Uma ladra sem freios
2 Capítulo 1 — Sr. Natsu Dragneel
Notas iniciais

Uma ladra sem freios
Capítulo 1 — Sr. Natsu Dragneel
Por Teylla
Segredos só são segredos quando apenas você sabe.
♪
— Quem era ele? — murmurei pensativa ao ver ele sumir.
— Lucy — Hibiki me chamou com uma voz arrastada. — Vai demorar muito aí? — perguntou.
— Tô indo, relaxe — respondi, revirando os olhos, por um momento havia até esquecido dele.
Agarrei meu saco com mais força e o pus atrás dos meus ombros e o amarrei, abri meus braços e me joguei, peguei um equipamento do meu bolso e o apertei, fazendo abrir um mini paraquedas atrás de mim, fui caindo lentamente e pousei no chão, comecei a correr como uma gata, pois já estava ouvindo o barulho da polícia, virei a esquina onde tinha um carro esperando por mim.
A porta dos fundos foi aberta, revelando várias máquinas e um loiro sorridente e com o olhar cansado sentado no banco em frente a um computador, devia estar morto de sono ao me esperar, levantou e foi até o banco do motorista, logo fui para o da carona.
— Até que enfim, temos que ir — Hibiki comentou ao notar a sirene de polícia.
— Não precisa nem me dizer — retruquei e pus o cinto. — Pisa nesse acelerador!
— É pra já, gatinha — piscou para mim, enquanto trocava de marcha, dando ré.
Em poucos minutos já estávamos na pista, sem perseguição evidente, abri a janela e apoiei meu cotovelo no batente da porta, recebendo o vento na minha cara, senti que Hibiki me olhava pelo rabo do olho.
— O quê? — perguntei olhando para ele.
— Nada, estou apenas te observando — respondeu, dando de ombros. — Algo errado?
— Não… Eu acho que não — disse ao voltar a olhar para a rua com pouca movimentação e a única iluminação que tinha era os letreiros de lojas, casa de jogos e postes clareando quase tudo.
Senti uma mão em cima da minha, acariciando-a e arquei a sobrancelha, surpresa.
— Eu estou com você, não se preocupe com nada — Hibiki avisou.
Fiquei quieta e preferi não dizer nada, continuei observando tudo e logo chegamos em frente a um casarão, o porteiro acenou para nós, permitindo nossa entrada, o loiro estacionou o carro na porta.
— Bom, irei resolver umas coisas pedentes, pode ir na frente — comentou.
— O que irá resolver? — perguntei, cruzando os braços.
Ele deu o sorriso falso que sempre dava e se aproximou de mim.
— O que foi, Lucy? Vai sentir saudades de mim, é? — perguntou, me provocando. — Tão fofa — Tocou na ponta do meu nariz.
Bati na mão dele ao sentir o toque e revirei os olhos.
— Não exagera, conheço você, você agindo assim é ainda mais suspeito — disse. — Talvez na próxima vida eu sinta saudades de você — Toquei na ponta do nariz dele e sai andando.
— Ah, loira… — ouvi ele dizer bem baixinho, logo após suspirar.
Fui recebida pelo mordomo da mansão, vislumbrei a bela casa da líder do meu trabalho.
— Por aqui Lucy, a Erza está te esperando lá em cima — disse.
— Tudo bem, Max — avisei e ao sentir que ele estava andando comigo, parei. — Não precisa me acompanhar, já sei onde fica.
— Oh, se é assim que deseja, Srta. Lucy — retrucou e saiu.
Escutei barulhos ecoando do corredor e arqueei a sobrancelha, intrigada, vinha da minha sala, abri a porta e me surpreendi ao ver uma ruiva sentada na minha cadeira rindo enquanto falava no telefone que logo desligou ao me ver.
— O que você quer aqui Erza? — perguntei entregando a sacola para a ruiva.
