Uma lição de amor
25 Um Casal?
Narrado por Renesmee
O caminho até a casa do Jacob passou rápido demais, conversamos sobre a escola, os planos de Jacob e Ayla, a pulseira no meu pulso parecia pesar de um jeito bom, como um lembrete constante de que aquilo era real.
Quando o carro parou em frente à casa, respirei fundo, tentando me recompor antes de sair.
Jacob desceu primeiro e, quando dei a volta pelo carro, ele já estava ao meu lado. Sem dizer nada, estendeu a mão pra mim, dei um sorriso e segurei a sua mão e entramos juntos.
Assim que cruzamos a porta, ele falou, com aquele tom leve:
– Olha quem chegou.
Não deu nem tempo de eu reagir.
– NESSIE!
A voz da Ayla ecoou pela casa e, no segundo seguinte, ela já estava correndo na minha direção. Me abaixei a tempo de recebê-la, mas o impulso foi tão forte que acabei pegando ela no colo, rindo enquanto ela se agarrava em mim.
– Que bom que chegou! – ela disse, com o rosto iluminado.
– Eu prometi, não prometi?
Respondi, abraçando ela com carinho e ela me apertou mais forte, como se tivesse medo de eu desaparecer.
– Eu senti saudade.
Meu coração apertou de leve – Eu também senti.
Rachel apareceu logo atrás, apoiando o ombro na parede, com um sorriso aberto.
– Finalmente… estavamos esperando vocês.
Sorri pra ela, ainda com Ayla no colo.
– Desculpa a demora.
– Tá perdoada – ela respondeu, brincando.
Foi quando uma voz masculina surgiu mais ao fundo.
– Então é você…
Olhei na direção e vi um homem se aproximando, com um sorriso divertido no rosto. Ele bateu de leve no ombro do Jacob.
– Fiquei sabendo que você desencalhou.
Ayla virou o rosto na hora, confusa.
– O que é desencalhar?
Rachel tentou segurar o riso – Depois a gente conversa sobre isso, tá?
Mas Ayla não pareceu convencida – Mas eu quero saber agora…
– É coisa de adulto – Rachel cortou, ainda rindo.
Balancei a cabeça, divertida com a cena, enquanto Jacob passava a mão pela nuca, claramente constrangido.
– Esse é o Paul – ele disse, se aproximando de mim. – Meu cunhado, essa é Renesmee minha...ele olhou para mim e para Ayla.
Ajustei Ayla no colo e estendi a mão com um sorriso.
– Muito Prazer Paul.
Paul apertou minha mão, mas não perdeu a chance de provocar.
– O prazer é todo meu.
Ele olhou rapidamente pra Jacob e depois pra mim, com aquele mesmo sorriso.
– Finalmente conhecendo a salvadora do Black perdido.
Soltei uma risada, olhando de canto para o Jacob – Salvadora?
– Longa história – ele respondeu rápido, antes que Paul continuasse.
Ayla, ainda no meu colo, me abraçou de novo, completamente à vontade, como se eu já fizesse parte dali e talvez eu estivesse começando a fazer parte mesmo.
O jantar começou leve, quase como se eu já estivesse ali há muito tempo. A mesa estava cheia, o cheiro da comida era reconfortante e o clima… acolhedor de um jeito que eu não sabia explicar. Ayla não desgrudava de mim, sentada ao meu lado, às vezes apoiando a cabeça no meu braço enquanto comia, como se aquilo já fosse natural.
Jacob circulava entre a cozinha e a mesa, servindo, perguntando se estava tudo bem, mas sempre encontrando um jeito de me olhar, mesmo que por um segundo. E toda vez que isso acontecia… meu coração reagia.
Paul, por outro lado, parecia determinado a acabar com qualquer resquício de dignidade do Jacob.
– Você acredita que esse cara aqui já caiu da prancha três vezes seguidas tentando impressionar uma garota em La Push?
Soltei uma risada, levando a mão à boca, enquanto olhava para Jacob.
– Sério?
Jacob passou a mão pelo rosto, sem paciência.
– Não foram três vezes.
– Foram quatro – Rachel corrigiu, rindo.
– Vocês estavam contando? – ele rebateu.
Ayla arregalou os olhos.
– Papai, você caiu no mar?
