Uma sacada em Londres
22 Sem você
Notas iniciais
O mês seguinte não foi muito empolgante, o nascimento de nosso filho estava marcado para o dia vinte e cinco de outubro, estava até anotado em meu calendário, a cada novo ultrassom eu ficava cada vez mais feliz em ver seu lento desenvolvimento, a barriga de Rosalie já estava ganhando forma e tamanho, eu estava me dando cada vez melhor com ela que estava como no início de nosso namoro, o que tornou a convivência bem mais fácil de se lidar.
Eu falava com Bella e Jake por telefone todos os dias, falar com eles era a minha parte favorita do dia, com Bella então nem se fala, nós ficávamos horas conversando, e fazíamos sexo por telefone sempre que dava, não era como sentir seu corpo sobre o meu e suas mãos maravilhosas me acariciando, eu ainda estava carente e precisando sentir seu calor, mas isso já quebrava o galho. Nossa distância foi o suficiente para me fazer perceber o óbvio e incontestável, eu estava completamente apaixonado por ela, em nenhuma parte de mim eu tinha a menor dúvida disso e eu precisava abrir meu coração o quanto antes.
Passei o dia com Rosalie como já era de costume e a noite liguei para Bella, ansioso para falar sobre meus sentimentos que já deviam ser meio óbvios, eu esperava como louco pela sua reação quando eu dissesse.
— Alô. – Disse ela com uma voz meio sonolenta.
— Estava dormindo meu anjo? – Perguntei.
— Sim, como você está príncipe?
— Bem, senti sua falta como sempre, mas vou vivendo.
— Também senti sua falta.
— Bella, eu preciso falar algo muito importante, provavelmente você já percebeu, mas não ouviu isso da minha boca, então vou te falar agora.
— O que? — Perguntou curiosa.
— Estou apaixonado por você. – Eu disse rápido. Ela ficou em silêncio por alguns longos segundos o que já estava me deixando agoniado. – Bella? Você me ouviu? Eu disse que eu estou...
— Tá, tá eu já entendi. – Ela disse arisca o que me deixou confuso e assustado.
— E o que você acha disso?
— Eu acho terrível.
Ela parecia estar chorando, o que era estranho Já que pessoas normais adoravam ouvir isso de quem está saindo com elas, mas não sei o que foi passar na minha cabeça ao dizer isso já que Bella estava longe de ser normal. Fiquei muito triste por isso, fui falar para ela o que sentia acreditando que seria de seu grado, mas pelo que vejo eu estava enganado.
— Por que Bella? – Perguntei sem nem tentar disfarçar minha voz de decepção.
— Como por quê? – Perguntou com a voz ainda mais chorosa. – Quais foram as nossas regras Edward?
— Que regras?
— As regras de quando começamos a ficar.
Forcei minha mente e comecei a me lembrar, lembrei inclusive que uma delas era que se um de nós se apaixonasse nós contaríamos um para o outro e daríamos um tempo até que o sentimento passasse. Droga!
— Do que isso importa Bella? São regras idiotas, vamos esquecer isso.
— Não dá.
— Por que não dá?
— Algum dia você vai entender porque não é bom negócio se apaixonar por mim.
— Mas nós não estamos tratando de um negócio e sim dos meus sentimentos e infelizmente não posso controlá-los.
— Pode sim. Garanto que algum tempo longe de mim fará com que me esqueça.
— Você está subestimando o que sinto por você.
— Não estou subestimando nada, é a verdade Edward, o tempo apaga tudo, tudo mesmo.
— Pode até ser, mas eu sei que o que estou sentindo é forte o suficiente para suportar tudo isso, inclusive esse seu medo ridículo de amar. – Eu disse irritado.
— Quem me dera fosse “medo de amar”. – Ela disse também irritada. – Você não sabe absolutamente nada sobre mim, como pode dizer isso?
— Eu não consigo ver outra explicação, eu sei que você sente o mesmo por mim, ou não estaria me esperando, já teria desistido há muito tempo.
