Uma pia que transborda
11 Capítulo 10 – Autoapreciação
(sem título)
Cabelos em serpentes
serpenteando
sempre
sem parar
[16.11.17, 3:4? pm]
(sem título)
Bailarina:
na rua de palcos,
&
nos palcos da rua.
[25.11.17, 8:50 am]
(sem título)
Uma moça
carregava
um buquê
de margaridas
volumoso
gracioso
tal qual meus
cabelos-caracóis
[25.11.17, 9:05 am]
(sem título)
Cabelos
de fada-leão
de sereia-unicórnio
de Gal-Monte
de caracóis — girassois
de Bombril-seda
de anéis para teus dedos
de cortina para meus medos
de Líbano — Itália
de mar bravo e floresta densa
de serpente, serpentina, sem pente
de drama adolescente
de um ser atroz
de ser atriz
Beatriz
[25.11.17, 10:19 am]
Escrevi esses poeminhas em alguns dos raros picos de autoestima alta, na tentativa de enxergar e internalizar o que Khalil via de tão especial em mim. Todos feitos no metrô, sábado, provavelmente indo ou voltando da sessão de terapia. Curiosamente, são os únicos poemas do caderninho todo que são sobre mim. Isso diz muita coisa.
É meio esquisito pensar que em algum momento da vida a forma do meu cabelo mexia com a minha autoestima. Com o tempo aprendi a lidar com ele e a amá-lo, é claro, mas agora há outras coisas em mim que passei a odiar. Talvez esse ciclo se repita pra sempre. Mas talvez eu possa utilizar esse sentimento como combustível para minha arte para que passar por isso seja menos insuportável.
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