– Eu não caí, eu… – ele tentou, mas acabou desistindo no meio da frase, arrancando mais risadas da mesa.
Paul não deu trégua.
– Ele levantava como se nada tivesse acontecido, mas dava pra ver o desespero.
– Eu tinha dezessete anos! – Jacob se defendeu.
– Pior ainda – Rachel completou.
Ri junto com eles, sentindo os olhos marejarem de tanto rir.
– Eu queria ter visto isso.
Jacob me olhou de lado, fingindo indignação.
– Você não ia rir assim.
– Ia sim – respondi, ainda rindo.
O clima continuou leve, cheio de provocações e histórias, até que Rachel apoiou os cotovelos na mesa, mudando um pouco o rumo da conversa.
– Já que estamos falando de La Push…
Ela olhou pra mim, sorrindo.
– A gente vai passar o final de semana lá. Você devia ir com a gente.
Ayla se animou na hora.
– Vai, Nessie! Vai com a gente! A gente vai ver o vô Billy!
Olhei para os três, sentindo aquele convite me aquecer por dentro… mas a realidade veio logo em seguida.
– Eu adoraria…
Falei com sinceridade.
– Mas sexta tem o jantar de aniversário do meu pai.
O sorriso da Ayla diminuiu um pouquinho, mas antes que o clima mudasse, Paul entrou na conversa.
– Então pronto.
Deu de ombros, como se fosse simples.
– Eu e a Rachel vamos na sexta com a Ayla.
Apontou levemente com o garfo.
– E vocês dois vão no sábado.
Piscou de leve, claramente achando a própria ideia genial.
Rachel sorriu, gostando da proposta.
– Olha… não é uma má ideia.
Ayla bateu palminhas, animada de novo.
– Isso! A Nessie vai depois!
Olhei para Jacob quase sem perceber, esperando a reação dele.
Troquei um olhar com Jacob quase sem perceber, como se a resposta estivesse ali, naquele silêncio compartilhado entre nós. Havia algo no jeito que ele me observava, atento, mas ao mesmo tempo cuidadoso, como se não quisesse ultrapassar nenhum limite.
Ele apoiou os braços sobre a mesa, falando com uma calma que contrastava com o que eu sentia por dentro.
– Se você concordar, é claro. Não quero que se sinta pressionada a ir.
O tom dele foi sincero, direto, e isso só fez meu coração apertar de um jeito bom.
Sorri, inclinando levemente a cabeça.
– Eu vou adorar conhecer La Push.
Respondi com suavidade, e percebi o pequeno relaxamento no semblante dele, como se aquela resposta também importasse mais do que ele deixava transparecer.
Rachel, que observava tudo com atenção, não perdeu a oportunidade.
– Então está resolvido.
Disse com um sorriso satisfeito.
– Assim, o casal ganha a noite de sexta só para eles.
Senti o calor subir imediatamente pelo meu rosto.
Antes que eu pudesse reagir, Ayla franziu a testa, olhando de um para o outro com curiosidade genuína.
– Casal?
Ela inclinou a cabeça, pensativa.
– Como assim… como namorados?
O silêncio que veio em seguida foi imediato, olhei para Jacob e ele olhou para mim e nós dois ficamos sem resposta.
O caminho de volta foi mais silencioso, mas não desconfortável. Era aquele tipo de silêncio que fala por si só, cheio de pensamentos, de lembranças recentes e de expectativas que ainda estavam sendo formadas. Eu observava a cidade passando pela janela, mas, na verdade, minha mente ainda estava na mesa de jantar, nos olhares trocados, na pergunta inocente da Ayla que tinha deixado tudo… mais real.
Quando o carro parou em frente ao meu prédio, respirei fundo, como se aquele momento merecesse ser guardado com cuidado.
Jacob desceu primeiro, como tinha feito antes, e eu o acompanhei. A noite estava tranquila, e por um segundo ficamos ali, parados um de frente para o outro, sem pressa.
Ele enfiou as mãos nos bolsos, me observando com um leve sorriso.
– Então… a gente se vê amanhã?
Inclinei a cabeça, fingindo pensar, cruzando os braços.
– Posso pensar.
Respondi, tentando segurar o sorriso.
