Uma estranha no ninho - Vol. I
22 Uma estranha dor.
Notas iniciais

Camus, Mu e Milo não conseguiam nem sequer piscar. Os três pares de olhos mirando de forma ameaçadora a mulher sentada no parapeito do chafariz localizado no centro da praça de Rodório. Alguma coisa que Camus não conseguia entender incomodava-o de forma extrema. Era como se já tivesse visto aquela cena antes, mas...onde? As palavras de Fukuro vieram como cascatas em sua memória e foi então que ele caiu em si. Engoliu em seco. Ele já tinha visto aquela mulher.
— Naomi...- Sussurrou atraindo a atenção de Mu e Milo.
— Ora, ora! Então, você sabe quem eu sou? — Questionou irônica ainda mantendo o sorriso meigo.
— Tem certeza? — Milo perguntou sem tirar os olhos da mulher. Aquele sorrisinho fazia algo dentro de si congelar.
— Oui! Nós a vimos no Makai antes de salvarmos a Kyoko.
Naomi nada disse, seu corpo vibrou de excitação em saber que Camus, o belo cavaleiro de Aquário lembrava-se dela mesmo que para ele não parecesse ser algo tão agradável assim. Mas de que isso importava? Camus não tinha nada do que gostar. Ele era só mais um humano e esse tipo de direito não cabia a ele.
— Fico feliz em saber que alguém tão... — Mordeu os lábios. — ...belo como você ainda se lembre de mim, até porque a ocasião não foi das melhores.
— O que você quer aqui? — Milo inquiriu ríspido.
— Eu?! — Fez-se de sínica. — Ora escorpião eu só...vim fazer a vontade de meu senhor.
Camus, Milo e Mu aprumaram ainda mais o corpo ao verem Naomi ficar de pé. Sua roupa era de certa forma extravagante, mas ao mesmo tempo sexy; o macacão negro justíssimo de gola alta possuía uma espécie de tecido transparente com bordados negros que vinha de seu ombro direito, passava por entre os seios e descia pela lateral de seu corpo até terminar em seu tornozelo esquerdo, na coxa direita um detalhe semelhante a escama de dragão se destacava pela beleza dos detalhes e a cor dourada, assim como sua ombreira esquerda se mesclava com o negro. Seu braço direito era protegido por um tipo de armadura que imitava a cabeça de um dragão negro com detalhes também em dourado, e como toque final uma capa com gola de penas negras desciam até seus pés. Ela deu dois passos para frente olhando ao redor com descaso, como se ali não houvesse nada além de lixo. O sorrisinho misto de sarcasmo e meiguice deixava a mulher ainda mais sombria.
— Então supúnhamos que a vontade de seu mestre seja destruir toda a raça humana, começando por nós. — Mu se pronunciou calmo como de costume.
Naomi mirou dentro dos olhos do ariano, deliciando-se no tom verde e sereno que ele possuía. Sua boca encheu-se de água só de imaginar provar o gosto da carne leitosa e sedosa dele. Mu era tão doce que conseguia agitar dentro de si uma luxúria e uma sede de sangue animalesca. Ao mesmo tempo em que queria tê-lo como um de seus escravos também desejava arrancar gritos de dor e pavor cada vez que um pedaço da carne daquele anjo em forma de homem fosse arrancada por seus dentes.
E delirando em meio a seus pensamentos psicopatas, Naomi deitou sua cabeça só um pouco para a direita e suas íris celestes foram tomadas por um azul vibrante e luminoso, afinando a pupila como de um predador faminto, um sorriso monstruoso entortou seus lábios deixando os dentes serrilhados assustar até os três cavaleiros, levando embora todo e qualquer resquício da mulher meiga ao qual falsamente aparentava ser, erguendo a mão esquerda para apontar sua unha longa, pontiaguda e com um leve curvar na ponta do indicador na direção do cavaleiro de Áries.
Mu sentiu sua mente ser invadida por uma enxurrada de imagens horríveis e brutais. Ele tentou lutar, pois ao ver a si mesmo sendo torturado de todas as maneiras possíveis ele soube que era ela mostrando o horror de seus desejos e suas vontades.
— Eu diria que não é à toa que você é o meu preferido. — Confessou Naomi agora com uma voz fantasmagórica. — Mu tremeu inconscientemente forçando uma luta contra as imagens que a youkai o forçava a ver. — Não precisa ter medo. Eu prometo que não vou machucar esse seu lindo rostinho.
De repente um estrondo pode ser ouvido do céu fazendo algumas pessoas gritarem e se encolherem, atraindo a atenção dos três homens e para a surpresa e o desespero de todos a barreira que rodeava o santuário começava a se desfazer.
— Está na hora. -Sussurrou a youkai.
— Atena!!! – Os três disseram exacerbado, olhando o 13º templo de forma assustada.
Naomi então ergueu ambos os braços de forma leve e cruzou as mãos na altura da cabeça, uma fumaça negra começou a sair deles, misturando-se com a mesma que saia da ponta de seus cabelos e de sua capa e devagar começou a desce-los de volta, fazendo a fumaça se espalhar pelo chão.
— Hora dos ratos começarem a correr. – Ironizou.
Vários buracos se abriram no chão de Rodório, as pessoas começaram a se afastar e algumas já voltavam para suas casas. Camus, Milo e Mu invocaram suas armaduras douradas onde já se preparavam para o pior. Naomi sacou sua katana abrindo duas fendas uma de cada lado de seu corpo para dar passagem a seus novos brinquedos: Shura e Máscara da Morte; e ainda mais cinco shinobis. E da fumaça vários youkai assemelhando-se a cães com chifres e dentes enormes saltaram já dando início a uma sequência de ataques ferozes as pessoas do vilarejo, causando um caos e gritaria por todo lugar. Milo, Camus e Mu mal tiveram tempo para processar aquela informação, abstraindo o fato de que agora seus companheiros de batalha eram inimigos.
—Matem todos. – Ordenou a mulher aos guerreiros a sua volta. – Ah! Com exceção de Áries e Gêmeos.
—Tire essas pessoas daqui!! – Gritou Camus à Mu, mas antes dele se teletransportar algo pareceu prender ele ali impedindo que saísse.
— Não...consigo. – Confessou sôfrego.
Camus trincou os dentes, olhando de um lado para o outro em busca de uma solução. Pessoas corriam de um lado para o outro desesperadamente, tropeçando umas nas outras em busca de refúgio. Camus fuzilou Naomi com o olhar, recebendo como resposta o sorriso maléfico. Naomi deu as costas a ele voltando devagar para o chafariz. Camus crispou ainda mais o cenho e sem demora avançou sobre ela, sendo impedido a milímetros de seu ar congelante pegá-la por um dos ninjas. Este segurou o ar frio com uma das mãos, lançou o mesmo para longe e partiu para cima do aquariano.
—Nunca perdoarei seu atrevimento, humano insolente! — Rosnou o shinobi com sua voz grossa sendo abafada pela máscara negra.
—Então você vai morrer primeiro! — Sentenciou Camus iniciando uma rara luta corporal.
Milo começou a atacar freneticamente os monstros para defender as pessoas. Elas não podiam ficar ali na vila. A fumaça de Naomi ainda agravava a situação fazendo com que eles também enfraquecessem se continuassem ali. Enquanto atacava guiava as pessoas para que se refugiassem nas doze casas onde Aldebaran as guiava, contudo, a maior dificuldade eram os monstros que pareciam que nunca teriam fim. Cada vez que um deles caia, dois se levantavam. Se continuasse nesse ritmo aquela guerra nunca iria acabar.
