Notas iniciais
Olá pessoas tudo bom? Olha só que legal, dessa vez eu cumpri com o que tinha dito e não demorei tannnto em postar um novo capítulo. Espero que vocês gostem e me perdoem pelos erros em geral. Bjs e até!!!

Depois de uma noite cheia de afagos, carinhos e juras de amor, Kyoko contou a Saga como havia conseguido tanta energia a ponto de fazer sua cauda crescer milagrosamente. Ele, lógico, mesmo sabendo que aquilo fora o melhor a se fazer, não podia deixar de sentir o ciúme amargar na garganta. Ele queria ter feito aquilo por ela e não que outro cavaleiro se responsabilizasse por aquilo, ou melhor, outros.

Desesperada em como poderia ajudar Saga na batalha contra Arachna, Fukuro levou Kyoko para a casa de virgem onde Shaka já parecia saber o que estava por vir. Ordenou que um servo fosse até o templo do grande mestre junto a Dohko de libra e que assim trouxesse a Adamantine.

Shaka de início tentou sozinho emanar seu cosmo para que Kyoko pudesse se “alimentar”, mas o processo não seria tão rápido quanto eles precisavam e também não fazia ideia de quanto cosmo seria absorvido por ela, e pensando nisso Afrodite e Milo – que havia descido com Camus por conta de toda confusão – se uniram a Shaka para assim criar um milagre.

Passaram quase duas semanas desde a derrota de Arachna o que ocasionou o desaparecimento dos youkais menores do santuário para o alívio de Kyoko e os cavaleiros. Resolveram que mesmo com a aparente folga usariam do tempo livre para se focarem ainda mais nos próprios treinamentos e dos outros.

—E então, não acha que já está na hora?

Kyoko respirou fundo, soltando o ar pela boca para logo voltar a observar a arena. Saga, Kanon, Milo e Camus haviam acabado de entrar nela. Ao que tudo indicava Milo havia dito alguma coisa inconveniente para Camus, mas que fez Kanon, Saga e Mu rirem gostosamente.

—Acho que...- deu uma risada anasalada.Fez uma pausa abraçando o próprio corpo. Um sorriso triste. — Eu gosto daqui. Gosto desse vento, desse azul...e deles. Não quero vê-los morrer. Eu... sinceramente...- Kyoko olhou nos olhos da outra. —Eu não quero que nenhum deles me falte.

— Vai dar tudo certo, você vai ver. – Fukuro sorriu e Kyoko nada disse. Os olhos coloridos modificaram-se. Estava na hora.

Na arena Ikki já trocava uns bons pontapés com Aiolia, Shun prestava a atenção nas orientações passada por Mu sobre concentração, etc...Seiya e Hyoga somente se aqueciam.

Kanon cumprimentou os companheiros e logo foi se aprontar e enquanto enrolava as mãos com ataduras fitou alguém descer por uma das pilastras do lugar. Sorriu de canto.

—Ei! Irmãozinho.

Saga parou o que fazia dirigindo sua atenção ao mais novo. Ele apontou com a cabeça sem parar o que fazia. O mais velho franziu o cenho e assim que se virou levou um susto, pois apesar de já estar acostumado com aquilo, Saga sempre se constrangia.

— Ohayou!(Bom dia!) – Sussurrou Kyoko ao libertar os lábios do cavaleiro, mas sem se afastar. Os braços envolvidos no pescoço e os rostos muito próximos.

Saga olhou de um lado para o outro somente com os olhos, não gostando nada do olhar de alguns cavaleiros de prata e seus sorrisinhos sarcásticos.

— Quantas vezes terei que pedir para não fazer isso aqui? — Falou sério.

Kyoko franziu o cenho. —Por que? Está envergonhado?

Saga bufou. Segurou no pulso dela e caminhou para uma área mais afastada e vazia, dando um beijo apaixonado na kitsune assim que se viu longe dos olhos dos outros.

— Não tenho vergonha, mas só quero que entenda que aqui é um lugar de treinamento. Se um de nós começar a...namorar ou algo do tipo dentro da arena dará o direito para outros também agirem assim e isso não é permitido. – Kyoko mordeu os lábios. — Cavaleiros de ouro são modelo para aprendizes e cavaleiros menores, então...eu sempre terei que dar o exemplo.

— Okay! – Sussurrou meio a contra gosto. Prometeu para si mesma tentar não fazer mais aquilo. Não queria pôr Saga em maus lençóis.

— Você deixou as cortinas fechadas outra vez. – Resmungou de braços cruzados e com um muxoxo.

Saga sorriu de lado, aproveitando para segurar a ponta do nariz dela entre o indicador e o dedão de forma carinhosa.

— É que você dorme tão linda que sinto pena de te acordar. – Kyoko sorriu de lado. — Bom...eu tenho que voltar pra lá. – um beijo leve na testa dela. — Não saia de Ródorio! – Ordenou com o indicador em riste e começando a caminhar.

Chotto matte Saga! (Espere um pouco)

Saga parou mirando os olhos bicolores de Kyoko. Ela ficava ainda mais linda quando falava daquela maneira. Achou melhor guardar aquele comentário para outra hora.

— Eu não vim aqui só para isso, eu...- Fez uma pausa. — Na verdade eu vim aqui porque preciso te... ensinar umas coisas.

— Ãhn?! – Saga crispou o cenho. Não conseguia acreditar no que ouvia.

