Uma sacada em Londres
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Notas iniciais
Depois de mais uma sessão de sexo incrivelmente maravilhoso ficamos deitados nos acariciando e conversando como na noite anterior, falamos sobre várias coisas, eu falei sobre o crescimento do bebê e falei que tinha o visto no ultrassom, contei também o quanto me emocionei quando ouvi seu coraçãozinho bater, quando olhei no relógio já eram dez e treze da noite e eu cheguei lá às sete.
— Meu Deus, Bella, já estamos aqui conversando há horas. Eu tenho que ir.
— Cadê o seu celular?
— Tá aqui. – Sacudi a mão em que ele estava.
— Estranho ontem você demorou quarenta minutos e a Rosalie te ligou, mas hoje não.
— É mesmo. Vou pra casa.
— Vai lá. – Ela disse triste.
— Amanhã eu volto no mesmo horário. – Eu disse segurando suas mãos.
— Vou te esperar.
Eu a beijei, depois me vesti, ela também e nós saímos do quarto juntos, Jake ainda estava ouvindo sua música alta.
— Nossa, hoje vocês demoraram bastante, preliminares?
— Não, idiota. – Disse Bella sorrindo.
— Jake, estou indo. – Eu disse.
— Poxa. – Disse Jake. – Nem falou comigo direito.
— Amanhã a gente conversa, prometo. – Eu disse.
— OK, tchau e boa sorte lá com a Rosalie.
— Tchau. – Respondi, e olhei para Bella novamente. – Tchau me anjo, até amanhã.
— Até amanhã. – Ela respondeu me beijando novamente.
Saí sem a mínima vontade e fui para minha nova casa, quando cheguei ouvi a TV ligada, mas ninguém estava assistindo.
— Rosalie? – Eu a chamei, porém não houve resposta.
Comecei a procurá-la pela casa e a encontrei na cozinha, só havia um problema, Rosalie estava caída no chão e inconsciente. Fiquei desesperado ao ver aquela cena e a peguei no colo imediatamente, a levei o mais rápido que pude para o hospital, eu estava tão nervoso que mal podia respirar, estava com medo de perder meu filho, ele não podia morrer, eu preferia ir em seu lugar, se a vontade de Deus era levar alguém, que fosse eu.
Fiquei na expectativa por mais algum tempo, até que o médico veio até mim.
— Por favor me diz que o bebê está bem.
— Ele está bem. – Disse o médico. – Pelo menos por enquanto.
— Como assim “por enquanto”? – Perguntei aliviado por ela não ter o perdido, mas nervoso por esse “pelo menos por enquanto”.
— A paciente está com rubéola.
— O que é isso? – Perguntei preocupado.
— Uma doença, a criança tem grandes chances de nascer cega, surda, muda ou as três coisas, e se a mãe não estiver com a pressão baixa na hora do parto, ela pode ter uma eclampse e falecer ou ficar com problemas mentais, o problema é que a mulher com rubéola vive com pressão alta.
— Então o que podemos fazer para reduzir isso?
— Ela deve evitar o máximo que puder a ingestão de sal, gordura e bebidas alcoólicas e ela nunca, nunca pode estar sozinha, ela pode passar mal e isso será prejudicial a ela e ao bebê.
— O que podemos fazer para ele nascer saudável?
— Nada, mas já aviso logo, é muito provável que ele nasça com ao menos um desses problemas que eu te disse, então se for para tomar uma providência que seja agora, eu lhe aconselho o aborto, você e ela são novos, podem fazer outros filhos saudáveis, quando ela estiver mais saudável, assim vai ser melhor.
— Que tipo de médico é você?! – Perguntei irritado perante o que ele disse. – Ao invés de defender vidas você me pede para tirar uma? Quem está ali dentro é uma pessoa, respirando, com o coração batendo, o meu filho. Ele não foi planejado, foi o fruto da única noite desprevenida que já tive em minha vida, conheço vários amigos que já fizeram sexo sem camisinha, sem a mulher tomar remédios anticoncepcionais muitas vezes e elas nunca engravidaram e na minha primeira bobeada ela engravidou, isso é sinal de que Deus quis que ele nascesse e não sou eu, nem ela e muito você que vamos impedir isso.
— Calma rapaz, — Ele disse sem se irritar como eu. – é um feto, nem veio ao mundo ainda.
— Não importa, o senhor tem filhos?
— Sim.
— O senhor mataria os seus filhos?
— Meus filhos não são fetos.
— Não é porque os seus filhos estão fora da barriga da mãe e já são seres humanos formados que quer dizer que são mais vivos que o meu. – Eu disse me irritando ainda mais.
— Se o senhor não quiser abortar não aborte, foi só uma sugestão.
— Uma sugestão inadmissível vindo de um médico.
— Tudo bem, é uma escolha sua.
— Exatamente, da próxima vez espere eu pedir sua opinião para dá-la.
— Vou visitar uma paciente.
