Uma ladra sem freios
3 Capítulo 2 — Ataque
Notas iniciais

Uma ladra sem freios
Capítulo 2 — Ataque
Por Teylla
Bang, Bang, você atirou em mim.
— Jellal, foi para isso que me chamou aqui? — Natsu perguntou com uma voz séria. — Para ver uma mulher escandalosa?
— Natsu… — Jellal disse tentando controlar um pouco a situação, devia conhecer o temperamento de seu agente.
— Ah, que conveniente… — comecei a dizer.
— Lucy, não comece — Erza me interrompeu já sabendo o que eu poderia falar. — Ela não é ao todo escandalosa, Natsu, a Lucy é a nossa melhor agente e em missão é excelente.
Ele me encarou e eu revirei os olhos, apenas queria ir para minha cama descansar o máximo que podia em vez de ficar aqui, escutando coisas desnecessárias.
— Acho que isso não posso me queixar, talvez ela só não tenha muito equilíbrio em lugares altos — comentou dando ênfase ao final, querendo me provocar, os olhos dele chegaram a brilhar, apenas franzi o cenho.
Fiquei quieta, não poderia ir contra a vontade da Erza. Natsu deu um sorriso de lado e andou para perto de mim.
— Bom, eu sou Natsu Dragneel e espero que possamos nos dar bem daqui pra frente, ao menos nessas missões — disse com satisfação, novamente se apresentando e deu sua mão para apertá-la.
— E eu... sou Lucy Heartfilia, como já ouviu antes. — Apertei a mão dele, mas queria mesmo era dar um rastejo.
— Como vocês já estão bem apresentados, quero que andem juntos sempre que possível, e se virem ou escutarem algo estranho nos contatem imediatamente, por enquanto é só, logo daremos a vocês o relatório da situação e o que vocês devem fazer, estejam aqui amanhã cedo. — Erza disse calmamente ao analisar o meu semblante, estava ao lado de Natsu escutando tudo atentamente.
—Então podemos ir? — perguntei cruzando os braços.
—Sim, por hoje é só — respondeu por fim, analisando algumas papeladas.
— Ótimo, irei ter minha noite de sono! — disse feliz, agradecendo a Deus.
— Geez... Você irá dormir enquanto eu estarei aqui trabalhando? Não mesmo. — Levantou-se vindo em minha direção.
— Ah não... O que você quer agora Erza? — indaguei triste.
— Quero que vá atrás desse cara aqui — respondeu e foi até sua mesa pegar uma foto — Ele é um traficante e tem causado baderna por aqui... Quero que o ache e mate-o com ajuda do Sr. Dragneel. — Entregou a imagem para mim.
— Quê? Mas por quê? Eu poderia fazer isso sozinha, é um trabalho tão fácil! — retruquei.
— Lembra do que eu disse? “Quero que andem juntos sempre que possível” e essa regra se aplica para agora, então acho melhor irem logo atrás desse cara, já não aguento mais ouvir reclamações sobre esse cara, está me deixando com dor de cabeça! — Massageou suas têmporas.
— Geezz... — resmunguei baixinho — Tudo bem, eu irei atrás desse cara agora e... levarei ele — Apontei para Natsu — comigo.
— Hm… — Erza voltou para sua mesa e apoiou sua mão na mesma. — Entendeu tudo, não é?
— Sim — concordei. — Tchau — disse e sai com o rosado atrás.
Ele fechou a porta e começou a andar, dando as costas para mim, me ignorando por completo, o que me deixou chocada e boquiaberta.
— Ei! — chamei e ele parou olhando para mim com as mãos no bolso da sua jaqueta, estava sério.
— Hm? — perguntou. — Seja rápida, não tenho o tempo todo.
— E você acha que eu tenho? — perguntei franzindo o cenho.
— Não sei e sinceramente? Isso não me interessa — respondeu e eu senti uma facada, ele era muito curto e grosso.
Decidi ignorar e cruzei os braços, respirando fundo.
— Você sabe, não é? — indaguei sendo direta e ele apenas me encarou, sem dizer nada. — Sobre a nova organização e o que eles tão querendo dizer para a gente.
— O que acha? — perguntou, fincando seu olhar no meu.
— Que sabe e sabe muito bem — respondi seca.
— Bom, acertou — retrucou e virou de costas para ela novamente.
— Ei, volte aqui! — gritou.
— Não tenho porquê — avisou e acenou dizendo tchau.