—Não faz essa cara. – A raposa começou a caminhar. Saga a acompanhou mesmo sem conseguir acreditar no que havia acabado de ouvir.

— Ta dizendo que veio aqui pra me treinar é isso?!

— É...

Kyoko tomou uma das ataduras que Milo se preparava para ajudar Camus sem nem ao menos agradecer já começando a envolver seus próprios dedos e mãos. Olhou para o centro observando o treinamento dos aprendizes e dos meninos de bronze. Observou o modo como Aiolia ditava conselhos e instruções com toda seriedade e autoridade, ensinando socos e chutes mortais, alguns tipos de imobilizações, etc...A kitsune ficou parada alguns minutos, envolvendo suas mãos de forma calma, mas sem tirar os olhos da arena. Saga se aproximou; olhou para onde ela olhava e viu Aiolia golpear três cavaleiros de uma só vez com uma sequência de socos e cotoveladas.

— Muai Thay. – Kyoko observou.

— É...Aiolia e Máscara da Morte são os melhores nessa arte. O treinamento no santuário começa muito cedo, ainda quando crianças. Com sete anos alguns de nós já haviam se tornado cavaleiros de ouro. Crianças com potencial para matar. – Saga respondeu.

— Quantos estilos de luta você sabe, Saga? – Indagou sem olha-lo.

— Isso faz alguma diferença?

—Não precisa responder se não quiser.

Saga bufou. — Quatorze.

— Hum... – Resmungou somente sem encará-lo.

Kanon se aproximou com Milo, Camus e Dohko.

— E você Kyoko? – Milo questionou zombeteiro. Ele era um dos que mais sabia sobre lutas, assim como Dohko, Saga, Aiolos e Máscara. Se orgulhava e muito disso.

A raposa ficou em silêncio por mais algum tempo. Os olhos presos nas próprias mãos, e de maneira extremamente natural disse:

— 213.

Camus engasgou com a água que bebia e Kanon sentiu seu queixo, assim como o do irmão, cair por conta própria. Dohko arregalou os olhos e Milo ficou paralisado. Era como levar um belo soco no estômago.

— Algum problema? – Ela perguntou de forma natural olhando de um para o outro.

Milo achou melhor se afastar um pouco para ver se assim conseguia se recuperar.

— 213? – Saga perguntou como que para ter certeza do que tinha ouvido. Era um número absurdo até para eles cavaleiros de ouro, mas mesmo lembrando-se que Kyoko não era humana e que com toda certeza possuía mais de 500 anos ainda assim não mudava em nada o fato de continuar sendo absurdo.

Ela ergueu as duas sobrancelhas e mordeu o canto dos lábios.

— O que foi? Quantos anos você acha que eu tenho? Quatorze?

E saiu caminhando para a arena.

Camus foi até Milo o tocando no ombro. — Está tudo bem mon ami?

Milo somente acenou de cabeça baixa para que Camus o deixasse sem dizer nada. O francês fez como lhe foi pedido, voltando a seu lugar. Dohko soltou uma gargalhada, mas no fundo sentiu-se nervoso. Kyoko era uma máquina de matar. Ainda bem que era uma aliada.

Aiolia crispou o cenho ao notar a invasão. Afastou-se de Ikki e indo em direção a Kyoko. Ahhh como detestava quando ela se metia onde não devia.

— O que pensa que está fazendo?

— Preciso da arena. – Confessou séria.

O leão até pensou em rebater o pedido que mais parecia uma ordem, mas mesmo sem saber porque aquela diante de seus olhos não lembrava em nada a Kyoko que o atazanava quase sempre. O tom de seriedade na voz e na postura dela fora o suficiente para entender que ela não estava de brincadeira. Mas também não era um desafio.

Mu aproximou-se ao sentir no ar a mesma sensação que o leonino também sentiu. Tocou o ombro do amigo.

— Aiolia....

— Eu já entendi. – Aiolia fez uma pausa. — Todos pra fora da arena. – Ordenou e todos começaram a sair.

Kyoko olhou ao redor procurando por algo. Sorriu quando encontrou.

— Saga, Kanon, Milo. – Virou fitando os cavaleiros pasmos. — Poderiam por obséquio se dirigirem ao centro da arena?

Todos ficaram em silêncio. Era como se sentissem medo de falar e serem punidos por tal ato. Camus trocou um olhar com Mu e depois com Dohko. Milo fitou Kyoko com cara de bunda sem acreditar que aquilo era realmente sério. Ele era um cavaleiro de ouro. A guarda de Elite de Atena! Não precisava que ninguém o ensinasse nada, muito menos uma...mulher. Kanon deu uma risada anasalada...

— Ta de zuação comigo... – E saiu para o lado da arquibancada.

Saga apertou o cenho e de forma imponente caminhou a passos duros até ela. Agora Kyoko tinha passado de todos os limites. Já não bastou o dia em que o desafiou assim que chegou ao santuário? O que mais ela queria? Um show?

— O que pensa que está fazendo? – Indagou entre os dentes. Os olhos faiscando.

— Estou tentando salvar você e seus amigos. – Saga estancou. — Você disse que confiava em mim então, por favor, não me questione agora.

O geminiano manteve os olhos presos nos bicolores de Kyoko. As coisas realmente estavam se complicando, e levando em consideração a proeza que ela havia feito com sua armadura, seus pelos se arrepiaram ao imaginar o que mais ainda estaria por vir. Ela podia parecer irresponsável e imatura as vezes, mas de uma coisa Saga jamais poderia duvidar: Kyoko era forte demais! Shion já o havia alertado sobre isso várias vezes.