Naomi sorria satisfeita com o caos. Amava ver os humanos daquela maneira, como formigas ou ratos morrendo de medo. Olhou para as doze casas ficando ainda mais satisfeita ao avistar quem mais esperava: Saga. Este vinha acompanhado de Kanon, Aiolos e Afrodite. Ahhhh...nada poderia estar saindo na mais perfeita ordem.
— Até que enfim.
Ela então voltou a ficar de pé, seus olhos foram consumidos por um brilho azul florescente junto com seu pulso. Ergueu a mão direita, expondo suas garras como um tigre, fazendo a mesma se energizar e de uma só vez lançou para o céu causando um som semelhante a um tiro de canhão. Um buraco gigantesco começou a rasgar o céu, empurrando as nuvens para dar passagem a quem eles menos queriam ver: Negotamai.
Saga, Aiolos, Kanon, Camus e Afrodite estatelaram-se diante daquela serpente gigantesca. Ele agora já não mais se assemelhava a um dragão marinho, mas sim um Dragão Negro cuspidor de fogo e com asas enormes. Uma cauda espinhosa e patas gigantes, com unhas e dentes inimagináveis, e se isso não fosse ruim o suficiente ele ainda estava duas vezes maior e muito mais poderoso.
Negotamai soltou um berro grotesco, voando por sobre o lugar criando caos ainda mais. As pessoas gritavam e corriam sem saber para onde ir.
Shura ao avistar Aiolos atacou sem pensar duas vezes, arrastando sagitário consigo para longe dali em meio a troca de socos e chutes, Máscara aproveitou a distração de Afrodite para levá-lo para o Yomotsu ainda tendo como brinde Milo de escorpião que tentou ajudar o outro. Os cavaleiros de prata investiam contra os Krokons* junto com Ikki e Hyoga. Negotamai berrou outra vez fazendo o chão do santuário tremer, e em seguida respirou fundo e cuspindo o líquido que se incendiava em contato com o ar. Uma labareda imensa partiu em direção a escadaria onde as pessoas se refugiavam para ter acesso as dozes.
Mu rapidamente usou sua muralha de cristal, bloqueando o fogo para dar tempo de as pessoas continuarem correndo.
Saga observou a cena sem saber por onde começar. De longe avistou Naomi e recebendo em troca um sorriso maligno. Ele então correu em sua direção sem pensar duas vezes. Precisava deter aquela mulher o mais rápido possível ou ela destruiria tudo e a todos, e ainda pegaria Kyoko.
“Kyoko?!”, pensou. “Onde ela está? ”.
Saga parou olhando de um lado para o outro em meio à confusão de pessoas e monstros, Kyoko devia estar por ali. Ela jamais deixaria que youkais machucassem aquelas pessoas. Precisava encontrá-la primeiro, para só depois acabar com Naomi.
— Kyoko!!!! – Berrou olhando de um lado para o outro.
E quando Saga se virou de novo avistou Lena caída, se arrastando para fugir. Ele correu até ela, matando dois Krokons que investiam contra ela.
— Por Atena! Senhor Saga!
— Lena você viu a Kyoko? – Inquiriu logo.
— Saga ela...ela foi atrás do Luy, meu Luy. Alguém...Alguém pegou meu filho.
O cavaleiro congelou.
—Kyoko...- Sussurrou. Olhou para os lados até voltar ao início. — Consegue andar? – A mulher acenou positiva. — Ótimo! Corra para casa de Áries. Mu está contendo o avanço dos youkais, mas antes me diga pra onde ela foi.
— Para o labirinto natural próximo a Starhill.
Saga sem pensar deu as costas a Lena, mas antes de sequer completar o movimento algo agarrou sua cintura o lançando para fora da vila com uma força e velocidade absurda. Era Negotamai. O dragão urrou já seguindo em direção a montanha para terminar o que começou.
— Ahhh...mas porque a pressa? Nós ainda nem começamos. – Ironizou Naomi, falando consigo mesma. — Me desculpe cavaleiro, mas Hiroaki-Sama não pode ser interrompido...pelo menos por enquanto.
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No labirinto Kyoko mal conseguia processar o que via. De todas as combinações possíveis aquela era a última que desejava ver. Se tivesse de escolher entre um e outro com certeza preferia que fosse Saga ali.
— Hiroaki. — Falou em um fio de voz.
— Ei, olha só quem chegou. – Os olhos diabólicos mirando os coloridos sem nem ao menos piscar. Luy ergueu a cabeça e olhou para trás.
—Tyoko!
—Sim, é a nossa Kyoko. – Confirmou fazendo a raposa tremer quando voltou seus olhos ao menino.
— Hiroaki...- Kyoko chamou em súplica. Era como se pudesse ler o horror dentro da mente dele.
—Ela está linda, não está? — Questionou a Luy voltando a olhar Kyoko por baixo das sobrancelhas. Um sorriso de canto surgiu quando o menino olhou novamente para ela sorrindo.
— Chim! A Tyoko é mutu munita.
— É...- Hiroaki confirmou.
—O sinho Saga é o namolado da Tyoko. – E de forma inocente Luy completou sua frase de uma maneira que Kyoko sentiu que morreria só com aquilo. Estava morrendo de medo, não por si e sim por ele, pois sabia que aquela simples frase invocaria o pior de Hiroaki.
— Ah! É mesmo? – Indagou irônico sem desviar os olhos dos aflitos da kitsune.
Luy acenou positivamente. – Elhe ola pra elha achim... — Fez uma cara de bobo.
Hiroaki deixou o sorriso morrer para o desespero maior dela. Kyoko engoliu em seco e com dificuldade chamou Luy, mas ele pareceu não ouvir. Hiroaki olhou novamente para o menino e de leve tocou em seu ombro. Kyoko gelou ainda mais.
—Por que você não mostra seus presentes pra Kyoko?
Luy voltou seus olhinhos verdes para o homem e sorriu. Acenou positivo e caminhou devagar até ela. Kyoko abaixou somente um pouco, sorrindo de leve na tentativa de esconder seu desespero.
—Você ganhou presentes?! Uall!!
— Chim, foi o amigu da Tyoko qui deu. Oh...
Luy em toda sua inocência enfiou as mãos nos bolsos tirando de lá um dos maiores sustos que Kyoko podia receber na vida. Ela prendeu o ar na garganta tentando não acreditar no que seus olhos estavam vendo.
— Até que ela foi bem corajosa. – Ditou o youkai.
Kyoko tremeu com aquela afirmação. Era dever de Fukuro proteger Luy e por conta de seu dever ela havia perdido a vida. A raposa mal conseguia acreditar. Como ele podia ser tão monstruoso, tão perverso a ponto de dar os olhos de Fukuro de presente a Luy? O menino, inocente acreditou fielmente que aquelas bolas não passavam de bolas de gudi e das mais diferente.
— Por que Kyoko? – Hiroaki indagou como que sem querer acreditar no que já sabia. — Por que você...teima em ficar contra mim? – Kyoko puxou Luy e prostrando-se na frente dele. O ódio do youkai era quase palpável para si, mesmo que ele não demonstrasse. — Eu fiz tudo por você...- A massamune surgiu na direita dele. — Eu te dei tudo e você... me abandonou por esses... porcos. — Completou apontando pra Luy. Ele agora já começava a se assustar. — Venha para casa comigo, deixe-os se matarem. Viva ao meu lado e juntos nós iremos...