Ele riu baixo, aproximando-se de mim sem dificuldade, como se aquela distância já não fizesse mais sentido. Antes que eu pudesse recuar ou manter a pose, ele me puxou para perto, envolvendo minha cintura com firmeza.
– Ah, pode?
O tom dele era divertido, mas o olhar… não.
– Posso.
Repeti, agora mais baixa, já perdendo a força na tentativa de parecer difícil.
Ele aproximou o rosto do meu, o suficiente para que eu sentisse a respiração dele.
– E o que a gente vai responder pra Ayla?
Franzi levemente a testa, ainda próxima demais para pensar direito.
– Sobre o quê?
– Sobre nós dois.- A voz dele saiu mais suave – Ela perguntou se somos um casal… e como nós não respondemos tenho quase certeza de que ela vai perguntar de novo.
Engoli seco, sentindo o coração acelerar de novo e afastei o rosto só o suficiente para encará-lo.
– E nós somos?Perguntei, mantendo o olhar no dele. – Porque… até onde eu sei, você não me fez nenhum pedido.
O sorriso dele cresceu devagar, enquanto a mão apertava levemente minha cintura.
– Não fiz?
Neguei com a cabeça, segurando o olhar.
Ele se inclinou um pouco mais, ficando ainda mais próximo – Então deixa eu corrigir isso.
Fez uma pequena pausa, como se quisesse que eu ouvisse cada palavra – Você quer ser minha namorada?
Senti meu coração disparar de um jeito que não dava mais pra esconder – Humm deixa eu pensar...eu aceito.
E, antes que qualquer outro pensamento pudesse surgir… ele me beijou.
Narrado por Jacob
Entrei em casa mais quieto do que de costume, fechando a porta com cuidado para não fazer barulho. A luz da sala ainda estava acesa, e Rachel e Paul estavam sentados no sofá, conversando baixo. Foi quando meu olhar caiu nela.
Ayla estava encolhida no sofá, abraçada a uma almofada completamente apagada.
Rachel olhou para mim com um meio sorriso – Ela não quis ir para o quarto- Falou em um tom mais baixo – Disse que ia te esperar.
Meu peito apertou de leve.
Aproximei devagar, me abaixando ao lado dela, passei a mão com cuidado pelos cabelos bagunçados, e ela soltou um pequeno resmungo, se mexendo um pouco, mas sem acordar.
– Ei, pequena…
Passei um braço por baixo dela e a peguei no colo com cuidado. Ela se aninhou automaticamente contra mim, ainda meio sonolenta, a cabeça caindo no meu ombro.
– Papai…?
– Tô aqui- Respondi baixo – Pode dormir.
Ela soltou um suspiro e voltou a relaxar, completamente entregue ao sono.
Levei ela até o quarto, com passos calmos, como se qualquer movimento brusco pudesse acordá-la. Coloquei na cama devagar, ajeitando o corpo pequeno contra o travesseiro. Puxei o cobertor até o ombro dela e, antes de sair, me inclinei e beijei a testa quente.
– Boa noite, princesa.
Apaguei a luz principal, deixando só o abajur aceso, e saí fechando a porta com cuidado.
Quando voltei para a sala, Rachel e Paul estavam exatamente como eu tinha deixado, mas agora os dois me olhavam daquele jeito… curioso demais.
Franzi a testa, cruzando os braços.
– O que foi?
Paul soltou um riso baixo.
– Nada não.
Rachel levantou uma sobrancelha, claramente discordando.
– Nada?
Paul olhou pra mim de novo.
– Tô feliz por você.
Soltei um pequeno sorriso, mas já levantei a mão antes que eles começassem.
– Não vou falar da Nessie.
Rachel nem se deu ao trabalho de esconder a diversão.
– Nem precisa.
Ela se recostou no sofá, cruzando as pernas.
– A sua cara já entrega tudo.
Paul assentiu, rindo.
– Total.
Balancei a cabeça, tentando manter a postura.
– Vocês estão muito curiosos.
Rachel inclinou o rosto, me analisando com calma demais.
– Eu não via esse olhar em você há anos, Jake.
Fiquei em silêncio por um segundo, mas não adiantava negar.
O canto da minha boca acabou subindo sozinho e Rachel sorriu, satisfeita.
– Pois é… você está apaixonado.
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