— Kanon, Milo. – Saga chamou.

O escorpião ficou parado como que esperando o pequeno bug dado em seu cérebro parar e ele voltar a funcionar. Camus aproximou-se e tocou seu ombro.

— Vá.

Milo olhou para o amigo e sem entender bem acabou acatando. Kanon bufou e mesmo achando aquela ideia estapafúrdia demais para seu bom senso e gosto, aceitou se juntar aos outros.

Kyoko sorriu. Virou por alguns segundos e jogando na direção deles três tipos de armas diferentes. Estas eram: Uma lança, uma espada, e um Bo feito de aço. Milo ficou com o Bo, Kanon com a lança e Saga com a espada. Ela enfiou a mão em um dos bolsos tirando de lá um pequeno gizo onde o amarrou na corda de sua calça.

— A regra é a seguinte: Quem conseguir me acertar uma única vez vence ou...se sentirem pena de me ferir...- Olhou para Saga. Sabia que teria mais trabalho com ele por conta do medo em machucá-la. — Por serem cavaleiros de ouro, podem simplesmente tentar pegar o gizo. Quem fizer essa proeza será declarado o vencedor.

Kanon gargalhou junto a Milo. Ela só podia estar brincando.

— Tem certeza raposinha? – Milo ironizou.

— Três cavaleiros de ouro, isso é sério?!

Kanon deu as costas começando a caminhar e para sua surpresa um pequeno corte surgiu em sua bochecha esquerda. Paralisou de início, mas logo se virou e fitando de cara a katana na mão de Kyoko. Quando foi que ela havia feito aquilo? E...como ele não havia sequer percebido?

A seriedade estampada nos olhos felinos de Kyoko deixava óbvio que aquilo não era uma brincadeira. O pequeno corte era só um aviso e havia sido feito somente ao desembainhar sua espada. Ela mantinha a katana na mão direita, com o punho virado para fora deixando a ponta da mesma quase tocar o chão. Na outra mão a bainha negra onde uma raposa de nove caudas estava belissimamente desenhada em ouro .

—Kanon...- Saga alertou o irmão e este achou melhor ficar em posição.

— Eu vou te fazer um belo buraco nessa barriga...cunhadinha. – Ironizou.

Saga simplesmente não conseguia dizer nada. Algo em seu íntimo lhe dizia que mesmo estando em três eles ainda assim estavam em desvantagem mesmo parecendo impossível. Um cheiro estranho e um tanto familiar rondava a arena, mas achou que aquilo não passava de obra de sua imaginação ou algum truque de Kyoko para distraí-lo.

Milo segurou o Bo com as duas mãos e caminhou devagar com a perna esquerda na frente. Kanon caminhou um pouco para o lado como um felino enquanto Saga mirava os olhos bicolores de Kyoko. Ela sorriu maligna.

Mal teve tempo de processar aquilo, pois o golpe veio direto em seu pescoço. Ergueu a espada por puro instinto, se protegendo sem nem ao menos perceber.

— Que rápida. – Mu comentou.

Milo partiu para o ataque, segurando na ponta do Bo para acertar Kyoko. Ela usou a bainha da espada para aparar o golpe. Um chute fortíssimo acertou Milo e com a mesma perna, Kyoko deu um chute reto na direção de Saga para afasta-lo, pois Kanon atacou com tudo. Ela usou novamente a bainha para conter a lança usada pelo dragão marinho, golpeando com a espada de baixo para cima com uma precisão e velocidade gigantesca que Kanon achou que seria acertado, mas por sorte – ou azar — a lança fora partida ao meio. Acabou por se distrair com aquilo e não vendo a bainha da espada partir em sua direção.

— Kanon! – Milo gritou, em vão.

A bainha acertou em cheio o rosto do marina o lançando longe. A poeira subiu pelo local deixando todos de boca aberta. Kyoko sorriu.

Milo trincou os dentes de ódio atacando como um louco por todos os lados e em uma velocidade incrível. Kyoko desviava de alguns e em outros usava a bainha como proteção deixando o escorpião ainda mais furioso.

— Desgraçada. – Rosnou.

Saga partiu para o ataque junto com Milo. Desferiu um golpe e Kyoko desviou para um lado, desferiu outro e ela fez a mesma coisa, jogando o tronco para trás, desviando do corte e lançando um chute reto para acertar a barriga de Saga, obrigando-o a se afastar um pouco.

—Que droga! – Milo rosnou outra vez ao ter seu Bo agarrado pela cauda de Kyoko.

Saga correu na direção dela desferindo um golpe forte e rápido. Ela aparou com a espada ficado assim bem próximo do rosto dele. Milo puxou o bastão, mas a única coisa que conseguiu foi receber uma descarga elétrica fortíssima. Ele berrou de dor sendo lançado longe logo depois com bastão e tudo. A arena estremeceu quando ele acertou o paredão.

—Você não está levando a sério, cavaleiro de gêmeos. – Sussurrou quase o beijando. Só não o fez por conta das espadas cruzadas em meio a si e Saga.

Kanon se reergueu sacudindo a cabeça.

— Isso é ridículo! Como ela pode ser mais rápida do que nós? – Milo falou entre os dentes se reerguendo também.