— Você é um bom parceiro de cama e eu sei que não vou encontrar em qualquer esquina alguém sexualmente tão compatível comigo quanto você.
— Pode parando com isso, porque você sabe que o que temos vai bem além do sexo. Como você explica aquela nossa conexão maravilhosa antes mesmo de nos beijarmos?
— Não sei quanto a você, mas pra mim era apenas porque te achava incrivelmente bonito e nada mais. – Era evidente que estava mentindo.
— Assume Bella, assume que é tão apaixonada por mim quanto eu sou por você.
— Eu não vou assumir nada e não quero que você me ligue mais... – Ela parou por um momento como se estivesse fazendo força para dizer aquilo. – Nem venha me visitar, nós só vamos nos falar quando o seu filho nascer e se até lá essa sua paixão por mim passar, talvez a gente repita a dose, não sabe o quanto está sendo difícil dizer isso, mas não vou quebrar minha regra, apenas confie em mim, é melhor acabar com esse sentimento o quanto antes.
— Tudo bem Bella, esquece o que eu disse. – Eu disse desesperado, eu não podia perdê-la, principalmente agora que eu sabia do quanto ela era necessária. – Não estou mais apaixonado por você, por favor, não me deixe.
Eu a ouvi chorando do outro lado da linha por alguns segundos, mas não disse nada, eu estava aflito esperando sua resposta.
— Não adianta me retornar, porque vou desligar o celular e vai ser muito pior se vier atrás de mim, porque se aparecer por aqui eu vou embora e garanto que nunca mais me verá. Até breve Edward.
Antes que eu pudesse responder Bella desligou o telefone e aquilo foi como uma facada em meu coração, ela era simplesmente a melhor parte de mim, que agora ficaria longe por mais seis longos e torturantes meses, a questão era essa, como seguraria isso por tanto tempo? Não fazia a menor ideia, mas não tinha nenhuma opção senão aceitar.
Me sentei no chão do quarto e comecei a chorar feito uma criança, estava tentando ser silencioso para que Rosalie não viesse insistir para saber do que se tratava, fiquei ali apenas chorando por mais algumas horas e quando senti que já estava pronto para sair, me levantei e fui até Rosalie que nem me perguntou com quem estava conversando já que estava acostumada de eu ficar horas ao telefone com Bella. Me sentei ao seu lado para assistir a uma série chata na qual ela era obcecada.
— A conversa com a pessoa misteriosa hoje não foi boa não é? – Ela perguntou.
— Por que está perguntando isso? – Perguntei com o cenho franzido, eu já tinha me olhado no espelho e não havia indícios de que eu estava chorando.
— Porque ninguém te conhece como eu Edward Cullen, nem você mesmo, eu sei que quando você chora sua boca fica num vermelho mais intenso por algumas horas e por algum motivo seus olhos ficam mais escuros e as suas orelhas parecem menores.
Eu sorri naturalmente com o que ela dissera, eu nunca tinha reparado nisso e provavelmente ninguém além dela, eu também tinha dezenas de observações mínimas de Bella, eu provavelmente a contaria se tivesse mais tempo, quem sabe dali a seis meses eu não teria uma oportunidade?
Fiquei assistindo ao resto da série com Rosalie e depois nós jantamos, quando fomos dormir eu chorei baixinho em minha cama.
No dia seguinte Rosalie e eu acordamos mais cedo para ir ao zoológico, era uma ideia do médico que ela queria por em prática, ele disse que lugares com animais e verde ajudariam com o bem estar dela e consequentemente com o do bebê, isso a ajudaria a desestressar. Nós fizemos piquenique, comemos sorvete de casquinha e corremos na grama, me diverti muito no passeio não posso negar. Depois da sessão zoo nós fomos para casa e ficamos conversando sentados no portão, nos recordando dos velhos tempos e rindo com todas as lembranças boas. Quando deu a hora liguei para Jake como de costume.
