Uma segunda chance
19 Capítulo 19 - Não me importa
Notas iniciais
Agradeço a todos que me incentivaram com seus reviews, e-mails e mensagens privadas. E é claro, às minha queridas cotias que adoram invadir meu posto de informação do Orquidário (você dão sorte ^^).
Gostei do resultado final. Espero que gostem também.
Dois dias se passaram desde que Peter voltara.
Assim que os médicos souberam que estava acordado e parecia calmo, as contenções foram retiradas. Em seguida trouxeram os resultados de seus exames e o médico juntamente com uma terapeuta do hospital explicaram todos os procedimentos, o porquê da necessidade de cada um que foi feito e qual foi o real estado em que o trouxeram para o hospital.
Dizer que Peter ficou chocado seria constatar o óbvio. Se ele não visse as marcas e cicatrizes em seu corpo acharia que tudo não passava de uma grande pegadinha de péssimo gosto.
Quando a alcateia contou então sobre sua dissociação de personalidade ele gelou. E se não fosse Laura confirmando tudo que contavam e Lydia descrevendo fisicamente tanto Laura quanto o garoto que tomara seu lugar, ele não acreditaria em uma só palavra.
Ao contrário dos outros, que por falta de informação, achavam que tudo não passava de uma fase ruim causada por stress, tanto ele quanto Laura sabia que se tratava de algo bem pior. Ele era psicólogo. Passara seis longos anos estudando e se especializando. Sabia muito bem que esse tipo de ocorrência era rara e era causada por grandes traumas físicos e emocionais. Ninguém sai criando personalidades extras a troco de nada.
Após esse dia de grandes revelações, reparou que todos evitavam sair de perto dele, ficando quase que constantemente no hospital. A impressão que tinha era que esperavam que ele surtasse a qualquer momento. Ficava extremamente feliz pelo carinho. Mas ser constantemente acompanhado por pessoas que pareciam pisar em ovos perto dele era frustrante. No segundo dia, conseguiu fazer com que todos voltassem à sua rotina normal. John finalmente voltou ao trabalho e os adolescentes e Derek para casa onde provavelmente estavam jogando videogame e comendo porcarias.
Estava se preparando para entrar no banho quando Melissa entrou com as medicações e materiais para renovar os curativos que ainda não tinham sarado.
-Passeando pelo quarto, Sr. Peter. Está se sentindo melhor? – perguntou com um sorriso.
-Já consigo mijar sem me cagar – ele responde, chocando-a – É, então acho que estou bem melhor – ele lhe deu um sorriso radiante para a enfermeira e amiga.
Melissa tinha uma expressão chocada por alguns instantes, até que se deu conta de que ele estava brincando e começou a gargalhar.
Peter relaxou quando ouviu as risadas da amiga. Era bom ver alguém agindo normalmente perto dele.
-Estou tão bem que vou até facilitar o seu trabalho e tomar um banho – falou tirando o pijama que John trouxera quando ele se negou a ficar usando a camisola do hospital mais um dia sequer.
-Tem certeza que não prefere um banho de esponja, Sr. Hale? – ela perguntou com uma que era tudo menos sexy, levantando as sobrancelhas debochadamente.
Ele ficou surpreso quando ela continuou a brincar e riu. Era bom rir à toa.
-Que enfermeira atiradinha! Déja vu – riu, lembrando-se de sua enfermeira que acabou no porta-malas do próprio carro. Sem querer, Melissa a tinha imitado fielmente.
Os dois riram, e ele continuou se despindo. Afinal, ela já tinha visto tudo inúmeras vezes enquanto trocava seus curativos.
-Alguém passou aqui antes de você? – ele perguntou curioso ao entrar no banheiro, fechando a porta atrás de si.
-Não que eu tenha visto. Por quê? – ela respondeu antes de ouvir o chuveiro ligar.
-Tive a impressão que alguém tinha entrado aqui antes – comentou com a voz um pouco mais alta.
Sem perceber, acabou passando tempo demais no banho. A água quente ajudava a relaxar seus músculos. À contra gosto desligou o chuveiro e se secou com cuidado. Enrolou a toalha na cintura quando viu que tinha esquecido seu pijama limpo no quarto.
Abriu a porta e saiu. Congelou quando viu que quem o esperava do outro lado não era a enfermeira e sim dois policiais.