No centro Kyoko atacava Saga por todos os lados. Ele tentava contra-atacar, mas com uma espada na mão Kyoko era mil anos luz melhor do que ele. Odiou ter de admitir aquilo.

A bainha da espada acertou seu estômago no momento em que ergueu a espada que usava para atacar. Sangue saiu pela sua boca, mas antes de cair de joelhos um novo golpe o acertou no rosto o lançando contra uma das arquibancadas. Kanon atacou com as mãos nuas, disparando socos e chutes e algumas rajadas de cosmos. Kyoko desviou de algumas e usou sua espada para cortas os golpes lançados pelo cosmo do marina.

Milo soltou o Bo sentindo o orgulho ferver nas veias. Sua unha despontou no indicador e de uma só vez disparou quatro agulhas.

Kanon sentiu uma dor aguda no peito e Saga, que mal havia acabado de levantar, sentiu a coxa esquerda em chamas. Milo ficou paralisado. Aquilo não era possível. Ninguém nunca havia escapado de suas agulhas ainda mais...

— Desviou as agulhas. – Balbuciou incrédulo.

Kyoko sorriu de lado.

— Isso...é...impossível! – Kanon quase berrou tocando o local da ferida. Saga segurou a coxa sentindo os efeitos do veneno do escorpião. — Merda! Ela não pode ser tão rápida. Não! Não...pode...quando...quando foi que...ela ficou tão rápida?

Kyoko movimentou a katana em uma sequência de cortes que mais pareciam sido feitos a laser em direção a Milo. Ele usou o Bo para se proteger, mas a arma não suportou, partindo em pedaços e fazendo os cortes da katana da kitsune acertarem o cavaleiro.

Milo soltou um urro antes de cair ensanguentado.

— Essa é a guarda de Atena? – Kyoko ironizou abrindo os braços e girando pelo lugar. — Tenho pena dela.

Kanon sentiu o sangue ferver nas veias com a ofensa. Ficou de pé elevando o cosmo ao máximo.

— Vai pro inferno sua filha da puta! Explosão galáctica!

A arena inteira sacolejou com o golpe e Mu teve de usar sua muralha de cristal ao redor do lugar para proteger os aprendizes e outros que observavam a luta, ou que tentavam por conta da velocidade.

— Resiste a isso. – Zombou.

Alguns segundos depois a fumaça começou a se dissipar e para a surpresa deles, Kyoko surgiu no meio dela sem um único arranhão. Saga, Kanon e Milo ficaram paralisados.

—Impossível! – Saga balbuciou. Kanon mal conseguia processar aquela informação.

— Só isso? – Ela falou segurando a espada com as duas mãos. — Minha vez.

Ela então deu um corte no ar e antes mesmo deles pensarem em piscar Kyoko surgiu na frente de Kanon iniciando uma sequência de socos alucinantes, acertando somente o rosto do marina por todos os lados. As pancadas eram dadas tão rapidamente que o punho dela só podia ser visto pelos cavaleiros de ouro fora da arena.

— Kanon!!! – Saga berrou.

— Por que ele não está desviando? – Aiolia indagou nervoso de fora da arena.

— Por que ele não consegue. – Mu respondeu.

— Como é que é?! Isso é impossível, eles são cavaleiros de ouro!!! – Berrou indignado o leão.

Saga correu na direção do irmão e Milo também. Kyoko segurou Kanon pelos cabelos. Esse berrou de dor ao ser usado como escudo na direção de Saga.

— Droga. – Saga grunhiu ao levar um soco potente no rosto.

Milo tentou atacar também, mas Kyoko novamente usou Kanon como escudo e o jogando contra o escorpião com um chute, para logo em seguida disparar outro fortíssimo de lado, acertando a lateral do corpo de ambos os cavaleiros. Kanon sentiu suas costelas partirem e Milo sua bacia.

Saga colocou uma das mãos no joelho sem conseguir acreditar no que estava acontecendo. Três cavaleiros de ouro sendo surrados por uma só pessoa era a coisa mais...inacreditável do mundo. Quando foi que Kyoko havia ficado tão rápida? Aquilo não era possível! Ele havia conseguido seguir seus movimentos na luta contra Arachna então, porque agora ele não conseguia ao menos se defender? E por que a cada golpe ela parecia ficar ainda mais forte e mais rápida?

Gêmeos sacou a espada que estava caída ao seu lado e a segurou com ambas as mãos. Kyoko sorriu entendendo o que ele queria. Invocou sua katana outra vez, jogando a bainha longe e atacou sem piedade. As lâminas tilintaram e faiscaram ao se encontrarem. E uma sequência de golpes parecia iluminar a arena mesmo com o sol ainda brilhando no céu. Um dos golpes de Kyoko aceitou a lateral do braço esquerdo de Saga e outro no dorso. Ele resmungou de dor, mas não parou. Avançou sobre ela outra vez fazendo as espadas se cruzarem diante do rosto de ambos.

— Hiroaki não terá pena de você, Saga. Ele já o teria matado a muito tempo. – Saga arregalou os olhos sentindo a pressão do golpe de Kyoko aumentar gradativamente. — Como diz que irá derrotá-lo se você não consegue nem me tocar? Esqueceu-se de quem sou? Antes de tentar chegar até ele você precisa me vencer.

Milo se reergueu e quando apontou o dedo para atacar Kyoko por trás, ela agiu mais rápido: Segurou sua katana com a mão direita sem se afastar de Saga e com a esquerda lançou sobre o escorpião três shurikens, acertando ambas as coxas e o ombro. Milo berrou caindo de joelhos.