— O que você fez com a Bella cara? – Ele perguntou.
— O que EU fiz com ela? – Perguntei na defensiva – O que ela fez comigo você quer dizer.
— Não cara, ela estava chorando feito louca após vocês terem falado ao telefone noite passada. Ela ficou realmente mal e quando eu a perguntei por que estava chorando ela simplesmente me disse que tinha acabado e que vocês não estavam mais juntos.
— Sabe por que terminamos?
— Não faço a mínima ideia. – Ele disse.
— Porque eu disse a ela que estava apaixonado.
— O que?! – Ele disse descrente. – Não pode ser, ela não ficaria desse jeito por você ter dito isso.
— Pode perguntar a ela se não é isso.
— Sério mesmo?
— Sério.
— Mas que menina louca! – Disse confuso.
— Eu sei, também não entendi nada.
Jake e eu conversamos mais um pouco sobre vários assuntos e depois desliguei e fui dormir, mais uma vez chorei baixinho na cama ao lembrar dela.
Era domingo, dia das pessoas descansarem, acompanhei Rosalie a outro piquenique com as coisas que sobraram do dia anterior numa praça em Londres em que todos amavam fazer essas atividades ao ar livre.
— Sabe Edward. – Disse Rosalie. – Às vezes eu fico me perguntando como seria bom se tentássemos novamente, eu mudei, sinto que sou uma nova mulher após descobrir essa doença.
— Rosalie, eu não posso me envolver com você novamente, pelo menos não por enquanto, entenda, eu estou muito ferido.
— A pessoa com quem você tanto falava escondido era uma mulher certo?
— Certo. – Confessei.
— E você está apaixonado por ela.
— Certo.
— Quem é?
— Isso eu já não posso dizer. – Se eu já havia quebrado a pior regra da aposta que era ter que ficar longe dela por me apaixonar, eu não quebraria a de não contar a ninguém além de Jake sobre a gente.
— Por que não pode dizer? Eu a conheço?
— Não sei.
— É minha amiga?
— Não sei.
— Minha inimiga?
— Não sei.
— Não vou conseguir tirar nada de você mesmo não é?
— Com certeza não. – Eu disse sorrindo.
Nós conversamos por mais algum tempo, apenas jogando conversa fora e fazendo brincadeiras, Rosalie estava se tornando uma ótima companhia e eu gostava disso.
Mais dois meses haviam se passado, nem preciso dizer o quão enorme estava meu filho, ele já estava chutando a barriga de Rosalie, eu consegui até sentir no momento exato que ele se mexeu eu cantava e contava histórias para ele todos os dias e acompanhava como o pai coruja que era a cada novo progresso.
Jake ia lá em casa muitas vezes por semana, era óbvio que ele não se afastaria de mim e as únicas notícias que tinha de Bella eram dadas por ele que dizia que desde o nosso termino por telefone ela já não era mais a mesma, dizia que ela conversava com ele, mas não era luminosa como antes, não tinha mais aquele brilho no olhar que sempre foi evidente, mas isso não me convencia, para mim ele estava mentindo para que eu não ficasse triste, mas agora eu já estava acostumado a viver sem ela, não vou mentir e dizer que não sentia nada quando Jake falava em seu nome ou quando aquelas malditas lembranças das três maravilhosas semanas que passamos juntos insistia em rondar meus pensamentos, mas já não era mais tão insuportável como antes, a amizade de Rosalie estava me ajudando e aprendi que a melhor forma de viver sem toda aquela dor era apenas vivendo um dia após o outro, sem ter muita expectativa do que viria a seguir, porque assim não tinha como me decepcionar com nada que estivesse por vir e pensar sempre em como seria quando meu filho nascesse, isso funcionou muito bem nesses dois meses, talvez Bella tivesse razão quando dissera que o tempo cura tudo, talvez o que eu sentia por ela não fosse tão forte o quanto eu pensava que era e na verdade ela não estava subestimando meus sentimentos, era eu quem estava subestimando a ação do tempo, era óbvio que eu ainda tinha uma grande queda por ela, mas a diferença era que agora já não doía mais toda vez que eu respirava, doía apenas quando pensava nela, toda noite antes de dormir pra ser mais preciso. Com o tempo eu fui chorando cada vez menos e agora já nem chorava mais, sentia apenas uma dor terrível, mas suportável no peito.