O segurei e o puxei, fazendo-o ficar cara a cara, empurrei-o para a parede, encurralando-o.
— Estou falando com você! — disse séria. — Não saia quando não terminei de falar.
Natsu me encarou surpreso, achando aquilo divertido, talvez nunca esperaria aquela atitude vindo de mim, arqueou a sobrancelha e deu um sorriso de lado, olhando para o corredor vazio e logo após para meus olhos.
— E…? — retrucou, comprimindo os lábios, umedecendo-os.
— E que eu também tenho o direito de saber, ainda mais que você é meu… parceiro — disse, estreitando meu olhar.
Ele riu, riu na cara dura, isso fez meu sangue ferver, mas em um momento de distração minha, ele me virou e me encurralou da mesma maneira, aproximou-se do meu ouvido.
— Não tenho culpa se sua chefezinha não confia em você o suficiente para saber, Heartfilia — disse com um sotaque arrastado e ironizando.
— Heartfilia… você já sabia sobre mim no museu, certo? — indaguei cerrando meus punhos. — Você estava um passo a mais de mim…
— Obviamente, querida, faço minhas pesquisas — respondeu dando uma risadinha.
— Você é um babaca — comentei, empurrando-o, o mesmo balançou seu corpo com minha força e balançou a cabeça.
— E o que dizer de você? — retrucou e fiz uma expressão indignada.
— Inacreditável — disse e comecei a andar, dirigindo-me a saída.
— Você não era minha parceira? — perguntou dando uma corrida atrás de mim. — Por que deixou seu parceiro para trás? Incrível… — me pirraçou e eu revirei os olhos, seguindo em frente.
Peguei duas sacolas que estavam na mão do mordomo e dirigi-me ao automóvel, por um momento achei que teria minha paz e dirigiria tranquilamente sem ninguém, até que percebo um ser rosa abrindo a outra porta de carona, passei a língua pelos meus lábios e segurei com força o volante.
— Estava achando que se livraria de mim, não é? — perguntou, tocando no meu cabelo e logo desviei meu cabelo da sua mão.
— Se fosse tão fácil… — respondi e liguei o carro, dando ré para sair daquele maldito lugar.
Ousei ligar o som para não ficar naquele silêncio do inferno e comecei a cantar algumas que tocavam, me divertindo e fingindo que ele não existia, mas ele também contribuía bastante para isso, olhei-o pelo rabo do olho e o vi de braços cruzados, olhando a pista com maior naturalidade possível.
— Você sabe onde fica? — perguntei, curiosa, não lembrava direito onde poderia encontrá-lo.
— Sim… Estamos perto, só continue dirigindo, não é muito longe — respondeu, dando uma leve tossida.
— Ok…
A medida que eu dirigia, as ruas iam se tornando mais… impróprias por assim dizer, tinham muitos bordéis, cassinos e bares, bastante frequentados e famosos pelas coisas que aconteciam lá, era como se fosse escondido dos olhos dos “bons cidadãos” da cidade.
— É… você vai entrar nessa rua — Apontou para uma rua bem escura, apenas com um poste de iluminação, aparentemente bem perigoso.
Virei o carro e entrei na maldita rua, estacionando, fui para o fundo do carro e peguei minha roupa, um vestido dourado cheio de brilho que assentava bastante meus seios com um volumoso decote e com um V na perna esquerda, bem sexy por assim dizer.
Comecei a me despir, sem ligar se ele estava ali ou não, quando ele se virou, arregalou os olhos surpreso.
— Você vai se trocar aqui? Comigo aqui? — perguntou.
— Sim, algum problema? — retruquei retirando minha blusa.
— Bom, nenhum… — me encarou com um olhar malicioso. — Você realmente tem um corpo e tanto, hein? — Parei na mesma hora e soltei um suspiro. — Me passa minha sacola, por favor.
Assim o fiz e logo o mesmo começou a se trocar também, quando o vi sem camisa, arregalei meus olhos e comprimi meus lábios, tinha o abdome bem dividido e seu tanquinho era definido, o que, com certeza, retirava suspiros de várias mulheres, seu peitoral era uma coisa maravilhosa, os músculos dos braços então…
Balancei minha cabeça na mesma hora e foquei em vestir o maldito vestido, troquei meu sapato por um salto dourado e coloquei meu brinco de ouro, juntamente com o colar com um pingente de flor, retoquei minha maquiagem e parti o cabelo para um lado.