— Eu estou na minha casa e você ainda pergunta Lucy? — Erza ignorou minha pergunta com outra enquanto cruzava as pernas e o vestido “acabou” ficou justo, o salto preto que ela usava era bem bonito por sinal.
— Mas está é minha sala. — respondi revirando os olhos ao notar que ela dava de ombros. — Que seja, só vim te entregar esse saco e estou indo embora, bye bye, Erza — disse acenando para ela enquanto ia para a porta do escritório.
— Heartifilia, espere ai — ordenou em um tom ameaçador que me fez voltar, ela me encarava com uma expressão terrivelmente assustadora.
— O que foi? Mais alguma missão? — perguntei respirando fundo e apoiando minhas mãos na mesa.
— Não é bem uma missão, quero você aqui mais tarde e não falte. — avisou com uma voz bem fria.
— S-sim, Erza, não faltarei, mas que horas devo vir? — indaguei.
— Te ligarei no momento certo, agora você pode ir. — respondeu retirando o óculos e pondo em cima da mesa.
— Sim... Então, estou indo. — Sai do escritório e rumei para a saída da casa.
Ao descer as escadas notei que Hibiki não estava mais ali, nem o Max, estranhei, mas deixei para lá.
Senti meu corpo mais leve sem o saco pesado que eu estava carregando, comecei a andar mais tranquila, andei por mais alguns minutos e parei ao me deparar com um prédio enorme, eu morava no último andar dele, basicamente na cobertura, pois a visão era ótima de lá e isso era um fato.
Ele era bem claro, por conta das luzes meio alaranjadas que tinha em cada andar, de resto era todo preto. Me aproximei da portaria e sorri.
— Olá, Lucy, seja bem-vinda de volta. — O porteiro falou abrindo o portão.
— Olá, Okamura, obrigada. — Acenei pra ele apesar de minha mão estar coberta por uma luva preta, o que ele deve ter estranhado mais deixou pra lá.
Andei quase desfilando até o elevador, onde tinha algumas vizinhas que me olhavam estranho, talvez com raiva e do outro lado alguns vizinhos que babavam, olhei para o grupinho das mulheres, arqueando a sobrancelha.
— O que vocês estão olhando? — perguntei friamente.
— N-nada demais, só vimos que você está muito bonita essa noite, Lucy. — Uma mulher falou morrendo de medo e apenas ri por dentro, quando o elevador abriu, entrei e olhei para elas novamente, pisquei o olho, dei língua e fiz o sinal de paz e amor, elas estranharam e ficaram confusas.
Apertei no botão 21 C, que indicava a cobertura, ele subiu lentamente e antes de chegar, digitei minha senha, logo estava na sala, tinha câmera em tudo, então era muito pouco provável que assaltassem minha casa e também ninguém iria querer se meter comigo, certo? Apesar deles não saberem o que eu faço.
Fui para meu quarto e sentei em uma poltrona que ficava ao lado de uma parede toda de vidro, olhei para a cidade brilhante, o céu essa noite estava cheio de estrelas e a lua bem clara, a visão que era só permitido a mim ou a pessoas que viessem no meu apartamento.
Continuei a encarar o céu e lembrei do rosado, o que ele queria comigo? Por quê ele sabia meu nome? Eram perguntas que eu não sabia responder e que Hibiki não queria me dizer, dificultando mais ainda.
Respirei fundo e levantei, fui para o banheiro, comecei a me despir, até aqui a parede era de vidro, mas quem estava fora não podia me ver, pois eu coloquei vidro fumê. Coloquei a água no quente e deixei ela escorrer pelo meu corpo todo, principalmente pelo cabelo, era tão bom ficar assim, principalmente após as missões para relaxar, me dava vontade de nunca mais sair, comecei a lavar meu cabelo e depois o corpo.