— Edward. – Rosalie me chamou da sala enquanto eu preparava nosso jantar.
— Oi? – Perguntei.
— Estou com fome. – Ela disse.
— Já está quase pronto, tenha paciência. – Eu disse sorrindo.
— Sabia que não se deixa uma mulher grávida esperando? Senhor Edward Cullen.
— Só mais cinco minutinhos.
— Só mais cinco.
Preparei a comida o mais rápido que pude, depois levei as coisas para a sala, Rosalie sorriu e nós comemos juntos, depois ficamos assistindo filmes como sempre fazíamos. Quando o filme terminou nós ficamos sentados no sofá um ao lado do outro e então Rosalie olhou em meus olhos e respirou fundo.
— Edward, eu sei que pra você a nossa época passou, mas eu nunca vou me cansar de tentar, ninguém nunca te amou nem vai te amar como eu te amo, ninguém te conhece tão bem quanto eu, sou eu quem estou esperando um filho seu, por favor, vamos reatar, me dá uma chance, eu preciso ter o direito de ao menos tentar ter você de volta.
— Eu sei que você mudou muito e está como a Rosalie do início do namoro, aquela na qual eu me apaixonei, mas eu não sei, tenho medo de nós tentarmos de novo e dar tudo errado, depois termos que ficar olhando um pra cara do outro vinte e quatro horas por dia por causa da gravidez, sabe o quanto isso vai ser ruim para o bebê? Nós estamos tão bem desse jeito, por que mexer em um time que está ganhando?
— Porque ele pode melhorar, ele pode não apenas ganhar, mas ganhar com mérito, eu amadureci e sei que dessa vez vai dar certo, eu só estou te pedindo uma chance, só isso.
Pensei por algum tempo como seria bom se nos déssemos bem novamente, como nosso filho teria a oportunidade de crescer em um ambiente normal, com pai e mãe presentes, uma família de verdade, como meu pai sempre sonhou para mim. Pensei nos natais em que nos reuníssemos, na grande ceia e os presentes que ele abriria ansioso e que depois que abrisse, olhasse para mim e Rosalie com os olhinhos brilhando e dissesse “Eu amo vocês papai e mamãe.” E depois corresse para um abraço apertado.
Depois de tanta reflexão imediatamente segurei o rosto de Rosalie com as duas mãos e a beijei, não era pura energia como os beijos de Bella, ou muito menos aquela sensação louca no estômago, mas eu realmente achava que nada estava perdido para nós, apenas adormecido e com certeza seria acordado aos poucos, era só trabalhar nisso.
— Eu quero você. – Ela sussurrou com os lábios colados aos meus. – Quero você pra mim hoje e agora.
— Mas Rosalie, isso não vai machucar o bebê?
— Claro que não, essa foi uma das primeiras coisas que perguntei ao médico.
— Mesmo assim. – Eu disse a afastando. – Ainda não estou legal pra isso tá bom? Me dá só mais um tempinho pra eu me adaptar a nós dois novamente.
— Tem certeza que quer assim?
— Absoluta.
— Tudo bem, mas não exagera muito no tempinho não tá? A última vez que transei foi a que engravidei, já faz cinco meses, então acho que nem preciso dizer o quanto estou com pressa.
— Tudo bem.
— Espero que não demore. Mas enquanto não posso ter você por completo, deixa eu ter o que posso.
Ela segurou meu rosto e me beijou ferozmente, ficamos nos beijando por bastante tempo, quando vimos que já era muito tarde fomos para o quarto dormir.