Adam ficou surpreso quando viu o outro sair do banheiro só com uma toalha enrolada na cintura. Mesmo com alguns hematomas, não pôde deixar de reparar como Peter ainda era bonito. Na verdade, os anos só tinha feito bem a ele. Sentiu uma cotovelada nas costelas, e só aí se deu conta de que o outro estava vermelho da cabeça aos pés com uma expressão assustada, provavelmente teria reparado que ele o encarara.
-Não sabíamos que estava – Adam começou a falar, mas aparentemente não encontrava palavras. Ele apontava para o outro, tentando se explicar.
-Nós vamos esperar lá fora enquanto se veste – Sandra o salvou do vexame, puxando-o para fora.
Ela o arrastou para fora e fechou a porta, ficando na frente e cruzando os braços.
-Nem uma palavra – Adam pediu, ao ver que a outra tentava não rir.
-Não falei nada – respondeu a parceira, com um sorriso gigante.
Depois de um tempo, ouviram a porta ser aberta por um Peter já devidamente vestido que disse que eles podiam entrar.
Ele se sentou na cama hospitalar e cruzou as pernas, esperando que os dois falassem.
-Sabe por que estamos aqui, Sr. Hale? – perguntou Sandra, puxando uma cadeira para se sentar, e tirando um bloquinho de anotações do bolso e uma caneta.
-John comentou que viriam pegar meu depoimento sobre a agressão – ele respondeu com a voz baixa – E pode me chamar de Peter – completou, finalmente encarando os dois.
Ela sorriu.
-As câmeras de segurança da sua casa não ajudaram muito na identificação do suspeito. Poderia descrevê-lo? – pediu Adam. Sandra estranhou, as câmeras tinham filmado perfeitamente o rosto do agressor. Inclusive uma busca já estava sendo feita.
Peter o olhou surpreso. Achou que teriam um pouco mais de tato.
-Era alto. Talvez um pouco mais de 1.90m. Porte atlético. Moreno. E tinha os cabelos raspados – respondeu, abaixando os olhos.
-E você o conhecia? – perguntou o policial, ganhando uma olhada feia de sua parceira. Eles já sabiam que eles já tinham se visto. O próprio xerife disse que encontraram uma gravação nas câmeras de segurança do supermercado da cidade no mesmo dia. Ele estava só testando o pobre coitado e fazendo-o se sentir desconfortável na presença deles.
-Eu o vi mais cedo quando estava com Derek no supermercado. Acho que ele estava junto com um conhecido da minha irmã – disse.
-Então você conhecia o agressor? – retrucou Adam, grosseiramente. Peter olhou para ele ao notar a mudança no tom.
-Não. Conhecia o Deucalion. Mas não o via há vários anos. Se ele não tivesse me cumprimentado, eu provavelmente não o reconheceria – explicou encarando o policial. Não entendia o porquê de sua hostilidade.
-Poderia descrever o que aconteceu naquele dia? – pediu Sandra, tomando a frente da situação antes que ficasse ainda pior.
-Meu filho mais velho foi para a escola cedo. Eu e o Derek ficamos em casa. Depois do almoço fomos ao supermercado. Lá encontramos com o Deucalion. Ele estava com mais duas pessoas. Uma mulher e com o... agressor – contou, parecendo bem pouco à vontade de conversar sobre o assunto.
-Foi aí que o agressor teve acesso ao seu endereço? – perguntou Adam. Parecia entediado.
-A não ser que ele saiba ler mentes, não vejo como poderia ter conseguido – respondeu Peter, sério. O policial parecia achar que ele tinha convidado o agressor à sua casa? Que ideia doentia.
-Talvez o conhecido da sua irmã tenha passado para ele? – insistiu Adam, encarando o mais novo.
-Eu comprei a casa há cinco meses e os únicos que tem meu endereço são os amigos dos meus filhos, o John, a Melissa, o meu advogado e a assistente social. E eu duvido muito que algum deles tenha dado meu endereço para o agressor ou o convidado para um chá – respondeu Peter, num tom ácido.
-E depois que saíram do supermercado? – Sandra tentou voltar ao assunto.
