia a marca de um dedo.

Allison e Scott acharam melhor sair quando ouviram o choro. O médico concordou e disse que quanto menos gente no ambiente seria melhor. Já os outros se negaram a sair de perto de Peter, Laura ou quem quer que viesse daquela vez por qualquer motivo que fosse.

Pete acordou e ficou assustado com o médico, e ele tentou se esquivar se aproximando de Lydia, numa tentativa de se proteger.

–Ele só quer ver se você está melhor – Lydia falou e ele olhou o médico estreitando os olhos. Ela apertou sua mão e sorriu.

–Vamos abrir aqui, sim? Preciso ver as suas costas – disse o médico, já levantando o avental.

Os adolescentes viram o rosto ao ver o estado das costas do outro. Vários cortes e hematomas de vários tons cobriam a superfície. Pete se contorceu não gostando da sensação dos dedos gelados em suas costas.

O médico em seguida mexeu seu braço para frente e para trás, e pareceu contente com a falta de dor. Porém quando apalpou um hematoma nas costelas, Pete deu um gritou e se encolheu, chorando.

–Sente muita dor aqui? – confirmou o médico, apertando a mão novamente. Pete fez que sim com a cabeça ainda chorando – E aqui? – ele moveu a mão um pouco mais para cima, o garoto fez que não – É. Acho que você está com algumas costelas trincadas. Vou pedir um raio-x e depois um colete. Mas é bom evitar qualquer movimento brusco, ok? – falou e Pete enxugou os olhos. Lydia e Derek o ajudavam a colocar o avental de novo.

O garoto se acalmou e deitou novamente.

–Bom, agora preciso checar os outros pontos. Talvez seja melhor se vocês esperassem lá fora – comentou o médico, gesticulando para a parte debaixo do corpo.

Nenhum dos adolescentes se mexeu e o médico suspira, contrariado. Ele tentou com que Pete se movesse para que pudesse fazer o exame.

Era visível a irritação do médico quando viu que o paciente não cooperaria. Sem muita paciência, ele levantou as pernas de Pete, e o trouxe mais para baixo da cama pelo quadril, o que obviamente causou um desespero no garoto que começou a chorar e a se debater. O médico, por sua vez, ignorou tudo e continuou, prostrando-se aos pés da cama.

Os adolescentes começaram a questionar se não seria melhor fazer o exame depois, já que nem mesmo Lydia conseguia acalmar o garoto, que ficava cada vez mais agitado.

–Mas é claro que não. Ele não é o único paciente desse hospital – o médico respondeu rudemente, colocando as luvas cirúrgicas e levantando as pernas do garoto.

Ele cobriu displicentemente o paciente com o lençol até os joelhos, de modo que desse alguma privacidade, abriu-lhe as pernas e tocou os pontos, sem nenhuma cerimônia.

O efeito foi instantâneo. Pete, que já estava agitado ficou histérico, o que fez com que se debatesse com mais violência. Isso, se ele tivesse realmente num corpo condizente com sua idade mental não seria grande problema. Mas esse não era o caso. Os mesmos movimentos enérgicos e violentos num lobisomem de trinta e dois anos causavam um pequeno estrago, por mais que esse lobisomem estivesse em péssimas condições físicas.

E não demorou muito para que os estragos ocorressem. Lydia foi jogada ao chão quando Pete sacudiu o braço, e o médico teve o supercílio aberto quando o pé do garoto o acertou em cheio.

Jackson e Isaac não perderam tempo em tentar conter Peter, enquanto o médico saiu correndo porta afora chamando ajuda.

–Você está com uma cara péssima, Adam. Podia pelo menos tentar disfarçar um pouco? – falou Sandra, cutucando o parceiro.

–Palhaçada a gente ter que vir aqui pegar esse depoimento. Duvido que houve algum crime. Pra mim isso foi uma brincadeirinha que acabou saindo de controle – ele torceu o nariz.

Adam ia continuar a reclamar quando ele e a parceira quando foram atropelados pelos enfermeiros que voando pelo corredor.

Com a chegada dos enfermeiros, os adolescentes foram enxotados do quarto quando a equipe começou a contenção do paciente.

