Uma garota nos meus sonhos

8 Como tudo começou


Notas iniciais
Espero que gostem! esse capitulo completa o anterior ( eu preferi dividir em duas partes =p)
Boa leitura!

#08 Como tudo começou

E foi como se eu voltasse no tempo, enquanto as primeiras frases saiam da minha boca.

Naquele dia, eu e Will íamos comemorar já que mais uma avaliação e eu seria livre. Iria para faculdade de arquitetura, o mais longe possível de Windville. Ele me visitaria no verão e nós viajaríamos para qualquer lugar.

Só que eu bebi demais, e quando ele me beijou eu me senti como se ele tivesse me traído. Ele tinha jurado ser meu amigo, era o meu melhor amigo. E eu gritei com ele, que ele era um irmão para mim e muitas outras coisas que eu não lembrava mais.

Porque ele estava fazendo aquilo? Ele era a única pessoa no mundo pra mim, só que eu não o desejava daquele jeito. Era quase uma dor física ver que eu estava tendo que magoa-lo daquele jeito, justo eu. Mas eu o amava, como família e por que não podia ser suficiente?

Eu não conseguia olhar para ele, implorando para que eu pensasse a respeito. E fiz algo que me arrependo até hoje... Eu corri. Por um tempo eu só ouvi o barulho do vento e senti os galhos gelados arranhando meu rosto enquanto entrava cada vez mais na floresta.

E foi ai que ouvi ele gritando o meu nome.

Eu virei com tudo, enroscando meu pé em uns galhos e tudo que pude fazer foi fechar os olhos enquanto via que minha cabeça se aproximava mais do chão.

Pensei ter ouvido Will gritando o meu nome mais perto do que antes falando algo sobre buscar ajuda e me tirar de lá... Só que já estava tudo escuro. Eu tinha apagado.

E acordei no outro dia no hospital.

Meu avô estava do meu lado. Quando eu perguntei do Will tudo que ele fez foi evitar meus olhos e falar baixo, como se isso diminuísse as coisas.

– Will, ele bateu a moto...

Eu tentei me levantar da cama, tirando uns fios que estavam ligados no meu braço.

– Eu vou vê-lo... — Mas meu avô pôs a mão no meu ombro me forçando a deitar de novo.

– ele já está morto Celine.

Will tinha morrido. Meu avô me contou que ele ligou para ele desesperado, que eu havia batido a cabeça e não acordava.

Windville era só um vilarejo, todos os problemas médicos eram levados para a cidade vizinha com uma ambulância, enquanto um enfermeiro faria os cuidados básicos.

Só que eu estava na floresta longe da trilha e com a cabeça sangrando. Eles nunca saberiam onde eu estava. Meu avô falou para Will, que me deixasse lá, pois se me carregasse errado poderia piorar os ferimentos. Will tentou argumentar, mas meu avô sabia ser convincente.

E pelo que meu avô me contou, Will pegou a moto explicando já para a ambulância onde encontra-lo que ele os guiaria até onde eu estava. Só que quando ele chegava à rodovia, um caminhão tinha feito uma curva fechada. O cara devia estar trabalhando há horas sem parar. Ele só ouviu a batida. E Will voou metros de distancia da moto.

A ambulância chegou um pouco depois e viu o acidente, socorreram Will, mas ele estava quase inconsciente e perdendo muito sangue. O enfermeiro me contou depois que Will tinha explicado o máximo que pode como me encontrar, e qual parte da floresta eu estava. Aquela tinha sido a ultima coisa que ele falou...

– E foi isso, só que quando sai do hospital, a cidade inteira já comentava. Como uma du Mas, matou o garoto de ouro do Saint Edwiges. Uma das histórias que rolava era que eu tinha levado para a floresta, para brincar com ele. E depois de ter me divertido, eu teria corrido e fingido que tinha me machucado sério, e que estava quase morta. – cada palavra minha saia com desprezo. E às vezes minhas pausas era um pouco longas, mas Victoria me olhava prestando atenção em cada detalhe. Eu já não segurava mais as mãos dela e sim olhava direto para aqueles olhos. Eu não me importava com a opinião dos outros, mas ela não podia pensar aquilo de mim. Qualquer um, menos ela.

– Não sei quem começou tudo, mas no final acabou que Will desesperado e bêbado, carregou meu corpo para o meio da floresta, para uma clareira bonita, já que eu estava morta. E não suportando a dor, ligou para o meu avô, falando onde ele encontraria meu corpo, E logo depois enfiou a moto no caminhão, para não ter que viver sabendo que tinha me matado.

– Isso é horrível, foi um acidente... Eles não têm esse direito... — Victória parecia irritada, mas eu não conseguia sentir indignação pelas acusações deles.

– Mas eu nunca desmenti tudo, ao invés disso eu fugi, e fiquei um ano fingindo que nada aconteceu...

– Você estava sofrendo, perdeu o seu melhor amigo, mas por que você não contou tudo? Você não teve culpa, foi... foi tudo...

Eu tinha me levantado, não podia ficar mais ali, eu a olhei suplicando para que ela entendesse o porquê eu estava saindo.

– Nada muda o fato que ele não está mais aqui, e porque discutir com todos, eu tenho o mesmo pesadelo todas as noites, como eu seria inocente, se minha mente me lembra todos os dias que eu o deixei morrer. Seria melhor que você se esquecesse de mim... No fim eu só causo problemas.

Eu me afastei dela, e continuei andando. Eu estava indo embora para o dormitório sem olhar para trás. De um jeito ou de outro tinha sido minha culpa, se eu pelo menos tivesse o beijado de volta, eu mentiria até o outro dia, quando nós dois estivéssemos em casa eu contaria a verdade. Ou então se tivesse parado e conversado com ele, Will não me forçaria a nada, ele entenderia e iriamos embora.

Todos os fins possíveis para aquela noite passaram pela minha cabeça, tudo no fim era minha culpa. Eu não merecia a preocupação da Victória, eu não merecia aquele tempo com ela. E por isso eu me afastei, por isso e por perceber que naquele sonho, quando ela apareceu, não foi só desespero pelo Will, eu percebi que eu preferia ter pulado no lugar dela. Por que se algo como aquilo acontecesse aquela garota, eu sentiria um desespero tão grande, que seria como se eu já estivesse morta.


Notas finais
por favor, favorzinho, não se esqueçam das reviews :3