-Tive a impressão que estavam nos seguindo. Daí eu fui para a delegacia ver se o John poderia sair mais cedo e vir embora com a gente – falou, mas parou ao sentir um aperto no peito quando pensou se tudo poderia ter sido diferente se ele John tivesse voltado com eles – Mas ele disse que tinha muito trabalho e me mandou na frente. Quando chegamos em casa, eu e o Derek levamos as compras pra dentro, quando percebemos que tinha alguém no corredor. Eu mandei que Derek fugisse pela porta da frente e procurasse ajuda. Quando ele saiu, eu fui para o corredor para evitar que fossem atrás dele. Foi quando vi que o mesmo cara do supermercado. Nós começamos a brigar, mas ele era muito mais forte. Lembro-me dele apertar meu pescoço, de bater minha cabeça contra o chão e de um soco no rosto – terminou.
-Mais nada depois disso? – perguntou Sandra, anotando tudo.
-Não, a próxima lembrança que tenho é de acordar com o quarto cheio de gente dormindo pelos cantos – deu um sorriso triste.
Sandra, mais que depressa, ao ver que já tinham todo o material que precisavam despediu-se de Peter e arrastou o parceiro antes que ele falasse mais alguma grosseria.
Os dois decidiram tomar um café na lanchonete antes de irem embora.
Lá, eles conversaram sobre as grosserias de Adam e ele lhe explicou que achava que Peter estava mentindo. Ficaram debatendo durante um bom tempo, aproveitando que não tinham nenhuma ocorrência a mais para verificar. Nenhum dos dois percebeu a pessoa que estava sentada na mesa ao lado, que tomava nota de tudo que conversavam.
Dois dias se passam num piscar de olhos.
Isaac e os outros adolescentes finalmente voltaram à escola após o fim de semana. Estavam felizes porque Peter finalmente ganharia alta naquele dia.
Estavam mais uma vez reunidos no refeitório, na mesa que praticamente já tinha seus lugares reservados e que todos se referiam como "a mesa VIP", quando ouviram um burburinho vindo de uma mesa do outro canto do refeitório. Podiam ouvir claramente risadinhas debochadas, o sobrenome Hale e palavras pejorativas e de baixo calão.
Os humanos da alcateia não entenderam quando os lobisomens começaram a rosnar, olhando para um ponto fixo do refeitório. E demoraram a reagir quando Isaac levantou da mesa com os olhos amarelos, sendo seguido por Scott e Jackson.
Isaac não falou anda ao se aproximar da mesa onde alguns garotos do último ano estavam sentados. Sorriu perversamente ao notar que o garoto que dizia as grosserias percebeu que alguém estava atrás dele quando seus amigos arregalaram os olhos quando viram Isaac e os outros.
Ele não deu nem tempo para que o outro oferecesse qualquer desculpa. Assim que o garoto se virou encarando-o, ele empurrou sua cabeça contra a mesa com uma ferocidade absurda. Pôde ver com clareza quando um dente pulou da boca do garoto, caindo inocentemente na mesa.
-Não faria isso se eu fosse vocês – comentou Jackson, apoiando as mãos ons ombros dos amigos do rapaz, que faziam menção em levantar. Ao sentirem as mãos pesadas do lobisomem e seu sorriso que prometia dor, mudaram de ideia e sentaram-se novamente.
Scott ignorou o grupo e pegou uma revista que estava aberta em cima da mesa, que lhe chamara atenção pela foto, uma foto de Peter dormindo na cama do hospital depois do ataque. Ele folheou rapidamente e viu que aquela não era a única. Tinham dezenas de fotos dele, dos ferimentos e até fotos antigas da época de escola.
-Como conseguiram isso? – Scott pensou alto e Isaac arrancou a revista da sua mão para olhar do que se tratava.
-Na banca, ué. O papai novo do Isaac é bem... conhecido... na cidade, pelo que consta aí – falou o garoto que Isaac machucara, depois de cuspir um pouco de sangue. Ele tinha um sorrisinho malicioso na cidade – Se é que você me entende – completou maldoso.
-Eu não sei o que quer dizer, seu perdedor. Quer me explicar? – rosnou Jackson, ao puxar o garoto pelo colarinho.
-Eles não valem a pena, pessoal. Vamos voltar para a mesa e terminar o almoço – Scott tentou acalmá-los, arrastando-os de volta à mesa VIP.
Quando voltara, Isaac jogou a revista na mesa com raiva. Lydia pegou e começou a folhear a revista, fazendo um resumo do que lia para os outros. Tinha detalhes do ataque, que incluíam fotos no hospital, diagnósticos e a gravidez, até uma possível explicação que contava sobre um suposto passado promíscuo de Peter, cujas "provas" eram baseadas em relatos de pessoas que estudaram com ele na época do ginásio. Era puro lixo sensacionalista.