—Eu nunca vou ficar do seu lado! – Interrompeu firme já sacando sua Katana.
Hiroaki observou o ato com seriedade e uma mistura de orgulho e decepção: Orgulho por ela se mostrar tão corajosa mesmo no estado em que estava e decepção pelo motivo ao qual fazia aquilo.
Em seguida apontou o indicador para ela e com um movimento rápido a acertou na bochecha. A raposa levou um susto, sentindo o líquido quente escorrer por sua bochecha. Ela não havia nem conseguido ver quando ele fez aquilo.
— Você quebrou a regras. — Apertou o cabo da espada. — Olhe o que fez consigo.
—Não me arrependo nem um segundo.
— Eu sei que não e é isso que me entristece e me aborrece.
— Luy...corre. – Ela sussurrou já antevendo o que aconteceria.
O menino tremia de medo, nunca em sua vida havia visto alguém tão assustador quanto aquele homem. Em sua cabecinha ele se questionava como um homem tão bondoso podia se tornar tão mau? Se ele disse amar Kyoko, porque estava agindo daquela maneira?
Ela bravamente segurou sua espada com ambas as mãos, o cabo na altura do rosto e a lâmina apontada para a diagonal direita. Estava fraca e muito ferida e o que era ainda pior: Hiroaki sabia disso! Mas mesmo assim não podia recuar, tinha que tentar pôr um ponto final naquela história e ainda por cima proteger Luy, que agora corria o quanto podia por aquele labirinto gigantesco. Era ela quem ele queria e se aquilo fosse acabar com aquela guerra e dar a Saga e os outros a paz que eles mereciam faria aquilo com todas as suas forças e de muito bom grado.
— Pois bem Kyoko se você não fará isso por bem... — ele então posicionou a espada na frente do corpo e com a ponta levemente direcionada a ela. – Então fará por mal.
Kyoko berrou seu kiai avançando contra Hiroaki com tudo que tinha, unindo as espadas no meio de ambos com um golpe violento e fortíssimo. Ele aparou a investida com facilidade e em seguida empurrou Kyoko com força. Ela derrapou para trás, só parando ao acertar um dos murros de arbusto. Ele avançou atacando com vários golpes precisos e habilidoso por todos os ângulos. Kyoko respondia no mesmo tom, sentindo a dor de suas feridas em cada movimento. Mesmo naquele estado Kyoko ainda era um kage. Hiroaki tinha essa ciência e sabia que se vacilasse seria morto. A kitsune administrava sua katana com gana e raça, mas mesmo assim sabia não ser páreo para seu mentor ainda mais por conta de seu estado atual.
Ele observando uma brecha atacou com um golpe mais forte e carregado de uma energia dourada, intensificando os cortes de sua massamune. A raposa usou a espada para se proteger, mas mesmo assim foi jogada através das plantas, atravessando por vários muros até sair do lugar e se chocar contra um pedregulho. Urrou se reerguendo logo. A luta mal havia começado e ela já começava a sentir o cansaço.
— Você não pode me vencer Kyoko. Eu prometo que se você vier comigo eu pouparei a vida do humano.
— Mentiroso!
Kyoko apoiou os pés na parede atrás de si, pegando impulso na direção do adversário e disparado vários golpes de kenjutsu contra ele. Ele movia-se de um lado para o outro desviando e as vezes usando a espada. Kyoko sabia o quanto ele era forte, mas não podia desistir. Ela nunca desistia! Berrou ao lançar vários raios contra ele de uma só vez. O Hiroaki cortou com a espada, desviando de alguns e contra-atacando com uma sequência de corte luminosos e rápidos. Kyoko desviou, iniciando uma corrida para se afastar. Mais alguns cortes de Hiroaki vieram em sua direção e ela mal conseguiu desviar. Suas feridas começaram a sangrar e a pingar no chão.
—Por que você tem de ser tão...perfeita?
Ela pareceu não ouvir. Avançou contra ele outra e outra vez, usando golpes precisos e potentes. As espadas cintilavam e tilintavam em cada encontro. Em uma sequência Kyoko pulou, girando no ar e caindo quase em cima dele. Hiroaki apoiou a lâmina da massamune em um de seus braceletes de aço e usando a espada como escudo, devolveu à Kyoko a pressão de seu próprio golpe com um único tranco. Ela fora empurrada outra vez, mas antes de ter tempo de assimilar aquilo Hiroaki disparou uma nova sequência de golpes cortantes e luminosos, acertando a raposa em cheio. Ela voou em direção a montanha de Starhill, marcando o rochedo com seu corpo até escorregar e cair no chão de joelhos sentido a ardência e a dor causada pelos cortes.
— Sua vontade de lutar sempre me deixou orgulhoso só é uma pena você ter escolhido usar todo esse potencial para uma causa tão...mesquinha. Acredite Kyoko eles não valem um grão de seu esforço.
— Shizuka na!(Cale a boca!)
Kyoko voltou a ficar de pé com muita dificuldade, segurou o cabo de sua katana com ambas as mãos, seu corpo tomou um brilho azul e ela avançou sobre Hiroaki outra vez. Ele por sua vez defendeu os golpes com a massamune, devolvendo o ataque e causando novos ferimentos na raposa. Ela tentou defender um dos golpes, mas este foi ainda mais forte que os anteriores e ela acabou por ser lançada para o alto. Hiroaki pulou junto e por baixo começou a estocar a espada em todo o corpo de Kyoko: braço, perna, barriga, pé. No desespero tentou conter as estocadas com as próprias mãos, mas o youkai era muito mais poderoso, jogando Kyoko de volta, mas antes dela tocar o chão o inugami rasgou uma fenda fazendo ambos caírem ali e sumirem naquele poço que não parecia ter fim.
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Na montanha Saga invocava sua Explosão Galáctica contra Negotamai junto a Aiolia e Aldebaran que foram a seu auxílio. O monstro estava muito mais poderoso do que da primeira vez, graças a energia de Naomi.
Aldebaran desviou de uma rajada de fogo, contra-atacando com seu Grande chifre. O dragão usou a cauda para se proteger e atacar logo em seguida na direção de Aiolia. O cavaleiro moveu-se na velocidade da luz para esquivar e usar seus relâmpagos.
— Droga! Mas de que merda é feita a pele desse monstro? – Urrou Aiolia se esquivando outra vez.
Aldebaran atacou junto com Saga e fazendo enfim um corte no dorso do Dragão.
— Está sangrando, isso significa que ele não é imortal. – Falou Saga em toda sua imponência. Ele mais do que ninguém estava desesperado para acabar com aquela batalha. Não conseguia parar de pensar em Kyoko. Em seu íntimo algo lhe dizia que ela estava em perigo, mas mesmo preocupado ele não podia abandonar a batalha, tinha suas obrigações a cumprir. As pessoas de vila precisavam ser protegidas e mais ainda a deusa que estava no 13º templo. — Não podemos deixar ele voltar para a vila, temos de detê-lo aqui, senão os esforços de Mu serão em vão.