Ouvindo os gritos desesperados de Pete, Jackson e os outros estavam indignados.

–Isso é um absurdo! – Jackson reclamou ao ser impedido de entrar novamente no quarto, e decidiu ligar para seu pai.

Isaac e os outros decidiram procurar John e Melissa. Quem sabe a enfermeira e o xerife tivessem mais sorte no acesso ao quarto.

Os gritos dentro do quarto ecoavam por boa parte do hospital.

–Ainda acha que foi só uma brincadeirinha? – Sandra perguntou a Adam quando viu a expressão assustada dele ao ouvir os gritos.

Quando o xerife retornou com os outros, ele e Melissa entraram no quarto e viram Pete preso à cama com as contenções na posição que o médico precisava, enquanto um dos enfermeiros o sedava. Melissa ficou horrorizada com o estado de Pete e com a atitude do médico.

–Mas que merda é essa que acha que está fazendo? – vociferou John ao se aproximar de Pete, passando as mãos pelo cabelo do outro.

O médico quando viu a preocupação e cuidado de John com o paciente, mudou de atitude da água para o vinho e começou a ser gentil.

–Sei que parece extremo, mas entenda – ele pediu em tom brando – Esse exame é imprescindível de acordo com o resultado do exame de sangue dele. Eu precisava verificar o estado dos pontos externos, já que eles estão em excelente estado, possibilitou fazer o restante do exame – disse, tentando acalmar o xerife — Quanto mais rápido eu fizer esse diagnóstico, mais rápido saberemos o estado do colo do útero dele e se realmente há a possibilidade de levar essa gestação a término, caso assim ele deseje – explicou, chocando John – Só o fato de ele estar grávido já é um milagre. Nunca vi um caso assim em toda minha carreira e todo cuidado que possamos ter com exames é pouco – completou parecendo fascinado.

–Colo do útero?! – assustou-se John.

Por mais que soubesse da gravidez anterior e das mudanças externas da anatomia do outro, era estranho pensar em todos os outros detalhes.

–Ah, sim. Ele tem uma condição raríssima! Dois órgãos reprodutores em total funcionamento! Eu nunca vi sequer um caso como esse documentado antes. Tudo parece bem, apesar de tudo. O colo do útero parece bem fechado. Lógico que mais pra frente acho melhor acompanhar de perto com ultrassom periódico. Isso se ele for dar continuidade à gravidez, devido aos fatos que levaram à concepção.

–Então... ele está grávido?! – ele perguntou, sentando à cama, olhando para Peter. Ele parecia pálido – E o agressor é o pai?

–A não ser que ele tenha tido algum outro parceiro nos últimos dias, eu diria que há grandes chances, sim – disse o médico – Mas certeza mesmo só quando fizermos um teste de paternidade.

Laura estava andando há tempos procurando por Peter até que viu de longe o que parecia ser uma floresta. O que era estranho, já que ela nunca a vira ali antes. Os cenários aos quais estava acostumava eram nada mais que versões dos ambientes que Peter frequentava, como a casa dele, a do xerife, o supermercado. Era basicamente uma pequena vizinhança.

Ao se aproximar da floresta, ela sentiu-se mal. Era como se o ar ali fosse mais pesado. Não havia barulhos de pássaros ou outros bichos. Porém, ao adentrar a mata fechada, ela reparou que apesar de tudo, aquela floresta lhe era familiar, pois lembrava e muito seu antigo quintal. Ela continuou andando até que achou uma antiga trilha na qual costumava passear quando era criança. No final da trilha ela viu Peter sentado no chão, abraçando as pernas.

–Peter – ela chamou, chegando perto dele.

Mas não ouviu resposta. Ele olhava fixamente para um ponto ao alto da árvore à sua frente. Ela seguiu seu olhar e viu um lobisomem pendurado e cortado ao meio.

–Eu estava procurando por você – ela disse num tom baixo ao colocar a mão em seu ombro.

Quando ele a olhou, ela viu que ele chorava. Ele não soluçava, nem tampouco se mexia. Se ela não visse as lágrimas correndo sem cessar de seus olhos teria dificuldade em acreditar. Não fazia barulho algum.