— O que está havendo? – Afrodite perguntou exacerbado.

— O problema não é ela. – Dohko fez uma pausa. — São eles!

— Como assim?! – Aldebaran inqueriu.

— Ela não está rápida e sim eles estão ficando lentos e fracos só que não conseguem perceber.

— O quê?? – Todos ficaram surpresos.

—É a espada. Enquanto ela estiver com aquela espada nunca será derrotada. Ela fica mais poderosa quando a usa enquanto eles ficam mais fracos. – Disse Camus.

— Mas...mas isso é trapaça! – Aiolia rosnou indignado.

— Não Aiolia. Se a Kyoko está fazendo todo esse estrago, eu prefiro não imaginar como seria Hiroaki.- Mu falou e todos arregalaram os olhos. Era como se eles tivessem finalmente lembrado de onde Kyoko vinha.

Na arena ela observava Saga tentando se reerguer; vários cortes espalhados pelo corpo manchando sua roupa surrada de treino e pintando o chão de terra com gotas de sangue, um corte em uma das sobrancelhas e outro na maçã esquerda. Enfincou a espada no chão para usá-la como apoio. Olhou ao redor e viu seu irmão desmaiado depois de ser eletrocutado por Kyoko pela terceira vez. O geminiano ainda tentou usar a Outra dimensão, mas a Katana mostrou-se mais poderosa. Sentiu as vistas embaçarem e algo quente escorrer de uma de suas narinas. Passou a mão e viu o líquido carmesim em seus dedos. Estava colocando sangue pelo nariz.

Ela então segurou a espada com ambas as mãos e a posicionando no alto de sua cabeça. A perna direita para frente e a esquerda para trás. Era melhor acabar logo com aquilo. Maltratar Saga era como se auto infligir. Aqueles golpes doíam nele, mas também doíam em si. Ainda assim sabia que eles haviam sido necessários, mesmo que não tivesse surtido o feito que queria. O efeito que ele precisava para vencer. Mirou Fukuro no alto da arena e seu semblante entristeceu-se. Não queria que aquela lição acabasse daquela maneira.

— Vamos acabar com isso. – Kyoko disparou na direção do amado e seu kiai explodiu por toda a arena. Todos prenderam a respiração.

—Aaaii minha deusa Atena eu não quero nem ver. – Afrodite cobriu os olhos com as mãos. Era surreal ver o grande cavaleiro de Gêmeos ser partido em dois pela mulher que amava.

— Saga!!!!- Gritaram os outros.

E no último segundo ela parou. A lâmina da katana a milímetros do rosto de Saga entre seus assustados olhos verdes. Algo chamou a atenção de Kyoko, e não só dela e sim da arena inteira. Uma cosmo energia gigantesca fez seu corpo inteiro se arrepiar e todos ficarem pasmos. Virou na direção e um sorriso de lado brotou em seus lábios.

Mais afastado Milo de escorpião estava novamente de pé. O corpo aprumado e ofegante, a roupa de treino rasgada e suja de poeira e sangue, e as shurikens ainda presas em seu corpo, mas nem isso o ofuscou, tampouco o incomodou, pois, o brilho de seu cosmo crescendo e crescendo infinitamente encheu o peito de Kyoko de esperança.

— Até que enfim. – Ela sussurrou.

— Sua FILHA DA MÃE!!! – Ele berrou fazendo seu cosmo aumentar de uma forma antes nunca vista, mesclando-se entre o dourado e o escarlate. Os cabelos de Milo se ergueram completamente e seus olhos foram consumidos pelo brilho dourado de seu cosmo. Um turbilhão de poeira rodou ao redor do cavaleiro, erguendo pequenas pedras e a terra do lugar. Algumas pessoas cobriram o rosto com os braços por conta da terra e também pelo brilho forte do cosmo do escorpião.

Milo deu um berro de ódio e correu na velocidade da luz na direção de Kyoko, disparando socos e chutes. Ela desviou dos que pode e os que não pode protegeu-se com os braços. Contra-atacou com um golpe de sua espada feito de baixo para cima, afastando Milo em uma derrapada. O lugar inteiro ficou em silêncio e o cosmo do escorpião se apagou na mesma velocidade em que cresceu, deixando tudo calmo outra vez. Ele mirou a kitsune com os olhos cansados e um semblante dolorido. A arena inteira seguiu os olhos de Milo, já que ele esboçava seu famoso sorriso jocoso.

— Ele conseguiu. – Mu sussurrou.

— Muito bem! – Kyoko falou olhando para si mesma e vendo as marcas de quatro agulhas do escorpião brilhar em seu corpo. Uma no ombro, barriga, coxa direita e braço também direito.

— Eu...consegui. – Fez uma pausa. — Eu...te acertei.

Kyoko sorriu colocando a espada de volta na bainha. Caminhou até próximo dele e vendo na mão direita dele o pequeno gizo envolvido entre os dedos machucados.

— Parabéns...Milo de escorpião. – E lhe deu um beijo leve na testa.

