Uma outra história de Oz
2 Capítulo 2 - A Menina
Mas tem tentas pessoas sem cérebro que falam? Não é mesmo?
Glinda
Senti um leve chacoalhar e o brilho do sol nos meus olhos ainda fechados, os abri com um pouco de preguiça, e pude olhar para Oz, ou Oscar, ele sorria um pouco envergonhado. Fui levantando devagar e vi aos meus pés na cama, um café da manhã perfeitamente preparado. Ele diria que ele fez, mas eu sabia que não.
— Fiz só para você – Ele falou e eu soltei um riso frouxo.
— Imaginei – Respondi me sentando na cama – Alguma notícia?
— Sim – Ele respondeu, parecia estar comendo alguma coisa – Ela está bem, mas ainda não acordou, já está em condições melhores, poderá vê-la assim que terminar o café.
Sorri e observei o quarto, ele estava parado em frente a varanda, com camisa branca e calças marrons, estava descalço, o que era raro. Ele observava o horizonte de Oz e seu trabalho enquanto mandava naquele lugar, levantei de cama e me aproximei dele, coloquei minhas mãos em volta de seu corpo e senti-o as segurando.
— O que foi? – Perguntei notando sua apreensão.
— A menina, também me deixando intrigado – Ele comentou – Ela parecia ter sido machucada de propósito.
— Você a viu esta manhã? –Perguntei enquanto ele se virava para mim.
— Não, mas o modo como ela estava ontem à noite – Ele falou – Aonde eu vivia, vimos uma menina assim, mas ela não sobreviveu.
Senti um frio percorrer a espinha, e Oz percebeu isso, então me puxou para mais perto e plantou um beijo no meu cabelo.
— Ela vai ficar bem – Ele disse – É outro universo, acredite.
Até pude sentir uma calma maior, nos sentamos em uma mesa do quarto para terminar o café, não nos demoramos para isso. Então Oz tocou seu sino novamente e duas mulheres vieram com uma roupa verde, mas muito bonita para mim, agradeci imensamente o gesto e fui me vestir no seu banheiro. Quando terminei decidimos ir à ala hospitalar, que ficava mais a fundo no palácio.
A menina
Quando eu acordei, estava em um lugar desconhecido, pelo menos eu achava isso. Não conseguia me lembrar de absolutamente nada, a ultima coisa que eu vi, foi areia movediça em torno de mim. Ao olhar em volta, percebi que eu estava em um tipo de sala de enfermagem, e sentia muita dor na perna, talvez estivesse quebrada ou torcida. Tudo era esverdeado, desde os lençóis da cama onde eu estava deitada, as cortinas da janela a minha frente e os tapetes do chão ao meu lado. As paredes tinham desenhos com detalhes de verde do mesmo tom, cor de esmeralda, e isso me dizia que eu sabia onde estava.
— Cidade das esmeraldas? – Sussurrei para mim mesma, muito curiosa.
Gemi um pouco ao tentar levantar e fiquei sentada na beira da cama, com as pernas ao lado de fora, agora havia um espelho na minha frente e pude ver que eu estava com vários aranhões no rosto, mas ele estava limpo. Meu cabelo preso em um meio-rabo que mantinha os cachos dourados para trás, estava usando uma longa camisola fina e verde com mangas compridas e uma gola até o pescoço, um pouco mais claro que o resto do que tinha visto. Minhas unhas estavam limpas e cortadas, e meu pé enfaixado, então eu aparentemente só tinha o torcido. Passei a mão na minha cintura e havia um curativo na parte das costelas, uma faixa que me enrolava.
Devagar eu consegui colocar os pés no chão e tentar me levantar, para na mesma hora sentir meu corpo caindo devagar, quando senti alguém segurar minha cintura com cuidado para não pegar nos machucados. Essa pessoa me virou e pude ver que era um homem, alto e com cabelos e olhos castanhos, umas barba e bigode engraçados e um ar pacífico, mas preocupado.
— Não pode levantar, está machucada – Ele falou enquanto me pegava no colo e me colocava novamente na cama, me deixando sentada desta vez.
Eu não consegui falar nada imediatamente, por vergonha e talvez por sentir um pouco de dor ao tentar. Quando parei para observar melhor vi uma mulher atrás dele, e eu sabia quem ela era.