Aiolia e Aldebaran acenaram concordando. De todos os monstros presentes Negotamai e Naomi eram os mais perigosos e por isso tinham que ser contidos por grupos diferentes. Os cavaleiros de prata e bronze não teriam condições de lidar com aquela youkai e as centenas de Krokons ao mesmo tempo, sem falar nos ninjas que ainda faziam a guarda dela. Saga sabia que Shaka não deixaria os outros sozinhos e faria o que fosse preciso para deter aquela mulher.
E Saga estava coberto de razão.
Mu usava todo o cosmo que possuía para manter a Muralha na entrada das doze casas. Kanon, Camus, Hyoga e Ikki lutavam bravamente contras os Ninjas. Eles protegiam Naomi com unhas e dentes assim como os dourados faziam com sua deusa. Shaka desceu de seu templo no intuito de exterminar aquela intrusa, mas a presença maligna que o rondava levou o virginiano a manter a posição de defesa. Em seu íntimo algo lhe dizia que Naomi não estava ali para lutar e sim proteger alguém da mesma forma que o outro alguém já fazia. Mas a pergunta era: Quem era o outro? E onde ele estava? E como ele podia ser tão poderoso, conseguindo atacar diretamente a mente de Atena e destruir a barreia de proteção do santuário?
Um grupo de pessoas correu em direção a muralha. Shaka e Mu fizeram uma pequena brecha afim de dar passagem a elas, um ato que já irritava e muito Naomi. Maldito seja o cavaleiro de virgem!!
A youkai caminhou a passos duros. Estava na hora de esquentar as coisas ainda mais (se é que isso ainda era possível).
Ela então ergueu seus braços novamente e seu corpo inteiro começou a escurecer, sua boca ficou negra onde veias deslizaram por toda a face pálida deixando-a com a aparência ainda mais de um defunto. Ela puxou o ar com força, absorvendo toda a fumaça. Aquilo era um péssimo sinal.
—CORRAM! CORRAM AGORA! — Ordenou Camus.
Naomi pareceu se transformar em uma bomba de fumaça tóxica, espalhando o ar venenoso dez vezes mais poderoso do que da primeira vez e ainda em maior quantidade. Camus só teve tempo de pegar duas mulheres que corriam e Kanon, Ikki e Hyoga. Pularam pela pequena brecha aberta, mantendo assim Naomi e os youkais presos do lado de fora.
A fumaça era densa e tão forte que Shaka e Mu foram obrigados a potencializar o poder da barreira, forçado a mesma a ficar maior e tomar a forma de uma redoma de vidro.
Não era possível enxergar nada e do mesmo nada a youkai surgiu monstruosa no meio da fumaça a um centímetro da Muralha. Irritada com a intervenção de virgem deu um soco forte ali fazendo ambos sentirem aquele ato na própria carne. Ela então deslizou a mão na barreira e em seguida deu um beijo e lambeu.
— Sabe que não pode aguentar pra sempre. – Ironizou passando a língua na direção de Shaka. —Você já sentiu, não é?! Sabe que não estou sozinha.
Mu sentiu suas vistas embasarem. Apertou os olhos e seu cosmo oscilou, gerando um peso gigantesco para Shaka.
— O...quê? – Mu balbuciou ao sentir o líquido quente escorrer de suas narinas. Tocou de leve e viu sangue.
Mirou a youkai sem acreditar naquilo. Naomi arranhou a muralha com a unha do indicador e olhando dentro dos olhos do cavaleiro falou:
— Você não pode lutar pra sempre. Seu cérebro não aguentará o esforço da luta mental e em manter essa...porcaria no meu caminho.
Shaka crispou o cenho: Então, além de Mu estar manter a muralha ainda estava travando uma luta mental com alguém?
Ele não podia ficar ali somente fazendo aquilo, precisava contra-atacar nem que fosse para afasta-la e diminuir a pressão da fumaça. Seu cosmo então começou a se elevar mais e seus cabelos se ergueram pelo cosmo. Mesmo concentrado em ajudar Mu ele ainda podia pelo menos tentar afugentar Naomi.
— Tenkūhaja Chimimōryō!* — Gritou atacando a youkai e sacudindo seu rosário.
Naomi pulou desviando dos espíritos e cortando-os com sua espada. Alguns acertaram os Krokons e um dos shinobis também sofreu o ataque morrendo na hora.
— Está mantendo mais da metade de seu poder para compensar a fraqueza de seu melhor amigo e ainda assim consegue usar um golpe desse porte?! Esplendido! Então, já que gosta de brincar com mortos, está aí uma coisa que temos em comum. – Naomi ergueu seus braços outra vez e seu rosto fora tomado por veias negras, ela abriu a boca de forma monstruosa e um berro agudo, grotesco e imensamente alto saiu por sua garganta.
As pessoas mais sensíveis começaram a gritar e cair no chão desmaiadas e algumas mortas, outras tinham suas cabeças dilaceradas pela potência do som, mas se aquilo ainda não fosse ruim o suficiente as mesmas pessoas que já haviam sido mortas tanto por ela, quanto pelos outros youkais começaram a se reerguer.
— Aprecie o meu “Chamado dos mortos”. – Falou a youkai .
As pessoas mortas começaram a se levantar e atacar os soldados e os cavaleiros de forma agressiva e aterrorizante, transformando a redoma de proteção criada por Mu e Shaka em uma jaula de mortos vivos. O corre-corre recomeçou junto a gritaria. As pessoas empurravam umas às outras mesmo sabendo que ali seriam protegidas pelos cavaleiros, mas diante do caos e o horror causado por aquela mulher nenhum raciocínio conseguia ser lógico naquela hora.
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Mais distante, em meio a floresta Shura e Aiolos se digladiavam de forma sangrenta. Flechas e cortes se encontravam com força, derrubando árvores e rasgando o solo.
— Shura... Sou eu. – Aiolos tentou segurando o pulso de Shura bem próximo de seu pescoço.
—Eu sei quem você é e é por isso mesmo que você tem que morrer. – Falou disparando um chute.
Aiolos se afastou atacando com várias flechas. Shura desviou e contra-atacou com sua Excalibur. Os golpes se encontraram de forma violenta, abrindo uma cratera enorme no chão, lançando ambos os cavaleiros um para cada lado.
No Yomotsu Milo corria lado a lado a Máscara da morte. Ele nunca pensou que câncer pudesse lhe dar tanto trabalho. Afrodite tentava se esquivar e escapar das almas que insistiam em arrastá-lo para o buraco.
— Carlo para com isso! – Ralhou o pisciano usando suas Rosas Sangrentas.
Milo respirou fundo. Mesmo que ele não quisesse ele teria que fazer aquilo. Olhou para Afrodite e este entendeu o recado e mesmo a contragosto avançou sobre câncer. Uma luta corpo a corpo entre eles explodia rochas e rachava o chão. Ele precisava abrir uma brecha e com um soco acertou Máscara em cheio, fazendo o mesmo se desequilibrar e quase cair.
— Milo agora!!
Milo então acendeu seu cosmo e sua unha despontou ainda mais poderosa.
—Me desculpe Máscara! Agulha escarlate Antares! – Gritou atirando as 15 agulhas de uma só vez.