Milo caiu desacordado e logo em seguida Saga o acompanhou. Os amigos correram para arena e levando logo os feridos para a enfermaria. Mu parou por alguns instantes observando Kyoko e logo em seguida sua espada, agora, devidamente embainhada. Ela sorriu para ele e bufou satisfeita ao ver nos olhos do ariano que ele sabia e entendia o que havia acontecido ali. Ao menos um deles havia conseguido. Olhou para Fukuro e sorriu. É...aquela maluca parecia ter razão. Mesmo não tendo sido Saga a fazer aquele feito, pelo menos um deles mostrou que o que ela achava ser impossível era sim possível. Agora precisava deixá-los descansar para depois ensina-los aquela técnica de verdade, pois o verdadeiro inimigo não seria nem um pouco condescendente.

♊oOoOo♊

Uma semana tensa passou desde que Saga, Kanon e Milo estavam em coma no melhor hospital da Grécia. Era quase impossível acreditar que Kyoko havia conseguido aquele feito. Saga nunca havia sido derrotado e agora ele mal conseguia respirar sem um aparelho. A raposa sumiu do santuário nesses dias e ninguém sabia mais onde procurar por ela.

Quando a luta acabou Saga, Kanon e Milo foram levados às pressas para a enfermaria, mas ao chegarem lá o médico que atendia no lugar informou que o estado deles era pior do que aparentava e ordenou que fossem encaminhados e internados no melhor hospital possível.

—Merda – Grunhiu Aiolia. Estava inconformado com o estado dos amigos.

—Calma Aiolia, não adianta ficar desse jeito. Só vai piorar as coisas. – Mu tentou apaziguar.

—Como posso me acalmar áries?! Eles estão morrendo e aquela desgraçada simplesmente desapareceu sem deixar rastros. Como ela teve...coragem de fazer isso com o próprio Saga?

— Tem alguma coisa errada nessa história.

— Não tem nada de errado nessa história Aldebaran. – Completou o leonino.

—Ahhh Aiolia, por Atena, quer se acalmar? Nós sabemos que você não suporta a Kyoko, então qualquer motivo para você será suficiente para acusá-la de tentar matar alguém. – Afrodite ditou irritado. – Não podemos nos precipitar. A Kyoko pode não ser humana e sim, ele meteu o kct naqueles três, mas de uma coisa eu tenho certeza: Ela jamais iria ferir o Saga se não tivesse um bom motivo pra isso. – Completou cruzando os braços. A teimosia de Aiolia era de deixar qualquer um ainda mais nervoso.

E antes do leonino ter tempo de rebater, Camus adentrou o templo de Áries. Todos o fitaram aflitos na esperança de alguma boa notícia, mas pelo seu semblante as coisas pareciam não ter melhorado em nada. O aquariano parou próximo aos companheiros e pôs ambas as mãos na cintura, respirou pesadamente e um nó formou-se em sua garganta. Estava perdendo as esperanças.

— Como eles estão? -Aldebaran arriscou.

— Estão morrendo. – Confessou. Um silêncio mórbido no ar.— Milo...non irá durar mais do que...dois dias por conta dos sangramentos.

— Tá...tá...falando...sério? – Afrodite indagou vacilante.

Camus mordeu o lábio inferior. Estava péssimo. Por mais que mantivesse a pose de inabalável Milo era seu melhor amigo desde criança e era como o irmão que nunca tivera na vida. Era doloroso vê-lo morrer e não poder fazer nada.

— Estou. – Fez uma pausa. – Ele está...sangrando por...todos os...orifícios do corpo e os médicos non sabem mais o que fazer pra conter as hemorragias. Saga e Kanon...também começaram a sangrar hoje cedo.

— Por que? – Aiolos sussurrou — Isso...isso não faz o menor sentido. A Kyoko ela...ama o Saga. Que tivesse tentado matar Milo e...Kanon, mas...o Saga?! Ela quase morreu pra salvá-lo. Não faz sentido isso. Não faz sentido tentar matar ele...desse jeito.

—Seja lá o que ela tenha feito...- Camus bufou. —Está matando eles.

— É o ar.

Todo viraram na direção da voz.

— O ar? – Aiolia perguntou.

— Sim... Eles foram envenenados pelo ar do Makai. – Shaka caminhou devagar até próximo a eles.

— Mas...como eles podem ter sido envenenados pelo ar do Makai se eles não foram lá? – Afrodite.

Shaka respirou fundo: — Não há necessidade de irem até lá para isso. – Fez uma pausa. — Quando Kyoko estava na arena com Saga, Kanon e Milo ela podia se mover tão rápido quanto eles, chegando a certo momento ficar ainda mais rápida que eles. Só que...a Kyoko não pode se mover na velocidade da luz sem proteção. Nem nós podemos nos mover na velocidade da luz sem nossas armaduras. Por mais forte que sejamos, nossos corpos são humanos. – Todos prestavam a detida atenção a Shaka sem ao menos piscar.

— Então...como ela conseguiu? – Afrodite perguntou confuso.

— Fendas.

— O que? – Aiolia

— Sim, fendas. A Kyoko não corre, ela se move através de fendas abertas entre um mundo e outro que são feitos por sua espada.

— É como um teletransporte. – Mu observou.

— Exato. – Shaka confirmou. — Kyoko consegue passar por essas fendas fazendo com que se mova em uma velocidade alucinante e tão rápido quanto nós, só que quando ela faz isso uma pequena quantidade do ar do Makai sai por essas brechas o que a deixa ainda mais poderosa do que já é, mas em contrapartida faz com que enfraqueçamos. Inconscientemente Saga, Kanon e Milo já haviam inalado o ar antes mesmo da luta começar.