— O que está fazendo? – Ela me perguntou enquanto eu começava a forrar a cama no chão.
— Forrando meu colchão. – Respondi.
— Pare com isso, não há nenhuma razão para você continuar dormindo aí no chão, vem aqui e deite-se comigo, venha me aquecer nessa noite fria.
— Nossa, virou até poetiza. – Eu disse sorrindo. – Vou até aí só pelo esforço.
Subi na cama e deitei ao seu lado, ela virou de costas para mim e puxou meu braço ao redor de sua cintura fazendo com que eu a abraçasse ao maior estilo conchinha, não demorei muito para pegar no sono, eu estava bastante cansado.
— Bom dia! – Disse Rosalie ao despertar animada.
— Bom dia. – Respondi sorrindo.
— E aí? – Ela perguntou. – O que vamos fazer hoje?
— Não sei, podemos ir ao cinema assistir aquela comédia que você queria ver.
— Não é melhor irmos assistir aquele filme de terror que também está em cartaz?
— Não Rosalie. – Protestei. – Esqueceu que o médico disse que nada de filmes de terror durante a gestação?
— Ah é, tinha me esquecido.
— OK, nós vamos assistir o filme de comédia.
Rosalie e eu levantamos da cama e fomos tomar café-da-manhã, depois nós fizemos alguns exercícios para ela melhorar a respiração. À tarde começamos a nos arrumar e fomos ao cinema, ficamos mais da metade do filme nos beijando. Quando fomos para casa já era de noite, ficamos assistindo a novela que Rosalie tanto adorava abraçados.
— Amor. – Ela disse.
— Oi?
— Você acha que já está pronto? – Ela disse colocando a mão em minha blusa e a levantou lentamente.
— Ainda não. – Eu disse. – Não insiste, por favor.
— Tudo bem.
A campainha tocou e fui atender a porta e sorri ao ver Jake.
— Oi Jake. – Eu disse sorrindo.
— Oi cara.
Ele apertou minha mão.
— Entra.
— Só se for agora. – Disse Jake.
Jake cumprimentou Rosalie e se sentou no sofá.
— Mas o que te trás aqui há essa hora, você sempre vem à tarde.
— Eu levei a Bella no hospital e estou aqui fazendo hora pra ir buscá-la.
De repente senti aquela dor estúpida novamente, isso era demais pra mim, por mais que estivesse tentando esquecê-la eu não poderia imaginar Bella machucada, de jeito algum, isso era mais do que podia suportar.
— O que houve com ela? – Perguntei sem nem tentar disfarçar minha preocupação.
— Ela caiu de um dos lances de escada lá do prédio, não pareceu ser nada muito grave, ela nem se machucou tanto, mas mesmo assim insisti para levá-la ao hospital porque ela bateu a cabeça, sabe-se lá né?
— Sim, claro, mas me liga quando vocês chegarem em casa para me dar notícias dela.
— Ligo sim. – Disse Jake.
Nós ficamos conversando por mais algum tempo, depois Jake saiu para ir buscá-la, eu estava ansioso esperado pela ligação dele.
— Você deve gostar mesmo dessa Bella porque ficou desesperado quando o Jake disse que ela estava no hospital. – Disse Rosalie desconfiada.
— Claro que gosto, eu morei durante três semanas com ela, é natural que me preocupe. – Tentei convencê-la.
— Já se passou muito tempo, eu sei, mas me lembro de ter visto ela com a mão na sua coxa quando fui falar com você que estava grávida.
— Deve ter sido impressão sua. – Eu disse lembrando nitidamente do acontecido.
— Huhum. – Ela disse irônica, mas dando um fim ao assunto.
Ela voltou a assistir sua novela, mas eu não tirava os olhos do meu celular em cima da mesinha da sala, eu estava ansioso pela ligação de Jake, estava quase ligando por conta própria, mas se fizesse isso daria bandeira demais e Rosalie ficaria enchendo meu saco por conta disso.
