Uma garota nos meus sonhos
15 Murphy
Notas iniciais
Qual era o problema daquela garota? Ela tinha um noivo, tudo bem eu tinha entendido. Só que caramba! Ela queria me enlouquecer... E se ela não queria nada por que se dar ao trabalho de vir até aqui?
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa ouvi a porta batendo, e Victoria vindo do nada como antes, só que dessa vez ela veio para cima de mim. Ótimo, agora eu ia entrar em duas brigas na mesma semana.
Só que não, sem mal me olhar ela colocou as duas mãos no meu rosto e me puxou para ela. Victória estava me beijando, dessa vez era urgente, ela colou seu corpo no meu fazendo com que nós duas caíssemos no sofá.
Eu não estava entendo nada… Mas dane-se. Eu não ia deixar esse momento passar assim.
Quando ela ia se levantar, a impedi trazendo-a mais perto pela nuca. Ela correspondeu meu beijo, e eu estava perdendo cada vez mais o controle conforme ela arranhava minhas costas por baixo da camiseta. Beijei seu pescoço enquanto entrelaçava minhas mãos com as dela, impedindo que ela se levantasse. Ela gemeu baixo enquanto eu depositava beijos na sua clavícula.
Eu estava sonhando? Se estava ia aproveitar tudo que pudesse, há poucos segundos ela estava partindo meu coração, mas só o fato de tê-la tão perto, eu arriscaria tudo.
Ela mordeu meu lábio inferior o que arrepiou meu corpo todo e com isso eu vi um sorriso se formando no canto da boca dela. Nós tínhamos que respirar, Vick estava corada, e com os cachos desgrenhados o que contratava com o sorriso enorme que ela tinha no rosto. Tudo que eu podia fazer era sorrir de volta. Mas eu não me afastei, continuei olhando-a de perto...
– Meu Deus, como você pode ser tão linda...e maluca...e o que foi isso?
– Eu...não sei...- Ela agora percebeu a situação em que estava, comigo sobre ela em um sofá pequeno... o que fez com que ela corasse ainda mais. Eu ri. — Celine eu...
– Está me colocando no olho do furacão, eu entendi. — Me aproximei, colocando uma mecha do cabelo da Vicky atras da sua orelha, não resisti o colei novamente meus lábios no dela. — Se você estiver do meu lado eu não vou hesitar, nem um segundo.
E ela sorriu e eu me derreti por dentro. Ela ia dizer algo mas não conseguiu ao invés disso entrelaçou seus dedos com os meus.
– É melhor sairmos daqui não acha? Logo as freiras vão começar o campeonato de pocker.
– Sério!?se a madre Suh ouvisse isso, ela entraria em parafuso...
Saímos de lá calmamente, com Victória do meu lado eu não tinha mais preocupações, e assim seguimos pelos corredores aproveitando que as aulas já tinham acabado e os alunos não estavam mais no Centro.
Minha bolha de felicidade estourou rapidamente quando Victória parou abruptamente no meio do corredor que dava para o pátio.
– Vick o que? — Ela estava pálida e agora apertava minha mão com força. Foi ai que eu me virei para onde ela estava olhando. — Quem são?
Não precisei que ela me respondesse. Do outro lado do corredor, um senhor elegante, devia estar na faixa de dos cinquenta anos, o cabelo notadamente tingido de preto. Ele estava usando um terno cinza claro, e os passos acelerados não condiziam com a imagem que ele passava, mas ainda sim, o mais estranho era o fino notebook que ele carregava em uma das mãos. Ao lado dele uma mulher bonita, devia ser um pouco mais nova, ou pelo menos era o que sua beleza passava. Seus cabelos cacheados a denunciavam, eu tinha certeza só de olhar que aquela deveria ser a mãe da Victória. Ela usava um vestido leve de verão, que lhe caia muito bem, diga-se de passagem. Mas perai se aquela era a mãe da Vick então...
– Victória Curtis, você nos deu um susto mocinha, rodamos essa escola atrás de você.- Ele estava falando aquilo com uma naturalidade falsa, que eu percebi no ato. O sorriso cordial que ele abriu escondia alguma coisa. — E você deve ser Celine, hum... interessante ver como vocês são boas amigas, mas se me permite gostaria de conversar com minha filha, a saudade é grande já que não a vejo desde o começo das aulas.
Sr. Curtis se aproximou de mim e apertando o meu ombro com a mão livre. Os olhos dele eram da mesma cor dos da Vick, só que toda a vida que tinha nos dela era substituída por algo ruim, que fez com que minha espinha arrepiasse. Ele então apetou meu ombro com mais força, o que me fez recuar um passo e soltar a mão da Victória.
A mãe da Vick, continuava lá com a cabeça baixa, como se não estivesse vendo a situação. Eles estavam estranhos, alguma coisa estava muito errada e tinha certeza que a conversa não seria para matar as “saudades”.
– Celine, por favor, meus pais devem estar cansados da viagem e querendo chegar logo na nossa casa aqui de Windville. Eu vejo você amanhã antes da peça.