— Foi quando ela retirou a espada da bainha a primeira vez. – Observou Aiolia.

— Sim. Antes mesmo da luta começar, Saga e os outros já haviam respirado o ar sem perceber e continuaram até o fim da luta.

— A Keiko havia dito que o ar era muito tóxico para os humanos, mas...eu não consigo entender: Se a Kyoko sabia que podia matar o Saga com isso, porque ela agiu dessa maneira? — Inqueriu Aldebaran.

— Por que ela queria nos mostrar como usar. O ar é tóxico sim, mas quando se acostuma, ele tem efeito reverso, nos dando mais força do que o normal. – Confessou Shaka.

—Milo. – Camus balbuciou.

— Milo foi o único deles que conseguiu. Por um segundo ele conseguiu usar o ar tóxico a seu favor, fazendo com que seu cosmo crescesse de maneira infinita o deixando de igual para igual com a Kyoko.

—Ou ainda mais poderoso. – Mu completou.

— Kyoko está tentando nos mostrar como vencer. Ela estava tentando ensinar ao Saga a usar o ar para ficar mais poderoso. – Shaka gesticulou. — Hiroaki e Naomi usam da mesma técnica que a Kyoko. Essa é a grande arma dos Kage. Acredito que seja por esse motivo que ela tem tanto medo que Saga enfrente Hiroaki.

— Se fosse uma luta de verdade, estariam todos mortos. – Mu falou preocupado.

— E não é só esse o problema. – Os cavaleiros observaram Fukuro entrar pelo templo de Áries. Seu semblante também era de preocupação. — Naomi é o grande problema. – Ela olhou para Aiolos e Afrodite. — A propósito, ela está com seus amigos que desapareceram.

—O que? – Todos disseram ao mesmo tempo.

— Carlo. – Balbuciou peixes colocando ambas as mãos na boca.

— Shura. – Aiolos sussurrou.

Fukuro olhou para os cavaleiros. — A Naomi tem o poder de recriar o ar do Makai em proporções gigantescas e se isso ainda não fosse ruim o suficiente ela consegue torná-lo...40% mais tóxico, matando até mesmo os youkais a sua volta.

—Ahhh que maravilha. – Aiolia falou cruzando os braços.

—As pessoas de Rodório jamais sobreviveriam a um ataque direto dela. Lutar contra Naomi aqui no santuário será um desastre. A Kyoko está tentando ensinar ao Saga, ensinar a vocês a dominar o ar. Se vocês conseguirem poderão lutar de igual para igual contra Naomi e Hiroaki, mas isso tem que ser feito... no Makai.

— Então...está na hora de começarmos com isso. – Aldebaran descruzou os braços, mas ainda mantendo o cenho crispado.

— Não é tão fácil assim. Se fosse...simples Saga, Kanon e Milo não estariam morrendo agora. – Fukuro fez uma pausa. —Os alquimistas levam anos para conseguir e as vezes nem conseguem. Expor vocês assim, dessa maneira é...arriscado demais e também...

— O Milo conseguiu. – Interrompeu o leonino.

— Por um segundo e agora ele está morrendo no hospital por conta desse um segundo. – A coruja quase gritou. — Ele conseguiu, mas mesmo assim foi demais para o corpo dele.

— Mas nós temos que tentar. – Afrodite expôs exacerbado.

— Eu sei. — Fez uma pausa. — Precisamos da Kyoko, só ela pode abrir as fendas e fechá-las depois.

— Onde ela está Fukuro? – Camus perguntou sério.

Ela olhou para ele: — Onde? E aonde mais ela estaria?

♊oOoOo♊

O jovem médico observava o monitor onde os batimentos de Milo eram exibidos. Seus sinais vitais estavam fracos e ficando ainda mais a cada hora. O médico bufou vencido. Já não sabia mais o que fazer parar salvar os cavaleiros e principalmente o mais novo deles. Era tão triste perder um paciente, por mais que não o conhecesse a sensação de derrota era sempre a mesma.

— Ele é tão jovem. – Compadeceu-se a enfermeira com uma das mãos no peito.

— É...- Sussurrou o médico sem tirar os olhos de Milo.

A enfermeira pegou um novo pano e calçou as luvas, umedeceu o pano com soro fisiológico e começou a limpar as placas de sangue no corpo do enfermo. Ele sangrava por todos os ofícios de seu corpo, suas veias também marcavam todo o corpo, deixando a pele morena com um tom esverdeado e também arroxeado, as unhas sangravam pelas cutículas e até mesmo pelo couro cabeludo. Vários médicos já haviam examinado o rapaz, mas ainda sim nenhum deles conseguiu encontrar uma solução para conter as hemorragias de Milo. Nunca haviam lidado com um tipo de envenenamento como aquele, até porque isso era a única coisa ao qual eles sabiam, mas mesmo assim não fez a menor diferença. Um tubo mais grosso descia pela garganta até o pulmão ajudando Milo a respirar, agulhas espalhadas por ambos os braços levando antibióticos e outras medicações para aliviar os sintomas. Fios presos no peito monitoravam os batimentos.

— Bom eu...irei ver os outros dois. Pedirei a um enfermeiro pra vir ajudá-la com a limpeza dele.

