Uma outra história de Oz

1 Capítulo 1 - Glinda


Notas iniciais
Espero que gostem dessa minha nova experiência de criar uma história, dentro da outra.

Corações só vão ser práticos quando não puderem ser partidos.

Glinda

Viajávamos por uma estrada tortuosa, no crepúsculo do que parecia ser uma noite congelante, a única coisa que me permanecia aquecida era estar dentro da carruagem. Insisti que os cocheiros se mantivessem aquecidos antes de sairmos, pela certeza da geada que viria, não muito tardar, eles acharam que não aconteceria, mas a prova viera logo, e eles agradeceram imensamente minha atenção com eles. Observei a janela direita da cabine e percebi que passávamos ao lado do deserto movediço, era o ponto mais próximo dele que podíamos chegar, um atalho por além dos tijolos amarelos, no país dos Winkie, o cheiro de areia era a maior informação que tínhamos sobre o deserto, e por isso um único movimento ali me chamou a atenção. Uma elevação se formava no chão e parecia o formato de uma pessoa.

- PARE! – Exclamei ao cocheiro, que imediatamente puxou as rédeas.

- Majestade? – Ele perguntou – Algo aconteceu?

- Tem alguém no deserto – Informei enquanto saia da carruagem e fixava o olhar ali.

- É impossível majestade – Outro dos homens falou assustado – Ninguém pode sobreviver ao entrar ali.

- Não está tão distante – Insisti, e comecei a me aproximar da areia.

- Por favor, não majestade – Pediu o mesmo senhor – Eu irei, verei o que há lá que a espanta, mas por favor não adentre no deserto.

Assenti e o vi seguindo na direção daquilo, ele teve que andar um pouco, talvez estivesse bem mais distante do que eu pensava. Ele demorou alguns minutos, até que se abaixou apressado perto daquilo e ficou um tempo naquela posição, meu coração batia forte e apressado, e depois de o vê-lo levantando com um pequeno vulto no colo, ele apertou e quase o senti parar. Era uma criança que ele trazia de volta. Quis apressar-me e correr em sua direção, mas minha promessa de não adentrar no deserto tinha que ser mantida, então ele demorou um pouco menos para retornar, devido a uma corrida e quando se aproximou consegui identificar melhor os traços da criança.

Era uma menina, de aproximadamente nove anos, vestida em roupas envelhecidas e sujas, com tons de marrom aparentemente. Ela estava com vários machucados nas mãos e no rosto e parecia ter uma perna torcida, respirava, mas com muita dificuldade. Seus cabelos não tinham uma cor definida, devia a quantidade de areia que eles tinham acumulado, e os olhos estavam fechados, mas ela não parecia estar dormindo em paz. Levei minhas mãos a boca com o espanto, a criança tinha sido muito maltratada, pensei em uma solução o mais rápido que pude.

- Coloque-a na carruagem – Falei com o senhor que a carregava, seu nome era Gene – Levaremo-nas para a Cidade das Esmeraldas.

- Madame? – Falou o Cocheiro, Kity – Ir para a cidade das esmeraldas, a esta hora?

-Temos que salvá-la – Falei apreensiva enquanto ajudava Gene a coloca-la gentilmente na carruagem – E estamos mais perto de Esmeraldas do que de qualquer outro lugar.

O cocheiro assentiu e se preparou para o novo caminho, seguiríamos a trilha de tijolos amarelos. Agradeci a Gene pela ajuda e me coloquei de volta na cabine, colocando a cabeça da menina em meu colo e acariciando-lhe o rosto, gesto que minha mãe fazia. A viagem demorou algumas horas e quando chegávamos perto do portão verde brilhante da cidade, podíamos ouvir a alegria do povo de lá. Enquanto eu continuava aflita com a respiração irregular da menina.

- Majestade, chegamos – Disse Kity – Talvez deva avisar ao porteiro.

- Sim – Concordei retirando a menina delicadamente e saindo da carruagem.

Fui devagar em direção a janela do porteiro e toquei o sino duas vezes, sua cabeça surgiu dali, um homem bigodudo, todo vestido de verde, assim como todos os habitantes de oz. Parecia um homem nervoso, mas antes de demonstrar, ao me observar, abriu um sorriso aliviado e tirou o chapéu que usava em cumprimento.

- Madame Glinda – Ele disse – Em que posso ajudar, vossa majestade?

- Olá, Senhor – Respondei educadamente – Poderia por favor nos deixar passar e falar com o Mágico?

- Com prazer senhorita – Ele disse e logo desapareceu da janelinha.

Retornei a carruagem e a criança estava exatamente do mesmo jeito. Repeti o movimento de coloca-lá no meu colo enquanto via o portão da cidade se abrir e ser cumprimentada pelas pessoas, evitando que vissem a menina. Seguimos rapidamente em direção ao castelo de esmeralda. A cidade resplandecente ficou para trás quando entramos no palácio e Oz nos esperava em sua sala. Deixamos a carruagem na porta do palácio, Gene cobriu a menina com um dos cobertores que vieram para caso esfriasse na nossa viagem e a pegou no colo se apressando para entrar no castelo. Fui atrás rapidamente, parando apenas para acenar as pessoas que me acompanharam até o castelo, logo adentrei e fomos correndo para a sala do mágico, que estava nos esperando em pé e alegre ali.

- Oz?! – Exclamei animada, correndo em sua direção.

Ele abriu os braços para mim, sorridente e então lhe abracei, fazia tempo que não nos víamos e eu sentia saudades.

- Glinda – Ele disse, parecendo aliviado – Há quanto tempo.

Sorri com seu comentário quase esquecendo do porquê de eu estar ali.

- Sim, queria eu que fosse em melhores casos – Respondi tristemente enquanto o soltava, mantive apenas as mãos espalmadas em seu peito.

- O que houve? – Ele questionou preocupado.

Olhei para Gene, que veio em nossa direção, ultrapassando-nos e indo para a cama atrás de nós, ali ele colou a garota de modo cuidadoso. Enquanto eu e Oz nos aproximávamos.

- Nossa! – Oz exclamou se aproximando dela, e eu apenas assenti – O que houve com ela?

Ele passou a mão em sua testa e pescoço, checando febre e batimentos. A respiração estava um pouco mais regular, mas ela agora parecia tremer de frio.

- Não sabemos – Respondi – Ela estava no meu do deserto movediço.

Ele me olhou preocupado em busca de alguma explicação.

- Ela é de Oz, sabe me dizer? – Ele perguntou enquanto tocava a sineta, talvez para chamar os médicos.

- Não faço ideia, mas suponho que sim – Respondi intrigada, enquanto duas mulheres entraram na sala, confirmando minhas suspeitas sobre a sineta.

As mulheres olharam um pouco assustadas para a menina e depois se entreolharam, na verdade seus olhares não pararam em lugar algum até que Oz soltasse um tossido falso para que elas focassem nele.

- Por favor, levem esta menina até o setor médico de esmeralda – Ele falou – Com muita cautela, cuidem dela, lhe banhem e deem roupas novas.

As duas senhoras assentiram e eu pedi a Gene que ajudasse-as, levando a menina a área hospitalar. Enquanto isso eu e Oz nos entreolhamos, e por impulso o abracei, estava muito preocupada com a menina, ele me manteve em seus braços, enquanto eu me mantive apreensiva pelo resto da noite.