Uma lição de amor
22 Trocar o óleo?
Narrado por Renesmee
Por um instante eu achei que tinha entendido errado.
Olhei de Hale para a diretora, depois para os pais, tentando organizar o que tinha acabado de ouvir, mas a frase ainda ecoava na minha cabeça como algo improvável demais para ser real.
– Eu… – respirei fundo, ainda surpresa – eu amo todas as crianças, de verdade. Minha voz saiu sincera, mais suave do que eu esperava. – Mas… eu realmente tenho um carinho muito especial pelo terceiro ano.
Senti meu peito apertar levemente ao admitir aquilo em voz alta, como se estivesse finalmente reconhecendo o quanto aquela turma já tinha se tornado importante pra mim.
Hale assentiu, satisfeito.
– Então está resolvido.
Disse com naturalidade, como se não houvesse mais nada a ser discutido.
– Você volta para o terceiro ano.
A diretora permaneceu em silêncio por um segundo, claramente contrariada, mas acabou concordando com um movimento curto de cabeça.
– Sim… claro.
A voz dela não escondia a insatisfação.
Sem dizer mais nada, ela se levantou e saiu da sala, deixando um clima estranho no ar por alguns segundos.
Mas não demorou para que os pais se aproximassem de mim.
A senhora Denver foi a primeira.
– Eu sou mãe da Caroline.
Disse, com um sorriso mais leve agora.
– Minha filha fala de você todos os dias.
Outro pai se aproximou logo em seguida.
– O meu filho também. Ele nunca gostou tanto de uma professora.
– Eles ficarão animados de novo – completou outro, com um tom quase aliviado.
Fiquei sem saber exatamente o que dizer por um momento.
Era muita coisa ao mesmo tempo, mas sorri.
– Obrigada… de verdade- Levei a mão ao peito, sentindo o peso bom daquilo– Isso significa muito pra mim.
Eles se despediram aos poucos, um a um, até que a sala ficou mais vazia. E quando percebi… só restávamos nós dois, Jacob e eu.
Me aproximei dele devagar, cruzando os braços de leve – Eu sei que foi você- Falei baixo, mas com um pequeno sorriso.
Ele deu de ombros, como se não fosse nada demais.
– Eu só consertei uma injustiça.
Balancei a cabeça, ainda meio sem acreditar.
– Isso foi… muito mais do que isso.
Mas ele não respondeu, apenas sustentou meu olhar por um segundo que pareceu longo demais. Acabei desviando, respirando fundo.
– Vamos?
Ele fez um gesto com a cabeça, e saímos juntos da sala, caminhando pelos corredores da escola. O barulho das crianças, as vozes, tudo parecia mais leve agora.
– E a Ayla?
Perguntei, olhando para ele enquanto andávamos lado a lado.
O rosto dele suavizou na mesma hora.
– Está melhor. Sem febre- Fez uma pequena pausa antes de completar, com um tom quase casual – Ela vai ficar muito feliz se você for almoçar com a gente.
Meu coração deu um pequeno salto com o convite, mas antes que eu pudesse responder…
– Jacob!
A voz interrompeu nosso caminho. Virei o rosto e vi a senhora Denver se aproximando, com um sorriso que parecia… diferente do de antes – Eu queria falar com o você rapidinho.
Jacob parou de forma educad– Claro.
Ela se aproximou um pouco mais do que o necessário – Sobre o meu carro… acho que já está na hora de trocar o óleo, não acha?
O tom dela tinha algo… arrastado demais, sugestivo demais.
– E eu prefiro levar só com você, gostei tanto da última vez que trocou meu óleo.
Jacob ficou visivelmente desconfortável, coçando a nuca de leve, sem saber muito bem como reagir – Eu posso dar uma olhada, sim…Respondeu, tentando manter a naturalidade.
Observei a cena por um segundo a mais do que deveria.m, e senti algo dentro de mim apertar, sem aviso. Desviei o olhar.
– Eu… preciso ir- Falei rápido demais, antes mesmo de pensar.
Jacob virou o rosto na minha direção.
– Renesmee…
Mas eu já estava me afastando.
– Nós falamos depois.- Completei, sem parar.
E segui sozinha pelo corredor, com uma irritação estranha.