A enfermeira agradeceu com um aceno dando início a limpeza em Milo; começou pelos cantos da boca, depois as narinas vermelhas e ensanguentadas, em seguida os olhos onde lágrimas de sangue escorriam pelos cantos. Era como se a dor de Milo transbordasse por elas. Ela sorriu ao constatar que ele possuía cílios longos. Devia ter olhos lindos também. Jogou o pano em uma lixeira e já iniciando a limpeza pelos ouvidos até ser interrompida pelo enfermeiro alto e negro que veio para lhe auxiliar.

♊oOoOo♊

Um enfermeiro e uma enfermeira acabavam de sair do quarto onde Saga estava acomodado. Um silêncio pelos corredores tomados pela escuridão. Já passava das duas da manhã o que deixava o lugar ainda mais sinistro e frio do que naturalmente era.

No quarto relativamente amplo, somente o som da respiração pesada e do medidor cardíaco podia ser ouvido e uma pequena luz vinda da parede atrás da cama não deixava Saga em completa escuridão.

E no meio daquele breu, aos pés da cama, dois orbes luminosos surgiram de forma sinistra. O brilho dourado e florescente se destacando em meio a escuridão era de fazer qualquer ser em sua sã consciência se arrepiar até o último fio de cabelo, mas nesse caso Saga não tinha essa opção. Ele nem sabia estar sendo observado.

“Tão frágil.”, ela pensou começando a se aproximar. Os olhos mirando o semblante sofrido do homem, antes tão imponente, altivo, agora, só respirava por conta de um aparelho.

Caminhou um pouco mais até próximo ao suporte do soro que levava a medicação até o corpo dele. Suspirou pegando a borracha para garrote e amarrando o próprio braço esquerdo com a ajuda da boca. Pegou a seringa e devagar perfurou a veia protuberante e antes de terminar o que fazia voltou os olhos animalescos para a escuridão no teto, seus caninos expostos como de um cão raivoso e em um sussurrou ordenou:

— Saia daí...agora.

Daquele meio um corpo disforme começou a se retorcer, se arrastando pelas paredes até estar no chão, se contorceu como um verme até ficar de pé. Ela então soltou a ponta da borracha que ainda mantinha entre os dentes e se pôs de pé. Os olhos sem ao menos piscar fitavam o intruso de forma assassina. Sabia melhor do que ninguém quem ele era e a quem servia. Sinceramente...nunca gostou dele, só de olhar para ele fazia seu estômago revirar.

—Está...infligindo...as...regraaaaasss. Não...poooode...dar...seu...saaangue...a...eleeee. – A sombra sussurrou como um fantasma. Ela nada disse. Ele deu um passo sôfrego em direção a Saga e apontou com o indicador. – Hiroaki-Sama...nuuuunnca a...perdoará por iiiiissssooooo – mais um passo arrastado como se fosse um disco arranhado. – Ele não vai sobreviver...volte...enquanto...ainda é...teeeemmmpooo, Kyoko-Sama.

O monstro deu mais um passo arrastado, movimentando o corpo de forma dolorida e agoniante. O dedo indicador ainda apontava para Saga, mas assim que parou do outro lado da cama ficando de frente a Kyoko, ele então estendeu a mão ressequida em direção a ela.

— Seu lugar não é aquiiiii...Hiroaki-Sama quer você de voltaaaaaa...ele está...a...sua...espeeeeraaaa. Esqueça o homem humano e volte para...caaaasaaaaa. – Sussurrou mais uma vez. A boca sem nenhum dente como um buraco negro sem fim.

Kyoko então olhou para o rosto de Saga mantendo a expressão séria e indecifrável. Realmente haviam regras as quais ela não podia quebrar, mas...regras? Han! Que regras?

A agulha perfurou o soro no suporte de uma só vez e o sangue caiu em meio a transparência até torná-lo carmesim por alguns segundos e depois voltar a cor normal. Um sorriso cafajeste brotou nos lábios de Kyoko e os olhos florescentes encararam os buracos onde deveria ser os olhos daquele youkai.

— É desde quando eu passei a me importar com regras?

O monstro abriu a boca sem dentes e se torceu como quem sentisse dor. Os braços secos como de uma múmia juntaram-se sobre o próprio peito de forma aflita e dolorosa. Deu um passo arrastado de volta a escuridão, e depois outro e mais outro, e antes de sumir completamente olhou para a raposa por cima dos ombros.

— Este homem será castigado por suuuuuaaaa caaaauuusaaaaa, e você... não poderá ...curar a dor que ele sentirá... quando a perda cair sobre... eeeeellllleeee. – Deu as costas a ela. — Vai se arrepender por ter feito iiiisssssoooooo...Kyyyoookooo. — e desapareceu na escuridão.

A kitsune mirou o cavaleiro por alguns segundos, depois acariciou a testa e as bochechas dele com os dedos, em seguida segurou a máscara que ajudava Saga a respirar e cobriu a boca dele com a sua, derramando goela abaixo sua saliva até aonde pode suportar. Respirou pesadamente quando parou colocando a máscara de volta no lugar e como um gatinho carente acomodou-se naquela cama minúscula entre os ferros laterais e o corpo de Saga com dificuldade. Prometeu a si mesma que ficaria acordada, ali, velando e guardando seu amado, mas o desgaste físico e as feridas das batalhas que enfrentou para manter Kanon, Milo e principalmente Saga em segurança, unidas ao cansaço de curá-los foi demais para suportar mais uma noite em claro.

Continua..

Notas finais
Olha que medo que me deu desse bicharoco aí do final. Só Kyoko mesmo, afff... Bjs galera e até. ;D