Estava pronta e consequentemente, ele também.
Ele saiu do carro primeiro que eu, estava me esperando encostado na porta, peguei alguns acessórios necessários para concluir a missão e escondi minha arma na outra perna, para que ninguém notasse.
Abri a porta do carro e pousei meu salto poderoso no chão, levantei na mesma hora, trancando o automóvel, Natsu me olhou de cima para baixo e depois fingiu que não me viu, começando a andar sozinho, mas tenho certeza que pude ver seus olhos brilharem, mesmo ele não admitindo.
— Ei! Espera — gritei, enquanto tentava acompanhá-lo nos mesmos passos. — É um bordel ou um cassino que iremos?
Ele parou no mesmo instante, pude admirar como ele era bonito, seu cabelo estava bem ajeitado, seu paletó preto bem arrumado e o relógio prateado que usava parecia ser bem caro, o que elevava seu status para as pessoas acharem que ele era alguém importante.
Mas desconfiei quando o mesmo virou sua cabeça para mim e deu um sorriso maldoso.
— O que acha?
Fiquei muda com a pergunta, na pior das hipóteses seria em um bordel, então minha missão seria atrair o homem e o Natsu atiraria nele, para matá-lo.
— Ok… já entendi — respondi, respirando fundo e olhando para o lado.
Ele começou a andar e eu o segui, afinal, ele que sabia direito onde era o lugar e tudo mais.
Logo na entrada do lugar havia dois seguranças bem altos e mal encarados, passei a língua pelos meus lábios, encarando-os e dei um sorriso com um olhar matador.
Eles se entreolharam e logo após encararam o Natsu.
— Sr. Jiks, estou na lista — avisou e me puxou pela cintura, surpreendendo-me. — Ela é minha acompanhante, melhor dizendo, minha esposa.
O olhei com o cenho franzido na mesma hora, como assim “minha esposa”?!
Eles olharam uma papelada.
— Pode entrar, seja bem vindo, Sr. Jiks — avisou, abrindo caminho para nós passarmos.
O cheiro de tabaco, maconha e outros tipos de drogas era bem forte ali, parecia que muitos dos clientes estavam chapados, bastante drogados e possivelmente, bêbados como um inferno.
Algumas mulheres estavam no palco, dançando no pole dance e recebendo dinheiro, outras sentavam no colo de homens, seduzindo-os e pegando dinheiro dos mesmos escondidos, sem que eles percebessem.
— Fique perto de mim — Natsu sussurrou no meu ouvido, apenas assenti.
O som da música era altíssimo, o local era enorme e mal iluminado em algumas áreas, outras eram bem clara, tinha várias luzes roxas, rosas, azuis, vermelhas, verdes e alguns holofotes em cima do palco, focando em uma das dançarinas.
Natsu parecia olhar tudo e logo nos levou a uma mesa, nos sentamos e eu comecei a observar o lugar em busca do traficante.
— Você consegue vê-lo? — perguntei, mesmo com o barulho da música sendo mais alto que minha voz.
— Não… — respondeu e uma mulher ruiva e bem bonita veio, sentando-se no colo dele, elevei minha língua no meu dente, deixando minha boca entreaberta e arquei minha sobrancelha, logo a fechei e balancei a cabeça, olhando para outro lugar.
— Vocês vão querer alguma coisa? — ela perguntou com uma voz bem sensual.
— Duas doses de Whisky, por favor, com bastante gelo — respondeu e logo virou-se para mim. — Se acostume, isso é o mais normal aqui.
— Acredite, já fui em lugar bem pior — retruquei e logo arregalei meus olhos ao ver uma coisa bem interessante. — Acho que achei nosso procurado.
— Aonde? — ele perguntou, virando-se um pouco para trás.
— Bem ali — mostrei com um olhar um homem sentado em uma área fechada, com várias mulheres seminuas em seus braços e no chão, fumava um charuto e tinha um riso solto, cochichando algo para elas.
— É, ele mesmo — disse.
— Sim, e é aqui onde eu entro — avisei, ajeitando meu cabelo.
A mulher ruiva trouxe as bebidas, deu uma piscada para Natsu e saiu rebolando para ele ver, revirei os olhos e tomei a dose de vez, sentindo minha garganta aquecer bastante, fechei os olhos e logo os abri.
— Vai realmente só? — ele perguntou, encostando-se de forma esparramada na cadeira.