Todas acertaram o canceriano em cheio, fazendo o mesmo berrar de dor. Uma fumaça negra começou a sair do corpo dele ao mesmo tempo em que ele se contorcia de dor e agonia. As dores causadas pelas agulhas de Milo estavam fazendo o cérebro de Máscara ferver e o feitiço de Naomi sair por todos os poros de seu corpo. Ele ainda tentou lutar, mas a dor ficou ainda mais intensa quando Afrodite atacou também com suas rosas piranhas, fazendo finalmente o canceriano cair desmaiado e assim levando os três de volta ao santuário.
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Assim que caíram uma nova brecha se abriu como saída para Hiroaki e Kyoko no topo de Starhill e antes dela sequer tocar o chão a batalha novamente já se iniciava. Golpes sendo trocados de forma violenta e precisa destruindo tudo em volta.
Em dado momento Kyoko se afastou correndo por entre as pilastras até se encontrar com ele outra vez, iluminando aquele lugar escuro com o cintilar das lâminas. Um dos cortes da massamune foi extremamente forte empurrando a raposa para o precipício, mais um e ela caiu. Kyoko tentou se segurar nas pedras, mas sem conseguir enfincou sua espada ali, dando um giro e parando de pé na mesma. Olhou para cima e vendo no topo de Starhill, Hiroaki e toda sua imponência. Os cabelos negros e compridos dançando a favor do vento fresco e o olhar diabólico perfurando suas írises agora douradas.
— Diga-me o que você mais ama Kyoko e eu terei o prazer de tirar isso de você. – Hiroaki abriu os braços e sua energia desceu por seu corpo penetrando o centro da montanha.
Um tremor assustou Kyoko e o que ela não podia imaginar e nem acreditar aconteceu. A montanha começou a se partir e a ruir em sua direção. Seus olhos se arregalaram ao ver a sagrada Starhill vir abaixo como se fosse nada. Ela, sem alternativa, desceu da espada, segurando o cabo com a mão direita apoiou os pés na parede e impulsionou o corpo para trás, dando uma cambalhota no ar e usando a katana para partir os pedregulhos que iam em sua direção ao mesmo tempo em que ela mesma caia. Eram pedras enormes o que consumia muita força para quebrá-las. E de forma repentina uma dela foi cortada ao meio e Hiroaki surgiu com um ataque, iniciando uma troca frenética de cortes, tilintado suas espadas em uma dança rítmica, descendo em meio aos pedregulhos até enfim terminarem em uma nova fenda.
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Todos os cavaleiros e incluindo Naomi observaram a montanha de Starhill vir abaixo. Camus deu uma leve corrida sem conseguir acreditar que aquilo era real.
— Im...possível. – Gaguejou.
E foi nessa hora que um buraco surgiu no céu do lado de fora, atraindo a atenção de todos principalmente quando Kyoko saiu dali batendo fortemente contra o chão. Todos prenderam a respiração com a cena e ainda mais com a imagem de Hiroaki surgir logo depois de pé bem próximo a ela sem um único arranhão, diferente de Kyoko.
— É ele. – Mu balbuciou.
Foi aí então que todos eles caíram em si. Naomi era somente uma distração para que o verdadeiro alvo, Kyoko fosse pega em sua atual fragilidade. Os cavaleiros seriam obrigados a proteger as pessoas da vila e principalmente Atena, o que os levariam a automaticamente ter de deixar a kitsune a própria sorte.
Ao ver a cena de longe Kanon correu em direção a muralha. Um buraco dimensional rompeu e ele fora absorvido na velocidade da luz. Kyoko engoliu em seco ao ver a reação do gêmeo mais novo e principalmente a de Hiroaki e Naomi.
—NÃO! FIQUE AÍ!
Kyoko berrou se reerguendo como podia e no momento exato que Kanon saiu do outro lado uma dor aguda e forte no lado direito de seu abdômen o paralisou. Trincou os dentes. Em sua frente Kyoko gritou junto a si quando a espada enorme do inugami atravessou o corpo dos dois ao mesmo tempo. Na mesma velocidade Hiroaki puxou a lâmina somente um pouco, tirando a mesma do corpo de Kanon e jogando a kitsune para longe dele.
O marina caiu de joelhos cuspindo sangue. Olhou ao redor engolindo em seco. Naomi começou a movimentar uma quantidade da nevoa na direção dele. Se não saísse dali rápido morreria.
Concentrou seu cosmo usando a outra dimensão na tentativa de afugentar a youkai, mas Hiroaki agiu rápido, rasgando a dimensão criada pelo cavaleiro e abrindo uma nova logo atrás dele e com uma rajada de youki fortíssima empurrou o mesmo, jogando ele de volta atrás da muralha. Ele não queria ser incomodado por aquele homem.
Imponente ignorou os homens presentes e caminhou devagar até Kyoko, a rodeando como um predador enquanto ela tentava se reerguer outra vez. Vários cortes marcavam o corpo dela e tingiam o chão de pedra com seu sangue sagrado.
Naomi olhou o marina com um sorriso irônico. — Corajoso, merecia um beijo.
Kanon rosnou de ódio. Seu cosmo começou a crescer de forma agressiva deixando Naomi ainda mais entusiasmada. Estava louca para que ele saísse outra vez.
Kyoko se reergueu com dificuldade soltando uma golfada de sangue. Seus olhos dourados e felinos mirando o youkai de forma assassina, mas ele tampouco se importava. Ela não tinha mais escolha.
— Desista. – Afirmou imponente.
Kyoko sorriu de lado. Por um segundo seus olhos se encontraram com os de Kanon fazendo o cavaleiro paralisar. Ela sentiu o peito doer ao ver no rosto do marina a imagem do homem que amava.
—Não...- Kanon balbuciou.
Kyoko crispou o cenho e com dificuldades avançou contra Hiroaki. Ele desviou dos golpes e contra-atacou com um único corte certeiro. Mu fechou os olhos para não ver e gritos puderam ser ouvidos por conta da cena vista.
A raposa caiu novamente de joelhos levando a mão esquerda ao que restara de seu braço direito decepado na altura do bíceps. O sangue saindo em jatos potentes e tingindo o chão do lugar de vermelho vivo. Hiroaki por mais que quisesse que sua vontade fosse feita, ele no fundo – e de sua maneira — amava Kyoko demais, o que fazia os cortes disparados contra ela massacrarem seu coração. Ele não queria que Kyoko se machucasse e muito menos morresse, ele só queria que ela voltasse para casa...
Será que aquilo era pedir demais?
—Vamos voltar pra casa Kyoko e seremos como antigamente. Deixe eles e volte pra mim. Será só eu e você como nunca deveria ter deixado de ser.
— Mu me deixe passar. – Ordenou Camus.
— Não...posso. Se eu desfazer a muralha as pessoas iram morrer. Não... Podemos deixar todas essas pessoas morrerem, é nossa obrigação protegê-las. – Confessou o ariano com os olhos cheio de lágrima diante da imponência em que estava. O ar do Makai os enfraquecia só de tocar em suas peles, e se eles que eram cavaleiros treinados eram afetados violentamente, imagina as pessoas normais?!
O urro de Negotamai despertou a atenção de alguns e o som das explosões de Saga e os golpes de Aiolia e Aldebaran iluminaram a montanha, revelando a intensa batalha que parecia já estar começando a chegar ao fim.
De joelhos Kyoko deu uma leve gargalhada ao ouvir o pedido de Hiroaki. Ela então fitou bem dentro dos olhos dele, deixando todo seu desprezo por ele e por tudo aquilo transparecer naquele gesto.