Saí da escola com passos rápidos, quase sem olhar para os lados, como se o simples fato de parar por um segundo fosse me fazer voltar atrás. Meu coração ainda estava acelerado, mas agora não era por nervosismo ou surpresa.
Era irritação.
– Homens… – resmunguei baixo, balançando a cabeça enquanto atravessava o pátio. – Por que ele seria diferente?
A imagem da senhora Denver inclinada demais, o tom de voz, o jeito como Jacob tinha ficado sem reação… tudo voltava na minha cabeça como um replay irritante.
– Renesmee!
Ouvi a voz dele atrás de mim.
Ignorei.
Continuei andando.
– Renesmee, espera.
Os passos dele se aproximaram rápido demais, e quando percebi, ele já estava na minha frente, bloqueando meu caminho. Parei bruscamente, erguendo o olhar para ele.
– Sai da minha frente, Jacob.
Minha voz saiu mais firme do que eu esperava.
Ele franziu a testa, claramente confuso.
– Por que você saiu daquele jeito?
Cruzei os braços, soltando um riso curto, irônico.
– Eu não quis atrapalhar… a sua conversa sobre troca de óleo com a senhora Denver.
Ele piscou, sem entender por um segundo.
– O quê?
– Ah, por favor – balancei a cabeça, desviando o olhar. – Não precisa fingir que não entendeu.
Jacob passou a mão pela nuca, visivelmente tentando acompanhar meu raciocínio.
– Eu só falei que podia trocar o óleo do carro dela.
Voltei a olhar pra ele, incrédula.
– Não é o que pareceu.
Ele me encarou, agora mais atento.
– Por que você está irritada?
Soltei o ar com força.
– Eu não estou irritada.
– Tá sim.
– Não estou – respondi rápido demais.
Desviei dele, tentando passar, mas ele se moveu junto, não deixando.
– Eu preciso ir, Jacob.
– Espera…
A voz dele mudou um pouco, mais baixa, mais direta. – Você está com ciúmes?
Parei e virei o rosto devagar, encarando ele com incredulidade.
– Eu? Com ciúmes?Soltei uma risada sem humor. – Você é muito convencido mesmo. Balancei a cabeça, começando a falar mais rápido do que conseguia pensar. – Eu não tenho motivo nenhum pra sentir ciúmes, até porque a gente não tem nada, e mesmo que tivesse, você pode muito bem trocar óleo de quem quiser, com quem quiser, e sinceramente isso nem me interessa, então não vem tirar conclusão—
Então senti a mão dele me puxando pelo braçobe antes que eu terminasse a mão dele segurou meu braço com firmeza, me trazendo para mais perto, e no segundo seguinte…
Ele me beijou.
Meu corpo travou por um instante e meu coração disparou, minha mente ficou em branco, mas só por um segundo.
Porque no seguinte… eu correspondi.
Os livros escorregaram das minhas mãos sem que eu percebesse, caindo no chão com um som baixo que se perdeu completamente no meio do que estava acontecendo. Meu corpo simplesmente reagiu, meus braços subiram e envolveram a nuca dele, puxando-o para mais perto, como se eu tivesse esperado por aquilo sem admitir nem para mim mesma.
Meu coração disparou.
Era rápido, descompassado, quase impossível de acompanhar, como se cada batida quisesse sair do peito. O beijo não era leve, não era hesitante… era carregado de tudo que a gente vinha segurando desde o começo.
Desde o primeiro olhar.
Quando o ar começou a faltar, o beijo foi desacelerando aos poucos, até que ele se afastou o suficiente para que nossas respirações se misturassem. Senti a testa dele encostar na minha, quente, próxima demais.
Abri os olhos devagar.
Os olhos dele estavam ali.
Em mim.
– Você não imagina… – a voz dele saiu baixa, rouca – o quanto eu queria fazer isso.
Meu coração tropeçou de novo.
Engoli seco, sentindo o rosto esquentar.
– Eu… eu também…
As palavras saíram entrecortadas, quase um sussurro.
Nem tive tempo de pensar no que aquilo significava.
Porque no instante seguinte… ele me beijou de novo.
E dessa vez… eu não pensei em mais nada.
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