— Bom, sim — respondi com um sorriso travesso. — Irei atraí-lo para uma área isolada, a partir daí, você já sabe o que fazer, não é?
— Sim, irei ficar de olho em você, me mande um sinal se algo estiver indo errado — ele avisou, olhando para o traficante.
— Ok — concordei e levantei. — Até daqui a pouco, queridinho — dei um beijo na sua bochecha, fazendo-o arquear a sobrancelha e o deixei ali, para trás, comecei a andar de forma que estivesse com um ótimo andar, dando uma melhoria na minha bunda.
Cheguei num lugar próximo a área que ele ficava e pedi um coquetel, assim que foi entregue, bebi encarando-o, logo ele retribuiu um olhar e deu um sorriso de lado.
Bingo!
Essa tática sempre funcionava, não demorou muito para que um dos seus seguranças viesse até mim, chamando-me e assim feito, fui até o mesmo, percebi os olhares das mulheres sobre mim, não pareciam gostar da atenção que eu estava chamando, dei de ombros e passei pela entrada do camarote.
Ele botou a mão no lugar vago ao lado dele e sentei, cruzando a perna.
— Como se chama, linda? — ele perguntou, passando a mão pelo meu pescoço, segurei minha vontade tirá-la dali e sorri.
— Helena, Sr. ...? — perguntei, fingindo não saber seu nome.
— Me chame de David, o que uma princesa como você veio fazer aqui?
— Ah, ouvi muito sobre o lugar, minhas amigas disseram que o dono era muito atraente… — passei meu dedo pelo meu lábio. — E vejo que é mesmo.
— Que maravilha saber disso, você também é muito atraente — comentou com um sorriso travesso. — Eu posso? — fez menção de me beijar e eu assenti.
Percebi que Natsu havia trocado de lugar e me encarava, a cena talvez não importasse para ele, mas pude notar sua surpresa quando David me puxou para um beijo intenso que foi retribuído, o mesmo beijava até bem, mas preferia que não precisasse fazer isso.
Ele deu uma leve puxada no cabelo e fingi um gemido.
— Acho que devemos ir para outro lugar, não? — sussurrei de forma bem sensual, arranhando de leve seu peitoral.
— Sim, realmente — ele concordou e chamou seus seguranças.
— Mas, Sr. David, cuidado… você sabe que tem alguém atrás de você para matá-lo, foi dito diretamente a nós — um deles avisou, aparentemente preocupado.
Segurei minha respiração na hora, eles sabiam que iríamos matá-lo? Comecei a torcer para que não soubessem que eu tinha algo a ver com isso.
— Ah, nada vai acontecer, sabe que a JH vai cuidar disso muito bem, aliás, envie a quantidade de drogas necessárias para eles, os mesmos pediram isso a nós e eu até agora não entreguei e depois mate alguns daqueles canalhas… — respondeu, levantando-se e segurando minha mão.
Olhei rapidamente para o Natsu e fiz um sinal para que me seguisse logo após, ele assentiu e “fingiu” que estava assistindo a mulher dançando pole dance em sua frente.
Descemos do camarote e ele pegou uma taça de vinho, bebericando-a, não largou minha mão por um segundo, até que me levou para um lugar atrás do bordel, um corredor estranho, parecia uma casa ou algo assim, arqueei a sobrancelha, ele morava aqui?
— É aqui que ficaremos, princesa — avisou e abriu a porta do lugar, revelando, por incrível que pareça, um ambiente claro, limpo e bem arrumado.
Ouvi passos vindo de uma direção e logo uma criança surgiu com um urso rosa.
— Titio, titio — A menina pequena disse ao correr para o colo dele, o mesmo a carregou e a girou.
— Olá, minha pequena, não está dormindo por quê? — perguntou pondo-a no chão e acariciando a cabeça dela.
— Não consegui, tive pesadelos — respondeu e olhou para mim. — E quem é essa moça bonita?
David olhou para mim e riu.
— Helena — respondeu e a levou para o quarto, lançando uma piscada para mim.
Natsu abriu a porta rapidamente e o mandei se esconder, meu coração começou a doer ao pensar que ela perderia seu tio daquela forma… Ela não merecia isso.
Mordi meu lábio inferior.
— Algo te preocupa? — ele perguntou baixinho.
— Temos mesmo que matá-lo? — retruquei.
— Claro! Você não soube o histórico de coisas que esse cara fez?