— Quando você entenderá que eu nunca ficarei com você? O que mais eu terei que fazer pra que entenda que nunca serei sua? Não importa o que você faça, não importa quantas pessoas você mate, não importar quantos...membros meus você arranque, eu nunca vou amar você. – Hiroaki paralisou. Seu ego sendo dilacerado junto com seu orgulho. — Ele está aqui...- Indicou tocando o coração. — Dentro de mim e...mesmo que se passe mil anos, mesmo que ele morra ainda assim estará aqui...dentro de mim, vivo, forte e eterno. Nada do que você fizer irá mudar isso Hiroaki. – Ele franziu o cenho. — Nada do que você fizer irá arrancar ele de mim. Nada!
O inugami apertou o cabo de sua espada com força fazendo a mesma gemer com aquilo. Ele jamais esperava por aquela resposta. Esperava convencer Kyoko de sua loucura e que o lugar dela era no Makai ao seu lado, mas agora diante daquelas palavras ele teve a certeza do que Naomi já havia dito a ele milhares de vezes: Kyoko nunca o amou e nem nunca o amaria. O coração dela pertencia a Saga, o humano sujo e imundo, fraco e patético era o dono do coração de Kyoko. Havia perdido sua amada kitsune aquela a quem ensinou e cuidou com tanto zelo para um humano.
Por um segundo ele mirou os cavaleiros do lado de fora da barreira e seus olhos se encontraram com os de Kanon e olhar para Kanon era como olhar para Saga.
Saga de Gêmeos.
Sim! Era ele, era culpa dele. Ele havia causado aquilo tudo. Ele havia envenenado Kyoko.
Ele!!
Saga...Saga...Saga... Maldito...
Voltou a mirar a kitsune e seu ódio misturado com ciúme cresceu ainda mais por lembra-se das palavras cuspidas dela e exatamente por conta daquele sentimento odioso chamado inveja que Hiroaki fez o que ele jamais pensou em fazer em toda sua existência.
Kanon sentiu as pernas falharem e o coração parar dentro do peito. Mu fechou os olhos mais uma vez para ver se assim conseguia escapar do que ele sabia ser a mais pura e dura realidade. Afrodite, que havia acabado de voltar ao local junto com Milo berrou com ambas as mãos na boca sem conseguir acreditar no que presenciou, Camus prendeu o ar, virando o rosto para a direita afim de não ver a lâmina da massamune rasgar o pescoço de Kyoko em um único golpe.
Se Kyoko não podia ser sua, então ela não seria de mais ninguém!
O inugami ficou paralisado observando Kyoko se afogar em seu próprio sangue, os olhos coloridos marejaram fixos nos olhos de seu mentor. Olhou para o céu com os olhos perdidos, enquanto sua vida se extinguia a cada segundo. Dizem que quando você está prestes a morrer sua vida inteira passar em um segundo diante de seus olhos.
E foi então naquele momento que Kyoko teve a certeza de que só passou a viver depois de conhecer Saga. Um piscar de olhos e o sorriso dele veio a seu consolo e antes do seu último suspiro a frase “Eu te amo” findou seus pensamentos.
Hiroaki ficou imóvel. Seu semblante começou a modificar do irado para o melancólico e perdido ao se dar conta do que tinha acabado de fazer e como que um choque acertasse todo seu corpo ele pareceu voltar a si, mas dessa vez tarde demais, pois contra o que ele mais lutou o derrotou na frente de todas aquelas pessoas, ceifando a vida de Kyoko de forma cruel e covarde. Nem mesmo Naomi poderia imaginar que ele seria capaz, era irreal.
De longe Naomi sentiu uma oscilação de sentimentos e a aproximação de mais cosmos. Estava na hora de sair dali. Já estava feito e agora não havia mais volta. Kyoko finalmente estava morta assim como ela tanto desejou.
—Temos que sair daqui. – Disse abrindo uma brecha e segurando o inugami pelos ombros. Ele não ofereceu resistência, caminhando de forma letárgica com ela até a fenda. Naomi olhou por cima dos ombros mirando o corpo de Kyoko jogado no chão e uma satisfação gigantesca encheu seu peito de esperança.
Deu as costas ao lugar no momento exato em que Saga e os outros apontavam na entrada de Rodório, sumindo com seus Shinobis, Hiroaki e sua fumaça.
Afrodite foi o primeiro a se aproximar do corpo de Kyoko quando Mu e Shaka desfizeram a barreira. O pisciano ajoelhou ao lado dela, tocando seu rosto sem conseguir acreditar que estava morta. Era inacreditável aquela imagem e se para ele era uma dor tão profunda ver os olhos abertos e sem vida da raposa que encantava a todos, imagina para o guardião de Gêmeos. Kanon e Camus ao avistarem Saga correram em direção a ele.
De longe Saga avistou Afrodite ajoelhado ao lado de alguém. Por instinto apressou a corrida já sentindo o coração bater na garganta por antecipação. E se não bastasse seu sexto, sétimo, oitavo ou quinquagésimo sentido lhe dizer que algo pior do que imaginava tinha acontecido, ver Kanon e Camus virem em sua direção com cara de enterro era a confirmação de todos os seus medos.
— Kanon cadê ela? – Indagou em um fio de voz.
— Saga, por favor, não! – Kanon pediu segurando seu gêmeo com dificuldade.
— O quê? Como assim? – Saga puxou os braços tentando ver o que seu irmão tentava esconder. — O que está acontecendo?
— Saga...- Camus tentou ajudando Kanon a apartar o mais velho.
— Me larga! – Pediu já sentindo os olhos arderem. Kanon já não conseguia esconder a tristeza e as lágrimas desciam por seu rosto mesmo ele se esforçando em parecer forte para ajudar o irmão. — Não! Kanon, por favor, diz que...diz que não é o que estou pensando.
— Saga calma! – Pediu o marina ao sentir um empurrão do outro para que saísse do caminho.
Kanon até que tentou, mas não era justo e nem tinha como esconder aquilo do mais velho para sempre, mesmo que no fundo ele quisesse assim. Seu irmão já tinha sofrido tanto em sua vida, não era justo que mesmo depois de ser perdoado por Atena os deuses ainda insistiam em castigá-lo por pecados já espiados.
Sem escapatória deixou que seu gêmeo passasse e quando este viu o que ele mais pediu aos deuses para nunca ter que presenciar, sentiu seu mundo ruir como o mais frágil castelo de areia.
Suas pernas de forma automática o guiaram até ela. No chão uma poça de sangue crescia lentamente ao passo que o líquido carmesim ainda saia por cada corte do corpo de Kyoko. Os olhos abertos e sem vida miravam o céu mesmo sem poder contemplá-lo na realidade. Afrodite olhou o geminiano com tristeza entre lágrimas e soluços, voltando logo a mirar o rosto inexpressivo da kitsune. Saga observava a cena sem conseguir acreditar no que seus olhos viam. Não era possível que mesmo depois de tantas orações e tantos pedidos de perdão os deuses ainda o castigariam mais uma vez.
Rendeu-se a fraqueza de suas pernas, caindo de joelhos e puxando o corpo dela para seu colo.