— Tchau. – Eu disse seco.
Ele saiu e eu me sentei no banco em frente à sala da Rosalie e comecei a chorar. Não importava como meu filho viesse, ele seria amado, ele era a pessoa mais importante da minha vida, e ninguém, mas ninguém mesmo pisaria nele ou o diminuiria, seja pelo que fosse ele teria sempre alguém para contar.
Esperei Rosalie que foi liberada algum tempo depois, fomos para casa o caminho todo em silêncio, percebi que ela chorava baixinho dentro do carro, eu estava fazendo o mesmo, mas bastou entrarmos em casa e olharmos diretamente um para o outro que a máscara caiu, ela chorava muito e eu a abracei forte enquanto as lágrimas desciam freneticamente por meu rosto.
— Por que isso foi acontecer com o nosso filho, Edward? Por que justo com ele?
— Eu fiquei me perguntando isso o tempo todo no hospital.
— Eu não vou abortá-lo, por favor, não me peça isso porque eu não posso fazer.
— Eu jamais te pediria isso, pensei que teria que te convencer a não fazer. – Eu disse impressionado e lisonjeado pelo seu ato, ela não estava se importando com sua vida ou com como ele nasceria, ela queria apenas que ele nascesse não importa o preço, assim como eu.
— Que bom que estamos de acordo.
— Sim.
Rosalie foi tomar banho e depois foi dormir, eu fiz o mesmo, mas dessa vez ao invés de dormir no quarto de hóspedes como costumava fazer, coloquei meu colchão ao lado da cama dela, no caso dela passar mal. No dia seguinte fiquei com Rosalie o dia todo, meus olhos passaram pelo relógio quando deu sete horas da noite, eu queria ir para a casa de Bella e Jake, mas agora não podia deixar Rosalie sozinha, como Bella não queria em hipótese alguma alguém que não fosse Jake sabendo da nossa história, então eu não podia levar Rosalie junto. Mas eu não podia deixar a minha menina esperando por mim, então fui para o quarto e telefonei para seu celular.
— Bella. – Eu disse quando ela atendeu.
— Oi Edward, cadê você?
— Estou em casa.
— Não vai vir hoje não?
— Não, ontem quando eu cheguei a Rosalie estava desmaiada na cozinha.
— Nossa! E como ela está agora? E o bebê? – Perguntou preocupada.
— Estão bem, ao menos por enquanto.
— Mas você a levou para o médico?
— Sim.
— E aí?
— Ela está com rubéola, o meu filho pode nascer, cego, surdo, mudo ou as três coisas e a se a Rosalie estiver com pressão alta na hora do parto ela pode sofrer um eclampse e ficar doente mental ou falecer.
— Meu Deus Edward! – Disse Bella num tom extremamente triste, dava pra sentir a dor na voz dela, às vezes ela me surpreendia com o tamanho de sua bondade. – Mas e agora? O que vocês vão fazer?
— Vamos seguir em frente, viver um dia de cada vez e ver no que dá. O médico disse que ela nunca pode ficar sozinha, porque pode ser fatal para ela e para o bebê.
— Então você não vai mais vir me visitar não é?
— Eu até iria, mas você não quer que a Rosalie saiba sobre nós, eu a levaria junto comigo.
— Por que não a deixa na sua irmã que mora aqui perto?
— Ela e a minha irmã se odeiam.
— Por quê?
— Elas são da mesma idade e estudaram juntas, eram amigas, mas a Rosalie roubou o namorado da Alice, desde então elas nunca mais se falaram.
— Eu pensei que a Rosalie morasse aqui depois de adulta já que os pais dela moram longe.
— Os pais dela se mudaram há oito anos pra lá, ela não queria ir embora e como já era maior de idade resolveu ficar.
— Mas a Alice é a sua irmã mais velha, então se a Rosalie é da idade dela, ela é mais velha que você, quantos anos elas têm?
— Nem é tão mais velha que eu, são só quatro anos, elas tem vinte e nove.
— Então sua irmã teve a Renesmee aos vinte e um.
— Não estava nos planos, mas a Renesmee veio mesmo assim pra iluminar nossas vidas.
— Sim, ela é incrível, mas Edward me fala você não vai vir mais aqui até o fim da gestação da Rosalie?
— Infelizmente sim. – Disse com uma tristeza enorme, seria uma barra ficar tanto tempo longe da minha menina. – Eu não posso ficar longe dela, não posso correr o risco de perder o meu filho.
— Eu te entendo. – Ela disse numa voz tão triste que chegou a quase desaparecer.
— Mas a gente pode dar um jeito de se ver ao menos uma vez por semana. – Eu disse tentando melhorar a situação.
— É melhor não. Você tem suas prioridades agora, vai que nessa vez da semana em que nos encontrarmos ela passa mal e perde o seu filho porque não foi socorrida a tempo? Eu nunca me perdoaria por isso.