— Apenas badernou um pouco… — respondi e olhei em direção ao corredor que ele foi. — Ele tem uma sobrinha, Natsu, pequena!
— Lucy, nós temos uma missão e eu irei concluí-la você querendo ou não — ele disse com um tom sério e se escondeu em um lugar estratégico.
Respirei fundo e tentei me acalmar, aquela cena realmente havia balançado meu coração um pouco.
David voltou, agora com outra taça de vinho, me entregando.
— Desculpa… ela é minha sobrinha, está aqui por um tempo — disse e brindou comigo.
— Você a ama bastante, não é? — perguntei interessada.
— É, algo como isso — ele respondeu frio, como se não tivesse sentimentos. — Mas bom, vamos falar de nós.
Dei um sorriso falso de lado.
— O que temos para falar? — perguntei, bebendo um pouco do vinho.
Ele me puxou pela nuca e me beijou, passou a mão pelas minhas costas, cada vez mais aprofundando os movimentos.
Discretamente coloquei uma pílula em sua bebida, o qual começou a beber.
Ele me colocou no chão e veio para cima de mim, inverti as posições, prendendo-o no chão e Natsu saiu do esconderijo, vindo parar atrás de mim com a arma na mão.
— Isso não vai doer nada — ele disse com um sorriso de lado.
David arregalou os olhos e me encarou.
— Você tem algo a ver com isso? Sua vadia! — ele gritou e logo alguns seguranças seus vieram abrindo a porta com tudo.
Natsu me empurrou para o chão, vindo para minha frente.
— Se abaixa! — gritou e começou a atirar na cabeça de cada um.
Um dos homens tentou me pegar por trás e eu dei uma cotovelada num ponto vital, o fazendo se contorcer, me soltei e dei um chute alto, para desnorteá-lo, derrubando-o no chão, peguei minha arma escondida e atirei.
— Agora é sua vez, David, isso é por tudo que tem feito — Natsu avisou, ficando em sua frente com a mira perfeita.
— N-não é minha culpa, isso tudo é culpa do JH, ele que me obrigou a fazer tudo que fiz, por favor, poupe minha vida — implorou, suando frio.
— Se ele mandar você comer cocô, você irá? — ele perguntou.
David ficou sem resposta.
— Boa sorte da próxima vez — avisou e deu um tiro silencioso. — Vamos! — gritou e pegou minha mão, virei para o corredor mais uma vez, vendo a pequena aparecer, meu coração doeu, doeu muito.
O silêncio que tinha foi substituído por música alta e muita gritaria, Natsu saiu me puxando para dentro do carro, ele decidiu que ia dirigir e eu concordei, toda vez que lembrava da pequena, pensava em mim, perder um ente querido, não ter mais com quem contar… Esse era meu caso com meu pai.
— Você está bem? — ele perguntou, dirigindo.
— Sim… — respondi, retirando meu salto e jogando-o na sacola, peguei meu sapato confortável e o calcei. — Só… queria que as coisas fossem diferentes, aquela criança… ela dependia dele.
— Entendo — ele apenas assentiu e ficou quieto, como se quisesse respeitar minha dor, parecia que ele sabia sobre meu passado e não era pouco.
Chegamos no meu prédio e ele parou o carro.
No momento eu estava triste, arrasada e sem saber o que dizer ou com quem contar, meu coração doía em pensar na garota que teve um destino igual ao meu.
— Obrigada — agradeci e abri a porta, pegando minhas coisas, dirigi-me até o portão e parei na mesma hora, quando percebi que o carro estava se movimentando, corri atrás do mesmo e ele parou, surpreso.
Abaixou o vidro da janela.
— Você pode… ficar comigo hoje à noite? — perguntei, foi ai que ele ficou mais surpreso ainda, talvez não esperasse aquele convite, muito menos eu esperei fazer aquele convite, talvez o álcool que ingeri estivesse na minha corrente sanguínea ainda, fazendo efeito.
Natsu olhou para frente e respirou fundo, me encarando agora.
— Sim — ele concordou e meu coração acelerou.
Eu podia esperar tudo, menos que ele aceitasse.
Natsu estacionou o carro no lugar certo e veio em minha direção, meu coração começou a bater mais rápido, balancei minha cabeça de um lado para o outro, procurando me acalmar e não ficar nervosa, mas de uma coisa eu tinha certeza.
Natsu Dragneel não era de todo ruim, seu olhar dizia muita coisa sobre ele...
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