— A bruxa boa do Sul...- Sussurrei, mas percebi que eles ouviram, então senti as bochechas queimarem quando ela se aproximou.
— Isso, sou eu Glinda – Ela falou sorridente.
— Isso deixa claro que ela é de Oz – O homem falou enquanto me analisava.
Glinda tinha os cabelos claros e os olhos esverdeados, mas de uma cor bem translúcida, olhos que deixavam ver através da aparência ou de tudo o que ela demonstrava por fora, era possível ver por eles a bondade no seu coração.
— Como se chama? – Ela perguntou e eu tentei buscar um nome, qualquer um, mas não vinha, eu não me lembrava de nada sobre mim.
— Eu não sei – Respondi sincera e com a voz muito baixa, não conseguia suportar falar alto devida a dor.
— Não se lembra de nada – Perguntou o homem.
Sacudi a cabeça em negação e eles se entreolharam.
— Isso é um problema – Glinda comentou – E a sua família.
Novamente eu sacudi a cabeça, algo me dizia que eu não tinha uma família de verdade. Vi Glinda levar uma mão a boca preocupada, e o rapaz apenas a olhou.
— E agora? – Ela perguntou a ele – Não podemos deixá-la assim Oz...
Oz, era seu nome? Então ele era o mágico.
— Podemos deixá-la aqui até que ela melhore e então você pode levá-la com você ou ela pode se tornar uma habitante de esmeralda...
Glinda parou um pouco e começou a andar de um lado para o outro enquanto Oz ficava apenas esperando um veredito, passados alguns instantes ela olhou para mim e pediu licença enquanto chamou Oz para falar com ele na varanda. Apenas assenti e deixei que eles se retirassem, os vi conversando, Oz praticamente concordava com ela e sorria em alguns momentos. Estavam tomando alguma decisão sobre o que fazer comigo, demoraram um pouco, tempo o suficiente para uma mulher me trazer um lanche e eu estar na metade dele quando eles retornaram.
Ficaram olhando enquanto eu comia, por alguns instantes pude notas que havia algo entre eles, mas preferi não comentar nada, ninguém dava ouvidos a crianças, terminei de comer, mas não sentia menos fome, mas estava sendo tão bem tratada que preferi nem comentar.
— Está satisfeita? – Glinda perguntou – Posso pedir outro lanche se quiser.
Apesar de estar com muita vontade, neguei com a cabeça.
— Não seja boba – Falou Oz – Sei que quer outro, vou pedir.
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ele pediu a moça, muito gentil, que me trouxesse outro lanche, ela sorriu e foi em direção a porta, apareceu alguns minutos depois com outro lanche do mesmo jeito, agradeci imensamente e voltei a comer. Enquanto isso Glinda decidiu me explicar o que aconteceria.
— Querida, se não se importar, quando estiver mais disposta mandarei que lhe busquem em esmeralda e a levem para meu palácio o no País dos Quadlings, lógico se você não se importar – Ela falou olhando para mim, eu apenas acenei que não com a cabeça e ela continuou – Lá você será ensinada sobre tudo e aprenderá tudo o que precisa para se tornar uma Dama de Companhia para mim, entendeu?
— Entendi – Falei depois de engolir o final do meu lanche.
— Tudo bem para você? – Glinda perguntou.
— Para mim está ótimo – Sorri em resposta, não tinha outra opção, tudo era vantagem para mim.
— Então, aceita ser minha dama de companhia? – Ela perguntou sorridente.
— Com todo prazer – Respondi com um sorriso de mesmo cunho.
— Ela precisa de um nome – Oz falou alegre ao lado de Glinda, enquanto colocava as mãos nos ombros da bruxa.
— O que acha? – Ela perguntou para mim.
— Eu não sei...- Respondi.
— Que tal Ellie? – Oz falou, eu e Glinda o olhamos curiosas, mas ele apenas elevou os ombros – É um belo nome.
— O que acha? – Glinda disse.
— Ellie...É bem natural pra mim – Respondi sorrindo, gostei do nome.
— Então, é um prazer conhecê-la – Glinda falou e fez questão de enfatizar o meu nome – Ellie.
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