Eu hesitei um pouco e olhei para ela, Vick acenou para mim querendo dizer que estava tudo o.k, mas eu não estava comprando aquilo. Só que afinal eram os pais dela, o que eu deveria fazer?
– Bom, sejam bem-vindos ao instituto. Eu já estou de saída. — Foi então que a mãe de Vick olhou para mim, e eu vi que seus olhos estavam marejados de lágrimas.
Continuei pelo corredor, eu queria mais que tudo estar ao lado dela, meu radar interno de problemas estava apitando loucamente. Decidi pegar o caminho oposto da saida. Entrei em um corredor paralelo,já correndo e pulei de uma janela para dentro da sala de reunião dos professores, e sabia que uma das janelas do outro canto dava direto no local aonde os pais da Vick estavam. Encostei a cabeça na parede ao lado da janela e arrastei um pouco a cortina para ver o que estava acontecendo.
Foi nessa hora que eu ouvi um barulho de tapa. E meu coração deu um salto, eu queria quebrar aquela janela e acabar com aquela cena estúpida.
Victória, tinha colocado uma mão no rosto, bem em cima de onde tinha sido estapeada por aquele homem ridículo. A sra. Curtis finalmente teve uma reação e foi para o lado da filha aninhando-a em seus braços.
– Tom, por favor, ela é só uma criança. — A voz dela era um misto de suplica e medo. Senti minha garganta queimando de raiva, eu não ia conseguir assistir aquilo quieta se ele se aproximasse mais delas. — Vamos para casa, o Bruno está nos esperando para jantar.
– CRIANÇA! Desde quando crianças escrevem essas coisas. — Ele então balançou o notebook um pouco acima da cabeça e soltou uma risada sarcastica. — Hein Victória, você escreveu isso para uma aula de literatura, porque não foi pra isso que trouxe você aqui!
– Pai, você não tinha o direito de mexer no meu computador, esse texto...
– É uma pouca vergonha! Você não pensa no Bruno? Ele nos ligou preocupado e por isso passamos primeiro na casa para ver se estava tudo bem. O quarto vazio, você sumiu sem dar avisos para a governanta e ainda por cima usa seus dedos para escrever esse lixo!
Ele agora tinha jogado o notebook no chão, deixando o se estraçalhar. A mãe da Vick se encolheu com a atitude, mas ela me surpreendeu, Victoria continuou a encará-lo, com um olhar frio.
– A vida é minha, eu tenho que conversar com Bruno, eu assumo. E o quanto antes. Só que...
– Haha! Victória Curtis, então me diga seus planos, você só tem 16 anos, e vai largar tudo o que eu planejei para você por uma punkzinha?
Aquilo tinha sido demais, subi em uma das cadeiras para nivelar minha altura com a da janela afastando as cortinas, eu ia abrir aquele vidro e arrastar Victória pro outro lado do planeta, qualquer lugar longe desse monstro.
Só que a mãe dela me viu e olhou diretamente pelo vidro, suplicando com a cabeça para que eu não fizesse aquilo. Travei por um segundo. Victória e o pai estavam tão tensos que não olharam para a o meu lado por nem um instante.
– Boa noite senhores, algum problema? — Era um voz distante, vinda do começo do corredor. Eu não precisava olhar para saber quem era. Madre Suh era única que tinha aquele timbre de autoridade.
– Nenhum problema, madre. Já estávamos de saída.
Sr. Curtis se aproximou mais uma vez da Victória. Eu mal pude ouvir o que ele falava, mas agora vejo que preferia não ter ouvido.
– Victória, você vai se casar, agora o mais breve possível. E nunca mais quero te ver perto daquela garota. Depois dessa peça amanhã, você vai voltar comigo, dessa vez vamos discutir melhor sobre aquele internato na França. Agora é bom que você se comporte, ou terei que ter uma conversa séria com sua mãe, sobre quais liberdades ela anda te dando enquanto estou fora... Entendido?
– Sim senhor.
A família Curtis saiu apressada em direção a Madre Suh, agora eu entendia a confusão mental em que Vick estava, eu realmente não tinha ideia da tempestade que eu tinha aceitado entrar. Da tempestade que ela tinha entrado. Meu corpo ainda estava tenso, e simplesmente me deixei escorregar pela parede até ficar sentada no chão da sala. Não sei quanto tempo fiquei ali, só que estava ficando cada vez mais escuro lá dentro. Só a luz fraca da lua agora, me dava uma visão meio fantasmagórica das cadeiras ao meu redor.
Eu precisava pensar em algo, eu tinha que estar perto da Vick. Eu tinha que protegê-la.
Peguei o celular e disquei o primeiro número que me veio a mente. Precisava de alguém influente, alguém que conseguisse enfrentar de igual para igual aquele idiota. Alguém respeitável.
No outro dia eu me arrependeria amargamente daquela escolha, mas naquele momento era o melhor plano que eu tinha.
Depois de dois toques eu ouvi alguém atender do outro lado da linha.
– Oi, vô. Onde o senhor está?
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