— Eu não quero te perder. – Eu disse triste.
— Você não vai me perder, quando o seu filho nascer pode ter certeza que estarei te esperando, mas por enquanto temos que ser fortes.
— Mas ainda faltam sete meses.
— Eu gosto de você o suficiente para suportar isso e você?
— Eu também te adoro Bella, mas eu preciso de você agora, você tem sido o meu refúgio, não me abandona agora, por favor.
— É melhor assim Edward e eu não vou te abandonar, você pode me ligar sempre que estiver se sentindo sozinho ou pra baixo.
— Não acho legal nós fazermos isso.
— É melhor assim, encara como um teste.
— Teste de que?
— Do quanto gostamos um do outro.
— Mas Bella, eu...
— Não tem papo Edward, comigo você não transa enquanto não puder estar aqui incondicionalmente.
— Ah então esse é o ponto, você me quer por inteiro? – Perguntei sorrindo mesmo estando sem muito ânimo pra isso.
— Eu não disse isso. Tchau Edward, e não me retorna enquanto ainda quiser insistir sobre isso.
— Bella, espera, eu... – Ela desligou o telefone e então parei de falar
Sete meses, como eu ficaria longe dela durante sete meses? Longe de seus braços, longe de seu carinho e de seu amor? Eu precisava da minha adolescente, porque apesar de estar feliz e ansioso quanto a meu filho, estava penando na mão de Rosalie, ela estava me deixando louco com suas exigências, cobranças e desejos, claro que Bella era parte muito importante nessa minha paciência toda com ela, agora a única coisa que me seguraria naquela casa e longe de seu pescoço toda vez que ela me irritar era meu filho, eu tinha que suportar por causa dele, claro que Rosalie não conseguia parar de se insinuar para mim o tempo inteiro, mas as coisas mudaram durante aquelas três semanas com Jake e Bella, e como mudaram, se antes Rosalie tinha poder absoluto sobre mim, agora tudo que eu conseguia fazer era fugir toda vez que ela chegava perto.
Resolvi terminar meus pensamentos e ir até a sala ficar com ela antes que começasse a reclamar.
— Com quem você tanto fala nesse telefone? – Ela me perguntou, mas sem aquele tom repressivo como antes, agora ela estava simpática, até demais.
— Com o Jake. – Eu disse mentindo. – Você já disse pros seus pais que está grávida? – Perguntei tendo uma ideia.
— Eu liguei para eles que disseram que quando o bebê nascer virão nos visitar.
— Eles não querem vir agora não?
— Você esqueceu que o meu pai é cheio de doenças? O dinheiro deles vai todo para os remédios, eles não podem viajar, não têm condições.
— Eu pago a passagem deles.
— Meu pai não pode ficar sete meses longe de casa, o plano de saúde dele não cobre para o país inteiro, os médicos que ele vai seriam os olhos da cara se não fosse pelo plano e ele tem que visitar esses médicos toda semana, não tem condições dele vir mesmo.
— Então por que a sua mãe não vem?
— E deixá-lo sozinho? Duvido, e nem quero que ela faça isso, mas que mal lhe pergunte, por que está insistindo nisso se você só viu meus pais três vezes em toda a sua vida?
— Porque você está em uma gravidez de risco e não sabemos como vai estar após o parto, pensei que fosse importante para você que eles estivessem aqui antes de você dar a luz. – Apesar de o principal motivo de eu ter feito isso ter sido alguém confiável para ficar com Rosalie enquanto eu estivesse com Bella, a minha preocupação com ela estar com seus pais antes de seu parto não deixava de ser verdadeira.
— No pré-natal de amanhã o médico vai ver pra que dia o bebê vai vir e vou marcar com meus pais três dias antes pra dar tempo de eu matar um pouco a saudade deles.
— Nós vamos saber a data do nascimento do nosso filhinho amanhã?
— Aproximadamente, ele sempre pode vir alguns dias antes ou depois.
— Que legal! – Era a primeira notícia interessante desde que estivemos no hospital.
— Mas em outubro faz nove meses que estou grávida, então ele deve vir nesse mês.
— É, eu também já tinha feito essas continhas. – Eu disse sorrindo. – Estou tão ansioso, nem faz ideia do quanto.
— Também estou. Pena que ele ou ela – Rosalie disse acariciando sua barriga. – não vai ter uma família.
— Realmente, ela não vai ter uma família, vai ter duas, a da sua parte e a da minha.
— E com quem ela vai morar?
— Com nós dois, nós moramos perto um do outro, ele pode passar um dia com você e outro comigo, é muito simples.
— E ele vai ficar pra lá e pra cá?
— Qual é problema nisso, ele vai ter duas casas, vai ser é bem divertido isso sim.
— Eu acho estranho, mas até lá a gente resolve isso.
Nós saímos e comemos algo pela rua mesmo, depois fomos para casa novamente e dormimos, agora essa seria minha rotina, durante sete malditos meses.
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