Depois de algum tempo de exaustiva espera o celular finalmente tocou e eu tentei não voar até ele desesperado para atender.
— Alô. – Eu disse após atendê-lo.
— Alô, Edward, sou eu, Jake.
— É, eu vi no identificador, mas e aí? Como ela está?
— Está bem, não precisou de remédios nem nada disso, o médico disse que a pancada na cabeça não foi forte o suficiente para causar nenhuma fratura nem nada do gênero.
— Nesse caso eu fico mais tranquilo.
— Pode ficar. Fisicamente a Bella está mais do que bem, só com uns arranhões a mais.
Fisicamente? O que ele queria dizer com isso? Ela não podia estar mal por minha causa, já que não sentia nada por mim, talvez sentisse falta do sexo, não de qualquer um, mas do nosso sexo.
— OK, diga para ela que... Esquece, vou desligar. Tchau.
— Tchau. – Jake respondeu encerrando a chamada a seguir.
Fui até Rosalie e me sentei ao seu lado, depois da novela nós fomos dormir, passei a noite pensando em Bella novamente e aquela dor apareceu novamente, de repente uma vontade louca de ir para a casa de Jake e cuidar dela tomou conta de mim, se não fosse por meu filho, juro que nada tinha me segurado, nem mesmo suas ameaças de ir embora caso eu a procurasse.
O dia seguinte passou lento, como todos os dias passavam de qualquer forma desde que me mudei para a casa de Rosalie.
— E aí? – Ela perguntou após um de nossos beijos no sofá durante a novela. – Você vai ceder hoje ou não?
— Vou. – Eu disse decidido. – Já chega desse negócio de “Não estou pronto”, eu estou pronto sim.
Segurei o rosto de Rosalie e a beijei intensamente, depois nós nos despimos e transamos ali no sofá da sala mesmo. Aquilo não estava sendo muito bom, o que era estranho, já que de acordo com minhas lembranças o sexo com Rosalie numa escala de zero a dez era nota sete, sendo que agora estava digno de um cinco, a única coisa que conseguia lembrar era que Bella era nota dez, um dez digno, só não conseguia uma nota mais alta porque essa era a maior possível.
Depois da nossa sessão de sexo sem graça fui tomar um banho e liguei para Jake para falar sobre aquilo, mas fui para a varanda para que Rosalie não ouvisse.
— Alô. – Disse Jake ao atender.
— Oi Jake, sou eu, Edward.
— Fala Edward, tudo bem?
— Tudo, cara preciso falar sobre algo com você.
— Pode falar.
— Lembra que eu dizia pra você que a Rosalie era nota sete na cama.
— Sim, por quê?
— Porque eu transei com ela hoje.
— O que? Como assim cara?
— Ih é, tinha esquecido de te contar, estou com a Rosalie de novo.
— Mas... E a Bella? – Perguntou sem nem disfarçar seu desapontamento. – Você vai desistir dela?
— Já desisti, ela não quer nada sério e eu não posso ficar aí feito um idiota me apaixonando por quem não me dá o mínimo valor.
— Ela também é apaixonada por você cara.
— Ainda que seja, do que adianta isso se ela não aceita? Se afasta de mim quando digo o que sinto, não quero isso. É com a Rosalie que tenho que ficar, ela é real, eu tenho a certeza de que ela vai estar quando eu acordar amanhã, de que ela não vai tentar esconder o que sente por mim, nem me empurrar toda vez que eu chegar perto dela na frente de alguém, eu sei quem ela é, de onde ela veio e além do mais ela vai ser a mãe do meu filho, já a Bella é um mistério pra mim, as poucas coisas que eu sei dela me assustam, eu tenho que pensar minuciosamente no que dizer para não pisar em ovos com ela, eu nunca sei se ela ainda vai estar lá no dia seguinte, é por isso que ela não quer que eu me apaixone, porque sabe que vou me machucar quando ela for embora.
— Desde quando você foi um cara que segue a razão desse jeito?