-Eu não acho uma ideia mostrarmos isso para ele agora. Vocês ouviram o que o médico comentou: ele não pode se irritar. E já teve stress suficiente nos últimos dias – comentou Allison preocupada.
-Concordo, mas se isso está nas bancas, não vamos conseguir esconder por muito tempo – retrucou Stiles – Essa revista chegou numa escola, onde não tem mais ninguém da faixa etária dele, e já tinha burburinhos a respeito.
-Isso é verdade. Ele não fica o tempo todo em casa. Ainda mais agora com um bebê a caminho. Essa cidade é pequena demais, ele vai acabar ouvindo um comentário aqui ou ali – concordou Lydia.
-O Peter nunca faria essas coisas! Ele nem consegue falar sobre sexo sem gaguejar ou ficar parecendo um tomate! O que dirá fazer uma orgia com o time de basquete! – alterou-se Isaac – Isso é um monte de mentiras.
-Se ele vai descobrir de um jeito ou de outro, acho que seria melhor se fosse por nós. Pelo menos vai ter um tempo para se preparar e se for o caso até abrir um processo por calúnia e difamação – falou Jackson irritado, não gostara nem um pouco do conteúdo da revista.
-A gente pode decidir isso depois, ele nem saiu do hospital. Vamos dar uns dias e ver como as coisas vão ficar. A gente nem sabe como ele vai reagir quando entrar na casa de novo – tentou Scott – A gente conta depois. Quem garante que vão falar disso por muito tempo. Amanhã acontece outra coisa e todo mundo esquece.
Todos concordaram apesar de nenhum parecer muito confiante de que o assunto seria logo esquecido.
Depois da escola, eles foram direto para casa. Tiveram o cuidado de limpar tudo para que não houvesse nenhum resquício ou odor que o lembrasse do ataque. O chão e o corrimão tinham sido arrumados no dia anterior pelo Sr. Ferdinand, e tudo estava em seu devido lugar. Era como se nada trágico tivesse ocorrido ali.
Não demorou muito para que o xerife chegasse com Peter e Derek do hospital. Peter ainda estava com alguns machucados, mas estava bem melhor. Todos suspeitavam que o fato de estar grávido estivesse influenciando na velocidade com que o lobisomem se curava.
John estacionou o carro e desceu para ajudar Peter a descer. Derek ficou para trás e trazia as malas do tio, que estavam com ele no banco de trás. Os dois entraram na frente, e ele podia jurar que ouviu uns cliques estranhos. Mas ignorou, já que Peter parecia não ter percebido nada.
Assim que entrou, Peter foi recebido com abraços e beijos dos adolescentes. Isaac foi o último, e não parecia querer soltá-lo tão cedo.
-Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou no ouvido do filhote.
-Só feliz que esteja de volta, pai – respondeu o garoto de cabelos cacheados.
Deu um sorriso enorme para o garoto quando este finalmente o soltou. Fora a primeira vez que ele o chamara assim.
-Não mais que eu – respondeu, bagunçando o cabelo do menino.
-Se vira – disse Derek, ao jogar as malas nos pés de Peter – Estou exausto – reclamou ao se escorar em Stiles, que abraçou o garoto para que ele não caísse.
Quando fez menção de pegar as malas no chão, Jackson correu e as pegou antes. Deu um sorriso sem graça, dizendo que não se incomodava em levá-las para o quarto. Só aí Peter percebeu que os adolescentes estavam todos na frente do corredor, tentando impedir que ele sequer visse o local onde tudo aconteceu.
-Não está cansado? Não é melhor deitar um pouco? – perguntou John.
-Descansar foi a única coisa que fiz nesses últimos dias – Peter riu.
Com exceção de Derek, tinha a impressão que todos ficariam pisando em ovos ao seu redor. Tal pensamento o desanimou um pouco. Sabia que as coisas não voltariam a ser o que eram, mas tinha esperanças de que pelo menos todos agissem naturalmente.
-Então não vai se importar se eu roubar você um pouco – falou John, pegando sua mão e o puxando para fora de casa antes que qualquer adolescente pudesse impedi-lo.
Eles entraram na casa e John levou o mais novo até a mesa da cozinha, onde se sentaram.