—Não! Por favor! – Gemeu em meio ao choro que já começava a se tornar incontrolável a medida que a realidade dos fatos caia mais e mais sobre si. — Kyoko...não! Não, não, nãaaaaooo!!! Por favor, não me deixe!! Ahhhhh... nãoooo!!! – Gritou abraçando-a com força. O rosto mergulhado em meio os cabelos dela, o abraço apertado forçando o corpo inerte contra sua armadura. — Por todos os deuses! Não, isso não! Tirem-me qualquer coisa, mas ela não! Ahhhh...Por Atena!!! Isso não pode ser real! – Afastou o rosto dos cabelos dela, deslizando a mão suja de sangue pelo rosto sem vida, tateando toda a face como que buscando algum resquício de vida ou algum meio de fazer ela voltar. —NÃO FAZ ISSO COMIGO!! Kyoko voltaaaaa!! – Gemeu dolorido, tocando os olhos coloridos com cuidado para não fechá-los. A dor da realidade dilacerando todo seu corpo até os ossos e perfurando seu coração centena de vezes.
E do meio da multidão Keiko surgiu. Deu um grito desesperado ao ver a irmã morta nos braços de gêmeos. Shaka a amparou, puxando a garota para um abraço consolador ao qual ele sabia não ter nenhum, pois por mais palavras que fossem ditas, ou por qualquer coisa que fosse feita, nada mudaria aquele fato e o sorriso fofo e encantador em meio a covinhas nunca mais caminharia ou correria pelo chão do santuário levando alegria e entusiasmo por onde passava.
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Na casa de Gêmeos, Kanon observava o corpo de Kyoko inerte no altar onde deveria ficar a armadura de Gêmeos. Uma serva limpava o resto de sangue entre os seios dela e nas coxas, o pescoço já havia sido costurado e maquiado para esconder o corte horrível causado por Hiroaki, assim como os outros ferimentos.
Keiko entrou em um estado de desespero tão grande que acabou por desmaiar nos braços de Shaka. Saga mesmo já estando acostumado com perdas, não conseguia aceitar a morte de Kyoko. Ele mesmo carregou o corpo para a casa de Gêmeos e chorou por horas agarrado a amada. Kanon e Afrodite tentaram convencê-lo a deixar as servas cuidarem do corpo, mas este não aceitava que tocassem nela, acabando por ter uma crise nervosa pela insistência de seu irmão e do amigo. O marina preocupado com o estado de estresse excessivo do mais velho conseguiu com muito custo dopar Saga com alguns comprimidos misturados em um copo de suco.
Até para ele que viu toda a cena ainda não conseguia acreditar que Kyoko estava daquela maneira, morta sobre aquele altar de pedra frio. Kanon tinha ciência de que haveriam perdas naquela batalha, mas em nenhum segundo sequer imaginou que a perda seria Kyoko e que seu amigo e irmão novamente sofreria os danos.
Hiroaki sabia que jamais teria Kyoko como desejava, e por ódio e inveja, acabou por mata-la, invertendo as dores e jogando o peso sobre os ombros de seu gêmeo. Se ele não poderia ter a raposa para si como desejava, então ninguém jamais teria. Saga amargaria a perda de sua amada até o último dia de sua vida. Um ato cruel, masoquista e desleal.
— Por que meu irmão tem sempre que sofrer? – Sussurrou ao sentir um cosmo se aproximar. Era Afrodite. —Por que até quando os deuses lhe dão algo de bom, eles mesmos tiram isso dele?
— Não se pode entender os planinhos sujos desses deuses sádicos. Por mais que fazemos eles nunca estão satisfeitos. – Respondeu o outro. — Como ele está?
Kanon bufou acendendo um cigarro: — Dopado. – Tragou —Dormindo como anjo.
Este então se aproximou do corpo de Kyoko assim que a serva terminou seu serviço. Teve muito trabalho para colocar o braço dela de volta no lugar e maquiá-lo. Mirou o rosto bonito que ela tinha e lembrou-se do dia da luta contra Arachna e a brincadeira que fizeram com a mangueira d’água. Sorriu melancólico.
— Ele nunca irá se perdoar Afrodite. — Confessou vacilante.
— Ele é forte, vai sair dessa.
— Eu sei que ele é, mas ainda assim é humano, tem coração. Ele nunca se perdoou pelo que houve na guerra santa e muito menos por seus pecados quando...
—Não! Aquele não era ele. – Interrompeu peixes.
—Eu sei que não. – Kanon afastou a franja de Kyoko somente um pouco. —O questão é a luta psicológica que meu irmão nunca consegue vencer. Na cabeça do Saga, ele matou Shion, traiu o santuário causando uma guerra nas doze casas e a morte de pessoas inocentes que não foram ressuscitadas como nós e na Guerra Santa mesmo sendo por uma causa justa ele nunca se perdoou por ter matado Atena e agora...agora a Kyoko está... morta.
Afrodite fechou os olhos. Ele não aguentava mais ter que guardar tantos segredos. Sentia-se de certa forma culpado pela morte dela já que ele e Camus sabiam do estado físico que ela se encontrava e que jamais venceria uma luta seja lá contra quem fosse. Pensava que se talvez o geminiano soubesse daquilo ele teria redobrado sua atenção e guarda mantendo assim a raposa ainda mais segura e perto de si.
Aproximou-se um pouco tocando a testa dela. Uma lágrima solitária marcou o rosto bonito até pingar no de Kyoko.
— Ela sabia que não venceria. Sabia que no estado em que estava nunca derrotaria aqueles...monstros.- Kanon franziu o cenho. — Ela se sacrificou por ele, por amor a ele, ela trocou sua cura pelos ferimentos seus, de Milo e Saga.
Kanon crispou ainda mais o cenho estranhando aquela conversa do outro.
—Como é que é?
Afrodite bufou vencido: — Estávamos sendo espionados. Alguém observou a luta dela contra vocês, eles sabiam como vocês tinham ficado e que ela tentaria curá-los, mas...no caminho até o hospital Shura e Máscara apareceram e ela acabou lutando contra eles no Yomotsu. A luta foi muito violenta, ela tentou ajudar os dois, ela não podia ter feito o que fez...
—Feito o que Afrodite? — Rosnou o marina tão imponente quanto seu irmão.
—Curado vocês!!! — Confessou choroso. Kanon arregalou os olhos. — Quando a Kyoko cura alguém uma parte de sua saúde vai pro enfermo o que faz com que sua capacidade de se curar decaia. Em seu estado normal ela não sente os efeitos, pois sua energia e seu corpo estão em excelente estado, mas...
—Mas o que Afrodite? Desembucha de uma vez. — Rosnou se aproximando do outro.
— Mas se ela não estiver em um estado físico perfeito as consequências são desastrosas por que seus anticorpos param de curar suas feridas para curar as do enfermo. Sem anticorpos suficientes o seu processo de cura se torna tão lento quanto o de um ser humano ou até mais dependendo do caso. — Kanon ficou paralisado, olhando a raposa de forma perplexa. —Não foi culpa de ninguém, eles armaram para todos nós, ela não tinha como saber e nos mostrar a força dada pelo ar era nossa única esperança. — Fez uma pausa. —Ela só fez o que achava certo. Eu e Camus tentamos convencer ela a falar, mas ela não aceitou. Camus em respeito a sua decisão deu a ela três dias, mas não deu tempo. Eles atacaram antes.
Kanon afastou-se do outro para ver a raposa mais de perto. Um frio subiu por sua espinha e sua tristeza pareceu dobrar. Se ele que não tinha um vínculo sentimental com Kyoko estava se sentindo péssimo com aquela revelação, imagina seu irmão.