Desfrutei bastante do banho quente, desliguei o chuveiro e sai a procura da minha toalha, a agarrei e me enrolei com ela, cheguei na frente do espelho que por sinal era enorme e dava pra ver o corpo todo, o comprei especialmente para isso, precisava checar meu corpo inteiro para ver se haviam machucados ou coisa do tipo, após voltar das missões que a Erza me oferecia, já que eram extremamente perigosas.
Passei a mão pelo cabelo tentando fazer um penteado diferente que me agradasse, ficar com o cabelo longo e solto era muito desconfortável para fazer as missões, mas eu o amava independente de tudo e tinha medo de cortá-lo, peguei uma escova e o secador, o liguei para secar meu cabelo que estava bem úmido, utilizei por pouco tempo já que o telefone havia começado a tocar, tropecei no fio tendo uma queda bem sexy para não dizer o contrário.
— Ittai... — Coloquei a mão na cabeça onde tinha machucado e corri pro telefone esfregando o local que estava doendo. — Alô? — iniciei com voz sonolenta.
— Heartifilia? — Erza estava na outra linha com uma voz séria.
— O que é? Já está na hora? — perguntei indo até a geladeira com o telefone no ouvido.
— Sim, espero que não demore está me ouvindo? — avisou com um tom de voz assustador.
— Sim, sim, mas antes eu vou por um gelo na minha cabeça e me trocar. — respondi tentando demorar um pouco mais, peguei dois pedaços de gelo, enrolei num pano e coloquei na minha cabeça, recuei de dor.
— Eu não quero saber, quero você aqui em 10 minutos — disse em um tom tão ameaçador que senti medo do outro lado da linha.
— Mas, Erza... — Tentei convencê-la, hoje queria relaxar, não ir pra outra missão.
— Já disse, 10 minutos! — disse e desligou a chamada.
— Droga! — disse sentando na cadeira e massageando com o gelo a parte machucada, lembrei que tinha apenas 10 minutos para chegar lá, o que era impossível. — Ai, merda!
Corri pro banheiro e botei o secador na velocidade máxima, deixei meu cabelo um pouco úmido já que eu não tinha tempo para secar totalmente, penteei ele rápido e desconectei o secador da tomada, corri pro quarto e peguei a minha peça de roupa para missões que era aberta na frente, o vesti super veloz.
Fui direto pro elevador, indo para o estacionamento, corri com minha bolsa e liguei o automóvel, saindo dali em disparada, abri a janela e me arrependi, estava ventando bastante e o mesmo acabava me machucando, meus fios estavam voando loucamente, mas não liguei e continuei correndo até chegar na mansão da Erza.
Olhei para o porteiro que assentiu e abriu o portão, permitindo minha entrada, estacionei rapidamente e bati na porta, esperando que o Max abrisse.
— Bem vinda de novo Lucy, a Erza está te esperando lá em cima na sala dele. — avisou apontando pro andar superior.
— Obrigada, Max. — disse sorrindo pra ele que corou.
Subi as escadas e ao me aproximar da porta dupla ouvi risadas, uma feminina e uma masculina, estranhei, abri a porta dourada, avistei Erza sentada e um homem muito bonito de cabelo azul encostado na parede, reconheci ele na hora.
Ele era da filial inimiga da nossa, onde a maioria dos assassinos eram homens, poucas mulheres sobreviviam as missões que o chefe deles ordenava, eu claro, sobreviveria, adentrei o local séria e a Erza estava sentada em sua cadeira balançando o pé.
— Muito bem, Lucy, demorou só 5 minutos — Erza comentou sorrindo.
— Bom... Eu fui forçada a isso, não é? — perguntei olhando o local, mas logo tive que voltar a encarar a ruiva.
— Este é nosso mais novo aliado, Jellal, iremos trabalhar juntos em algumas missões perigosas ou seja, você irá trabalhar com um dos assassinos dele, a Juvia também irá trabalhar com um deles, por hora, você será com um dos mais fortes, já que você é minha assassina número um. — avisou apontando para o novo “aliado” e falava sobre mim orgulhosa.