— Não sei se você percebeu, mas o único motivo de eu estar seguindo a minha razão nesse momento é porque ela disse que não queria mais me ver porque eu estava apaixonado.
— Eu tenho certeza que se você vier aqui ela não vai te negar cara, tem que ver como ela está desde que vocês romperam.
— Não quero saber Jake, ela terminou comigo, eu não vou me rastejar aos pés de ninguém, além do mais ela me disse que se eu fosse atrás, ela iria embora e eu nunca mais a veria.
— Isso foi naquele dia, duvido que ela vá embora agora.
— Jake, eu não vou aí, nem adianta insistir, estou com a Rosalie agora, e é com ela que vou ficar.
— É você quem sabe, mas me diz agora o que você ia dizer sobre a nota sete da Rosalie?
— Ah sim, eu ia dizer que hoje eu transei com ela e não foi nota sete, hoje a nota dela foi cinco, a transa não foi boa, por que será? Tem como uma pessoa ficar pior na cama com o passar do tempo?
— Cara, tem várias possibilidades pra isso, pode ser por causa da gravidez que faz com que ela faça movimentos limitados por medo de perder o bebê, pode ser porque ela perdeu a prática com o tempo ou o problema pode ser com você.
— Comigo? – Perguntei confuso.
— É, pode ser que como você estava apaixonado por ela achava que ela fosse nota sete, mas agora que já não está mais viu quem ela realmente era, uma nota cinco, ou pode ser porque você pegou a sua primeira nota dez, a Bella e depois disso o seu gosto ficou mais apurado.
— Prefiro acreditar que é por causa da gravidez.
Fiquei conversando com Jake mais algum tempo, depois fui para a cama e Rosalie já estava dormindo.
No dia seguinte nós fomos ao teatro assistir à peça Hamlet de Shakespeare, eu fiz essa peça na companhia de teatro que frequentei, era triste, mas era boa, depois da peça Rosalie e eu fomos ao mercado para abastecer nossa geladeira, quando chegamos ela já me jogou na cama como já era de se esperar e veio para cima de mim. Comecei meu trabalho novamente, na esperança de que dessa vez fosse melhor, mas não, foi à mesma coisa do dia anterior, mas mesmo assim era muito agradável estar com Rosalie, ela realmente havia mudado seu jeito de agir, quanto ao sexo eu tinha muito o que reclamar, é claro que eu não a deixaria por isso, óbvio que não, até mesmo porque meu filho merecia uma família feliz e unida e era isso que ele teria.
Após nossa transa Rosalie deitou em meu peito sorrindo.
— Você está ainda melhor do que me lembrava. – Ela disse.
“É, acho que não posso dizer o mesmo em relação a você”. Pensei.
— Que bom que estamos juntos novamente, — Ela continuou, o que era bom já que assim não teria que dizer que pensava o mesmo sobre o que ela disse anteriormente – às vezes eu fico me perguntando se isso é verdade mesmo ou se estou sonhando.
— Isso o que? – Perguntei.
— Eu e você, aqui juntos novamente, me diz que vamos ficar assim para sempre, por favor, preciso ouvir isso de você.
— O futuro a Deus pertence, mas meus planos são exatamente esses, então não acho que as coisas vão ser diferentes disso.
— Tomara que não, só eu sei o quanto esperei para te ter de volta em meus braços, depois que você veio morara comigo então! Juro que não pensei que demoraria tanto para te reconquistar.
— E pra ser sincero, juro que não pensei que estaria na cama com você algum dia novamente, eu achava que não iríamos reatar nunca mais, que nosso tempo tinha passado.
— Pra você ver, nós estávamos enganados.
— Pois é.
Depois da longa conversa que embalamos Rosalie e eu adormecemos nos braços um do outro como de costume. O mais irônico de tudo isso é que toda vez que chegávamos a esses momentos juntos, eu pensava apenas nela, a minha pequena adolescente americana.
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