Peter sabia que não poderia evitar conversar com o outro por muito tempo, mas achou que teria pelo menos um dia ou algumas horas antes de encarar uma possível desilusão. Não era uma pessoa pessimista, mas achava que o que John queria lhe falar não era nada bom. Provavelmente lhe daria um pé na bunda. Não o culpava. Mark lhe dera um antes por muito menos.
-Eles explicaram tudo que aconteceu? Falaram da sua nova situação? – perguntou John, sem encará-lo.
-Sim. Inclusive sobre a gravidez – respondeu Peter com a voz baixa. Anos haviam se passado, mas ser dispensado ainda era tão horrível quanto.
-Eu só queria dizer que toda essa – parecia procurar a palavra certa – coisa – pausou, com uma expressão esquisita – possa ser esquecida, entende? – falou. Quando viu que o outro tinha os olhos cheios de lágrimas, ele estranhou – Por que está quase chorando?
-Você está terminando comigo – respondeu o mais novo, não conseguindo segurar as lágrimas.
-Não! – retrucou desesperado, fazendo o outro lhe encarar – Não é nada disso! Eu não dou a mínima para o que aconteceu – disse, surpreendendo o outro que o olhou chocado – Não, isso saiu errado – pensou alto – É lógico que me importo. Você se machucou e quando eu pegar o filho da mãe vou esganá-lo com as minhas próprias mãos – resmungou para si mesmo, não reparando que Peter ficara em silêncio – Eu sou péssimo com palavras – se lamentou.
-Tente usar palavras pequenas. Costuma funcionar com idiotas – sugeriu Laura, com seus olhos vermelhos, antes de sumir novamente.
-Você é meu, e vou estar sempre aqui. Não quero que isso mude – seguiu o rude conselho do "grilo falante". Pareceu funcionar – Fiz sentido agora? – perguntou ansioso.
O mais novo não respondeu. Só o olhava. Parecia analisar se o que ouvia era a verdade.
Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Peter se jogou em seus braços escondendo o rosto em seu pescoço.
-Nossa, estou tão aliviado – admitiu o lobisomem – Achei que você ia me dar um pé na bunda – riu, ainda chorando um pouco – E só de pensar em passar por isso de novo sozinho já estava me tirando o sono – falou, sorrindo. John estranhou o comentário – Cuidar de um bebê sozinho junto com toda essa coisa de dissociação e ainda cuidar dos outros dois ia ser meio missão impossível.
-Então você vai levar essa gestação adiante? — John perguntou surpreso. Em nenhum momento ele cogitou essa criança na equação.
-Claro, por quê? – retrucou o mais novo, como se fosse absurdo sequer cogitar o contrário.
-Achei que terminaria, levando em consideração a concepção e tudo mais – justificou, meio sem graça. Peter percebeu que ele não gostava muito da ideia de não ser o pai da criança.
-Independente de como tenha sido concebido, é meu filho – Peter explicou sorrindo.
John sorriu de volta.
Após a conversa, os dois voltaram para a casa de Peter, onde assistiram alguns filmes com os adolescentes, Derek e Melissa que tinha passado para ver seus curativos. Jantaram e no fim da noite se despediram da enfermeira, Scott e Allison que foram para suas casas. Todos os outros acamparam por lá. Juntaram as duas camas do quarto maior para que coubesse todo mundo. Peter ainda tentou dormir com John na cama do escritório, mas os filhotes não permitiram de jeito nenhum. Disseram que tinham que tirar o cheiro horrível de hospital dele.
Estavam dormindo em montinho. Todos de algum jeito tocavam em Peter, e consequentemente nele, já que Peter dormiu com a cabeça em seu peito, abraçando-o. Um braço aqui, uma perna lá. Era um verdadeiro emaranhado de gente, mas apesar de tudo, era bem confortável. Mas apesar de todo conforto, John não conseguiu pregar os olhos muito tempo. Sua cabeça estava à mil.
-Onde foi que eu me meti? – pensou John, preocupado.
Fim do cap. 19
Notas finais
Enquanto escrevia fiquei com vontade de esganar o Adam e o John, então acho que atingi meu propósito...HAuhUAHuUHA
Então, por favor, mandem seus comentários seja por review, msg ou sinal de fumaça ^^
Que chatice de site esse, hein? Po, todo dia eu tenho que entrar aqui e editar o capítulo porque os parágrafos simplesmente somem! Aí é lógico que não faz sentido nenhum >_< Que saco!.
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