Afrodite umedeceu os lábios, aproximando-se de Kanon para continuar: — Kanon, por favor, não conte ao Saga. Não que ele não tenha o direito de saber, mas...dê um tempo a ele. Ele não merece sofrer mais do que já está.
O dragão marinho pensou por mais alguns minutos concordando por fim com Afrodite, decidindo que Saga não merecia saber daqueles fatos pelo menos por hora.
Mas a questão que ficaria era: Será que se soubessem antes, o desfecho daquela batalha não teria sido diferente?
♊oOoOo♊
“Abra os olhos. – Pediu e depois de alguns segundos ela obedeceu. —O que mais eu tenho que fazer para você entender que não quero seu mal? O que mais tenho que fazer Kyoko para que você confie em mim? Eu nunca tive nada de valor em minha vida até o dia em que os deuses enviaram você pra mim. Até o dia em que te conheci. Você é mais preciosa do que qualquer coisa que eu já tenha tido ou visto e eu sei e sinto que minha obrigação como homem e como cavaleiro, agora, é manter você segura. Você tem uma responsabilidade gigantesca e está querendo carregar o mundo nas costas sozinha. Sei que está fazendo isso pra proteger quem ama, mas... Não me exclua da sua vida ou me obrigue a deixar de proteger algo que eu amo por medo de confiar. Nós temos que fazer isso juntos. Eu, você e os outros. Todos nós estamos aqui pra te ajudar. Você não está mais sozinha Kyoko...Nunca mais. ”
— KYOKO!!! – Saga acordou aos berros, sentando na cama rápido e com a mão erguida para o nada. Seus olhos rodaram no ambiente procurando por ela. Tateou a cama e não encontrou.
Levantou exacerbado sem fazer ideia do quanto havia dormido, indo até o banheiro e voltando logo em seguida.
—Kyoko?! – Chamou baixinho, recebendo o silêncio daquele quarto parcialmente iluminado como resposta.
Ela não estava ali. Nunca mais estaria...
Levou a mão ao peito ao sentir uma pontada por conta da aflição e da tristeza. O cheiro das frutinhas impregnada em todos os lugares daquele cômodo e em seu corpo o torturavam ainda mais. Caminhou a passos pesados até a poltrona negra e se jogou ali, mas até ali o fazia lembrar de Kyoko: o sorriso maroto e os olhos coloridos mirando os seus de forma apaixonada e meiga. Os seus marejaram e sua dor pareceu triplicar. Encolheu-se como uma criança deixando a dor transbordar em cada lágrima. Gemidos e sussurros saindo de seus lábios como uma reza para que acordasse daquele pesadelo. Sua cabeça doía como se pregos fossem martelados até o cérebro.
— Kyo...ko!! — Gemeu trincando os dentes e chorando compulsivo.
Depois de quase uma hora Saga respirou fundo tentando se recompor pelo menos um pouco. Saiu do quarto do jeito que estava trajando somente uma calça de tecido fino. Os olhos inchados e os pés descalços sapateando o chão frio daquela, agora, casa sem graça e sem vida. Passou a mão no rosto com força, afastando as lágrimas que ainda teimavam em cair.
—KANON! – Berrou chamando pelo irmão. —KANON!
Este saiu da cozinha e correu atrás do outro.
— Saga...
— Seu filho da PUTA! Eu disse a você que queria ficar com ela! Onde ela está? – Inquiriu imponente e ríspido. — ONDE ELA ESTÁ? –Berrou por conta da hesitação de seu irmão. No fundo estava irritadíssimo por ter sido dopado e terem levado o corpo de Kyoko.
— Está no salão da armadura de gêmeos.
Saga deu as costas ao outro e saiu em direção ao local. Parou por alguns segundos ao sentir o cosmo do irmão bloqueando a porta. Mirou-o por cima dos ombros e este liberou a passagem. Saga tocou uma das portas com a mão direita, abrindo a mesma e vendo o corpo de Kyoko coberto por um manto dourado. Caminhou devagar até ela sentindo o coração despedaçar a cada passo.
— Eu selei a porta porque tive medo dele tentar roubar o corpo dela. – Confessou o mais novo.
— Shaka deu a ela um sari. Traga ele pra mim. – Ordenou e o outro obedeceu.
Quando Kanon saiu Saga aproximou-se mais dela para ver seu rosto. Ela mesmo naquele estado ainda assim era linda. Levou a mão ao rosto dela, deslizando os dedos pela pele fria e sem vida. Queria tanto vê-la sorrir uma última vez. Tocou o nariz fino e os lábios, antes rubros, agora exibiam o tom arroxeado.
Kanon tocou de leve no ombro de Saga para lhe entregar o que foi pedido, e foi nesse momento que Camus adentou devagar e parando somente a uns dois metros dos gêmeos.
Saga puxou o manto que cobria o corpo de Kyoko e com cuidado e carinho envolveu-a naquele tecido fino ao qual ela nunca havia tido oportunidade de usar.
— Ela ficou de mau comigo porque eu a acusei de ter roubado isso do Shaka. – Sorriu ao terminar. Um sorriso melancólico.
— Mon ami, quando quiser... – Informou Camus.
Saga acariciou o rosto de Kyoko mais uma última vez, deslizando os dedos da testa, pelo nariz e seguindo para os lábios.
— Eu vou vingar você Kyoko, eu prometo! – E com um beijo leve fez sua promessa. — Eu te amo!
Devagar se afastou do altar, mesmo seu corpo e seu coração lutando para ficar com ela mais um pouco. Camus entendeu o gesto e se aproximou junto com Afrodite. O pisciano depositou um buquê de rosas robustas e vermelhas sobre o abdômen de Kyoko, unindo suas mãos ali. Pensou que talvez aquelas fossem as rosas mais belas que ele já conseguira fazer na vida. Em seguida depositou um beijo na testa dela e sorriu. Camus ergueu seu braço direito. Seu cosmo iluminou o ambiente e mesmo que ele não dissesse seu coração pareceu começar a congelar junto com o corpo da kitsune. Shaka surgiu com os outros, ficando cada um deles parado ao lado de Kyoko, rodeando o corpo dela com os dez cavaleiros de ouro. O ar frio de Camus descendo como um véu fino e brilhante, iniciando a criação de seu esquife, mas dessa vez ele daria o máximo de si, modelando de forma delicada e extremamente bela, deixando o gelo na forma exata de um cristal liso no centro e com vários menores presos em todo seu contorno.
Camus então fez um gesto com os braços, erguendo o esquife e o colocando de pé atrás de onde ficaria a armadura de Gêmeos.
— Está feito. Nunca irá derreter Saga. Eu prometo! – Disse o aquariano.
Saga caminhou devagar observando com zelo e o tocando com carinho. Estava lindo! Kyoko parecia uma boneca. A boneca mais preciosa que alguém podia ter. Seria a parte mais bela daquela casa e mesmo quando seus sucessores tomassem seu lugar ela ainda estaria ali, eternamente linda.
Os cavaleiros de ouro começaram então a se retirar deixando o protetor de gêmeos sozinho com sua dor e seu luto, mas nem tão sozinho assim, pois do Makai, através de uma fenda Hiroaki amargava a dor ao ver a cena, caído de joelhos em meio as lágrimas de arrependimento no quarto frio e escuro de seu palácio.
Continua...
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