— Prazer em conhecê-la, Lucy — Jellal disse com um tom cordial. — Ouvi falar muito bem de você.
— É, prazer em conhecê-lo também, Jellal — disse indiferente. — Hm, e por que vocês se aliaram assim... repentinamente? — perguntei meio desconfiada, já que a Erza não gostava de tantos aliados assim.
— Bom... — Erza olhou pro homem de cabelo azul ao lado dela, que assentiu alguma coisa e voltou a me encarar. — Primeiramente estamos tentando descobrir uma coisa que será revelada depois para você e todos os outros, enquanto isso os nossos assassinos — Apontou para Jellal e depois para si. — irão ficar trabalhando juntos, sei que vocês não se gostam nem um pouco, mas temos que fazer esse sacrifício.
— Hm... Mas eu sozinha sou suficiente, não preciso de um companheiro. — falei tentando descartar a ideia de ter outra pessoa trabalhando comigo.
— Lucy... Você ainda não está entendendo o risco de trabalhar sozinha certo? — Tirou o óculos do rosto e o pôs na mesa, revelando sua expressão cansada. — Não posso te contar tudo de imediato, apenas sei que alguns assassinos tem sido mortos por uma organização desconhecida, então não podemos deixar vocês trabalhando sozinhos.
— Ainda não entendo, sou forte o suficiente para ficar só. — rebati, ter companheiros nas missões era complicado.
— Heartifilia, você irá trabalhar com alguém e acabou! Não adianta mais discutir. — disse gritando.
— Tá, que seja, Erza, eu só espero que ele não atrase meu lado — avisei estressada olhando para o outro lado.
— Bom, pelo menos veja quem é seu companheiro antes de reclamar, tenho certeza que gostará — falou trocando sorrisos maliciosos com o rapaz de cabelo azul.
— Humpf, que seja, quem é esse panaca? — perguntei irritada, cruzei os braços e encarei os dois, ouvi a porta se abrir atrás de mim, mas nem me dei o trabalho de virar e ver quem era.
— Olhe para trás, Lucy — ordenou encarando a pessoa que estava atrás de mim, virei ainda com os braços cruzados e me deparei com o cara rosado novamente.
Meu coração bateu forte sem eu entender e fiquei intrigada com isso, na realidade no momento eu estava literalmente boquiaberta, chocada.
Ele estava com uma calça preta, blusa preta e uma jaqueta por cima, era vermelha com desenhos de fogo, estava sexy, corei quando ele sorriu para mim, mas foi um sorriso diferente, não sabia dizer bem o que significava, ele passou por mim e foi para o lado de Jellal.
— Esse é o agente Natsu Dragneel — Ela apontava para o rosado que aparentemente era dominado de Natsu. — Ele é o destinado para trabalhar com você em suas missões, ele é tão forte quanto você Lucy, isso não é ótimo? Talvez até mais forte — dizia orgulhosa de nem sei o quê. — Ele também não gosta de trabalhar com outras pessoas, preferia fazer as missões sozinho, mas achou interessante fazer umas missões especiais com você, já que a senhorita é considerada uma das melhores assassinas do Japão.
— Você de novo?! — perguntei caindo na realidade ao olhar para o Natsu que sorria para mim, mas não um sorriso de felicidade e Erza encarou-me surpresa.
— Então vocês já se conheciam, hein? — perguntou sorrindo.
— Olá, Lucy — cumprimentou-me com um tom totalmente provocativo.
— Não foi bem assim... — Ignorei ele, respondendo a ruiva que estava me encarando curiosa. — É... isso tudo é bem maneiro, mas eu ainda... — comecei, mas logo fui interrompida.
— Não adianta tentar falar nada, minha opinião continuará a mesma Lucy. — Sua expressão estava diabólica. — Você irá trabalhar com o senhor Natsu Dragneel.
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