Ela se abaixou e o abraçou. Depois de um tempo, ele a abraçou de volta.

–Não pode se esconder para sempre, Peter. Você precisa voltar – ela falou, afagando seus cabelos.

Algum tempo tinha passado. Melissa tinha voltado para o trabalho. E John e os outros estavam jogados pelo quarto, a maior parte cochilava. John era o único que ainda estava bem desperto. Seus pensamentos estavam a mil, não conseguiria dormir nem que quisesse.

Ele virou quando viu algo parecer se mexer.

Olhos azuis o encaravam. Olhos que ele reconheceria em qualquer lugar. Ele deu um pequeno sorriso e levou uma mão aos cabelos do outro. O sorriso aumentou quando viu o outro apreciando o carinho.

Os dois ficaram um tempo se olhando. Nenhum sabia o que dizer, apesar de terem vários e importantes assuntos para conversar.

–Acho que o jantar vai ficar para outro dia – Peter falou com certa dificuldade, olhando John. Sua garganta estava seca e irritada devido aos gritos de Pete.

–Podemos pedir alguma coisa para entregarem – John respondeu, dando de ombros. Peter parecia meio descrente – Eu tenho uma arma e sou o xerife. Acho que posso convencê-los a entregar algo aqui – se gabou, fazendo o outro rir e gemer de dor em seguida – Descanse – ele disse, brincando com o cabelo do mais novo.

–Vai estar aqui quando eu acordar? – perguntou Peter, depois de bocejar, e com os olhos já fechando.

–Claro – respondeu sorrindo ao ver o outro pegar no sono novamente.

Fim do capítulo 18

Termos técnicos:

Laceração anuperineal – ferida ou rasgo na região do ânus ou períneo.

Colpoperineorrafia – sutura da mucosa vaginal destinada a refazer o períneo com o fim de evitar a queda/deslocamento de algum órgão.

Esfíncteroplastia – reparação cirúrgica de um esfíncter.

Exame bimanual – exame de toque ginecológico.

Equimose na região cervical, com sinais de asfixia manual – marcas arroxeadas na região do pescoço compatíveis com tentativa de estrangulamento.

Bradiapnéia – taxa de respiração mais lenta que o saudável.

Cianose – cor azulada nas extremidades e lábios devido à deficiência ou ausência de oxigênio nas células orgânicas.

Lacerações cutâneas no dorso – cortes da pele na região das costas.

Grande quantidade de equimose na região do crânio com presença de fratura cominutiva – marcas arroxeadas na região da cabeça com fratura em que o osso foi dividido em dois ou mais fragmentos.

Apresentou hematêmese durante os procedimentos cirúrgicos – vomitou sangue durante as cirurgias.

Indico hemocultura, beta HCG e coletas de amostras de fluídos – indico exames de sangue para detecção de presença de fungos ou bactérias, exame de gravidez e coletas de fluídos corporais não pertencentes à vítima.

Notas finais
Respirem fundo, sequem os olhos e não me xinguem por maltratar o tio Peter (mamãe é legal e sempre foi uma moça de família...então nada de ofendê-la, ok? ^^).Aqui nós temos o primeiro contato com um dos alter-egos do tio Peter, o pequeno Pete. Ele vai aparecer mais vezes no decorrer da fic, mais calmo e sociável.Não posso dar detalhes, mas afirmo que cada referência estranha nos cenários, descrições e detalhes mórbidos não são à toa. Tem todo um contexto criado pela minha mente maligna (insira risada maligna aqui).Quem tiver mais interesse em saber um pouco mais sobre esse transtorno do tio Peter, sugiro "United States of Tara". Tem no Netflix e é uma série sobre o tema com uma abordagem mais light. Também tem vários vídeos no Youtube, extremamente perturbadores (eu sei, vi quase todos).Ah, e só por curiosidade. Eu pensei em um ator para o Adam (já que ele vai aparecer consideravelmente até o fim da fic). Não que mude algo, mas eu gosto sempre de imaginar um rosto quando leio algo, espero que vocês também :) O ator é o Jerry O'Connell, do saudoso Joe e as baratas (esse filme é show!).Bom, é isso aí. Já escrevi demais ^^